Que o Distrito Federal é uma ilha da fantasia, sempre se desconfiou. Mas os “Resultados gerais da amostra do Censo 2010″, divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE, transformam a suspeita em constatação oficial. O rendimento médio nominal dos domicílios brasilienses é mais do que o dobro do Brasil. A renda média de Brasília é R$ 5.663. A do Brasil, R$ 2.653.
A desproporção da riqueza da capital brasileira é um caso único, não importa a referência. Em comparação a São Paulo, cujos moradores estão em segundo lugar no ranking de renda do país, o Distrito Federal tem um rendimento médio 63% maior -com a diferença de que Brasília só produz leis, decretos e sentenças. Pior, a renda dos brasilienses é, em média, quase três vezes maior do que a dos maranhenses, donos do rendimento mais baixo do Brasil.
Essa disparidade da riqueza dos moradores da capital federal em relação ao resto do país é incomparável em termos internacionais. Distrito federal norte-americano, Washington DC também foi fundado para ser capital da República e ocupa uma área restrita. Sua renda domiciliar é 13% maior do que a dos Estados Unidos. No Brasil, a desproporção é de 113%. Por comparação, Brasília tem 100 pontos porcentuais de renda a mais do que o país que a circunda. Quais as razões de tanto exotismo?
O principal motivo é que em Brasília os funcionários mais bem remunerados definem seus próprios salários. E estes servem de referência para quem está abaixo na hierarquia funcional. Essa regra provoca uma -digamos- cachoeira para o resto do funcionalismo. Como os servidores do topo da carreira de cada Poder são generosos com sua própria remuneração, o efeito riqueza se espalha para boa parte dos domicílios brasilienses.
Tanto é assim que o valor dos imóveis na capital varia em função da política salarial do governo de plantão. Quando o funcionalismo tem seus rendimentos reajustados, os preços das casas e apartamentos sobem junto.
Alguém pode argumentar que é injusto comparar uma cidade-estado, como Brasília, com as demais unidades da Federação, que têm áreas muito maiores e disparidades regionais muito mais acentuadas. Pois consideradas apenas as cidades brasileiras e os salários de quem tem emprego formal, Brasília fica em 5º lugar entre 5.565 municípios. Só perde para quatro cidades onde unidades da Petrobras, a maior empresa estatal, são responsáveis por grande parte dos empregos.
A segunda razão para Brasília ter uma renda média tão mais alta do que o resto do país é que a capital federal exportou seus pobres. Eles vivem no chamado entorno brasiliense, em cidades como Águas Lindas de Goiás. O salário médio dos brasilenses é 3 vezes e meia maior do que o dos vizinhos goianos menos afortunados. Isso faz a média brasiliense se elevar, pois não computa a base de sua própria pirâmide econômica.
É uma síntese do comportamento do centro do poder no Brasil: pega e paga o que quer, e descarta o resto no quintal do vizinho.
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Veja aqui a íntegra do relatório.
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* O IBGE identificou 6.329 aglomerados subnormais, onde estão 5,6% dos domicílios e onde vive 6% da população brasileira.
* Aglomerado subnormal: + de 50 habitações, carentes de serviços essenciais, ocupando desordenada e densamente terreno de propriedade alheia.
* 323 municípios brasileiros têm favelas, grotas, palafitas, invasões, mocambos, ou o nome local que se use para aglomerados subnormais.
* O Brasil tem um Portugal de favelados: 11,4 milhões de pessoas.
* Há duas vezes mais chances de um brasileiro negro ser favelado do que um branco.
* Dois em cada três favelados são negros.
* A taxa de analfabetismo da população favelada é 55% maior do que a da população urbana não-favelada.
* A taxa de analfabetismo da população favelada é 31% menor do que a da população rural.
* O rendimento mediano da população favelada é 27,5% menor, em média, do que o da população urbana não favelada.
* O rendimento mediano da população favelada é 3 vezes maior, em média, do que o da população rural.
* Nas favelas brasileiras, 79% dos moradores vivem com uma renda mensal per capita de até 1 salário mínimo.
* A proporção de favelados vivendo com até 1 salário mínimo é 55% mais alta do que na população urbana não-favelada.
* A população brasileira favelada é, proporcionalmente, mais jovem do que a não-favelada.
* Há mais favelados no Sudeste do que no Norte e no Nordeste somados.
* A favelização é mais grave no Norte (12% da população), no Sudeste (7%) e no Nordeste (6%) do que no Sul (2%) e Centro-Oeste (1,5%).
* Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo reúnem metade dos brasileiros vivendo em favelas.
* 1 em cada 4 favelados brasileiros mora no estado de São Paulo.
* O Pará é o estado com maior taxa de população favelada: 17,4%, ou 1,267 milhão de pessoas.
