As notícias divulgadas até agora sobre a pesquisa Datafolha dão conta de que 41% “conhecem” Fernando Haddad (PT), pois foi como o instituto qualificou essa taxa. Não é bem assim. Nesses 41% foi computada uma metade que apenas “ouviu falar” do pré-candidato petista a prefeito de São Paulo. Ou melhor, diz que ouviu.
Sabe-se que às vezes o pesquisado se sente intimidado pelo pesquisador, especialmente quando a pergunta é se ele sabe alguma coisa ou conhece alguém. Não saber é admitir ignorância, algo não muito lisonjeiro se o entrevistado partir do pressuposto que deveria saber o que lhe é perguntado.
A opção “só de ouvir falar o nome” é a escapatória para o eleitor intimidado não admitir ignorância, mas também não mentir e dizer que conhece (as opções anteriores são “conhece muito bem” e “conhece um pouco”) o candidato que, na verdade, ele desconhece. É ficar em cima do muro. Não vale como conhecimento, assim como “regular” não conta como avaliação positiva nem negativa de um governo.
O leitor pode ou não concordar com a argumentação apresentada até agora, mas será mais difícil resistir aos números da própria pesquisa Datafolha. Apenas 6% dizem conhecer Haddad “muito bem”. Por comparação, o dobro de paulistanos conhece Levy Fidelix (PRTB) “muito bem” -é o do “aerotrem”.
Entre o terço do eleitorado paulistano que se diz simpatizante do PT, apenas 5% afirma conhecer “muito bem” o candidato do partido. Entre os simpatizantes do PSDB, o grau de alto conhecimento de Haddad é o dobro: 11%. Ou seja, Lula escolheu um candidato que tem duas vezes mais penetração entre os rivais do que entre os petistas. E não foi por acaso.
A estratégia paulistana traçada pelo ex-presidente dá de barato que Marta Suplicy não se reelegeu prefeita em 2004 porque à alta rejeição ao PT somou-se a rejeição pessoal da agora senadora. Para 2012, Lula escolheu, propositalmente, um desconhecido -e, portanto, não rejeitado- com potencial de agradar à classe média que não vota no PT desde 2000: “novo”, bem apessoado e especialista em educação.
O plano foi concebido para vencer o segundo turno. Mas, antes, é preciso chegar lá. E o peso de carregar um ilustre desconhecido até 3 de outubro ficou inteiramente sobre o ex-presidente. Haddad sofre de “lulodependência” aguda. O PT, à margem, assiste o rival PSDB cooptar aliados e somar tempo de TV. Enquanto isso, a grande maioria do eleitorado nem se deu conta da novela.
O Datafolha perguntou aos paulistanos quem Lula está apoiando em São Paulo. Mesmo com o entrevistador estimulando a resposta com os nomes dos pré-candidatos, só 10% responderam que o ex-presidente apoia Haddad. Essa taxa cai para 5% entre as mulheres, para 6% entre quem não passou do ensino fundamental e 7% entre quem ganha até 5 salários mínimos. Mesmo entre os petistas, só 8% sabem.
Nenhum segmento social sabe melhor que Haddad é o candidato de Lula do que os simpatizantes do PSDB: 1 em cada 4 respondeu corretamente à pergunta do Datafolha. E isso explica porque Haddad tem cinco vezes mais rejeição (15%) do que intenção de voto (3%). Quem sabe que ele foi ministro da Educação lembra-se também dos vazamentos das provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em sua gestão.
Quando decidiu monocraticamente enterrar as prévias do PT em São Paulo e apontar sozinho o candidato a prefeito do partido, Lula assumiu um compromisso. Implicitamente, disse “deixa comigo” e se comprometeu a levar Haddad nas costas. A potência eleitoral do ex-presidente é comprovada, mas acidentes acontecem. E quando o cavalo tropeça, quem cai é o cavaleiro.
Lula ficou doente. É um acidente. Sua recuperação, embora notável, não é milagrosa. Como é comum em casos de câncer, leva tempo, consome energia, desgasta. Curar-se deve ser e tem sido a sua prioridade. Com exceção dos hidrófobos e ressentidos, a grande maioria torce por sua recuperação. Enquanto isso, Haddad espera sua montaria.
