Um game a partir de dados reais e pessoais
- 3 de janeiro de 2012|
- 15h24|
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Por Agências
Will Wright, criador de ‘The Sims’, fala sobre seu próximo jogo ‘HiveMind’, que leva a vida do jogador para a experiência interativa
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RALEIGH – Will Wright, o criador de videogames de sucesso como SimCity, The Sims e Spore, voltou à ativa. Mas dessa vez, em lugar de controlar pessoas virtuais ou criar criaturas espaciais, o protagonista do novo HiveMind é o próprio jogador.
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HiveMind, um grupo de aplicativos online para múltiplas mídias e plataformas, tem o objetivo de transformar a vida cotidiana do jogador em parte da experiência interativa, tomando por base os chamados “jogos de realidade alternativa” (ARG) e aproveitando as correntes de informação pessoal disponíveis em celulares, tablets, redes sociais e computadores.
Embora a tecnologia e os sistemas de coleta de dados já estejam funcionando, o jogo ainda não tem data de lançamento. Mesmo assim, Wright demonstra entusiasmo pelo novo projeto e discute avidamente as implicações de estilo de vida que HiveMind poderia ter para os jogadores casuais.
Reuters: O que você aprendeu com jogos como The Sims e Spore e aplicou a HiveMind?
Wright: Esses jogos em certo sentido exploravam a ideia de uma experiência mais pessoal, atribuindo papel muito criativo ao jogador. Nos Sims, as pessoas reproduziam sua vida real, seus amigos, suas casas, e conduziam experiências com isso. Spore era um ambiente mais fantástico, oferecendo ferramentas de criação mais avançadas. Os dois me mostraram que quando algo é pessoal para jogador, este se dispõe a investir na experiência. E quanto maior o apego emocional, mais desejam compartilhá-la com os amigos e a família.
De onde veio a ideia para HiveMind?
Tive algumas experiências que me levaram a compreender que estou cercado de oportunidades de que não estou ciente, na vida. De vez em quando, tropeço em uma experiência assim — por exemplo, uma exposição de carros clássicos que encontrei por acaso em um estacionamento em Burbank. Percebi que era possível construir um sistema capaz de tornar a vida do jogador muito mais interessante, se soubéssemos onde ele está, que horas são, quanto dinheiro tem no bolso, como está o clima, o que o interessa etc.
Como funcionaria essa experiência de jogo?
Se soubéssemos tanto sobre o jogador e estivéssemos criando um mapa detalhado do mundo – e quero dizer, não só onde fica o Starbucks mais próximo, mas coisas como anotações históricas e pessoas que interessariam ao jogador… Comecei a pensar em jogos que poderíamos criar triangulando o jogador naquele espaço, criando essa percepção situacional profunda. Os jogos serão muitos, mas o foco serão experiências no mundo real e não no mundo fictício em que os atuais jogos investem.
Que desafios quanto à privacidade pessoal existem na criação de um jogo que gira em torno de dados pessoais dos jogadores?
É algo a que teriam de aderir voluntariamente, claro, e por isso não estaríamos roubando informações. As pessoas desejariam jogar. É o mesmo que acontece com os ARGs já existentes. Precisamos da adesão dos jogadores. Sempre que recolhemos dados sobre eles, precisamos refletir essas informações em uma experiência muito melhor, que os ajude a entender os benefícios. Quando tivermos sua adesão, a esperança é que eles contribuam mais e se envolvam mais. O sistema pode ser usado por eles e beneficiá-los com os dados acurados que recolhe.
HiveMind vai se expandir para além dos jogos e chegar à TV?
Estamos encontrando ótima sinergia com a TV em algumas áreas, nessa ideia. Fizemos um programa de TV, Bar Karma, que durou uma temporada na Current TV, um ano atrás. Usava crowd sourcing e a comunidade que desenvolvemos propunha todos os elementos, do conceito à narrativa, a cada semana, e ajudava a escalar atores reais para o programa.
Você proporá interatividade semelhante em seus novos projetos de TV?
Bar Karma foi um híbrido interessante entre crowd sourcing e TV profissional, mas aprendemos muito sobre como envolver comunidades em atividades criativas. Isso certamente acontecerá em HiveMind, que terá forte componente comunitário. Como projetista, creio que crowd sourcing seja uma das melhores ferramentas disponíveis hoje.
O fato de que os novos televisores oferecem acesso à internet pode ajudar nisso, certo?
É notável. Comprei alguns televisores e alguns computadores novos nos dois últimos anos, e hoje é mais difícil preparar uma TV para uso do que um computador.
/ John Gaudiosi (REUTERS)
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