As motos já matam mais do que os carros, no Brasil. A virada aconteceu em 2007, e desde então a diferença só vem aumentando. Em 2009, as mortes de motociclistas ultrapassaram as de pedestres e alcançaram o topo do ranking de mortes por acidentes -qualquer tipo de acidente, não só de trânsito. Em 2010, foram 10.134 mortes de motoqueiros, contra 9.078 de pedestres e 8.659 de ocupantes de automóveis, segundo estatísticas do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), tabuladas pelo Estado a partir do site do Datasus.
O mais assustador é que enquanto as mortes por atropelamento caíram 30% quando comparadas às de 1996, as de motociclistas cresceram 1.298% no mesmo período. Nos últimos dez anos, 65.671 motociclistas morreram em acidentes pelo País. É uma quantidade de vidas perdidas equivalente aos soldados norte-americanos mortos durante toda a Guerra do Vietnã.
As mortes de motociclistas são uma epidemia, uma das piores que o Brasil já enfrentou. Mas é uma epidemia silenciosa, pouco divulgada. Mesmo quando o Ministério da Saúde chamou a atenção para o crescimento das mortes no trânsito, de modo geral, há poucos dias, preferiu enfatizar os efeitos nocivos do álcool e sua relação com os acidentes de transporte.
Quando se misturam as mortes de motociclistas às de ocupantes de automóveis e pedestres, na categoria genérica “acidentes de trânsito”, perde-se o foco do problema principal. Nos últimos 15 anos, o aumento das mortes de condutores de motocicletas e motonetas foi 10 vezes maior do que o crescimento do número de vítimas de ocupantes de automóveis. Só armas de fogo provocam mais mortes violentas do que as motos, no País.
Uma das razões de essa epidemia sobre duas rodas não ser percebida é que ela ocorre, principalmente, no interior do Brasil. As maiores taxas de mortes de motociclistas não estão nas grandes cidades. Na verdade, São Paulo está em apenas 13º lugar no ranking das capitais em mortalidade de motociclistas. O Rio de Janeiro, em 15º. A campeã, com uma taxa três vezes maior, é Boa Vista (RR), seguida de perto por Palmas (TO).
Quando se dividem as mortes pela população ou pela quantidade de motos e motonetas que há em cada cidade brasileira, destacam-se municípios do interior do Piauí, áreas rurais do Centro-Oeste e capitais do Norte. São municípios como São Gonçalo do Piauí, Ribeirãozinho (MT) e Aurora do Tocantins.
Em número absolutos, as mortes em cada uma dessas cidades podem não impressionar. São duas, três, dez por ano. Por isso não provocam tanto barulho. Mas, quando somadas, configuram uma epidemia só comparável à provocada pelos assassinatos. As vítimas têm o mesmo perfil: são jovens de 20 a 29 anos, do sexo masculino e baixa renda. Nessa faixa etária, nem câncer, nem infarto nem nenhuma outra doença mata mais do que as motos. Só as armas de fogo.
A principal causa dessa explosão do número de mortes de motociclistas é fácil de identificar: o aumento explosivo do número de motos em circulação. De 2000 a 2010, a frota de duas rodas aumentou 4 vezes de tamanho no Brasil. No mesmo período, as mortes de motociclistas aumentaram exatamente na mesma proporção. Se não bastasse, há uma fortíssima correlação estatística entre a quantidade de motos em circulação em uma cidade e o número de motociclistas mortos, um coeficiente de 0,9 -num máximo de 1.
O que aconteceu é que o aumento da renda no interior do País associado às facilidades de crédito produziram um “boom” de motos e motonetas. Elas passaram a ser o principal meio de transporte individual do Brasil profundo, aposentando cavalos, jegues e bicicletas. Nessas cidades pequenas do interior, praticamente ninguém morria por acidente de moto antes da segunda metade da década passada -simplesmente porque não havia motos, e onde havia, eram peças raras.
A expansão explosiva da frota de duas rodas associada à imperícia (no caso do interior) e à imprudência (nas metrópoles) é a principal causa da epidemia de mortes de motociclistas. As mortes aumentam a cada ano, junto com o tamanho da frota.
A taxa de mortalidade pela frota dobrou de cerca de 4 por 10 mil motos em 1998 para pouco menos de 8/10 mil motos em 2006. Desde então ela vem caindo, até chegar a 6,2/10 mil motos no ano passado. É uma taxa bem maior do que a de mortes de ocupantes de automóveis, que tem se mantido estável em pouco mais de 2/10 mil automóveis. Ou seja: é três vezes mais provável um motociclista morrer num acidente do que o ocupante de um carro.
Isso mostra que se não houver políticas públicas para enfrentar o problema, cada vez mais jovens morrerão no interior do Brasil, assim como nas metrópoles, à medida que a frota de duas rodas continuar acelerando. Já são 28 por dia.
