Bolsa Família é paraquedas eleitoral de Dilma no Norte/Nordeste - José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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11.outubro.2010 15:46:13

Bolsa Família é paraquedas eleitoral de Dilma no Norte/Nordeste

Quanto maior o peso do Bolsa Família no município, maior a votação de Dilma Rousseff (PT). Para José Serra (PSDB), a correlação é rigorosamente oposta: mais famílias atendidas na cidade, menos votos para o tucano. Já para Marina Silva (PV), a regra não fez diferença na sua votação.

É o que se descobre ao se correlacionar a votação dos candidatos a presidente no primeiro turno com a proporção da famílias atendidas pelo programa federal de transferência de renda nos mesmos municípios.

Essa correlação positiva para Dilma tem implicações importantes para o segundo turno. A petista tem uma espécie de paraquedas eleitoral que lhe garante um patamar mínimo de votos, especialmente nas regiões onde o programa é mais importante para a economia local.

Em cerca de metade dos municípios brasileiros, o Bolsa Família atende pelo menos um terço das famílias, segundo dados do governo federal obtidos pelo repórter Daniel Bramatti.

Na soma desses municípios, Dilma obteve, no primeiro turno, nada menos do que dois terços dos votos válidos. Serra ficou com apenas 24%, e Marina, com 10%. Em 9 de cada 10 dessas cidades, Dilma teve mais de 50% dos votos válidos e seria eleita já no primeiro turno.

Para sorte de Serra, essas cidades têm um alto porcentual de atendimento pelo Bolsa Família porque suas populações não são muito grandes. Assim, esses 2.623 municípios somaram pouco menos de um quarto dos votos válidos para presidente no primeiro turno.

Se estendermos a análise para todo o País, veremos que a petista venceu o tucano em três quartos dos municípios brasileiros. Neles, o programa federal atende em média 40% das famílias. Já nas outras cidades onde ele teve mais votos do que ela, a média de atendimento é metade disso.

Mas seria um erro achar que Dilma só tem votos onde o Bolsa Família é forte. Ela é mais forte nessas cidades, mas seu eleitorado não é pequeno nas cidades onde o programa de transferência de renda é menos influente.

As 538 cidades onde menos de 10% das famílias são atendidas por bolsas federais responderam por pouco menos de um terço dos votos válidos no primeiro turno. Nelas, Serra bateu Dilma, mas por uma margem apertada; 12,4 milhões de votos, contra 12,1 milhões da petista.

Fazem parte desse grupo os maiores municípios brasileiros fora do Norte e Nordeste do País. E é neles que deve ser travada a batalha do segundo turno. Marina teve 7,7 milhões de votos nessas cidades. E são esses seus eleitores que decidirão quem será o próximo presidente.

Como mostrou o Datafolha, Dilma mantém uma vantagem folgada sobre Serra no Nordeste e no Norte na primeira pesquisa do segundo turno. Provavelmente porque a influência do Bolsa Família funciona como um piso mínimo de votação.

No Sul, Serra já aparece em vantagem no Datafolha. Logo, suas chances de virar estão concentradas no Sudeste, onde a eleição está mais parelha e onde o Bolsa Família influencia menos a eleição.

Para entender os gráficos

A correlação entre o porcentual de votos válidos da Dilma com o porcentual de alcance do Bolsa Família é muito forte: 0,749. O coeficiente de correlação varia de -1 a +1, quanto mais próximo das pontas, mais forte a correlação.

Uma correlação positiva, como a do voto em Dilma com o porcentual de atendimento do Bolsa Família, significa que as duas variáveis se movem na mesma direção: se uma sobe, a outra sobe junto. Ou seja, quanto mais pessoas recebendo bolsa, mais cresce o voto na petista.

A correlação não permite, porém, estabelecer uma relação de causa e efeito. Estatisticamente, não podemos dizer que é o Bolsa Família que faz aumentar o voto em Dilma ou vice-versa. Sempre pode haver uma terceira variável, não analisada, que seja a responsável pelas variações.

Há uma correlação negativa entre o voto em Serra e o alcance do programa. O coeficiente é forte: -0,678. Ou seja, quanto maior o atendimento pelas bolsas federais, menor o porcentual de votos válidos de Serra.

Mais uma vez, não se pode dizer que uma coisa provoca a outra. Pode ser, por exemplo, que o tucano vá naturalmente melhor entre os mais ricos, que não precisam do BF, e por isso a correlação seja negativa.

