Com as pesquisas dos vários institutos cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a mais recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior a diferença era de 4,1 pontos.
A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.
Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.
Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.
Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.
Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo na medida que gostaria.
O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV), os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o percentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).
Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.
Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.
Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira do 10% de intenção de voto.
Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Nesta fase, os comitês concentram seus esforços nos eleitores que já têm simpatia por seus candidatos e nos militantes partidários. Precisam deixa-los esperançosos e municiados com argumentos para que tenham chance de multiplicar sua intenção de voto convertendo indecisos e eleitores de adversários.
Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo. Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.
Tags: 2010, Ciro, datafolha, Dilma, eleição, Lula, Marina, média móvel, pesquisa, Serra
Sr. José Roberto de Toledo! Poderia nos explicar com a sua lucidez, porque a data-folha insiste em divergir tão abruptamonte do ibope/vox populi/census? pergunto isso em virtude de que percentuais significam milhões de votos.
As pesquizas Datafolha não são confiaveis, quando a campanha começar o Serra não vai conseguir segurar a onda.
Se for mostrado como anti-Lula ele perdera votos, se for mostrado como aliado de FHC tambem perdera votos.
Serra, apenas esta na frente por ser o mais conhecido, um eterno candidato.
Eu acho que Serra dificilmente evitara a vitória de Dilma no primeiro turno.
Acho incrível como tantos jornalistas supostamente isentos martelam dia e noite a idéia de que 76% de brasileiros que aprovam o governo Lula inevitavelmente serão obrigados a votar em Dilma e só não declararam ainda seu voto a petista porque não sabem que ela é a candidata do Presidente.
Por outro lado jamais vi nenhuma menção a hipótese que segue este mesmo raciocínio. De que os 71% de mineiros que aprovaram o governo Aécio tendem a votar no candidato que o ex-governador indicar: Serra. Não entendo porque os mesmos jornalistas que acreditam obsessivamente na capacidade de Lula transferir votos, jamais cogitam a possibilidade de que Aécio tenha este mesmo dom.
Devo reconhecer que a leitura do Roberto Toledo é acima de tudo sensata e sem o viés tendencioso de certos comentaristas políticos. Assim é que se faz jornalismo de qualidade. Simples, sem mistérios ou enganação. Aproveitando o gancho vejo que a mídia de maneira geral já escolheu seu candidato. Serra já é capa dessa semana da Revista Veja. A campanha antecipada começa com as frases altamente preparadas nos porões redacionais. “Me preparei para ser presidente”. O mesmo acontece com a Revista Época da Editora Globo que dedicou nada menos do que doze página para falar (bem) do Serra e com críticas a ex-ministra Dilma por comentaristas políticos. Prova disso também foi a cobertura do lançamento da candidatura de Serra noticiada pela Globo no Jornal Nacional com direito ao “melhor” do discurso de Serra e do Aécio governador de Minas Gerais e de onde foi editado o “melhor” daqueles discursos com direito a vinheta (pequena ilustração intratextual) produzida pela emissora. Aquilo não foi nada dignificante para a TV do Jardim Botânico do RJ. Felizmente, o povo não cairá nessas matreirices e a candidata do PT deverá passar à frente do Zé Serra logo no começo da campanha na TV, quando terá maior visibilidade e quando provar que uma mulher é capaz de governar muito bem o Brasil.
esse que diz que a veja é serra porque deu a capa da revista para ele,eu queria saber se,quando há duas semanas atras veja e epoca,deram a capa para dilma,essas revistas eram dilma ?
responder este comentário denunciar abusoNão seja indecente, quando Dilma se declarou candidata a Veja deu a capa para ela e um artigo para o Serra.
Fez exatamente dessa vez, Capa para Serra e artigo para Dilma (e que artigo ruim, diga-se de passagem).
Sr. Toledo, esta sendo denunciado que o Data folha, esta em sua metodologia, tendo proporcionalmente muito mais entrevistas em SP,(reduto do Serra), do que em outras estados, se confirmado isto destorce completamente os resultados.
Gostaria de saber por que o número de bairos pesquisados em SP subiu de 18 para 71 da pesquisa realizada em fevereiro para a de março. É um sinal de que um a clara falcatrua está acontecendo no DataFolha?
E olha que tem muita viúva de FHC de salto alto aí.
Sempre que um instituto quer pesquisar intenção de voto para governador em um estado junto com a pesquisa presidencial nacional, ele aumenta a amostra naquele estado, para ela ser representativa. Foi o que fez o Datafolha em São Paulo. Na hora de tabular os resultados para presidente, faz-se uma ponderação para representar o peso de cada Estado no total do Brasil. O tamanho da amostra não influencia o resultado.
responder este comentário denunciar abusoObviamente houve um dedo do Datafolha para que Serra se lançasse como candidato, porque o Datafolha mudou a metodologia das últimas pesquisas, indo de encontro as proporções estabelecidas pelo IBGE.
Sem quere defender nem acusar ninguém, apenas vendo os fatos de fora. Acho engraçado desconfiarem da pesquisa do Datafolha e não da Sensus, que nem contratante tinha, usaram um laranja de ultima hora, um sindicato que tem um orçamento de 1 milhao e 100 mil Reais e que gastou 110 mil na pesquisa. A troco de qual interesse? E a outra da Vox Populi, imediatamente após a do Datafolha, na qual confessou que mudou a metodologia.
