José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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A semana é repleta de pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial. Nesta terça, durante o Jornal da Band, o Vox Populi deve divulgar sua sondagem. Na sexta-feira, deve ser a vez de a Associação Comercial de São Paulo divulgar pesquisa Ibope, através do Diário do Comércio. E no sábado, deve sair uma pesquisa Datafolha.

Para além de constatar se o movimento de ascensão de Dilma Rousseff (PT) se sustenta ou não, e qual sua eventual vantagem sobre José Serra (PSDB), será interessante comparar, entre as três pesquisas, o desempenho dos presidenciáveis nas regiões Sul e Sudeste, onde parece estar havendo um movimento mais intenso de troca de candidato pelos eleitores.

A comparação regional entre Ibope e Datafolha será especialmente interessante porque os questionários de ambos são mais semelhantes entre si (do que o do Vox Populi, o que tem produzido pequenas diferenças) e porque as datas de campo serão parcialmente coincidentes.

O Ibope incluiu no questionário a expectativa de vitória, que, no caso da pesquisa feita para Estado/Rede Globo, antecipou em duas semanas a mudança de intenção de voto constatada pela pesquisa Ibope/CNI.

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Do ponto de vista eleitoral, a escolha do senador tucano Álvaro Dias como candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) é difícil de entender. Com 5,6% do eleitorado nacional, o Paraná é um dos três estados onde Serra vai melhor nas pesquisas. Lá, provavelmente, ele tem mais votos do que o seu virtual companheiro de chapa.

Em maio, Serra tinha 46% das intenções de voto no Paraná, segundo o Vox Populi. Na mesma pesquisa, Osmar Dias (PDT), irmão do senador Álvaro, tinha 33% das intenções de voto para governador. E ele é o nome eleitoralmente mais forte da família Dias no Paraná.

O mais curioso é que Osmar estava atrás do tucano que realmente tem votos no Paraná, Beto Richa. Eleito duas vezes prefeito de Curitiba, é o que se poderia chamar de “tucano histórico”, além de ser filho de um dos fundadores do partido, José Richa. Ou seja, não falta palanque forte para Serra no Paraná.

Já Álvaro Dias é um neotucano. Além do irmão pedetista, apoiou Lula e não Serra na eleição presidencial de 2002.

Serra vai pior no Nordeste e está perdendo terreno no Sudeste para Dilma Rousseff (PT). Por isso, outros nomes que foram cogitados, como o da carioca Patrícia Amorim, ou o do nordestino Sergio Guerra, faziam mais sentido eleitoral do que o de Dias.

Uma das explicações ventiladas pelos tucanos para a escolha do senador paranaense é evitar que Osmar Dias seja candidato a governador e dê um palanque para Dilma no estado. Seria o rabo balançando o cachorro: uma questão paroquial definindo um problema nacional.

Se não é pelos votos que carreia, Álvaro Dias poderá ter outro papel reservado na campanha, o de estilingue. O senador tem sido um dos principais críticos do governo federal nos últimos anos, e poderia assumir, no lugar de Serra, o ônus de atacar frontalmente Lula e sua candidata.

Se vestir esse figurino, Dias terá que ter uma performance excepcional para compensar a falta de votos e os dois minutos de propaganda eleitoral que o DEM ameaça tomar de Serra por causa da escolha do vice tucano.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Pela primeira vez, Dilma Rousseff (PT) ultrapassou José Serra (PSDB) na média das pesquisas de intenção de voto, calculada pelo Estado. Ao longo dos últimos seis meses, a candidata de Lula conseguiu transformar, mês a mês, o que era uma desvantagem média de 20 pontos em uma pequena dianteira.

No gráfico das médias, ficam evidentes as tendências de longo prazo, e perdem importância as diferenças pontuais entre as pesquisas de um ou outro instituto.

A ascensão de Dilma é diretamente proporcional ao grau de identificação do seu nome como candidata do presidente Lula à sua própria sucessão. Ela cresceu primeiro entre os grupos que mais bem avaliam o governo federal. Consolidou-se entre os petistas e entre os fãs de Lula, e então passou a disputar com Serra o voto do eleitorado menos engajado.

