Os gráficos a seguir mostram como se dividem os eleitores segundo a avaliação que fazem do governo Lula, e sua intenção de voto. Todos os dados foram extraídos da mais recente pesquisa Datafolha.
A disputa é pelos 20% que dão nota 8 ao governo Lula. Serra e Dilma estão tecnicamente empatados nesse segmento: 39% a 37%. Mas em março a vantagem era do tucano: 36% a 31%, com Ciro na disputa. A petista avançou e Serra ficou onde estava. Para onde esses eleitores penderem daqui para frente, penderá também a eleição.
José Serra (PSDB) ganha por larga margem entre os eleitores que dão nota de zero a 7 ao governo. Mas é um grupo proporcionalmente pequeno, que representa apenas um terço do eleitorado. Os eleitores do tucano estão distribuídos em um terço que dá notas altas (9 e 10) ao governo, um terço que dá notas médias (5 a 7) e o resto se distribui entre os mais críticos e os que dão nota 8.
Dilma Rousseff (PT) consolidou sua vantagem entre os 47% do eleitorado que dão nota 9 ou 10 ao governo, e agora tem o dobro dos votos de Serra nesse segmento. O eleitorado de Dilma ainda está muito concentrado nos 47% que dão notas 9 ou 10 ao governo Lula. Embora ainda possa disputar mais votos nesse segmento com Serra, seu maior potencial de crescimento está nos 20% que dão nota 8 à administração federal.
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Aécio Neves tem motivos mineiros para não aceitar ser vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB). Ele precisa reforçar a campanha no seu estado para tentar eleger o sucessor em Minas Gerais. Seu candidato, Antonio Anastasia, tem apenas um terço dos votos de Hélio Costa (PMDB), o favorito até aqui nas pesquisas.
Mineiridades à parte, a recusa do ex-governador em ser vice de Serra abre um buraco na chapa tucana. É o tipo de alento que a campanha do PSDB precisa, neste momento, para somar à propaganda partidária em favor de seu presidenciável e tentar reverter o crescimento de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto.
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O eventual anúncio da chapa Serra-Aécio à esta altura da corrida presidencial poderia criar novo ânimo para a campanha, facilitaria as negociações por mais tempo de TV com outros partidos e ajudaria até na arrecadação de recursos. Além de produzir notícias que seriam favoráveis aos tucanos.
O que se verá é o contrário. Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, afirmar que Aécio como vice estava descartado há seis meses, a expectativa era outra. No lançamento da pré-candidatura de Serra, Aécio foi o principal coadjuvante. O beijo recebido do presidenciável, a foto de ambos lado a lado sorrindo e sua declaração de que era um soldado do partido ajudaram a criar a esperança da tal chapa puro-sangue.
Mesmo que encontre um bom candidato a vice, no próprio partido ou entre os aliados, o PSDB dificilmente conseguirá o mesmo impacto que obteria com Aécio. Ou seja, o saldo será negativo.
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A inclusão da sondagem Datafolha na média móvel das pesquisas calculada pelo Estado levou ao empate entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A diferença entre eles, agora, é de menos de 1 ponto percentual pró-Dilma, o que não caracteriza vantagem. Mas o gráfico mostra que a petista está em ascensão, e o tucano, em queda.
As curvas dos dois principais rivais parecem espelhadas, refletindo a migração de eleitores entre Serra e Dilma. O voto que um perde, o outro ganha. É uma polarização que antecipa o 2º turno. Hoje, entretanto, nenhum deles têm cacife para decidir a eleição em 3 de outubro.
Um dos motivos que projetam, por enquanto, a necessidade de dois turnos é que a intenção de voto de Marina Silva (PV), embora estagnada, mantém-se firme na faixa dos 10%. À ela se somam dois pontos percentuais dos presidenciáveis chamados nanicos.
Mantidos os percentuais de intenção de voto de Marina e dos candidatos dos pequenos partidos, Serra ou Dilma precisariam “roubar” de 6 a 7 pontos percentuais do outro para liquidar a eleição de uma vez. Não é uma missão impossível, embora difícil.
A média móvel calculada pelo Estado leva em conta as três pesquisas de intenção de voto mais recentemente divulgadas. No caso, foram consideradas as sondagens do Vox Populi, do Sensus e do Datafolha.
