Com jeito, mas sem muita paciência, Luiz Inácio Lula da Silva vai impondo ao PT sua vontade de não realizar prévias para escolha do candidato do partido a prefeito de São Paulo. É como se dissesse que, mais do que os militantes, sabe o que é melhor para o PT. Talvez seja verdade, mas não é lá muito democrático.
O argumento de Lula: o partido precisa de uma “cara nova” para vencer. Ponto, parágrafo. No seu cenário eleitoral, o ex-presidente não vê José Serra (PSDB) entre os adversários petistas em 2012. Se estiver correto, será uma eleição sui generis, com os principais partidos apresentando “caras novas”, que é uma maneira simpática de dizer candidatos desconhecidos (Paulo Maluf é café-com-leite).
Um modo de entender o argumento sumário de Lula é que ele não quer uma candidata com rejeição particular, como a senadora Marta Suplicy, somando à rejeição coletiva do partido. Foi o que aconteceu em 2004, quando a prefeita, apesar do saldo positivo de avaliação, perdeu a reeleição para si mesma e ressuscitou Serra.
A “cara nova” pedida pelo ex-presidente tem apenas um nome: Fernando Haddad, seu ministro da Educação. Os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, embora tão desconhecidos quanto do grande eleitorado, não parecem se qualificar ao status de novidade defendido por Lula. A cara, além de nova, deve ser atraente.
Aceita essa premissa, Haddad tem potencial para melhorar a desempenho do PT no eleitorado feminino de classe média, um dos pontos fracos do partido. Além de poder se apresentar como pai do CEU -sem trocadilho- e do Pro-Uni. E só. Será o suficiente para eleger-se prefeito? Depende da concorrência.
No cenário traçado por Lula -só com desconhecidos e o desgastado Maluf- o candidato do PT, mesmo partindo do zero, teria boas chances de chegar ao segundo turno, empurrado por ele, pelo voto petista na periferia paulistana e pelo tempo de propaganda compulsória na TV. Lula tem o case de Dilma Rousseff para ilustrar sua teoria. Mas há furos.
Eleição para prefeito tem lógica diferente da eleição para presidente. O que está em jogo é trânsito, ônibus, metrô, escola e posto de saúde. Tem pouco a ver com política econômica e consumo. O aval de Lula conta muito menos.
Numa eleição apenas com “caras novas”, o eleitorado pode se enfeitiçar por outro rosto. Com diferentes graus de novidade, podem estar na disputa Gabriel Chalita (PMDB), Soninha (PPS), Paulinho da Força Sindical (PDT), Celso Russomanno (PP) e um representante do prefeito Gilberto Kassab -o secretário Eduardo Jorge (PV) ou o vice-governador Afif Domingos (PSD).
Além disso há a questão tucana. No cálculo de Lula, o candidato do PSDB seria escolhido -em prévias, vale destacar- entre o senador Aloysio Nunes, o deputado Ricardo Trípoli e os secretários José Aníbal, Bruno Covas e Andrea Matarazzo.
Na hipótese de Haddad chegar ao segundo turno paulistano, seu adversário seria um tucano pouco conhecido ou uma das “caras novas” dos outros partidos, com mais chance para Chalita. Ganha quem tiver menos rejeição. Como são todos pouco conhecidos, são também pouco rejeitados -salvo o candidato do PT, que carrega a ojeriza da elite paulistana e de boa parte de sua classe média ao partido.
Esse é o cenário positivo para Haddad. O negativo é Lula estar errado na sua avaliação e Serra se tornar o candidato do PSDB. O tucano sairia favorito para chegar ao segundo turno. E sobraria para o petista disputar com as outras “caras novas” a segunda vaga. Se não decolar logo, corre o risco de se embolar com outros neófitos e, no limite, cair fora ainda no primeiro turno.
Para a tática de Lula funcionar, o PT precisaria escolher logo Haddad e começar a trabalhar seu nome o quanto antes, para que ele chegasse com uma velocidade inicial mais alta em 2012.
Esse cronograma é oposto ao do PSDB. Os tucanos devem fazer suas prévias apenas no próximo ano. E, no que depender das viúvas de Serra, quanto mais demorar melhor. Assim, o candidato derrotado a presidente manteria chances de entrar na disputa se o cenário lhe convier e as pesquisas estimularem.
