José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Segundo Ibope e Datafolha, José Serra (PSDB) teria mais a ganhar com a eventual saída de Ciro Gomes (PSB) da corrida presidencial. Na comparação dos cenários com e sem o pré-candidato socialista, o tucano soma mais pontos em sua intenção de voto estimulada do que as adversárias quando Ciro está fora do páreo.

Em ambos os institutos, Serra ganha quatro pontos no cenário sem Ciro. Dilma Rousseff (PT) ganha de 2 a 3 pontos, dependendo do instituto, e Marina Silva (PV) soma de 1 a 2 pontos. Logo, a vantagem do tucano sobre os rivais se ampliaria.

Isso, na teoria. Porque há outros fatores que influenciarão a preferência dos eleitores em caso de desistência de Ciro. Entre eles, o seu comportamento: se Ciro sair atirando em Dilma, o resultado será um; se subir no palanque dela, o impacto será outro.

Aumentam também as chances de a eleição ser decidida no 1º turno. No cenário com Ciro, Serra tem hoje 44% dos votos válidos, segundo o Ibope. Sem Ciro, o tucano chega a 49% dos votos válidos. Para ser eleito sem 2º turno, um candidato precisa de 50% mais um dos votos válidos.

Essa conta, porém, é imperfeita. Não contabiliza os 9% de indecisos, que na hora de votar optarão por um candidato. E o cenário em outubro pode ser muito diferente do atual, quando ainda 60% dos eleitores não sabem dizer espontaneamente o nome de um presidenciável que esteja no páreo.

Serra tem mais chances de ser o principal beneficiado com a eventual saída de Ciro, mas só a evolução da campanha, novas rodadas de pesquisa e, em última instância, as urnas poderão confirmar essa probabilidade.

PS: Se o PSB rifar a candidatura de Ciro, tudo indica, será para apoiar Dilma. Isso somaria valioso tempo de propaganda de TV para a petista.

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Se acreditar nas mais recentes pesquisas Datafolha e Ibope, Ciro Gomes (PSB) deve estar com sérias dúvidas sobre a o futuro de sua pré-candidatura a presidente. Ambas mostram uma curva descendente de sua intenção de voto, rumo ao quarto lugar na corrida presidencial, atrás de Marina Silva (PV). Mas não só isso.

Os cruzamentos das pesquisas e outras perguntas dos questionários de ambos os institutos não alimentam as esperanças do pré-candidato do PSB. Segundo o Ibope, Ciro é, dos quatro presidenciáveis mais bem colocados, aquele com maior rejeição: 48% do eleitorado diz que não votaria nele. É 50% maior do que a rejeição de José Serra (PSDB) e 40% mais alta do que a de Dilma Rousseff (PT).

Com um potencial de voto (eleitores que dizem que votariam ou poderiam votar nele) menor do que sua rejeição, Ciro tem um saldo negativo de 12%. Só não é pior do que o de Marina, mas a candidata verde é desconhecida por duas vezes mais eleitores do que o socialista. Isso lhe dá esperanças de aumentar o potencial de voto quando se tornar mais conhecida. Essa possibilidade é mais remota para Ciro.

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O deputado cearense perdeu as principais apostas que fez até agora sobre a sucessão. Dilma conseguiu se viabilizar como candidata de Lula e do PT ao galvanizar a intenção de voto de petistas e lulistas radicais. Isso fechou uma das portas de Ciro.

Do outro lado do espectro partidário, Serra lançou-se pré-candidato tucano, contrariando a previsão do socialista, que acreditava que Aécio Neves seria o presidenciável do PSDB.

Nesse cenário, Ciro ficou comprimido entre uma candidatura governista e outra oposicionista, ambas muito fortes, com muito mais tempo de TV do que ele. Além disso, os adversários exerceram seu poder de pressão sobre os pequenos partidos e candidatos a governador que poderiam dar sustentação institucional ao pré-candidato do PSB, isolando o socialista.

Para completar o martírio de Ciro, a polarização exacerbou o tom das disputas entre petistas e tucanos no Congresso e na internet, deixando pouco espaço para o discurso de certa maneira conciliador do pré-candidato do PSB, que afirma pretender governar com o que há de melhor nos dois partidos.

