R$ 1 bi “sob o colchão” dos candidatos parece ficção contábil - José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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20.julho.2012 07:00:41

R$ 1 bi “sob o colchão” dos candidatos parece ficção contábil

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO e AMANDA ROSSI

Os candidatos às eleições 2012 dizem ser proprietários de um cofre do Tio Patinhas. No total, as declarações de bens registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somam mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, fora de banco ou de qualquer fundo de investimento, dentre os R$ 62 bilhões totais declarados. Em notas de R$ 10, o valor seria suficiente para preencher mais de 30 containers e pesaria cem toneladas.

R$ 1 bilhão em casa

Em notas de R$ 100, o valor ocupa duas pilhas e meia com 1,1 m de altura por 2,8m x 1,3m.

É quase três vezes mais do que os candidatos declararam ter em caderneta de poupança: R$ 362 milhões. O valor também é superior a outros tipos de investimento, como renda fixa (R$ 473 milhões) e ações (R$ 392 milhões).

Mas este valor pode ser fictício. Segundo contadores, é uma prática usual (e incorreta) deixar um “caixa” de dinheiro vivo na declaração do Imposto de Renda quando os gastos declarados são menores que as receitas, mesmo que o valor não exista de verdade. Ao longo do tempo, o dinheiro acumulado na declaração poderia ser usado para justificar investimentos para a Receita Federal, o que seria ilegal.

“Este valor não é sobra de dinheiro, porque ninguém mais deixa dinheiro em espécie guardado debaixo de colchão (…) Fisicamente esse dinheiro não existe, senão estaria aplicado em algum lugar”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP), José Maria Alcazar.

“A pessoa pode ter omitido despesas, como viagens e gastos que não precisam constar na declaração (…) e acha que com esse dinheiro vai poder justificar a compra de um imóvel, barco, mansão”, diz Alcazar.

128 milhões. No total, 28 mil candidatos declararam ter dinheiro em casa. Mas somente 10% deles são responsáveis por 60% do montante total, de R$ 1,027 bilhão. São 2006 mil pessoas que disseram ter mais de R$ 100 mil em dinheiro vivo. Acima de R$ 1 milhão em espécie, são 33 candidatos.

No topo da lista do TSE está Juarez Gontijo, o Juarez da Papelaria Comercial, candidato a vereador no município de Inhumas (GO) pelo PT do B. Segundo os registros, ele teria “debaixo do colchão” R$ 128 milhões. Mas, de acordo com o candidato, novato nas eleições, o valor informado está errado. O correto seria R$ 128 mil. “É zero demais da conta”.

Devido ao engano, o comerciante já foi até ameaçado de sequestro e roubo por telefone. “Eu passei muita dificuldade com isso, muito medo. Mas não tem lógica um candidato a vereador em uma cidade pequena (ter este valor em espécie). Mas o Brasil é cheio de coisa estranha, dá para entender (que as pessoas acreditem que o valor é de R$ 128 milhões)”, diz Gontijo.

Segundo ele, os R$ 128 mil também não existem em espécie. “Dinheiro guardado não tem. Quando a gente faz declaração de imposto de renda, vai acumulando ‘dobrinha’ que tem direito a não pagar imposto. Aí, tem esse dinheiro, coisa de papel, que vai guardando”, explica o candidato.

Atrás do dono da Papelaria Comercial, aparece Jair Correa, o Nozinho Correa, candidato a prefeito de Linhares (ES) pelo PDT. Pecuarista, ele declarou ter R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. Em entrevista para o site da revista Carta Capital, Correa afirmou nunca ter visto o valor. Depois, retificou o que disse. Segundo ele, o negócio de gado movimenta valores altos e é possível que o montante tenha ficado disponível em dinheiro vivo.

Ilegal. O presidente do Sindicado dos Contabilistas de São Paulo (Sindcont-SP), Victor Galloro, explica que ter tanto dinheiro em casa “não é comum, mas pode acontecer”.

“Depende da circunstância, do ramo. Se o sujeito vendeu a casa em 31 de dezembro e recebeu em dinheiro, por exemplo, pode declarar para a Receita que o valor ficou em caixa”, exemplifica Galloro.

Mas, se o dinheiro não existir e for usado para justificar algum investimento, a declaração é ilegal. “Perante a Receita, isso chama-se simulação. É ilegal. É um dinheiro que não tem sustentação para nenhum uso futuro em qualquer investimento. É uma estratégia ultrapassada e uma orientação de risco para o contribuinte”, diz Alcazar, do Sescon-SP.

O contador explica que o fisco tem autuado contribuintes que usam dinheiro vivo “fictício” para justificar investimentos. A Receita Federal foi procurada pelo Estado mas não se manifestou até a noite de quinta-feira (19).