Como fica claro no gráfico, as curvas de Dilma e Serra são espelhadas: o que um perde o outro ganha. Além disso, há uma parcela de 10% de indecisos, que, historicamente, tendem a se definir mais ou menos na mesma proporção da intenção de voto dos candidatos. Se isso ocorrer, Dilma pode aumentar sua vantagem.

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(clique na imagem para ampliar)

Marina Silva (PV) segue estável, sem participar do perde-ganha do tucano com a petista. Ela catalisa o eleitorado que está cansado da bipolaridade da política brasileira, da disputa entre tucanos e petistas que se repete há cinco eleições presidenciais.

É importante acompanhar o que acontecerá com as intenções de voto de Marina nas próximas pesquisas. Se ela cair, aumentam as chances de definição da eleição ainda no primeiro turno. Se ele subir, pode seduzir parte do eleitorado serrista descontente com o desempenho eleitoral do tucano.

O crescimento da petista ao longo do tempo foi antecipado por uma mudança na expectativa dos eleitores sobre quem vai ganhar a eleição. Há 20 dias, a pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo mostrou, pela primeira vez, que 40% dos eleitores previam vitória de Dilma, contra 35% que apostavam em Serra.

Não por coincidência, agora 40% disseram ao Ibope que votariam em Dilma, e 35%, em Serra. Como as duas pesquisas em sequência mostraram, a expectativa de vitória funciona como um barômetro das intenções de voto.

Como sempre, foram computadas na média as três últimas pesquisas divulgadas: duas do Ibope e uma do Datafolha. Nas duas primeiras, a petista e o tucano tinham exatamente o mesmo percentual: 37%. Na mais recente pesquisa Ibope, ela abriu cinco pontos de vantagem, levando-a a uma vantagem média de 2 pontos percentuais.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Ao mesmo tempo que o Ibope divulgava pesquisa dando vantagem a Dilma Rousseff (PT) na sucessão presidencial, o IBGE dava à luz uma das suas sondagens mais importantes: a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Os resultados de ambos os levantamentos estão diretamente conectados.

Entre os biênios 2002/2003 e 2008/2009, a renda familiar per capita dos brasileiros subiu, em média, 22% -como ressaltou o economista Marcelo Neri em artigo publicado ontem no Estado.

Ou seja, a POF mostra que durante o governo Lula houve uma melhora significativa no poder de compra das famílias, seja porque sua renda cresceu (11%, em média), seja porque o tamanho das famílias diminuiu. Na prática, há mais pão para dividir por menos gente.

Ainda segundo a POF, a renda dos 10% mais pobres subiu três vezes mais do que a renda dos 10% mais ricos. Essa diminuição da desigualdade tem impactos regionais diferenciados.

Onde a renda sumiu mais (19% no Norte, 17% no Nordeste e 14% no Centro-Oeste) é onde Dilma também abre vantagem sobre José Serra (PSDB) no Ibope: entre 6 e 17 pontos percentuais.

Embora a POF revele também todas as iniquidades e carências da economia brasileira, inclusive a insuficiência de comida na mesa de mais de um terço das famílias, o movimento geral foi de melhora.

Quando isso acontece, mesmo quem não superou a miséria mira-se no vizinho bem-sucedido e tem esperança de que pode ter o mesmo destino. Esse é o quadro de fundo da sucessão presidencial.

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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Na batalha da propaganda, Dilma Rousseff (PT) ganhou o primeiro round de José Serra (PSDB). A candidata petista passou à liderança isolada da corrida presidencial justamente no período em que o tucano concentrou sua propaganda na TV e no rádio. Aumenta assim a pressão para Serra mudar de estratégia e de discurso.

