José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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(texto publicado na edição impressa do Estado)

Segundo Ibope e Datafolha, José Serra (PSDB) teria mais a ganhar com a eventual saída de Ciro Gomes (PSB) da corrida presidencial. Na comparação dos cenários com e sem o pré-candidato socialista, o tucano soma mais pontos em sua intenção de voto estimulada do que as adversárias quando Ciro está fora do páreo.

Em ambos os institutos, Serra ganha quatro pontos no cenário sem Ciro. Dilma Rousseff (PT) ganha de 2 a 3 pontos, dependendo do instituto, e Marina Silva (PV) soma de 1 a 2 pontos. Logo, a vantagem do tucano sobre os rivais se ampliaria.

Isso, na teoria. Porque há outros fatores que influenciarão a preferência dos eleitores em caso de desistência de Ciro. Entre eles, o seu comportamento: se Ciro sair atirando em Dilma, o resultado será um; se subir no palanque dela, o impacto será outro.

Aumentam também as chances de a eleição ser decidida no 1º turno. No cenário com Ciro, Serra tem hoje 44% dos votos válidos, segundo o Ibope. Sem Ciro, o tucano chega a 49% dos votos válidos. Para ser eleito sem 2º turno, um candidato precisa de 50% mais um dos votos válidos.

Essa conta, porém, é imperfeita. Não contabiliza os 9% de indecisos, que na hora de votar optarão por um candidato. E o cenário em outubro pode ser muito diferente do atual, quando ainda 60% dos eleitores não sabem dizer espontaneamente o nome de um presidenciável que esteja no páreo.

Serra tem mais chances de ser o principal beneficiado com a eventual saída de Ciro, mas só a evolução da campanha, novas rodadas de pesquisa e, em última instância, as urnas poderão confirmar essa probabilidade.

PS: Se o PSB rifar a candidatura de Ciro, tudo indica, será para apoiar Dilma. Isso somaria valioso tempo de propaganda de TV para a petista.

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Se acreditar nas mais recentes pesquisas Datafolha e Ibope, Ciro Gomes (PSB) deve estar com sérias dúvidas sobre a o futuro de sua pré-candidatura a presidente. Ambas mostram uma curva descendente de sua intenção de voto, rumo ao quarto lugar na corrida presidencial, atrás de Marina Silva (PV). Mas não só isso.

Os cruzamentos das pesquisas e outras perguntas dos questionários de ambos os institutos não alimentam as esperanças do pré-candidato do PSB. Segundo o Ibope, Ciro é, dos quatro presidenciáveis mais bem colocados, aquele com maior rejeição: 48% do eleitorado diz que não votaria nele. É 50% maior do que a rejeição de José Serra (PSDB) e 40% mais alta do que a de Dilma Rousseff (PT).

Com um potencial de voto (eleitores que dizem que votariam ou poderiam votar nele) menor do que sua rejeição, Ciro tem um saldo negativo de 12%. Só não é pior do que o de Marina, mas a candidata verde é desconhecida por duas vezes mais eleitores do que o socialista. Isso lhe dá esperanças de aumentar o potencial de voto quando se tornar mais conhecida. Essa possibilidade é mais remota para Ciro.

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O deputado cearense perdeu as principais apostas que fez até agora sobre a sucessão. Dilma conseguiu se viabilizar como candidata de Lula e do PT ao galvanizar a intenção de voto de petistas e lulistas radicais. Isso fechou uma das portas de Ciro.

Do outro lado do espectro partidário, Serra lançou-se pré-candidato tucano, contrariando a previsão do socialista, que acreditava que Aécio Neves seria o presidenciável do PSDB.

Nesse cenário, Ciro ficou comprimido entre uma candidatura governista e outra oposicionista, ambas muito fortes, com muito mais tempo de TV do que ele. Além disso, os adversários exerceram seu poder de pressão sobre os pequenos partidos e candidatos a governador que poderiam dar sustentação institucional ao pré-candidato do PSB, isolando o socialista.

