José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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O WikiLeaks divulgou uma série de documentos que dão pistas de como atua o lobby da indústria petrolifera na regulamentação do pré-sal no Brasil. As mensagens publicadas compreendem 16 despachos enviados pelo Consulado dos EUA no Rio de Janeiro para o Departamento de Estado entre 28 de janeiro de 2008 e 11 de dezembro de 2009.

Nem todos os documentos vazados tratam da questão do petróleo. Há “cabos” sobre segurança no Rio, tráfico de drogas, noticiário de imprensa, entre outros assuntos. A maioria tem baixo grau de confidencialidade. Apenas cinco são carimbados de “confidenciais”. Nenhum é “secreto”.

O maior interesse nos documentos é saber o que chama a atenção da diplomacia norte-americana no Rio, entender quem é quem no jogo entre política e negócios, saber quais os interesses das petrolíferas estrangeiras na regulamentação da exploração do pré-sal, e como atuam para atingir seus objetivos.

Boa parte do conteúdo trata de reuniões entre diplomatas dos EUA e executivos das empresas de petróleo, encontros com várias pessoas, nada secretos. A jornalista Natalia Viana escreveu um post no seu blog sobre o conteúdo.

A seguir, a lista dos despachos, em ordem cronológica, e com a classificação de segurança de cada um. Os textos estão em inglês:

08RIODEJANEIRO19 (apenas para uso oficial)

08RIODEJANEIRO91 (apenas para uso oficial)

08RIODEJANEIRO165 (apenas para uso oficial)

09RIODEJANEIRO14 (sem restrição)

09RIODEJANEIRO288 (confidencial)

09RIODEJANEIRO369 (confidencial)

05RIODEJANEIRO1238 (sem restrição)

05RIODEJANEIRO1242 (apenas para uso oficial)

08RIODEJANEIRO171 (sem restrição)

09RIODEJANEIRO285 (sem restrição)

09RIODEJANEIRO311 (sem restrição)

09RIODEJANEIRO329 (confidencial)

09RIODEJANEIRO353 (apenas para uso oficial)

09RIODEJANEIRO357 (confidencial)

09RIODEJANEIRO365 (confidencial)

09RIODEJANEIRO440 (apenas para uso oficial)

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O repórter Daniel Bramatti, do Estado de S.Paulo, publicou uma reportagem muito interessante nesta segunda-feira sobre como a eleição de Tiririca vai render R$ 2,7 milhões por ano ao seu partido, o PR. A grana é mais de cinco vezes o que a legenda investiu, oficialmente, na campanha do palhaço. É que o rateio do Fundo Partidário é proporcional à votação de cada agremiação.

Isso mostra como a candidatura de Tiririca não tem nada de circense. É um projeto político, engendrado pelos dirigentes do PR para reforçar a votação do partido, eleger mais deputados federais de sua coligação (mais três, no caso) e rechear os cofres da agremiação. Um artifício perfeito, executado às custas do eleitor supostamente “desiludido” com a política.

Mas um fenômeno paralelo merece registro. Até as 19h30 do dia em que foi publicada, a reportagem de Bramatti havia sido reproduzida com o mesmo lide (abertura) em diferentes sites da internet 827 vezes. Ao menos esses foram os indexados pelo Google nesse período. Em parte, isso se deve à distribuição do texto pela Agência Estado.

Como se vê no gráfico acima, apenas metade das reproduções literais se preocuparam em dar algum tipo de crédito ao autor e/ou ao veículo que publicou a reportagem originalmente e detém seus direitos autorais. Entram nessa conta os 32% que deram o crédito à agência (em suas várias denominações), os 16% que mencionaram o jornal ou seu site, e os 2% que citaram apenas o repórter.

Em 417 das 827 reproduções do texto, a fonte da informação simplesmente desapareceu. E em apenas 5% dos casos o nome de Bramatti foi mencionado.

Não se trata aqui de direitos autorais (ou a falta deles) e remuneração do trabalho/serviço. Mas de como esse pequeno caso ilustra o poder da internet de transformar o autor em um ser anônimo e o crédito em uma exceção, e não a regra.

Não por acaso, uma das frases mais comuns quando alguém relata uma notícia é “li/vi na internet que…” Como se o meio fosse a fonte, e a produção noticiosa fosse um fenômeno espontâneo e sem custos.

Isso tem inúmeras implicações sobre credibilidade da informação, viabilidade econômica do jornalismo e outros temas mais profundos do que esta nota pretende abordar. Aqui fica registrada apenas a estupefação com a rapidez da reprodução, na maior parte das vezes truncada, da informação -como ilustra o gráfico abaixo.

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