Sem apoios institucionais que lhe aumentem o tempo de propaganda na TV, com discurso pouco atraente e intenção de voto em queda, Ciro enfrentará, como consequência, maiores dificuldades para convencer potenciais doadores e cabos-eleitorais a embarcarem na sua canoa.

Se Ciro desistisse hoje de disputar a sucessão de Lula, o maior beneficiado seria Serra, que, segundo Ibope e Datafolha, colheria a maior parte dos eleitores do rival: o tucano somaria 4 pontos percentuais a sua intenção de voto. Dilma ficaria com 2 ou 3 pontos, e Marina herdaria de 1 a 2 pontos. Evidentemente esses percentuais poderão mudar, dependendo de como for a eventual despedida do cearense.

Por outro lado, Ciro já disse que se não for eleito presidente, abandonará a política partidária. Dá a entender, assim, que não tem mais nada a perder, porque não alimenta outras ambições eleitorais. Perdido por 1, perdido por 10: Ciro pode continuar na disputa presidencial como franco atirador. Certamente renderá boas frases.

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(texto publicado na edição impressa do jornal Estado de S.Paulo)

Atualizada pela inclusão da mais recente pesquisa Ibope, a média móvel das pesquisas de intenção de voto mostra um pequeno crescimento da vantagem de José Serra (PSDB) sobre Dilma Rousseff (PT). A diferença média entre ambos, que chegou a ser de 4,1 pontos há duas semanas, é agora de 5,8 pontos.

Mais importante do que os valores é a trajetória das curvas de intenção de voto média de cada um dos pré-candidatos à Presidência da República. A inclusão da pesquisa Ibope confirmou uma mudança que havia sido iniciada pela pesquisa anterior, do Datafolha: as curvas de Serra e Dilma pararam de se aproximar e, lentamente, estão se distanciando.

Isso não significa necessariamente que a vantagem de Serra tende a aumentar. A média mostra o passado, não projeta o futuro. Mas indica que a transfusão da popularidade do presidente Lula para sua candidata será mais difícil do que muitos aliados da ex-ministra chegaram a supor quando ela começou a se aproximar do tucano.

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Duas das três pesquisas que integram o cálculo desta média móvel foram feitas após a festa de lançamento da pré-candidatura de Serra, o que pode ter influenciado o seu resultado.

Na parte de baixo do gráfico, vê-se que a intenção de voto de Ciro Gomes (PSB) continua em queda, com sua curva descendente se encontrando com a de Marina SIlva (PV), que vem no sentido contrário. Mantida essa tendência, a senadora pode vir a ultrapassar o deputado cearense.

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Como sempre, o cálculo desta média levou em conta as três pesquisas mais recentes divulgadas. No caso: Ibope (cujo campo terminou no dia 19 de abril), Datafolha (fim do campo no dia 16) e Sensus (9 de abril). Esta última havia dado um empate técnico entre Serra e Dilma, apontando uma tendência contraditória com dos outros dois instiitutos.

Essa é uma das vantagens da média das pesquisas: eliminar as oscilações bruscas dos percentuais entre os institutos. A média móvel das pesquisas eleitorais é uma técnica usada há anos nos EUA e na Europa para detectar tendências mais permanentes do eleitorado.

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Com as pesquisas dos vários institutos cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a mais recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior a diferença era de 4,1 pontos.

A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.

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Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.

Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.

Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.

Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo na medida que gostaria.

O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV), os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o percentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

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Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.

Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.

Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira do 10% de intenção de voto.

Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Nesta fase, os comitês concentram seus esforços nos eleitores que já têm simpatia por seus candidatos e nos militantes partidários. Precisam deixa-los esperançosos e municiados com argumentos para que tenham chance de multiplicar sua intenção de voto convertendo indecisos e eleitores de adversários.

Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo. Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.

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É dura a vida de Ciro Gomes. Usado por Lula para evitar o “já ganhou” de José Serra (PSDB), abandonado pelos pequenos partidos que lhe dariam mais tempo de TV, isolado dentro do próprio PSB, o deputado cearense vê sua intenção de voto para presidente da República cair pouco a pouco. Na mais recente Datafolha, Marina Silva (PV) aparece, pela primeira vez, numericamente à sua frente. O último fio de esperança de Ciro é o Nordeste.