Para completar o martírio de Ciro, a polarização exacerbou o tom das disputas entre petistas e tucanos no Congresso e na internet, deixando pouco espaço para o discurso de certa maneira conciliador do pré-candidato do PSB, que afirma pretender governar com o que há de melhor nos dois partidos.

Sem apoios institucionais que lhe aumentem o tempo de propaganda na TV, com discurso pouco atraente e intenção de voto em queda, Ciro enfrentará, como consequência, maiores dificuldades para convencer potenciais doadores e cabos-eleitorais a embarcarem na sua canoa.

Se Ciro desistisse hoje de disputar a sucessão de Lula, o maior beneficiado seria Serra, que, segundo Ibope e Datafolha, colheria a maior parte dos eleitores do rival: o tucano somaria 4 pontos percentuais a sua intenção de voto. Dilma ficaria com 2 ou 3 pontos, e Marina herdaria de 1 a 2 pontos. Evidentemente esses percentuais poderão mudar, dependendo de como for a eventual despedida do cearense.

Por outro lado, Ciro já disse que se não for eleito presidente, abandonará a política partidária. Dá a entender, assim, que não tem mais nada a perder, porque não alimenta outras ambições eleitorais. Perdido por 1, perdido por 10: Ciro pode continuar na disputa presidencial como franco atirador. Certamente renderá boas frases.

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(texto publicado na edição impressa do jornal Estado de S.Paulo)

Atualizada pela inclusão da mais recente pesquisa Ibope, a média móvel das pesquisas de intenção de voto mostra um pequeno crescimento da vantagem de José Serra (PSDB) sobre Dilma Rousseff (PT). A diferença média entre ambos, que chegou a ser de 4,1 pontos há duas semanas, é agora de 5,8 pontos.

Mais importante do que os valores é a trajetória das curvas de intenção de voto média de cada um dos pré-candidatos à Presidência da República. A inclusão da pesquisa Ibope confirmou uma mudança que havia sido iniciada pela pesquisa anterior, do Datafolha: as curvas de Serra e Dilma pararam de se aproximar e, lentamente, estão se distanciando.

Isso não significa necessariamente que a vantagem de Serra tende a aumentar. A média mostra o passado, não projeta o futuro. Mas indica que a transfusão da popularidade do presidente Lula para sua candidata será mais difícil do que muitos aliados da ex-ministra chegaram a supor quando ela começou a se aproximar do tucano.

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Duas das três pesquisas que integram o cálculo desta média móvel foram feitas após a festa de lançamento da pré-candidatura de Serra, o que pode ter influenciado o seu resultado.

Na parte de baixo do gráfico, vê-se que a intenção de voto de Ciro Gomes (PSB) continua em queda, com sua curva descendente se encontrando com a de Marina SIlva (PV), que vem no sentido contrário. Mantida essa tendência, a senadora pode vir a ultrapassar o deputado cearense.

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Como sempre, o cálculo desta média levou em conta as três pesquisas mais recentes divulgadas. No caso: Ibope (cujo campo terminou no dia 19 de abril), Datafolha (fim do campo no dia 16) e Sensus (9 de abril). Esta última havia dado um empate técnico entre Serra e Dilma, apontando uma tendência contraditória com dos outros dois instiitutos.

Essa é uma das vantagens da média das pesquisas: eliminar as oscilações bruscas dos percentuais entre os institutos. A média móvel das pesquisas eleitorais é uma técnica usada há anos nos EUA e na Europa para detectar tendências mais permanentes do eleitorado.

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(texto publicado na edição imprensa do jornal Estado de S.Paulo)

Além de pesquisar a intenção de voto, o Ibope sempre inclui em seu questionário uma pergunta que pretende medir o potencial de voto dos candidatos. Essa pergunta é importante porque indica os limites de cada candidatura, dividindo o total do eleitorado em três grandes categorias no que se refere àquele presidenciável: os que votariam nele, os que o rejeitam e os que não o conhecem.

Líder nas intenções de voto, José Serra (PSDB) também tem o maior potencial de voto. Segundo o Ibope, 61% dos eleitores dizem que votariam ou ao menos poderiam votar no tucano para presidente. Dilma Rousseff (PT) vem a seguir: seu potencial de voto soma 52% do eleitorado.

