O arquivo de um jornal é o registro de várias dimensões da história. Marca não apenas a cronologia dos acontecimentos, mas grava as mudanças da língua, e, por tabela, plasma as transformações dos hábitos e interesses de quem a emprega. O arquivo registra quando uma expressão passa a fazer parte do cotidiano, e, atrás dessa palavra, mostra a evolução das ideias e dos conceitos que ela encerra.
Pesquisando-se o acervo digitalizado do Estado, percebe-se que poucas invenções tiveram impacto tão profundo quanto o advento da internet. Ela entrou para o léxico do jornal em março de 1990, através de reportagem traduzida do “The New York Times”. O jornalista John Markoff relatava um ataque hacker (também a primeira menção ao termo) que roubara senhas de usuários “das centenas de milhares de computadores” ligados à rede em todo o mundo.
Quatro meses depois, outra reportagem anunciava a futura ligação da Universidade Federal do Rio de Janeiro “à rede de pesquisas internet”. Nenhuma palavra sobre o assunto em 1991 e apenas uma citação no ano seguinte. Mas em 1993 começaria a espetacular escalada do uso da palavra “internet” nas páginas do jornal.
Em 14 de fevereiro de 1993, outra reportagem de Markoff falava de uma internet visionária, que transportaria o conteúdo de enciclopédias “em segundos” através de “vidro e luz” (ou seja, de fibra ótica). Em agosto, diante da enxurrada de citações presentes no jornal, uma “Nota da Redação” explicava: “A Internet não tem representante no Brasil, mas pode ser acessada por meio do BBS Canal Vip”.
Isso estava para mudar. Em 19 de dezembro de 1994, o caderno de informática anunciava alto na página: “A Internet comercial chega ao País”. Pela primeira vez, o termo foi usado em todos os meses do ano: 156 citações. Em pouco tempo a frequência de menções à internet seria diária. O volume multiplicou-se a cada ano. Foram 778 vezes em 1995, 1.593 no ano seguinte, depois 2.154, 3.910, 4.999 até bater o recorde em 2000: 7.715 menções.
Outra revolução das comunicações, a televisão, nunca passou de 2.511 citações ao longo de um ano (no caso, em 2004) nas páginas do Estado. Em 22 anos, o termo “internet” foi usado 84.495 vezes no jornal, mais do que as 80.783 citações a “televisão”, que aparece no acervo desde 1922. Se você acha que o Estado deu atenção demais ao assunto, saiba que a palavra “internet” foi empregada 485 mil vezes no “The New York Times” desde 1982.
Com o estouro da bolha especulativa das empresas ponto.com, as reportagens sobre a rede mundial de computadores se tornaram menos frequentes. No Estado, a internet perdeu a inicial maiúscula em 2003, virou mais um assunto e nunca mais mais teve tantas menções quanto em 2000 -embora ainda seja mais usada do que “democracia”, “eleição” e “computador”.
Não bastasse o alvoroço que causou e o espaço que ocupou, a internet deu crias lexicográficas. Até o final do século passado, “rede social” era uma forma de proteção comunitária: a rede social que protege os imigrantes de uma determinada região, por exemplo. Nos anos 2000, porém, virou aposto e, depois, sinônimo de Twitter, Facebook e Orkut. Somadas, essas quatro expressões já têm quase 3 mil citações por ano nas páginas do Estado.
E como a frequência do uso das palavras no jornal reflete a política? De maneira surpreendente. De todos os políticos, os mais citados nas páginas do Estado são presidentes, ex-presidentes e alguns candidatos derrotados à Presidência. O ranking presidencial é encabeçado por “Luiz Inacio Lula da Silva”. São mais de 24 mil menções ao seu nome completo. Se forem somadas as menções a “Luiz Inacio da Silva”, a conta passa de 26 mil.
Dois josés disputam o segundo lugar de citações: Sarney e Serra. Com quase 18,5 mil aparições, o tucano está formalmente na segunda colocação -mas ele tem muitos homônimos, o que dificulta a contabilidade. Fernando Henrique Cardoso é o quarto colocado, com 16,4 mil citações. A seguir vêm, pela ordem, Paulo Maluf, Jânio Quadros, Dilma Rousseff, Getúlio Vargas, Itamar Franco, Fernando Collor e, bem atrás, os presidentes militares.