* Goiás tem a menor proporção de favelados pelos critérios do IBGE: só 0,1% da população, ou 8.823 pessoas -metade, por causa de Brasília.
* Destino de sucessivas ondas migratórias, as regiões metropolitanas concentram a maioria da população favelada brasileira.
* Apenas três regiões metropolitanas concentram quase metade (44%) dos domicílios favelados do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.
* Na maior parte das vezes, o município que é o núcleo da região metropolitana concentra a maioria da população favelada.
* Na Região Metropolitana de Salvador, 95% dos domicílios favelados estão na própria capital. Na Grande Natal (RN), 100%.
* As únicas regiões metropolitanas onde a maioria da população favelada mora nas cidades do entorno são Baixada Santista, Vitória e Recife.
* A metrópole com maior proporção de moradores vivendo em favelas é a Grande Belém: 54% da população.
* A metrópole com mais gente morando em favelas é a Grande São Paulo: 2,162 milhões de pessoas, ou 11% da população.
* Quanto maior e mais densa, pior tende a ser a qualidade de vida na favela, principalmente pela dificuldade de circulação do ar.
* 88% dos domicílios localizados em favelas estão em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes.
* Se as favelas estivessem reunidas em um só lugar, formariam a maior cidade brasileira -maior até do que São Paulo.
* O Rio de Janeiro é a cidade com maior população favelada do Brasil: 1,393 milhão de pessoas, vivendo em 763 aglomerados subnormais.
* A taxa de favelização carioca, de 22%, é o dobro da de São Paulo, que tem 1,280 milhão de favelados, ou 11% de sua população.
* A cidade com maior proporção de favelados no Brasil é Marituba, na Grande Belém (PA): 77 em cada 100 moradores.
* A maior proporção de população favelada entre as cidades paulistas está em Cubatão, na Baixada Santista: 42%, ou 49 mil pessoas.
* A população favelada da cidade do Rio de Janeiro forma, sozinha, a 11ª cidade brasileira, à frente de Belém.
* Em Belém (PA), 9 em cada 10 favelas têm mais de mil domicílios.
* Nenhuma outra cidade paulista é mais populosa do que a soma dos moradores das 1.020 favelas paulistanas.
* Em regra, as favelas paulistanas diferem muito das do Rio de Janeiro por serem menores, dispersas e periféricas.
* A maior predominância de favelas é em cidades costeiras ou ribeirinhas.
* Os barracos mais apinhados estão no Norte. Em três cidades, a média supera 6 pessoas por domicílio: Amapá, Guajará e Santo Antonio do Içá.
* A Rocinha, no Rio de Janeiro, é a maior favela do Brasil, com 69.161 moradores. Seria a 35ª mais populosa cidade fluminense. Tem UPP.
* A 2ª maior favela do Brasil fica em Brasília. Com 56.483 moradores, é a Sol Nascente, junto à cidade-satélite de Ceilândia.
* Como em Brasília tudo vira sigla, a favela é oficialmente chamada de ARIS (área de regularização de interesse social) Sol Nascente.
* A 3ª maior favela do Brasil fica também no Rio: é a Rio das Pedras, entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Tem 54.793 moradores e milícia.
* Com 42.826 moradores, Paraisópolis é a maior favela paulistana, pelos critérios do IBGE. Estaria em 146º entre 645 cidades paulistas.
* Se fosse somada às favelas adjacentes (Panorama 1 e 2), Paraisópolis ultrapassaria 55 mil moradores e seria a 114ª cidade paulista.
* Viver em favela significa ter energia elétrica (99,7% dos domicílios), água encanada (88%), esgoto adequado (67%) e coleta de lixo (95%).
* Apenas 1% dos domicílios em favelas no Brasil não tem banheiro ou sanitário.
* Apesar dos problemas urbanísticos, pobreza e violência, moradores de favelas têm mais saneamento e eletricidade do que muitas áreas rurais.
* Em 599 favelas (9,5%), todas as habitações têm todos os serviços essenciais: água encanada, esgoto ou fossa séptica, lixo recolhido e luz.
* Em Campo Belo (MG), Nova Friburgo (RJ), Martinópolis (SP), Tabatinga (SP) e Jataizinho (PR) todos os favelados têm 100% de serviços.
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Leia reportagem do Estado sobre as favelas brasileiras.
Interaja com o infográfico.
Assista ao vídeo.
Todas as informações acima foram extraídas do relatório do IBGE sobre o Censo 2010 chamado “Aglomerados subnormais – primeiro resultados”, divulgado nesta quarta-feira.
