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Celso Russomanno (PRB) saiu de baixo e subiu, cruzou a trajetória de José Serra (PSDB), liderou sozinho durante 40 dias e começou a cair rapidamente. O tucano fez o caminho inverso e agora os dois se encontram de novo, mas em sentidos opostos. Pelo caminho, deixaram desenhado um peixe raro no gráfico das pesquisas eleitorais. Agora o peixe está fechando a boca.

É comum um candidato partir do alto, liderar durante um tempo e cair no final. São os casos de Humberto Costa (PT) no Recife e de Moroni Torgan (DEM) em Fortaleza. Também é frequente um candidato sair do nada e terminar na frente. Vide Geraldo Júlio (PSB) no Recife ou Luiza Erundina (então no PT) em São Paulo em 1988. Mas é incomum um candidato sair de baixo, crescer, liderar isolado por semanas e acabar despencando.

Houve a vida, paixão e morte eleitoral de Ciro Gomes (PSB) na eleição presidencial de 2002. Ele cresceu rapidamente entre julho e agosto, ultrapassou Serra na segunda colocação, mas destemperou-se em entrevista a uma rádio, despencou e acabou em quarto lugar. Mesmo assim, Ciro nunca chegou a liderar as pesquisas. O caso de Russomanno vai render muita pesquisa acadêmica e “papers” em congressos de opinião pública.

É possível atribuir o fenômeno a um conjunto de fatores, mas se nenhum deles é suficiente para explicá-lo sozinho, uma condição foi absolutamente necessária. Sem ela não haveria RUssomanno: o desejo de boa parte do eleitorado de que haja uma renovação das disputas eleitorais, uma alternativa à polarização PT-PSDB. Não é por acaso que Gabriel Chalita (PMDB) tem acolhido boa parte dos eleitores que emigraram de Russomanno.

Com a suspensão da propaganda na TV e no rádio, a campanha eleitoral acabou na prática. Sem o debate da Rede Globo, de agora até a eleição só haverá a inércia captada pelas mais recentes pesquisas de intenção de voto. E ela é cruel com Russomanno. A projeção das tendências de Ibope e Datafolha antecipa uma provável ultrapassagem de Russomanno por Serra e um empate técnico entre ele e Haddad no segundo lugar.

Pode ser que antes disso o candidato do PRB bata em um piso invisível e contenha sua queda livre, mas esse será um fato novo, do qual não há sinal em nenhuma pesquisa ou tracking. O cenário projetado pelas pesquisas é que o peixe feche a boca e a disputa pela segunda vaga no segundo turno seja entre Haddad e Russomanno. Isso se Chalita não acelerar e entrar no bolo. Se a tendência se confirmar, o peixe raro pode morrer na praia.

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A queda de Celso Russomanno (PRB) na preferência do eleitorado beneficiou Gabriel Chalita (PMDB) , em menor grau, José Serra (PSDB) e, menos ainda, Fernando Haddad (PT). Porém, parte dos ex-eleitores de Russomanno passou a engrossar a nau dos sem-candidato. Até a eleição, pelo menos metade desse barco também perderá seus passageiros. Seu destino ditará o destino da eleição.

Uma das muitas ironias desta eleição é que as supostas linhas-auxiliares dos candidatos favoritos mais atrapalharam do que ajudaram quem as fomentou. Russomanno tirou votos de Serra. Chalita está ficando com os eleitores que poderiam levar Haddad ao segundo turno.

 

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01.outubro.2012 02:24:53

Surpresa prevista

Um eleitor tucano explica seu estranho voto útil: “Se o (Celso) Russomanno vai ganhar de qualquer jeito, então é melhor que ele dispute o segundo turno contra o (Fernando) Haddad. Porque se o segundo turno for contra o (José) Serra, o PT vai ajudar a eleger o Russomanno e depois vai teleguiar a prefeitura”. O paulistano é, antes de tudo, um forte em câmbios de última hora.

Um em cada três paulistanos ainda não sabe dizer espontaneamente em quem votará ou declara que vai anular ou votar em branco – uma proporção superior à da mesma época em 2008. E entre os que dizem ter candidato há os que podem mudar seu voto para adequá-lo às circunstâncias, como o maquiavélico eleitor tucano disposto a votar em Haddad ou o afluente que flertou com o petista mas, na hora H, sempre volta ao ninho tucano.

Não bastassem o histórico de mudanças repentinas, os vários tipos de voto útil e a indefinição de um terço do eleitorado, a trajetória errante da intenção de voto do paulistano tem sido um pesadelo para os institutos de pesquisa nas últimas semanas.

Russomanno parou de crescer e começou a cair? Serra parou de cair e começou a se recuperar? Haddad patina ou cresce? Chalita ameaça reagir no final, mas apenas o bastante para atrapalhar Serra ou Haddad? Ou o suficiente para chegar ao turno final? Noves fora, os quatro convergem e ensaiam uma embolada. Resta ver se vão embolar a dois, a três ou – improvável – a quatro.

As curvas dos candidatos a prefeito de São Paulo variam de instituto para instituto. No Datafolha, Russomanno desenha uma montanha russa com vales de 30% e picos de 35%. No Ibope, Serra não parou de cair – ao contrário do Datafolha. Mas quando se alinham as pesquisas de ambos os institutos, o ponto fora da curva parece ter sido a inversão entre o tucano e Haddad apontada pelo Ibope na semana passada.