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O gráfico mostra como a tendência da intenção de voto estimulada de Ciro é declinante em todas as regiões, menos onde ele surgiu para a política. É muito difícil para qualquer presidenciável sustentar uma candidatura com base em apenas um reduto eleitoral. Ele pode usar seu local de origem como trampolim para um salto nacional, jamais confirnar-se a ele.

Proporcionalmente, o eleitorado de Ciro está cada vez mais nordestino. E, mesmo entre eles, ele terá enormes dificuldades para crescer, devido à grande popularidade de Lula na região e sua campanha por Dilma Rousseff (PT). O presidente e seu partido investem com força na candidatura de Dilma até no Ceará, reduto dos Gomes. Ao que indicam as pesquisas, Ciro caminha para ser mais um “cristianizado” da política brasileira.

Isso não quer dizer que Ciro vai ser um Cristo e dar a outra face. Seria um Cristiano Machado do século 21 (candidato a presidente em 1950 abandonado pelo seu partido, o PSD, que de fato apoiava Getúlio Vargas), não fosse Ciro um atirador certeiro e contumaz. Se permanecer no jogo, poderá disparar contra José Serra (PSDB), seu alvo predileto. Mas também pode sair atirando contra Dilma.

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Hoje, segundo o Datafolha, o eleitorado de Ciro tenderia a se distribuir mais favoravelmente ao tucano caso o pré-candidato do PSB abandonasse a campanha. Mas essa proporção pode mudar dependendo de como Ciro tratar cada adversário. Em dezembro, como se vê no gráfico, Dilma e Marina ganhariam mais com uma saída do adversário.

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Pesquisa Sensus feita na semana passada mostra José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) em empate técnico. Levando-se em conta apenas as pesquisas Sensus, o tucano ficou onde estava desde janeiro, com 33%, enquanto a petista oscilou de 28% para 32%. Segundo a Sensus, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) também estão empatados tecnicamente, com 10% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

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A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, antes da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra à Presidência, que aconteceu no sábado, em Brasília. A pesquisa foi feita por encomenda do Sintrapav, sindicato ligado à Força Sindical. A margem de erro máxima divulgada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O Sensus divulga seus resultados com uma casa decimal. Este blog, como de hábito, arredondou o resultados, pois as casas decimais sugerem uma precisão que nenhuma pesquisa de intenção de voto tem.

No seu questionário, o Sensus, como sempre, incluiu a pergunta de avaliação do governo federal antes da pergunta de intenção de voto, bem como a pergunta de preferência partidária. Outra diferença metodológica em relação aos outros institutos é que o cartão do Sensus inclui o partido do candidato.

Essas particularidades do questionário do Sensus ajudam a explicar diferenças em relação aos resultados de outros institutos. Segundo o Sensus, Serra nunca teve mais do que 33% nem menos de 32%. Pelo Vox Populi, por exemplo, o tucano chegou a ter 40% e nunca caiu abaixo de 34%.

Mas as diferenças metodológicas não são suficientes para explicar divergências mais dramáticas, como a intenção de voto dos dois principais candidatos na região Sul. Pesquisa Datafolha concluída no dia 26 de março apontou grande vantagem do tucano sobre Dilma na soma de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: 48% a 20%. Já o Sensus concluído duas semanas depois dá vantagem da petista: 40% a 33% nos mesmos Estados.

Não houve nenhum evento tão dramático nesse período que explicasse uma reviravolta dessa monta. E as diferenças estão muito além da margem de erro (que, no caso, está em torno de 4 pontos percentuais). Um dos institutos deve ter errado.

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Há correspondência entre a presença dos candidatos a presidente na web e sua intenção de voto. Quanto mais aparecem, mais bem colocados nas pesquisas. Difícil apenas saber o que é o ovo e o que é a galinha: se é a preferência eleitoral que precede a fama internética ou vice-versa. Muito provavelmente é um ciclo virtuoso. Maior intenção de voto abre mais espaço digital, torna o candidato mais famoso, aumenta o seu grau de conhecimento pelo eleitorado e o seu potencial de voto.

Abaixo, estão os gráficos de evolução das citações dos quatro principais candidatos a presidente do Brasil nos últimos oito anos na web, segundo o Google. Em vermelho, o número de citações acumuladas no período. Estão incluídos todos os tipos de websites, de blogs ao noticiário.