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Comentários (12) | comente

12 Comentários Comente também
  • 20/07/2012 - 08:19
    Enviado por: Paulo Cavalcante

    Esse tipo de simulação e’ mais velho do que a serra da Merouca. Todo tipo de político malandro informa na sua declaração que tem dinheiro vivo. Quando recebe alguma proprina, pode gastar a vontade, porque o dinheiro fictício e’ substituído pelo dinheiro sujo.

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  • 20/07/2012 - 09:20
    Enviado por: joao flavio

    Vejam só como funciona a bagunça do sistema .
    O sujeito esta apenas se candidatando , ainda vai disputar a eleição .
    Ele ainda não tem certeza se vai ser eleito .
    Mas já esta preparando um “amortecedor” que justifique junto aos orgãos de controle , o aparecimento de uma quantidade extra de numerario ou um aumento injustificavel de patrimonio .

    Ou seja , ele não tem certeza de que vai ser eleito .

    Mas tem certeza de que , se for eleito , vai roubar até sangrarem os dedos !!!

    Sabe o que o TRE devia fazer ?

    Exigir , primeiro a justificativa .
    Depois , se justificado , o imediato ( 24 horas ) deposito em conta bancaria regular da quantia declarada como “dinheiro debaixo do colchão”.
    Em caso de não cumprimento , cancelamento da candidatura

    Acabava , com pelo menos , uma parte consideravel da bagunça

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  • 20/07/2012 - 09:50
    Enviado por: julimar elias de meneses

    E a grande parte desta bufunfa e do PSDB,PMDB PP PPS DEM., como mostrou este coluna anterior- mente, isso tem que ser investigados.

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  • 20/07/2012 - 10:14
    Enviado por: Piada

    Parece piada, em um país estabilizado cono no Brasil alguém alegar a necessidade de ter tanto dinheiro vivo em casa…

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  • 20/07/2012 - 10:59
    Enviado por: MARCELO CARVALHO

    Muito estranho mesmo. O risco de assaltos e furtos aumentam consideravelmente. Conhecimento do público olhem a coisa aí? Seria dinheiro para negócios para fugir da fiscalização? Tantas perguntas poderiam ser feitas.

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  • 20/07/2012 - 11:56
    Enviado por: victor garcia

    até hoje não entendo como a Receita Federal não move um combate efetivo contra e corrupção de políticos e funcionários públicos neste pais.Ela tem a disposição ferramentas eficientes para apurar quaisquer irregularidades ou desvios do que é declarado.Falta vontade de investigar?Orientações superiores para não apurar pessoas influentes,principalmente políticos? Ou o que que acontece?
    A Receita, agindo junto com o Ministério Público e outros orgãos capacitados tem total condições de apurar tudo.Até Al Capone, a mais de 50 anos atrás, foi pego pelo I.Renda!!!
    Vamos agir e combater esse câncer que é a impunidade gente!!!!!!

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  • 20/07/2012 - 13:36
    Enviado por: Ednei Lemos

    Processo 2010-0187908-9 parado a 4 (quatro) anos em CPO São Mateus, talvez as emendas para a conclusão da Rua Fernando Bicudo – CEP 08390-370 – Jardim São Francisco – SP devem estar com esses nossos representantes. O Engenheiro Carlos CPo alega falta de recurso. Cadê as verbas das emendas ?

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  • 20/07/2012 - 14:16
    Enviado por: Philomeno M. Lorys

    Não há melhor negócio do que “política”. Sujo, claro.

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  • 20/07/2012 - 14:44
    Enviado por: Rodrigo Bispo

    Estratégia para justificar propina e desvio de verba publica! Isso no mundo real se chama lavagem de dinheiro, mas na politica é normal. Declaro o que não tenho, para poder justificar o que vou roubar! E ainda tem gente que acredita em eleições limpas e democráticas no Brasil! ACORDA BRASIL!

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  • 23/07/2012 - 12:14
    Enviado por: Laura Elisa Chiaretti da Silva Sibila

    Gente! como pode????Vamos emprestar para o Obama até isso???

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  • 25/07/2012 - 11:57
    Enviado por: AbLand

    Nenhuma ilegalidade, desde que fundamentada ou sustentada em origens declaradas.
    Afinal, não existe qquer dispositivo de ordem legal obrigando a que o contribuinte aplique sues rendimentos ganhos e não consumidos, seja em gastos e despesas ou investimentos, em qualquer instituição bancária ou qualquer espécie de ativo. Quem garantiria ao titular desses rendimentos sua liquidez caso o detentor os aplicasse em qquer instituição que viesse a quebrar ou papel que viesse a desvalorizar, etc…etc…
    Sem demérito nenhum: O que fazem as pessoas de bom senso, notadamente as conservadoras, com seus recursos líquidos em situações de crises econômicas, financeiras ou, especialmente políticas seja de ordem regional, nacional ou internacional!

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