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Tags: 2012, datafolha, eleição, Haddad, Lula, Marta, pesquisa, PSDB, PT, SP
Pois é petêzada, ainda não será desta vez. O Lulla não vai conseguir eleger o seu pupilo para prefeito. Educação por Educação, prefiro o Chalita mas o meu voto é do Serra.
Aliás, esta seria a chapa ideal: Serra/Chalita.
Fora PT!
E ai quando o estadão vai publicar apoio ao SERRA , como fez na eleição para presidente ,pois as manchetes e aquela ajudinha já começou .
Logo a rejeição do Serra se deve aos 30% histórico do PT em SP?
Claro que Haddad é conhecido….O enem tornou ele muito conhecido, principalemente por suas trapalhadas
Candidato enfiado goela abaixo é assim mesmo, começa que ninguem conheçe, depois uns gato pingado diz que ouviu falar, e muito bem, acaba eleito e a roda continua redonda, rodando, as vezes rolando, ora redondinha, ora se escafolando (ui..) e o povão vai no embalo, cartaõzinho na maquininha, e deixa o povo ser feliz, o que eu disse mesmo??
Toledo, acompanho suas análises e confesso que às vezes acho falhas no seu raciocínio que me incomodam. Associar o maior grau de conhecimento que simpatizantes do PSDB têm do candidato petista em comparação com os eleitores do PT ao fato de que Lula o escolheu exatamente por isso é
inverter causa e efeito. Como Lula saberia disso antecipadamente? Ele é futurólogo agora também?
Com isso, você pretendeu associar “mais penetração no opositor” a “mais probabilidade de voto”. Conhecer um candidato não é, de maneira nenhuma, querer votar nele.
Toledo, fala aí, vc é favorável ao haddad? Vc acha que ele pode ser um bom prefeito?
Quem seria melhor pra SP?
Você tem a palavra!
A análise é muito boa mesmo, só traz um pequeno equívoco. Depois do desempenho de Haddad no MEC, está mais do que evidente que ele pode ser qualquer coisa, menos especialista em educação.
prezado jornalista e blogueiro,
entendo que o site do ESTADAO e instrumento poderoso e eficaz para que qualquer pessoa possa se manifestar sobre qualquer assunto.
ocorre que muitas pessoas se utilizam desse espaco nobre e importante sem ao menos pensar no que esta escrevendo e ate mesmo sem ter lido a materia que antecede o seu comentario.
talvez por essa razao, a chefia da redacao tenha tirado o direito de comentar dos leitores.
comecou, salvo engano, pelo nelson motta que chegou a declarar que os comentarios eram ofensivos e despropositados.
com muita razao, por sinal.
o que nao se pode e alijar o cidadao desse instrumento poderoso pelo comportamento inadequado de alguns.
sugiro que, a cada vez que o site delete um comentario por inapropriado ou inconveniente, que seja enviado um email “pedagogico” ao remetente comunicando que seu comentario foi deletado e se houver reiteracao ele estara suspenso por, digamos, 30 dias do direito de comentar no site do jornal
peco a gentileza de encaminhar esse comentario ao chefe da redacao para que ele examine seu conteudo e, se possivel, responda ao remetente.
att.
do leitor e admirador,
sergio zuardi
Claro que Haddad é bem conhecido pelos votantes da direita e centro direita. Afinal quem não se lembra das trapalhadas com o ensino ? Do livro inconveniente para as crianças ? Da tremenda incompetência ?
Prova também que esta parte da sociedade é mais informada, instruída e pode apontar rumos para a nação.
Afinal quando foi que o muro da vergonha caiu ?
O mundo livre nunca precisou levantar um muro, para que a população não fugisse.
Meu caro Chara, voce falou e disse tudo que se tem para dizer sobre essa reportagem.
Estes representantes da esquerda tupiniquim, acabam com a esquerda tupiniquim.
Com certeza, nao sao as pessoas para apontar rumos para a nação.
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