Que o otimismo da população brasileira não anda lá muito alto em relação ao sucesso da organização da Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil não chega a ser uma novidade.
Então a Trevisan resolveu indagar os especialista do mercado de marketing esportivo para entender se, entre eles, que têm mais informações e uma visão privilegiada do setor, a impressão seria diferente.
Que nada!
Confira o resultado:
Preocupante. Este pode ser o principal indicador da primeira pesquisa Termômetro Copa 2014, realizada pela Trevisan Gestão do Esporte. Em um total de 815 participantes composto por alunos, ex-alunos e professores do MBA Gestão e Marketing Esportivo, além de especialistas da indústria do Esporte, a pesquisa apresentou, como nota média geral, 2,2 (escala de 1 a 5) para a confiança do brasileiro quanto à realização da Copa no País em 2014.
A pesquisa abordou sete áreas principais para o sucesso da realização do evento, que foram avaliadas da seguinte forma:
· Telecomunicações: nota 2,7
· Estádios: nota 2,6
· Hospedagem: nota 2,5
· Qualificação da mão-de-obra: nota 2,4
· Segurança: nota 2,1
· Transporte: nota 1,6
· Aeroportos e portos: 1,5
“A nota geral é bastante baixa e preocupante, com destaque negativo para os itens transporte e aeroportos e portos”, comenta o consultor da Trevisan Gestão do Esporte, Fernando Trevisan. “A pesquisa mostra que os especialistas estão descrentes neste momento quanto à realização bem-sucedida do evento em 2014.
Anunciar as seis sedes da Copa das Confederações – Brasília, Rio, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador – como foi feito na manhã desta quarta-feira não é a missão mais importante do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, na atual passagem pelo Brasil.
O polêmico dirigente trouxe na mala recomendação explícia do Comitê Executivo da entidade: No Brasil não é mais possível trabalhar com o cenário que a Fifa considera ideal. Portanto, o momento é trabalhar com o cenário possível e, assim, tentar minimizar transtornos, considerados inevitáveis a partir de agora.
A cúpula da Fifa estava próxima do desespero em relação ao cumprimento de prazos e definições de locais. E a explicação é mercadológica.
Os principais patrocinadores do Mundial, que investem milhões no evento, precisam da programação completa com relativa antecedência para planejar suas ações comerciais antes, durante e depois da Copa.
A diretoria do Corinthians recebeu a informação de que existe a possibilidade real de o estádio de Itaquera ser finalizado até a primeira semana de agosto, o que possibilitaria a inauguração e utilização da arena nas festividade de aniversário do clube, em 1º de setembro de 2013.
Tudo depende da temporada de chuvas do próximo ano. Se o volume de precipitação for igual ao registrado em dezembro, janeiro, fevereiro e março últimos, considerado abaixo da média, o ousado prazo será cumprido.
Pouco antes de embarcar com a seleção brasileira para a sequência de quatro amistosos preparatórios para os Jogos Olímpicos de Londres, o diretor de seleções da CBF e ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, encontrou-se com executivos da construtora Odebrecht, responsável pela obra.
“Não sou mais presidente, mas o assunto estádio é a único que faço questão de acompanhar pessoalmente”, explicou o dirigente. “É isso mesmo (a possibilidade de antecipação do prazo). Há quanto tempo tenho dito que a arena ficará pronta e vai surpreender? Acho que o estádio estará de pé até o final deste ano e 2013 ficará apenas para o acabamento.”
A infeliz frase sobre o pontapé no traseiro, de autoria do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, não foi a única que causou desconforto e irritação no governo brasileiro.
Quando disse que “a Copa do Mundo é da Fifa. Ela apenas acontece no Brasil”, o integrante do Comitê Executivo da entidade e presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Julio Grondona, ajudou a colocar mais lenha na fogueira.
Para muita gente ligada ao Palácio do Planalto e ao Ministério do Esporte, essa linha de raciocínio visa a minimizar a importância do Brasil no cenário e mostrar que todas as determinações caberiam à Fifa, o que, segundo o próprio ministro Aldo Rebelo, não faz sentido.
“A Copa é sim do Brasil e vamos organizá-la de acordo com o nosso ritmo, com o nosso jeito de fazer as coisas”, disse ele ao blog. “Não vamos mais aceitar qualquer tipo de tentativa de pressão. E me parece que o próprio presidente Blatter (Joseph Blatter, presidente da Fifa) já entendeu isso e prometeu ser muito colaborativo.”