As três pesquisas foram feitas após as inserções do PT no rádio e na TV que tiveram Dilma como principal atração. O crescimento da petista reflete o êxito da propaganda em associá-la a Lula.
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Ao ratificar o empate de Dilma Rousseff (PT) com José Serra (PSDB), a pesquisa Datafolha confirma que a propaganda petista no rádio e na TV foi eficiente para associar sua pré-candidata a Lula. Mas as repercussões vão além disso.
As inserções de 30 segundos e o programa de 10 minutos do PT conseguiram projetar uma imagem aceitável de Dilma para mais eleitores, ampliando seu eleitorado potencial. Fizeram sua taxa de rejeição cair de 24% para 20%. E elevaram seu percentual na simulação de 2º turno para 46%, empatando tecnicamente com Serra.
A consolidação do eleitorado de Dilma está ocorrendo mais rapidamente do que a do seu principal rival. Ela subiu de 13% para 19% entre abril e maio, chegando à liderança isolada no voto espontâneo. Hoje, metade da intenção de voto total na petista está na ponta da língua do eleitor, não é apenas “efeito memória”.
Ao confirmar que Serra perdeu eleitores para Dilma, o Datafolha faz acender uma luz amarela na campanha tucana. A estratégia de assoprar por cima e morder por baixo parece ter efeito limitado. Elogiar Lula e criticar pontos específicos do governo pode não ser suficiente para sustentar a candidatura de Serra.
Após a propaganda da adversária, ele viu sua rejeição aumentar e, pela primeira vez, ficou numericamente atrás de Dilma na simulação de 2º turno (46% a 45%, segundo o Datafolha).
A soma desses resultados pode fazer parecer que Serra não tem chances na corrida eleitoral. É um erro. Vistos em perspectiva, os números não surpreendem.
Em todas as eleições presidenciais desde 1989 o candidato do PT cresceu entre março e maio. E, com exceção de FHC em 1994, nas outras três o candidato tucano caiu nesse período, como Serra agora. Isso não significou muito naqueles pleitos, já que o PSDB venceu duas das quatro eleições, e pode não significar muito agora.
Mas as pesquisas criam fatos políticos e influenciam as campanhas: aumentam ou diminuem a moral dos militantes, o volume de contribuições financeiras, e a pressão dos aliados. Não basta aos candidatos e assessores acreditar que se têm chances, é preciso manter a aparência de favorito ou pelo menos de viável.
A persistir a curva espelhada da intenção de voto, o que um ganhar será às custas do que o outro perder. Em uma situação assim, a campanha de Serra ficará tentada a investir na desconstrução da imagem de Dilma para impedir que ela abra vantagem.
Ainda não deve ser esse o enfoque das propagadas pró-Serra a serem veiculadas nas próximas semanas, dentro dos horários do DEM e PSDB no rádio e na TV. A campanha ainda não começou oficialmente, o que limita as possibilidades de ataque.
As sondagens de intenção de voto imediatamente posteriores às inserções com propaganda de Serra serão o melhor indicador dos limites e potenciais da atual estratégia do tucano. Se ele não reverter a queda nas pesquisas, aumentará a pressão por um “plano B”.
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Nunca tantos eleitores declararam pretender votar em mulheres para presidente do Brasil. Segundo a última pesquisa Vox Populi, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) têm, juntas, 46% das intenções de voto. Se fossem uma candidata só e a eleição fosse hoje, “Dilmarina” seria eleita no 1º turno. A evolução é histórica: mulher mais bem votada na história das eleições presidenciais brasileiras, Heloísa Helena (PSOL) recebeu apenas 6,8% dos votos válidos, no pleito de 2006.
E como votam as mulheres?
Historicamente, a evolução do voto feminino tem algumas peculiaridades ao longo das campanhas eleitorais: as eleitoras demoram mais para se definirem por um candidato, tendem a escolher quem represente mais segurança para sua família e prestam mais atenção aos gestos e à aparência dos postulantes. Mas, apesar de flutuações, na reta final o voto feminino e masculino tende a se equiparar. Há, todavia, exceções.
