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Ariel Palacios

19.janeiro.2011 09:57:55

Livro reúne 333 ‘causos’ borgianos

 

 O escritor argentino Jorge Luis Borges poderia ter morrido atropelado em uma rua londrina por uma brincadeira do colega cubano Guillermo Cabrera Infante nos anos 70. Uma noite os dois caminhavam juntos na direção da praça Berkeley quando o escritor cubano, suspeitando que o colega argentino não era um cego verdadeiro, mas apenas um farsante para “emular Milton e Homero”, decidiu deixar Borges sozinho no meio de uma rua com intenso tráfego de automóveis. Os táxis e carros esquivavam o autor de “Ficções” e “O Informe de Brodie”, enquanto este – sozinho – continuava lentamente atravessando a rua. “Borges estava impassível, talvez devido à sua condição de discípulo do (bispo e filósofo George) Berkeley. Isto é, já que ele não via os carros, estes não existiam. Corri para resgatar Borges e o levei a um lugar seguro”, explicou posteriormente Cabrera Infante.

Este causo – junto com outros 332 – foram recopilados pelo escritor e jornalista argentino Mario Paoletti em “O outro Borges – Anedotário completo” – recém-lançado em Buenos Aires pela editora Emecé. A maior parte dos “causos” mostram as irônicas opiniões – e atitudes – de Borges sobre religião, literatura, política e religião, entre vários outros assuntos. Segundo Paoletti, nenhum outro escritor no mundo hispano-americano gerou tantos “causos” como Borges. “Não é impossível que isto se transforme em um subgênero literário”, diz.

BLEFE – No livro, Paoletti conta duas cenas vistas pelo escritor Blas Matamoros nos EUA com Borges. Em uma delas, uma pessoa diz ao escritor argentino: “Borges, o senhor é um blefe”. Borges respondeu: “sim, mas leve em conta que é involuntário…”.

Na outra cena um estudante contestador grita ao escritor: “você, Borges, está morto!”. Borges retrucou: “é verdade, só existe um erro nas datas”.

DEUS, A VIRGEM E O MOTOR – O editor polonês-americano Walter Bara, da editora McGraw-Hill conta a yBorges que havia estado em um avião que quase estatelou-se no chão porque um de seus motores havia desprendido da fuselagem. No entanto, depois de uma vertiginosa queda, o piloto conseguiu equilibrar o avião e aterrissar. Bara cumprimentou o piloto efusivamente. Mas, os outros passageiros ficaram zangados com ele, já que atribuíam a salvação de suas vidas à uma medalhinha da Virgem Maria que uma das passageiras pegou em sua maleta quando o avião caía. Borges ouviu o relato e comentou: “isto é, Deus havia ordenado que o motor se soltasse e que eles morressem. Mas, graças a um apelo à Virgem, intervém um subalterno de Deus (a Virgem em questão) e muda os planos. Como alguém pode pensar assim?”.

Borges empunha um pequeno punhal para uma cena de um documentário rodado nos anos 70 na Argentina. Para ver o trailer desse documentário, “Borges, um destino sul-americano” (no 1:21 min. está a imagem acima), clique aqui.

SINCERIDADE E CALOR – Em um dia de calor sufocante Borges chega à casa do amigo e escritor Adolfo Bioy Casares, na elegante rua Posadas, no bairro da Recoleta, para almoçar (costume que manteve durante décadas, todos os dias). Os almoços eram embalados por conversas sobre filosofia e literatura. Mas, ao entrar, cumprimenta o amigo e diz: “o calor é o assunto natural. Sejamos sinceros: falemos sobre o calor”.

LUGAR ERRADO – Adolfo Bioy Casares, Silvina Ocampo (mulher de Bioy) e Borges vão a um velório. Mas, não encontram a casa. E de quebra, não lembram do nome do morto. Outro dia, o trio vai a um lugar onde Borges terá que proferir uma palestra. No entanto, entram, por engano, na casa errada, onde está sendo celebrado um casamento. Cumprimentam todas as pessoas e só percebem que a conferência não é ali quando os noivos aparecem.

