Campanha difamatória pela internet, denúncias de corrupção, ataques físicos e até o uso do papa como cabo eleitoral. Houve de tudo no segundo turno da eleição presidencial. Mas, no fim, o que prevalece é mesmo o bolso do eleitor e seu desejo de continuar consumindo.
As pesquisas de véspera da eleição, a começar pela do Ibope, confirmam a tendência identificada ao longo das duas últimas semanas: Dilma Rousseff (PT) deve ser eleita com 10 a 15 milhões de votos de vantagem sobre José Serra (PSDB).
A razão por trás disso? A boa avaliação do governo Lula e a identificação da candidata petista como uma espécie de extensão do mandato do atual presidente. Esse foi o motor de toda a eleição, embora nem sempre tenha sido o foco do noticiário sobre a campanha.
As pesquisas do Ibope mostram que quase metade dos eleitores dão nota 9 ou 10 à atual administração federal. É um recorde que se explica pela expansão geométrica do consumo que fez algumas dezenas de milhões de brasileiros ascenderem para a classe C.
Após muito repetir o nome de Dilma, Lula conseguiu clonar sua imagem na candidata. Dilma transformou 4 de cada 5 fãs do presidente em seus eleitores: ela tem 79% dos votos entre quem acha o governo Lula “ótimo”.
O fator religioso, responsável por levar a eleição ao segundo turno, foi neutralizado nesta reta final. Com o tema do aborto interditado para ambos os candidatos, boa parte dos eleitores religiosos que haviam abandonado a candidatura de Dilma voltaram a declarar voto nela.
A petista chega à eleição com 55% de apoio entre os católicos, contra 39% do adversário. Nem a pregação do papa Bento 16 contra candidatos que defendem o aborto, usada pela campanha de Serra no rádio, fez cair a intenção de voto de Dilma entre os fiéis da Igreja.
As oscilações dos candidatos nas pesquisas de intenção de voto está correlacionada com as buscas mais populares sobre os candidatos no Google. Nas últimas duas semanas, diminuiu a procura por temas negativos associados ao nome de Dilma, como “terrorista” e “aborto”.
Ao mesmo tempo, aumentou a busca por termos ruins para Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”. Ou seja, a campanha difamatória de lado a lado através da internet se equilibrou. Quando os fatores acessórios se equalizam, o bolso fala mais alto.
Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 56% dos votos válidos, na média móvel das pesquisas divulgadas neste sábado. José Serra (PSDB) tem 44%. Se os votos válidos forem em igual quantidade aos do primeiro turno, a petista deve vencer o tucano por 12 milhões de votos de diferença.
A média leva em conta as seguintes pesquisas:
Ibope – Dilma 56% X 44% Serra
Datafolha – Dilma 55% X 45% Serra
Sensus – Dilma 57% X 43% Serra
Vox Populi – 57% X 43% Serra
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Não foi um debate. Foi uma sabatina. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) só se dirigiram um ou outro nos cumprimentos iniciais e finais. Durante duas horas, responderam perguntas sorteadas de 12 eleitores, entre 80 indecisos presentes ao estúdio da Globo no Rio. Para uma campanha que foi a mais acalorada desde a de 1989, o desfecho não poderia ser mais frio.
O formato tem méritos: mostra os candidatos de corpo inteiro, obriga-os a se movimentarem, revela ângulos pouco favoráveis. Mas o conteúdo é tão pasteurizado quanto o dos debates tradicionais. Os eleitores faziam perguntas claras, objetivas, específicas, sobre suas dificuldades cotidianas. E os presidenciáveis respondiam de forma genérica, professoral e paternalista: “Ótima pergunta!”, “questão muito oportuna”, a não poder mais.
O debate talvez funcionasse melhor se fosse o eleitor a replicar, em vez do outro candidato. Assistiríamos provavelmente a momentos constrangedores, com o autor da pergunta retrucando algo como “eu queria saber o que vai acontecer com o valão de esgoto a céu aberto na minha rua, não o que o(a) senhor(a) respondeu”. Mas a Globo, como qualquer emissora, não abre chance para improvisos dos convidados.