O PT e Luiz Inácio Lula da Silva que o digam. No começo do 2º turno de 2006, o então candidato à reeleição tinha 6 pontos porcentuais a menos entre as mulheres. Embora tenha crescido entre homens e mulheres durante o turno final, Lula chegou na véspera da eleição, segundo o Datafolha, com os mesmos 6 pontos a menos no eleitorado feminino, mostrando que a resistência de parte das eleitoras a ele é persistente.
E como as mulheres se comportam na atual disputa eleitoral? Ao que tudo indica, Dilma herdou de Lula a mesma dificuldade extra para convencer o eleitorado feminino. A petista vem crescendo em todos os segmentos, mas não tem conseguido superar a defasagem entre as mulheres. Desde janeiro, a petista tem obtido entre 8 e 10 pontos porcentuais a menos no eleitorado feminino, segundo o Vox Populi.
Essa dificuldade de Dilma entre as eleitoras tem duas explicações complementares. De um lado, reflete a resistência de parte do eleitorado feminino a candidatos petistas. Mas não só. De outra parte, é maior o desconhecimento de Dilma entre as mulheres. As eleitoras não apenas conhecem menos a ex-ministra como ligam menos seu nome ao de Lula.
Se essa hipótese estiver correta, é de se esperar que à medida que a propaganda eleitoral conectar a candidata do PT ao presidente, mais eleitoras passem a declarar voto em Dilma. Mas, mesmo que isso ocorra, dificilmente ela conseguirá um percentual de voto tão alto entre as mulheres quanto o que obtém entre os homens. É o oposto do que ocorre com Marina Silva. José Serra (PSDB), como se vê no gráfico, tem percentuais equivalentes entre os eleitores de ambos os sexos.
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(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)
Na média móvel das pesquisas de intenção de voto as curvas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) tendem a se encontrar após a inclusão das sondagens de Vox Populi e Sensus. Ambas as pesquisas apontaram empate técnico entre os pré-candidatos a presidente tucano e petista.
A diferença média entre os dois primeiros colocados caiu de 7 pontos em meados de abril para 2 pontos agora. Em abril, as pesquisas Ibope e Datafolha haviam apontado um pequeno aumento da vantagem de Serra. As sondagens foram feitas poucos dias após o lançamento da pré-candidatura tucana, que teve grande repercussão na mídia.
Agora, o fato novo foi a propaganda partidária do PT. Ela foi veiculada ao longo da semana passada e da anterior, o que pode explicar o crescimento de Dilma.
Os spots petistas de 30 segundos foram ao ar no rádio e na TV nos dias 6, 8 e 11 deste mês. E o programa de 10 minutos foi transmitido na noite da última quinta-feira. Em todos eles, Dilma ocupou a maior parte do tempo. Na quinta, fez um jogral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se desdobrou em elogios à sua candidata e chegou a compará-la ao líder sul-africano Nelson Mandela.
Ainda hoje, 6 a cada 10 eleitores não sabem citar espontaneamente um presidenciável que esteja na disputa. Parte desse eleitorado é volúvel, e quando se defronta com um pesquisador que lhe apresenta uma questão sobre a qual ele não havia pensado, sua reação é responder o primeiro nome que lhe vem à cabeça. É o que os pesquisadores chamam de recall. É o que pode ter beneficiado Serra nas pesquisas feitas em abril, e que pode ter alavancado a intenção de voto em Dilma agora.
Nas próximas duas semanas será a vez do DEM veicular sua propaganda. Tudo indica que o partido, aliado do PSDB, deve emprestar sua propaganda no rádio e na TV para Serra. Se isso acontecer e o tucano voltar a se distanciar de Dilma nas pesquisas, será sinal de que o crescimento da petista foi apenas recall. Mas se Dilma continuar liderando, estará confirmada uma nova tendência na corrida presidencial.
Como sempre, o cálculo da média móvel das pesquisas levou em conta as três sondagens mais recentemente divulgadas. Entraram no cálculo a pesquisa Ibope cuja coleta de dados terminou no dia 19 de abril, e as pesquisas Vox Populi, concluída no quinta-feira passada, e a do Sensus, cujo último dia de campo foi na sexta-feira.
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(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)
Apesar de a sucessão presidencial ainda não ter chegado às ruas, a polêmica sobre as pesquisas de opinião são o prato de resistência na blogosfera. Os partidários de um e outro candidatos tendem a valorizar as sondagens que beneficiam seus preferidos e a atacar as que os apontam em pior situação.
