José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Esta corrida presidencial ocorre em três etapas. Na pré-campanha, uma desconhecida Dilma Rousseff (PT) galvanizou os eleitorados petista e lulista, viabilizou-se como candidata do governo e empatou com José Serra (PSDB), o mais conhecido dos presidenciáveis. Essa fase durou de setembro a maio.

A segunda etapa está em curso. É a da campanha aberta, mas sem palanque eletrônico permanente. Foi caracterizada até agora pelo empate técnico dos dois favoritos, com oscilações marginais provocadas por uma parte do eleitorado que é tradicionalmente pendular.

A novidade da pesquisa Ibope é que Dilma dá sinais de que pode se desgarrar e fazer uma largada “lançada” para a terceira fase da corrida: a etapa em que a propaganda compulsória no rádio e na TV leva a campanha para dentro da casa e da cabeça de todos os eleitores.

Iniciar a etapa final acelerando mais do que o adversário é uma vantagem. Mas nesta nova fase os presidenciáveis estarão superexpostos. Será uma corrida de obstáculos: os líderes correm risco de tropeçar nos debates e nas próprias palavras.

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Mal deu tempo de digerir os resultados da pesquisa Ibope/Rede Globo/Estado divulgada nesta sexta-feira, e uma nova rodada de sondagens está a caminho. O Sensus registrou pesquisa nacional sobre a corrida presidencial no dia 29. Está apto a divulgá-la a partir de quinta-feira, o que deve ser feito pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes), que contratou a sondagem.

O Ibope deve divulgar nova pesquisa nacional também na próxima semana. Se o registro for feito neste sábado, a publicação poderia ocorrer na sexta-feira.

Esse tende a ser o novo ritmo de divulgação de pesquisas sobre a eleição presidencial daqui para frente. Em duas semanas, os institutos devem voltar a campo para registrar qual a posição dos candidatos a presidente antes do início da propaganda eleitoral compulsória. E farão o mesmo após a veiculação de alguns programas, marcados para começar no dia 17 de agosto.

A frequência semanal de sondagens formará um quadro mais preciso das tendências da disputa presidencial. À medida que os candidatos forem se tornando mais conhecidos pelo efeito da propaganda, e as datas de campo das pesquisas se sobreponham, é provável que as diferenças percentuais entre os institutos diminuam. Quanto mais pesquisas, melhor.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Apesar de José Serra (PSDB) ter concentrado sua campanha no Nordeste nas últimas semanas, a vantagem de Dilma Rousseff (PT) na região aumentou. Em comparação à pesquisa anterior do Ibope, feita um mês atrás, a diferença pró-petista cresceu de 18 para 24 pontos percentuais no eleitorado nordestino.

Ao fazer campanha na região, Serra deixa mais claro para o eleitor nordestino que ele é o candidato de oposição ao governo Lula. Por tabela, reforça a imagem de Dilma como a preferida do presidente. Uma hipótese a ser testada é que a campanha nordestina do tucano esteja provocando o efeito oposto ao esperado. É lá que Lula é mais popular. E é lá que Serra tem sua maior rejeição.

A intensidade do resultado de Dilma no Nordeste, onde chegou ao dobro da intenção de voto de Serra, é a principal responsável pela dianteira da petista no total do país. A grande frente aberta pelo tucano no Sul é compensada parcialmente por Dilma com os pontos de frente que abriu no Norte/Centro-Oeste. No Sudeste, onde o tucano tinha uma pequena dianteira, há agora um empate técnico.

O resultado desfavorável a Serra no Ibope ocorre depois de o tucano ter intensificado as críticas ao governo Lula. Por influência do seu principal marqueteiro, o tucano passou a atacar pontos específicos da gestão petista, como a política exterior e a relação do PT com movimentos sociais que têm uma imagem negativa na classe média, como o MST.

A vantagem aberta por Dilma no Ibope pode ser apenas mais uma oscilação de uma parte do eleitorado que já foi para lá e para cá muitas vezes ao longo desta campanha. Um novo balanço do pêndulo. Mas há outros sinais negativos para Serra na pesquisa.