A culpa não é dos institutos, mas do cenário eleitoral. As idas e vindas desta eleição paulistana são típicas de quando o grau de incerteza do eleitorado é alto. Num quadro assim, as mudanças são mais do que possíveis, são esperadas. E as tendências só ficam claras (ou menos obscuras) quando as variações bruscas são diluídas pelo cálculo de uma média móvel. É como desfocar os olhos para embaçar a vista e vislumbrar apenas as silhuetas.

O que a média de Ibope e Datafolha mostra, inequivocamente, é que as curvas de Serra e Haddad foram perfeitamente espelhadas desde o começo da propaganda eleitoral na TV. O que um perdeu o outro ganhou. A transferência não foi direta – Paulinho da Força (PDT) perdeu eleitores para Haddad, enquanto Serra perdeu para Russomanno. Mas, ao final das contas, as oscilações do tucano e do petista acabaram por ser inversamente proporcionais.

Juntos, desenharam uma garrafa entre 18 de agosto e 12 de setembro. O bojo virou gargalo há um mês, diminuindo a distância entre os arquirrivais. Esse período corresponde à mais intensa troca de ataques entre ambos. Não por coincidência, ao mesmo tempo a curva de Russomanno corria solta para cima. Até que a ficha caiu, e as campanhas tucana e petista mudaram de alvo e passaram a mirar preferencialmente o líder.

A partir da semana de 12 de setembro, as curvas de Haddad e Serra começaram a correr paralelas e, juntas, a espelharem a evolução de Russomanno – ou melhor, a sua involução. Ao contrário do que gosta de dizer, o candidato do PRB não é bolo que quanto mais batem mais cresce. Bastou bater que ele murchou, pelo menos no eleitorado de maior escolaridade. E só não caiu antes porque foi poupado pela míope briga de PT e PSDB.

A dúvida que as pesquisas ainda não responderam é se a queda de Russomanno se estende às periferias sul e leste da cidade e em qual intensidade. Lá votam eleitores com menor renda e menos anos de estudo. Se Russomanno cair nesses redutos tradicionais do PT, abrirá espaço para Haddad crescer e ultrapassar Serra. Se não, o tucano seguirá favorito para ir ao segundo turno. As surpresas estão previstas mas não são previsíveis.

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José Roberto de Toledo
e
Daniel Bramatti

A pesquisa espontânea do instituto Datafolha reforça a possibilidade de polarização da disputa paulistana entre o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad.

José Serra (PSDB) lidera com 30% de intenção de voto estimulada – quando o entrevistado vê o nome dos candidatos na cartela –, mas menos de um terço desses eleitores (9%) sabe dizer espontaneamente o nome do tucano. Serra lidera nos dois critérios, mas é também um dos líderes em rejeição: 32% não votariam nele de jeito nenhum.

Fernando Haddad, do PT, multiplicou por quatro sua intenção de voto espontânea e chegou aos mesmos 4% de Celso Russomanno (PRB). Isso é metade da intenção de voto estimulada do petista. O potencial de voto de Haddad aparece nas outras respostas espontâneas dos paulistanos sobre em quem votariam se a eleição de prefeito fosse hoje: 6% em Marta Suplicy (PT), 3% “no candidato do PT” e 1% em Lula.

Para esses 10%, teoricamente, bastaria que soubessem que Haddad é o candidato do PT e de Lula para passar a declarar voto nele. Com isso, o petista chegaria a 14% na estimulada. Já Serra teria, além dos seus 9% declarados, outro 1% dos que dizem que votariam em Geraldo Alckmin (PSDB).

Celso Russomanno (PRB) aparece em segundo lugar na estimulada, com 21%. O apresentador da Record vem se tornando mais conhecido a cada rodada de pesquisa, mas só 1 em cada 5 eleitores potenciais seus sabe dizer seu nome espontaneamente.
Gabriel Chalita (PMDB), que teve alta exposição em programas de televisão recentemente, apenas oscilou na pesquisa estimulada, de 7% para 6%.

A quatro meses da eleição, só 1 em cada 5 eleitores sabe dizer espontaneamente em quem votaria, se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha.

Isso significa que a eleição não está na cabeça das pessoas. Nessas circunstâncias, a intenção de voto estimulada é mais um indicador de conhecimento do que um sinal de voto determinado.

Se o eleitor não parou para pensar no assunto, é mais provável que ele mude de opinião. E isso tende a acontecer a partir do início do horário eleitoral no rádio e na TV, em agosto. Haddad e Serra terão o maior tempo de propaganda na TV.

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23.abril.2012 11:39:17

Manipulação

A popularidade de Dilma Rousseff vai subindo: chegou a 64% de avaliação positiva. Praticamente dois em cada três brasileiros acham seu governo bom ou ótimo. Dilma só perde para Lula no auge. Em um mês, o saldo de aprovação presidencial (“ótimo+bom” menos “ruim+péssimo”) subiu 11 pontos porcentuais: de 48 pontos no Ibope de março para 59 pontos no Datafolha de abril. Vai ter gente xingando a opinião pública. De novo.

A aceleração da popularidade presidencial sugere que o corte dos juros no atacado e no varejo foi um gol aos olhos do público. Era previsível. Juros altos são mal vistos pela população. Ao derrubar as taxas do Banco Central e obrigar os bancos federais a fazerem o mesmo, Dilma ampliou o crédito e facilitou a vida do consumidor. De quebra, como o Banco do Brasil está descobrindo, cai a inadimplência.

É um paradoxo aparente: enquanto a economia está em expansão, quanto mais gente toma empréstimo ou faz crediário, menor o risco de quem empresta o dinheiro. Os caloteiros se diluem na massa de bons pagadores. Pobres tendem a pagar suas dívidas mais em dia do que ricos, logo, quanto mais gente tomando emprestado, melhor para os bancos. Em tese.

