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terça-feira 29/05/12

A matemática Demosteneana

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) apresentou uma defesa aritmética à Comissão de Ética que julgará a sua suposta falta de decoro. Para convencer os colegas de sua relação com o preso Carlinhos Cachoeira não era especial, Demóstenes disse que seu gabinete originou 26 mil chamadas telefônicas e ele teria recebido 100, 200, 500 mil ligações. Logo, as centenas de conversas entre o doutor e o professor -como se tratavam- eram proporcionalmente poucas. Para completar, o senador disse que ...

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segunda-feira 28/05/12

Uma árvore, um voto

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Faltam 15 milhões de árvores nas cidades brasileiras. O número é estimado a partir da pesquisa de indicadores urbanos divulgada na sexta-feira pelo IBGE. Parece uma floresta, mas é um capão se comparado ao que as motosserras cortam por ano. Desde 2002 foram derrubadas mais de 2,6 bilhões de árvores na Amazônia brasileira. Os 15 milhões que faltam nas cidades é 0,6% dessa devastação, as árvores cortadas a cada 19 dias. É pouco em proporções amazônicas, mas plantá-las transformaria radicalmente ...

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segunda-feira 21/05/12

O poder do ódio – O futebol se alimenta de paixões devotas e ódios consagrados. Com a política é igual.

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Boa dose das decisões políticas é gestada no fígado. Para muitos eleitores, mais grave do que não eleger seu candidato preferido é ver um político que odeia ganhar a eleição. Votam em adversário “menos pior” para evitar mal maior. A decisão sugere pragmatismo, mas é difícil precisar onde termina o raciocínio e começa a racionalização -a justificativa lógica construída após o ato feito. O voto útil nasce pingando bile.

É mais comum do que gostamos de admitir. Basta lembrar das tardes de domingo. Quantas vezes cada um de nós ouviu um grito de prazer escapar da janela do vizinho -quiçá da nossa- quando o time rival toma um gol? Imperativos fazem coro com expletivos e saturam o ar de animosidade. O futebol se alimenta de paixões devotas e ódios consagrados. Com a política é igual. Saem as janelas e estádios, entram as redes sociais e blogs.

Por isso não convém menosprezar o poder do ódio nas eleições. De tão decisivo, tornou-se presença obrigatória nas pesquisas de intenção de voto. Foi revestido de circunstância para soar menos cru. A pergunta clássica nos questionários é: “Em quais destes candidatos você não votaria de jeito nenhum?”. A causa subjacente às respostas é ojeriza, repulsa, antipatia, mas pode chamar de rejeição.

É muito difícil um candidato ganhar as graças do eleitorado. Mais difícil do que isso, só livrar-se da bile eleitoral. Uma vez impregnada, não sai nem lavando. A rejeição é persistente como um pernilongo. Podemos não lembrar por que sufragamos este, mas não esquecemos a razão pela qual não votamos naquele. O eleitor amadurece e envelhece abraçado ao seu rancor (apud João Antônio).

A rejeição pode inviabilizar políticos famosos e populares. Em São Paulo há casos notórios. O mais recente é de Marta Suplicy.

A petista começa quase toda eleição que disputa como favorita. Foi assim nas brigas pela prefeitura em 2000 e 2008, e na corrida por uma das duas vagas no Senado em 2010. Marta sai na frente, mas raramente termina em primeiro lugar. Elegeu-se senadora atrás de Aloysio Nunes (PSDB), e perdeu no segudo turno para José Serra (PSDB) em 2004 e para Gilberto Kassab (então no DEM) em 2008. Culpa da rejeição.

Antes dela, houve Paulo Maluf (PP). Até desencantar nos pleitos majoritários, Maluf tentou ser prefeito, presidente, governador. Por mais eleitores que tivesse, sempre era barrado pela rejeição dos demais. Em 1992, quando conseguiu vencer um segundo turno, pareceu ter iniciado um novo ciclo. Mas a maré não durou e o ex-prefeito nunca mais ganhou um mata-mata. A rejeição voltou dobrada.

Como a bile eleitoral vai influir na disputa para prefeito de São Paulo? A pesquisa Ibope mostra que, por ora, Serra é o mais rejeitado pelos eleitores de 7 dos outros 9 pré-candidatos. Ao menos metade dos eleitores de Celso Russomanno (PRB), Paulinho da Força (PDT), Netinho (PC do B), Gabriel Chalita (PMDB) e até de Soninha (PPS) dizem que não votaria em Serra. Quando elegeu-se prefeito de São Paulo, em 2004, Serra tinha apenas 15% de rejeição (Datafolha). Hoje, segundo o Ibope, 35% dos paulistanos dizem que não votariam no tucano de jeito nenhum.

