A pesquisa Datafolha deu à oposição o gás que lhe faltava para tentar levar a eleição presidencial para o segundo turno. Por ora, o movimento detectado pelo instituto aparece circunscrito aos mais escolarizados e de renda mais alta. A questão é saber se ele migrará para outros estratos sociais mais numerosos. Sem isso, a marola pode não chegar a onda.
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira aponta para uma redução da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre seus adversários. Foi a primeira feita após a queda da ministra Erenice Guerra por denúncias de tráfico de influência dentro do governo. E também a primeira depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou seus ataques à imprensa.
Dilma oscilou de 51% para 49% do total de votos, principalmente por perder eleitores entre os mais escolarizados e de renda mais alta. Marina Silva (PV) manteve sua tendência de crescimento e chegou, segundo o Datafolha, a 13%. José Serra (PSDB) foi de 27% para 28%. Ambos subiram nos mesmos segmentos onde Dilma caiu.
A diferença do resultado do Datafolha em relação aos outros institutos não é o percentual de Dilma, mas os dos adversários e, principalmente, os brancos/nulos/indecisos. Segundo o Datafolha, eles somam apenas 8%, contra 12% no Ibope e 15% no tracking diário do Vox Populi.
A soma dos adversários chega a 42% no Datafolha, mas fica em 36% no Ibope, e em 34% no tracking do Vox Populi. Ou seja: os indecisos estariam migrando em massa para os candidatos de oposição, segundo o Datafolha.
Além da data de campo, há uma diferença entre os institutos: o Datafolha faz sua pesquisa em ponto de fluxo, e os demais, nos domicílios. O perfil do eleitor entrevistado é ligeiramente diferente. Quem está na rua tende a decidir o voto antes de quem não sai de casa.
Em tese, nesta reta final, a metodologia do Datafolha pode captar eventuais mudanças de humor do eleitor mais rapidamente. Mas também corre o risco de exagerar o peso dos segmentos mais antenados no total do eleitorado.
Haver ou não segundo turno depende de a tendência entre os mais escolarizados e de maior renda influenciar, por exemplo, os eleitores com nível médio de ensino e renda entre 2 e 5 salários mínimos. Isso ainda não aconteceu nesta eleição.
Se o movimento ficar encapsulado no eleitorado de alta renda e escolaridade, Dilma precisaria perder mais da metade de seus votos nesse estrato para deixar de liquidar a fatura em 3 de outubro.
Por isso que a próxima pesquisa Ibope/Estado/TV Globo tornou-se especialmente importante. Ela servirá de tira-teima na comparação do Datafolha com o tracking diário do Vox Populi. A pesquisa Ibope será divulgada nesta sexta, simultaneamente, no Jornal Nacional e nos portais Estadão.com e G1.
Tags: 2010, datafolha, Dilma, eleição, ibope, Marina, pesquisa, Serra, vox populi
O que achei curioso com o Datafolha e que ele foi o ultimo instituto a detectar a queda de Serra e fez isto até de maneira brusca, denotando um ajuste de rumo e é o primeiro a mostrar a subida de Serra. Deve ser coincidência.
Hum.. que estranho isso… mesmo com diferentes metodologias, Dilma tem percentual parecido nos 3 institutos, sendo que no Datafolha tem 2 a menos… Serra tem 4 pontos a mais… Marina 3 a mais… indecisos 4 a menos…
Total da fatura: 13 pontos de diferença… Wow…
Deve ser a famosa margem de erro, ou margem de manipulação… ou ainda mais conhecida como margem da cara-de-pau…
Caro Toledo, parabéns pelo blog, mas sugiro uma análise de mais longo prazo. Se comprovada esta oscilação negativa, dentro da margem de errod o Datafolha, na próxima pesquisa do IBOPE pode ser apenas uma acomodação da subida de Dilma nas últimas semanas e um pouco do reflexo de tanto denuncismo na mídia, mas não necessariamente uma grande queda que, em 10 dias, derrube toda a larga vantagem de Dilma pra ganhar no 2o turno. Muito menos que, em eventual 2o turno, Serra tenha alguma chance com a economia e o emprego bombando como está, mesmo usando a tática do medo e do terror. Achei muito interessante a análise dos números do Datafolha no blog de Brizola Neto (http://www.tijolaco.com/27212).
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