Cada vez mais fãs de Lula viram eleitores de Dilma - José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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06.junho.2010 19:51:58

Cada vez mais fãs de Lula viram eleitores de Dilma

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta os índices de aprovação do governo em alta. Sua nota média chegou a 7,8 na pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo, o percentual dos eleitores que acham sua gestão ótima ou boa é de 75%, e nada menos do que 86% aprovam sua maneira de governar. Mas como isso influencia a eleição?

O cruzamento da avaliação de Lula com a intenção de voto mostra como a popularidade do presidente transformou Dilma Rousseff (PT) de uma tecnocrata desconhecida em favorita da maior parte dos eleitores na corrida presidencial.

Lula navegou sem solavancos a maré alta de sua aprovação ao longo do primeiro semestre. Seu índice de aprovação (ótimo + bom) foi praticamente idêntico nas pesquisas Ibope de fevereiro, março, abril e na atual, feita entre 29 de maio e 3 de junho. O que variou foi a apropriação que Dilma fez dessa popularidade.

De carona nas aparições públicas de Lula, Dilma acelerou seu passo na corrida presidencial em fevereiro. Chegou a 28% das intenções de voto, mas ainda estava longe de José Serra (PSDB). Nessa época, ela empatou com o rival nos três quartos de eleitores que aprovavam o governo. E, como hoje, perdia na proporção de 5 votos a 1 no quarto do eleitorado mais insatisfeito com Lula.

Em março, a petista abriu uma pequena vantagem, de 7 pontos, sobre Serra entre quem avalia o governo como ótimo ou bom. Isso lhe permitiu chegar perto de um empate técnico com o tucano no total do eleitorado. Mas a alta não durou. Em abril, Serra recuperou votos no segmento pró-Lula e aumentou de 5 para 8 pontos sua vantagem na corrida presidencial.

Agora, Dilma abriu uma vantagem de 12 pontos sobre Serra nos 75% que aprovam o governo. O tucano ainda compensa essa diferença entre os eleitores que acham a gestão de Lula regular, ruim ou péssima. A questão, portanto, é se Dilma continuará ganhando votos entre os eleitores que aprovam o governo à medida que aumenta sua identificação com Lula.

Há uma diferença grande na intensidade de aprovação de Lula que fazem os eleitores de Dilma e de Serra. Nada menos do que 60% dos que dizem que o governo é “ótimo” declaram intenção de votar em Dilma (24% preferem Serra). O segmento do “ótimo” representa 27% do eleitorado total.

Já no maior grupo, o dos que acham o governo “bom”, a disputa está empatada: Serra tem 37% desses eleitores, contra 36% de Dilma. A turma do “bom” é 48% do eleitorado. Esse é o núcleo da briga entre o tucano e a petista.

Essas diferenças de intensidade ficam mais evidentes quando são traduzidas em notas. Para o total do eleitorado, o governo Lula é nota 7,8. Na opinião dos eleitores de Dilma, o governo merece um ponto a mais, em média: 8,8. Nada menos do que 40% dos eleitores de Dilma dão nota 10 ao governo.

Já os eleitores de Serra e Marina Silva (PV) são menos benevolentes com Lula. Na média, avaliam seu governo com notas 7,2 e 7,3, respectivamente. O tucano absorve, por exemplo, dois terços dos eleitores que dão nota zero ao governo petista. Mas, na média, são os que pretendem anular ou votar em branco que dão a nota mais baixa a Lula: 6,8.

Os indecisos dão nota média 7,8 ao governo. Esse é um indicador de que, na hora de votar, eles tenderão a se distribuir entre os candidatos na mesma proporção da sua intenção de voto.

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  • 07/06/2010 - 10:19
    Enviado por: J Nascimento

    Estrelas sitiadas

    As principais estrelas da oposição (com exceção do Serra) ou estão sitiadas, ou estão imobilizadas.

    FHC está imobilizado por força da fraca aprovação dos seus dois mandatos presidências. A sua presença em palanques tira votos do Serra. Por isso o ex-presidente age apenas nos bastidores da campanha tucana.

    O democrata José Roberto Arruda – considerado, antes, um aliado importante e um vice natural do Serra – foi afastado da política, por causa do chamado “Mensalão do DEM”. Esse escândalo, ocorrido no Distrito Federal, além de vitimar o Arruda, fragilizou o palanque do PSDB em Brasília, e impactou – negativamente – na imagem nacional do Democrata. O DEM perdeu Arruda, sua principal estrela.

    O Aécio Neves, após ver suas pretensões presidenciais rejeitadas pelo PSDB paulista – principalmente – voltou seus projetos políticos para Minas Gerais, com o objetivo de eleger-se senador e eleger Antônio Anastasia ao governo mineiro.

    Com a queda do Serra nas pesquisas de intenções de votos, o PSDB fez pressão para o Aécio aceitar ser vice do Serra. A essa altura, a conjuntura política já não permitia mais o retorno do mineiro ao cenário nacional, visto que, agindo assim, correria – e corre, ainda – o sério risco de ver o seu projeto político estadual fracassar. Isto porque, a união dos seus adversários políticos em Minas Gerais tornou viável a possibilidade de vitória dos aliados do Lula naquele importante estado brasileiro. E isto ocorrendo, seria uma pesada derrota tanto para o mineiro, quanto para o Serra.

    A estratégia política do Lula e seus aliados sitiou o Aécio em seu reduto eleitoral (Minas Gerais), impedindo-o de fazer campanha com o Serra em outras regiões do país, sob o risco de perder tanto em casa, quanto fora.

    O jogo político sitiou Aécio em seu reduto eleitoral, tornando muito difícil a vitória de suas pretensões políticas.

    Outra estrela da oposição, Geraldo Alckmin, está também, a exemplo do Aécio, meio que preso ao Estado de São Paulo, uma vez que o seu afastamento da região pode abrir espaço para um maior crescimento eleitoral do seu principal adversário, o petista Aloísio Mercadante. Tal fato seria danoso, não tanto para o Geraldo, que está muito bem nas pesquisas eleitorais, mas principalmente para o Serra, que tem, ali, o seu maior índice de aceitação nas pesquisas de intenções de votos.

    Geraldo Alckmin está, assim, também impedido de fazer campanha para o Serra, fora do território paulista. A ausência do Geraldo no Estado de São Paulo significa perda de votos para o Serra.

    Como se percebe, o Serra tornou-se uma estrela solitária. Os principais – e poucos – líderes da oposição não podem sair Brasil a fora fazendo campanha para o ex-governador paulista, pois, os mesmos estão presos às estratégias políticas impostas pelo Lula e aliados.

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