Foi uma luta de boxe que inspirou o livro de um famoso escritor (Norman Mailer) e um documentário ganhador do Oscar (Quando Éramos Reis). O duelo entre Muhammad Ali e George Foreman, em 30 de outubro de 1974, em Kinshasa, no Zaire (atual Congo), foi mais que uma disputa pelo título mundial dos pesos pesados. É o maior exemplo esportivo de que a competência e a determinação, aliadas a uma boa dose de inteligência, podem tornar qualquer resultado possível.
A maioria dos especialistas dos Estados Unidos temia pela vida de Ali. Mas o ex-campeão, mais velho (32 anos contra 25), menos pegador (31 nocautes em 44 vitórias contra 37 nocautes em 40 triunfos), porém muito mais esperto, se esquivou dos violentos golpes do rival com maestria, caminhou no ringue como um bailarino e atacou com precisão no momento certo. O nocaute veio aos 2min58 do oitavo assalto, após uma inesquecível aula de Ali, que vencia para os três jurados: 68-66, 70-67 e 69-66 .
Ali x Foreman foi o primeiro evento do empresário Don King, que levou a luta para a África, na época sob o regime do ditador Mobutu Sese Seko. O duelo fez parte de um festival de música, que reuniu James Brown, Celia Cruz, Fania All-Stars, B.B. King, Miriam Makeba e The Spinners. Cada lutador recebeu US$ 5 milhões.
Mais de 60 mil torcedores foram ao Stade du 20 Mai e tiveram de esperar até a madrugada, pois o horário foi armado para privilegiar a transmissão para os EUA. O estilo falastrão, político e simpático de Ali ganhou o apoio do público, que não se cansou de gritar “Ali, boma ye” (Ali, mate-o). Sisudo e caladão, Foreman era respeitado, mas não amado pelos africanos.
A luta foi eletrizante desde os primeiros segundos. “Nunca pensei que um punho pudesse carregar tanta potência”, afirmou Ali, no livro Sou o mais Poderoso, ao se referir sobre a força de Foreman. “Nunca havia ouvido o som do medo em meu córner”, continuou o desafiante, que revelou ter sido atingido com força no segundo assalto. “Minha cabeça vibrava como um diapasão.”
O terceiro round era apontado pelos técnicos de Foreman, Sandy Sadller e Archie Moore, como o momento certo para o nocaute. Ele não veio. Pior. Ali não parava de acertar o rosto de Foreman, que demonstrava cansaço. O quinto round foi incrível. A troca de golpes é uma das mais empolgantes da história. Os dois sentiram o castigo, diminuíram o ritmo até a decisão no oitavo. Ali aproveitou um descuido para acertar uma sequência de três fortes golpes. Foreman foi caindo em câmera lenta. Detalhe: Ali poderia ter castigado o adversário, desguarnecido, mas, elegante, deixou o rival desabar na lona. Inesquecível.
DINHEIRO
Muhammad Ali, 67 anos, e George Foreman, 60, são um sucesso também fora dos ringues. Depois de ganharem muito dinheiro em suas carreiras, dois dos maiores nomes do pugilismo em todos os tempos seguem acumulando fortuna.
Muhammad Ali abandonou os ringues em 1981, depois de se sagrar três vezes campeão mundial dos pesos pesados. Três anos mais tarde os médicos diagnosticaram sintomas do Mal de Parkinson no eterno campeão. A doença lhe tirou boa parte da mobilidade, mas não o entusiasmo e a motivação para seguir no trabalho e na divulgação do islamismo, religião que adotou nos anos 60.
Por várias vezes, Ali mostrou que seu passaporte segue com grande atividade. Em média, são mais de 250 dias em viagens internacionais. Seu nome está vinculado a vários produtos esportivos. O último contrato foi assinado com a Everlast. A marca escolheu Ali para festejar o seu centenário.
Em novembro de 2005, Ali fundou um museu em Lousville, sua cidade natal. Investiu US$ 80 milhões em uma obra gigantesca. Tudo sobre o ex-campeão está reunido em um lugar maravilhoso.
Foreman seguiu caminhos diferentes, mas atingiu o sucesso da mesma forma. Big George abandonou os ringues pela primeira vez em 1977. Voltou dez anos depois e ganhou o título mundial em 1994, aos 45 anos, ao nocautear Michael Moorer.