Jose Serra 2010-04-03

Percebe-se que o líder das pesquisas até agora, José Serra (PSDB), é também o mais citado na internet, segundo o Google. Os links com seu nome se concentram nos anos em que disputou eleições: 2002 (para presidente), 2004 (prefeito), 2006 (governador). Depois de eleito para governar São Paulo (tornando-se assim um possível candidato a presidente), Serra aumentou bastante seu espaço na web, independentemente das disputas eleitorais. Somou nesses oito anos 53 mil citações.

Dilma Rousseff 2010-04-03

Entre 2002 e 2010, Dilma Rousseff (PT) passou de anônima digital a “hit” na web. Sua popularidade digital tem picos que coincidem com sua nomeação para o Ministério das Minas e Energia no primeiro governo Lula (começo de 2003), com sua “promoção” a ministra-chefe da Casa Civil (2005) e com as indicações crescentes dadas pelo presidente, a partir de 2007, de que ela seria sua candidata à sucessão em 2010. Acumulou 47 mil citaçõesnesse período, segundo o Google.

Ciro Gomes 2010-04-03

Ciro Gomes (PPS) depende das eleições majoritárias para se projetar na web. Seus picos de popularidade digital ocorreram em campanhas à Presidência. A primeira, em 2002, quando disputou com Serra e Lula, chegou a ficar em segundo lugar nas pesquisas, mas acabou caindo na preferência do eleitorado e no Google. Desde o ano passado, quando se lançou na corrida presidencial, teve uma nova escalada na web. Desde 2002, acumulou 15 mil citações.

2010

Os picos de popularidade de Marina Silva (PV) na web estão relacionados, para o bem e para o mal, ao governo Lula. O primeiro foi no começo de 2003, quando ela foi nomeada ministra do Meio Ambiente e tornou-se uma das estrelas da nova administração. O segundo topo, e o mais alto deles, foi em meados de 2008, quando deixou o governo em meio a um processo de fritura política e se tornou notícia negativa para o presidente. Desde setembro de 2009, quando sua pré-candidatura à sucessão de Lula tomou corpo, Marina virou “tendência” na internet, acumulando 15 mil citações em 8 anos.

Se dermos um “zoom” nos gráficos do Google, veremos que, para alguns candidatos, a maioria das citações ocorreu a partir de 2009. Até certo ponto, isso reflete o aumento do conteúdo online em geral, mas para presidenciáveis como Dilma Rousseff o crescimento das citações foi muito além da média. No caso da petista, a curva de aparições na web coincide com o seu crescimento de pouco mais de 10% para cerca de 30% nas pesquisas de intenção de voto, como se pode constatar abaixo.

Serra 2010-04-03 at 13.04.19

Dilma 2010-04-03 at 13.03.43

Ciro 2010-04-03 at 13.02.18

Marina 2010-04-03 at 13.03.07

Considerando-se apenas os últimos 15 meses, Dilma ultrapassou Serra em citações na web. Segundo o Google, foram 32 mil, contra 27 mil do rival. A ex-ministra teve mais menções ao seu nome nesse período recente do que nos sete anos anteriores somados. A candidata faz mais sucesso do que a ministra. Ela não é a única que se beneficia da campanha eleitoral para aumentar sua popularidade. Os quatro principais presidenciáveis experimentam picos de citações na web.

PS 1: Só foram levados em conta os nomes completos dos candidatos: “Jose Serra”, “Dilma Rousseff”, “Ciro Gomes” e “Marina Silva”. Não é possível analisar apenas “Serra” ou “Dilma”, porque aí a contagem seria espúria, incluindo menções que nada têm a ver com os presidenciáveis.

Foram levadas em conta todos os tipos de citações: favoráveis ou desfavoráveis, críticas ou elogiosas e por aí vai. Ser mais ou menos citado não significa ser mais bem ou mais mal visto. Significa apenas que foi mais citado, tem maior presença, é mais assunto. Sem juízo de valor.

PS 2: Outro indicador interessante é saber o que as pessoas estão buscando mais na internet. Uma ferramenta chamada Google Trends faz essa medição (veja o gráfico abaixo). Nos últimos 12 meses, houve um pico muito forte de buscas por “Marina Silva” em meados do ano passado (que corresponde ao lançamento informal de sua candidatura a presidente). A partir de dezembro, as buscas por “Dilma Rousseff” passaram a ser majoritárias, na comparação com buscas pelos nomes de seus adversários. Esse crescimento nas buscas coincide com a subida de Dilma nas pesquisas de intenção de voto.