Na prática, depende da posição relativa de cada banco no mercado de crédito. Para não verem sua fatia murchar, os bancos privados precisam correr atrás do consumidor. Mas não é fácil recuperar o terreno perdido. Quem saiu na frente leva vantagem, capturou a clientela.

No Brasil pré-consumo de massa, os bancos se acostumaram à alta rentabilidade de poucos empréstimos. Agora, com os juros menores do BB e da CEF, os bancos precisam compensar a perda de margem de lucro com ganhos de escala. Nem todos vão conseguir. A gritaria vai piorar.

Nessas horas desponta o discurso de autoridade. Especialistas esgrimem argumentos técnicos e jargão incompreensíveis ao senso comum. Agouram o crescimento e alertam para a catástrofe na esquina. Embora o retrospecto não lhes favoreça, podem ter razão. Ou pode ser que estejam apenas defendendo o status quo.

Não é incomum. No Brasil como nos EUA, toda vez que as coisas não saem como quer a minoria, a culpa é da maioria ignorante e manipulada. Nem se imagina a possibilidade de a opinião pública agir racional e pragmaticamente em prol de seus próprios e egoísticos interesses.

Por essa versão, o republicano George W. Bush foi um dos presidentes mais impopulares da história norte-americana simplesmente porque a mídia liberal manipulou a verdade (e não porque ele foi incompetente). O democrata John Kerry tomou uma lavada eleitoral do mesmo Bush por causa da propaganda mentirosa dos republicanos (e não porque ele foi inapto). É reconfortante. Exime a autocrítica. Dá férias ao superego.

No Brasil, quando Lula perdeu três eleições presidenciais seguidas foi por culpa da mídia, que manipulou a massa de manobra que, afinal de contas, deve ser o eleitorado. Quando o petista ganhou três eleições presidenciais seguidas foi culpa do mesmo eleitor manobrável. A minoria muda de lado, suas desculpas não.

No último meio século, estudo após estudo tem chegado à mesma constatação: o eleitor é mais esperto do que seu estereótipo nos faz acreditar.

Os eleitores votam de acordo com sua percepção dos méritos e do passado dos candidatos. O eleitor identifica diferenças nas propostas dos candidatos e vota nas que gosta mais. Apesar dos seus limites de tempo e conhecimento, os eleitores encontram guias para votar de acordo com seus interesses. São conclusões das ciências sociais, calçadas em pesquisas de opinião.

Se, como diz a ciência, o eleitor não é um cordeiro temperado para digitar na urna o que lhe mandam, quem ganha com a repetição interminável da ideia de que ele é manipulável? Os pretensos manipuladores, é claro.

Como escreve o professor emérito da Rutgers University (EUA), Gerald Pomper, “se o eleitor é um idiota, por comparação os especialistas são espertos; se o eleitor não tem noção, ele precisa de alguém sabido para lhe indicar o caminho”. Ou seja, mesmo que o estereótipo do eleitor manobrável seja falso, a sua propagação abre um rico mercado de “manipulação” para marqueteiros, politicólogos, consultores, jornalistas e blogueiros. Além de servir de consolação para a minoria derrotada na batalha da opinião pública.

No limite, quem compra acriticamente a ideia de que o eleitor é um inocente útil está pronto para comprar também os pretensos serviços de manipulação do eleitorado. Quem é manipulável, afinal?

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As notícias divulgadas até agora sobre a pesquisa Datafolha dão conta de que 41% “conhecem” Fernando Haddad (PT), pois foi como o instituto qualificou essa taxa. Não é bem assim. Nesses 41% foi computada uma metade que apenas “ouviu falar” do pré-candidato petista a prefeito de São Paulo. Ou melhor, diz que ouviu.

Sabe-se que às vezes o pesquisado se sente intimidado pelo pesquisador, especialmente quando a pergunta é se ele sabe alguma coisa ou conhece alguém. Não saber é admitir ignorância, algo não muito lisonjeiro se o entrevistado partir do pressuposto que deveria saber o que lhe é perguntado.

A opção “só de ouvir falar o nome” é a escapatória para o eleitor intimidado não admitir ignorância, mas também não mentir e dizer que conhece (as opções anteriores são “conhece muito bem” e “conhece um pouco”) o candidato que, na verdade, ele desconhece. É ficar em cima do muro. Não vale como conhecimento, assim como “regular” não conta como avaliação positiva nem negativa de um governo.

O leitor pode ou não concordar com a argumentação apresentada até agora, mas será mais difícil resistir aos números da própria pesquisa Datafolha. Apenas 6% dizem conhecer Haddad “muito bem”. Por comparação, o dobro de paulistanos conhece Levy Fidelix (PRTB) “muito bem” -é o do “aerotrem”.

Entre o terço do eleitorado paulistano que se diz simpatizante do PT, apenas 5% afirma conhecer “muito bem” o candidato do partido. Entre os simpatizantes do PSDB, o grau de alto conhecimento de Haddad é o dobro: 11%. Ou seja, Lula escolheu um candidato que tem duas vezes mais penetração entre os rivais do que entre os petistas. E não foi por acaso.

A estratégia paulistana traçada pelo ex-presidente dá de barato que Marta Suplicy não se reelegeu prefeita em 2004 porque à alta rejeição ao PT somou-se a rejeição pessoal da agora senadora. Para 2012, Lula escolheu, propositalmente, um desconhecido -e, portanto, não rejeitado- com potencial de agradar à classe média que não vota no PT desde 2000: “novo”, bem apessoado e especialista em educação.

