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A referência para a venda de ações do Facebook em seu IPO nesta sexta-feira está entre US$ 34 e US$ 38. Caso a mediana deste valor seja atingida, a rede social terá uma valorização de mercado similar ao McDonald’s, Citigroup, Amazon e Hewlett Packard. Será também cem vezes mais valiosa do que o New York Times.
Vocês acham que vale tudo isso? Primeiro, o Facebook atualmente ganha dinheiro com publicidade no site. Mas, segundo pesquisa publicada ontem pela NBC, 57% dos usuários nunca clicaram em anúncio. Outros 26% raramente o fizeram. Verdade, sobram 15%, o que equivale a 150 milhões de pessoas. É muita gente. Mas, eu, honestamente, nunca cliquei e não conheço quem o tenha feito. E vocês?
A General Motors comparte desta visão de que publicodade no site não dá retorno e decidiu suspender seus anúncios na rede social. Mais fácil, assim como muitas empresas, eles apenas usaram as páginas gratuitas do Facebook para aparecer.
Por último, metade dos quase 1 bilhão de usuários do Facebook entra na rede social pelo celular. E a própria empresa de Mark Zuckerberg admite ter enormes dificuldades para conseguir receitas em aparelhos móveis.
Ao mesmo tempo, o Facebook tem dados sobre nossas pessoas que nem imaginamos. E são estas informações que tornariam esta empresa tão valiosa. Isto é, eles não ganhariam tanto dinheiro com as propagandas no site. Mas teriam receitas através da venda do que sabe sobre a gente para as empresas anunciarem também em outras formas de mídia.
Além disso, o Facebook consegue saber sobre a gente mesmo quando não estamos na rede social. Ao comentarem neste blog, vocês leitores estarão imediatamente passando informações para a empresa de Zuckerberg. Eles saberão que vocês têm interesse em política internacional, especialmente temas relacionados ao Oriente Médio e Estados Unidos.
Diante destas informações, se eu fosse investidor, não compraria as ações do Facebook. Até acho que o valor no primeiro pregão pós-IPO chegue perto dos 50% e a valorização prossiga por meses. Mas simplesmente, hoje, não sei direito como esta empresa funciona. Não é um Citigroup, um McDonald’s, onde eu sei exatamente quais as suas qualidades e deficiências.
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Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
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Trípoli é uma cidade complicada no Líbano por ser praticamente uma Síria em miniatura. Os sunitas são majoritários e se dividem entre os defensores e inimigos de Assad. Alguns, especialmente entre os opositores, são salafistas. Nesta segunda maior metrópole libanesa, também vivem alauítas e cristãos.
Um dos líderes salafistas foi preso, provocando levantes. O Exército precisou intervir. Desta vez, conseguiu. Mas o cenário deve se deteriorar. Trípoli se transformou em um pólo de atração para militantes que querem entrar na Síria e lutar contra Assad. Quanto mais eles vierem, mais os libaneses, especialmente os cristãos e os xiitas, ficarão irritados.
Obviamente, no médio prazo, as divisões dentro do Líbano se agravarão. Mas, ao contrário da Síria, há líderes claros em cada um dos grupos sectários libaneses. Hassan Narallah, do Hezbollah, e Nabi Berri, da AMAL, dominam os xiitas. Saad Hariri e o premiê Najib Mikati são as forças sunitas, apesar de antagônicas. O mesmo se aplica aos cristãos de Michel Aoun (pró-Assad, por incrível que pareça) e de Samir Gaegea, anti-Damasco. Os druzos têm Walid Jumblatt e, em escala bem menor, Arslan.
Para completar, o presidente Michel Suleiman desfruta de enorme legitimidade e é respeitado pelas Forças Armadas, também predominantemente cristãs.
Todas estas figuras mantêm canais de negociação e devem ser incentivados a negociar para evitar a contaminação do conflito no Líbano. Eles têm o poder para atingir este objetivo. E, aplicando teoria dos jogos, tanto Nasrallah quanto Hariri perderiam muito em um conflito.