Ao que tudo indica, daqui para frente o desafio de ambos os lados nesta relação não é apenas colaborar, mas engolir sapos e fingir que está tudo bem.
Seja pela personalidade tranquila e ponderada, seja pelo cuidado com as palavras que o cargo impõe, o ministro do Esporte Aldo Rebelo é daqueles que pensa 300 vezes antes de proferir uma frase.
Mas quando o assunto é o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, em casa, o tom muda:
“Acho muito difícil a seleção brasileira não vencer esta Copa do Mundo”, afirma ele, convicto, em visita que realizou ao Estado na tarde desta segunda-feira. “Temos tantos ótimos jogadores. É verdade que não temos um grande goleiro, mas os melhores defensores são brasileiros. E tem outra, tenho uma fé danada nos atacantes, especialmente esse menino Neymar.”
Pergunto se o desempenho aquém do esperado demonstrado até aqui teria relação, então, com o técnico Mano Menezes:
“Bom, aí o especialista para comentar é você”, respondeu ele, bem humorado.
Abre o olho, Mano!
Sim, haverá corrupção e desvio de recursos durante a organização e promoção da Copa do Mundo do Brasil. Com base em que faço tal afirmação? Na simples constatação de que vivemos em uma sociedade marcada pela ação descontrolada de corruptos e corruptores e pelo famigerado “jeitinho brasileiro”. Portanto não vejo razão alguma para acreditar que o Mundial seja exceção a esta triste regra.
Surgem, então, perguntas pertinentes: a certeza de que a Copa será utilizada como palco de trambiques é motivo para darmos um pontapé no traseiro (só para não perder a chance de usar o termo da moda) do evento? Ou, então, acharmos que é uma roubada – com o perdão do trocadilho – recebê-lo aqui?
Para muita gente que anda com o sentimento de indignação ainda mais aflorado após a divulgação pela Rede Globo das imagens que mostram o esquema de corrupção infiltrado no sistema de saúde do Rio, a resposta é “sim, nosso País deveria abrir mão da Copa, pois assim evitaríamos mais corrupção”.
Evidentemente respeito e entendo tal opinião, sobretudo diante de tantos acontecimentos negativos, mas discordo. E vamos aos argumentos.
O problema não está na Copa do Mundo, na Olimpíada ou em qualquer outro evento. O problema se encontra entre nós muito antes de o Brasil ser confirmado como sede destas competições. E está na essência deste projeto inacabado chamado ser humano.
Sendo assim, livrar-se da Copa seria como amputar uma perna para evitar a torção do tornozelo. Desde sempre soubemos que a corrupção bate à porta. Temos consciência de que se a referida reportagem da Globo fosse feita nos meandros da Educação, Segurança Pública, Transportes, Esporte, ou qualquer outra secretaria, o resultado seria parecido.
E cá entre nós, mesmo cientes de que a corrupção nos cerca, a visualização explícita da maracutaia e do deboche com o qual os envolvidos tratam do assunto acentua as náuseas. Nojento.
Portanto, se formos desistir de projetos, ideias e investimentos, em tese importantes para nossa cidade, Estado ou País porque sabemos que o risco de desvios de verbas é iminente, vamos parar o Brasil. Teríamos de suspender repasses a pesquisas em universidades, à Educação, à Saúde, à Segurança Pública, à Reforma Agrária, aos projetos de inserção social, enfim, a tudo que possa ser usado como objeto de corrupção. Ou seja, tudo.
Acho curioso o comportamento de pessoas que se mostram anestesiadas em relação à sacanagem institucionalizada, mas cobram, utopicamente, a completa lisura dos eventos esportivos. Reconheço que algumas batalhas, mesmo utópicas, devem ser travadas. E oxalá pudéssemos organizar um evento totalmente livre de mal feitores.
No entanto, a realidade, infelizmente, nos confronta com outro cenário. Chega de hipocrisia. Ao invés de chutarmos a Copa para o alto, que tal nos prepararmos para combater a corrupção que nos ameaça?
A Lei Geral da Copa, que caminha a passos de cágado no Congresso Nacional, é o contrato entre o país-sede e a Fifa para a organização do Mundial.
Como qualquer contrato, o documento celebra os mais diversos assuntos que envolvem o evento.
E não tem esse nome – “GERAL” – por acaso.
Afinal, são regras que valem (ou deveriam valer) para todo o evento.
Portanto, quando o governo federal regionaliza a discussão, ou seja, sugere que a Fifa negocie com cada Estado, está, no mínimo, omitindo-se. É função da União entregar o pacote fechado para a entidade, com as negociações devidamente resolvidas.