O principal deles é que cada vez mais eleitores acham que Dilma será eleita presidente, e cada vez menos apostam no tucano: 47% crêem na vitória da petista, contra apenas 32% que jogam suas fichas em Serra. É um percentual menor do que sua intenção de voto. Os eleitores de Serra estão menos confiantes do que os de Dilma.

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A próxima pesquisa sobre a corrida presidencial do Ibope deve ser divulgada durante o Jornal Nacional de sexta-feira, junto com pesquisas sobre as disputas estaduais em cinco unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal. Essa pesquisa foi contratada pela Rede Globo e pelo Estado.

Paralelamente, as afiliadas da Globo devem divulgar pesquisas do Ibope para governador e senador também na sexta, durante o telejornal local, em outros 6 estados: Paraíba, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Amazonas.

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José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) têm a mesma estratégia geográfica, mas destinos opostos. Enquanto o tucano concentra sua campanha no Nordeste, a petista privilegia o Sul e o Sudeste. Um e outra atacam os redutos eleitorais do adversário para evitar que ele abra vantagem muito grande.

Segundo o Datafolha, Serra tem 13 pontos percentuais de vantagem no Sul e 7 pontos a mais no Sudeste. Isso dá cinco pontos percentuais de saldo sobre a adversária no eleitorado nacional. Dilma compensa essa desvantagem com 12 pontos a mais no Nordeste e 7 pontos de frente no Norte/Centro-Oeste.

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(clique na imagem para ampliar)

As unidades da Federação representadas no mapa concentram 70% do eleitorado brasileiro. Das 9, Serra lidera em 3 (São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul), empatam em uma (Minas Gerais) e Dilma está na frente em 5: Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará e Distrito Federal.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Considerado o cenário com os candidatos nanicos, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) mantém-se empatados na média das pesquisas. Isso vem acontecendo desde maio.

A pequena diferença em favor da petista tem se mostrado consistente, mas não supera a margem de erro das pesquisas, o que caracteriza empate técnico. Hoje a distância, na média, é inferior a 2 pontos percentuais.

Num quadro em que os institutos apontam resultados tão diferentes entre si, como foi o caso das mais recentes pesquisas Vox Populi e Datafolha, é sempre útil colocar os dados em perspectiva e procurar um meio termo.

As linhas de cada candidato apresentadas no gráfico são uma representação da média móvel das três últimas pesquisas divulgadas. A cada nova rodada, entram os números da pesquisa mais recente e saem os da mais antiga.

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Como se pode observar, as linhas de Serra e Dilma correm paralelas há pelo menos dois meses. Estão separadas por uma distância que variou de 1,7 ponto em favor de Serra até 3,7 pontos em favor de Dilma.

Como em nenhum momento essa diferença superou 4 pontos percentuais, eles sempre estiveram tecnicamente empatados (a margem de erro é de 2 pontos para cada candidato, logo, deve ser somada).

As oscilações pontuais registradas pelos institutos ao longo dos últimos dois meses mostraram apenas o efeito momentâneo e limitado de um ou outro episódio de campanha, como a propaganda de Serra na TV ou um discurso de Lula em favor de Dilma. Não apontaram uma mudança de tendência.

A história da corrida presidencial até agora pode ser resumida assim: uma candidata empurrada por um presidente popular partiu do total desconhecimento e, em seis meses, conquistou os votos petistas, depois dos fãs de Lula e empatou com um candidato muito conhecido e de oposição.

Há dois meses nada muda nessa história. Emoções mais fortes, só após o começo da propaganda diária na TV, em agosto.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

A diferença nos resultados entre as pesquisas Vox Populi e Datafolha está além da margem de erro de ambas. No cenário com os candidatos dos pequenos partidos, Dilma Rousseff (PT) tem 41% no instituto mineiro contra 36% no paulista. Aplicada a margem de erro de 2 pontos porcentuais, ela teria no mínimo 39% no Vox, ainda um ponto além do máximo a que chegaria no Datafolha (38%).

Com José Serra (PSDB), os dois institutos estão no limite de um empate técnico. Os 33% do tucano no Vox Populi poderiam ser no máximo 35%, somada a margem de erro. Feita a conta inversa com os 37% que Serra tem no Datafolha, ele chegaria a no mínimo 35%.