Os pré-candidatos tucano e petista se equivalem em taxa de rejeição: 32% dizem que não votariam em Serra de jeito nenhum, e 34% dizem o mesmo sobre Dilma.

O que faz a diferença entre eles e dá a Serra um maior potencial de voto é que ele é mais conhecido do que a adversária. Ainda há 15% de eleitores, principalmente entre os mais pobres (20%), que dizem não conhecer Dilma o suficiente e não respondem nem que sim nem que não sobre a chance de votar na petista. É um percentual três vezes maior do que o de Serra.

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Em novembro do ano passado, havia mais eleitores dizendo que não votariam em Dilma do que aqueles que admitiam essa possibilidade. Isso porque muitos simplesmente não sabiam quem era ela e não diziam nem uma coisa nem outra.

Em fevereiro, após o esforço do presidente Lula para tornar sua candidata mais conhecida, a situação se inverteu, e o potencial de voto de Dilma cresceu, chegando a 49% do eleitorado. O problema da petista é que, desde então, ela não conseguiu expandir seu potencial de maneira consistente. O motivo é que o percentual daqueles que não têm opinião formada a seu respeito continua igual a fevereiro: 15%.

Ao mesmo tempo, o potencial de voto de Serra oscilou sempre dentro da margem de erro da pesquisa. As chances do adversário não aumentaram, tampouco diminuíram. Mas continuam maiores do que as de Dilma.

É cedo para dizer se a dificuldade de Dilma para se tornar mais conhecida é um teto para sua intenção de voto. Pode ser apenas um reflexo do baixo interesse despertado pela sucessão neste momento: metade dos eleitores dizem ter pouco ou nenhum interesse pelo pleito.

Além disso, 60% dos eleitores ainda não sabem dizer espontaneamente o nome de um pré-candidato que esteja concorrendo à Presidência. E são eles quem vão decidir a eleição.

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Pesquisa Ibope concluída nesta segunda-feira aponta vantagem de 7 pontos de José Serra (PSDB) sobre Dilma Rousseff (PT). Em comparação à pesquisa de março, do mesmo instituto, ambos oscilaram dentro da margem de erro, 1 ponto a mais para o tucano e 1 ponto a menos para a petista.

A pesquisa Ibope vai ao encontro da sondagem do Datafolha feita na semana anterior, que deu 10 pontos de dianteira para o tucano e identificou uma parada no crescimento da intenção de voto de Dilma.

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A pesquisa Ibope foi registrada na sexta-feira no TSE (protocolo 9070/2010). Quem contratou a pesquisa foi a Associação Comercial de São Paulo, por R$ 128 mil. São 2002 entrevistas, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Agora são dois institutos apontando Serra na liderança e Dilma estacionada (Ibope e Datafolha). E dois institutos mostrando um empate iminente (Vox Populi) ou já ocorrido entre a pré-candidata do governo e o pré-candidato do PSDB.

Veja abaixo os gráficos com as tendências dos outros três institutos.

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Com as pesquisas dos vários institutos cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a mais recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior a diferença era de 4,1 pontos.

A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.

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Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.

Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.

Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.

Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo na medida que gostaria.

O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV), os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o percentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

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Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.

Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.

Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira do 10% de intenção de voto.

Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Nesta fase, os comitês concentram seus esforços nos eleitores que já têm simpatia por seus candidatos e nos militantes partidários. Precisam deixa-los esperançosos e municiados com argumentos para que tenham chance de multiplicar sua intenção de voto convertendo indecisos e eleitores de adversários.

Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo. Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.

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É dura a vida de Ciro Gomes. Usado por Lula para evitar o “já ganhou” de José Serra (PSDB), abandonado pelos pequenos partidos que lhe dariam mais tempo de TV, isolado dentro do próprio PSB, o deputado cearense vê sua intenção de voto para presidente da República cair pouco a pouco. Na mais recente Datafolha, Marina Silva (PV) aparece, pela primeira vez, numericamente à sua frente. O último fio de esperança de Ciro é o Nordeste.

