José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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07.novembro.2012 20:33:57

Ampla, rasa e dividida

Nem Obama nem Romney, o maior acerto da eleição norte-americana foi de Nate Silver. O blogueiro do New York Times acertou todas. Especialista em modelos estatísticos eleitorais, Silver previu corretamente todos os Estados com vitória democrata ou republicana. Acertou que Obama venceria por dois pontos de diferença no voto popular e, mais impressionante ainda, acertou na casa decimal por quanto ele ganharia na Flórida.

Nada mais justo do que citar a síntese de Silver para a vitória de Obama: “Foi ampla mas rasa”. O atual presidente ganhou em oito dos nove “campos de batalha” – os Estados que oscilam entre os partidos Republicano e Democrata a cada eleição. Foi nesses lugares que as duas campanhas mais despenderam esforço, tempo e dinheiro. Obama ganhou, mas por margens muito apertadas: meio ponto na Flórida, 2 pontos em Ohio, 3 em Virgínia.

O placar de 332 a 206 votos no colégio eleitoral é enganoso. Reflete muito mais o arcaísmo do sistema norte-americano de escolha do presidente – no qual o vencedor leva todos os delegados de cada Estado – do que uma vitória avassaladora de Obama. Os EUA estavam e continuam divididos: a costa reelegeu o presidente contra a vontade do interior. As metrópoles derrotaram as pequenas cidades e os subúrbios ricos.

Obama ganhou em todas as maiores cidades dos EUA, e por margens muito amplas: 70 pontos em Manhattan (Nova York), 58 pontos em Boston, 50 pontos em Chicago, 41 pontos em Los Angeles e surpreendentes 24 pontos em Miami. Mesmo nos Estados onde perdeu, o atual presidente foi o mais votado nas cidades principais, como Atlanta na Geórgia e Dallas no Texas. As maiores cidades onde Romney venceu foram Houston e Phoenix.

Na média, o democrata teve 40 pontos de margem nas grandes cidades e a metade disso nas cidades médias. Nas cidadezinhas que ocupam todo o miolo dos EUA, o republicano abriu vantagem de 14 pontos, quase o dobro da obtida pelo correligionário John McCain em 2008. Nos subúrbios ricos, Romney bateu Obama por dois pontos – a mesma margem pela qual o democrata havia vencido nessas áreas vizinhas às metrópoles quatro anos antes.

Esse aparente determinismo geográfico do voto reflete as diferenças sociodemográficas ao longo do território dos EUA. As metrópoles têm mais diversidade étnica e cultural do que as pequenas comunidades interioranas. Entre as minorias étnicas Obama destruiu Romney: ganhou por 87 pontos entre negros, por 47 entre asiáticos e 44 entre hispânicos.

Entre os brancos, porém, Romney conseguiu vantagem maior do que a obtida por McCain quatro anos atrás: 20 pontos mais que Obama. Ou seja: dois anos e US$ 6 bilhões depois, os EUA saem da campanha eleitoral mais divididos do que entraram.

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A popularidade de Dilma Rousseff está no mesmo nível a que chegou a de Luiz Inacio Lula da Silva aos 15 meses do seu segundo mandato. Foi nesse estágio, em março de 2008, que a aprovação do ex-presidente começou a decolar e a se descolar dos patamares históricos das avaliações presidenciais, elevando-o ao status de mito -merecido ou não.

Não há como afirmar -nem negar- que a história vá se repetir. A aprovação de Lula estava acelerando mais rapidamente em 2008, por exemplo, mas há indícios de que Dilma esteja desenvolvendo poderes “Teflon”, como seu antecessor. Na pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira, fica claro que a percepção sobre o noticiário é cada vez mais positiva para a presidente. Não que haja menos notícias de “malfeitos” envolvendo o governo, apenas elas não estão colando na imagem presidencial.

O dobro de brasileiros vê um noticiário mais favorável (28%) do que desfavorável ao governo (14%). A taxa de percepção de notícias negativas já foi de 25% em julho do ano passado, quando começou a crise ministerial. Mas a troca de ministros virou “faxina” e, hoje, a agenda de Dilma, aos olhos da população, tem mais boas notícias do que problemas: “programas sociais para as mulheres”, “viagens da presidente”, “Dilma recebe prêmio”. Mesmo as notícias potencialmente negativas, como prisões e demissões, são lidas como sinais de limpeza e não de sujeira.