Finalmente, não há correlação, nem negativa nem positiva, entre o voto em Marina e o Bolsa Família. O que só reforça a ideia de que há outros fatores, não econômicos, que explicam esse voto, sejam eles morais ou relacionados à escolaridade do eleitor.

Nos gráficos, cada ponto representa um município. O posicionamento é dado pelo cruzamento do porcentual de alcance do Bolsa Família (eixo horizontal) com o porcentual de votos válidos de cada candidato (eixo vertical).

Quando há uma correlação forte, os pontos tendem a se agrupar em torno de uma linha de tendência. Os municípios mais próximos da linha apresentam uma correlação mais forte. Quando são muitos, formam uma mancha, que é a representação da regra, como nesse caso. E os pontos perdidos longe da linha são a exceção.

Exemplo de município que segue a regra: Ouro Branco (AL) tem 77% de alcance do Bolsa Família e deu 79% dos votos válidos para Dilma. Exemplo de municípios que fogem à regra: Herveiras (RS) tem apenas 16% de atendimento dá 85% dos votos válidos para Dilma. Essas são as exceções acima da linha de tendência, aquelas em que Dilma vai bem apesar de um baixo atendimento.

Exemplo do contrário é Roteiro, também em Alagoas, onde as bolsas atendem 77% das famílias e Dilma só teve 37% dos votos válidos.

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Comentários (15) | comente

15 Comentários Comente também
  • 11/10/2010 - 16:32
    Enviado por: Tweets that mention Bolsa Família é paraquedas eleitoral de Dilma no Norte/Nordeste « José Roberto de Toledo -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Jose Roberto Toledo, Patró. Patró said: RT @zerotoledo: Bolsa Família é paraquedas eleitoral de Dilma no Norte/Nordeste http://bit.ly/dhZkKN [...]

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  • 11/10/2010 - 18:33
    Enviado por: Ouro Branco é citado no jornal on line Estadão sobre eleição presidencial

    [...] Acompanhe a matéria na íntegra direto da fonte clicando aqui [...]

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  • 11/10/2010 - 21:43
    Enviado por: Antonio Fouto Dias

    Pelo que se entende nesta matéria é que não é capacidade de Dilma que a faz receber tantos votos, mas sim o curral eleitoral que se formou para com os beneficiários do bolsa-família a quem possa ter recebido instruções que lhes conscientizaram do temor da perca do programa.

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    • 11/10/2010 - 22:26
      Enviado por: Flávio R. Salvador

      É interessante o Sr. Antônio falar em curral eleitoral. Ou é um eleitor mal informado ou age com má fé, pois se observar os índices econômicos, o nordeste HOJE, cresce a níveis mais elevado que o nosso sul maravilha. Curral eleitoral tem é aqui em SC, onde se mantém no poder PFL e outras coisas do gênero. Tudo que fazem é se manterem no poder e para os mesmos. A maioria do municípios cresceram graças ao Governo Federal.Muito deles a rodovia federal é o que foi feito nos últimos anos. Mas, nós, “esclarecidos”, elegemos Borhausen, Colombo, Amin… Veja o que foi feito na era FHC e veja o que foi repassado no governo LULA. Quem sabe você possa entender a economia e a melhoria social do atual governo. O Brasil precisa é de informação e não de PRECONCEITO.

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  • 12/10/2010 - 00:40
    Enviado por: FRANCISCO SOUSA

    quem levou a eleição para o segundo turno não foi nem o serra e nem a marina, foi uma parte da midia. mas tudo se resolvera agora no segundo turno e depois durante o mandato da presidente dilma seram feitos alguns ajustes.

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    • 16/10/2010 - 11:25
      Enviado por: Leonardo

      Boa, Francisco. Concordo com você. A Marina se mostrou como opção “não alinhada” mas quem realmente levantou ela foi a mídia. Eu me lembro de ter visto uma máquina midiática tão ativa assim, durante uma eleição, só na ocasião da eleição de Trancredo Neves. A máquina formada pelo pacto de minas naquela época ainda está ativa?

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  • 12/10/2010 - 02:34
    Enviado por: Max

    Bolsa Familia verdadeira máquina de captação de votos, verdadeira institucionalização da compra de votos. Somente votam em Dilma em troca dos míseros reais que recebem, sem observar as propostas e projetos de nenhum dos candidatos…. Uma vergonha essa compra de votos institucionalizada, legalizada…

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  • 12/10/2010 - 08:26
    Enviado por: Carlos Hernandes

    Nesta discussão do bolsa familia, o que me parece importante é avaliar que para a população que a recebe, este é um programa importante. É claro que fundamental também é investir na educação que libertará estas populações no longo prazo
    Mas não seria o caso de o PSDB assumir que faltou sensibilidade social quando esteve governando o país? Não seria mais produtivo mudar o rumo do que ficar apenas condenando um programa que é um sucesso? Afinal este programa poderia ter sido um sucesso sob a batuta de FHC, pois foi sua esposa que o criou. Serra perdeu uma importante oportunidade de no governo de São Paulo mostrar que tem também sensibilidade social e não governa apenas para a classe média e os mais ricos. Nunca é tarde para evoluir.