Enquanto PSDB e aliados colocaram Serra em evidência nos programas partidários obrigatórios, o governo federal e a Petrobras marcaram presença nos horários de jogos e programas da Copa do Mundo, com spots otimistas sobre o Brasil. Mesmo sem mostrar Dilma, a propaganda oficial parece ter funcionado como antídoto à dos tucanos.

O resultado desse embate de comunicação antecipa o que poderá acontecer a partir de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito, se Serra mantiver a estratégia atual. Além de Lula dizendo que seu nome é Dilma, a petista contará com cerca de 40% a mais de tempo de propaganda do que seu adversário.

Serra precisará decidir como vai ocupar seu tempo de TV. O discurso adotado até agora (o Brasil melhorou mas pode melhorar mais) não está lhe dando um voto além dos que ele já tinha. Mais: não está conseguindo segurar os eleitores que aprovam o governo Lula mas votavam no tucano.

Em março, segundo o Ibope, só 58% dos eleitores sabiam dizer que Dilma era a candidata de Lula. Esse percentual cresceu mês a mês, até chegar, agora, a 73%. Ao mesmo tempo, a petista foi ultrapassando Serra entre os que dão nota 10 ao governo, depois entre quem dá nota 9 e assim por diante.

Ainda há cerca de um quarto de eleitores que desconhecem a ligação de Dilma ao presidente. E a intenção de voto da petista parece crescer na proporção da redução desse grupo. Ou seja, ela ainda pode ganhar alguns pontos com a propaganda eleitoral na TV e no rádio apenas conectando seu nome ao de Lula.

Nesse cenário, resta a Serra mudar de estratégia, partindo para o ataque, ou esperar por um erro da adversária. Ambas as opções são arriscadas.

Como Marina Silva (PV) permanece estacionada no patamar de 10% das intenções de voto, é necessário que Dilma ou Serra abram 10 pontos de vantagem um sobre o outro para vencer já no 1º turno. A petista percorreu metade desse caminho até agora.

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Do jeito que está, a campanha de José Serra (PSDB) a presidente não parece ter um futuro promissor. O tucano foi ultrapassado por Dilma Rousseff (PT) justamente no período em que mais concentrou sua propaganda nos horários patidários do PSDB e dos aliados. Ou seja: sua comunicação não funcionou contra o “meu nome é Dilma” de Lula.

Para continuar a ter chances, Serra precisará encontrar um novo discurso e uma nova estratégia de campanha. Fora disso, só lhe restará esperar por um erro da adversária. Mal-comparando, seria jogar como a Grécia jogou frente à Argentina na Copa: mesmo precisando da vitória, armou uma retranca e deixou só um jogador na frente.

Não funcionou para a Grécia, que acabou desclassificada. Se quiser ganhar, Serra vai ter que partir para o ataque.

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Os três falam muito de Brasil e dos brasileiros. Mas, para além dos jargões de campanha, seus discursos revelam a diferença fundamental de suas candidaturas. Pela ausência ou pela dominância, Lula, mais do que qualquer outro tema, é o que separa a fala de Dilma Rousseff (PT) das de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

Na quinta-feira, Marina começou a série de discursos dos agora candidatos formais à Presidência mencionando Lula três vezes. Não tinha como ignorá-lo: além de terem militado juntos no PT, ela foi sua ministra do Meio Ambiente por cinco anos.

Mas Marina falou menos do presidente do que de quem, nos seus cálculos, pode ajudá-la mais na atual campanha presidencial. Foi o caso do seu candidato a vice, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura, mencionado nada menos do que 13 vezes.

Como esperado, a candidata do PV falou um pouco mais de meio ambiente do que seus adversários. Mas não foi isso que diferenciou seu discurso. De longe, foi a presidenciável que mais disse “eu”, talvez por ter improvisado mais: foram 28 vezes, contra apenas 4 “nós”. Pode parecer um detalhe, mas não é.

Dilma, ao contrário, foi eclipsada por Lula no seu próprio discurso. No domingo, a candidata do PT disse “eu” apenas 4 vezes, enquanto pronunciou a palavra “Lula” em 18 ocasiões -isso sem contar os 20 “presidente”. Tal frequência só é comparável à quantidade de vezes que Lula menciona Dilma em seus discursos.

