Havia 10 vagas para o Conselho Vitalício do Palmeiras.
Houve eleição na segunda-feira.
Ainda há 10 vagas para conselheiro vitalício do Palmeiras.
Parecia barbada para alguns, afinal tínhamos 18 candidatos.
Menos de dois pretendentes por vaga.
Ocorre que eles precisavam do voto de pelo menos metade dos 248 conselheiros que compareceram ao pleito.
Nenhum conseguiu.
Parece que Arnaldo Tirone passa por problema parecido com a presidente Dilma Rousseff.
Ambos perderam prestígio e controle sobre sua base.
Quem sabe na próxima, ao invés de apostar na indicação de amigos e/ou parentes influentes, os candidatos tenham alguma realização pessoal em favor do clube para sustentar os pedidos de votos.
Afinal de contas, o Corinthians é organizado ou retranqueiro?
Muitos torcedores, apesar dos números positivos da equipe de Tite, têm reclamado da estratégia utilizada e do sacrifício necessário para vencer algumas partidas.
Parece que os dois adjetivos podem ser usados. O uso de um ou de outro depende da situação e contexto do jogo.
Quando jogam contra adversários qualificados, como foram Cruz Azul (na quarta-feira) e Palmeiras, domingo, os corintianos são eficientes, portanto, organizados.
Acerta Tite ao exigir que, em situações como esta, todos se desdobrem na marcação para reduzir o espaço dos rivais. Os jogadores de frente (meias e atacantes), invariavelmente, são os mais sacrificados.
A equação é simples: quanto melhor o jogador/time, menor deve ser o campo de atuação.
Agora, quando enfrentam adversários mais frágeis, sobretudo em casa, e mantêm este comportamento, os corintianos tornam-se retranqueiros.
Nestas situações, os meias poderiam atuar um pouco mais soltos para criar e encostar nos atacantes, sem a obrigação de acompanhar tão de perto volantes, meias e laterais.
Menos desgastados, chegariam em melhores condições ao ataque.
O resultado é que, mesmo quando o time ganha, o torcedor parece desconfiado, como se dissesse: “precisa sofrer tanto assim?”
Claro, quando a campanha é boa, como é o caso do Corinthians no Paulista e na Libertadores, ficamos sugestionados a acreditar que tudo está ótimo. Trata-se de uma miopia de avaliação absolutamente compreensível.
O ponto é não transformar organização em eufemismo para retranca.
Algumas possibilidades foram estudadas: assumir o Pacaembu, construir em Diadema…
Mas ao que tudo indica a diretoria do Santos vai investir mesmo na construção de um estádio em Cubatão.
A princípio, a ideia de erguer a nova casa na cidade vizinha pode parecer estranha.
Porém, o diretor de marketing do clube, Armênio Neto, explica que não é bem assim.
“Geograficamente a área fica no município de Cubatão, mas na prática é Santos, pois é ao lado da ponte estaiada Mário Covas, que está no caminho de quem desce a serra para Santos. Qualquer um, se perguntado, vai dizer que aquele lugar está em Santos”, afirmou.
Armênio ressalta que a decisão ainda não foi sacramentada, mas que esta é a opção que mais agrada à diretoria.
“Entendemos que é precisamos ficar próximos de nossas raízes, ou seja, na Baixada”.
E a Vila Belmiro?
“Continuará existindo, mas por sua boa localização, será aproveitada de outras maneiras, como palco para eventos, jogos eventuais e treinos”.
Sim, haverá corrupção e desvio de recursos durante a organização e promoção da Copa do Mundo do Brasil. Com base em que faço tal afirmação? Na simples constatação de que vivemos em uma sociedade marcada pela ação descontrolada de corruptos e corruptores e pelo famigerado “jeitinho brasileiro”. Portanto não vejo razão alguma para acreditar que o Mundial seja exceção a esta triste regra.
Surgem, então, perguntas pertinentes: a certeza de que a Copa será utilizada como palco de trambiques é motivo para darmos um pontapé no traseiro (só para não perder a chance de usar o termo da moda) do evento? Ou, então, acharmos que é uma roubada – com o perdão do trocadilho – recebê-lo aqui?
Para muita gente que anda com o sentimento de indignação ainda mais aflorado após a divulgação pela Rede Globo das imagens que mostram o esquema de corrupção infiltrado no sistema de saúde do Rio, a resposta é “sim, nosso País deveria abrir mão da Copa, pois assim evitaríamos mais corrupção”.