Lula aparece pela primeira vez em reportagem sobre o novo sindicalismo do ABC paulista, no final dos ano 70. Fernando Henrique é citado desde 1957, ainda como intelectual. A primeira menção a José Serra foi em 10 de março de 1960, numa propaganda do curso preparatório Anglo Latino. Ele é um dos aprovados no vestibular para a Escola Politécnica (USP): foi o 184º colocado em 266 vagas.
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Por mais revoluções que Steve Jobs tenha feito no mundo digital, por mais produtos inovadores que tenha lançado nada tem correlação mais forte com seu nome no Twitter do que o seu maior rival, a Microsoft, e seu sistema operacional, o Windows. É o que se constata na série de gráficos de dispersão abaixo. Eles comparam o nome do fundador da Apple, morto aos 56 anos na quarta-feira, com uma série de nomes de empresas, produtos, conceitos e pessoas, em posts publicados no Twitter em 2010.
Nada bateu o coeficiente de correlação de “Steve Jobs” com “Microsoft”: 0,8, em um máximo de 1. Em segundo lugar ficou a dupla “Steve Jobs” x “Windows”, com 0,79. O produto criado por Jobs mais associado a seu nome foi o “iPhone” (0,75), seguido de termos mais genéricos, como “software” (0,73), ou conceitos que Jobs manejou com excelência, como inovação (0,72) e design (0,71).
Também fica claro na comparação dos gráficos que os produtos de consumo criados por Jobs, como o iPhone, o iPad e até mesmo o iPod têm uma associação muito mais frequente ao seu nome do que aquilo que o projetou no mundo digital em primeiro lugar: os computadores Macintosh. Não é à toa que a Apple tirou o Computer do nome.
O que essas comparações mostram é que no Twitter, pelo menos em casos nos quais há forte concorrência, a oposição de duas ideias, marcas, pessoas e conceitos é mais forte do que as associações positivas. Para os tuiteiros, Jobs foi, antes de mais nada, o anti-Bill Gates, o anti-Windows.
Quando a correlação entre dois termos é forte -isto é, quando ambos são citados na mesma nota com frequência- o gráfico tende a mostrar uma linha de tendência diagonal (em azul). Se a correlação for positiva, a linha sobe; se for negativa, cai. Quando não há correlação, a linha tende a ser horizontal ou próxima disso.
Pode-se classificar os resultados pelo coeficiente de correlação. Ele varia de -1 a +1, e quanto mais perto das extremidades, mais forte a correlação, ou seja, mais associadas estão as duas palavras/expressões. Para que se possa dizer que há uma correlação entre os dois termos pesquisados é necessário que o coeficiente seja menor do que -0,5 ou maior do que +0,5, pelo menos. Um coeficiente de 0,8 indica uma correlação positiva (quanto mais um termo aparece, mais o outro aparece também) mais forte do que um coeficiente de 0,62, por exemplo.
Quem quiser repetir o experimento ou testar as suas próprias correlações, pode fazê-lo no site onde o pesquisador Scott Golder hospedou a base de milhões de notas publicadas no Twitter e criou mecanismos gráficos para analisá-las.
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Há uma forte correlação entre o que as pessoas fazem no dia-a-dia e o que elas publicam ou procuram na internet. Já se sabia isso pela frequência de buscas mais comuns no Google em cada hora e dia da semana. Mas um novo estudo e uma nova ferramenta mostram que isso é ainda mais verdadeiro no Twitter.
Os tuiteiros lusófonos costumam publicar notas sobre “trânsito” justamente nos horários de maior congestionamento, como às 7h da manhã, ou nas sextas-feiras no fim da tarde. Como os brasileiros são imensa maioria entre os usuários do Twitter em português, eles preponderam nos resultados.
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“Futebol” é mais comentado no Twitter em português nos domingos à tarde e nas quartas à noite, horário dos principais jogos do Brasileirão.