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O gráfico mostra como a tendência da intenção de voto estimulada de Ciro é declinante em todas as regiões, menos onde ele surgiu para a política. É muito difícil para qualquer presidenciável sustentar uma candidatura com base em apenas um reduto eleitoral. Ele pode usar seu local de origem como trampolim para um salto nacional, jamais confirnar-se a ele.

Proporcionalmente, o eleitorado de Ciro está cada vez mais nordestino. E, mesmo entre eles, ele terá enormes dificuldades para crescer, devido à grande popularidade de Lula na região e sua campanha por Dilma Rousseff (PT). O presidente e seu partido investem com força na candidatura de Dilma até no Ceará, reduto dos Gomes. Ao que indicam as pesquisas, Ciro caminha para ser mais um “cristianizado” da política brasileira.

Isso não quer dizer que Ciro vai ser um Cristo e dar a outra face. Seria um Cristiano Machado do século 21 (candidato a presidente em 1950 abandonado pelo seu partido, o PSD, que de fato apoiava Getúlio Vargas), não fosse Ciro um atirador certeiro e contumaz. Se permanecer no jogo, poderá disparar contra José Serra (PSDB), seu alvo predileto. Mas também pode sair atirando contra Dilma.

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Hoje, segundo o Datafolha, o eleitorado de Ciro tenderia a se distribuir mais favoravelmente ao tucano caso o pré-candidato do PSB abandonasse a campanha. Mas essa proporção pode mudar dependendo de como Ciro tratar cada adversário. Em dezembro, como se vê no gráfico, Dilma e Marina ganhariam mais com uma saída do adversário.

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A evolução da intenção de voto espontânea do Datafolha mostra uma migração lenta dos eleitores que gostariam de votar em Lula ou no seu candidato para Dilma Rousseff (PT). Nesse tipo de pesquisa, em que não há alternativas obrigatórias, os entrevistados respondem o que querem. Por isso, é um voto mais convicto, porque espontâneo, mas também é onde aparecem respostas que não fazem parte do quadro eleitoral.

A soma dos que dizem que votariam em Lula, no seu candidato ou no candidato do PT dava 24% do total do eleitorado em dezembro. Nessa época, Dilma só alcançava 8% das intenções de votos. Agora, a candidata petista chegou a 13% (1 ponto a mais do que Serra) e o contigente dos que respondem Lula (ou seu candidato/do PT) caiu para 11% do total. Se 5 pontos foram para Dilma, onde foram parar os outros 8 pontos desse eleitorado lulista?

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Uma parte foi engrossar o contigente dos que não sabem dizer espontaneamente o nome de nenhum candidato a presidente de sua preferência. Essa maioria, que era de 47% em dezembro, é agora de 54%, segundo o Datafolha.

Pode-se imaginar que alguns dos que diziam pretender votar em Lula, ao descobrir que o presidente não disputaria um terceiro mandato, tornaram-se eleitores sem candidato. A questão é saber se, ao conhecerem Dilma e o endosso de Lula, isso será suficiente para eles transferirem sua simpatia para a candidata petista.

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(texto publicado na edição impressa do jornal Estado de S.Paulo)

Esqueça os números e se concentre na história que eles narram. Mesmo assim, as versões contadas pelos institutos são irreconciliáveis. As tendências apontadas pelo Datafolha não batem com as traçadas pelo Sensus, que não são iguais às de Vox Populi e Ibope. A cada semana muda o narrador e, com ele, os rumos da novela eleitoral.

Segundo o Datafolha, a intenção de voto estimulada em José Serra (PSDB) caiu no começo deste ano e voltou a subir desde então, voltando aos patamares de dezembro. Já de acordo com o Sensus, Serra nunca saiu do lugar e continua no mesmo patamar que tinha em novembro.

Vox Populi e Ibope contam, até agora, uma história parecida entre si, mas divergente das duas anteriores. Como o Datafolha, os dois institutos detectaram uma tendência declinante de Serra no começo deste ano, mas não apontaram, até agora, nenhum sinal de recuperação do tucano.