O plano foi concebido para vencer o segundo turno. Mas, antes, é preciso chegar lá. E o peso de carregar um ilustre desconhecido até 3 de outubro ficou inteiramente sobre o ex-presidente. Haddad sofre de “lulodependência” aguda. O PT, à margem, assiste o rival PSDB cooptar aliados e somar tempo de TV. Enquanto isso, a grande maioria do eleitorado nem se deu conta da novela.

O Datafolha perguntou aos paulistanos quem Lula está apoiando em São Paulo. Mesmo com o entrevistador estimulando a resposta com os nomes dos pré-candidatos, só 10% responderam que o ex-presidente apoia Haddad. Essa taxa cai para 5% entre as mulheres, para 6% entre quem não passou do ensino fundamental e 7% entre quem ganha até 5 salários mínimos. Mesmo entre os petistas, só 8% sabem.

Nenhum segmento social sabe melhor que Haddad é o candidato de Lula do que os simpatizantes do PSDB: 1 em cada 4 respondeu corretamente à pergunta do Datafolha. E isso explica porque Haddad tem cinco vezes mais rejeição (15%) do que intenção de voto (3%). Quem sabe que ele foi ministro da Educação lembra-se também dos vazamentos das provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em sua gestão.

Quando decidiu monocraticamente enterrar as prévias do PT em São Paulo e apontar sozinho o candidato a prefeito do partido, Lula assumiu um compromisso. Implicitamente, disse “deixa comigo” e se comprometeu a levar Haddad nas costas. A potência eleitoral do ex-presidente é comprovada, mas acidentes acontecem. E quando o cavalo tropeça, quem cai é o cavaleiro.

Lula ficou doente. É um acidente. Sua recuperação, embora notável, não é milagrosa. Como é comum em casos de câncer, leva tempo, consome energia, desgasta. Curar-se deve ser e tem sido a sua prioridade. Com exceção dos hidrófobos e ressentidos, a grande maioria torce por sua recuperação. Enquanto isso, Haddad espera sua montaria.

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* Lula ainda é o maior eleitor em São Paulo (44% poderiam ser levados a votar no seu candidato a prefeito), mas esse número era ligeiramente maior em janeiro: 49%. Outros 21% não votariam no candidato dele. O saldo da influência de Lula, portanto, é positivo em 23 pontos percentuais, mas caiu um terço quando comparado ao saldo de janeiro (era 33 pontos).

* Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin têm o mesmo percentual de influência positiva sobre o eleitorado paulistano: 31% cada um. Mas a influência negativa (24% não votariam no seu candidato) do tucano é ligeiramente maior, levando a um saldo mais baixo. Dilma: 31% – 19% = 12 pontos. Alckmin: 31% – 24% = 7 pontos. O saldo de Dilma caiu em relação a janeiro (era de 17 pontos) e o do tucano se manteve estável.

* A pequena melhora na avaliação de seu governo não reverteu em cacife eleitoral para o prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab (PSDB) continua sendo mais um peso do que um alavancador de votos: apenas 14% dizem que poderiam votar no candidato apoiado por ele, enquanto 47% não votariam pelo mesmo motivo. Seu apoio equivale a um saldo negativo de 33 pontos. Era de -32 em janeiro. Não mudou.

* Essa influência, positiva ou negativa, não é absoluta nem definitiva. Convém contextualizar a pesquisa, especialmente enquanto a grande maioria não tiver candidato na ponta da língua nem estiver pensando na eleição antes de ser abordada pelo pesquisador. Basta ver que 1 em cada 3 eleitores de José Serra dizem que poderiam votar no candidato apoiado por Lula. Isso indica menos a possibilidade de “traição” do eleitor do tucano e mais a falta de firmeza das intenções de voto, de um modo geral, neste momento da campanha.

* Outras inconsistências típicas da pré-campanha: 12% dos eleitores de Serra não votariam no candidato de Alckmin, 11% dos eleitores de Fernando Haddad não votariam no candidato de Dilma Rousseff, e 34% dos eleitores de Serra não votariam no candidato de Kassab. Ainda mais curioso: 21% dos que acham a gestão Kassab ótima ou boa dizem que o apoio do prefeito faria eles não votarem no seu candidato…

* É preciso cruzar as respostas para encontrar os segmentos do eleitorado que são consistentes em suas opiniões. Por exemplo: dos 30% que rejeitam Serra, 60% (quase 2 em cada 3) dizem que não votariam no candidato apoiado por Kassab. Ou ainda: dos 15% que não votariam de jeito nenhum em Fernando Haddad, 27% não votariam no candidato de Lula.

* Por fim, muito poucos eleitores votam em um candidato apenas porque um líder político mandou votar. O voto é pragmático e racional, uma conta de ganha e perde. O apoio de Lula, Alckmin, Dilma e Kassab é apenas um elemento a somar ou subtrair simpatias. Não é o único fator que o eleitor avalia.

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07.março.2012 12:29:59

No embalo da pesquisa

O termômetro esquenta ou esfria o objeto cuja temperatura ele pretende medir. Assim também, a pesquisa eleitoral influi na disputa que ela acompanha. A sondagem do Datafolha sobre a eleição paulistana criou um fato positivo para José Serra e praticamente liquidou as já remotas chances dos outros pré-candidatos do PSDB a prefeito de São Paulo. Mais do que isso, aumentou o magnetismo do tucano no jogo das alianças partidárias.