SINCERIDADE E ESTADO – Durante uma entrevista à revista portenha “Siete Días” em 1973 o jornalista conversava com Borges sobre as modalidades de Estados.

- Sr. Borges, que tipo de Estado desejaria?

- Um Estado mínimo, que não fosse notado. Morei na Suíça cinco anos e ali ninguém sabia o nome do presidente.

- A abolição do Estado que o senhor propõe tem muito a ver com o anarquismo.

- Sim, exato, com o anarquismo de Spencer, por exemplo. Mas não sei se somos suficientemente civilizados para chegar ali.

- Acredita seriamente que tal Estado é factível?

- Evidentemente. Mas, uma coisa é verdade: será preciso esperar 200 ou 300 anos.

- E enquanto isso, Borges?

- Enquanto isso a gente se f…

SER OU NÃO SER – O livro conta que em uma ocasião o poeta Eduardo González Lanuza, amigo de Borges desde a adolescência, caminhava pela rua Florida, em pleno centro portenho, quando repentinamente vê o autor de “O Aleph” sozinho, no meio da multidão que caminha apressada. Borges, cego, estava com sua bengala no meio-fio, esperando para atravessar a rua. O poeta coloca a mão em cima do ombro do amigo e diz: “Borges, sou eu, González Lanuza”. Borges gira a cabeça e após uns segundos, responde: “é muito provável”.

GASTRONOMIA – Paoletti relata que em uma entrevista em Roma um jornalista europeu tentava colocar Borges em uma situação constrangedora. Mas, como não conseguia, recorreu a uma pergunta que considerou que seria muito provocante: “em seu país ainda existem canibais?”. Borges, imediatamente, respondeu: “já não existem mais… devoramos todos eles”

 

Borges e Beppo. O gato – ao qual o autor dedicou vários poemas – não era seu, mas sim, de sua empregada, Fanny. Quando Beppo morreu, os dois o enterraram em um cantinho da praça San Martín, a um quarteirão do edifício onde Borges morava (na esquina das ruas Maipú e Marcelo T. de Alvear).

SÉCULO – Um jornalista entrevista Borges em Paris em um estúdio de gravação. Em meio à conversa, o jornalista pergunta a Borges:

- O sr. percebe que é um dos grandes escritores deste século?

Borges fica quieto durante uns segundos e responde:

- É que este foi um século muito medíocre…

METAFORICÍDIO – O livro também conta como Borges um dia foi ao banco, onde uma funcionária lhe disse: “embora eu saiba (de memória) qual é seu saldo bancário, vou verificá-lo, pois não gostaria de dizer uma coisa e que seja outra”. Borges depois relatou ao amigo Esteban Peicovich: “essa senhorita acabou de assassinar a metáfora”.

CASTELO – Paoletti também conta – baseado no relato do poeta José Bergamin – que nos anos 50 Borges foi à Montevidéu para uma série de conferências. Mas, antes de iniciar, começou a colocar sobre a mesa uma pilha de livros. No entanto, ao longo da palestra, não usou nenhum dos livros ali colocados. Ao terminar a conferência Bergamín aproximou-se de Borges e perguntou qual havia sido a utilidade de tantos volumes que não consultou. Borges respondeu: “eu os uso como ameia”.

Borges, ilustrado pelo cartunista uruguaio Alberto Breccia para o comic “Perramus”, no qual o escritor envolve-se em uma delirante trama política-policial de realismo fantástico.

PREMATURA – Anos antes da morte de Borges em 1986 na Suíça, os jornais franceses, além do New York Times, publicaram a notícia de que ele havia morrido. Preocupado, o ensaísta Ulysses Petit de Murat tentou entrar em contato Borges, até que conseguiu encontrá-lo e confirmar que estava vivo. Murat expressou a Borges seu desagrado pela “notícia apócrifa de sua morte”. Borges corrigiu: “apócrifa não…somente prematura”

 

Borges fala sobre “o rigor da ciência”. Aqui.

JLB recita seu poema “Everness”. Aqui.

E o “Poema de los dones”, aqui.

Em uma entrevista Borges sustenta que “o barroco é uma soberba do escritor”. Aqui.