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Mais de dois terços do eleitorado ainda não sabe dizer espontaneamente em quem votará para presidente em outubro. Nessa fase inicial da campanha, flutuações da intenção de voto entre um instituto e outro são menos importantes do que as tendências dos candidatos ao longo do tempo. Na média móvel das três últimas pesquisas, José Serra (PSDB) lidera, mas Dilma Rousseff (PT) diminui lentamente a diferença entre ambos.

Uma segunda tendência também fica clara: Serra e Dilma se distanciam dos outros candidatos, reforçando a polarização e abrindo a possibilidade, ainda que remota, de a eleição ser definida, para um lado ou para outro, no primeiro turno.

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A “média VP” das pesquisas consolida as tendências de Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus. Segundo essa média, a diferença entre o tucano e a petista, que chegou a ser de 21 pontos percentuais em dezembro do ano passado, caiu para 7,7 pontos no começo de fevereiro e para 5,7 pontos, na média, agora, no fim de março.

O primeiro movimento de aproximação foi mais brusco. Refletiu a descoberta, por parte dos petistas e simpatizantes do PT, de que Dilma é a candidata de Lula a sua própria sucessão. Desde fevereiro, as pesquisas mostram que o crescimento da ex-ministra, embora consistente, desacelerou a partir de fevereiro, enquanto Serra praticamente estabilizou sua intenção de voto.

Incluindo-se a mais recente pesquisa Vox Populi no cálculo, Serra chegou a 35,0%, na média, enquanto Dilma foi a 29,3%. Daí a diferença média, entre ambos, ser de 5,7 pontos percentuais. Esses números, em si, não dizem muito. Mais relevante são as curvas de ambos: elas correm quase paralelas desde o começo de fevereiro, com a de Dilma ligeiramente mais inclinada em direção à do rival.

O fato de Dilma ter desacelerado reflete a dificuldade de a candidata petista cavar votos em eleitorado menos permeável ao discurso governista do que aquele que sustentou seu crescimento até fevereiro. Esse novo estrato com que Dilma se depara precisa ser convencido a votar nela. Não é uma conversão automática, como ocorreu com aqueles que dão nota 10 a Lula e/ou se declaram simpatizantes do PT.

O mesmo vale para Serra. Ele se sustenta no segmento de eleitores anti-petistas e que rejeitam a candidatura do governo. Para crescer, precisará também convencer os, digamos, “independentes” que ele é a melhor opção. É para isso que existe campanha e é nisso que Serra e Dilma devem se concentrar nos próximos meses.

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A pesquisa Vox Populi divulgada neste sábado pela Band provocou polêmica antes mesmo de seus resultados serem conhecidos. Isso porque o questionário registrado no TSE mostrava uma peculiaridade: a ordem das perguntas era diferente das de outras sondagens feitas pelo próprio Vox Populi e pelos demais institutos. Em pesquisa eleitoral, a ordem dos fatores altera o produto.

Na pesquisa registrada com o protocolo 7.337/2010, o Vox Populi primeiro pergunta ao entrevistado em quem ele votaria se a eleição para presidente fosse hoje, sem apresentar a relação dos nomes dos candidatos. É a pergunta 11, que mede a chamada intenção de voto espontânea. Até aí, está tudo dentro do esperado. A novidade foi na pergunta seguinte (veja aqui o Questionario-2).

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Antes de apresentar o cartão circular com o nome dos candidatos e perguntar em quem o entrevistado escolheria dentre aqueles nomes, o instituto inseriu duas outras questões, a 12 e a 13. Nelas, o entrevistador cita nominalmente os candidatos e pergunta, primeiro, se o entrevistado conhece ou não aqueles nomes. Em seguida, pergunta se o eleitor saberia dizer quais cargos cada um dos quatro principais presidenciáveis ocupou, e volta a nominar cada um deles.

Que mal há nisso? Difícil dizer. Para termos certeza de que a colocação das questões 12 e 13 antes da pergunta sobre intenção de voto estimulada  alterou o resultado da sondagem, seria necessário fazer a mesma pesquisa, sem a 12 e 13, e comparar os resultados.