Sobre Dilma Rousseff (PT) os institutos tampouco concordam. Pelo Datafolha, ela cresceu rápido, mas bateu em um teto que a deixa distante de Serra. Para Sensus e Vox Populi, a tendência de crescimento de Dilma persiste e ela se aproxima cada vez mais do rival, se é que já não empatou com o tucano.

O único ponto em comum entre os institutos é a pesquisa espontânea: Serra e Dilma estão empatados tecnicamente. Mas muitos eleitores ainda respondem “Lula” ou “candidato de Lula”. Sinal de que a petista tende a crescer.

Na ausência de fatos que chamem a atenção da maioria do eleitorado para a sucessão, os narradores tomaram para si o protagonismo da novela eleitoral. Paralela à dos candidatos, disputam uma corrida dos institutos.

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Segundo o Datafolha, Dilma Rousseff (PT) encontrou um teto para o crescimento de sua intenção de voto, enquanto José Serra (PSDB) recupera eleitores potenciais que havia perdido no começo do ano e abre dez pontos de diferença para a principal rival.

Ainda segundo o instituto, Marina Silva (PV) dá o primeiro sinal de que pode crescer, ao mesmo tempo que a candidatura de Ciro Gomes (PSB) perde força. Diminuiu o percentual de eleitores sem candidato (que respondem que votariam em branco, nulo, em nenhum ou não sabem).

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A pesquisa foi feita entre quinta e sexta-feira, depois, portanto, do lançamento oficial da pré-candidatura de Serra, que ocorreu no sábado. A margem de erro máxima divulgada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Folha da Manhã S/A, e está registrada no TSE com o protocolo 8383/2010.

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O Ibope está em campo desde terça-feira pesquisando intenção de voto para presidente. O registro foi feito nesta sexta no TSE (protocolo 9070/2010). A divulgação pode acontecer a partir de quarta-feira da próxima semana. Quem contrata a pesquisa é a Associação Comercial de São Paulo, por R$ 128 mil. São 2002 entrevistas, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Não é a primeira vez que a Associação Comercial de São Paulo contrata pesquisa do Ibope sobre a eleição. O jornal da ACSP contratou uma há algumas semanas, para divulgação.

O questionário aplicado é o tradicional do Ibope, com duas questões quebra-gelo antes da bateria eleitoral. A seguir vêm as questões de intenção de voto espontânea, estimulada, simulação de 2º turno, grau de conhecimento, potencial de voto, expectativa de vitória, preferência sobre mudança/continuidade do futuro presidente e avaliação do governo Lula.

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Diretores dos quatro institutos que têm feito regularmente pesquisas nacionais de intenção de voto para divulgação se reuniram esta semana em São Paulo, na sede da Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa). O objetivo era aparar arestas surgidas após o congresso da associação, no mês passado, quando diferenças de opinião entre eles ficaram evidentes em um painel sobre pesquisas eleitorais, mas não chegaram a ser debatidas, por falta de tempo.

O novo encontro envolveu os mesmos diretores: Márcia Cavallari (Ibope), João Francisco Meira Filho (Vox Pupuli), Mauro Paulino (Datafolha) e Ricardo Guedes (Sensus). A discussão não diminuiu os atritos, ao contrário. Ficaram explícitas as divergências metodológicas entre dois pares de institutos, principalmente quanto à forma de montar os questionários das pesquisas de intenção de voto.

De um lado, Ibope e Datafolha. De outro, os mineiros, Vox Populi e Sensus. Meira e Guedes defenderam que incluir outras questões, como as de avaliação do governo, antes da bateria de perguntas sobre como o eleitor pretende votar não altera para mais ou para menos o percentual de intenção de voto dos candidatos. Cavallari e Paulino reafirmaram que a interferência influencia sim o resultado.

Os argumentos de lado a lado não foram suficientes para mudar as opiniões de um ou de outro. As diferenças metodológicas deverão continuar existindo. A julgar pelos resultados das rodadas mais recentes, isso significa que muito provavelmente o debate deve esquentar. O quanto, vai depender do resultado das próximas pesquisas Datafolha e Ibope, previstas para os próximos dias.