Serra não mencionou Lula diretamente nenhuma vez, no discurso de sábado. Só o fez de forma dissimulada, dizendo que o Brasil não precisa de “Luíses” -uma comparação implícita entre o atual presidente e o déspota francês Luís XIV, que dizia que “o estado sou eu”. Serra falou “eu” 18 vezes, contra 3 “nós”.

Clique na imagem para ampliar:
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O “fator Lula” também impactou a escolha dos verbos pelos presidenciáveis. Numa ginástica semântica, Dilma conciliou conceitos em princípio antagônicos: ”mudar” (24 citações) e “seguir/continuar” (33 menções). Conjugou o primeiro verbo no gerúndio, e, ao melhor estilo telemarketing, repetiu 22 vezes a expressão “seguir mudando”.

Serra tentou por todos os meios escapar do binônio mudança/continuidade. Praticamente não falou do assunto. Preferiu o tom motivacional, para dar esperança aos correligionários. Usou e abusou das formas verbais “vamos” (18 vezes) e “acredito” (12 vezes).

Curiosamente, foi a petista e não o tucano quem mais usou as conjungações de “poder”, nas formas “podemos” e “pode”: foram 15 vezes, contra apenas 4 de Serra, cujo lema de campanha é “o Brasil pode mais”.

No mais, os três presidenciáveis praticamente se equivaleram nas citações de temas que aparecem entre as principais preocupações dos eleitores nas pesquisas de opinião: educação, saúde, segurança, emprego. Houve apenas diferenças de intensidade nos discursos.

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Dilma, que vai pior no eleitorado feminino do que no masculino, falou mais de mulheres do que seus adversários. Mas fez um discurso em que, comparativamente aos rivais, faltaram as palavras “gente”, “povo” e “pessoas”.

E como o cachimbo entorta a boca, as décadas de militância petista se insinuaram nas palavras de Marina. Mais do que a neopetista Dilma, filiada há 10 anos, a candidata do PV repetiu o jargão-símbolo do PT sem se policiar: foram 18 “companheiro/a/s”, contra 13 da adversária.

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Mais uma vez o objeto de desejo dos presidenciáveis, o Brasil, foi o principal sujeito do discurso de Dilma Rousseff. Ela falou pela primeira vez como candidata durante a convenção do PT que formalizou seu nome, neste domingo. Foram 37 citações da palavra “Brasil”, três a mais do que no discurso de José Serra (PSDB) no sábado, e uma a menos do que disse Marina Silva (PV), na quinta-feira.

Clique na imagem abaixo para ver as palavras mais citadas por Dilma em seu discurso.

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A diferença do discurso da petista em relação ao dos seus principais rivais foi de tempo verbal. “Seguir mudando” foi a expressão que deu a tônica da fala de Dilma. Disse e repetiu essa conjugação 22 vezes, sempre se referindo ao país. É o que se poderia chamar de “presente contínuo”, ou de gerúndio no poder.

Essa construção só faz sentido quando conectada ao nome-forte da candidatura de Dilma: Lula. Foi o que a candidata vez: citou o nome do presidente nada menos do que 18 vezes. A mensagem de Dilma pode ser sintetizada na seguinte frase, extraída do seu discurso: “Lula mudou o Brasil, e o Brasil quer seguir mudando”.

A recíproca foi verdadeira. Ao discursar, o presidente disse que mudou de nome nesta eleição, para Dilma. E que ela o representará na urna eletrônica. Só falta agora Lula ir à TV e, ao melhor estilo Enéas, bradar: “Meu nome é Dilma”.

O discurso de Dilma foi um pouco mais curto do que o de Serra, que já havia sido mais conciso do que o de Marina. A petista falou 4.063 palavras, das quais 1.059 foram distintas. A exemplo de seus adversários, usou um léxico equivalente ao de quem tem nível superior de escolaridade.