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    • 16/10/2010 - 11:04
      Enviado por: Leonardo

      Quer um exemplo? Assim que entrou no governo o Serra acabou com o programa Escola da Família. Esse programa tinha apoio da Unesco e realmente funcionava. As escolas do estado abriam nos fins de semana para cursos profissionalizantes, eventos sociais, etc. que encurtavam a distância entre as comunidades carentes e a instituição escola. O cara nem avaliou os resultados e benefícios, foi desmontando tudo com uma penada só. E olha que esse projeto nasceu na gestão do seu colega Geraldo Alkmin. Imagina o que ele não vai fazer com os do PT.

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  • 12/10/2010 - 11:47
    Enviado por: jose dirceu

    resposta ao sr; Flavio vc sabia que quem criou o plano real.? a taxa selic ?a qual o lula prometeu tirar e nâo tirou logico se tirase a inflaçâo teria estourada.foi FHC vc sabia que a presidenta do Standard & Poor’s.agençia que controla taxa de envestimento no pais diz dentro de dez anos que o brasil teria uma taxa de risco zero pois o plano real estaria forte.devido o plano do sr; entâo FHC.

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  • 12/10/2010 - 12:07
    Enviado por: Esdras M. Duarte

    O povo sabe que políticos são falhos sejam de direita ou de esquerda. Não exitem governos 100% perfieitos. Mas o povo reconhece quando é lembrado, quando se dá o mínimo valor e reconhecimento enquanto seres humanos. Aí vale o bom senso na hora de votar. Uma região como o nordeste , anos e anos a fio, excluída e abandonada pelos governos desse país . Agora reage decisivamente na hora da eleição. Viva a nova e neófita democracia brasileira. Deus nos abençôe !

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  • 13/10/2010 - 10:09
    Enviado por: Luciano

    Dizer que o bolsa família é compra de votos é puro preconceito! Se fosse assim então quando um candidato oferece subsídios fiscais às empresas, ou quando promete aumentar o mínimo para 600,00, ele também estaria comprando votos!! Tudo isso são promessas de campanha e como tal devem ser realizadas pelos candidatos se eleitos. FHC teve 8 anos para ajudar os pobres e o nordeste, por que não o fez? Agora eles pagam por isso. É dever do estado diminuir as desigualdades sociais, uma das funções do estado é exatamente essa: a distributiva. Está na constituição, é uma pena que FHC não tenha feito isso. Parabéns ao Lula pelo grande feito!

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    • 14/10/2010 - 19:06
      Enviado por: eu

      O bolsa família é compra de votos sim. O voto mais barato. Supre-se apenas a base da pirâmide de necessidades humanas, ou seja, dá-se comida. Não e oferece o aprimoramento para essas pessoas, o que as torna eternamente dependentes dos programas assistenciais.

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    • 03/11/2010 - 10:10
      Enviado por: Eu

      Se for olhar assim, qualquer tipo de ação do governo, é um meio de compra de votos. Quando o governo reduz taxas: está comprando os empresários, quando constrói algo para a cidade: está comprando os votos da cidade inteira, quando realiza um programa para um grupo: está comprando o voto de um grupo…. Não importa o que a estatística mostre, o que realmente significa é que as pessoas não querem voltar a ter a vida de antes, e sim continuar mudando pra melhor, sonhar com melhorias de oportunidades que apenas, pra muitos, foi possível no último governo.

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  • 19/11/2010 - 11:39
    Enviado por: Célia Matos

    Para a minha humilde opinião bolsa familia é uma esmola…O correto mesmo é baixar juros, e principlamnete diminuir impostos de PME(Pequenas e Micros Empresas) que são realmente quem mais empregam no pais, para que as familias possam ter um salario digno, terem acesso a carteira assinada e nao receber esmola. Falta esse tipo de pensamento aos governantes. Emprego para se ter salario digno e ter comida, alimento, saude, educação e segurança, ja que um leva ao outro e nao ter uma esmola e ocio. Gerar expectativa de vida e nao de sobrevivencia.

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