Independentemente da precisão das pesquisas, a sua divulgação nos meios de comunicação e reprodução pela internet criam um fato concreto que influencia a vida dos candidatos, o ânimo de seus comitês e a dinâmica da campanha.
Mais intenção de voto implica vários benefícios para um candidato. O primeiro efeito é melhorar o moral da campanha: a militância fica mais motivada, acumulam argumentos renovados para debater com os rivais, enquanto candidatos e assessores ganham confiança na sua estratégia eleitoral.
Como consequência, fica mais fácil para os comitês alistarem novos cabos-eleitorais e multiplicar sua mão-de-obra digital: o exército de internautas partidarizados que vasculham a rede em busca de fóruns que tratem de política e eleição para deixar marcadas ali as suas posições, a defesa de seu candidato e ataques aos adversários.
Mas a influência das pesquisas não para por aí. A divulgação do empate de Dilma Rousseff com José Serra ajuda o PT a montar palanques estaduais para sua pré-candidato poder fazer campanha. Os potenciais aliados dão preferência a quem tem mais chances de vencer e de puxar votos para candidatos a governador, senador e deputado.
Finalmente, percentuais mais altos nas pesquisas têm reciprocidade no volume das contribuições financeiras que cada campanha recebe. Quem está na frente ou é percebido como favorito tende a arrecadar mais. Como há uma correlação positiva entre gastos de campanha e votos nas urnas, bons resultados nas pesquisas às vezes podem ser profecias auto-realizáveis.
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Qual o significado da ascensão de Dilma Rousseff (PT) no Vox Populi após as inserções do seu partido no rádio e na TV? Que ela está no caminho inapelável da vitória? Ou apenas que ela tornou-se mais conhecida pela propaganda e que seu nome passou a surgir com mais frequência na boca dos eleitores que viram os spots de 30 segundos do PT em que ela era o único destaque? Nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Enquanto apenas pouco mais de um terço (36%) citarem espontaneamente o nome de um presidenciável, é prematuro usar os fotogramas atuais e passados para projetar o resto do filme. A maioria dos eleitores ainda não parou para pensar em quem vai votar em outubro, está provavelmente mais preocupada com seus problemas diários e, a partir de junho, com a seleção de Dunga.
Em situações assim, muitos entrevistados, para se livrar do pesquisador que está impondo um problema sobre o qual não haviam refletido, respondem o primeiro nome que lhes vêm à cabeça. E aí funcionam mais os mecanismos da memória do que do raciocínio. É o chamado recall: a citação do nome que está mais fresco na mente, ou ao qual o eleitor foi mais exposto.
Assim como José Serra (PSDB) está bem colocado nas pesquisas de intenção de voto porque já disputou muitas eleições e aparece com frequência na TV e no rádio, Dilma está se beneficiando da exposição de seu nome nos meios de comunicação de massa. Mas claro que isso não aconteceria se não houvesse algum conceito que o eleitor considere positivo associado ao nome da petista. No seu caso, a associação é com o presidente Lula e sua alta aprovação.
Há, porém, uma parcela do eleitorado que é mais engajada e interessada na disputa de poder. Esses eleitores têm, na grande maioria, preferência partidária ou se mobilizam contra um nome, um partido ou uma ideologia. Foram os primeiros a declarar espontaneamente voto nos presidenciáveis. Mas ainda são minoria: são 2 pontos dos 9% de Marina, 15 pontos dos 35% de Serra e 19 pontos dos 38% de Dilma, segundo o Vox Populi.
Oficialmente, estamos na pré-campanha, embora os presidenciáveis há meses estejam voando para cá e para lá cabalando votos. É uma fase de aquecimento, de aproveitar todas as possibilidades de exposição do nome do pré-candidato, de montar palanques eleitorais nos estados, de fazer alianças para ampliar seu tempo de propaganda na TV, de alistar cabos-eleitorias e de preparar o caixa que vai sustentar a campanha.
Traduzidos como as chances de vitória do pré-candidato, bons resultados nas pesquisas de intenção de voto a esta altura implicam mais aliados, mais minutos na TV, mais cabos-eleitorais e mais dinheiro. Sob esse aspecto, a ascensão de Dilma no Vox Populi deve ajudar o PT. Mas apenas a evolução dos resultados e sua comparação com os dos outros institutos poderão confirmar se essa oscilação da petista é ou não uma tendência de voto firme.