E minha conferência preferida, “A Cegueira”, aqui.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Comentários (48)| Comente!

48 Comentários Comente também
  • 19/01/2011 - 10:29
    Enviado por: Tweets that mention Livro reúne 333 ‘causos’ borgianos « Ariel Palacios -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Ricardo C. and others. Ricardo C. said: RT @arielpalacios: Saborosos ‘causos’ (333, no total!) de Jorge Luis Borges reunidos em livro: http://migre.me/3Hx9j [...]

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  • 19/01/2011 - 11:52
    Enviado por: Glúon

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    Papo de comentaristas
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    - Poxa, até que enfim!
    - O que houve?
    - Foram sete posts seguidos sobre Cristina Kirchner e os perfis dos presidenciáveis!
    - Pois é. Mas agora Borges é o assunto natural. Sejamos sinceros: falemos sobre o Borges.
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    • 20/01/2011 - 18:13
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Glúon, hehehehe…saímos da realidade plus-que-fantástica da política local para a realidade fantástica borgiana…
      Abraços,
      Ariel

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  • 19/01/2011 - 12:13
    Enviado por: Catarina

    Ariel, vc citou Ficçôes”, é o teu preferido?
    Estou com a última ediçâo – creio ser ,2010 – impresso em Cosmos Print, Avellaneda.
    Depois de muito tempo ter lido a traduçâo -e achei deveras intrigante, como tudo que li de Borges – agora vou ler no original, presente recente, para o verâo.
    Ah propósito, gostei muito de “Borges e a Entrevista” , de Daisi Vogel.
    A autora é catarinense, de Floripa , e uma viajante na obra do mestre dos sonhos . Sds.

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    • 20/01/2011 - 18:20
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Catarina, “Ficções” é mesmo um de meus preferidos! E outro genial é a “História universal da infâmia”. Mas do Borges gosto de tudo: seus ensaios, poemas, contos.
      Não conhecia essa autora catarinense… do que trata o livro dela?
      Abraços,
      Ariel

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  • 19/01/2011 - 12:44
    Enviado por: Lito Porteño

    Gracias Ariel por hacernos disfrutar este blog,digno de un genio como Borges.
    Analizando los anteriores (candidatos a futuro presidente de Argentina),Cristina ya se estaba transformando en la madre Teresa.

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    • 20/01/2011 - 18:21
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Lito, Borges é sempre interessante, não é?
      Pois é…com todo esse leque de candidatos, a coisa está complicada. E olhe que fiz uma pausa, pois ainda faltam Reutemann, Menem, Rodríguez Saá e Felipe Solá…
      Abraços,
      Ariel

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  • 19/01/2011 - 14:10
    Enviado por: livia

    Ariel, ótimo post, revigorante, diria.

    A série sobre os candidatos argentinos a presidencia foi muito interessante, até passei o link a alguns amigos argentinos. Mas como estou de férias, comendo coxinha e tomando suco de cupuaçu, prefiri menter-me afastada. Até fevereiro leio com calma os posts e me informo dignamente.

    Borges é genial, amo seus “causos”.

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    • 20/01/2011 - 18:29
      Enviado por: Ariel Palacios

      Cara Lívia, férias, que inveja! Aproveita para comer as coxinhas, o suco de cupuaçu, e aproveite, e em meu nome, saboreie uns brigadeiros, quindins e manjar branco.
      Na última semana de fevereiro ou na primeira de março faremos aqui a reunião dos comentaristas-leitores que moram em B.Aires.
      Abraços,
      Ariel

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  • 19/01/2011 - 16:09
    Enviado por: Tarik

    Mais que perfeito.
    Faltou incluir a célebre resposta à indagação de um jornalista, a respeito de como Borges procurava as palabvras.
    A resposta veio imediata: “as palavras é que me procuram; encontram-me, às vezes”.