Na atual fase da corrida eleitoral, o mais importante para cada um dos principais candidatos é unir seus partidos em torno de seu nome e conseguir o máximo de coligações com outras siglas, de preferência com aquelas que têm direito a pelo menos uma inserção diária durante o horário eleitoral obrigatório. Serra largou na frente.

Ao bater em 30% das intenções de voto no Datafolha, ele tornou-se líder e -mais relevante- passou a ser percebido como o favorito. Nada mais atraente para os políticos do que a perspectiva de poder. Não importa que Serra cresceu por em evento efêmero -o tumulto causado pela sua entrada tardia na disputa e a grande exposição na mídia que se seguiu-, nem que parte de sua intenção de voto seja, de fato, efeito memória. A pesquisa criou um fato político e deu impulso a Serra.

Antes que obscurantistas venham clamar contra a liberdade de informação, é bom lembrar que isso é do jogo. Assim como ajudou, a pesquisa poderia ter atrapalhado se o resultado fosse diferente. Em 2010, quando Dilma Rousseff, em ascensão, começou a encostar no tucano, em queda, cada pesquisa era uma dose de vitamina para a campanha da petista e um tormento para Serra. Neste momento, os papéis se inverteram.

Para o PT e para Fernando Haddad, a pesquisa Datafolha foi uma notícia duplamente ruim. A estagnação do petista em 3% mostrou que a estratégia de Lula não deu certo. Ao atropelar as prévias do partido e impor um nome que ele escolheu sozinho, o ex-presidente pretendia ganhar tempo para tornar seu candidato conhecido e evitar rachas internos. Aconteceu o oposto.

O ressentimento de petistas alijados da disputa, como Marta Suplicy, é cada vez mais notório, e Haddad continua patinando no desconhecimento, apesar de estar em campanha há meses. Sem adversário interno, o pré-candidato petista mal aparece no noticiário. Ao mesmo tempo, a doença de Lula não permitiu que ele propagandeasse o nome de seu pupilo à exaustão, como fez com Dilma em 2009 e 2010.

Desconhecimento e inexperiência são defeitos que não pioram com o tempo. Ainda há muito chão pela frente, Lula está praticamente recuperado e o PT tem um eleitorado cativo que levou seu candidato ao segundo turno nas últimas cinco eleições de prefeito em São Paulo. O problema petista imediato são as coligações perdidas.

É muito mais difícil -e caro- convencer um partido a apoiar o 7º colocado do que o líder da pesquisa. Especialmente quando Dilma enfrenta uma rebelião na base de apoio ao seu governo. O PTB só é aliado do PT em Brasília. O PDT, cada vez menos. O PP malufista tucanou. O PSD kassabista também. PRB, PC do B e PMDB têm candidatos próprios mais bem colocados que o petista. O PR ameaça com Tiririca. Sobra o PSB, talvez.

Serão necessários muitos ministérios e muita verba federal para o PT seduzir outras siglas e levá-las para sua coligação. Sem isso, Haddad, que precisa de tempo na TV para o eleitor descobrir que ele existe, corre alto risco de ficar com menos tempo de propaganda do que o principal rival, o universalmente conhecido Serra.

Se não fizer amigos e influenciar outros partidos, Haddad pode ficar empatado em inserções publicitárias com Gabriel Chalita (PMDB), que corre por fora e não perdeu pontos com a entrada de Serra: tem 7% das intenções de voto (tinha 6%).

A dificuldade petista de arrumar coligações para seu candidato em São Paulo se deve aos aliados de Dilma terem caído na real. Perceberam que jogam, em 2012, a sua sobrevivência daqui a dois anos, quando serão renovadas as bancadas na Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Os principais cabos eleitorais em 2014 serão -como sempre foram- os prefeitos que ganharem a eleição no próximo mês de outubro. E está difícil elegê-los.

Os aliados acham que o PT é o bicho-papão. Mas foi o recém-criado PSD que bagunçou a base aliada de Dilma. Das suas 272 prefeituras, o partido de Gilberto Kassab “roubou” a maioria (153) de partidos que apóiam a presidente no Congresso: 31 do PMDB, 30 do PP, 23 do PR, 15 do PTB e 10 do PSB, por exemplo.

Como resultado, PMDB, PP, PDT, PR e PTB têm menos prefeitos hoje do que elegeram em 2008. Ao mesmo tempo, PT e PSB conseguiram cooptar novas prefeituras e estão jogando pesado para engordar ainda mais esse número nesta eleição. São Paulo é apenas o caso mais visível de um problema nacional: a disputa pelo poder municipal entre partidos que só são aliados no plano federal por força do presidencialismo de coalizão brasileiro.

O mau desempenho no Datafolha e a busca pelas coligações perdidas mostram que não será apenas na base da ligação direta com o eleitor e seu bolso que Lula vai conseguir eleger Haddad, nem que Dilma vai conseguir governar. A política é necessária, como sempre foi.

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12.fevereiro.2012 21:57:16

Eleição quântica

O PSD kassabista tem poder de personagem de história em quadrinhos. Contamina os partidos do qual se aproxima com sua capacidade quântica, a de não estar em nenhuma e estar em todas as posições do espectro político simultaneamente. O alvo da vez é o PT.

Selada a parceria psdo-petista em São Paulo, a candidatura de Fernando Haddad se contorcionará para fazer uma campanha de oposição que defende a situação. Bom para Gilberto Kassab, cuja gestão aprovada por só 2 em cada 10 eleitores paulistanos terá de ser defendida pelo ex-futuro crítico -feito aliado por Lula.