Mas isso já levou a especulações de que a menção e repetição dos nomes dos candidatos, mais o esforço do entrevistado para lembrar-se dos cargos já ocupados pelos presidenciáveis, poderiam, juntos, acionar alguma rede neural que associa o nome de Dilma Rousseff ao governo federal e, por consequência, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inflando sua intenção de voto estimulada.

É uma especulação propagada pelos adversários da candidata petista. Eles, provavelmente, recordarão declaração feita há duas semanas pelo diretor do Vox Populi, João Francisco Meira Neto, durante congresso da Abep, segundo quem “se não houver um acidente, não é impossível Dilma ganhar no 1º turno”.

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Colocando os resultados do Vox Populi em perspectiva, comparando-os com os do Datafolha e do Ibope e calculando a média móvel das três sondagens mais recentes, percebe-se uma pequena diferença, mas nada que fuja às tendências. Com maior ou menor intensidade, as pesquisas mostram Serra à frente, com Dilma crescendo, mas em ritmo mais lento do que até o começo de fevereiro.

Nesse caso, o maior prejudicado não parece ter sido nenhum dos candidatos, mas o próprio instituto. Difícil acreditar que houve intenção de inflar ou deflacionar os percentuais de um ou outro candidato. Mas a mudança da ordem das perguntas, fugindo ao que é a ortodoxia nesse tipo de sondagem, dá espaço para especulações e críticas que podem arranhar, mesmo que imerecidamente, a credibilidade do Vox Populi. E, em última instância, é isso que o instituto vende.

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Dois em cada três eleitores dá notas entre  8 e 10 ao governo Lula (Datafolha 26/03/2010). Mas concordar com a avaliação do governo não implica preferir o mesmo presidenciável. Candidata do presidente, Dilma Rousseff (PT) só tem mais intenção de voto do que José Serra (PSDB) entre os eleitores que dão nota 9 ou 10 ao governo. O tucano é o preferido entre quem dá nota 8 ou inferior à atual gestão do Palácio do Planalto (com exceção de quem dá nota 1).

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A disputa pelo voto de quem dá nota 8 é a mais imediata entre a petista e o tucano. Eles representam 22% do eleitorado total, e estão mais divididos do que os demais grupos de eleitores: 36% votam em Serra, 31% preferem Dilma, 8% escolhem Ciro Gomes (PSB), 7% vão de Marina Silva (PV), 5% anulam (ou votam em branco) e 13% estão indecisos.

Todas as nota X todos os candidatos - Datafolha 26/03/2010

Entre os que dão nota 8 até 4, a vantagem do tucano é inversamente proporcional à avaliação do governo: pior a nota, maior a intenção de voto de Serra. Dilma, por sua vez, segue a proporção inversa: só tem eleitores entre quem dá nota 5 ou maior ao governo, e quanto maior a nota, maior sua intenção de voto.

Os esforços de identificação entre Lula e sua candidata podem surtir efeito mais rapidamente entre quem dá nota 10 ao governo. Dilma tem 37% entre eles, dez pontos a mais do que Serra, mas tem chances de crescer um pouco mais nesse eleitorado porque há ainda 11% de indecisos entre eles.

Como se pode ver pelos gráficos abaixo, Dilma tem uma concentração muito maior do que Serra entre os eleitores que avaliam muito bem o governo Lula. Fica clara a sua dependência do presidente e da boa avaliação de que desfruta neste momento.

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Dilma Rousseff (PT) consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido, mas parou de crescer. José Serra (PSDB) manteve a liderança e vai começar sua campanha com os ânimos renovados pela diferença de nove pontos percentuais em relação à principal adversária. Todas as pesquisas mostram que a eleição deve ser polarizada entre os dois, com Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) em papéis secundários.

O gráfico abaixo mostra os resultados de todos os principais institutos. A linha tracejada representa a média móvel das últimas três pesquisas. Nesta fase da campanha, em que a grande maioria dos eleitores ainda não consegue nem citar um candidato presidencial espontaneamente, as tendências são mais relevantes do que as flutuações pontuais. Os valores dentro dos círculos são os divulgados pelos institutos. O raio da circunferência corresponde à margem de erro.