Evidentemente respeito e entendo tal opinião, sobretudo diante de tantos acontecimentos negativos, mas discordo. E vamos aos argumentos.
O problema não está na Copa do Mundo, na Olimpíada ou em qualquer outro evento. O problema se encontra entre nós muito antes de o Brasil ser confirmado como sede destas competições. E está na essência deste projeto inacabado chamado ser humano.
Sendo assim, livrar-se da Copa seria como amputar uma perna para evitar a torção do tornozelo. Desde sempre soubemos que a corrupção bate à porta. Temos consciência de que se a referida reportagem da Globo fosse feita nos meandros da Educação, Segurança Pública, Transportes, Esporte, ou qualquer outra secretaria, o resultado seria parecido.
E cá entre nós, mesmo cientes de que a corrupção nos cerca, a visualização explícita da maracutaia e do deboche com o qual os envolvidos tratam do assunto acentua as náuseas. Nojento.
Portanto, se formos desistir de projetos, ideias e investimentos, em tese importantes para nossa cidade, Estado ou País porque sabemos que o risco de desvios de verbas é iminente, vamos parar o Brasil. Teríamos de suspender repasses a pesquisas em universidades, à Educação, à Saúde, à Segurança Pública, à Reforma Agrária, aos projetos de inserção social, enfim, a tudo que possa ser usado como objeto de corrupção. Ou seja, tudo.
Acho curioso o comportamento de pessoas que se mostram anestesiadas em relação à sacanagem institucionalizada, mas cobram, utopicamente, a completa lisura dos eventos esportivos. Reconheço que algumas batalhas, mesmo utópicas, devem ser travadas. E oxalá pudéssemos organizar um evento totalmente livre de mal feitores.
No entanto, a realidade, infelizmente, nos confronta com outro cenário. Chega de hipocrisia. Ao invés de chutarmos a Copa para o alto, que tal nos prepararmos para combater a corrupção que nos ameaça?
Não costumo conversar com jogadores de futebol.
Meu contato com eles é estritamente profissional e restrito a entrevistas.
Mas falei com um dos atletas do Corinthians.
Ele disse que entendia a crítica que fiz ao time e ao técnico Tite, quando afirmei que, em alguns momentos, o Corinthians deixa de ser um time organizado para se tornar um time retranqueiro.
Frases do meu interlocutor:
“O Tite cobra muito para que todo mundo que joga do meio para frente volte até o campo de defesa para marcar. Os atacante de velocidade, por exemplo, direto têm de acompanhar os laterais”
“Assim, o time cansa muito rápido. Por isso perde tanto poder de fogo e faz pouco gol. Ninguém aguenta essa movimentação por muito tempo”
Então, perguntei a ele se o grupo gosta deste esquema/estratégia de jogo…
“Claro que muita gente gostaria de ver o time um pouco mais solto, sobretudo dentro de casa. Mas todo mundo adora o Tite. Ele realmente conquistou a todos lá no clube e a gente joga por ele. O Tite é muito gente boa”
A Lei Geral da Copa, que caminha a passos de cágado no Congresso Nacional, é o contrato entre o país-sede e a Fifa para a organização do Mundial.
Como qualquer contrato, o documento celebra os mais diversos assuntos que envolvem o evento.
E não tem esse nome – “GERAL” – por acaso.
Afinal, são regras que valem (ou deveriam valer) para todo o evento.
Portanto, quando o governo federal regionaliza a discussão, ou seja, sugere que a Fifa negocie com cada Estado, está, no mínimo, omitindo-se. É função da União entregar o pacote fechado para a entidade, com as negociações devidamente resolvidas.
É impressionante nossa incompetência e fazer valer um acordo que está assinado há cinco anos.
Na Fifa não há santos, como todos sabemos.
Mas que eles têm razão em estar indignados com o que ocorre por aqui, ah, isso eles têm.
NOTA DO BLOG: Até agora só aproveitamos a gigantesca vitrine que uma Copa do Mundo representa para expormos ao mundo nossas mazelas, como o maldito “jeitinho brasileiro” e nossa habilidade de criar dificuldades para vender facilidades. Ah, e os gringos que se preparem. Aqui, um contrato assinado não é garantia de acordo cumprido.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, desembarca no Brasil pressionado por todos os lados.