E, mesmo que seja, não pode ser vista como imutável. Há uma campanha no meio do caminho dos presidenciáveis, com debates, entrevistas e, eventualmente, dedo-no-olho e puxão de cabelo de parte a parte. O caminho até a urna é acidentado e cheio de curvas. Dizer, desde já, que fulano ou beltrana está com sua passagem até o Palácio do Planalto assegurada é apenas propaganda.
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Pesquisa Vox Populi concluída na quinta-feira aponta Dilma Rousseff (PT) com 38% das intenções de voto estimuladas contra 35% de José Serra (PSDB) e 8% de Marina Silva (PV). Os brancos e nulos somam 8% e os eleitores indecisos são 11%. Esse cenário não inclui outros candidatos e é o único comparável às sondagens anteriores do mesmo instituto.
Dilma e Serra estão em empate técnico, mas é a primeira vez que um instituto indica a pré-candidata governista numericamente à frente do tucano. Como a margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, Dilma poderia ter entre 36% e 40%, e Serra, entre 33% e 37%.
Em relação à pesquisa anterior do Vox Populi, Dilma cresceu 5 pontos percentuais desde março, de 33% para 38%, enquanto Serra oscilou negativamente três pontos, de 38% para 35%. Marina foi de 7% para 8%.
Dois fatores ajudam a entender os resultados do Vox Populi. O período de coleta dos dados da pesquisa coincidiu com a veiculação nacional, pelo PT, de vários spots de 30 segundos na TV e no rádio. Em todos, Dilma era o centro do programa.
Em comparação ao Ibope e Datafolha, o questionário do Vox Populi tem diferenças: antes de perguntar a intenção de voto estimulada, o instituto indaga ao eleitor o quanto ele conhece de Dilma, Serra e Marina, e se ele tem uma opinião positiva ou negativa sobre os presidenciáveis.
Na pergunta de intenção de voto espontânea, feita antes dessa bateria e sem que o eleitor leia os nomes dos candidatos para responder, Dilma aparece, segundo o Vox Populi, com 19%, Serra tem 15%, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe 10% das citações, Marina tem 2% e outros candidatos, somados, 3%.
Contratada pela Rádio e Televisão Bandeirantes, a pesquisa foi registrada pelo Vox Populi no TSE com o protocolo 11.266/2010. Entre 8 e 13 de maio foram entrevistados 2 mil eleitores em todas as regiões do país.
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A pesquisa de intenção de voto para presidente da República do Vox Populi será divulgada no sábado à noite, no Jornal da Band e no portal iG, que, junto com os Diários Associados, formam o consórcio que contratou a pesquisa. Os pesquisadores foram a campo antes da veiculação da propaganda do PT em cadeia nacional de rádio e TV, nesta quinta-feira, e que teve Dilma Rousseff como atração principal.
No começo da próxima semana serão divulgadas as pesquisas sobre eleições estaduais feitas em dez Estados pelo Vox Populi.
O Sensus também foi a campo, entre segunda e sexta-feira, para pesquisar a intenção de voto para presidente, contratado pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes). Se a quantidade de entrevistas foi igual a cada dia de campo, apenas cerca de 20% da amostra da pesquisa Sensus terá sido feita após a veiculação da propaganda petista. A divulgação está prevista para o começo da próxima semana, talvez já na segunda-feira.
PS: a pesquisa Vox Populi pegará, entretanto, parte do eventual efeito dos spots de 30 segundos veiculados pelo PT ao longo desta semana em TVs e rádios, que foram monopolizados por Dilma.
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A palavra mais repetida por Lula durante a propaganda do PT foi “Dilma”: 10 vezes.
E as expressões mais usadas por Dilma durante o mesmo programa foram “Brasil” e “liberdade”.
Foi um jogral bem montado. Lula fez os elogios necessários a Dilma: repetiu que a admira, associou-a a “competência” e comparou-a ao líder sul-africano Nelson Mandela. Disse que ela é sensível e intrépida, e que tem um papel a cumprir na história. Só não pediu voto diretamente para não afrontar de vez a Justiça eleitoral.