Não se trata de um desencontro episódico. Há meses que os resultados do Vox Populi têm sido consistentemente diferentes dos do Datafolha, e têm contado uma história com final distinto.

O instituto mineiro identificou uma aceleração mais acentuada de Dilma e sua ultrapassagem sobre Serra no final de junho, enquanto o Datafolha desde meados de maio vem mostrando um empate técnico persistente entre os dois líderes da corrida presidencial.

Tudo indica que o motivo dessa divergência seja a maneira como os dois institutos abordam e entrevistam os eleitores. Enquanto o Vox Populi faz a pesquisa na casa das pessoas, o Datafolha faz a abordagem nos chamados pontos de fluxo. Seus críticos dizem que assim o Datafolha não atinge o eleitor rural. Mas quem mora no campo também vai à cidade.

Por si só, a diferença de tipo de abordagem não deveria levar a uma divergência tão consistente nos resultados. Os números do Datafolha nas pesquisas mais recentes têm se aproximado dos do Ibope, que, como o Vox Populi, aplica 85% dos questionários nas casas dos entrevistados.

A grande diferença está na ordem e na formulação das perguntas no questionário. Antes de indagar a intenção de voto estimulada, o Vox Populi pergunta o grau de conhecimento que o eleitor tem de cada um dos três principais candidatos, citando seus nomes duas vezes, e assim, estimulando a memória dos entrevistados.

Em seguida, o pesquisador do Vox Populi pergunta em qual dos candidatos o eleitor votaria e mostra uma cartela em que, ao lado dos nomes dos presidenciáveis, está escrito o partido de cada um deles. São duas informações que não necessariamente estavam associadas na cabeça do eleitor e que, juntas, podem levá-lo a optar pelo candidato do partido A ou do partido B.

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A semana terá duas pesquisas eleitorais para presidente da República, que devem ser divulgadas juntas, entre sexta e sábado. O histórico tem mostrado que apesar das semelhanças aparentes, as diferenças metodológicas de Vox Populi e Datafolha têm levado a que os dois institutos encontrem resultados diferentes.

Isso se repete nesta rodada: as datas de coleta são diferentes, e, principalmente, a ordem das perguntas no questionário e a forma como os candidatos são apresentados ao eleitor divergem entre Vox Populi e Datafolha. O quadro abaixo sintetiza as diferenças entre os dois institutos.

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Será interessante comparar não apenas o resultado nacional das pesquisas, mas também o desempenho dos candidatos a presidente em cada um dos estados onde os institutos estão ampliando sua amostra para obter percentuais locais de intenção de voto dos presidenciáveis.

Houve diferenças notáveis entre os institutos principalmente no Sul e no Sudeste. As amostras ampliadas no Rio Grande do Sul e no Paraná permitirão, por exemplo, avaliar melhor se a eventual vantagem de José Serra (PSDB) no Sul se mantém e com qual intensidade.

Do mesmo modo, será possível avaliar se Dilma Rousseff (PT) segue crescendo ou não no Sudeste, e em quais estados, já que ambos os institutos divulgarão como está a corrida presidencial em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Nesses estados, além de Bahia, Pernambuco e Distrito Federal, será possível também comparar as intenções de voto dos candidatos a governador e ao Senado em ambos os institutos.

PS: Depois de publicada esta nota, o diretor-executivo do Vox Populi, João Francisco Meira Filho, nos informou que a base de coleta ampliada em 8 UFs do Vox Populi é de 11.100 entrevistas, que são ponderadas e transformadas nas 3 mil entrevistas citadas no quadro acima, cuja margem de erro máxima é de 1,8 ponto percentual.

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(coluna publicada na edição impressa do Estado)

Os cerca de 20 mil candidatos às eleições de outubro não são um espelho preciso da sociedade que pretendem representar. Suas diferenças em comparação à média do eleitorado brasileiro chamam mais a atenção do que eventuais semelhanças.

O candidato típico é homem, tem 48 anos de idade, tem nível superior e é político profissional (ou empresário, ou funcionário público).

O eleitor típico é mulher, tem pouco mais de 40 anos, não foi além do ensino fundamental e é assalariada do setor privado (ou tem uma ocupação informal).