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Ao radiografar o Brasil, o Censo 2010 expõe o que distingue uma localidade da outra. No amontoado de tabelas e mapas escondem-se milhares de histórias humanas inusitadas. Muitas se passam em cidades longe ou pequenas demais para serem notadas; outras, bem debaixo de nossos narizes metropolitanos. A seguir, o primeiro parágrafo de uma dúzia delas.
• Herval, no Rio Grande do Sul, é a capital brasileira da solidão: 26,6% de suas unidades domésticas são unipessoais. Traduzindo do ibegêes: 1 em cada 4 casas só tem um morador.
• Careiro da Várzea, no Amazonas, é a capital rural do Brasil. Está a apenas 25 quilômetros de Manaus, mas tem a maior proporção de moradores vivendo fora da área urbana (95,8%), em comunidades com nomes de santos, de nossa senhora ou do espírito santo. Distância é algo relativo. O município é vizinho da capital, mas tem o maior rio do mundo a ligá-los e a separá-los.
• Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, é a capital brasileira da desigualdade na riqueza. Seus ricos são mais ricos. Os parnaibanos que ocupam os 25% do topo da pirâmide de renda do município ganham mais do que todos os seus pares no resto dos municípios do País: R$ 3.993 por mês. E a renda deles é 14 vezes maior do que a dos 25% de parnaibanos mais pobres. As extremidades da pirâmide estão separadas por um muro ostensivo, de um condomínio fechado, e por outros menos visíveis, como o educacional.
• Uiramutã, em Roraima, é a capital brasileira da desigualdade na pobreza. Os uiramutenses mais ricos têm renda 26 vezes maior do que os uiramutenses mais pobres. É a maior diferença proporcional do país. Chamá-los de ricos, porém, é exagero: vivem com R$ 518 por mês. Mas os 25% mais pobres sobrevivem com apenas R$ 20, menos de R$ 1 por dia. Financeiramente, são os mais miseráveis do Brasil. Quase todos moram em tribos indígenas. Muitos nem usam moeda.
• Marajá do Sena, no Maranhão, tem a maior proporção de domicílios com saneamento inadequado do País: 85,2%. É a capital brasileira da falta de água encanada, de esgoto e de coleta de lixo -tudo ao mesmo tempo agora. A maior parte joga o lixo em terreno baldio, ou queima. Duas em cada três casas não têm sanitário exclusivo dos moradores. A água é de poço ou bica.
• Westfalia, no Rio Grande do Sul, tem os pobres mais ricos do Brasil. A renda média dos 25% da parte de baixo da pirâmide chega a R$ 573 por mês. Seus conterrâneos do andar de cima vivem com uma renda apenas 2,5 vezes maior. É um terço da desigualdade média brasileira.
• Na planilha, a paulista Balbinos tem dois títulos nacionais: a maior taxa de crescimento populacional da década passada, e a maior proporção de homens no total da população: 81%. Mas ambos são consequência da recente instalação de duas penitenciárias, para onde foram levados mais detentos do que há balbinenses no resto do município.
• História semelhante à de Balbinos aconteceu em Pracinha, Lavínia, Iaras, Reginópolis, Álvaro de Carvalho, Marabá Paulista, Guareí, Serra Azul, Itirapina e Pacaembu. As dez foram alvo da política de distribuição penitenciária do governo paulista. Se os presos todos pudessem votar nessas cidades teriam grande chance de eleger o prefeito local -um novo paradigma ético da política brasileira.
• Niterói, no Rio de Janeiro, tem potencial para ser a capital brasileira do golpe do baú. Lá vivem as mulheres mais afluentes do Brasil, na média. A renda mensal delas chega a R$ 2.176 por mês. Mas o golpe do baú pode ser também no sentido oposto: os niteroienses ganham, em média, 50% mais do que suas caras-metade.
• Lajeado Grande, em Santa Catarina, é a capital da desigualdade financeira entre os sexos. Os lajeado grandenses ganham, em média, 3 vezes mais do que as conterrâneas do gênero feminino: R$ 2.411 a R$ 800.
• O município brasileiro onde sobram proporcionalmente mais homens livres (e fora do presídio) é Tapurah, no Mato Grosso. A população masculina é 40% maior do que a feminina. O desequilíbrio se concentra na área rural, ao norte da cidade. Lá, há 8 vezes mais jovens de 15 a 30 anos -que moram em domicílios coletivos cedidos por seus patrões, em sítios e fazendas- do que garotas da mesma idade.
• A cidade onde há excedente proporcionalmente maior de mulheres é Santos (SP): 19% a mais do que homens. O problema começa aos 20 anos e se agrava -muito- com o passar do tempo. Na idade fértil, dos 15 aos 49 anos, a defasagem é de 12%. Mas a partir de 60 anos, há 62% mais mulheres do que homens.