É impressionante nossa incompetência e fazer valer um acordo que está assinado há cinco anos.
Na Fifa não há santos, como todos sabemos.
Mas que eles têm razão em estar indignados com o que ocorre por aqui, ah, isso eles têm.
NOTA DO BLOG: Até agora só aproveitamos a gigantesca vitrine que uma Copa do Mundo representa para expormos ao mundo nossas mazelas, como o maldito “jeitinho brasileiro” e nossa habilidade de criar dificuldades para vender facilidades. Ah, e os gringos que se preparem. Aqui, um contrato assinado não é garantia de acordo cumprido.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, desembarca no Brasil pressionado por todos os lados.
Primeiro pelo governo brasileiro, ainda aborrecido pela crise diplomática provocada pelas infelizes declarações do secretário-geral, Jérôme Valcke, na semana passada.
Segundo pela Anheuser-Busch Inbev, cervejaria que patrocina a Copa do Mundo.
Os donos da marca estão inconformados com a polêmica e a enrolação em torno da liberação da venda de bebida alcoólica nos estádios durante o Mundial.
O tamanho da indignação do patrocinador é proporcional aos números que envolvem o negócio.
A Anheuser-Busch Inbev paga à Fifa algo em torno de US$ 50 milhões (R$ 90 milhões) por ano.
Além das crifras, os executivos da cervejaria alegam que a definição das estratégias de marketing, sobretudo no país sede, é complexa e está extremanente atrasada, uma vez que dependem diretamente da aprovação da Lei Geral da Copa.
Gente ligada ao marketing da Fifa diz que é “inadmissível” que este tipo de discussão ainda esteja na pauta.
Primeiro porque falta apenas um ano para a Copa das Confederações, competição que integra o pacote de eventos Fifa.
Segundo porque o contrato que prevê a liberação de bebidas alcoólicas está assinado desde 2007.
NOTA DO BLOG: A indignação do patrocinador é legítima. Quando se candidatou a sede do evento, o governo brasileiro não só sabia que uma cervejaria estava entre os principais parceiros da Fifa como assinou o acordo. O que o Congresso tem feito neste caso não é defender os interesses do povo brasileiro ou a legislação interna, mas expor ao mundo uma de nossas facetas mais constrangedoras: a de criar dificuldades para vender facilidades.
Jérôme Valcke será visto com ressalvas pelo governo brasileiro até o fim da Copa do Mundo de 2014.
Mas o pedido de desculpas do secretário-geral da Fifa, oficializado nesta segunda-feira por meio de carta enviada ao ministério do Esporte, aliviou um pouco a situação do dirigente francês diante de integrantes do governo federal.
Embora a explicação de Valcke, segundo fonte do ministério, “não tenha convencido nem sua mãe” (ele argumentou que houve erro de tradução), “serviu para traçar uma boa possibilidade de paz. Veremos.”
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, vai se pronunciar sobre o tema ainda hoje, mas se mostrou disposto a aceitar que Valcke permaneça como interlocutor da Fifa.
Resta o “ok” da presidente da República, Dilma Rousseff.
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, pediu desculpas ao governo brasileiro.
Em carta elaborada em papel timbrado e encaminhada ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, obtida com exclusividade pelo blog (veja abaixo), Valcke lamenta que suas palavras tenha sido traduzidas de maneiras equivocada. “Lamento profundamente que a interpretação incorreta de minhas palavras tenha causado tanta preocupação“, disse o dirigente.
Em seguida, o cartola atribui toda a confusão a um erro de tradução. “Em francês, ‘se donner un coup de pied aux fesses’ significa apenas ‘acelerar o ritmo’. Infelizmente essa expressão foi traduzida para o português usando palavras muito mais fortes. Portanto, gostaria de pedir desculpas ao senhor e também a qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida com as minhas palavras.”
Valcke também revelou que está sob pressão e fez questão de afastar qualquer possibilidade de tirar a Copa do Mundo do Brasil. “Há certamente um ar de preocupação da Fifa e, sendo eu, em última análise, a pessoa responsável por esta Copa do Mundo, estou sob bastante presão“, afirmou. “Gostaria de reiterar, como fiz em outras ocasiões, que o Brasil é e sempre será a única opção para sediar a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014.”
A atitude do dirigente francês não parece ter amolecido Rebelo.
Nesta segunda-feira, o ministro oficializou, junto à Fifa, a decisão do governo de não aceitar mais Valcke como interlocutor (veja carta abaixo).
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