Ganhou muito dinheiro, mas ficou ainda mais milionário, ao filiar seu nome com uma marca de grill. Foram mais de US$ 100 milhões para sua conta bancária. A exemplo de Ali, Foreman também viaja pelo mundo. Esteve no Brasil, em 2003.
Atualmente, divide suas atenções com a carreira de George Foreman III, que iniciou em junho sua carreira profissional. Ele soma três vitórias por nocaute. Mas, provavelmente, nunca irá atingir o nível do pai.
O técnico Freddie Roach oferece US$ 1 mil para um sparring nocautear o filipino Manny Pacquiao durante sessão de treinos preparatórios para o duelo de 14 de novembro contra o porto-riquenho Miguel Cotto, em Las Vegas. Convenhamos, é pouco dinheiro para enfrentar tanto desafio. Quando Tyson estava no auge, os sparrings ganhavam até US$ 1,5 mil por semana para ajudar o campeão nos treinos. E o hospital era por conta de Tyson.
O colombiano Francisco Ruben Osorio será o adversário do brasileiro Michael Oliveira, dia 7 de novembro, em Hartford, Connecticut. Osorio, de 33 anos, soma 12 vitórias (10 por nocaute) e seis derrotas. Ele perdeu os quatro últimos duelos.
Michael Oliveira, de 19 anos, defende pela primeira vez o cinturão latino dos supermédios. Ele soma oito vitórias, com seis nocautes.
O combate será uma das preliminares da revanche entre Glen Johnson e Chad Dawson. A HBO Plus vai transmitir as lutas principais para o Brasil. Estamos na torcida para que a luta do brasileiro também tenha transmissão.
Quem quiser “disputar” 12 eletrizantes roundes com Mike Tyson basta comprar ingresso para o documentário Tyson, um dos destaques da 33ª Mostra de Cinema, em São Paulo. O ritmo dos 88 minutos da fita é intenso e faz os fãs do ex-campeão suarem como se estivessem no ringue.
Com a mesma eficiência e rapidez com que disparava seus golpes e se esquivava do ataque dos rivais no início dos anos 80, o Iron Man critica inimigos declarados, como o empresário Don King e a modelo Desiree Washington, e elogia os adversários James Buster Douglas, Evander Holyfield e Lennox Lewis que o derrotaram.
Trata-se de um monólogo do pugilista mais polêmico da história do boxe, recheado com declarações atuais, captadas pelo diretor James Toback, e com entrevistas antigas, quando o pugilista estava na ativa. Nenhuma imagem da vida de Tyson – para os grandes fãs – é inédita, a não ser a brincadeira com a filha Rayna, fruto do casamento com a médica Monica Turner. A menina “nocauteia” o pai na sala de casa. Mas cada cena é cuidadosamente escolhida, o que torna cada momento fundamental para o filme.
Por vários instantes, a fita mostra um Tyson mais “humano”, diferente daquele que massacrava seus rivais. Ele revela sofrer de problemas pulmonares desde a infância. Assume ter começado a lutar para ganhar confiança diante dos “amigos” do Brooklyn e admite ter convivido sempre com o medo antes de subir no ringue.
O campeão mais novo dos pesos pesados – tinha 20 anos, em 1986, quando ganhou o primeiro título – teve de conter o choro por várias vezes quando falou do mentor Cus D’Amato, morto em 1985. “Quando ele morreu, perdi a confiança.”
Tyson exibe seu enorme conhecimento da história do boxe, o que lhe garantiria facilmente uma vaga de comentarista em qualquer canal dos EUA, ao falar sobre os campeões do passado.
O astro reconheceu o seu envolvimento com álcool e drogas, mesmo quando estava no auge. Sua relação intensa com as mulheres vale um “capítulo” especial. Ele relembra ter lutado contra Trevor Berbick com fortes dores por causa de gonorréia. Nega ter estuprado a “porca” Desiree Washington, em 1992, mesmo após os três anos de prisão. “Ela foi a responsável pelo pior dia de minha vida. Posso ter falado grosserias para ela, mas não fiz nada que ela não quisesse.”
Tyson diz ter um estilo de vida extremista. “Isso explica o fato de alguém como eu gastar US$ 400 milhões.” Ele não culpa os sanguessugas, que o rodeavam. “Eu também os usei.”
Tyson é um documentário para quem gosta ou para quem não gosta de boxe. É um exemplo de como a vida dá voltas.