Pensando bem, Santos e Tapurah disputam com Herval o título de capital da solidão.
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O aumento a renda média dos municípios mais pobres acima dos mais ricos não se traduziu em avanços proporcionais na educação dos moradores dessas cidades. Os habitantes de Salgadinho, no agreste pernambucano, viram sua renda crescer 69% acima da inflação na década passada, mas o analfabetismo entre eles só diminuiu 6% no mesmo período: 4 em cada 10 continuam sem sabem ler nem escrever.
O Censo 2010 mostrou que a região Nordeste foi onde a renda média municipal mais cresceu desde 2000. Mas a mesma pesquisa indica que os municípios nordestinos ainda concentram as maiores taxas de analfabetismo do País. Pior, foi lá que a alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade cresceu mais lentamente na década passada.
Os mapas mostram que na maior parte do Nordeste ainda predominam taxas de analfabetismo superiores a 20% da população que já passou da idade escolar obrigatória. A mancha se espalha por todos os Estados da região e transborda para o norte de Minas Gerais e para o oeste do Pará e do Tocantins.
Enquanto na maior parte do Sul e do Sudeste, as regiões mais ricas do Brasil, a redução da taxa de analfabetismo de adultos foi superior a 30%, no Nordeste, onde o problema é mais grave, o avanço da alfabetização ficou abaixo desse patamar na maioria das cidades.
Por causa disso, a redução em um terço da desigualdade regional que aconteceu na renda não se repetiu no analfabetismo. Ao contrário. Em 2000, a proporção de analfabetos com 15 anos ou mais em Alagoas era 6 vezes maior do que no Distrito Federal. Em 2010 essa relação havia crescido para 7 vezes.
Há uma forte correlação negativa entre analfabetismo e renda: quanto menor o rendimento médio do município, maior a sua taxa de analfabetismo, e vice-versa. Mas não há relação direta de causa e efeito. Os dados de Censo 2010 mostram que não basta transferir dinheiro para as famílias mais pobres para reduzir o analfabetismo.
Programas como o Bolsa Família conseguiram promover a redução da taxa de analfabetismo da população em idade escolar (de 10 a 14 anos), porque as famílias com filhos nessa faixa etária têm que comprovar que as crianças estão frequentando a escola para receber o dinheiro. Nesse segmento, a queda do analfabetismo foi mais dramática no Nordeste do que em qualquer outra parte do País.
Mesmo assim, todos os Estados nordestinos continuam com taxas de analfabetismo de 10 a 14 anos superiores à média nacional, de 3,9%. O melhor no Nordeste é o Ceará, que reduziu a taxa de 14,2% para 5,4% em 10 anos. E o pior é Alagoas, que foi de 22,8% para 10,7%. O problema também é grave no Pará, no Amazonas e no Acre.
Taxas tão altas nessa faixa etária denunciam não apenas o precário estado do sistema de ensino local, como alimentam a perpetuação da taxa de analfabetismo de adultos. Crianças que ainda não aprenderam a ler e escrever após três ou quatro anos na escola tendem a abandoná-la e não se alfabetizarem mais. É uma fábrica de analfabetos.
O efeito da transferência de renda é nulo sobre a melhoria educacional da população acima de 15 anos, que não tem obrigação legal de ir à escola. Para diminuir as desigualdades regionais em educação e cortar drasticamente o analfabetismo é necessário um programa de alfabetização de adultos com alcance amplo nos Estados onde o problema é mais agudo, como Alagoas, Maranhão, Piauí e Paraíba. Mas não só lá.
Alagoinha do Piauí, perto da fronteira com o Ceará, tem a maior taxa de analfabetismo do Brasil: 44,4% da população de 15 anos ou mais. Em quantidade, porém, não são tantos assim os que não sabem ler e escrever: 2,5 mil.
Quando se trata de pessoas, os números absolutos são tão importantes quanto os porcentuais. E não há mais analfabetos em qualquer cidade do País do que no município de São Paulo: 279 mil. É um contingente maior do que o de 12 Estados brasileiros, como Sergipe, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso e Santa Catarina.
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Foram apenas 4% de crescimento da renda média da população paulistana entre 2000 e 2010. É o pior resultado entre as capitais brasileiras na década. No ranking de renda dessas 27 cidades, São Paulo foi ultrapassada por Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro, caindo do 4º para o 7º lugar, com R$ 1.495 por morador. A locomotiva foi parar na rabeira da composição.
Nesse intervalo, a cidade de São Paulo foi governada pela petista Marta Suplicy (de 2001 a 2004), pelo tucano José Serra (de 2005 a 2006), pelo ex-democrata e agora pessedista Gilberto Kassab (de 2006 até hoje). Os dois primeiros são cogitados como postulantes ao cargo de prefeito em 2012. E o atual prefeito reafirmou nesta segunda, em sabatina, que se dá nota 10 por sua gestão.