Outra coisa, transferência de votos tem um limite. e a Dilma não é o Lula.
Muinto bom esse trabalho da media, realista e considera todos os institutos de
pesquisa. Parabens, continuem fazendo o bom jornalismo.
Engraçado é o maluco mais acima falar que a mídia já escolheu candidato dizendo que a Veja e a Época deram capa pro Serra. Será que o maluco não lembra que a Dilma também teve capa quando se lançou candidata? Ele queria o que? Que o Serra, se lançando só agora, não tivesse o mesmo tratamento?
E quando Dilma fez sua festa o JN deu todo o espaço prá ela. Pro Serra não daria?
Bom, ou isso é um “esquecimento” ou só um método de martelar mentiras conspiratórias.
É cada uma que a gente lê por aí!!!
Quanto á média das pesquisas, quer dizer que o momento atual não é o que vale?
Uma pesquisa de HOJE deve ser comparada com uma de um ou dois meses atrás? As intenções de voto mudam rapidamente e assim essa média não faz mais sentido. Fora a credibilidade de alguns institutos, altamente suspeitos, que não deveriam fazer parte do gráfico.
A média não compara pesquisas atuais com pesquisas “de dois meses atrás”. Tampouco as intenções de voto estão mudando rapidamente, como você diz. A média tem sido o melhor meio de mostrar as tendências. O que é suspeito para você, é correto para o seu adversário, e vice-versa. Excluir institutos do cálculo, enquanto não houver prova definitiva de fraude, equivaleria a tomar partido.
responder este comentário denunciar abusoAOS QUE ACUSAM O DATAFOLHA, DIGO QUE OS SEUS DADOS SE ASSEMELHAM COM OS DO IBOPE. E QUANTO AO SENSUS E ESSE TAL DE VOX, ESTÁ CLARO QUE ESTÃO A SERVIÇO DA TURMA DO PODER!
Toledo,
Nos EUA há um processo eleitoral complexo e os institutos tem metodologias muito diversas. São raros aqueles que vão às ruas pesquisar, a maioria faz as pesquisas por telefone.
A impressão que tenho é que eles não tem um modelo apurado dos diversos estratos sociais para fazer “A Pesquisa”. Então a média neste caso pode indicar tendências SE não houve fraude nas pesquisas (lá nos EUA não há nenhuma regulamentação para pesquisas, que eu saiba).
No Brasil são usados modelos sociais tradicionais, que se não correspondem à sociedade “de fato”, permitem levantar uma série histórica confiável para as tendẽncias destes modelos.
Em suma, não há motivo no Brasil para uma diferença de 10 pontos entre pesquisas feitas com dois dias de diferença nas pesquisas.
Alguém está realmente está mentindo ou escondendo erros colossais.
Fazer a média disso como se a má intenção ou o erro fosse “diluído” não faz sentido. É reforçar o erro por que não dá para afirmar categoricamente que a curva de intenções de voto “se conformem” com tais variações inexplicáveis e que “a média é 4,4 pontos”.
Nos EUA as pesquisas seguem a cartilha da escola de Chicago, são totalmente probabilísticas e feitas pelo telefone, porque lá praticamente 100% do eleitorado tem acesso a telefone fixo e há uma listagem nacional de assinantes. Na verdade, as metodologias dos vários institutos são muito parecidas entre si.
responder este comentário denunciar abusoO Sr. poderia explicar porque a folha aumentou o nº de cidades paulistas na última pesquisa?????!!!!!!
Maurício Lourenço
Já expliquei. Leia a resposta a outro comentário,
responder este comentário denunciar abusoAs pesquisas mostram que a Dilma chegou no TETO e se Deus ajudar,não avança mais nem um ponto além dos TRINTA % que o PT sempre teve.A tendência agora é só cair,pois ela perdeu a proteção da ASCOM da presidencia..nééé
Eu naõ confio em pesquisa data-folha
e comprada por o sr PRESIDENTE O LULA.
Parabéns José Serra, tu seras o futuro Presidente do Brasil
Guerra de pesquisas
Caso o PT saia da catatonia e arranque um posicionamento do TSE, poderemos avaliar se as discrepâncias entre Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi se devem realmente a distorções de amostragem e apuração, como tantos acusam. Por enquanto, elas apenas evidenciam diferentes metodologias.
Quem já observou os bastidores desse tipo de levantamento sabe que é fácil induzir resultados usando apenas instrumentos legais ou tolerados. Faz toda a diferença entrevistar pessoas em trânsito ou nas residências, a ordem e o teor das perguntas, o tipo de apresentação dos candidatos.
Podemos levantar suspeitas sobre institutos que estimulam o entrevistado apenas citando os nomes de Serra e Dilma, não os apresentando como aliados de FHC e Lula, pois é assim que ambos serão identificados na campanha. Este é o consolo dos defensores da petista, e provavelmente o diferencial das enquetes que apontam o tal empate técnico. Eis porque a mídia conservadora tem tanto medo dessas associações.
A guerra de pesquisas é saudável, principalmente quando seus métodos são elucidados. O público escolhe em que acreditar. Não convém esperar muito da Justiça Eleitoral, mas já seria grande coisa se ela instituísse um pouco de transparência nesse burburinho estatístico.
2012
2011
2010
2009
Deixe um comentário: