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Perfil Psicológico da Aninha Tarja Preta

Lusa Silvestre

terça-feira 17/06/14

Com grande coragem, cronista cria o perfil psicológico de uma das maiores feras da metrópole.

Aninha Tarja Preta gosta de buzina, poluição e celular com 3G no seu habitat – e por isso prefere as cidades. Cada vez mais investigada pela ciência, surge, ansiosa, no filme “E Aí, Comeu?” (Brasil, 2012) e foi descrita como “muito sem noção” por Arnaldo Antunes na canção “Ela é Tarja Preta”( album Disco, 2013).

 

Muda de personalidade diante do mais banal dos motivos. Pode ir da safada amorosa-experimental à assassina fria-serial numa reles troca de SMS. A inconstância do seu comportamento constitui tamanho desafio à compreensão masculina que chega a ser emocionante esperar pelo próximo faniquito. Aninha Tarja Preta mistura bebidas. Aninha Tarja Preta puxa briga com homens maiores que você. Aninha Tarja Preta não responde Whatsapp – mas faz questão que se saiba que ela está online.

 

Aninha Tarja Preta tem seios naturais desenhados pela Nasa – mas Deus já botou advogado exigindo autoria. Um reles almoço de família pode se tornar um conflito entre Coréias. Até o próprio pai a teme – e nutre secretamente a esperança que algum corajoso segure a peteca. Torce escondido pra o encontro render matrimônio, para você assumir a moça e a terapia que ela faz desde a primeira TPM, aos 12 anos.

 

Até hoje comentam no bairro essa primeira TPM.

 

Aí o leitor pensa que, por ser casca-grossa, é fácil se desapegar dela. Não se engane, leitor ! Aninha Tarja Preta normalmente é linda e transa bem. Trabalha sob influência de Satã principalmente quando nua. Aliás, correção: Aninha Tarja Preta não fica nua – fica pelada.  Ela tem senso de humor, é cheirosa, é encantadora, passa rímel nos olhos. Põe seu nome na boca do sapo e você só vai descobrir a amarração quando já estiver em prostração canina.

 

Aninha Tarja Preta é como assistir Silêncio dos Inocentes pela primeira vez: você sabe que alguma hora o bicho vai escapar da camisa de força morrendo de fome.

 

Aninha Tarja Preta vai levar você para o tarja preta. Frontal, Rivotril, esses troços. E você realmente começa a se sentir melhor, os problemas assumem a dimensão correta. Aí, pra se declarar curado é um instante. Rá ! Você que pensa. O desmame da Aninha Tarja Preta é dos piores. Dá suadeiras terríveis. A gengiva sangra. E aí, com terríveis dores na alma, você vai sair de cuecas pela rua até chegar na varanda dela. Com um violão emprestado, vai interpretar Marisa Monte, estilo Cassino do Chacrinha: bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Ela vai abrir a janela e jogar as tranças. Você vai subir pela calha como se fosse um escoteiro apaixonado de 16 anos. E aí já era.

 

Aninha Tarja Preta vem sem bula e é vício difícil de tirar. Melhor evitar o primeiro beijo.

 

Nas próximas semanas estaremos discutindo outros tipos da fauna urbana, como o Renatão Não-Sai-Da-Moita – aquele que não casa nem compra bicicleta – e a Cissa Assombração, a ex-namorada que sempre aparece quando você está bem.

 

Aguardem.