Não por acaso, nesse período, São Paulo expulsou mais gente do que recebeu. De cidade formada por ondas sucessivas de migrantes, estrangeiros e brasileiros, a capital paulista se transformou em centrífuga demográfica. Entre chegadas e partidas, o saldo negativo foi de cerca de 130 mil habitantes na década.
Ao mesmo tempo, uma das cidades que mais recebeu paulistanos em busca de melhor qualidade de vida pulou para o primeiro lugar no ranking de renda por habitante das capitais: Florianópolis (SC) aumentou sua renda 30% acima da inflação, chegou a R$ 1.905 e desbancou Porto Alegre (RS) no topo da classificação.
As capitais que ganharam posições no ranking foram: Rio de Janeiro, Aracajú, João Pessoa e Macapá (duas cada); Florianópolis, Vitória, Brasília, Palmas, Porto Velho e Rio Branco (uma cada). As que perderam: São Paulo e Salvador (três cada); Maceió, Campo Grande e Porto Alegre (duas cada); São Luís e Belém (uma cada). As 10 restantes ficaram onde estavam.
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Mateiros, no sudeste do Tocantins, era um vilarejo sem luz elétrica em 2000. Uma ponta de mapa na fronteira com Maranhão, Piauí e Bahia, lugar esquecido e seco, sem plantação ou criação de valor. Dez anos depois, Mateiros é conhecida como a capital do Jalapão, o deserto mais cenográfico do Brasil. E um polo agrícola emergente.
Graças ao ecoturismo, e a dezenas de milhares de hectares plantados de soja, milho e arroz, a renda média de seus habitantes foi de R$ 117 para R$ 1.110 por mês entre 2000 e 2010, um pulo de 1.667%, já descontada a inflação. De 5.417º cidade mais pobre, passou à 53º mais rica do Brasil. Seu PIB per capita bateu em R$ 45 mil por ano.
Transformações tão revolucionárias são raras, mas em 95% dos municípios do País houve ganhos de renda reais na década passada. E eles foram proporcionalmente maiores entre as localidades mais pobres. Como consequência, a desigualdade de renda entre os municípios brasileiros caiu 32%, ao longo dos últimos dez anos.

Em 2000, a renda média dos 1.110 municípios mais ricos era 4,7 vezes maior do que a dos 1.110 municípios mais pobres. Em 2010, segundo novos dados do Censo, essa proporção caiu para 3,2 vezes.
Em moeda atualizada, a renda média dos 20% de municípios que compõem a base da pirâmide brasileira era de R$ 155 por habitante por mês em 2000. Por causa do crescimento da economia, das transferências governamentais à população pobre e dos aumentos sucessivos do salário mínimo além da inflação essa renda média dos municípios em situação mais precária pulou para R$ 263. Foi um ganho médio de R$ 108 por habitante.
Ao mesmo tempo, a renda dos 20% de municípios que estão no topo da pirâmide nacional variou de R$ 725 para R$ 839. Foram R$ 114 a mais no bolso dos seus moradores, mas, proporcionalmente, o salto da renda dos mais pobres foi quatro vezes maior. Encurtaram, portanto, as distâncias econômicas e sociais entre o topo e a base.
Como regra geral, quanto mais pobre o município, maior foi seu ganho de renda. E não é difícil entender o porquê. A base de comparação é tão pequena que injetar R$ 100 por mês por habitante equivale a um aumento de 78% na renda média dos 550 municípios que compõem os 10% mais pobres do País.
Nos municípios do interior do Centro-Oeste, esses R$ 100 foram aportados, por exemplo, pela expansão da fronteira agrícola. Já no Norte e, principalmente, no Nordeste, foram os programas de transferência de renda como o Bolsa Família que incrementaram os ganhos da população mais pobre. Somem-se os aumentos reais do salário mínimo e seu efeito sobre aposentadorias e pensões e está explicado grande parte do aumento da renda na base da pirâmide.
Olhando-se o mapa da evolução da renda municipal entre 2000 e 2010 fica evidente onde os ganhos foram mais mais dramáticos.
As áreas vermelhas representam os municípios cuja renda diminuiu ao longo da última década, se descontarmos a inflação acumulada de 96% no período. Eles estão distribuídos por todo o mapa, mas têm menor incidência no Norte e Nordeste. Nessas duas regiões mais localidades viram sua renda per capita subir acima da média dos municípios brasileiros. São as áreas verdes do mapa.