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A “hora do almoço” é a mesma no Twitter e no cotidiano. Mantém até as peculiaridades de cada dia da semana: mais tarde aos domingos e mais longa aos sábados.
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Como na vida real, “novela” é um hábito diário, com hora certa no Twitter em português. É mais assunto principalmente às segundas-feiras, e perde importância no fim-de-semana, quando muda a programação na TV.
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“Balada” virou exclusivamente sinônimo de noitada. E como tal, tem seu pico na madrugada de sábado para domingo, com os tuiteiros comentando o que fizeram. Há um segundo ponto alto no começo da noite de sábado, quando eles combinam ou anunciam o que estão prestes a fazer.
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Domingo é dia de “missa” e de “culto“, com preponderância do rito católico, embora em proporção menor do que os dados censitários sobre preferência religiosa da população poderiam fazer supor.
Possível sinal de perda de influência relativa da Igreja católica aparece na comparação do número de citações ao “padre” e ao “pastor” no Twitter.
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O pesquisador Scott Golder (@redlog), da Universidade de Cornell, nos EUA, reuniu uma base de dados com centenas de milhões de tuitadas de 84 países. Fez um estudo dos tuítes em inglês usando software que distingue palavras que identificam atitudes positivas e negativas. Isso rendeu reportagem no The New York Times e foi reproduzido no Brasil, inclusive aqui. Mas a base de dados está disponível online, e contém tuítes em português. É com base nela que foram montados os gráficos acima.
Nos gráficos multicoloridos, cada linha corresponde a um dia da semana e é identificada por cores diferentes, como a seguir: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo.
Esta nota teve a colaboração dos jornalistas Amanda Rossi e Bruno Meirelles.
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Quem usa sabe que a repercussão nas redes sociais varia de zero a 1 milhão. E o zero é muito mais frequente. Só de vez em nunca um tuíte/post é maciçamente reproduzido por quem segue o seu autor, e pelos seguidores dos seus seguidores, até vários graus de separação. Quando isso acontece, o fenômeno é dito “viral”.
A virulência é o Eldorado do marketing virtual. E, como tal, raramente alcançada. O instituto Gallup verificou a quase irrelevância das campanhas institucionais via Twitter e Facebook. Os esposos dos usuários de redes sociais, por exemplo, têm 40 vezes mais influência na opinião formada sobre marcas e produtos do que as propagandas no Twitter e no Facebook. Não fosse rara, a virulência mataria o seu alvo por sobrecarga.
Poucos microorganismos hostis conseguem se espalhar maciçamente. Só os que encontram uma brecha no sistema de defesa do hospedeiro/vítima e condições ambientais favoráveis se expandem ao nível de epidemia. Notícias, mensagens políticas e ideias em geral só se propagam se conseguem driblar a apatia, essa arma imunológica da opinião pública.
Quem fala não impõe a quem escuta o que é relevante. Por isso, tentativas de controle do que é publicado -por conselhos ou pela censura- são inúteis, além de anti-democráticas. Uma mensagem só é passada adiante nas redes sociais se o “receptor” comprá-la com entusiasmo suficiente para reproduzi-la. Mas mesmo isso é insuficiente para alcançar a virulência.
Para pular etapas, marqueteiros virtuais contratam celebridades do Twitter como garotos-propaganda. Mas essa adaptação anacrônica do tiro de canhão para matar uma mosca, típica dos meios de massa unidirecionais, não costuma levar a lugar algum.
Na mesma linha, usuários com escores altos em serviços como “Klout” (que medem a suposta influência de cada perfil no Twitter, Facebook, YouTube etc) são bombardeados com mensagens “pessoais” de produtos. Se você está recebendo uma enxurrada de tuítes que começam por seu codinome, conforme-se: você é um trendsetter.
Esses recursos primitivos do marketing social são insuficientes para superar os muitos anticorpos que evitam infopandemias. Mesmo quando ultrapassa as primeiras barreiras da transmissão, a mensagem tende a ficar restrita ao segmento da população mais vulnerável àquele conteúdo, a pessoas que compartilham as mesmas características demográficas, que têm um DNA social comum.