Em troca de um apoio virtual da bancada federal do PSD ao governo Dilma, o prefeito paulistano ganhará espaço na propaganda eleitoral compulsória para lavar sua imagem. De quebra, Kassab ainda pode receber uma cadeira em Brasília para se encostar após a eleição.

Com tantos bônus, que é que custa enfrentar mais uma vaia de petistas durante a festa de aniversário do neo-aliado? Quase nada. Os apupos entraram por um ouvido e saíram pelo bolso, convertidos em moeda de troca para Kassab.

Parece uma barganha desigual. O PT troca tudo isso por um apoio parlamentar que, na prática, já tem. Afinal, boa parte dos deputados que se bandearam para o PSD o fez justamente por não ver muita vantagem em continuar militando na oposição.

Talvez haja outra variável no cálculo. Será que diante do apoio de Lula, Dilma Rousseff e do PT, o PSD ganha mais força junto à Justiça eleitoral? O partido tem uma ação em curso no TSE cuja vitória beneficiaria todas as siglas coligadas a ele nas próximas eleições -inclusive candidatos petistas.

A assessoria do Tribunal Superior Eleitoral defende o direito do recém-criado PSD de ter acesso ao dinheiro do Fundo Partidário e -melhor- ao tempo de propaganda eleitoral compulsória na proporção de sua bancada parlamentar. São minutos preciosos para Haddad numa eleição nivelada pelo desconhecimento dos candidatos junto à população.

O processo precisa ser julgado logo para valer nesta campanha. Quem não acredita na independência entre os Poderes pode desconfiar que a aliança psdo-petista pode ter a ver com o julgamento do caso. Céticos!

Nem tudo são votos favoráveis nessa aliança inusitada, todavia. Há o pequeno problema da opinião pública: 4 em 10 eleitores acham a gestão Kassab ruim ou péssima. E a rejeição ao manda-chuva do PSD beira os 60% entre os eleitores que manifestam espontaneamente intenção de votar num candidato petista.

O prefeito se dá nota 10, mas recebe nota 4,6 da população. Segundo o Datafolha, 46% não votariam no candidato apoiado por Kassab. O percentual chega a 59% entre petistas.

Kassab é um peso pesado que pode arrastar aliados para o fundo. Será especialmente difícil de carregar para Haddad, que ainda precisa convencer a militância petista de que ele é o cara. Curiosamente, o PT -ou melhor, Lula- escolheu Haddad justamente por ele não somar rejeição pessoal à rejeição partidária.

Após eleger Dilma, Lula deve apostar que, com bastante propaganda, pode transformar qualquer um em algo palatável. Até Kassab.

Os poderes quânticos do PSD também têm o efeito oposto, de transformar o indeciso PSDB num partido de oposição. A aliança Kassab-Haddad enfraquece pré-candidatos tucanos que vão melhor na base pró-kassabista, como Andrea Matarazzo, e ajuda os mais fortes entre os oposicionistas, como Bruno Covas. Coisa de história em quadrinhos.

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Uma pesquisa a mais de um ano da eleição é apenas um indicativo do grau de conhecimento do eleitorado em relação aos pré-candidatos, e uma medida da simpatia ou antipatia que cada um deles desperta. Ou seja, o cenário de hoje não será o do dia da votação. Mas, feita essa ressalva, a pesquisa mostra tendências, dificuldades e, por si só, cria um fato político. A eles:

1. Gilberto Kassab vai precisar gastar muito, mas muito dinheiro público para ter uma influência positiva na sua sucessão. Se a eleição fosse hoje, o candidato do prefeito partiria de saldo negativo: para cada eleitor que diz que votaria no nome indicado por Kassab, dois dizem que fariam justamente o contrário, que não votariam nesse candidato – 15% de apoio contra 38% de rejeição.

2. A pesquisa joga uma balde de água fria nos que ainda tinham esperança de ver José Serra disputando a Prefeitura de São Paulo em 2012. Ficar à frente de todos os outros candidatos do PSDB é esperado, mas ficar 11 pontos atrás de Marta Suplicy (PT) -29% a 18%- é um resultado muito ruim para quem acabou de disputar a Presidência. Especialmente porque Serra tem uma rejeição alta, de 32% do eleitorado, equivalente à da petista, de 30%. Seria uma eleição arriscada demais para Serra. Apesar de já ter sido eleito prefeito uma vez, ele perdeu em três outras ocasiões. Uma quarta derrota seria a última e definitiva.

3. Ao colocar Marta Suplicy isolada na liderança, a pesquisa dá novo fôlego à pré-candidatura da senadora, que havia quase naufragado após o apoio público de Lula ao ministro da Educação, Fernando Haddad. Nos quatro cenários em que seu nome aparece na pesquisa, Marta lidera com entre 29% e 31%, enquanto o preferido de Lula não passa de 2%. Com Marta candidata do PT, a eleição iria para o cenário clássico: 1/3 de eleitores a favor dela, 1/3 contra e 1/3 de “independentes” decidindo a eleição.

4. Mas a pesquisa mostra que ninguém tem mais peso do que o ex-presidente na composição do quadro eleitoral. Lula (40% poderiam votar no seu candidato) é, teoricamente, mais influente em São Paulo do que o próprio PT, do que Dilma Rousseff (26%) e do que Geraldo Alckmin (27%), segundo o Datafolha. Essas perguntas impõem uma problemática ao eleitor sobre a qual ele não havia pensado e, por isso, as respostas não necessariamente se igualarão ao que o eleitor fará no dia da eleição. De qualquer modo, é significativo que 61% dos simpatizantes do PT digam que votariam no candidato de Lula a prefeito. É o único cacife de Haddad. Pode ser suficiente para ele ganhar a indicação petista, mas não o transforma em favorito na eleição geral.