Os eleitores indecisos são recrutados em uma operação de guerra por todo o país. Passam por pesquisas, filtros, testes. Seus patrões e familiares são convencidos a deixar que viagem. São embarcados para o Rio e lá recebem instruções detalhadas sobre como se comportar na hora H. Ensaiam.
Eles redigem as perguntas que farão, da própria cabeça e punho, mas as fichas são depois plastificadas, para evitar adendos de última hora. Se sorteado, o indeciso tem que ler o que escreveu sem mudar uma vírgula. Nada fora do roteiro.
No Twitter, a antropóloga Adriana Seixas sugeriu que, ao final, os 80 declarassem o voto, para saber qual candidato converteu mais eleitores para sua causa. Os debates da RedeTV! foram acompanhados por um grupo de pesquisa qualitativa, no primeiro e no segundo turno. O resultado não reflete o que pensa todo o eleitorado, mas é indicativo de como avaliam os candidatos.
O risco de fazer isso, que se comprovou, é um dos candidatos, oportunisticamente, se aproveitar de uma avaliação que lhe seja favorável para transformá-la em peça de campanha. No caso da Globo o risco seria menor, já que a propaganda eleitoral acabou à meia-noite. Mas, assim como os candidatos, a emissora optou por uma estratégia defensiva, sem se expor a contragolpes.
O último evento da campanha presidencial foi apenas isso, um marco do calendário eleitoral. Frio, sem confronto direto entre Dilma e Serra, não deve influir no resultado da eleição -como não influíram nenhum dos outros nove debates realizados entre o presidenciáveis em 2010. Sem conflito, prevalece a inércia.
Os quatro institutos que acompanharam a eleição desde o começo concordam que a inércia fovorece Dilma. Serra parece preferir acreditar em suas pesquisas internas de campanha que, alegadamente, mostram seu empate com a candidata do PT. O tucano conformou-se com as regras e nem sequer tentou confrontar a adversária durante o debate. Foi uma tática aparentemente de segurança, mas, no fundo, muito arriscada.
A ampliação da vantagem de Dilma Rousseff (PT) na reta final do segundo turno dificulta muito a tentativa de José Serra (PSDB) de virar a eleição na última hora. O tucano briga contra a inércia do eleitorado. A esta altura, só um fato novo de grande repercussão lhe daria chance de mudar a tendência do voto.
A petista se distancia do tucano em praticamente todos os segmentos importantes de renda, escolaridade e faixa etária. Nas maiores regiões, ela consolidou a proporção de 2 votos para 1 no Nordeste, e aumentou para dez pontos sua diferença no maior colégio eleitoral, o Sudeste.
O fator religioso, principal responsável por levar a eleição para o segundo turno, foi neutralizado. Dilma tirou a vantagem de Serra entre os evangélicos, ampliou sua diferença entre os católicos e recuperou parte dos eleitores agnósticos, ateus e de religiões não-cristãs.
A recomendação do papa aos bispos para que atuem politicamente no Brasil contra quem defenda o aborto poderia ser o fato novo esperado pelos partidários do tucano?
Para surtir efeito eleitoral, a manifestação de Bento 16 precisaria chegar rapidamente aos seguidores da Igreja e com força suficiente para reverter a preferência de 55% dos católicos pela petista. No primeiro turno, Dilma perdeu quatro pontos entre os católicos nos últimos dias de campanha.
Uma queda nessas proporções entre os católicos agora implicaria diminuir de 14 para 9 pontos a vantagem de Dilma no total. Sem contar o eventual efeito inverso que isso poderia resultar entre os evangélicos e eleitores anti-clericais.
Com a questão moral de lado, o bolso voltou a ser soberano na eleição. No começo do segundo turno, os programas sociais do governo federal brecaram a queda de Dilma e impediram que o tucano empatasse.