Por causa da rejeição, Serra está mais perto de seu teto de votos do que seus adversários diretos. Teria menos chance que os demais de ganhar novos eleitores caso um dos seus adversários desistisse. Esse é o risco de largar muito na frente quando se é tão conhecido quanto ele e a rejeição é alta: há mais espaço para cair do que para subir.

As próximas pesquisas mostrarão se a trajetória do tucano será igual à de 2004, quando largou no patamar em que está hoje, subiu e terminou o primeiro turno com 10 pontos a mais do que quando começou a campanha, ou se repetirá Geraldo Alckmin (PSDB) em 2008, que também começou com cerca de 30% de intenção de voto, foi caindo, caindo e terminou quase com metade do cacife inicial. Tudo vai depender dos adversários com menos rejeição, se eles conseguirão sair do anonimato.

Para Fernando Haddad (PT), a única vantagem de ser tão desconhecido é que a maioria dos eleitores de outros candidatos não sabe quem ele é e, por isso, não pode rejeitá-lo. Mas essa taxa vai crescer à medida que mais gente descobrir que Haddad é o candidato do PT. Ele terá mais facilidade de assimilar a rejeição do partido do que ganhar a confiança de seus eleitores. Conquistar o voto depende de competência, o ódio vem por inércia.

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quarta-feira 16/05/12

Da Leinfo ao Basômetro

Muito antes que alguém formulasse o chavão -informação é poder-, o poder já controlava a informação. Desde sempre e o quanto fosse possível. Para perpetuar-se, esse controle foi se adequando às mudanças sociais e às novas tecnologias. Enquanto ninguém sabia ler e não havia meios de comunicação de massa, perdurou o monopólio da informação, por milênios. Após Gutemberg, o poder institucionalizou a censura. E quando a censura se incompatibilizou com a democracia, o poder carimbou o que interessava esconder como ...

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domingo 13/05/12

“Caudismo”

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A maioria dos partidos brasileiros sofre de "caudismo" crônico. A divergência entre seus deputados é tão grande que a cauda formada pelos dissonantes é mais pesada do que o corpo partidário. Se fossem répteis, essas siglas seriam serpentes. A dispersão dos votos dos deputados de um mesmo partido começa no mais desapegado governismo e termina em destemida oposição. Pode significar tudo, menos coesão ideológica. O caso mais extremo de "caudismo" é o do PSD, que foi pensado para ser assim. Seu ...

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quinta-feira 10/05/12

Eleição paulistana: 10 candidatos e só 2,5 candidaturas

A eleição paulistana tem dez candidatos, mas só duas candidaturas e meia. Com 31% no Ibope, José Serra (PSDB) catalisa, por ora, o eleitorado anti-petista. A outra candidatura é a do PT, mesmo que só 3% do eleitorado declare voto em Fernando Haddad por enquanto. O PT tem a simpatia de 31% do eleitorado paulistano e nunca ficou fora de um segundo turno na cidade. A terceira candidatura está em fase de projeto: há espaço, mas falta um nome. Oito ...

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domingo 06/05/12

Adolescência interminável

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O mundo nunca foi tão adolescente. A cada quatro terráqueos, um tem entre 10 e 24 anos. São 1,8 bilhão de pessoas nessa idade especial. Mas desde quando um marmanjo de 24 anos é adolescente? Num passado recente não era, mas passou a ser -ou melhor, não deixou de ser. E isso pode virar um problema. Segundo a revista científica “The Lancet”, a adolescência vem espichando a cada geração, nas duas pontas: a puberdade chega mais cedo, e a maturação ...

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sábado 05/05/12

Ibope faz primeira pesquisa de 2012 em São Paulo

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O Ibope está fazendo uma pesquisa sobre a eleição paulistana neste fim-de-semana. Ela foi registrada na sexta-feira e, pelos prazos da legislação eleitoral, poderá ser divulgada a partir de quarta-feira. A pesquisa está sendo custeada pelo próprio Ibope: R$ 45,6 mil. Serão 805 entrevistas, o que corresponde a uma margem de erro máxima de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Seu número de protocolo é SP-00027/2012. A pesquisa estimua apenas um cenário, com 10 candidatos, distribuídos em uma cartela ...

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sexta-feira 04/05/12

A novidade de Dilma

Ao mudar as regras da caderneta de poupança, a presidente Dilma Rousseff começou a gastar o que poupou em popularidade. A medida foi precedida por uma redução agressiva dos juros, o que melhorou ainda mais sua imagem junto à opinião pública. Mas como os que a antecederam descobriram, mexer na poupança é mexer em vespeiro. Além de ser uma piada pronta. Méritos econômicos e trocadilhos à parte, a mudança evoca o trauma do confisco collorido. Tem acesso direto a uma parte ...

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