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Falta de foco e de estratégia nos estudos derrotam concurseiros

4 de fevereiro de 2014 | 13h55

Redação

Leonardo Volpi. Dedicação diária às leituras (foto: Márcio Fernandes/Estadão)

GUSTAVO COLTRI

O bacharel em direito Leonardo Volpi, hoje com 39 anos, dedica-se até oito horas por dia aos estudos, preparando-se para concursos de delegado de polícia. Depois de uma carreira ligada ao jiu-jítsu e ao MMA, inclusive com atuação nos Estados Unidos, ele decidiu há pouco mais de três anos seguir o sonho de trabalhar na polícia. Desde então, já passou por seis testes e, mesmo sem obter o êxito esperado, ainda mantém o vigor esperado de um lutador.

“Levanto às 6 horas. Uma hora depois já estou na cabine estudando (uma pequena sala na sede de um curso preparatório, com não mais do que uma mesa). Só paro de duas em duas horas, uns 15 minutos, para comer alguma coisa. Depois, vou para a academia, tomo um banho, como e vou dormir”, conta. Ele não dispensa a rotina nem nos fins de semana e feriadões.

“Tem de ter fé e força de vontade”, diz. O bacharel em direito atualmente é concurseiro em tempo integral, recebendo rendimentos de um escritório de advogacia do qual é sócio.

A receita de Volpi, com uma ou outra variação, parece ser o modelo de quem obtém sucesso nos concursos, segundo especialistas. Por outro lado, a falta de determinação, foco e estratégia no momento de enfrentar livros, apostilas, simulados e aulas seria uma das maiores faltas de quem busca uma colocação na administração pública.

“A persistência tem de ser a principal característica do concurseiro. As reprovações devem ser consideradas como experiência e não como perda. Só não passa quem desiste”, diz o vice-presidente acadêmico do Damásio Educacional, Marco Antonio Araujo Junior.

Mesmo motivado, o candidato precisa saber administrar e aproveitar o tempo. Um erro comum, segundo Araujo Junior, é mudar de foco de estudos durante o processo. “É importante estabelecer os objetivos com antecedência. O concurseiro tem de optar por uma ou mais carreiras e, a partir daí, definir seu programa de estudos.”

Servidor público como técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, Everton Silva, de 29 anos, aprendeu com a experiência. Embora tenha prescindido do lazer para priorizar os estudos, ele diz ter aberto demais o leque de opções nos primeiros meses. “No afã de passar, fiz tudo quanto era concurso. E, se a pessoa quer abraçar tudo, fica difícil. As matérias mudam de um concurso para o outro. E o conteúdo também quando uma banca diferente faz a prova, mesmo nas questões de português.”

Ele destaca a assiduidade nos estudos como um valor importante para quem deseja passar. Hoje, no início da preparação para o concurso de juiz federal do trabalho, começou a fazer um curso preparatório para a primeira fase da seleção para o cargo, que pretende conquistar em três anos. “A principal falha de quem não passa é não ter disciplina ou não manter a assiduidade no estudo. Não adianta estudar só depois do edital.”

O concurseiro “paraquedista”, que arrisca nas seleções sem a devida preparação, está fadado ao fracasso, na opinião do diretor pedagógico da rede LFG, Francisco Fontenele. Segundo ele, os candidatos devem conhecer nos detalhes os editais, incluindo as matérias, as etapas do processo seletivos e todos os títulos necessários.

Outros alvos devem ser as bancas examinadoras. “Para conhecê-las, o concurseiro tem de ver os editais e as provas anteriores. As bancas têm tendência de cobrar mais alguns temas do que outros. Algumas priorizam jurisprudência”, exemplifica.

Feita a preparação inicial, muitos candidatos derrapam na escolha das bibliografias e fontes de informação, segundo Fontenele, na medida em que alguns materiais disponíveis em apostilas e em materiais virtuais podem estar desatualizados. A mesma regra valeria para os cursos preparatórios.

A dedicação somente as aulas também não é suficiente. Os especialista ressalta importância da dedicação adicional aos cursos de preparação para a sedimentação dos conhecimentos. “Se a pessoa não trabalha, ela tem de ser uma concurseira profissional, como se essefosse o emprego dela”, diz.

O local de estudo, por outro lado, pode ser um problema se inadequado, de acordo com Araujo Junior. “Tem de ser um lugar claro, arejado, com temperatura ambiente. Isso permite aumentar o rendimento e a concentração. Em regra, quem estuda em casa não tem o mesmo resultado daqueles que procuram um local fixo, como uma sala de estudos, uma biblioteca ou um curso.”

Outro erro comum dos candidatos é não praticar, na avaliação dos especialistas. A resolução de provas de concursos anteriores e de questões simuladas devem fazer parte do planejamento juntamente com o conteúdo. Alguns endereços na internet, como no site www.questoesdeconcursos.com.br, oferecem pacotes de provas e permitem a troca de experiências em fóruns de discussão.

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