A disputa é potencializada na internet. A mesma polarização entre os institutos se verifica entre os militantes das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Como os resultados de Sensus e Vox Populi têm sido mais favoráveis à petista, seus correligionários tendem a validar suas pesquisas e atacar Datafolha e Ibope. Enquanto os tucanos fazem o contrário.

Isso apaixona a discussão e afasta qualquer possibilidade de um debate que possa aclarar a questão. Saem de cena os argumentos técnicos e ganham força especulações sobre as supostas motivações de quem contratou as pesquisas.

Resta seguir procurando as tendências de longo prazo e calculando a média móvel das pesquisas mais recentes para aplainar as diferenças.

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Na média das pesquisas, a diferença entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caiu para 4,1 pontos percentuais após a divulgação da sondagem do instituto Sensus realizada na semana passada. Os gráficos abaixo mostram a evolução dos presidenciáveis de duas maneiras diferentes. O primeiro traça a média móvel das últimas três pesquisas divulgadas. Serve para mostrar as tendências de longo prazo. O outro registra os resultados, ponto a ponto, de Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus.

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A média móvel mostra que, a despeito das diferenças dos resultados dos quatro institutos, há uma tendência persistente de diminuição da vantagem de Serra. A diferença média do tucano para Dilma chegou a ser de 21 pontos no final do ano passado. Caiu para cerca de 8 pontos no começo de fevereiro, para cerca de 6 pontos no fim de março, e, agora, chegou a 4,1 pontos. Na média, Serra está num patamar de 34% das intenções de voto estimuladas, enquanto Dilma está num patamar de 30%.

Qual o significado disso? Mais conhecido dos presidenciáveis, Serra se segura naquela porção do eleitorado que não vota em candidatos petistas, e que oscila entre 30% e 40% do total. Ao mesmo tempo, Dilma consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido e entre os eleitores que dão nota 10 ou no mínimo 9 ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela avança à medida que é identificada por mais eleitores simpáticos ao presidente como sua candidata.

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Nesta fase, a pré-campanha, a grande maioria dos eleitores não está preocupada com o pleito. Especialmente os eleitores que não têm preferência partidária ou que não têm simpatia pessoal por um ou outro candidato. Logo, os pesquisadores impõem um problema a esse eleitor quando o abordam e perguntam qual sua intenção de voto. Um problema sobre o qual ele não havia pensado antes.

A tendência é esse eleitor independente citar o primeiro nome que lhe vêm à cabeça, o que não é necessariamente fruto de uma decisão ponderada.

Por ser mais um reflexo do que uma decisão firme de voto, oscilações nos percentuais dos candidatos podem ocorrer de uma pesquisa para outra. Diferenças metodológicas entre os institutos e/ou da ordem das perguntas no questionário acentuam essas oscilações, e jogam um ou dois pontos mais para lá ou mais para cá.

Por isso, é mais relevante, ao menos por enquanto, acompanhar as tendências de longo prazo. É o que o gráfico das médias ajuda a fazer, aplainando o zigue-zague do gráfico das pesquisas ponto a ponto.

O único efeito prático de se enfatizar o resultado isolado de uma ou outra pesquisa é mobilizar a militância partidária em torno do seu candidato de preferência. Ninguém ganha eleição de véspera. Mas manter a massa de simpatizantes aguerrida e entusiasmada por seu candidato, usando o discurso de que ele está na frente ou em ascensão, é uma das armas dos comitês de campanha. Isso serve mais aos partidos do que aos eleitores.

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Pesquisa Sensus feita na semana passada mostra José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) em empate técnico. Levando-se em conta apenas as pesquisas Sensus, o tucano ficou onde estava desde janeiro, com 33%, enquanto a petista oscilou de 28% para 32%. Segundo a Sensus, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) também estão empatados tecnicamente, com 10% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

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A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, antes da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra à Presidência, que aconteceu no sábado, em Brasília. A pesquisa foi feita por encomenda do Sintrapav, sindicato ligado à Força Sindical. A margem de erro máxima divulgada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O Sensus divulga seus resultados com uma casa decimal. Este blog, como de hábito, arredondou o resultados, pois as casas decimais sugerem uma precisão que nenhuma pesquisa de intenção de voto tem.