Para saber em que contexto cada palavra foi citada por Dilma, clique na imagem abaixo e, na nova página que abrir, substitua “Brasil” pela expressão que quer ver.

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Como de hábito nos discursos dos candidatos a presidente, “Brasil” foi a palavra mais citada por José Serra, nada menos do que 34 vezes, além de 19 “brasileiros”. Foi durante a formalização de sua candidatura à Presidência, na convenção nacional do PSDB, nestes sábado em Salvador.

Serra fez um discurso motivacional, para a militância, em que ele empregou a expressão “vamos” com enorme frequência (18 vezes). Abusou de palavras que pretendem transmitir confiança, como por exemplo “acredito” (12 vezes). Além de combiná-las como em “vamos juntos à vitória”. Esse tom mostrou-se necessário em um momento da campanha no qual sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), empatou com ele nas pesquisas.

Clique na imagem abaixo para ver a “nuvem” das palavras mais citadas pelo tucano.

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Serra associou “governo” (12 vezes) a “maioria” (10), além de citar muitas vezes “democracia” (7 vezes) e “estado” (7). Tudo isso para tentar mostrar uma diferenciação do que seria um governo do PSDB em comparação ao que é um governo do PT. A mensagem por trás das palavras é que ele seria mais democrático do que a rival.

Em relação aos termos com carga temática de campanha, não houve um destaque especial. Os mais citados foram “família/s” (10 vezes), “social” (6), “dinheiro” (5), “saúde” (5), “educação” (4), “justiça” (4), “oportunidades” (4) . Sem contar as 5 menções às várias “bolsas” (família, educação, escola) que viraram programas assistenciais do governo federal.

A palavra “Brasil” foi empregada para formar seu slogan de campanha apenas três vezes: “pode mais” ou “pode muito mais”. Mas a mesma ideia foi repetida inúmeras vezes em expressões como “fazer para que o nosso Brasil”, ou “por fazer”.

O discurso empregou 4.589 palavras, das quais 1.150 foram distintas. Essa taxa de repetição é indicativa de um léxico de uma pessoa que tem nível superior de escolaridade.

Para saber em que contexto cada palavra foi citada por Serra, clique na imagem abaixo e, na nova página que abrir, substitua “Brasil” pela expressão que quer ver.

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O primeiro discurso de Marina Silva como candidata do PV foi marcado pelo seu agradecimento às pessoas e pelas referências ao Brasil. Esta foi a palavra mais citada pela senadora, com 38 referências. O contexto mais frequente em que “Brasil” aparece é o que deu nome ao seu discurso: “o Brasil que queremos”. Já o agradecimento pode ser medido pelas 18 vezes que ela disse “obrigada” e pelas 13 vezes que falou “agradeço”.

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Foi um discurso emocional, através do qual a candidata tentou se conectar com o público presente ao evento (citou “aqui” 33 vezes) usando um tom pessoal. Entre as palavras mais citadas pela candidata estão “pessoa/s” (26 vezes), “vocês” (20), “todos/as” (31) e os nomes do seu vice, Guilherme Leal (13 vezes), e dos deputados Alfredo Sirkis (6 ) e Fernando Gabeira (5).

Do lado emocional, citou “coração” 9 vezes. Do institucional, “política” (13 vezes), “programa” (9) e “partido” (8) foram as citações mais usuais. E do ponto de vista do conteúdo, houve dispersão: “educação” (7 citações), “família” (7), “deus” (7), “jovens” (7), “economia” (6), “mulheres” (5) foram os mais frequentes.

Para o discurso de uma candidata verde, as citações ao tema central do partido não foram predominantes: 6 referências a “ambiente/ambiental/ais”, uma “biodiversidade” e nenhum “ecológico” ou “ecologia”.

O discurso foi longo, durou 45 minutos e empregou 7.238 palavras. Dessas, 1.466 foram palavras distintas, o que indica o domínio de um léxico extenso.

A origem petista de Marina ficou demonstrada pelas 18 citações da expressão “companheiro/a/s”, uma marca registrada do partido.