Mas foi no eleitorado não-bolsista que ela cresceu nas últimas duas semanas. Ele tem sido o responsável por aumentar sua diferença sobre Serra. Hoje, segundo o ibope, 2 em cada 3 eleitores da petista não participam de nenhum programa federal.
E por que esse eleitor declara voto nela? Muito provavelmente pelo bom momento da economia, que expande o emprego, a renda e, principalmente, o crédito para o consumo. Um indicador indireto disso é a avaliação do governo Lula.
Entre o terço de eleitores que dá nota 10 à atual gestão, Dilma tem 78% do total de votos. Entre os 15% que dão nota 9, ela tem 2 em cada 3 votos. O divisor de águas é a nota 8, que compreende 23% do eleitorado.
Nela, Serra chegou a empatar com Dilma no começo do segundo turno: 47% a 47%. Agora, a petista voltou a abrir uma pequena diferença, e lidera por 48% a 43%. De 7 para baixo, o tucano vence por larga margem, mas esses eleitores são apenas um quarto do eleitorado.
O feriado de Finados não deve influenciar no resultado da eleição. Segundo o Ibope, é praticamente igual a proporção de eleitores de Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB) que pretendem ficar nas suas cidades e votar neste domingo: 95% e 94%, respectivamente.
O instituto perguntou aos eleitores o que pretendem fazer neste final de semana prolongado, já que na terça-feira é feriado. Do total, 93% disseram que não viajarão antes de votar. Apenas 3% dizem que pretendem não votar, mas em igual proporções entre eleitores de Dilma e Serra.
Outros 3% disseram que ainda não decidiram ou que sua decisão depende de outros fatores, como o clima. Entre esses, a proporção é maior entre os que declaram voto no tucano (39%, contra 28% da petista).
De qualquer modo, a diferença de 14 pontos dos votos válidos em favor de Dilma é muito maior do que a soma dos que assumem que não viajarão e dos que admitem essa possibilidade.
O grau de conhecimento do número do candidato é ligeiramente maior entre os eleitores de Dilma: 89% sabem que ela é 13, enquanto 83% dizem corretamente que o número de Serra é 45. Logo, esse fator tampouco deve influenciar o resultado.
No primeiro turno, Dilma teve mais votos onde o porcentual de votos nulos foi mais alto. Isso aconteceu principalmente nas pequenas e médias cidades do Nordeste.
Uma hipótese levantada pelo cientista político Jairo Nicolau é que isso seja uma combinação da baixa escolaridade dos eleitores com a dificuldade de votar seis vezes em seguida na urna eletrônica, numa ordem que coloca a eleição presidencial por último.
Se ele estiver correto, uma parte desses votos nulos poderia ser de eleitores da petista que erraram a ordem de votação e acabaram anulando involuntariamente. No segundo turno, com apenas um voto na maioria dos Estados, a probabilidade desse erro ocorrer é menor.
Porém, esse fator seria contrabalançado pelo aumento da abstenção. Em 2006, ela foi maior no segundo turno do que no primeiro. Sem mobilização dos candidatos a deputado, a senador e a governador, mais eleitores deixam de comparecer aos locais de votação, principalmente no Nordeste e no Norte.
Desse modo, o que Dilma pode ganhar com a diminuição de voto nulo, ela perderia com o aumento da abstenção. Na prática, um fenômeno compensaria o outro. Para fazer diferença em favor de Serra, a abstenção teria que aumentar pelo menos 4 pontos porcentuais no Nordeste e nas pequenas cidades.
Hoje à noite haverá debate na TV Globo, o último evento de campanha neste segundo turno. É a última chance de haver um fato novo que possa mudar a tendência do eleitorado. Mas, olhando-se o retrospecto, é improvável que isso aconteça.
Até agora, 39% dos eleitores afirmam que Dilma tem ido melhor nos debates de televisão, 31% apontam Serra e outros 31% não sabem dizer. Ou seja, a avaliação sobre o desempenho dos candidatos acompanha a intenção de voto: quem vota em Serra cita o tucano, e quem vota em Dilma gosta mais da performance dela.
