Dilma Teflon – nada gruda na popularidade presidencial - José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

05.abril.2012 10:19:17

Dilma Teflon – nada gruda na popularidade presidencial

A popularidade de Dilma Rousseff está no mesmo nível a que chegou a de Luiz Inacio Lula da Silva aos 15 meses do seu segundo mandato. Foi nesse estágio, em março de 2008, que a aprovação do ex-presidente começou a decolar e a se descolar dos patamares históricos das avaliações presidenciais, elevando-o ao status de mito -merecido ou não.

Não há como afirmar -nem negar- que a história vá se repetir. A aprovação de Lula estava acelerando mais rapidamente em 2008, por exemplo, mas há indícios de que Dilma esteja desenvolvendo poderes “Teflon”, como seu antecessor. Na pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira, fica claro que a percepção sobre o noticiário é cada vez mais positiva para a presidente. Não que haja menos notícias de “malfeitos” envolvendo o governo, apenas elas não estão colando na imagem presidencial.

O dobro de brasileiros vê um noticiário mais favorável (28%) do que desfavorável ao governo (14%). A taxa de percepção de notícias negativas já foi de 25% em julho do ano passado, quando começou a crise ministerial. Mas a troca de ministros virou “faxina” e, hoje, a agenda de Dilma, aos olhos da população, tem mais boas notícias do que problemas: “programas sociais para as mulheres”, “viagens da presidente”, “Dilma recebe prêmio”. Mesmo as notícias potencialmente negativas, como prisões e demissões, são lidas como sinais de limpeza e não de sujeira.

Isso ajuda a explicar por que Dilma chegou a este patamar com “um mandato” de antecedência em comparação a Lula, mas não explica as razões desse “efeito Teflon”. As causas fundamentais estão ligadas à situação econômica do país e, mais especificamente, à capacidade de consumo do eleitor.

A taxa líquida de popularidade da presidente (“ótimo”+”bom” subtraído o porcentual de “ruim”+”péssimo”) medida pela pesquisa CNI/Ibope está colada à situação financeira do brasileiro, aferida pela mesma sondagem. A superporsição das duas curvas ocorre praticamente desde o começo do governo Dilma. Para onde uma vai, a outra vai atrás. Estatisticamente, seu coeficiente de correlação é muito alto: 0,88 num máximo de 1,00.

Basicamente, quando cresce o número de brasileiros que avaliam que seu bolso está mais cheio agora do que estava três meses antes e, ao mesmo tempo, preveem que ele vai continuar estufando nos próximos meses, cresce também a quantidade de brasileiros que dizem que o governo Dilma é “bom” ou “ótimo”. Por essa correlação, a popularidade presidencial é uma função direta do poder de compra e da capacidade de consumo do eleitor.

Essa percepção não depende apenas da renda, mas de outros fatores indiretos, como facilidade de o brasileiro obter crédito, de sua estabilidade no emprego ou facilidade de conseguir uma ocupação remunerada e, em menor grau, do medo de descontrole inflacionário.

Em outras palavras, enquanto a economia continuar se expandindo, o emprego seguir em alta e os consumidores continuarem comprando e se endividando, Dilma deverá permanecer com uma avaliação positiva de seu governo. E se essas tendências se intensificarem, a boa vontade da população com sua gestão pode crescer ainda mais.

Essa correlação entre consumo e popularidade não é um fenômeno jabuticaba, que ocorre apenas no Brasil. Ela acontece nos EUA também. Barack Obama tem se beneficiado dela. O presidente norte-americano só voltou a melhorar sua posição nas pesquisas de intenção de voto depois que o índice de confiança do consumidor cresceu, refletindo a aquecimento do mercado de trabalho e a retomada do consumo.

Não é por acaso que, tanto nos EUA quanto no Brasil, os presidentes dedicam muito mais atenção à economia do que às rusgas com o Congresso. Quanto melhor o emprego e o consumo, mais popular eles ficam e mais poder eles têm para negociar o que lhes convém, tanto com sua base de apoio quanto com a oposição. Lá como cá, a avaliação do trabalho dos parlamentares é muito pior do que a do Executivo federal. E quando o presidente se populariza, a balança de força entre os Poderes se desequilibra, sempre em detrimento do Legislativo.