Para saber em que contexto cada palavra foi citada por Marina, clique na imagem abaixo e, na nova página que abrir, substitua “Brasil” pela expressão que quer ver.

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Leia aqui a íntegra do discurso de Marina Silva.

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1) Para quem vão os 12% de eleitores que declaram espontaneamente intenção de votar em Lula?

Ao contrário do que os petistas poderiam supor, apenas 48% optam por Dilma Rousseff (PT) quando são confrontados com a lista de candidatos. E surpreendentes 29% preferem José Serra (PSDB). Outros 10% vão para Marina Silva (PV).

2) Como se dividiriam os 9% de eleitores de Marina Silva (PV) em um 2º turno entre Serra e Dilma?
Hoje, Dilma ficaria com uma parcela ligeiramente maior: 40%, contra 32% de Serra. Mas 21% votariam em branco ou anulariam seu voto.

3) Quem é mais fiel a seus candidatos: tucanos ou petistas?
Hoje, 71% dos eleitores que declaram preferência pelo PT votariam em Dilma. A fidelidade entre os simpatizantes do PSDB é proporcionalmente maior: 81% votariam em Serra. Mas há 29% de petistas contra apenas 6% de tucanos.

4) O PMDB deve fechar aliança com o PT na eleição presidencial, mas como votam seus simpatizantes?
Entre os 8% do eleitorado nacional que se declaram peemedebistas, Serra bate Dilma por 62% a 19%. Entre os 45% de sem-partido, o tucano venceria hoje a petista por 38% a 26%.

5) Se Serra ganha entre tucanos, peemedebistas e nos sem-partido, como é que Dilma empata com ele no total?
Nada menos do que 55% dos votos de Dilma vêm dos petistas. E outros 32% vêm dos sem-partido, principalmente daqueles que são fãs de Lula, mas não são petistas.

6) Como a religião influencia o voto para presidente?
Para Serra e Dilma, não faz diferença. Católicos e evangélicos se distribuem na mesma proporção do eleitorado total entre os dois líderes da corrida presidencial. Mas a evangélica Marina tem proporcionalmente mais eleitores de sua religião (12%) do que de católicos (8%).

7) Que impacto têm os programas sociais federais nos eleitores de Serra e de Dilma?
Para a petista, 35 em cada 100 de seus eleitores se beneficiam diretamente de programas como o Bolsa Família ou moram com algum beneficiário. Para o tucano, essa relação é menor, mas ainda significativa: 27 para 100. Detalhe importante: 1 em cada 3 indecisos é beneficiário direto ou indireto desses programas.

8.) As mulheres votam mais em Serra porque rejeitam Dilma?
Não. A taxa de rejeição da petista entre o eleitorado feminino (18%) é praticamente igual à verificada entre os homens (19%). Dilma tem 8 pontos porcentuais a menos entre as mulheres provavelmente porque é menos conhecida entre elas.
Serra, por sua vez, tem 3 pontos a mais entre as mulheres provavelmente porque é menos rejeitado pelas eleitoras (22%) do que pelos eleitores (27%).

9) Em quem votam os eleitores que rejeitam Serra ou Dilma?
Dos 19% que não votariam em Dilma de jeito nenhum, 70% declaram intenção de eleger Serra, 13% votam em Marina e 16% pretendem anular ou votar em branco.
Dos 24% que não votariam em Serra de jeito nenhum, 70% declaram preferência por Dilma, 12% votam em Marina e 14% devem anular ou votar em branco.

10) De onde veio o crescimento de Dilma que levou-a a empatar com Serra?
Entre abril e junho, Dilma cresceu 10 pontos porcentuais, de 51% para 60%, entre eleitores que acham o governo Lula ótimo. Ao mesmo tempo, Serra perdeu 8 pontos nesse segmento, que representa 27% do total do eleitorado. Esses fãs de Lula se concentram nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

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(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

O assistencialismo sozinho não explica o comportamento do eleitorado governista na sucessão presidencial. Tampouco alistar eleitores em programas sociais é garantia, por si só, de voto na urna. Outros fatores, como a região onde mora o eleitor, são mais importantes na divisão do voto. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo.