Lula já mostrou que tem pressa e vai forçar uma definição rápida do PT. Pode ser uma vantagem, se os tucanos apresentarem também uma “cara nova” -ou um problema, se Serra entrar na disputa.
Tags: 2012, eleição, Haddad, Kassab, Lula, Marta, PSDB, PT, Serra
Os tucanos estão atrás do muro, aguardando as decisões do lula e dependendo dessas decisões colocam ou não o Serra na disputa. Isso é o óbvio!
Acho quase uma missão impossível para o lula impor um petista no governo da cidade de sao paulo!
SP não é maranhão de sarney, não é ceará de ciro gomes, não é pernambuco de arraes!
Serra, Marta, Maluf? Não, por favor. SP merece caras novas, renovacao, oxigenacao de ideias e propostas.
Pegar um nome “novo” e esquentar aos poucos foi a estratégia com Dilma – e o adversário foi Serra…
O truque é o nome novo ter “relevante saber técnico”, às vezes, admitido pela própria oposição.
Sinceramente, acho que eleição para prefeito em São Paulo é canoa furada. São Paulo é uma cidade tão bichada que qualquer um que assumir terá tarefas quase impossíveis se não tiver apoio total do Estado e da União. Com tucano São paulo é uma cidade “com pontos de alagamento”, sem tucano “está um caos!”. Sabemos o papel da imprensa “estaiada”… Importante mesmo é eleição para governador de São Paulo.
Nisso sim, tem que botar o que tem de melhor!!!
O meu candidato é o Haddad, São Paulo já está voando/tucano à muito tempo.
Com esse tipo de argumento, não convence ninguém mesmo.
Chega de partidos de esquerda, afinal eles já mostraram o porquê vieram, mentir, enganar e se apropriar dos feitos dos outros. Mas mostrar algum resultado, nada.
José, e qual a chance do senador Eduardo Suplicy sair candidato à prefeitura de SP, pelo PT? Tem alguma ideia do indíce de rejeição dele? Abraços.
Acho os nomes do PSDB muito bons, como Aloysio Nunes, Bruno Covas, Andrea Matarazzo ou o próprio Serra. Não são perfeitos, mas bem melhores que os petistas. Os petistas são arrogantes, antipáticos e donos da verdade.Só que esqueceram a tão falada ética, que nunca existiu, só para trouxa ver. Espero que os paulistas continuem firme no propósito de manterem o PT longe dos cofres de São Paulo. Para o bem de São Paulo, e indiretamente, ou diretamente, para todo o país.
Paulista que é Paulistano nao vota no PT, em todas as classes nao votam nos petralhas
Lulla jamais foi democrático. Um governante cujo desejo foi ,” extirpar” a oposição, não faz a menor idéia do que é ser democrata!
Bom e melhor renovar o quadro de candidatos da capital se não iremos colocar. Um medico
a disposicao do gabinete do prefeito ou uma equipe de para medicos
Vamos renovar Bruno Covas, Fernando H, Chalita vamos dar oportunidade
De termos os jovens na politica
Acontece que a alternativa está tentada a apoiar essa falácia que é o ProUni. Quem quiser fazer oposição terá que esclarecer ao público que as diferenças entre a universidade pública e a particular são gritantes e aterradoras.
O ProUni nada nada mais é do que a desvalorização da escola pública (pois os recursos estão sendo divididos) e também a banalização da qualidade zero.
Quem quiser entender o panorama universitário em São Paulo deve andar de ônibus.
Sugiro que se ouça o que dizem os universitários (das particulares e das públicas), não apenas sobre esse assunto.
Sem dúvida, há um bom número de incautos aceitando as regras de uma faculdade particular, tendo condições de estudar numa pública, já que o ProUni exige a realização de uma prova (não basta ser pobre. Tem que ser esforçado).
Em suma: é necessário ser completamente idiota para viver em São Paulo,, uma cidade tão bem aparelhada de recursos públicos no campo da educação, e ainda assim acreditar numa propaganda besta dessas.
Lula. Não faça isso c/S Paulo. Haddad, não. Procura outro mais competente.
Aloysio Nunes, o senador mais votado do país, é sem dúvida um candidato apto a atropelar o PT em São Paulo. Nessa cumbuca eles não metem a mão.
Haddad 2012 vai arrasar com a direitalha em SP. Quem viver verá.