Raríssimas campanhas saem dos trending topics para as ruas e influenciam um país. Sem um caldo de cultura propício, campanhas virtuais como “Cansei”, pelo voto distrital ou protestos anti-corrupção tendem a contaminar sempre a mesma parcela da população -que acaba por se desencantar com a falta de repercussão do movimento e troca a mobilização por frustração, quando não por ressentimento com o resto da sociedade.
Para mobilizarem multidões, como nos países árabes, é preciso um tipo de engajamento que só costuma ser produzido por causas muito palpáveis, como fome e perda de direitos fundamentais -ou convicções ideológicas inflamadas, cuja expressão mais atual é o fanatismo religioso.
Sem o acúmulo de tensões sociais nenhum movimento sai do sofá para a praça. O trendsetter ou marqueteiro virtual pode estapear o fundo da garrafa quantas vezes quiser que a virulência não sairá pelo gargalo. Comunicação não é catchup.
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A Índia está fazendo algo que mais parece ficção científica, uma mistura de 1984 e Admirável mundo novo. E que vai provocar um grande debate sobre os limites da democracia representativa, da privacidade e do controle do estado sobre o indivíduo. Imagine fotografar 1,2 bilhão de rostos, escanear 2,4 bilhões de íris e coletar 12 bilhões de impressões digitais, juntar tudo isso num banco de dados digital, e torná-lo acessível pela rede de telefonia celular. Deve demorar 10 anos, mas já começou a acontecer.
O projeto chama-se Aadhaar e em pouco mais de um ano emitiu 30 milhões de números de identificação únicos para indianos de 13 dias de vida até 103 anos de idade. Participa quem quer, mas os atrativos para ganhar os 12 dígitos são muitos: com ele e sua impressão digital, qualquer um, mesmo o mais miserável sem-teto, pode abrir uma conta bancária, receber benefícios governamentais e descolar um telefone celular. Em vez de meses de idas e vindas de papelada, a identificação digital demora 8 segundos.
A meta é driblar a burocracia, evitar o desvio de recursos do equivalente local ao Bolsa Família e diminuir as desigualdades de um país que é estratificado em castas e onde há oficialmente 400 milhões de pobres. O sistema está sendo implementado por uma espécie de “start-up” estatal, comandada pelo mais icônico “self-made man” indiano, o bilionário Nandan Nilekani, fundador da Infosys. Ele se afastou do seu império de software e terceirização de serviços de informática só para tocar o projeto.
Os benefícios são óbvios, assim como os riscos. No limite, seria possível ao governo monitorar todos os cidadãos cadastrados, um verdadeiro Big Brother. Reportagem do The New York Times conta que as resistências foram grandes, mas o Aadhaar deslanchou graças ao aval do primeiro-ministro Manmohan Singh e -mais importante- da família Gandhi, que comanda o poderoso Partido do Congresso. Pode ser que tenham avalizado apenas pelo apelo eleitoral de diminuir a kafkiana burocracia da Índia. Ou não.
O Aadhaar resolve o problema da identificação à distância. Através das câmeras dos celulares seria possível, em tese, identificar qualquer pessoa para realizar todo tipo de atividade, até votar. Hoje isso é impensável. Daqui a dez anos (ou menos) não será. O processo será tão fácil e rápido que pode colocar em xeque o sistema de democracia representativa, em prol da democracia direta.
É tudo o que os políticos e partidos não querem. Imagine uma votação instantânea dos eleitores do Distrito Federal cassando o mandato da deputada Jaqueline Roriz (aquela que foi absolvida pelos seus pares apesar de ter sido flagrada em vídeo recebendo dinheiro vivo). Ou decidindo pelo voto direto sobre a criação ou extinção de tributos.
A democracia direta pode ser também um atalho para a ditadura da maioria. Sem limites, favorece perseguições e ameaça direitos fundamentais do cidadão, dependendo de para onde o vento da opinião pública estiver soprando.