Isso ajuda a explicar por que Dilma chegou a este patamar com “um mandato” de antecedência em comparação a Lula, mas não explica as razões desse “efeito Teflon”. As causas fundamentais estão ligadas à situação econômica do país e, mais especificamente, à capacidade de consumo do eleitor.

A taxa líquida de popularidade da presidente (“ótimo”+”bom” subtraído o porcentual de “ruim”+”péssimo”) medida pela pesquisa CNI/Ibope está colada à situação financeira do brasileiro, aferida pela mesma sondagem. A superporsição das duas curvas ocorre praticamente desde o começo do governo Dilma. Para onde uma vai, a outra vai atrás. Estatisticamente, seu coeficiente de correlação é muito alto: 0,88 num máximo de 1,00.

Basicamente, quando cresce o número de brasileiros que avaliam que seu bolso está mais cheio agora do que estava três meses antes e, ao mesmo tempo, preveem que ele vai continuar estufando nos próximos meses, cresce também a quantidade de brasileiros que dizem que o governo Dilma é “bom” ou “ótimo”. Por essa correlação, a popularidade presidencial é uma função direta do poder de compra e da capacidade de consumo do eleitor.

Essa percepção não depende apenas da renda, mas de outros fatores indiretos, como facilidade de o brasileiro obter crédito, de sua estabilidade no emprego ou facilidade de conseguir uma ocupação remunerada e, em menor grau, do medo de descontrole inflacionário.

Em outras palavras, enquanto a economia continuar se expandindo, o emprego seguir em alta e os consumidores continuarem comprando e se endividando, Dilma deverá permanecer com uma avaliação positiva de seu governo. E se essas tendências se intensificarem, a boa vontade da população com sua gestão pode crescer ainda mais.

Essa correlação entre consumo e popularidade não é um fenômeno jabuticaba, que ocorre apenas no Brasil. Ela acontece nos EUA também. Barack Obama tem se beneficiado dela. O presidente norte-americano só voltou a melhorar sua posição nas pesquisas de intenção de voto depois que o índice de confiança do consumidor cresceu, refletindo a aquecimento do mercado de trabalho e a retomada do consumo.

Não é por acaso que, tanto nos EUA quanto no Brasil, os presidentes dedicam muito mais atenção à economia do que às rusgas com o Congresso. Quanto melhor o emprego e o consumo, mais popular eles ficam e mais poder eles têm para negociar o que lhes convém, tanto com sua base de apoio quanto com a oposição. Lá como cá, a avaliação do trabalho dos parlamentares é muito pior do que a do Executivo federal. E quando o presidente se populariza, a balança de força entre os Poderes se desequilibra, sempre em detrimento do Legislativo.

Se aparece um escândalo envolvendo um dos principais porta-vozes da oposição, menor ainda o poder de barganha dos parlamentares. Aos olhos da população, quando um crítico do governo é pego praticando o que condenava, reforça-se a ideia de que “político é tudo igual”. E se a percepção de que a conduta ética é a mesma para todos, melhor salvar pelo menos o bolso.

Presidentes que perderam sua base de apoio e a chamada “governabilidade” perderam antes o controle da economia. Foram os casos de José Sarney e Fernando Collor. O primeiro acabou tutelado pelo PMDB de Ulysses Guimarães, e o segundo foi forçado para fora do governo. Desde Fernando Henrique Cardoso, o bom desempenho econômico tem precedido a estabilidade política. Foi assim com Lula, é assim com Dilma.

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09.janeiro.2012 02:15:58

Genes politizados

E se a opção ideológica de cada um não for fruto apenas do livre arbítrio, mas uma tendência impressa em nossos genes? E se estivéssemos biologicamente programados a sermos conservadores ou liberais? A questão soa absurda e pode ser revoltante para os mais engajados, mas contém uma dose de fundamentação científica. Ao menos é o que sugere um estudo a ser publicado na próxima edição da centenária revista inglesa Philosophical Transactions of the Royal Society B.