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Primeiro estágio
Dilma deu um salto entre dezembro e fevereiro, à medida que ficou claro para os simpatizantes do PT que ela é a candidata do partido. Ela conseguiu galvanizar esse eleitorado cativo e chegou ao patamar histórico de Lula no mês de março. Mas a pesquisa mostra que para ir além dos 27% a que chega agora, ela terá um terreno mais difícil, o do eleitorado “independente”.

Resiliência tucana
Serra mostrou resiliência: de dezembro a fevereiro, o governador paulista caiu de um patamar próximo aos 40% para uma faixa pouco acima de 30%. Voltou agora para 36%. Isso mostra que ele se beneficia pelo fato de ser o mais conhecido dos presidenciáveis. Bastou aparecer em um programa nacional de TV (Datena) se afirmando como candidato para recuperar parte da intenção de voto perdida no período que antecedeu o lançamento de sua candidatura.

Prestidigitação e salto alto
A pesquisa também joga água fria nas prestidigitações eleitorais que pregavam uma ultrapassagem iminente de Dilma sobre Serra. Embora o pano de fundo, dada a popularidade de Lula, seja o de uma eleição governista, não será calçando saltos altos que os petistas conseguirão eleger sua candidata.

Dilma tem um adversário que sai de um patamar bem mais alto do que partiu na eleição de 2002. Serra tem 36% agora, contra os 22% de oito anos atrás. E a recuperação do tucano, nesse momento, vai energizar o lançamento de sua candidatura, previsto para 10 de abril.

Quem define a eleição
O eleitorado que não é nem cativo do PT (entre 1/4 e 1/3 do total), nem francamente oposicionista (outro 1/3 ou 1/4) é quem vai decidir a eleição. Esses cerca de 40% de “independentes”, na sua maioria, aprovam o governo Lula. Mas não será apenas porque o presidente disse que Dilma é sua candidata que automaticamente decidirão votar nela. Apesar de poderem ser convencidos disso, esses eleitores estarão também abertos aos argumentos de Serra. Por isso que existe campanha, e ela só se define no dia da eleição.

Câmbio no Sul
Sem ter acesso aos relatórios completos desta pesquisa Datafolha, o que só deve ocorrer nesta segunda-feira, é difícil determinar as causas exatas das oscilações das intenções de voto dos candidatos. Mas chama a atenção que grande parte da recuperação de Serra tenha se devido a um salto de 10 pontos percentuais, de 38% para 48%, na região Sul. É provável que a campanha de Dilma reforce a agenda da candidata nesses Estados nas próximas semanas.

PMDB em alta
Outra consequência da pesquisa Datafolha é que o cacife do PMDB volta a crescer. Com Serra na frente, é essencial para o PT somar o tempo de TV dos peemedebistas ao da sua candidata. Os líderes do PMDB sabem disso e ficarão, agora, em uma posição de força na hora de negociar espaço não apenas na chapa de Dilma, mas em postos neste e no futuro governo (seja ele de quem for).

Grid de largada
O Datafolha volta a mostrar a grande dificuldade que Ciro Gomes e Marina Silva enfrentarão para conseguir entrar de fato na disputa. Apenas um imprevisto (e eles acontecem) poderia lhes dar chances reais nesse páreo. Serra larga na frente. Dilma corre atrás dos independentes.

Esse é o grid de largada da campanha presidencial de 2010. Ainda tem muito chão pela frente.

A pesquisa Datafolha foi realizada entres os dias 25 e 26 de março, com 4.158 eleitores, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foi registrada no TSE com o número de protocolo 6617/2010.

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Diferentemente das pesquisas dos institutos Datafolha e Vox Populi em 2010, o Ibope não identificou queda na intenção de voto de José Serra (PSDB) na pesquisa contratada pela Confederacão Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira. Os pesquisadores foram a campo entre os dias 5 e 10 de março.

No cenário mais provável, Serra mantém a liderança, com 35% das intenções de voto, contra 30% de Dilma Rousseff (PT). São seguidos por Ciro Gomes (PSB), com 11%, e por Marina Silva (PV), com 6%. Os eleitores sem candidato somam 18% -são os que pretendem anular, votar em branco ou que não souberam responder. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

No gráfico abaixo, com os resultados de todos os institutos, nota-se que desde dezembro a intenção de voto do candidato tucano apresenta uma tendência de queda. Segundo o Datafolha, Serra caiu de 37% para 32%. E, pelo Vox Populi, a queda foi de 39% para 34%. O Sensus não mostra queda do tucano porque já indicava o candidato do PSDB com 32% desde novembro.