Mas as rebeliões em países democráticos como Espanha, Grécia, Chile e Inglaterra demostram que a democracia representativa não satisfaz a nova geração de eleitores, que se sente excluída do processo decisório. Somem-se as novas tecnologias, as redes sociais e projetos como o Aadhaar e o resultado é um debate que pode ser adiado, mas não evitado para sempre.
E no Brasil?
O Tribunal Superior Eleitoral coletou as digitais (nada de escanear íris) de pouco mais de um milhão de eleitores até agora. Eles votaram em 2010 usando o indicador para se identificarem. Essas pessoas terão prioridade para receber o RIC (Registro de Identidade Civil), um número de identificação que substituirá o R.G. e, em tese, unificará CIC, PIS/PASEP e todos os outros cadastros federais.
O “em tese”, no caso, é para ser levado a sério. O decreto diz que “os demais cadastros públicos federais (…) poderão adotar”. Ou seja, não é compulsório. E os documentos velhos continuam valendo… Ou seja, o roteiro é o mesmo do “imposto único”, que virou mais um: a CPMF.
Num país onde cartório equivale a uma capitania hereditária, e TSE e IBGE têm códigos diferentes para identificar os mesmos municípios, é difícil acreditar que até 2018 você terá apenas um número de identificação federal para decorar. Mas se até a Índia -com seis vezes mais habitantes que o Brasil- está conseguindo, não custa torcer.
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Dilma Rousseff ultrapassou Luiz Inácio Lula da Silva em citações no Twitter, mas não na internet em geral. Um termômetro mais abrangente, a quantidade de buscas feitas por uma palavra no Google, mostra que a “criatura” ainda está atrás do “criador” quando se levam em conta as pesquisas feitas pelos nomes de ambos. O do ex-presidente ainda tem 25% a mais de procura na média de 2011.
Mas isso se deve ao prestígio que Lula mantém no exterior, mesmo após ter deixado a Presidência. É das pesquisas na internet originadas em outros países que ele obtém toda a sua vantagem sobre Dilma. Nas buscas feitas no Google apenas a partir do Brasil, a atual presidente levanta 40% mais curiosidade do que o antecessor. O mesmo acontece nas referências apenas em sites de notícias.
Lula X Dilma no Google (mundo)
Lula X Dilma no Google (só Brasil)
Está dentro do esperado. Como presidente em exercício, Dilma gera mais fatos novos que o antecessor, aparece mais no noticiário e desperta maior interesse dos brasileiros (para o bem e para o mal). Mas Lula surfa na popularidade internacional obtida em 8 anos de mandato e ainda é a principal referência brasileira no exterior, ao menos do ponto de vista dos internautas.
Tags: Dilma, internet, Lula, popularidade, redes sociais
Passada a superexposição da posse, os dois picos de citações do nome de Dilma Rousseff no Twitter, em 16 e 19 de março, correspondem à entrevista que a presidente deu a Hebe Camargo e, logo em seguida, ao encontro com o presidente norte-americano, Barack Obama, durante sua visita ao Brasil.
Não por coincidência, foi nessa época que Dilma alcançou seu mais alto porcentual de aprovação popular. Chegou a 56% de “ótimo” + “bom” na pesquisa Ibope/CNI concluída em 23 de março. Nem antes nem depois a presidente teve taxas de popularidade superiores a 50%. Lula não chegou a esse patamar de aprovação com três meses de governo (ele superaria essa marca bem mais à frente no mandato).
Foi o melhor momento de Dilma no Twitter e nas pesquisas de avaliação. Daí em diante a lua-de-mel com o poder acabou e os problemas começaram a a se misturar à agenda positiva.
Em abril, a presidente teve três pequenos picos de citações no Twitter em sequência. Os motivos foram diferentes: o encontro com o pop star Bono, do U2; a visita à China; e um movimento na internet contra a construção da usina de Belo Monte que tentava influenciar a decisão presidencial.