Incluídas as sondagens concluídas nesta quinta-feira por Ibope e Datafolha, a média das pesquisas permaneceu em 57% a 43% para DIlma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB), nos votos válidos. Estão também computadas nessa média os levantamentos do Datafolha concluído na terça-feira, e o do Sensus, fechado na segunda.
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Dilma chegou ao seu teto nesta eleição. Os 57% de votos válidos foram seu limite no primeiro turno e a partir de onde começou a cair. Na medida em que os indecisos se definirem, a vantagem da petista pode diminuir um pouco.
A dois dias da eleição, entretanto, apenas um fato novo de grande repercussão provocaria uma queda abrupta o suficiente para ameaçar a liderança de Dilma.
Vale notar que as diferenças entre os institutos estão todas dentro da margem de erro. No caso de Serra, ele tem entre 41% (Sensus) e 44% (Datafolha). Como a margem é de 2 pontos para ambas as sondagens, há um intervalo comum entre 42% e 43% dos votos válidos.
No caso de Dilma, ela tem entre 56% (Datafolha) e 59% (Sensus). Aplica-se a mesma regra, e encontra-se um intervalo comum de 57% a 58% dos votos válidos.
O gráfico acima, com as buscas mais comuns no Google por palavras associadas aos nomes dos candidatos, mostra que os picos negativos de termos associados a Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”, já esgotaram seu ciclo.
Já as buscas por associações negativas com Dilma (“aborto”, “terrorista” e “nem cristo”) ainda mostram resíduos, mas não nos mesmos níveis do final do primeiro turno, quando ela caiu na reta final e perdeu a maioria absoluta de votos válidos.
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Na média dos quatro levantamentos mais recentes, Dilma Rousseff (PT) abriu 12 pontos de vantagem sobre José Serra (PSDB). Ela tem agora 56% dos votos válidos, contra 44% do tucano. A diferença aumentou dois pontos com a entrada no cálculo da pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira. As demais pesquisas dá média são do Ibope, Vox Populi e outra do Datafolha.
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A média mostra uma tendência oposta à do final do primeiro turno, quando Dilma estava em queda e Marina Silva (PV) crescia, graças principalmente ao voto religioso. Desta vez, a petista tem sustentado a diferença a despeito de episódios recentes como o “bolinhagate”, o debate da TV Record e o depoimento de Erenice Guerra na Polícia Federal.
Superada a drenagem de votos de evangélicos e católicos por causa da questão do aborto, o mote principal da eleição voltou a ser o debate entre continuidade e mudança. Como a economia acelera e o consumo está em alta, Dilma se beneficia da aprovação do governo.
O gráfico abaixo ilustra quais temas influenciaram a campanha eleitoral em setembro e outubro. As curvas indicam a proporção de buscas feitas no Google por alguns binômios envolvendo os dois candidatos e demostram os interesses principais dos internautas. A linha verde (Dilma + Serra) serve de referência, porque mostra as buscas pelos nomes de ambos.
Percebe-se que Dilma teve dois picos que se estenderam por vários dias na reta final do primeiro turno. O primeiro (Dilma + Cristo) está relacionado a frase atribuída à petista: “Nem Cristo me tira essa vitória”. O segundo (Dilma + aborto) se deveu à divulgação viral de vídeos mostrando contradição de Dilma quanto à mudança da legislação que proíbe o aborto.
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O primeiro pico (linha laranja) coincide com o início da queda de Dilma no primeiro turno, e o segundo (vermelha), com a acentuação dessa queda.
Os picos de buscas envolvendo o nome do tucano foram no segundo turno. O primeiro (Serra + aborto), em azul claro, está relacionado ao boato, depois transformado em reportagem, de que sua mulher teria feito um aborto quando estavam exilados nos EUA. Esse pico coincide com o aumento da vantagem de Dilma no segundo turno.
O segundo pico (em azul escuro) foi motivado pelo confronto envolvendo Serra e petistas no Rio, durante o qual o tucano foi atingido primeiro por uma bolinha de papel e depois por outro objeto do qual não se tem imagens. O candidato foi parar no hospital e foi ironizado por Lula.