Primeiro pelo governo brasileiro, ainda aborrecido pela crise diplomática provocada pelas infelizes declarações do secretário-geral, Jérôme Valcke, na semana passada.
Segundo pela Anheuser-Busch Inbev, cervejaria que patrocina a Copa do Mundo.
Os donos da marca estão inconformados com a polêmica e a enrolação em torno da liberação da venda de bebida alcoólica nos estádios durante o Mundial.
O tamanho da indignação do patrocinador é proporcional aos números que envolvem o negócio.
A Anheuser-Busch Inbev paga à Fifa algo em torno de US$ 50 milhões (R$ 90 milhões) por ano.
Além das crifras, os executivos da cervejaria alegam que a definição das estratégias de marketing, sobretudo no país sede, é complexa e está extremanente atrasada, uma vez que dependem diretamente da aprovação da Lei Geral da Copa.
Gente ligada ao marketing da Fifa diz que é “inadmissível” que este tipo de discussão ainda esteja na pauta.
Primeiro porque falta apenas um ano para a Copa das Confederações, competição que integra o pacote de eventos Fifa.
Segundo porque o contrato que prevê a liberação de bebidas alcoólicas está assinado desde 2007.
NOTA DO BLOG: A indignação do patrocinador é legítima. Quando se candidatou a sede do evento, o governo brasileiro não só sabia que uma cervejaria estava entre os principais parceiros da Fifa como assinou o acordo. O que o Congresso tem feito neste caso não é defender os interesses do povo brasileiro ou a legislação interna, mas expor ao mundo uma de nossas facetas mais constrangedoras: a de criar dificuldades para vender facilidades.
A primeira reação dos presidentes de clubes após a renúncia de Ricardo Teixeira foi de espera.
A orientação é aguardar o desfecho das negociações entre José Maria Marin, que assumiu a CBF, e os presidentes de federações.
Muito deles contestam a permanência de Marin no cargo, embora esteja baseada no estatuto da entidade, que dá ao vice mais velho o direito de assumir.
Alegam que o acordo era manter Teixeira até 2015 para que o interlocutor da Fifa não mudasse ao longo do processo de organização da Copa de 2014.
Diante da renúncia do dirigente, o grupo de insatisfeitos entende que o correto seria Mariin convocar nova eleição.
Ao que tudo indica, a sucessão de Teixeira não terminou na leitura de sua carta de renúncia.
Há muitos interesses envolvidos e o futebol brasileiro não parece ser o principal deles.
Depois de 23 anos, o que durante muito tempo parecia improvável, ocorreu.
Ricardo Teixeira caiu.
A questão, agora, é analisar como tirar o melhor proveito deste fato para o futebol brasileiro.
Sendo assim, é preocupante a entrevista coletiva do novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Em linhas gerais, José Maria Marin simplesmente disse que vai dar continuidade a tudo que lá existia.
Ao que tudo indica, se depender da disposição da cartolagem brasileira, tudo fica como está.
Se tudo estivesse bem, não haveria problema.
Ocorre que a realidade é outra.
Se o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, foi grosseiro e infeliz na escolha dos termos que utilizou para se referir à lentidão e jogo político que marcam a organização da Copa do Mundo, o mesmo não pode ser dito da essência do recado.
Valcke está coberto de razão em sua preocupação.
Além da iminente saia-justa que o Mundial ameaça se tornar, Teixeira viveu cercado por denúncias nos últimos anos.
E Marin diz que tudo fica como está?
O momento é mais do que oportuno para o futebol brasileiro mostrar que pode oferecer alternativas à mesmice administrativa.
Onde estão nossos “Platinis” ou “Beckenbauers”?
É a hora de alguém realmente ligado ao futebol e que tenha credibilidade tomar as rédeas deste processo.
Hora de ex-jogadores com liderança e perfil administrativo entrarem em cena.
Hora de nomes como Zico, Ronaldo, Falcão (que falta faz Sócrates) pedirem a bola, matarem no peito e decidirem o jogo.
Antes de aceitar a proposta do grupo MOP – My Own Player (Meu próprio jogador), empresa que administra a “vaquinha” pelo volante Wesley, o presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, consultou o ex-presidente do Corinthians e atual diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez.
E o recado do colega corintiano foi curto e grosso: “Sai que é fria. Já tentaram fazer esse negócio com o Timão e não rolou”.
Tirone decidiu pagar para ver.
E constatou na prática que Andrés tinha razão.
2012
2011