Se aparece um escândalo envolvendo um dos principais porta-vozes da oposição, menor ainda o poder de barganha dos parlamentares. Aos olhos da população, quando um crítico do governo é pego praticando o que condenava, reforça-se a ideia de que “político é tudo igual”. E se a percepção de que a conduta ética é a mesma para todos, melhor salvar pelo menos o bolso.

Presidentes que perderam sua base de apoio e a chamada “governabilidade” perderam antes o controle da economia. Foram os casos de José Sarney e Fernando Collor. O primeiro acabou tutelado pelo PMDB de Ulysses Guimarães, e o segundo foi forçado para fora do governo. Desde Fernando Henrique Cardoso, o bom desempenho econômico tem precedido a estabilidade política. Foi assim com Lula, é assim com Dilma.

Tags: , , , , , , , , , , ,

Comentários (6) | comente

6 Comentários Comente também
  • 06/04/2012 - 11:23
    Enviado por: Wanderley

    Explica-se: o PT durante os últimos 9 anos vem convencendo o povo a ter tolerância para com os “malfeitos” reiterados, em nome de um paraiso socialista futuro. Compra-se tudo, inclusive a aceitação do povo, graças à falsas benesses trombeteadas nos órgãos de comunicação. Mérito, nisso??
    Esses 77 % revelam o despreparo da grande maioria para os assuntos da política. Não quer saber do enredo da escola de samba, mas apenas e tão somente das fantasias. Triste país, este nosso.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 06/04/2012 - 17:51
    Enviado por: Roberto Cavalcanti

    “Desde Fernando Henrique Cardoso, o bom desempenho econômico tem precedido a estabilidade política. Foi assim com Lula, é assim com Dilma”.Sr. José Roberto de Toledo, de todo o conteúdo de sua análise, me curvo para a realidade contida nesta sua frase acima, a qual fiz questão de repetí-la. Realmente, Itamar e Fernando Henrique plantaram e os outros dois estão a ter orgasmos com às colheitas dos frutos de quem lhes antecederam.O que Lula e Dilma fizeram? continuaram com a política de Fernando Henrique. O que mais? planejaram um dos artifícios mais bem bolados para se manterem no poder. Pegaram os penduricalhos de compra de consciencias dos despolitizados e jogaram tudo em um saco e apelidaram de “bolsa esmola!. Pronto! estava conquistado a popularidade e a eternização no poder, isto é, enquanto os rudes cidadãos continuarem despolitizados. Pois, segundo um grande estadista, “…não se engana o povo por todo o tempo”Roberto Cavalcanti – 06.04.2012 – Brasília – DF

    responder este comentário denunciar abuso

  • 06/04/2012 - 17:59
    Enviado por: MARCO

    quanta dor, quanta amargura, quanta tristeza, ter que divulgar aos quatro ventos, este tão maravilhoso índice de popularidade…agora esperem mais um pouco e vcs verão os quase 99% de popularidade e somente a elite tosca de SP estes 1% que fazem biquinho por ter que enfrentar as enormes filas que os aeroportos estão formando com a chegada da classe C e D…
    vamo lá Dilma…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 07/04/2012 - 16:36
    Enviado por: MATEUS VAZ DE SA

    Fica assim provado que a concentração exarcebada de renda, defendida pelos opositores de direita, ainda que de forma disfarçada, já não cola mais. A popularidade da presidenta está vinculada mais à distribuição da riqueza do que propriamente à acelaração do crescimento, pois este último quando anteriormente ocorreu, foi canalizado para engordar as grandes fortunas, como nos governos FHC e no período da ditadura.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 08/04/2012 - 08:56
    Enviado por: claudio

    Eu apenas gostaria de saber do colunista, qual foi a corrupção praticada pela Presidente? A imprensa enxerga de maneira contraria a realidade. A midia gostaria imenso de ver Dilma despencar e fica forjando malfeitos em seu governo na esperança que o povo aceite como verdade. Substituir ministros que ela não engulia é por que ela foi corrupta ao te-los chamados? Quantas vezes uma empresa contrata empregados para dispensa-los tempos depois pois seu curriculos não se coadunavam com o seu trabalho? Portanto, vamos parar com essa cantilena de corrupção no governo. Governo sério é Dilma. O resto é imprensa.com seus interesses politicos.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Blogs do Estadão
Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.