No seu questionário, o Sensus, como sempre, incluiu a pergunta de avaliação do governo federal antes da pergunta de intenção de voto, bem como a pergunta de preferência partidária. Outra diferença metodológica em relação aos outros institutos é que o cartão do Sensus inclui o partido do candidato.

Essas particularidades do questionário do Sensus ajudam a explicar diferenças em relação aos resultados de outros institutos. Segundo o Sensus, Serra nunca teve mais do que 33% nem menos de 32%. Pelo Vox Populi, por exemplo, o tucano chegou a ter 40% e nunca caiu abaixo de 34%.

Mas as diferenças metodológicas não são suficientes para explicar divergências mais dramáticas, como a intenção de voto dos dois principais candidatos na região Sul. Pesquisa Datafolha concluída no dia 26 de março apontou grande vantagem do tucano sobre Dilma na soma de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: 48% a 20%. Já o Sensus concluído duas semanas depois dá vantagem da petista: 40% a 33% nos mesmos Estados.

Não houve nenhum evento tão dramático nesse período que explicasse uma reviravolta dessa monta. E as diferenças estão muito além da margem de erro (que, no caso, está em torno de 4 pontos percentuais). Um dos institutos deve ter errado.

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O Datafolha registrou pesquisa nacional no TSE, a ser realizada na quinta e sexta-feiras, e com divulgação possível a partir de sábado. Quem paga a pesquisa é a Folha da Manhã S/A, que edita o jornal Folha de S.Paulo.

Além do questionário tradicional do instituto, são aplicadas questões, após o eleitor declarar sua intenção de voto, sobre o grau de conhecimento sobre as chuvas que provocaram desastres no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, o instituto pergunta ao eleitor qual a responsabilidade (se muita ou pouca) pelos incidentes de quatro “personagens”: prefeitura, governos estaduais, governo federal e população.

Antes dessa bateria de questões, o Datafolha introduziu uma questão que pede ao eleitor, após ele dizer seu candidato, para identificar quais os partidos dos principais candidatos.

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José Serra tornou-se pré-candidato do PSDB à Presidência neste sábado, com direito a discurso no evento do seu partido em Brasília. Dilma Rousseff havia feito o seu em fevereiro, durante o congresso do PT.

É interessante comparar os pronunciamentos de ambos nesse momento chave de suas campanhas. Os discursos de lançamento são uma espécie de profissão de fé das candidaturas. As palavras e os temas são escolhidos a dedo. Por isso vale fazer uma comparação numérica de ambos.

O discurso de Serra teve 3.962 palavras, das quais 1.374 únicas (as demais foram repetições). Foram distribuídas em 233 sentenças, a uma média de 17 palavras por sentença. O discuro de Dilma foi praticamente do mesmo tamanho: 4.001 palavras, das quais 1.305 foram ditas uma vez ou mais, em 281 uma sentenças, com 14 palavras em média. Estruturalmente, como se vê, os discursos foram semelhantes.

E no conteúdo?

Veja os gráficos abaixo e tire suas próprias conclusões. Eles mostram quantas vezes cada palavra foi citada por Serra e Dilma: os verbos, os substantivos, e as formas pronominais. Ao final, juntei as palavras mais comuns em temas afins.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Top 10 palavras 2010-04-12 at 02.59.53

Palavras mais comuns

…………………………………………………………………………Verbos 2010-04-12 at 02.53.32

Verbos

…………………………………………………………………………

Substantivos 2010-04-12 at 02.46.02
Substantivos
…………………………………………………………………………Pronomes 2010-04-12 at 02.40.21

Pronominais

…………………………………………………………………………

Temas 2010-04-12 at 03.03.43

Para saber como esses gráficos foram elaborados, clique aqui.