Um grupo de biólogos, psicólogos e cientistas políticos norte-americanos submeteu suas cobaias humanas a uma bateria de testes para achar respostas a tais perguntas. Basicamente, os pesquisadores lhes mostraram uma combinação de cenas agradáveis e desagradáveis e mediram suas reações emocionais e cognitivas. Para isso, usaram múltiplos sensores, capazes de captar mudanças na atividade cerebral e até rastrear o mais sutil movimento dos olhos das pessoas pesquisadas.

O que eles descobriram é que as pessoas politicamente conservadoras reagiram com mais intensidade às imagens desagradáveis: seu olhar era mais fixo e demorado em fotos de feridas abertas ou de um banheiro sujo. Os politicamente liberais, ao contrário, dedicaram muito mais atenção e tempo às cenas aprazíveis, como gente brincando na praia.

“Literalmente, conservadores e liberais não enxergam as coisas da mesma maneira”, resume o principal autor da pesquisa, Mike Dodd, professor de psicologia da Universidade de Nebraska-Lincoln. E isso tem impacto, no mínimo parcial, sobre as inclinações político-partidárias de cada grupo -afirma um dos co-autores do estudo, o cientista político Kevin Smith.

Liberais e conservadores foram expostos a imagens de políticos dos partidos Democrata e Republicano, dos EUA. Consistentemente com a hipótese de que os conservadores reagem principalmente a estímulos negativos, eles tiveram uma reação fisiológica mais forte às fotos de conhecidos políticos democratas -supostamente seus adversários políticos- do que às dos rivais republicanos.

Previsivelmente, os integrantes do grupo liberal mostraram sinais fisiológicos mais intensos em resposta às imagens dos líderes democratas que -também supostamente- defendem pontos-de-vista semelhantes aos seus. Essa reação está de acordo com a observação de que os liberais reagem mais a estímulos positivos, ao contrário dos conservadores.

A conclusão seria que as pessoas com natureza conservadora são mais sensíveis aos problemas e tendem a confrontá-los com maior intensidade do que os naturalmente liberais. Na vida real, isso se traduziria em apoio a políticas que pretendem proteger a sociedade do que os conservadores percebem como ameaças, internas e externas. Daí defenderam intervenções policiais e militares mais duras, ou apoiarem restrições a imigrantes -enquanto os liberais advogam exatamente o oposto.

Se os autores estiverem corretos, a polarização política não seria consequência (apenas) da desinformação ou da má intenção, como os adversários partidários costumam se acusar uns aos outros. Ela seria um mecanismo biológico, desenvolvido durante o processo evolutivo dos humanos, para temperar reações exageradas de ambos os lados.

O medo pode ser evolutivamente útil em situações de risco real, aumentando as chances de sobrevivência dos tementes por forçá-los a se exporem menos ao perigo. Mas em situações normais, o excesso de temor pode ser paralisante e impedir um grupo de experimentar novos hábitos, de se adaptar a lugares diferentes, de mudar. Em suma, o medo pode tanto garantir a existência quanto retardar o seu desenvolvimento.

Se a seleção natural fez os humanos se dividirem em dois grupos biologicamente antagônicos, a política seria a resposta cultural para equilibrar esse antagonismo. E a alternância no poder, uma necessidade para evitar o atraso ou a auto-aniquilação pelo excesso de experimentalismo.

A teoria de Mike Dodd, John Hibbing e Kevin Smith se encaixa bem à política norte-americana, há mais de um século bipartida entre conservadores republicanos e liberais democratas. Nesse cenário preto e branco, os “cinzas” (eleitorado independente, que oscila de um lado a outro conforme as circunstâncias) costumam decidir a parada, definindo as eleições ora para cá, ora para lá.

Ela também ajuda a entender porque os republicanos fritam seus pré-candidatos durante as primárias. Os conservadores parecem mais preocupados em achar um anti-Obama, ou seja, o mais capaz de derrotar o que eles identificam como o mal (ou o problema), do que de eleger o que seria o seu líder ideal. É uma política pragmática, menos de auto-afirmação e mais de anulação do adversário.