O casamento não é muito bom para o boxeador. Talvez, apenas Adrian, a mulher do Rocky Balboa, tenha sido uma “fiel” companheira. Sempre com uma palavra de apoio para levantar o ânimo do nosso herói das telonas.
Barbara, a mulher de Rocky Marciano, impediu que o peso pesado voltasse à ativa para receber US$ 3 milhões, em 1956, para enfrentar Floyd Patterson. Ela não queria ver mais seu marido trocar socos em cima do ringue.
Realmente, não deve ser fácil ver alguém que se ama recebendo pancada por até 12 longos roundes. A mulher do polonês Andrew Golota disse que aconselhou o marido a não enfrentar o compatriota Tomasz Adamek.
Golota, que nunca teve muito controle emocional, deve ter subido para o ringue já derrotado, apesar dos quase 20 quilos de vantagem. Diante de mais de 17 mil torcedores, com uma audiência de mais de 8 milhões de espectadores na Polônia, Adamek venceu por nocaute no quinto assalto.
Por isso, se você é um jovem lutador: primeiro desça do ringue e depois suba ao altar.
Duas promessas do boxe brasileiro vão assinar contrato com a Banner Promotions, dia 11 de novembro, no Hotel Renaissance em São Paulo. São elas: o supergalo Alex de Oliveira e o meio-pesado Jackson “Demolidor” Junior. Art Pellullo, presidente da Banner Promotions, mostrou com Popó, que sabe cuidar da carreira de seus lutadores. Agora, só nos basta torcer para que tudo dê certo com os nossos pugilistas.
Quem sou eu para aconselhar mestres como Lyoto Machida. Mas, depois de sua vitória sobre Mauricio Shogun, acho que chegou o momento de Machida alterar sua técnica. Uma ótima alternativa seria conversar com o mestre Ademir da Costa, do estilo Seiwakai, e saber como utilizar o mawashi kubi gueri. É uma variação mais avançada do mawashi gueri, que sai da defesa lateral do adversário, acertando a cabeça de cima para baixo. É uma ideia.
O gorducho Chris Arreola volta aos ringues dia 5 de dezembro. Após a derrota para Vitali Klitschko, o americano filho de mexicanos quer encarar o neozelandês David Tua. O duelo ainda não está acertado. Seria uma boa luta.

Andrew Golota (esq.) e Tomasz Adamek se encaram durante a pesagem
Não escondo que torci muito para o polonês Andrew Golota. Era um tipo diferente para a categoria dos pesos pesados, em um período repleto de bons nomes. Fiquei louco da vida nas duas derrotas para Riddick Bowe (em 1996 e 1997), quando Golota estava na frente na pontuação. Doido de pedra, o polonês não cansou de aplicar golpes baixos em Bowe, causou umA briga sem precedentes no Madison Square Garden na primeira luta e acabou desclassificado nas duas disputas.
Nunca gostei do estilo de Lennox Lewis. Então, Golota era uma esperança em 1997. Mas mais uma vez o gigante polonês mostrou fragilidade emocional e perdeu em apenas 1min35 de duelo.
Em 2000, já não esperava muito diante de Mike Tyson. Mas Golota se superou, ao abandonar a disputa no fim do segundo round. Deixando o seu técnico sem entender nada.
Neste sábado ele faz um clássico da Polônia diante do ex-campeão dos cruzadores Tomasz Adamek. Vamos ver o que ele vai aprontar. Deve estar pressionado, após desembarcar em sua terra natal e ser recepcionado por uma multidão.
Golota parece estar fora de forma, com 116 quilos inéditos. Ele nunca pesou tanto. Adamek acusou na balança 97 quilos. Também nunca esteve tão pesado.
Vamos ver se, pelo menos desta vez, Golota se controla. Eu duvido.
Acho que o Lyoto Machida vai vencer o Maurício Shogun, neste sábado, da mesma forma que o Manny Pacquiao vai derrotar o Miguel Cotto, dia 14 de novembro. Por nocaute. Não que o Shogun – assim como o Cotto – não seja um grande lutador. Mas a forma do Machida impressiona. E os estilos de luta se encaixam para uma vitória do carateca.
Detalhe: esses dois brasileiros fazem uma grande luta nos Estados Unidos, pelo MMA. Será que a cobertura da mídia vai ficar restrita ao Canal Combate? Vamos ver.

Lyoto “The Dragon” Machida (esq.) e Mauricio “Shogun” Rua na promoção
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