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  • 19/01/2011 - 16:12
    Enviado por: hcf

    Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

    Putzzzz, não sobrou mais nada….. ;-)

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  • 19/01/2011 - 16:48
    Enviado por: Antônio

    Talvez, Borges seja o menos reconhecido dos escritores. Fosse inglês, francês, norte-americano ou de outra nacionalidade que não sul-americano, seria incensado e teria sido aclamado como um dos mais originais autores. Sua ideia da biblioteca universal ainda não foi compreendida e sua história universal da infâmia não teve também seu alcance entendido, apesar das confirmações dela que se lê a cada dia nos jornais. Talvez o melhor defensor de Borges seja Baby Doc voltando ao Haiti, para confirmar a impunidade universal dos tiranos e criminosos universais. E dizem que Borges era direitista, como se os esquerdistas fossem santos merecedores de canonização! Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Quem não tem nenhum não é visto como profeta que antecipa os dias terríveis que nos ameaçam. Borges era cego? Os eleitores de Berlusconi o que são? Fiquemos com estrangeiros, em respeito á esperança esgarçada que mantém os brasileiros vivos!

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    • 20/01/2011 - 18:47
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Antônio, pois é, a biblioteca de Babel, de certa forma, não poderia ser hoje como a internet? Borges estava bastante avançado para sua época.
      E, uma coisa estranha sobre os “rótulos” aplicados a Borges: Tomás Borge, um dos líderes históricos da revolução sandinista, há poucos meses, em Buenos Aires, durante o Foro de São Paulo (a edição do Foro em B.Aires), elogiou – perante um auditório coalhado de representantes da esquerda revolucionária, a esquerda tradicional e a centro-esquerda – a figura de Borges como um dos “emblemas da América Latina”.
      Abraços,
      Ariel

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  • 19/01/2011 - 19:01
    Enviado por: Alfredo Azevedo

    Ariel
    Saudamos sua chegada a esse “oásis borgiano” após sua difícil jornada por labirintos de areias movediças da política Argentina. A escolha de Borges, ou de seus “causos” irônicos, não teria sido uma escolha pensada de sua parte, Ariel?
    Afinal os “labirintos”, os “duplos”, os “espelhos”, as “escadas” é que formam esta imensa metáfora ou “livro de areia” que é a política partidária dos hermanos.
    No centro do Parque Palermo existe um círculo em meio a um roseiral, sobre cujas linhas limítofes, os bustos de Borges e de Louis Braille se opõem ou se completam como metáfora. Nada é por acaso.
    De qualquer modo, meus aplausos pela lucidez e sensibilidades, mesmo na parte política.

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    • 20/01/2011 - 19:04
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Alfredo, pois é, ler Borges é como uma jarra de limonada após atravessar o deserto.
      E, hehehehe… foi coincidência a postagem sobre Borges após os posts sobre os peculiares presidenciáveis do país. Mas, é verdade que ir da política surreal à realidade fantástica é um pulo! E, genial a alusão ao Livro de Areia.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/01/2011 - 01:57
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Ariel, tu és um escritor escrevendo acerca de um escritor que admiro. Lendo você também o admiro. Parabéns!
    Agora me diga, aqui entre nos, tem motivos de esperança intelectual na Argentina?
    Simplificaram o Inglês e por ordem dos Johnnies simplificaram o Português e o Castelhano. A música que outrora era composta por complexas harmonias virou um chá-com-pam de 3 harmonias. Suspeito que o próximo estágio da sociedade moderna seja voltar às copas das árvores e o alfabeto de 26 ou 27 letras fique resumido ao tam-tam dos tambores. Você nem imagina como está rasa a coisa aqui nos Estados Unidos!
    Borges evoca uma Argentina que infelizmente não foi o que era para ser.
    Há intelectuais jovens na Argentina?

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    • 20/01/2011 - 11:12
      Enviado por: Dante Huerta

      Ariel é um…

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    • 20/01/2011 - 19:21
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Jorge, hehehehe… ainda me falta um longo caminho para ser escritor…
      Bom, motivos de esperança intelectual na Argentina, existe, sem dúvida! Há toda uma geração muito nova, de jovens que eram crianças ou adolescentes na época da crise, que foram marcados profundamente por ela… é aquela coisa… às vezes essas crises são um caldeirão para novos talentos. Acho que em breve começarão a ficar mais claros os novos talentos que despontam.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/01/2011 - 09:35
    Enviado por: SôRamires

    Embora em Sampa faça um calor dos demônios, está um poquitito mais fresco que em Buenos Aires…e você nos presenteia com este post que é um postre muy rico.
    O repertório de histórias com Borges é sansacional, divertido, irônico…mesmo que algumas delas nem tenham acontecido assim como se conta.
    Tem um texto sobre o calor tirado de alguma entrevista…-en verano me siento una especie de canalla…- que eu adoro.
    Obrigada por nos trazer tanta coisa linda.
    E tenho o imenso prazer de morar na Calle Jorge Luis Borges, eu acho um luxo!