O caso virou hit na internet e, apesar de ele ser a vítima, parece ter mais atrapalhado do que ajudado o tucano. Ele oscilou dois pontos para baixo nesta mais recente pesquisa Datafolha nos votos totais, de 40% para 38%.
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Como sempre, José Serra (PSDB) foi mais desenvolto e loquaz do que Dilma Rousseff (PT) no debate, desta vez na TV Record. Mas o foco da disputa não lhe favoreceu. Afora as menções críticas que um fez ao outro, o tema mais citado no confronto não é bom para o tucano. “Petrobras”, “pré-sal”, “privatizar”, “petróleo” e “privatização” estiveram entre as palavras mais repetidas por ambos.
As 50 palavras mais repetidas por Dilma:

As 50 palavras mais repetidas por Serra:

“Dilma” foi a palavra mais citada por Serra. E a dupla de sinônimos “senhor” e “candidato” foi a que mais saiu da boca de Dilma. Nunca antes na história deste segundo turno essa coincidência tinha ocorrido (compare aqui). É o melhor indicativo de como o debate foi marcado pela tentativa recíproca de desqualificar o rival.
Em comparação ao debate da Band, quando surpreendeu pela agressividade, Dilma mudou de tática (algo que já havia ensaiado na RedeTV!). Em vez de tratar o adversário por “Serra”, procurou compensar a rispidez do conteúdo com a formalidade de tratamento, chamando-o de “candidato” e “senhor”.
Serra manteve a tática de chamar “Dilma” de “Dilma”, mas mudou a estratégia. Trocou o discurso de vítima, sua principal marca no debate da RedeTV!, pelos ataques e críticas à adversária. Mantendo o tratamento informal e soando mais ácido, às vezes irônico, o tucano correu o risco de parecer arrogante.
Debate da RedeTV!, há oito dias. José Serra (PSDB) afirma com todas as letras, em referência ao caso Paulo Preto: “Eu sou a vítima”. A frase sintetizava uma nova estratégia, que era corroborada pelas suas queixas contra intimidações por militantes do PT. Dias depois ocorreu o “bolinhagate”, no Rio. Serra, atingido na cabeça, foi parar no hospital. Acusou Lula de incitar a violência.
Corta. Nova cena.
Debate da Record. Serra parte para o ataque a Dilma Rousseff (PT). Foi “combativo” em alguns títulos sobre o debate, “agressivo” em outros, ou “arrogante”, na provocação feita pela adversária. Mudou não só as palavras, como nas menções ao escândalo “Erenicegate”, mas também no gestual, nas expressões faciais, na voz e até na cor da gravata. Foi uma nova estratégia, a 180 graus da anterior.
Parênteses: Dilma foi confusa, desenvolta como um carro usando gasolina batizada, trocou palavras, não teve carisma. Mas ela tem sido assim em todos os debates. Não perdeu votos até agora por isso. Possivelmente porque seus eleitores não votam nela por suas qualidades pessoais, mas pelo que pensam que ela representa: continuidade. Fecha parênteses.
Ao mesmo tempo que Serra trocava de estratégia pela segunda vez em 15 dias, seu vice, Índio da Costa (DEM), dizia que todos os institutos estão errados, e apenas as pesquisas da campanha estão certas. Segundo o político, elas apontariam empate técnico entre Serra e Dilma.
Se é assim, por que mudar de estratégia novamente?
Ou a vitimização teve o efeito oposto ao esperado pelos estrategistas tucanos, ou as sondagens da campanha citadas por índio estão certas e, mesmo assim, Serra resolveu mudar uma estratégia vencedora. O que não parece plausível é conciliar as duas. “Vítima” “agressiva” não funciona.
Conforme previsto, a semana vai ter confusão envolvendo pesquisas eleitorais. O GPP contratado por Índio da Costa (DEM) sai nesta terça-feira e, segundo o vice de José Serra (PSDB), com resultados muito diferentes dos outros institutos. O candidato chegou a antecipar parcialmente o resultado nesta segunda, apesar de o prazo de carência para divulgação só se encerrar nesta terça.