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Já na comparação das últimas pesquisas do Ibope, Serra mantém-se no mesmo patamar de intenção de voto, oscilando dentro da margem de erro: de 38% em novembro, para 36% em fevereiro e 35% em março.

Ao mesmo tempo, a tendência de crescimento de Dilma é unânime entre os quatro institutos. Os 30% alcançados pela petista na pesquisa mais recente, do Ibope, indicam que ela continua crescendo e atingiu o patamar histórico dos candidatos a presidente do PT (leia-se Lula) em março.

A diferença de tendência de Serra no Ibope em comparação aos outros institutos é pequena mas consistente. Cabe dentro da margem de erro e pode, portanto, ser casual. Ou pode ser provocada por diferenças metodológicas, seja na maneira de abordar o eleitor, seja no desenho da amostra selecionada para representar o eleitorado brasileiro.

Se a diferença fosse apenas em comparação ao Datafolha, ela poderia ser explicada por um instituto fazer pesquisas domiciliares e outro abordar o eleitor na rua (saiba mais sobre isso lendo outra nota deste blog). Mas o Vox Populi também faz suas pesquisas com entrevistas na casa do eleitor. Logo, a diferença pode ser tributada ao acaso ou ao desenho da amostra e execução da pesquisa.

Outras “explicações” vão se basear nas declarações reiteradas do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, segundo as quais Serra será eleito presidente, porque “o brasileiro não é pau mandado” e não votará em Dilma apenas por causa da popularidade de Lula. A aposta do dirigente do Ibope é isso, apenas uma aposta. É difícil acreditar que possa ter contaminado as pesquisas do instituto.

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Em entrevista nesta sexta à rádio CBN, Ciro Gomes (PSB-CE) disse: “Nunca mais vou ser deputado na vida. Não tenho mais paciência de passar nove horas conversando fiado e não fazendo nada pela vida de ninguém”. Ele foi sincero.

Em pouco mais de três anos de mandato na Câmara, Ciro faltou a 39% das sessões da Câmara (4 de cada 5 faltas foram justificadas), esteve ausente em 36 de 88 votações que foram ao plenário. Quando presente, usou o microfone 39 vezes, a maioria delas durante a ordem do dia. Foi vice-líder do bloco governista.

Como deputado, apresentou 40 proposições, de requerimento de informações ao Banco Central a “voto de louvor pela realização do VII Encontro Estadual de Prostitutas do Ceará”. Usou R$ 208 mil das verbas indenizatórias a que os deputados têm direito -o que, registre-se, fica abaixo da média dos seus colegas.

Ciro está longe de ter sido um “cabeça do Congresso”, para usar uma expressão consagrada pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Como Lula, o presidenciável do PSB tem um perfil muito mais de Executivo do que de Legislativo. Mas não é só isso. Ciro está em campanha, e cada palavra faz parte de um discurso que visa a eleição.

Convém lembrar que apenas 14% dos eleitores brasileiros aprovam o desempenho do Congresso Nacional (Datafolha, fevereiro de 2010). Logo, ao falar mal da própria função, Ciro ganha mais pontos do que perde. Talvez, alguns dos 668 mil cearenses que o elegeram deputado federal possam se contrariar, mas o saldo, do ponto de vista eleitoral, é positivo.

Se ao transferir seu título para São Paulo ele já fechara portas no Estado onde surgiu para a política, ao declarar sua objeção ao cargo de deputado Ciro reduz ainda mais suas possibilidades eleitorais: disputar para presidente ou para governador de São Paulo (o Senado é um clube mais fechado, mas não muito diferente da Câmara).

É um tiro longo para quem não chega, por enquanto, a 20% das intenções de voto nem para um cargo nem para outro. Mas é o estilo de Ciro, sempre audacioso. Ele parece realmente acreditar que José Serra (PSDB) vá desistir da disputa e que sua saída provocará uma revolução da corrida eleitoral. E, numa revolução, tudo pode acontecer. Ainda assim, é um tiro longo.

Mais informações sobre o desempenho parlamentar de Ciro podem ser encontradas em sua página no site Excelências (da Transparência Brasil) e no próprio portal da Câmara dos Deputados, na seção de pesquisas sobre os parlamentares.

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