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    • 20/01/2011 - 19:33
      Enviado por: Ariel Palacios

      Cara Sô, tudo bem? O calor aqui esteve infernal estas semanas… as cachorras ficam deitadas o tempo inteiro, moídas de cansaço pelo clima…
      Sem dúvida, morar em uma rua assim, é supimpa!
      E obrigado pela frase e o link!
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/01/2011 - 09:54
    Enviado por: SôRamires

    Biológicamente, físicamente me gusta el frío. En el verano me siento como una especie de canalla realmente, en cambio en invierno, me siento como una persona decente.”
    Jorge Luis Borges

    http://jorgeluisborges.gipuzkoakultura.net/jorge_luis_borges_siglo_eu.php

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  • 20/01/2011 - 11:03
    Enviado por: LAERTE CARMELLO

    ARIEL: As livrarias do Brasil têm em português a obra do gigante literato Jorge Luís Borges, cujos livros vendem bem por aqui. Agora Você anuncia, para nosso regozijo e curiosidade, este livro de Mário Paoletti que, ao narrar 333 episódios pessoais e cotidianos da vida de Borges, vem prestar um criativo aporte à biografia tão multifacetada dele. A idéia desta interessante obra de M.Paoletti nasceu num congresso de escritores do mundo hispânico, por sugestão do nobel Mário Vargas Lhosa. E o conteúdo (333 episódios) demandou 10 anos de criteriosa pesquisa.
    Hoje Você, Ariel, nos brindou com alguns episódios, mas lembro que são 333!!! e
    para saciar nossa expectativa, oxalá o livro seja traduzido e lançado em breve aqui
    no Brasil. Parabéns por esta postagem sobre “o outro Borges”!

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    • 20/01/2011 - 19:37
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Laerte, o trabalho do Paoletti é muito interessante, pois ele fez questão de confirmar todos – literalmente todos – estes causos.
      Imagino que um livro assim despertará o interesse (se é que já não há negociações com alguma editora) no Brasil.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/01/2011 - 19:34
    Enviado por: Catarina

    http://errudito.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

    “532. borges e a entrevista – nota 1
    Domingos atrás li Borges e a entrevista: performances do escritor e da literatura na cena midiatizada, de Daisi Vogel (Florianópolis: Insular, 2009). Daisi nos conduz por instigantes declarações de Borges e de vários de seus entrevistadores. Na recuperação, costura uma reflexão muito pertinente sobre jornalismo e literatura, entrevistados e jornalistas. Oferece, ainda, uma interessante discussão sobre entrevista, seu caráter primordial para o fazer jornalístico, sem deixar de retratar sua bifurcação em diálogo e conversa. Ao Borges entrevistado ela só interessava assim, como atividade interacional, no terreno da experimentação. Fiz muitas notas, voltarei ao assunto. Hoje escolhi para postar aqui uma declaração de Mario Vargas Llosa, dada em 1999, sobre percepções de diferentes momentos de Jorge Luis Borges. É claro que é preciso entendê-la no contexto em que Daisi Vogel a apresenta, mas achei tocante. Vargas Llosa diz:
    A primeira vez que falei com ele, naquela entrevista de 1960 ou 1961 (lembro-me de sua resposta a uma de minhas perguntas: “ – O que é política para você, Borges?” “- Uma das forma do tédio”), estou seguro de que, pelo menos em algum momento, realmente falei, me conectei com ele. Nunca mais voltei a ter essa sensação nos anos eguintes. Eu o vi muitas vezes, em Londres, Buenos Aires, Nova York, Lima, e voltei a entrevistá-lo, e até o recebi em minha casa por várias horas na última vez. Mas em nenhuma dessas ocasiões senti que conversávamos. Ele já tinha apenas ouvintes, não interlocutores, e talvez um só ouvinte – que mudava de rosto, de nome e de lugar – diante do qual ia desfiando um monólogo curioso, interminável, atrás do qual se havia recolhido ou enterrado para fugir dos demais e até da realidade, como um de seus personagens. Ele era o homem mais homenageado do mundo e dava uma tremenda impressão de solidão.
    Neste trecho, Mario Vargas Llosa reitera a imagem de Borges como personagem entrevistado, “um personagem que terá mudado ao longo dos anos e terá desenvolvido uma espécie de texto-fórmula, semipronto e adaptável, para enfrentar perguntas repetitivas”, como comenta Daisi Vogel (p.155). Sim, porque Borges encarava seu interlocutor de igual para igual na maior parte das situações. Ele procurava a conexão. Ou um ouvido disposto. Não havendo, perdia o interesse. “