O crescimento médio dos municípios da região Norte foi de 107% reais, contra 87% da média nacional. De 449 municípios dessa parte do País, 210 (o equivalente a 47%) cresceram acima da média dos 5.565 municípios brasileiros, e 37 tiveram redução da renda média entre 2000 e 2010. O destaque foi Mateiros (TO), dono do maior crescimento não apenas no Norte, mas em todo o Brasil.
O Nordeste foi a região cuja renda média municipal mais avançou na década: 118% acima da inflação. Nada menos do que 70% dos municípios nordestinos (1.256) cresceram acima da média nacional. Só 24 perderam renda. Proporcionalmente, o maior salto de renda se deu em Centro do Guilherme, no oeste maranhense: de R$ 152 para R$ 543, ou 562% de aumento real.
O crescimento médio dos municípios da região Sudeste foi de 58%, o mais baixo do País. De 1.666 municípios da região, apenas 391 (23%) cresceram acima da média dos municípios brasileiros. Nada menos do que 152 tiveram redução da renda média entre 2000 e 2010. Álvaro de Carvalho, em São Paulo, registrou a maior alta. Sua renda média pulou 437%, de R$ 179 para R$ 576.
O crescimento também foi proporcionalmente no interior do que nas capitais. A média de aumento real da renda dessas cidades foi bem baixa: 36% em 10 anos. Mesmo aquela onde o rendimento cresceu mais, Rio Branco (AC), teve um incremento de 62%, inferior à média nacional. O pior resultado foi o de São Paulo: apenas 4% de aumento acima da inflação.
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A pirâmide que se transforma em ponta-de-lança: o evelhecimento da população brasileira nos infográficos do IBGE.
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Quando pensa em população rural, qual imagem lhe vem à cabeça? A de alguém carpindo o chão em plagas distantes? A de um caboclo cutucando o bicho-de-pé na porta da tapera? Como diria aquele velho mote publicitário, você precisa rever os seus conceitos.
Duas das três maiores populações rurais do Brasil estão circunscritas nas áreas de São Paulo e de Brasília. Segundo o Censo 2010 do IBGE, 119 mil paulistanos e 87 mil brasilienses não são urbanos. A lista de exotismos estatísticos não fica por aí.
A campeã rural, com 125 mil pessoas, é São José do Ribamar, no Maranhão. Não é nenhuma comunidade agrícola isolada e distante. A 16 km da capital maranhense, faz parte da Grande São Luís.
Na conta da população rural das metrópoles entram desde os guaranis da aldeia Curucutu, no extremo sul de São Paulo, até mini-latifundiários da capital federal que habitam condomínios de luxo para além do Plano Piloto. Estes, se exploram a terra, não o fazem com enxada.
A diferença entre rural e urbano no Brasil tem mais a ver com regras municipais de ocupação do solo e cobrança de impostos do que com estilos de vida ligados à lavoura.
O Censo não tem critérios próprios para diferenciar uma coisa da outra. Usa o perímetro urbano, uma linha imaginária traçada por governos municipais segundo idiossincrasias locais. Pela falta de padronização, é de pouca serventia para extrair conclusões de âmbito nacional.
Na Chapada dos Parecis, em Mato Grosso, Sapezal é um dos maiores centros produtores de soja do mundo. Do alto da torre de telefonia, no centro da cidade, avista-se 360 graus de campos arados que ultrapassam o horizonte. E quase nenhuma casa fora do quadrado urbano.
Sapezal empata com a média brasileira em população rural: 16%. Dos seus 18 mil habitantes, quase a metade chegou nesta década, atraída pelo boom econômico. Os recém-chegados se instalaram na área urbana e se ocuparam no ramo de serviços. Uma minoria dirige tratores.
Capital do país dos treminhões, Ribeirão Preto foi a cidade paulista que mais atraiu migrantes nos últimos 10 anos. Sua economia depende da cana-de-açúcar, mas o município é mais urbano que São Paulo: só 0,3% da população mora na área rural, contra 1,1% dos paulistanos.
Do ponto de vista da ocupação da mão-de-obra, o agronegócio é cada vez menos rural. Mesmo quem trabalha no campo, sempre que pode, vai morar na cidade. As pessoas querem estar perto da escola, do comércio, querem se conectar à internet, falar pelo celular.
O caipira trocou o cavalo e a charrete por veículos motorizados. A maior frota per capita de motocicletas do país não está em nenhuma capital, mas em Tocantinópolis (TO), na região do Bico do Papagaio: uma para cada três habitantes.
A distância salarial do interior para as capitais ainda é grande, mas já foi maior. Em 2009, o salário médio de um empregado registrado em Ribeirão Preto era R$ 1.519, contra R$ 2.109 em São Paulo. A diferença tende a continuar caindo à medida que aparecem empregos mais qualificados no campo.
