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Faz parte da estratégia norte-americana dividir o custo político dos ataques à Líbia com os países membros da OTAN. Se a guerra fracassar, Obama terá a desculpa de que os Estados Unidos não estavam no comando das operações.
Mas há outro motivo por trás dessa estratégia: dividir a conta da guerra. As estimativas mais conservadoras são que os ataques aéreos já custaram pelo menos US$ 450 milhões. Como é possível gastar tanto dinheiro em uma semana?
Cada missão de um caça não custa menos do que US$ 100 mil, sem contar as bombas despejadas sobre os alvos e os 4 reabastecimentos em vôo e ir à Líbia e voltar à Itália. O F-15 norte-americano que caiu custa US$ 55 milhões.
Mas o que pesa mesmo são os mísseis. Cada Tomahawk custa US$ 1,4 milhão. Já foram disparados quase 200. Só de mísseis, a conta já está em mais de US$ 250 milhões. E vai aumentar se a guerra chegar a Trípoli, onde Kadafi concentrou suas defesas.
O detalhe é que a fatura sai bem mais cara para os aliados dos norte-americanos. Os EUA compram armas aos milhares e conseguem ótimos descontos. Já França e Inglaterra, por exemplo, compram um míssil de cada vez e pagam o preço cheio de tabela. O fabricante norte-americano dos Tomahawk, a Boeing, agradece.
Com a OTAN bombardeando tanques e blindados do exército líbio, os rebeldes têm mais chances de chegar perto de Muamar Kadafi. Dependendo da distância, eles vão se defrontar com um pelotão único no mundo: 40 jovens mulheres treinadas para matar ou morrer pelo ditador.
Em 1979, Kadafi montou uma academia militar só para mulheres. Dizia ser uma homenagem à mãe dele. As turmas de 100 jovens são treinadas por três anos em técnicas tão diversas quanto lutas marciais, pilotagem de caças supersônicos e operação de lança-foguetes.
As melhores alunas são destacadas para a guarda pessoal de Kadafi, em regime de dedicação exclusiva. Elas são proibidas de casar e até de ter relações sexuais.
Chefes de estado que visitaram a Líbia já se surpreenderam com a imagem de um batalhão de jovens em roupas camufladas, salto alto, maquiagem e metralhadora na mão. Alguns ficaram mais entusiasmados do que outros.
Embora pareça apenas propaganda, as assassinas de batom, como a imprensa ocidental batizou o grupo, demonstraram mais lealdade a Kadafi do que muitos dos seus diplomatas e até alguns parentes, que já se bandearam para a oposição. Em 1998, uma delas, chamada Aisha se jogou na frente de uma saraivada de balas destinadas ao ditador. Aisha morreu e outras duas guarda-costas ficaram feridas, mas Kadafi, graças à devoção e coragem delas, saiu ileso.
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