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  • 20/01/2011 - 23:47
    Enviado por: carlos 3m

    ariel, meus parabens. nao so parou a politicagem como a substituiu por um relato de um personagem de 1ra. borges nasceu muito antes do seu tempo, mas mesmo assim enriqueceu o nosso tempo.

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  • 23/01/2011 - 04:33
    Enviado por: Jorge Trimboli

    lembro de uma tarde ele passar ao nosso lado na rua Montevideo, no centro. Eu teria 7 ou 8 anos. Meu pai reconheceu e nos avisou. Vestia um perramus e um chapeu. Era como se San Martin tivesse passado ao meu lado. Estavamos assentados no carro estacionado do meu pai. Me pareceu alto e caminhava lentamente.

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  • 23/01/2011 - 15:34
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Obrigado pelo comentário caro Dante Huerta.
    Fui breve porque postei desde o iPhone, agora vou escrever desde o computador em homenagem a você e ao Ariel, que como um “Mestre Porteiro do Tempo”, com seu blog abre velhos portais que estavam fechadas em minha memória.
    Estávamos a família toda no carro do meu pai, estacionado à rua Montevideo entre Lavalle e Av. Corrientes, pleno centro de Buenos Aires.
    Eu teria 7 ou 8 anos.
    Meu pai o viu primeiro e deu o alerta: “Olhem o Borges, vai passar ao nosso lado!”
    Fizemos um silêncio solene e segundos depois passa caminhando Jorge Luis Borges, o maior escritor argentino. Estava vestindo um “perramus” escuro (um casaco sobretudo estilo inglês) e um chapéu. Passou caminhando lentamente acompanhado de uma dama. Ele era mais alto que ela e me parecia muito alto.
    Para mim era como se o General San Martin estivesse passando ao meu lado.
    Esta lembrança é muito viva, como se tivesse acontecido o ano passado, e não 45 anos atrás.
    O que estávamos fazendo ali não lembro. Tampouco lembro o que fizemos logo a seguir. Mas daquele instante lembro claramente.
    Você deve ter a curiosidade de saber porque lembro da rua Montevideo. Era porque morávamos num apartamento que ficava ali.
    E deve querer saber como eu sei que ele vestia um casaco perramus. Porque meu pai também tinha um. Ele passou tão perto que, através da janela do Fiat 1100 do meu pai, identifiquei o tecido do casaco, igual ao do meu pai e ao de muitos adultos portenhos da época. Esse casaco estava na moda.
    A memória guarda com nitidez tudo o que vivenciamos acompanhados de sentimentos fortes. Um grande abraço.