As chapas são dominadas por uma elite partidária tão afeita ao poder que, ao preencher sua ocupação no registro de candidatura, seus membros escrevem “deputado” ou “vereador”. Ao menos 1.885 candidatos fizeram isso, tornando a “profissão” de político a mais comum entre os postulantes.

Das discrepâncias entre o perfil dos eleitores e o dos potenciais eleitos, a que mais chama a atenção é a de gênero. Apesar de as mulheres serem maioria do eleitorado, elas não passam, em 2010, de 21% do total de candidatos às assembleias legislativas e à Câmara dos Deputados.

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A legislação prevê pelo menos 30% de candidatas mulheres para cargos proporcionais, mas não é cumprida desde sempre. Em 2006, menos de 9% das cadeiras da Câmara dos Deputados foram preenchidas por mulheres. “O partido é o grande funil, não o eleitorado”, afirma a socióloga Fátima Pacheco Jordão, uma estudiosa do tema.

A soma da intenção de voto de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) nas pesquisas presidenciais mostra que a maioria dos eleitores não tem nada contra candidatas. Ao contrário: mulheres já foram eleitas prefeitas e governadoras do Rio Grande do Sul ao Pará, por diferentes legendas. Mas dentro das agremiações políticas, o volume de filiadas não se reflete na cúpula.

Na composição dos principais órgãos de comando dos partidos, a proporção de mulheres é decorativa. No DEM, de 57 membros da comissão executiva nacional, só 4 são do sexo feminino. No PSDB, são 4 mulheres para 42 vagas. No PMDB, entre os 25 dirigentes, só há duas mulheres. No PT a participação é um pouco maior, mas ainda minoritária: 6 mulheres entre 21 caciques.

Fecha-se um circuito viciado: homens preterem mulheres no preenchimento das chapas partidárias, menos mulheres são eleitas, homens mantêm a maioria dos cargos de mando dentro dos partidos. Perpetua-se o machismo.

Praticamente nenhuma sigla escapa. Na eleição para a Câmara dos Deputados, apenas um partido respeita a cota mínima de candidatas do sexo feminino na disputa de 2010: o PCO (Partido da Causa Operária), com 50% de mulheres -embora elas sejam só 4.

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Entre os grandes partidos, o PSDB está na média da desigualdade de gênero no pleito para deputado federal: 79% de candidatos homens e apenas 21% de mulheres. PMDB e PT têm uma proporção equivalente: 22% de postulantes do sexo feminino. Já o DEM tem apenas 14% de candidatas mulheres para a Câmara.

Na disputa dos cargos majoritários, a desproporção é ainda maior. A eleição para o Senado este ano tem 34 mulheres entre os 265 candidatos, ou seja, elas conseguiram 13% das vagas. E no pleito para os governos estaduais, há 18 candidatas num total de 167, o que significa só 11% de mulheres.

É um problema global, inscrito nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas o Brasil está ficando para trás. O Congresso argentino, por exemplo, tem uma proporção de mulheres três vezes maior do que o brasileiro.

A questão vai além do sexo do chefe de governo. Trata-se de assegurar a participação das mulheres em todas as arenas políticas. Relatório das Nações Unidas mostra que congressistas mulheres têm prioridades diferentes das dos homens, beneficiam mais as crianças e a família. E há ao menos três estudos que correlacionam o aumento da participação feminina no poder com menores níveis de corrupção.

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Quem procura a relação de candidatos por São Paulo no site da Justiça eleitoral pode achar que o PT só vai tentar eleger 21 deputados federais pelo maior colégio eleitoral do país. É que só apareciam 21 nomes como candidatos petistas e paulisas à Câmara em 15 de julho. Faltam muitos famosos, como José Genoino.

A ausência se deve a problemas técnico-burocráticos com os arquivos digitais dos requerimentos de candidatura. Segundo a assessoria do TRE-SP, a base de candidatos está sendo alimentada aos poucos, e deve estar completa até 22 de julho, quando se encerra o prazo legal. O problema é mais amplo com os candidatos petistas, mas envolve também outros partidos.