O terceiro maior pico de citações ao nome de Dilma ocorreu em 26 de maio. Ele foi provocado por duas polêmicas, nenhuma delas boa para a presidente: sua defesa do ainda ministro Antonio Palocci (Casa Civil), cujo patrimônio foi multiplicado dando consultorias a empresas quando era deputado; e a reação da bancada evangélica ao chamado kit anti-homofobia que o Ministério da Educação pretendia distribuir a escolas. Dilma recuou em ambos os casos.
Em 8 de maio, quando Palocci caiu e foi substituído por Gleisi Hoffmann na Casa Civil, Dilma voltou a ser muito citada no Twitter, nem sempre de maneira positiva, mas tampouco apenas de modo negativo. A situação se repetiu, mas com menor intensidade, em 5 de agosto, nas esteira da queda de outro ministro, agora o dos Transportes, Alfredo Nascimento, por denúncias de corrupção generalizada na pasta.
As mais recentes crises envolvendo denúncias de corrupção no governo, agora nos ministério da Agricultura e do Turismo, têm causado pouca repercussão envolvendo o nome de Dilma no Twitter. O gráfico mostra um pico de citações muito modesto em 5 de agosto.
A séria ininterrupta de escândalos e demissões parece ter a propriedade de diluir a atenção do público e, por consequência, perder impacto na opinião pública. Tanto é que a aprovação de Dilma, após o pico de março, permaneceu estável entre junho e o começo de agosto, quando se compara as três últimas pesquisas do Datafolha (10/06 e 04/08) e do Ibope (31/07). Mesmo após escândalos diferentes em quatro ministérios.
Numa comparação histórica, Dilma não destoa da média de aprovação que seus antecessores alcançaram por volta de seis meses de mandato. Ela tem 48% de “ótimo” + “bom” na mais recente pesquisa CNI/Ibope. Fernando Henrique Cardoso chegou a 42% de aprovação pelo mesmo instituto em junho de 1995 (primeiro mandato) e a 18% em maio de 1999 (logo após a desvalorização do real com que começou seu segundo governo).
Luiz Inácio Lula da Silva obteve marca equivalente ao rival no primeiro mandato (43% de “ótimo” + “bom” em junho de 2003) e melhor no segundo mandato (50% em junho de 2007). Dilma está se segurando no mesmo patamar de aprovação do segundo mandato de Lula, considerada a mesma época do governo.
Na pergunta “aprova ou desaprova o presidente?”, Dilma tem 67% de “aprova” contra 65% de FHC e 70% de Lula nos seus primeiros mandatos. Mas nem tudo são flores.
Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a mais forte correlação da popularidade de um presidente é com o estado da economia. Muito mais do que escândalos, pesam na opinião das pessoas seu poder de compra e as oportunidades de emprego. Consumo em alta e desemprego em baixa foram os estilingues da popularidade de Lula e Dilma. Mas os sinais no horizonte não são bons para a atual presidente.
Mais do que a crise financeira mundial, são os indicadores internos que piscam amarelo. A dificuldade de controlar a inflação preocupa a população, e o pessimismo aumenta. Nada menos do que 58% dos brasileiros esperam que a inflação cresça no futuro próximo. É um porcentual maior do que as expectativas inflacionárias nos primeiros seis meses de mandato de FHC (34% em 1995 e 50% em 1999) e de Lula (36% em 2003 e 41% em 2007).
Se as pessoas acham que os preços vão subir, há uma boa chance de a previsão se autorrealizar, pelo comportamento de manada dos mercados. Somem-se as pressões de oferta, como a prevista falta de etanol, e começam os problemas reais de Dilma. Uma escalada inflacionária corroeria a capacidade de as pessoas consumirem. E um furo no bolso do eleitor drena muito mais popularidade de um governante do que uma dezena de escândalos ministeriais.
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Inversão de papéis: uma pesquisa qualitativa em que os entrevistados foram os pesquisadores. E na casa deles: a sede do Ibope em São Paulo, na última quinta-feira. O tema: o papel da internet nas eleições municipais de 2012. A conclusão? A rede vai influenciar ainda mais o resultado das urnas e o comportamento do eleitor no próximo ano do que já influiu em 2010, entre muitos outros insights.