Cruzamento especial encomendado pelo Estado mostra que no conjunto da região Sul/Sudeste, o pré-candidato da oposição, José Serra (PSDB), ganha de Dilma Rousseff (PT) entre os eleitores que moram em domicílios que são beneficiados por ao menos um programa federal, como o Bolsa Família.

O tucano tem 40% das intenções de voto contra 35% da petista nesse segmento, que representa 23% do total do eleitorado do Sul/Sudeste. A vantagem de Serra entre os assistidos pelo governo federal é metade da que ele tem no total de eleitores dessas duas regiões (42% do tucano contra 31% de Dilma), mas, ainda assim, é surpreendente, em se tratando de um grupo que teoricamente seria mais favorável ao candidato de Lula.

Já no conjunto das regiões Norte/Nordeste/Centro-Oeste, a vantagem na disputa pelos eleitores assistidos por programas federais se inverte. Dilma tem 49% das intenções de voto dos beneficiários de Bolsa Família e similares, enquanto Serra chega a 27% entre eles.

A distância em favor da petista, de 22 pontos porcentuais, é grande, mas não muito maior do que a vantagem que ela leva no total do eleitorado dessas três regiões, onde bate o tucano por 45% a 28%. Os beneficiados pelo assistencialismo federal têm um peso muito maior no Norte/Nordeste/Centro-Oeste do que no resto do país: eles são 40% do eleitorado norte-nordestino e do Brasil central.

Se levarmos em conta o total do Brasil, 30% dos eleitores vivem em domicílios que têm ao menos um morador beneficiado por um programa social do governo federal, do Bolsa Família ao Luz para Todos.

Na média brasileira, esse fator também mostrou-se menos decisivo para determinar a intenção de voto dos eleitores do que o senso comum acostumou-se a pintar. Dilma tem uma vantagem de 43% a 33% sobre Serra (eles empatam em 37% no total do eleitorado).

Os cruzamentos da pesquisa mostram que as razões de voto são multidimensionais, são camadas de motivos superpostos, diz Silvia Cervellini, diretora de atendimento do Ibope Inteligência. Nenhuma fator sozinho, como por exemplo o Bolsa Família, explica a decisão do eleitor de votar em A ou B.

As diferenças de renda e escolaridade também não explicam a preferência por Serra ou Dilma. No Norte/Nordeste/Centro-Oeste, a pré-candidata do PT vence em todas as classes sociais, e com uma vantagem ainda maior entre os mais escolarizados e ricos do que entre os pobres e eleitores com poucos anos de estudo.

Do mesmo jeito, Serra lidera em praticamente todos os segmentos socio-econômicos do Sul/Sudeste. Logo, mais do que a renda, mais do tempo que o eleitor passou na escola, e até mesmo mais do que o fato de ele se beneficiar de um programa federal, é a região geográfica que diferencia o voto na sucessão presidencial de 2010.

A pesquisa Ibope não fornece elementos para uma explicação definitiva sobre a razão desse determinismo geográfico do voto. Mas dá algumas pistas. O governo Lula é sensivelmente mais bem avaliado no Nordeste (recebe nota 8,4) e no Norte/Centro-Oeste (nota 8,1), do que no Sudeste (7,5) e no Sul (7,1).

Mas essa avaliação geral mais positiva não se explica por uma percepção, por exemplo, de que as oportunidades de emprego ou o consumo das pessoas melhoram mais no Norte/Nordeste/Centro-Oeste do que no resto do país. O percentual dos que acham que a essas dimensões econômicas melhoraram se equivale ao verificado no Sudeste.

Isso indica que há outros motivos, talvez ligados à tradição política de cada região, que contribuem para essa dicotomia eleitoral. Algo como o que ocorre nas eleições presidenciais norte-americanas, onde há uma divisão Norte-Sul entre democratas e republicanos.

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