Símbolos das piores condições de trabalho, cortadores de cana estão em extinção no centro-sul do País. É mais negócio para as usinas de açúcar e álcool substituí-los por operadores de colhedeiras pilotadas por joystick em cabine com ar-condicionado.
São exemplos e não exceções no interior do Brasil. Algo que um grupo de pesquisadores da Unicamp batizou de complexo rururbano, pela inutilidade de se continuar riscando uma separação entre o perímetro urbano e o mundo rural.
Os limites se confundiram e suas economias se fundiram. Associar o rural exclusivamente ao atraso é que é atrasado. O Brasil precisa se livrar do complexo de Jeca Tatu, de ter vergonha de ser o mais eficiente produtor agrícola do mundo.
Se chegou a essa condição, não foi só pelo solo, clima e extensão. Mas pelas pessoas que desenvolveram conhecimento científico em núcleos de excelência como a Embrapa e o Centro de Tecnologia Canavieira.
É uma combinação que não existe em nenhuma outra parte do planeta, não na escala brasileira. É certo que o País não deve só plantar, criar e extrair, mas ignorar essas vantagens competitivas, não investir nelas, é tão avançado quanto carpir e cutucar o bicho-de-pé.
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Depois de cinco séculos recebendo migrantes de todas as partes do Brasil e do mundo, São Paulo tornou-se uma “exportadora” de gente no século 21. Entre moradores que chegaram e pessoas que abandonaram a cidade, a capital paulista perdeu 293 mil habitantes nesta década.
É o que os demógrafos chamam de saldo migratório negativo. São Paulo só continuou crescendo porque o saldo vegetativo foi alto: 1,770 milhão de nascimentos contra 667 mil mortos entre 2000 e 2010, segundo dados do Datasus (Ministério da Saúde).
Ou seja, enquanto 1,103 milhão de novos habitantes entravam pelas maternidades, outros 293 mil saíam pela via rodoviária (ou pelo aeroporto). No fim das contas, a cidade incorporou 810 mil novos paulistanos em 10 anos e chegou a 11,244 milhões de habitantes.
Ao contrário de décadas anteriores, há indícios de que o destino dos moradores que emigraram de São Paulo não tenha sido a periferia da região metropolitana. Isso porque vários municípios importantes do entorno paulistano também tiveram saldo migratório negativo.
Foram os casos de Osasco (-58 mil pessoas), Carapicuíba (-26 mil), Santo André (-21 mil), Diadema (-20 mil), São Bernardo do Campo (-14 mil) e Barueri (- 6 mil), entre outras. Elas têm mais moradores hoje do que tinham há dez anos, mas foi graças aos nascimentos ocorridos dentro do próprio município.
É uma nova tendência. Na segunda metade do século 20, muitas dessas cidades cresceram absorvendo moradores da cidade de São Paulo, principalmente os de baixa renda.
Ao que tudo indica, a centrifugação populacional paulistana perdeu força no século 21. Poucas cidades vizinhas à capital tiveram saldo migratório positivo. Destacam-se Cotia (+29 mil pessoas) e Santana de Parnaíba (+ 23 mil pessoas).
Ambas têm em comum uma acentuada desigualdade social: abrigam tanto condomínios destinados a moradores de alta renda quanto uma população pobre que vive fora dos muros. O perfil das duas cidades sugere que podem ter recebido paulistanos ricos.
Há muita gente que deixou os Jardins ou o Morumbi, em São Paulo, para morar em casas mais amplas e, teoricamente, mais seguras em condomínios como Alphaville (Santana de Parnaíba) e Granja Viana (Cotia). O resultado disso pode ser visto nos congestionamentos matutinos e vespertinos nas estradas que ligam a capital a essas cidades/condomínios.
O mesmo vale para cidades que não pertencem à região metropolitana de São Paulo, mas que estão próximas o suficiente para abrigar gente que trabalha na capital e viaja diariamente, como Jundiaí (saldo migratório de + 20 mil habitantes) e Valinhos (+ 17 mil).
O pesquisador Alberto Augusto Eichman Jakob lista essa “desconcentração” como uma das possíveis causas do saldo migratório negativo da cidade de São Paulo na década. Mas levanta uma hipótese complementar: migração de retorno.
Pessoas que migraram do Nordeste e/ou de Minas Gerais para São Paulo décadas atrás conseguiram fazer seu pé-de-meia trabalhando na cidade e decidiram voltar às suas regiões de origem. Isso seria potencializado pela melhoria das condições econômicas desses locais, fruto do crescimento econômico dos últimos anos.
O pesquisador do Nepo (Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp) ressalva que será necessário fazer estudos mais aprofundados para confirmar essa hipótese.