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Tags: Brasil, consumo, mortalidade
Qual o ”remédio” para esta epidemia? Menos motos? Mais carros? Ou simplesmente EDUCAÇÃO? O articulista deve ser daqueles que acha que motocicleta é ”coisa de maconheiro” ou bandido.
Quem mais interessa na vilanização das duas rodas é industria automobilística, que aliás, é forte anunciante do grupo Estado.
Antes de qualquer providencia relativa a impericia e ou imprudencia(falta fiscalização),tem-se que rever a segurança(?) que a moto tem.Enquanto se exige de um automovel,por ex,barras laterais,air bags,reforço nos parachoques,cinto de segurança,etc,nas motos o unico item de segurança é o capacete do motoqueiro.Uma solução para aliviar esta situação seria,na minha opinião,diminuir a potencia do motor das motos para que elas não possam alcançar velocidades perigosas(até 50km/h,ou menos).
Luiz, acho que vc nunca andou ou reparou como uma moto se desloca, a “potncia” nada, ou muito pouco, tem haver com a imprudência dos elementos do transito, uma moto a 50km por hora num corredor pode estar muito rápida, e numa via livre pode estar muito lenta e ser atropelada. Potencia ou velocidade têm pouco haver.
responder este comentário denunciar abusoMeu amigo, bem se vê que vc nunca pilotou moto e nem se deu ao trabalho e observar que o maior número de acidentes se dá com as motos de menor potência, o que é preciso é que as motos deixem de ser lembradas apenas na época de pagar impostos, deixem de vê-las como uma impostora no transito, construam faixa específica para este meio rápido que é diferente de carro. Quanto mais rápido melhor!.
responder este comentário denunciar abusoMoro em frente uma moto “escola” na cidade de Rolândia – PR. O que observo de barbaridades é de arrepiar. Os “alunos” que chegam ao local já vêm pilotando suas motos empinando e acelerando tirando racha entre si e colocando a vida dos transeuntes em risco. Depois promovem um verdadeiro festival de sandices na pista arriscando suas próprias vidas e os “professores” não estão nem aí para a educação dos futuros habilitados. Já denunciei essas barbaridades para o Detran e eles não estão nem aí. Parece que ninguém fiscaliza e nem quer saber de educação no Trânsito. Fico arrepiado com nosso futuro pois teremos que conviver com eles nas ruas.
É um absurdo ler isso, falar que tem uqe se diminuir a potência ou que matam muita pessoas…
O problema é a falta de conscientização das pessoas pois muitos acidentes são causados pelo simples fato de no BRASIL você faz uma habilitação com uma moto 125cc e pode pilotar uma 1000cc.
Na Europa existem 3 níveis de carteiras de motociclista e assim as pessoas são obrigadas a fazerem cursos de aperfeiçoamento, sou motoqueiro e me indigno com a generalização dessas regras, deveria ser revisto é se realmente as pessoas são preparadas nas auto escolas para pilotar uma motocicleta ou apenas passar na prova dos “cones”, pois sinceramente é um cone quem fez essa prova. Se o instrutor tivesse que andar na garupa da motocicleta dando aula então sim eles ensinariam direito!
Porque será que em Manhattan não tem moto rodando!!!!! Alguém já tinha percebido isso?
Acho que é a solução. Se ela é mortal, que saia dos pontos mais perigosos…. Ou tô errado?
Porque lá você atravessa a rua de metrô, se quiser.
responder este comentário denunciar abusoConcordo que é preocupante. Mas não vamos deixar que a tal “epidemia” se transforme em mais um dos “grandes problemas nacionais” e alimente um discurso governamental evasivo. Nos próximos dias, a TV só vai falar nisso. Mas a mortalidade infantil (0 a 5 anos) no Brasil ainda é muito maior. Alguns municípios apresentam mais que 20 mortes de motociclista por 100 mil habitantes. Só que a mortalidade infantil pode chegar a 15.000 por 100 mil habitantes nessas paragens.
Mortalidade infantil é um conceito de Saúde Pública que consiste em um coeficiente calculado com base no número de mortes de menores de 01 ano em relação a cada mil nascidos vivos no período de um ano. Divide-se ainda em mortalidade neo-natal e mortalidade infantil tardia (mais de 28 dias e menos de um ano).
responder este comentário denunciar abusoConcordo com o Aloisio! Ficou p… com essa generalização! Eu ando de moto e tenho consciência de que é perigoso, que o parachoque da moto sou eu! Por isso mesmo eu vou andar de uma forma que não aumente ainda mais ainda o risco!
A maioria dos motoqueiros morrem porque querem!!! Porque andam como se não houvesse obstáculo ou que a moto nunca fosse cair!