Até o momento de publicação desta nota, o site de divulgação de candidaturas do TSE tampouco publicava as fichas dos candidatos a presidente. Dessa vez o motivo é um recurso de um dos presidenciáveis, em julgamento pelo tribunal.

Houve avanços na divulgação este ano, como a inclusão de links para as fichas dos candidatos em pleitos anteriores, e a totalização dos bens dos candidatos. Mas, ao contrário das eleições passadas, não constam das fichas os limites de gastos propostos por campanha. É uma informação importante para a fiscalização da eleição.

Espera-se que esses problemas estejam superados na próxima semana e seja possível fazer um balanço levando-se em conta os dados de todos os candidatos.

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Foi divulgado hoje o índice de transparência das contas públicas, classificando governos estaduais e o governo federal segundo o grau de publicidade que dão aos seus gastos através da internet. É menos importante o ranking, ou quem ficou em primeiro ou em segundo lugar, do que saber que 46% das unidades da Federação receberam nota inferior a 5, e que uma em cada quatro teve avaliação menor do que 4.

Apesar de a chamada Lei Capiberibe obrigar, desde o final de maio, que estados e municípios com mais de 100 mil habitantes divulguem eletronicamente suas contas, muitos governos estaduais o fazem de maneira precária, improvisada e com atraso.

De qualquer modo, o novo índice cumpriu parte de seu objetivo ao promover uma corrida entre alguns governantes para melhorar sua posição no ranking de transparência. Ao saber que o índice estava em gestação, o governo de São Paulo procurou os responsáveis por sua elaboração para conhecer os parâmetros de avaliação. Não foi o único.

Como resultado, esses governos conseguiram melhorar significativamente a nota que teriam antes de saber da existência do índice. Não há mal nisso (há uma representante da CGU, do governo federal, no comitê técnico que estabeleceu os critérios de avaliação), ao contrário: as contas públicas paulistas, mineiras, gaúchas, pernambucanas e brasileiras ficaram mais transparentes.

Embora não admitam, grande parte do sentido de urgência desses governantes em adequar-se aos padrões de transparência teve motivação eleitoral. Não pega bem para quem concorre a um cargo público em 3 de outubro ter uma nota baixa nesta altura do campeonato. Mas é um daqueles casos em que os motivos importam menos do que as consequências. O fato é que, neste caso, as eleições ajudaram a transparência.

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(coluna publicada na edição impressa do Estado)

A política é a arte da repetição. A máxima de Fernando Henrique Cardoso está sendo demonstrada por seu sucessor e desafeto. Foi falando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viabilizou a candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão. E é repetindo que ele tenta elegê-la.

Lula disse e repetiu o nome de Dilma até convencer a cúpula do PT, cooptar os simpatizantes petistas, os aliados do PMDB e, por ora, 38% do eleitorado. Há uma correlação direta entre as menções de Lula e o crescimento de Dilma nas pesquisas.

A pregação do presidente não respeitou prazo legal. As citações continuadas a Dilma lhe renderam seis multas por propaganda antecipada. Dado o benefício eleitoral, a infração parece compensar. Lula deve R$ 42,5 mil à Justiça eleitoral, ou 0,02% do custo oficial da campanha presidencial do PT, estimada em R$ 187 milhões.

O primeiro sinal de sua opção por Dilma apareceu no discurso de Lula em meados de 2007, muito antes de que a maioria dos caciques do partido se desse conta de que uma neopetista, filiada há menos de 10 anos, cortaria a fila e viraria a candidata governista.

Em uma série de lançamentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em todas as regiões do país, o presidente soltou seu balão de ensaio eleitoral. Em apenas 54 dias, entre julho e agosto de 2007, ele repetiu o nome de Dilma em 18 discursos diferentes.

Até então, as menções do presidente à ministra-chefe da Casa Civil eram proporcionais ao destaque de seu cargo: cerca de 3 por mês -embora isso já fosse duas vezes mais frequente do que as citações a seus colegas Ciro Gomes e Marina Silva.

O balão subiu devagar. Lula voltou à carga em março de 2008, quando batizou Dilma de “mãe do PAC”, um epíteto que abandonaria mais tarde. Desde então, as citações a Dilma nos discursos e entrevistas do presidente só aumentaram, como se pode notar nos gráficos.