É a primeira pesquisa que o GPP divulga desde o começo da campanha, portanto, é incomparável. Índio explicou que o motivo de fazer isso é contestar os resultados dos outros institutos e motivar a militância. Ou seja, é um legítimo instrumento de propaganda de sua campanha. E deve ser lido como tal.
Confusão à parte, há duas perguntas intrigantes (as P-14 e P-15, feitas após a declaração de voto do eleitor, ressalte-se) na pesquisa que o Datafolha divulga também nesta terça:
“P.14 Na hora de escolher um candidato a presidente da República você acha que é muito, um pouco ou nada importante que ele ou ela
a) nunca tenha se envolvido em casos de corrupção
b) tenha experiência administrativa
c) seja do sexo feminino
d) seja religioso
e) seja casado
f) seja do sexo masculino
g) não tenha problemas de saúde
h) seja pobre
i) seja rico
j) tenha um passado político conhecido
P.15 Algumas pessoas defendem que se um candidato à Presidência apresenta um problema de saúde, isto deve ser informado a todos os eleitores. Outras pessoas acreditam que um problema de saúde é assunto pessoal que importa apenas para o candidato e seus familiares. Com qual frase você concorda mais (LEIA DEVAGAR ATÉ A INTERROGAÇÃO)
1) se um candidato à Presidência tiver um problema de saúde isto é uma questão pública e deve de conhecimento de todos os eleitores
OU
2) se um candidato à Presidência tiver um problema de saúde isto é uma questão pessoal e não deve ser de conhecimento de todos?”
Se a maioria dos eleitores escolher a opção “1″ na P-15, será que se pode inferir da resposta que um candidato deve tornar de conhecimento público todos seus “problemas de saúde”, inclusive os leves, como hipocondria, ou apenas as doenças letais, como câncer? A pergunta não esclarece.
A pesquisa Vox Populi concluída no domingo mostra Dilma Rousseff (PT) com 57% dos votos válidos, contra 43% de José Serra (PSDB). É o mesmo placar da pesquisa anterior do instituto, feita uma semana antes. O resultado não alterou a média dos 4 institutos, que continua dando 10 pontos de dianteira para a petista: 55% a 45%.
No total de votos, a diferença de Dilma para Serra passou de 12 para 11 pontos. Ela oscilou de 51% para 49%, enquanto o tucano foi de 39% para 38%. Os pontos que estão faltando aparecem no aumento dos indecisos, de 4% para 7%. Na falta de melhores notícias, esse pode ser um alento para a campanha tucana.
Se os números estiverem corretos, pode ser sinal de que a troca de chumbo entre Dilma e Serra esteja aumentando o contingente de indecisos, que, em tese, poderiam migrar para o tucano na urna. Mas uma pesquisa é insuficiente para saber se isso é uma tendência ou uma variação numérica sem significado.
O Datafolha, nesta terça-feira, poderá confirmar ou não esse movimento marginal do eleitorado. Na quarta sai pesquisa do Sensus, e na quinta, do Ibope. Aí, sim, teremos um quadro mais preciso dos movimentos de última hora dos eleitores antes do debate da Globo, marcado para sexta-feira.
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Os mapas que ilustram esta nota são proporcionais em tamanho à intenção de voto de Dilma e Serra. Estão distorcidos para mostrar o peso de cada região no cômputo geral dos votos. O Nordeste é inchado para Dilma porque tem um peso maior na sua votação.
Comparando-se os mapas do tucano e da petista, percebe-se que há equilíbrio nas proporções das demais regiões. Para virar a eleição, a última chance de Serra é desequilibrar o mapa de votação no Sudeste e no Sul. Por isso, concentrou sua campanha nessas regiões na reta final.
É principalmente no Sudeste que se deve procurar mudança de tendência nestas últimas pesquisas.