5. A grande dispersão das intenções de voto, com nenhum candidato ultrapassando um terço dos eleitores, abre espaço para que um “desconhecido” chegue ao segundo turno -sim, porque é quase certo que a eleição terá dois turnos. Os “azarões” que melhor se saíram da pesquisa foram o do PP, Celso Russomanno (15% a 19% de intenção de voto versus 16% de rejeição), o do PDT, Paulinho da Força (6% a 11% versus 23% de rejeição), a do PPS, Soninha Francine (6% a 11% versus 18% de rejeição). Gabriel Chalita (PMDB) vai precisar de muito tempo de TV para sair do patamar de 3% a 5% de intenção de voto. Entre os nanicos tucanos, Bruno Covas mostrou que pode, eventualmente, se beneficiar do sobrenome do avô e se destacar dos demais.

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A aprovação do governo Dilma Rousseff segue estável, com 48% de ótimo/bom nas pesquisas Ibope/CNI e Datafolha feitas na semana passada. O pico de avaliação da presidente (56%) ocorreu em 23 de março, durante a visita de Barack Obama ao Brasil, mas esse foi um ponto fora da curva, estimulado pelos elogios do visitante. Tirando esse soluço estatístico, o patamar de aprovação de Dilma ficou entre 47% a 49% desde a posse.

Embora a estabilidade da aprovação pareça confortável, outros indicadores da pesquisa Ibope/CNI indicam problemas crescentes na área econômica. A desaprovação das políticas de combate ao desemprego cresceu 12 pontos desde março, e agora equivale ao porcentual dos que aprovam (47% a 49, respectivamente). Mas não é só isso.

O avaliação negativa do combate à inflação piorou 14 pontos. Na mais recente pesquisa Ibope/CNI, mais brasileiros reprovam (56%) a atuação do governo nessa área do que aprovam (38%) -o oposto do que acontecia em março. Além disso, 61% acham que a inflação vai aumentar. Previsões desse tipo tendem a ser autorrealizáveis.

Nada tem mais correlação com a popularidade do governo federal, seja quem for o presidente, do que as condições econômicas. Saúde e educação podem ter avaliação até pior, mas o eleitor divide esse ônus com os governantes de estados e municípios. Do ponto de vista da opinião pública, inflação e emprego são atribuição exclusiva do executivo federal. Se as condições econômicas se deteriorarem, é questão de tempo até isso contaminar a avaliação do presidente.

Parece haver também um descompasso entre a estratégia do governo Dilma na economia e a expectativa das pessoas. Enquanto a presidente tem dito e repetido que não vai sacrificar o crescimento pelo controle inflacionário, o temor popular de que os aumentos de preços saiam ao controle parece contrariar a prioridade do governo. Por ora, ele é maior entre os mais ricos e escolarizados, mas cresce também nas outras classes.

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* Aumentou o grau de conhecimento da população sobre Dilma e seu governo. Uma medida parcial, mas que pode ser lida como proxy de toda a população, é que o porcentual de pessoas que não sabiam o que pensar sobre o governo Dilma caiu de 12% para 3% nos últimos três meses.

* Esses 9 pontos porcentuais dos indecisos e que entraram agora na avaliação foram mais para as opiniões negativas (+3) e neutras (+4) do que para as positivas (+2). Como o resultado das positivas menos as negativas, o saldo de Dilma foi de 40% para 39%. É estável, mas não significa que nada se passou com a opinião pública. Apenas o resultado dessas mudanças foi um jogo de soma zero.

* A pesquisa sinaliza que o período “esperar para ver” da opinião pública acabou. O jogo começou para valer e a imagem pessoal da presidente começou a se cristalizar. Aos poucos Dilma vai deixando de ser “a mulher do Lula” para ser a presidente de fato no imaginário das pessoas.

* A maioria absoluta (51%) acha que a inflação vai aumentar (eram 41% há três meses). Também caiu 10 pontos o porcentual dos que acreditam que o poder de compra vai aumentar. Cresceu 7 pontos a fatia dos que acham que ele vai diminuir (são 25%) e a dos que acham que ficará estável tornou-se a maior (foi d e34% para 37%).

* O ímpeto de melhora na renda das famílias perdeu força desde o final do governo Lula. O porcentual de “não é suficiente (dinheiro) às vezes falta” está em 45% há cinco anos, mas o de “exatamente o que precisam para viver” parou de subir em novembro do ano passado e permaneceu em 31% agora.

* O aumento significativo do pessimismo quanto à inflação é uma ameaça séria à popularidade da presidente no futuro próximo. Previsões de aumento de preços são auto-realizáveis. Se as pessoas esperaram que os preços vão subir, podem ficar mais inclinadas a antecipar as compras, aumentando a demanda e pressionando os preços.

* O aumento do porcentual de regular é um sinal amarelo porque não se trata de opiniões que migraram de opiniões negativas para neutras, mas de positivas ou indecisas para neutro.

* O Datafolha mostra que nos segmentos mais escolarizados o saldo positivo de Dilma caiu de 34 pontos para 25 pontos. No menos escolarizado permaneceu estável em 43 pontos. Também ficou assim na população com ensino médio: 39 pontos de saldo.

* Nas faixas de renda, a maior queda de aprovação de Dilma foi na intermediária, onde o saldo caiu de 34 pontos para 29 pontos. Entre os mais ricos também diminuiu, de 25 para 22 pontos. Na maior faixa, porém, de quem ganha até 5 salários mínimos, ficou praticamente estável, oscilando de 42 para 41 pontos.

