Fiquei muito feliz ao ler o texto de Edgard Alves no jornal Folha de S. Paulo, na segunda-feira, dia 18, sobre a morte de Teófilo Stevenson. Edgard possui o melhor texto sobre boxe do jornalismo brasileiro. Conheci o mestre pessoalmente em 1993, mas já o lia desde criança. Sempre tentei copiar o texto do Edgard. Enxuto, completo e leve. Jamais consegui. Me falta talento, cultura, coisas que sobram para o meu professor.
Carrancudo, Edgard é uma das melhores pessoas que conheci na vida. Se tenho orgulho de algo que fiz na profissão, uma delas foi ter dividido uma mesa com ele.
No meu livro sobre Mike Tyson, foi dele o prefácio. Não poderia escolher outra pessoa.
Muito obrigado por todo o ensinamento. Sigo na tentativa de um dia, talvez, escrever pelo menos um texto com a chancela Edgard Alves de qualidade.
Faz uma semana que o cubano Teófilo Stevenson morreu. Em uma recente entrevista. George Foreman foi perguntado se Stevenson faria frente a Muhammad Ali, Joe Frazier e a ele próprio. A resposta surpreendeu: “Ele era melhor que todos nós. Se fosse para o boxe profissional, dominaria a categoria dos pesados, assim como fez no amador.”
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Teófilo Stevenson, que morreu nesta segunda-feira, vítima de enfarte, foi para o boxe amador o mesmo que Muhammad Ali foi para o boxe profissional. Os dois transcenderam o esporte. Além de mitos, lendas, extraordinários pugilistas, eles foram também figuras importantes no cenário político e humano de seus países.
Tricampeão olímpico e mundial, Stevenson se recusou a entrar para o profissionalismo, apesar dos insistentes convites dos empresários dos Estados Unidos. “De que me vale um milhão de dólares americanos diante da tristeza de um milhão de cubanos.” Foi fiel ao regime de Fidel Castro e virou exemplo para atletas como Felix Savón, que como ele ganhou três medalhas de ouro olímpicas entre os pesos pesados.
Dono de um estilo simples, bonito e eficiente de lutar, não teve adversários. O boicote socialista aos Jogos de Los Angeles-1984 o impediram de ganhar o quarto ouro seguido. Em 1986, mostrou sua superioridade com o tricampeonato mundial, aos 34 anos. Nos últimos tempos, era dirigente do esporte de Cuba em competições internacionais. Simpático e educado, não ostentava a fama de ser apontado como o maior lutador de boxe amador de todos os tempos.
Quem venceria o duelo entre Stevenson e Ali?
O boxe.
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