Há dois tipos de eleitores de Dilma. Sozinhos, nenhum lhe daria favoritismo eleitoral. Os que recebem alguma bolsa federal são responsáveis por 1/3 dos seus votos. O resto não participa de nenhum tipo de programa do governo Lula.
Os “bolsistas” são mais fiéis. Desde que passou a liderar a corrida presidencial, Dilma nunca baixou de 60% de intenção de voto, segundo o Ibope, entre os participantes de programas federais, dos quais o Bolsa Família se destaca por sua maior abrangência.
Na pesquisa Ibope concluída em 20 de outubro, ela tinha 64% nesse grupo, que representa pouco menos de 30% do eleitorado. Já entre os sem-bolsa o páreo é duro. A petista tem 46%, contra 44% de Serra. E o que seria de Dilma sem esses 46%? Perderia a eleição.
Desde 1989, a reta final da campanha presidencial é sacudida por denúncias, algumas de última hora, outras relevantes. E desde então elas afetam marginalmente o resultado. Em eleições apertadas, a margem faz diferença. Parece que o rabo balançou o cachorro.
A grande maioria dos eleitores, porém, pensa no que é melhor para si e vota de acordo com essa avaliação. Para uns, significa mais chances de ascender. Para outros, assegurar o já conquistado. Ou seja, é o pragmatismo do eleitor que faz o cachorro se mover de fato.
Uma avalanche de pesquisas sinalizará a reta final da eleição. A partir desta segunda, todo dia uma nova sondagem deve ser divulgada. A sucessão de pesquisas, em tese, ajuda a clarear as tendências finais. Mas convém tomar precauções ao analisar os resultados.
A primeira a ser divulgada deve ser do Vox Populi, desta segunda. Nesta terça tem Datafolha. Sensus sai na quarta, e Ibope, na quinta. O Datafolha publica outra sondagem na sexta. E, no sábado, véspera da eleição, Ibope, Vox e Datafolha devem divulgar as últimas pesquisas.
Sem contar as sondagens não-registradas, feitas por conta dos próprios institutos ou contratadas por campanhas e empresas, virão a público, de hoje até as urnas, pelo menos oito pesquisas de institutos que acompanharam a sucessão desde o começo. É bastante, mas não tudo.
Há novidades de última hora. O GPP, instituto ligado a Cesar Maia (DEM), registrou pesquisa presidencial contratada pelo candidato a vice de José Serra (PSDB), Índio da Costa, e está apto a divulgá-la a partir de amanhã.
Inédito nesta sucessão presidencial, o instituto Veritá protocolou registro e pode divulgar pesquisa a partir de quinta. É duvidoso se o fará. Na semana passada, o Veritá também registrou sondagem paga com recursos próprios mas não se tem notícia do resultado.
Dos quatro institutos veteranos nesta sucessão, três mostravam a mesma tendência até a semana passada: um alargamento da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) para pelo menos 12 pontos, considerados os votos válidos.
Só o Sensus mostrou estabilidade. Dos quatro institutos, é o que divulga pesquisas com menos frequência. Incluindo-o na média das quatro sondagens mais recentes de todos os institutos, o quadro era, até sexta-feira, de 55% a 45% para Dilma.
Mas essa medição não computou eventuais efeitos do chamado “bolinhagate”, nem das denúncias contra pessoas ligadas a Dilma no noticiário do final de semana, tampouco do debate da TV Record. A tendência do eleitor pode ter mudado, e é isso que se deve procurar nos números a partir de hoje.
A comparação das pesquisas ao longo do tempo é mais importante do que os porcentuais em si. Só o histórico é capaz de indicar para onde vai o eleitorado, se um candidato está em ascensão ou queda. É o que Vox Populi, Datafolha, Sensus e Ibope, pela ordem, mostrarão a partir de hoje.
Não se pode dizer o mesmo de GPP e Veritá. Deles, não se tem referência nesta eleição presidencial. Surgem para um tiro solitário e incomparável. Equiparar seus resultados, sejam eles quais forem, aos dos institutos que têm histórico nesta sucessão é arriscar-se à confusão.
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