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    • 26/01/2011 - 14:39
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Jorge, genial relato!
      E, coincidentemente, a Perramus inspirou Breccia a fazer o comic… no qual Borges participa!
      Hehehehe… obrigado pelo insólito “mestre porteiro do tempo”!!!
      Abraços,
      Ariel

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  • 23/01/2011 - 18:56
    Enviado por: Dante Huerta

    Prezado Jorge, agradeço demais a gentileza de ter ampliado seu relato deixando ele mais agradável ainda. Se bem no meu comentário anterior tentei dar meu humilde reconhecimento ao que poderia ser decripto como uma pequena parte de uma peça literária de quem escreve a muito tempo, não posso negar que o mencionado relato me levou á situação, tanto geográfica como imaginativa. Frequentei bastante essas ruas. Se terei tomado meus “cafecitos” na querida La Paz ( Corrientes e Montevideo ) geralmente acompanhado de figuras da talha de Anselmo Aieta, Ariel Ramirez ,Chico Novarro, Juan Carlos Saravia e outros muitos mais que frequentavam a querida confitaría.
    Nessa última viagem ( outubro e novembro ) tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente ao nosso querido anfitrião. Bela pessoa nas letras…mais bela ainda pessoalmente. Seria muito do meu agrado, sempre e quando esto não implique nenhum inconveniente, lhe conhecer pessoalmente também na próxima viagem. Quem sabe aquele “cafecito” na La Paz possa ser compartilhado entre Ariel você eu.
    Vai meu cordial abraço e até,

    Dante Wady Huerta

    http://www.buenosaires.gov.ar/areas/cultura/cpphc/sitios/detalle.php?id=17

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  • 24/01/2011 - 07:16
    Enviado por: Emilio Mansur

    Oi, Ariel;
    Sei que és profundo admirador e conhecedor de JLB.

    Vamos ver se vc acerta esta;
    Eu moro em uma cidade brasileira do Sul citada em um dos livros do Borges.

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    • 26/01/2011 - 14:56
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Emílio,
      Aaaahhhh… eu acho até que o RS aparece em mais de um conto do Borges. Um deles, cita algum amigo do pai dele que jogava xadrez e morava no interior gaúcho…
      Acho que nesse conto citava a cidade, mas não lembro qual era…
      E está “El muerto”, conto sobre Benjamín Otálora, que envolve-se em uma confusa trtrama no Uruguai… e tem algo que ocorre do lado gaúcho da fronteira.
      E em Tlon Uqbar e Orbis Tertius há um insólito norueguês que morava no RS (mas não lembro de cidade citada).
      Tire nossa dúvida, por favor!!!
      Abraços,
      Ariel

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  • 24/01/2011 - 18:41
    Enviado por: Olimpio

    Ariel, quanto ao fato do cubano que largou o Jorge no meio dos carros por duvidar que fosse cego, me permita dizer, só podia ser cubano…

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    • 26/01/2011 - 14:58
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Olímpio, já imaginou se Borges tivesse sido atropelado? O que teria dito Cabrera Infante??
      Talvez teria colocado a culpa em Borges, “que atreveu-se a atravessar a rua, mesmo sendo cego”.
      Abraços,
      Ariel

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  • 02/02/2011 - 09:39
    Enviado por: Alberto

    Como dito pelo grande Borges:

    “Já nos acostumamos com os espelhos. Ainda assim, existe algo de temível nesta duplicação visual da realidade!”

    Parabéns pelo blog e muitíssimo obrigado pelos inspirados, inteligentes e entusiasmantes posts!

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  • 06/02/2011 - 22:46
    Enviado por: Leticia

    Estudei a literatura de Borges na USP, em Letras.Mas estes causos estao demais… Amei o post!

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  • 16/04/2011 - 08:32
    Enviado por: José Luiz Tahan

    Prezado Ariel, aqui Zé Luiz, livreiro e editor em Santos, amigo da Adriana Carranca, tudo bem? Puxa, quero publicar este livro dos causos do Borges pela minha editora, a Realejo. Tem algum contato do editor Argentino, ou sabe se já foi negociado por aqui?
    Abração! Te ligo aí para avançarmos, ah! E acho que um livro dos seus post se aproxima…valeu, parabéns pelo trabalho.

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  • 22/05/2011 - 16:40
    Enviado por: randomicidades » Blog Archive » Os causos de Jorge Luis Borges

    [...] Os causos de Jorge Luis Borges Por Ariel Palacios [...]

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  • 07/10/2011 - 14:31
    Enviado por: Priscila

    Grande texto e grande saudade de Bs As e La Pampa !!
    Não vejo a hora de voltar. Abraços !

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