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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
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Escrevi na semana passada e falei na TV que a Síria não tem solução no curto prazo. Todas as estratégias para superar a crise fracassarão e teremos Guerra Civil. Mas ainda dá para evitar o alastramento para o Líbano antes que seja tarde.
Meu irmão, Robert Chacra (sim, texano, acreditem), acabou de celebrar os dez anos de casado com uma viagem para Beirute e outras regiões libanesas. Obviamente, o país dos cedros ainda encanta por ser um dos mais sofisticados, cosmopolitas e maravilhosos do mundo. Mas há tensão no ar.
Primeiro, a quantidade de refugiados sírios andando pelas ruas é alarmante. Aos poucos, pode começar a lembrar os palestinos dos anos 1970 e todos sabem o que aconteceu depois. Em segundo lugar, apesar de ter crescido 5% em 2011, graças à remessas do exterior, a economia tende a sofrer com a crise no país vizinho.
Mais grave é o cenário para os alauítas da região de Trípoli, no norte do Líbano – não confundam com a capital da Líbia. Eles são uma minoria dentro da cidade e vivem separados dos sunitas ironicamente por uma rua chamada “Síria”. No passado, houve choques na segunda maior cidade libanesa.
Agora, de acordo com o que o meu irmão apurou e relatos de outras fontes com quem converso no Líbano, eles apenas não são alvo de um massacre porque o Exército libanês os protege. Mas até quando? E, na Síria, os alauítas, que são uma vertente ultra-liberal em questões sociais do islamismo (e é a religião de Assad) correm um risco cada vez maior de genocídio no futuro.
Hoje ninguém fala. Mas ao longo da Guerra Civil síria começarão falar que “precisamos proteger os alauítas e os cristãos”. Eu falo hoje. Protejam os alauítas e os cristãos antes que seja tarde. E não permitam que a Guerra Civil se espalhe para o Líbano. Ainda dá tempo.
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Nesta quinta, em um dos maiores divisores de águas nas mais de três décadas de luta contra a AIDS, uma comissão ligada à FDA (Food and Drug Administration), que regula a venda de medicamentos nos EUA, recomendou a liberação de uma droga para prevenir a infecção com o HIV.
Não entendo como, mas quase ninguém deu bola, apesar de o assunto ter sido publicado com destaque em jornais como o New York Times, Estadão e Washington Post. Notem que, com este remédio, pessoas não contaminadas poderiam manter relações com portadores do HIV com um risco bem menor de contrair o vírus.
Vinte anos atrás, isso seria a grande notícia do ano, incomparavelmente superior a uma derrota de Sarkozy, CPI do Cachoeira ou a uma Síria que prosseguirá em guerra civil por anos.
De acordo com testes realizados internacionalmente, pessoas que tomarem a medicação Truvada diariamente têm uma possibilidade 90% menor de ser contaminada do que quem não tomar.
Este remédio já é usado no tratamento de pessoas portadoras de HIV. Há relatos de que médicos nos EUA e em outros países já receitem o remédio para parceiros de portadores, segundo o jornal The Washington Post.
A recomendação prevê justamente que o Truvada seja utilizado por pessoas com um parceiro que tenha o vírus. Também há a sugestão para que homossexuais a utilizem, assim como quem se se sentir risco de infecção ao manter relações heterossexuais.
Uma decisão sobre a aprovação do Truvada nos Estados Unidos para a prevenção de infecção por HIV deve ser tomada nos próximos meses. a FDA costuma seguir a recomendação da comissão.
Médicos alertavam, porém, que o Truvada não pode ser considerado uma vacina contra a AIDS e deve ser tomado apenas depois de aprovado pela FDA e com prescrição médica.
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Realmente, estou pessimista, e muito, em relação ao futuro da Síria. Abaixo, segue análise minha feita no programa Globo News Em Pauta
Damasco será nova Bagdá ou Beirute dos anos 1980
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