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Em 2003, quando era uma desconhecida ministra das Minas e Energia, Dilma aparecia em apenas 4% dos discursos de Lula, metade do que Ciro (Integração Regional) e um terço a menos do que Marina (Meio Ambiente). Em 2005 ela substitui José Dirceu na Casa Civil e é lembrada por Lula em 12% dos discursos e 17% das entrevistas. O “dilmômetro” de Lula não parou mais de subir.

Foram 39 discursos (15% do total) de Lula citando a ministra em 2006, 63 em 2007 (19%), 80 em 2008 (24%), até chegar ao recorde de 98 citações em diferentes ocasiões ao longo do ano passado, o que significa que ele mencionou a ainda ministra em 1 a cada 3 discursos que fez em 2009. Repetiu a dose com as entrevistas: citou-a em 87 oportunidades, ou 32% das vezes que falou aos jornalistas.

Em 2010, o “dilmômetro” entrou em curto-circuito. Só nos três primeiros meses do ano, o presidente mencionou Dilma em 39 dos 78 discursos que fez. Ou seja: um sim, um não. Em março apenas, Lula citou Dilma em 20 discursos, repetindo seu nome 94 vezes, mais até do que falou “Deus” (47 vezes), uma referência permanente nas falas presidenciais.

Aí foi demais para o TSE. O Tribunal Superior Eleitoral multou Lula duas vezes em março, por propaganda antecipada. Coincidência ou não, Lula não citou Dilma em nenhum discurso em abril -fato inédito desde que ela assumiu a Casa Civil. Em maio o presidente não se conteve e falou 6 vezes o nome da já ex-ministra, inclusive na festa do 1º de Maio, além de uma vez em junho. Resultado: 4 novas multas do TSE.

Mas o “dilmômetro” descontrolado de Lula já tinha dado o efeito esperado pelo presidente. Entre dezembro e junho, Dilma praticamente dobrou sua intenção de voto, ganhou cerca de 27 milhões e eleitores e empatou com José Serra (PSDB). Ela chegou ao patamar histórico de Lula nessa fase da corrida eleitoral.

A burla à lei e as multas do TSE implicaram um custo de R$ 1,00 para cada grupo de 635 novos eleitores que o presidente conseguiu para sua candidata. Lula pode dizer que fez sua parte. Agora é com Dilma.

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As pesquisas Ibope e Datafolha feitas após a veiculação dos comerciais de 30 segundos do PSDB salvaram a campanha de José Serra de uma crise. O tucano concentrou toda a sua propaganda em junho, para tentar barrar a ascensão de Dilma Rousseff (PT). Aos 45 do segundo tempo, ele conseguiu voltar a empatar com a petista.

Mas nem todos os problemas do tucano se acabaram. A mesma sondagem Ibope que põe os dois lado a lado nas simulações tanto de 1º quanto de 2º turno mostra que Dilma é cada vez mais favorita, ao menos na opinião dos eleitores.

O seu favoritismo passou a ser apontado por 45% do eleitorado (era 40% há um mês). Só 34% acham que Serra vai ganhar a eleição. A percepção de vitória é um importante combustível de campanha -tanto do lado financeiro quanto do psicológico.

Ainda segundo o Ibope, mais eleitores, principalmente do sexo feminino, se lembram de terem visto as propagandas de Serra, em comparação com as de Dilma. Isso pode explicar a oscilação positiva do tucano na última semana.

Os spots de 30 segundos se misturam à programação da TV e do rádio e, por isso, são muito mais eficientes como propaganda eleitoral do que os programas partidários de 10 minutos.

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(clique na imagem para ampliar)

No dia 5 a corrida começa oficialmente. Dilma e Serra largam lado a lado, mas com bagagens muito diferentes. Ela faz de tudo para mimetizar Lula. Ele aposta no próprio currículo. E Marina Silva (PV) corre por fora, bem por fora.

O início formal da campanha tem consequências práticas. Lula poderá repetir o nome de Dilma quantas vezes quiser, sem medo de ser multado de novo (seria a 7ª vez) pela Justiça eleitoral. Ao menos não por campanha antecipada. Lula tem sido o principal motor do crescimento de Dilma nas pesquisas.