O modelo político-biológico proposto pelos cientistas não funciona tão automaticamente assim no cenário partidário brasileiro. Nos últimos 18 anos, a polarização PSDB-PT reflete uma briga pelo poder entre duas alas que, ao menos na origem, estavam do mesmo lado que derrotou o que seria o grupo conservador, representado pela ditadura militar e seus apoiadores.

É provável que nem tucanos nem petistas concordem com essa descrição e atribuam uns ao outros a pecha de conservador e liberal (no jargão político brasileiro, são quase sinônimos). Mas ambos, PSDB e PT, foram, a seu tempo, vitais para promover mudanças na sociedade brasileira -o que é a antítese da definição de conservadorismo usada pelos autores do estudo.

Errada ou certa, simplista ou não, a hipótese do determinismo biológico na política evidencia ao menos que o problema está nos olhos de quem vê.

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O feito hoje é uma lembrança desbotada, mas Barack Obama foi o presidente norte-americano eleito com maior margem nas últimas duas décadas. Com o “sim, podemos”, encheu os EUA de esperança. Porém, a inabilidade para lidar com a crise econômica herdada do governo George W. Bush minou a confiança da maioria dos norte-americanos na capacidade do seu presidente. E ameaça a sua reeleição.

Hoje, o que mais ajuda o democrata na corrida eleitoral é a incapacidade da oposição republicana de produzir um adversário vencedor.

“Será que Obama é capaz de exercer o cargo?” – essa é a pergunta subjacente à curva de popularidade do presidente desde a posse. Foi um escorregão de quase três anos ladeira abaixo, com dois leves e fugazes momentos de recuperação. O primeiro foi no fim de janeiro deste ano, provocado por seu discurso sinalizando uma guinada ainda mais ao centro do espectro político, que foi bem recebido pelos eleitores independentes. Durou pouco, porém.

Em maio, o assassinato de Bin Laden produziu um pico ainda mais curto de popularidade, que evaporou junto com os empregos e a confiança do consumidor norte-americano.

Obama bateu no fundo no começo de setembro. Desde então, o saldo de sua avaliação (% de “aprova” menos o % de “desaprova”, segundo o Gallup) tem estado consistentemente negativo em -10 pontos percentuais. A um ano da eleição, pode não parecer, mas isso é uma boa notícia para Obama. Pelo menos ele parou de cair antes de chegar ao nível de impopularidade de Jimmy Carter, o último democrata a não conseguir se reeleger.

A média móvel dos últimos 30 dias feita a partir do tracking diário do Gallup mostra que há chance de recuperação para Obama. Seu anúncio de retirada das tropas norte-americanas no Iraque foi bem recebido por 3 em cada 4 eleitores e produziu um soluço positivo em sua aprovação. Depois de meses de más notícias na área econômica, os indicadores de emprego começam a sugerir algum grau de recuperação. É insuficiente para Obama sair do vermelho, mas permite que diga para seus botões “sim, eu posso”.

A chave em qualquer eleição presidencial norte-americana é o eleitorado dito “independente”, aquele que não é republicano nem democrata. Para onde ele pende, vai a avaliação do presidente e as suas chances de reeleição. Desde Bill Clinton que a polarização se exacerbou na política norte-americana: eleitores democratas e republicanos ficam em extremos opostos da opinião pública, aumentando a importância relativa dos independentes.

No gráfico, eles são representados pelas curvas amarelas. Enquanto os democratas (em azul) e os republicanos (em vermelho) se afastam, os independentes convergem para a média (em verde). Se menos da metade deles aprova a gestão de Obama, a média geral do presidente fica negativa.

Isso significa que além de tentar estimular a economia, o emprego e o consumo, Obama deve fazer de tudo para agradar os independentes em seu discurso. Ou seja: mais concessões ao centro. Se serve de consolo, o candidato republicano, seja ele quem for, terá que fazer a mesma coisa, mas no sentido contrário.

 

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Qual a melhor tática? Segurar seus auxiliares a qualquer custo, ou passar recibo e trocar metade do time logo de cara? Barack Obama e Dilma Rousseff seguem vias opostas no seu jeito de governar. A julgar pelo que escreveu hoje o mais famoso estrategista eleitoral do Partido Democrata, o de Obama não é o melhor caminho.