O Estado de São Paulo, no seu conjunto, continua sendo um imã populacional: atraiu 557 mil migrantes de outros Estados e países desde 2000. Elas têm perfis distintos: algumas são movidas pelo agronegócio, outras pela indústria e ao menos uma pelo turismo.
Os polos paulistas que mais atraíram migrantes na década foram Ribeirão Preto (saldo migratório positivo de 59 mil habitantes), Sorocaba (+ 47 mil), Praia Grande (+ 45 mil), Indaiatuba (+ 38 mil) e Campinas (+ 32 mil).
Colaborou Alexandre Gonçalves.
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Os números definitivos do Censo 2010 começam a ser divulgados hoje pelo IBGE. Levará meses para que todos os dados sejam processados e tornados públicos. Riqueza e diversidade de informações como as que vêm por aí, para todos os municípios, só de dez em dez anos.
Por enquanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística deve divulgar os dados de população total dos 5.565 municípios brasileiros, a divisão por sexo dos moradores e a localização de sua residência, se rural ou urbana.
Parece pouco, mas já basta para escanear o Brasil literalmente de A a Z, de Abadia de Goiás à catarinense Zortéa. Do maior município, São Paulo e seus 10,7 milhões de habitantes, ao menor deles, Borá e seus 805 moradores.
As novas informações devem corrigir eventuais erros detectados nas tabelas publicadas em 4 de novembro no Diário Oficial da União. Algumas merecem investigação de outros órgãos públicos, como a Justiça Eleitoral.
Há casos mais do que curiosos. Em Dom Pedro de Alcântara (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, há 31% mais eleitores do que moradores: 3.335 a 2.538. A diferença é recorde nacional, em termos proporcionais.
Confrontando-se os dados do TSE com os do IBGE, percebe-se que esse fenômeno se repete em outros 115 municípios brasileiros. Eles têm “excedentes” de eleitores que variam de 1.410, como em Severiano Melo (no oeste potiguar), a apenas dois (em Professor Jamil, no sul de Goiás).
A gaúcha Dom Pedro e a catarinense Ermo se destacam por outra proeza: houve mais gente comparecendo para votar no primeiro turno das eleições deste ano do que os recenseadores do IBGE encontraram morando nas duas cidades.
Não se deve tirar conclusões precipitadas. Ambos os municípios perderam população na última década. Pode ser que esses cívicos dom-pedro-alcantarenses e ermenses tenham se mudado para outra cidade mas não transferiram seus títulos de eleitor. Surpreendente é terem voltado para votar.
Tão ou mais importante do que comparar os resultados do Censo a outras bases de dados municipais, é extrair senso das informações.
O Estado começou ontem a transformar números em histórias, numa série de reportagens de Lourival Sant’Anna. Ele narra os casos de municípios muito distintos e distantes, mas que sintetizam os vetores do crescimento do Brasil neste século.
Rio das Ostras (RJ) foi o que mais ganhou população, proporcionalmente, entre 2000 e 2010 -e sem artifícios demográficos. Isto é: exclui-se da conta o drama da paulista Balbinos, que viu sua população triplicar de uma hora para outra após a instalação de um presídio.
O balneário fluminense é a Xangrilá de milhares de funcionários e prestadores de serviço da Petrobras que se mudaram para a região de Macaé por causa da indústria do petróleo. Só para Rio das Ostras foram 65 mil novos moradores em dez anos.
A exploração mineral é uma das locomotivas das migrações internas. Por emprego em um canteiro da Vale ou por um barranco de garimpo, dezenas de milhares de pessoas desembarcaram nas paraenses São Félix do Xingu, Canaã dos Carajás, Parauapebas e Tailândia na última década.
Outro vetor capaz de transformar uma pacata cidadezinha em uma cidade média em menos de dez anos é o agronegócio. Motor demográfico do Centro-Oeste, alavancou municípios como Rio Verde, Rondonópolis e Sorriso.
Foi a soja que colocou Sapezal no mapa de Mato Grosso. Um pequeno pedaço da fazenda dos Maggi (família do ex-governador Blairo) virou uma cidade que cresce 8,28% ao ano. Quem pode reclamar da transformação do cerrado em plantação são os índios Parecis, que dão nome à chapada onde fica o município.
A outra ponta dessa corrente migratória está no oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, e no centro ocidental paranaense. É de lá que ainda partem muitos dos novos moradores do Centro-Oeste. São regiões que estão perdendo gente há décadas, mas não são as únicas.
Nada menos do que 30% das cidades brasileiras têm menos moradores hoje do que tinham em 2000. Algumas cederam população para a criação de novos municípios, mas a maioria das 1.648 que decresceram viu seus habitantes partirem em busca de novas plagas.
Mas isso é assunto para outra coluna.
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