Por outro lado, começarão os debates entre os candidatos, e Dilma será o alvo preferencial de todos os adversários. A falta de experiência em eleições levanta dúvidas sobre seu desempenho nesses embates. Inclusive se ela irá ou não comparecer.

O cenário econômico e a percepção de vitória favorecem a candidata governista, mas há 90 dias de campanha pela frente, com direito a discursos de improviso, entrevistas quebra-queixo, debates e propaganda no rádio e na TV. Como diz aquele forró, tudo pode acontecer, inclusive nada.

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A pesquisa Datafolha que mostra empate técnico entre o tucano José Serra (39%) e a petista Dilma Rousseff (38%) é uma reviravolta na corrida presidencial? Não. Na verdade, ela é facilmente comparável às anteriores, do Vox Populi e Ibope, que mostravam vantagem da candidata do governo (40% a 35%).

Vale notar que as variações na intenção de voto estimulada para o total do eleitorado estão dentro do intervalo da margem de erro.

Dilma, pelo Datafolha, poderia ter até dois pontos a mais, e chegar aos 40% indicados pelos outros institutos. O mesmo vale para Serra: o tucano poderia ter até dois pontos a menos, o que lhe daria 37% -o mesmo percentual a que ele chegaria somando-se a margem de erro de Vox Populi e Ibope.

Mas essa não é a explicação principal. As sondagens foram feitas em datas diferentes. O Datafolha teve tempo de captar o impacto dos spots de 30 segundos que o PSDB veiculou entre 26 e 29 de junho em todas as emissoras de TV do país.

A propaganda tucana, camuflada nos intervalos comerciais, alcançou o objetivo que o programa de 10 minutos do partido não conseguiu: foi lembrada por metade dos eleitores, segundo o Datafolha, o que deve ter beneficiado Serra com alguns pontos a mais na intenção de voto.

É o chamado efeito “recall”: a memória mais fresca na cabeça daqueles eleitores que ainda não fizeram uma opção firme por um candidato. Eles oscilam entre Serra e Dilma, e respondem aos pesquisadores o último nome que ouviram no rádio ou na TV.

É possível estimar o tamanho desse eleitorado oscilante? Quantos podem ser chamados de “eleitor vai-e-vem”?

Até o começo de maio, eles eram cerca de 10% do total. O aumento do grau de identificação de Dilma com o presidente Lula fez com que a petista absorvesse metade desses eleitores pendulares.

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(clique na imagem para ampliar)

Desde o começo de junho, o contigente dos “vai-e-vem” não passa de 5% do eleitorado. Mas como eles saltam de Serra para Dilma e vice-versa, acabam tendo seu peso dobrado, pois diminuem a intenção de voto de um e, ao mesmo tempo, aumentam a do adversário.

A julgar pelos cruzamentos do Datafolha, os “vai-e-vem” são preponderantemente mulheres e/ou eleitores com baixa escolaridade. Obviamente isso não significa que a maioria das mulheres e dos eleitores que estudaram pouco têm esse comportamento errático.

Os “vai-e-vem” são um pequeno grupo que tem preocupações maiores do que a eleição. Ao serem abordados pelo pesquisador, resolvem o problema sobre o qual não tinham pensado com uma resposta que puxa mais pela memória do que pelo raciocínio.

A diferença dos “vai-e-vem” para os indecisos é que esses últimos simplesmente não respondem nenhum nome de candidato para os pesquisadores e, assim, acabam fora das análises.

Os dois grupos devem continuar diminuindo, à medida que os presidenciáveis se tornam mais conhecidos e adquirem uma identidade no imaginário de mais eleitores.

Segundo o Datafolha, ainda há 25% de eleitores que não sabem quem é o candidato de Lula. É um contingente maior do que a soma de indecisos e dos “vai-e-vem”. Essa conta alimenta a expectativa dos petistas de que Dilma retomará seu crescimento assim que mais eleitores descobrirem quem Lula apoia.

É possível, mas, por enquanto, o principal efeito da pesquisa Datafolha é devolver esperança à campanha de Serra, depois de uma sequência de trapalhadas que ameaçou afundar o barco tucano antes de ele deixar o porto.

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