James Carville garantiu seu lugar no panteão das citações universais ao cunhar a frase “É a economia, estúpido!” -escrita num quadro de avisos da bem sucedida campanha de Bill Clinton. Nesta sexta, no site da CNN, ele grita para Obama: “Entre em pânico! Demita um monte de gente!”.

A pouco menos de um ano de tentar a reeleição, o presidente norte-americano está no ponto mais baixo de sua avaliação. Só não está pior do que Jimmy Carter estava a esta altura do mandato. Mas Carville dá a entender que se Obama não se mexer logo, pode repetir o único presidente democrata que não se reelegeu desde a Segunda Guerra Mundial.

“Chegou a hora de mudar totalmente de rumo”, escreveu Carville, para Obama, antes de enumerar as demissões promovidas por Clinton em 1994 e por Ronald Reagan em 1980. Se soubesse, talvez tivesse mencionado também os cinco ministros e sabe-se-lá-quantos subalternos já detonados por Dilma em oito meses de governo.

Carville tem razão quando afirma que Obama mantém os mesmos conselheiros políticos e econômicos que enfiaram os EUA na crise econômico-financeira que o país vive desde 2008. Quem assistiu ao oscarizado documentário “Inside Job” sabe que a Casa Branca mudou de inquilino, mas os comandantes da economia norte-americana continuam os mesmos e fazendo a mesma coisa.

O estrategista vai além e recomenda ao presidente norte-americano que indicie alguém pela crise financeira do país. Diz até para Obama demitir o procurador-geral, Eric Holder, que, apesar de amigo do presidente, não está sendo capaz de responsabilizar judicialmente os culpados pela crise. Troque “crise financeira” por “corrupção” e o conselho vale para Dilma também.

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Barack Obama continua no ponto mais baixo de sua popularidade (41% de aprovação, na média mensal do Gallup), mas não está sozinho. O Congresso dos EUA, de maioria republicana, lhe serve de consolo. Segue no mesmo caminho do presidente, mas muitos andares abaixo: só 13% aprovam o trabalho dos congressistas. Em comum, a queda das opiniões otimistas (ou neutras) sobre a economia norte-americana: só 22%.

http://pollingmatters.gallup.com/2011/09/obamas-speech-not-likely-to-have.html

Resumindo: ninguém ganha quando a economia vai mal. Os oposicionistas republicanos podem argumentar que Obama ganharia mais se ela fosse bem. Mas daí a sabotar as tentativas de resolver o problema do déficit das contas públicas, da recessão e do desemprego vai um longo e duvidoso tiro no escuro. Por isso, não vai ser um discurso que vai mudar as tendências. Se não sabem, os norte-americanos ao menos desconfiam que ninguém é inocente nessa história.

Na era Bush filho, os republicanos financiaram uma guerra que os EUA não podiam pagar aumentando irresponsavelmente a sua dívida. O “mercado”, que de racional só tem a aparência, engoliu dólares e títulos da dívida pública norte-americana às toneladas, sem se importar com os “fundamentos” macroeconômicos do país. Vieram o desequilíbrio da economia, Obama e mais do mesmo. Nada foi feito, nem por democratas nem por republicanos, para consertar o problema. A fatura está demonstrada no gráfico acima.

A guerra (contra o terrorismo, contra o Islã ou o que o leitor preferir) foi uma resposta política a um problema que, como a história mostrou, as bombas não podem resolver. Depois de 10 anos, os EUA gastaram bilhões e bilhões de dólares, mataram o terrorista-símbolo do ataque sofrido em 11/9, mas estão em situação muito pior do que estavam. Perderam o respeito político de boa parte do mundo e dividiram a hegemonia econômica com a China.

A satisfação do público norte-americano pela morte de Osama Bin Laden é registrada por aquele último e fugaz pico de otimismo nas três linhas do gráfico. Foi tão pequena e rápida que mal pode ser notada na tendência morro abaixo da popularidade do presidente e do Congresso e da confiança na economia. A vingança custou tão caro que não compensou.

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