O encontro foi organizado por Silvia Cervellini, diretora do Ibope Inteligência, a pedido do “Estado”. Silvia é autora de um dos mais interessantes estudos sobre a eleição de 2010, apresentado no congresso anual da Associação Mundial de Pesquisa de Opinião (Wapor). Junto com Malu Giani e Patrícia Pavanelli (ambas pesquisadoras do Ibope), ela demonstrou como o voto religioso, impulsionado pela discussão sobre legalização do aborto na internet, moldou a reta final da campanha presidencial.
Além das três, participaram do focus group sobre internet, política e eleição dois outros pesquisadores do Ibope que apresentaram trabalhos diferentes sobre o tema no congresso da Wapor: João Francisco Resende e Rosi Rosendo. Para temperar o debate, o “Estado” entrevistou o jornalista Caio Túlio Costa, que dirigiu dois dos maiores portais brasileiros (UOL e iG) e foi o arquiteto da bem sucedida campanha de mídia digital de Marina Silva na eleição presidencial de 2010.
As conclusões a seguir, especialmente se equivocadas, são de responsabilidade do autor. Eventuais méritos são dos pesquisadores do Ibope e de Caio Túlio.
O que: internet vai influir mais em 2012 do que já influiu em 2010
Com mais eleitores online e participando de Orkut, Facebook, Twitter e Google Plus, entre outras redes, a influência da internet tende a aumentar. Os novos hábitos de troca de informações aumentam a virulência dos boatos e notícias. Mesmo quando o fenômeno começa no “mundo real”, ele reverbera e é ampliado pela internet. Os casos da “legalização do aborto (Dilma)” e da “bolinha de papel (Serra)” em 2010 são exemplos disso.
“É muito mais fácil atingir um público local”, diz Caio Túlio. Mas a influência deve variar de local para local: “Depende muito da infra-estrutura da banda larga. Se não será decisiva, (a internet) será um pouco mais decisiva, com certeza”.
Onde: eleições nos grandes centros e nas cidades mais conectadas devem ter mais influência da internet
As cidades onde maiores parcelas do eleitorado está online são as mais aptas à internet ter um papel decisivo. Mas não depende só disso. Onde já existem redes pessoais, comunidades atuantes e organizadas, a internet potencializa a mobilização eleitoral. Já para Caio Túlio, “nos grandes centros, tudo indica que a internet será muito mais usada e ajudará muito mais do que ajudou até agora na conquista de votos”.
Como: mobilização, agenda e arrecadação
Nas cidades conectadas, os principais instrumentos devem ser: monitoramento de redes sociais, blogs, mobilização via Facebook (que cresce exponencialmente e começa a atingir a classe C), Orkut e Twitter (outras redes podem aparecer ou aumentar em influência até a eleição, como o Google Plus). A magia negra do SEO (técnica que influencia os resultados de buscas em mecanismos como o Google) pode ser usada para beneficiar um candidato ou prejudicar o adversário, associando-o a um fato negativo. O celular, que encontra o eleitor onde ele estiver, também é peça-chave, mas precisa ser usado com moderação para não saturar.
“A internet fura a espiral do silêncio dos meios de comunicação”, diz Silvia Cervellini. Temas que normalmente ficam de fora da cobertura dos jornais, rádio e TV aparecem na rede e ampliam o debate, especialmente questões de interesse local. Alguns fazem tanto barulho que acabam pautando os meios de comunicação tradicionais. Isso pode mudar a agenda da campanha municipal em algumas cidades.
“(A internet) será mais usada especialmente na arrecadação de doações de pessoas físicas -que não será espetacular, por conta de características culturais”, prevê Caio Túlio.
Quem: profissionais x amadores
Praticamente todas as campanhas terão gente dedicada a mobilizar via internet (“custo é muito baixo”). Mas isso não é tarefa fácil. “É preciso entregar um conteúdo relevante no momento certo”, diz Silvia, ou a campanha online pode se voltar contra o candidato, como já se voltou contra algumas empresas que se arriscaram a fazer marketing via blogs e redes sociais sem ter uma boa estratégia.