Já a repetição da palavra “liberdade” por Dilma tem razão de ser. Das oito falas da pré-candidata durante o programa do PT, a mais longa foi para explicar sua atuação na oposição ao regime militar. Ela fez uma revisão didática sobre as liberdades suprimidas durante a ditadura, e se colocou como uma defensora dessas liberdades, à época e agora.
Esse discurso foi editado junto à comparação que Lula fez de Dilma com Mandela. O objetivo subjacente de ambas as falas foi tentar justificar a participação da pré-candidata na luta armada contra o regime e dizer que ela mudou, como o Brasil mudou.
O destaque e tempo dedicados ao tema durante a propaganda indicam que as pesquisas do PT devem ter detectado que esse é um flanco potencialmente vulnerável de Dilma e que precisa de uma explicação convincente.
Do ponto de vista formal, Dilma ainda está longe de se igualar ao seu mentor na eficiência do discurso. Nota-se pela comparação das “nuvens” de palavras citadas por ambos durante o programa que o presidente usou uma quantidade bem menor, e repetiu mais vezes as que usou.
É um lugar comum do discurso político: transmitir poucas mensagens e reforçá-las pela repetição. No caso de Lula, isso ocorre naturalmente, mesmo quando ele tem um roteiro a seguir, porque seus discursos são um misto de script bem ensaiado e improviso.
Já Dilma leu na íntegra, ainda que interpretando as frases, tudo o que disse (menos quando entrevistou dois beneficiários do Luz Para Todos). O resultado foi que o vício da linguagem escrita, de não repetir palavras, contaminou a linguagem oral da candidata, ampliando demais seu vocabulário e diluindo a força das mensagens. Ao ponto de a chave de seu slogan, “avançar”, ter se perdido no meio da nuvem de palavras.
Pelos destaques do programa do PT, percebem-se as principais preocupações de Lula com a estratégia de campanha de Dilma:
1) ao compará-la a Nelson Mandela, tenta afastar a pecha de “terrorista” que a oposição tenta impingir à presidenciável através da internet, por ela ter participado da luta armada ao regime militar. O programa pintou-a como lutadora pela liberdade.
2) associá-la mais a programas sociais do governo: Luz para Todos e Minha Casa Minha Vida. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ficou em segundo plano.
3) reforçar seus laços com Minas Gerais e Rio Grande do Sul, colégios eleitorais importantes e onde ela perde para José Serra.
4) comparar realizações sociais da dupla Lula-Dilma com a dupla FHC-Serra.
Chamou a atenção o ângulo escolhido para enquadrar a candidata na maior parte do programa: meio de lado, como se ela estivesse dando uma entrevista. O objetivo dessa narrativa é apresentar a candidata ao eleitor, o que foi reforçado pela fala de Lula, captada no ângulo oposto. De quebra, só os mais observadores puderam perceber que ela estava lendo o texto, e não falando de improviso.
A contrapartida desse enquadramento é que Dilma não se dirige frontalmente ao eleitor, não cria cumplicidade. Isso só foi acontecer no final do programa, quando, segundo a lógica do roteiro, ela já havia sido apresentada ao telespectador. Foi uma seleção de imagens à la Dunga, cuidadosa, quase defensiva.
No esforço de criar empatia, o sorriso no rosto da candidata foi permanente, trocado por uma ruga na testa apenas quando Dilma falou sobre o período da ditadura militar. Algumas passagens soaram menos espontâneas do que outras, especialmente no trecho em que ela fala sobre seu “sonho de fazer avançar esse país”, em comparação a quando ela disse que sua vida “sempre foi enfrentar e vencer desafios”.
Embora tenha se esforçado para parecer afetuosa com as pessoas que “entrevistou” durante o programa, como ao pousar diversas vezes a mão sobre “dona Ieda” quando falavam do Luz para Todos, foram essas as passagens em que Dilma se mostrou menos à vontade, ora cruzando os braços às costas, ora acariciando o próprio braço repetidamente.
Em um ambiente controlado, dirigida e ensaiada, Dilma conseguiu projetar uma imagem com potencial para ganhar votos. Resta saber como ela se portará em situações em que precisará reagir de improviso, sob tensão e sem uma segunda chance, como em uma entrevista ao vivo ou em um debate com Serra.
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