Em alguns lugares do pais o pessoal nem capacete usa!!! Olha que absurdo!!!
E o que será feito? Vamos melhorar a educação e aumentar a fiscalização prá quem anda errado ou vamos punir quem anda certo??? Ou simplesmente vamos triplicar o DPVAT e deixar tudo do jeito que está???
O risco ao motociclista em cometer ou ser envolvido num acidente é essencialmente o mesmo de todos nós que comentamos o post. Cada um tem uma visão e alguns tem absoluta certeza de sua razão. Imprudentes no trânsito também o são em outras atividades tal como postar um comentário. Tenho moto desde os 18, estou com 41. Não vou dizer que tudo foi sorte ou que sou super capaz, mais que qualquer um. Não si empinar, morro de medo de entrar numa curva deitando a moto, cruzando entre veículos (embora as vezes o faça). Tem que ter educação, bom censo, respeitar-se e aos terceiros. Lembrar que o que faremos ao guidão de nossas motos trás consequencias para nós, nossa família e a sociedade. E quem não tem moto precisa lembrar que muitos a tem por prazer e/ou necessidade (políticas de transporte público são péssimas). Pense na sua manicure, no seu piscineiro, no seu jardineiro, no seu fisioterapeuta, se ele chegaria a tempo de lhe atender ou se conseguiria ter uma remuneração adequada (prof. liberal) caso dependesse de carro ou transporte público. Façam campanhas esclarecedoras, educativas, melhorem o trasnporte. Não adianta proibir ou punir. O próprio motociclista tem que perceber a hora de deixar de se-lo.
é logico que existe todo tipo de motoqueiro de imprudente a maluco, aos montes, mas, alguem sabe o que acontece com o condutor de um veiculo que matou um motoqueiro? nada!, absolutamente nada!, perde uns pontos na carteira, é só!. Enquanto a vida não tiver qualquer valor, nem juridicamente falando, falar de educação, consciencia não adiantara muito, temos lei para todas as bobagens possiveis e imagináveis, não temos para quem mata no transito, todos acham normal e vamos omissamente levando a vida
CARO JOSÉ ROBERTO: BOA NOITE. SOU MÉDICO, RADICADO EM MONTE NEGRO, RONDÔNIA. SUGIRO QUE ATUALIZE SEUS DADOS. EM MEU MUNICÍPIO, 15.000 HABITANTES, SÓ ESTE ANO, JÁ MORRERAM 3 A 5 PESSOAS POR ACIDENTE DE MOTO. ANO PASSADO, IDEM OU ATÉ MAIS. INFELIZMENTE OS DADOS SÃO SUB-NOTIFICADOS. CORDIALMENTE,
EM TEMPO: PARABÉNS PELA BRILHANTE E ALARMANTE MATÉRIA.!
Muito esclarecedor o comentário do Aloisio. Não há dúvidas de que nossas auto-escolas não preparam de forma adequada os candidatos a motociclitas. E há um diferença enorme entre motociclista e “motoqueiro”. Lembrando q motos de 1000c são utilizadas em competições esportivas, portanto, é preciso uma preparação específica conduzi-las.
Não é por ter 1000c que sao utilizadas em competições. A minha tem 1600c (Harley) e a velocidade indicada para uso é bem “comportada”.
responder este comentário denunciar abusoO colunista esqueceu de considerar a invalidez na estatistica pois a maioria dos acidentes com motos nem sempre mata o individuo mas o deixa com sequelas razoáveis.
Acredito que vai dar algo em torno de 10 mortos/invalidos por dia só na cidade de São Paulo ( é só passar um dia em qualquer hospital público e verificar).
O problema é mais embaixo: cultural ( na realidade, falta de ); subemprego ( motoboys – 300.000 em sp), tem todo tipo de “gente” trabalhando como motoboy ja que dele não se exige nada para o emprego; falta de valores morais ( este é o maior deles e atinge grande parte da população ).
Sds
Curioso é que São Paulo, a cidade mais populosa do país apresenta índices menores que cidades do Norte. Provavelmente se dá devido a falta de uso (e conscientização) sobre uso de equipamentos mínimos de segurança e respeito as leis de trânsito (infelizmente é comum ver pais carregando menores – as vezes crianças com 2, 3 anos de idade – sobre motos)… Esses dados requerem atenção urgente!
Senhores candidatos a vereador, prefeitos, deputados atente para essa realidade da sociedades observem as cidades de nossa época, vejam as necessidades que aí estão e irão agravar ainda mais, proponham projetos que trarão inclusão, criem novas faixas nas avenidas, facilitem as manobras nas ruas, percebam que de uma forma cruel as ruas e avenidas são feitas apenas para carros, está errado não percebem que existem milhões de motos.
2012
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2009
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