Por isso, não é trabalho para amadores. “Há experiência que pode ser copiada e disseminada. Mas a maior dificuldade será encontrar profissionais capazes de dedicação exclusiva e inteligente para realizar campanha na internet para cada candidato. Campanha online não é ‘commodity’ nem ‘prêt-a-porter’, é ‘taylor made’ (sob medida)”, diz Caio Túlio.
Consequências
Outsiders, candidatos pouco conhecidos e zebras passam a ter mais chances, porque dispõem de uma plataforma de grande penetração e comparativamente barata para alcançar os eleitores. Dependem de um bom discurso (relevância) e de uma boa estratégia (oportunidade). Podem fazer isso desde já, driblando as limitações da legislação, se conseguirem cativar comunidades já existentes na rede e fora dela.
Atrair para o debate eleitoral os eleitores 2.0, aqueles jovens com perfil semelhante ao dos “indignados” espanhóis, que estão descontentes com a forma tradicional da política -desde a polarização PSDB x PT até a maneira de cima para baixo para como as decisões são tomadas.
Aumentam o potencial para surpresas e a velocidade das mudanças na corrida eleitoral. Os eleitores conectados apresentaram curvas de intenção de voto muito mais voláteis na eleição de 2010. Subidas e quedas abruptas ficam mais prováveis, principalmente na reta final da campanha.
Pesquisa anual do CGI.BR, o Comitê Gestor da Internet no Brasil
* Cresceu de 27% para 31% a taxa de domicílios com acesso à internet (2009/2010)
* Essa taxa é equivalente à argentina mas 60% menor que a alemã e 1/3 da japonesa
* Extremamente desigual, ainda: 36% no Sudeste contra 11% no Nordeste
* Extremamente desigual: 90% na classe A contra 3% na classe D/E e 24% na C
* 48% dos brasileiros dizem já ter acessado a internet
* mas só 41% acessaram nos últimos 3 meses, pelo menos
* Essa taxa cresce 13% ao ano, o que logo deve igualar acesso a computador e internet
* desses 41%, 60% o fazem diariamente (25%)
* ou seja, só 1 em cada 4 brasileiros de 10 anos ou mais acessa a internet todo dia
* Dos 41%, a maioria (56%) acessa de casa, ou da casa de outra pessoa (27%); só 22% acessa do trabalho. Ainda há 35% de usuários de lan-houses ou similares
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* Atividade mais comum é se comunicar: 94% dos 41% (38% dos brasileiros)
* 79% enviam/recebem email (32% dos brasileiros)
* 74% mandam/recebem mensagens instantâneas (30%)
* 69% participam do orkut ou sites de relacionamento similares (28%)
* 60% buscam informações sobre diversão e entretenimento (25%)
* 59% fazem pesquisas escolares (24%)
* 58% buscam informações sobre bens e serviços (24%)
* 53% assistem filmes/vídeos, no YouTube, por exemplo (22%)
* 50% pesquisam preços (21%)
* 47% fazem download de músicas (19%)
* 44% lêem jornais e revistas (18%)
* 43% jogam online (18%)
* 36% ouvem rádio online (15%)
* 35% buscam informações sobre saúde (14%)
* 30% fazem download de filmes (12%)
* 28% buscam informações em enciclopédias digitais e similares (11%)
* 26% buscam emprego (11%)
* 26% buscam informações sobre o governo (11%)
* 24% usam dicionários (10%)
* 21% fazem download de jogos (9%)
* 21% buscam informações sobre livros/artigos em bibliotecas (9%)
* 19% já compraram pela internet (8%)
* 17% usam Skype (7%)
* 16% assistem TV em tempo real (7%)
* 14% usam Twitter (6%)
* 13% interagem com o governo (6%)
* 11% fazem cursos online (5%)
* 9% participam de realidade virtual, tipo Second Life (4%)
* 9% fazem pagamentos/transações bancárias (4%)
* 9% buscaram CPF de alguém (4%)
* 8% blogam (3%)
* 7% declararam IR (2%)
* 4% já venderam/anunciaram alguma coisa online (1%)
Veja a íntegra da pesquisa do cgi.br
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