Para toda matéria há uma fábula. Na da comunicação figuram duas aves, a pata e a galinha. Para mostrar a importância de anunciar seu trabalho, o discípulo do La Fontaine fala da discrição da pata, quém, quém, contra o estardalhaço da galinha cocoricó!, e do resultado provocado no consumidor: muito embora o ovo da pata seja muito maior, todos acabam buscando os ovos da galinha.
Nós tucanos temos muito que aprender com as galinhas. Desde a redemocratização, passando pela Constituinte, o fim da inflação, a defesa inflexível da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, até os embriões dos programas de distribuição de renda, participamos de todos os avanços sociais recentes acontecidos no Brasil, na maioria deles como ideólogos e executores. Apesar disso, assistimos quietos e calados os galináceos petistas ciscando e subtraindo nossas vitórias com a falta de pudor que lhes é peculiar.
É necessário reconhecer: se o PT é ruim de governo, dá um baile em comunicação e marketing. E qual é a raiz da frutífera árvore da comunicação? É a pesquisa. Mais do que investir, os petistas lêem com atenção e, sobretudo, obedecem às pesquisas. Foi através da melhor e mais ampla pesquisa que o dinheiro pode comprar que eles chegaram ao nome do pré-candidato à prefeitura de São Paulo em 2012, que apesar de não corresponder completamente ao anseio do eleitorado paulistano, é entre os quadros petistas o que mais se aproxima. O PMDB, atento como a raposa que quer jantar a galinha, seguiu com um nome similar.
Mas afinal, o que diz a pesquisa? A Folha de São Paulo publicou o resultado no final de 2011. Notadamente na cidade de São Paulo o eleitor sente saudades do prefeito de 2008; está cansado dos políticos tradicionais e assim deseja um nome novo, de preferência que nunca tenha tido votos; ao mesmo tempo quer um nome forte, com credibilidade e raízes paulistanas; e que por fim tenha serviços prestados na cidade. Complicado? Modéstia à parte, não para o PSDB.
Entre os nossos quatro pré-candidatos ao Edifício Matarazzo há um nome que, num pleonasmo virtuoso, atende com exatidão ao anseio do eleitor: Andrea Matarazzo. Sejamos francos: em 2008 o prefeito era ele. O êxito da Lei Cidade Limpa é mérito dele. A Veja São Paulo lhe concedeu nada menos que duas capas, uma como o guardião do Centro e outra como o Xerifão da Cidade. Naquela época 65% da população avaliava entre ótima e boa a administração municipal – índice que caiu para pouco mais de 20% depois que ele deixou a Prefeitura.
Andrea Matarazzo é um nome novo: amassou barro e pediu votos para todo mundo, nunca para ele próprio. Ao mesmo tempo é pessoalmente reconhecido e o sobrenome Matarazzo nunca esteve tão sintonizado com o momento brasileiro. Matarazzo é sinônimo de trabalho, progresso, riqueza e benemerência em saúde, cultura, educação, esporte. Hospital Matarazzo, Bienal, Faculdades Matarazzo, Associação Atlética Matarazzo. E ainda tem a Avenida Matarazzo, o bairro Ermelino Matarazzo, as indústrias Matarazzo. Até em samba do Adoniran Barbosa tem um Matarazzo. É muito forte. E atual. A bonança e o crescimento da economia que começou e persiste desde o Plano Real imprimiram uma nova realidade ao povo brasileiro, que já não se lamenta das dificuldades, mas luta e trabalha para supera-las, estudando, trabalhando, empreendendo e, quando alcança seus objetivos, devolve uma parte para a sociedade, com doações materiais ou trabalho voluntário, haja visto os sucessos do terceiro setor, exatamente como sempre fizeram os Matarazzo.
Falar dos serviços prestados pelo industrial, secretário, ministro, embaixador e, por que não dizer?, prefeito Andrea Matarazzo seria cansar o leitor com mais do que ele já sabe. Basta lembrar que ele não quer ser outra coisa se não prefeito. Sua eleição é a garantia de a prefeitura não será trampolim para qualquer outro cargo. O Matarazo fica quatro e, se depender do meu voto, oito anos.
É impossível fazer boa política sem paixão, mas ela não exclui a razão nem a estratégia do jogo. Na hora de votar nas prévias, além de pensar em quem tem a experiência para fazer a melhor gestão para a população da nossa cidade, lembre-se que para tanto antes é preciso vencer as eleições, e pense em quem tem mais chances de sagrar-se vencedor.
2012
2011
2010
2009
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