* Regionalmente, a popularidade presidencial cresceu no Nordeste, onde o saldo positivo foi de 43 para 47 pontos, oscilou positivamente dentro da margem de erro no Norte/Centro-Oeste (de 38 para 40 pontos) e negativamente no Sul (de 37 para 34 pontos) e caiu no Sudeste (de 40 para 34 pontos).

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A pesquisa Datafolha sinaliza que acabou o período de carência do governo Dilma Rousseff. Caiu 75% o porcentual dos brasileiros sem opinião a respeito do desempenho presidencial. Dilma manteve um saldo positivo alto -ele variou de 40 para 39 pontos nos últimos três meses- mas aumentou o pessimismo sobre a economia, o que às vezes é um primeiro passo para as pessoas mudarem de opinião sobre o governo.

A maioria absoluta acha que a inflação vai aumentar. Eram 41% há três meses, agora são 51%. Também caiu 10 pontos o porcentual dos que acreditam que o poder de compra vai subir. Ao mesmo tempo, cresceu 7 pontos a fatia dos que acham que ele vai diminuir.

A preocupação com a inflação é uma ameaça séria à popularidade da presidente no futuro próximo. Previsões de aumento de preços são auto-realizáveis. Se as pessoas esperaram que os preços vão subir, podem ficar mais inclinadas a antecipar as compras, aumentando a demanda e pressionando os preços.

O apoio à presidente depende mais agora do Nordeste e Norte/Centro-Oeste do que há três meses. Sua popularidade cresceu ou ficou estável nessas regiões, enquanto caiu no Sudeste e oscilou negativamente (dentro da margem de erro) no Sul. Dilma também perdeu apoio entre os mais escolarizados (talvez por causa do caso Palocci) e na camada da população que está na faixa de renda intermediária.

A presidente ainda tem capital político para gastar, mas as medidas de controle da inflação que ela foi levada a adotar já começaram a cobrar seu preço. Dilma se segura nas regiões onde a economia ainda segue acelerada. Mais do que o prestígio herdado de Lula, é o consumo das famílias que vai ditar a popularidade de Dilma nos próximos meses.

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O saldo de popularidade de Dilma Rousseff supera o de Lula no começo do seu segundo mandato e é o maior entre todos os presidentes desde a redemocratização, se forem comparados apenas as avaliações de cada um após os três primeiros meses de governo.

Os que aprovam Dilma, segundo o Datafolha, são 47%, contra 7% que reprovam: saldo de 40%, portanto. Em março de 2007, no início do seu segundo governo, Lula tinha 48% de ótimo/bom, mas 14% de ruim/péssimo, com saldo de 34%.

Dilma supera Lula em saldo porque é uma incógnita ainda para 12% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Esses não sabem o que dizer do governo da atual presidente. Lula, ao contrário, já havia governado por mais de quatro anos em março de 2007 e apenas 1% da população não tinha opinião sobre sua gestão.

Como se vê no gráfico abaixo, o saldo inicial de Dilma supera os de Lula (também no primeiro governo), de Fernando Henrique Cardoso (nos dois mandatos), de Itamar Franco e de Fernando Collor. Nenhum deles começou sua administração surfando uma onda de crescimento de 8% na economia.

À medida que mais pessoas passem a ter uma opinião sobre o governo Dilma, talvez esse saldo caia (ou aumente). Aconteceu a mesma coisa com Itamar e Lula: um porcentual relativamente alto de eleitores não sabia avaliar seus governos três meses depois de eles terem tomado posse.

As pessoas que ainda não sabem avaliar o governo Dilma estão distribuídas em proporções muito similares entre ricos e pobres, entre quem não passou do fundamental e quem tem diploma universitário. Ou seja, não parece ser desconhecimento, mas o pouco tempo que a presidente passou no poder o principal motivo dessa taxa recorde de “não sei”.

O saldo positivo de Dilma é sensivelmente maior entre quem tem renda familiar mensal até 5 salários mínimos (42%) do que entre os que estão na faixa mais alta de renda (25%). Também é maior entre quem cursou até o fudamental (43%), do que entre os que foram à faculdade (34%).

As diferenças por renda e escolaridade são mais significativas do que as diferenças regionais. A presidente tem saldo positivo de 40% no Sudeste contra 43% no Nordeste, por exemplo.

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O resultado do Datafolha é um feito para Dilma Rousseff. Ela igualou a aprovação de Lula no começo do segundo mandato. Isso é mais do que qualquer outro presidente conseguiu desde a redemocratização.

É sinal também de que a presidente continua surfando a onda do rápido crescimento da economia. E que as medidas restritivas que ela adotou, como reajuste menor para o salário mínimo e corte de gastos, ainda não foram percebidas pela população.

Daqui para frente, Dilma vai se ver num paradoxo. Se a sua popularidade continuar em alta, pode ser sinal de que as medidas para conter o consumo e a inflação não estão funcionando, o que seria um problema para a aprovação de seu governo no longo prazo.

Mas a situação de Dilma é muito melhor do que a de Gilberto Kassab. O prefeito de São Paulo lançou hoje um novo partido, e ganhou de presente dos paulistanos a pior avaliação desde que assumiu a prefeitura. Se seu cacife eleitoral está diminuindo, como será que Kassab conseguiu adesões à sua legenda? Ele deve ter algum outro cacife na manga.

Veja aqui a íntegra do relatório da pesquisa Datafolha sobre a popularide de Dilma. E aqui, a de Kassab.

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