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Na política, nada se cria, tudo se transforma. Estão aí os muitos programas sociais que mudaram de nome nos últimos anos, mas não de essência. O slogan da campanha presidencial de José Serra (PSDB) não foge à regra. “O Brasil pode mais” é uma releitura de “O Santos pode mais”. Esse foi o nome da chapa vitoriosa na última eleição para a diretoria do clube de futebol. Coincidência?

Muita. Fabio Gonzales, conselheiro santista e gerente do departamento jurídico do Santos, é irmão de Luís Gonzales, principal marqueteiro de Serra.

Os integrantes da chapa “Santos pode mais” tinham um problema eleitoral parecido com o do tucano. Tentavam derrotar um presidente popular, Marcelo Teixeira, em cuja gestão haviam sido conquistados muitos títulos para o clube. Conseguiram. Isso deve ter dado estímulo à reciclagem do slogan.

Algo me diz que o palmeirense Serra vai torcer pelo Santos nas finais do campeonato paulista de futebol.

PS: Como lembraram os leitores Kadrunco e Lucca, na campanha presidencial de 2006, Geraldo Alckmin usou em alguns programas eleitorais o mote “O Brasil pode mais porque você pode mais”, contra Lula. Como se sabe, não colou para a maioria dos eleitores.

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É precipitado fazer análises supostamente definitivas sobre uma eleição que ainda não está entre as preocupações de mais de dois terços do eleitorado. Mais arriscado ainda é tentar prever o seu resultado. Mas, em se tratando de pesquisas eleitorais, essas são duas tentações às quais políticos, jornalistas, eleitores e até mesmo diretores de institutos de pesquisa sucumbem com frequência. É compreensível, porém.

Para uma grande parte das pessoas, a eleição envolve paixão, torcida, comprometimento com um dos lados. E, para algumas poucas, uma fonte de renda. Quando as emoções estão envolvidas, é difícil raciocinar friamente sobre os fatos. Uma mesma curva num gráfico pode significar uma coisa para um serrista e o oposto para um dilmista.

Além disso, uma das funções básicas do nosso cérebro é tentar antecipar riscos para aumentar nossa chance de sobrevivência. Tentar prever quem vai ganhar uma eleição pode ser visto como um desvio moderno dessa função.

Assim, talvez o melhor seja apresentar o maior número possível de cenários e deixar ao leitor escolher o que mais lhe convém. Seguem, abaixo, vários tipos de gráficos sobre a eleição presidencial. Embora expressem o mesmo fenômeno, suas feições não são idênticas. Escolha o seu.

Screen shot 2010-04-06 at 15.17.35

Screen shot 2010-04-06 at 15.18.03

Acima, os gráficos com os resultados, isolados, de cada instituto. Repare que os períodos pesquisados variam de instituto para instituto (as datas indicam o último dia de campo de cada pesquisa). Abaixo, dois gráficos que consolidam os resultados dos quatro institutos, de maneiras diferentes. Por fim, o gráfico das médias móveis das três pesquisas divulgadas mais recentemente.

Screen shot 2010-04-06 at 16.29.23

Screen shot 2010-04-03 at 22.28.58

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O Sensus registrou pesquisa (7.594/2010) no TSE. O pesquisadores estarão em campo entre os dias 5 e 9 de abril. Os resultados podem ser divulgados a partir de sábado, mesmo dia previsto para o lançamento da candidatura de José Serra (PSDB), em Brasília. O Ibope deve fazer pesquisa presidencial na próxima semana, mas ainda não confirmou. Se fizer, pegaria os efeitos (se houver) do lançamento da candidatura tucana sobre a intenção de voto.

O questionário do Sensus pode ser visto aqui: Questionario-3. A pesquisa foi contratada pelo Sindicato dos Empregados nas Empresas Concessionárias no Ramo de Rodovias e Estradas em Geral do Estado do Paraná (Sindecrep).

Antes da intenção de voto estimulada, o questionário pergunta como o entrevistado avalia o governo Lula (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo) e pede para ele explicar a razão pela qual ele avalia assim o governo. Na intenção de voto estimulada, diferentemente de Ibope e Datafolha, o Sensus coloca, ao lado do nome do candidato, o seu partido.

A ordem das perguntas de avaliação do governo e de intenção de voto varia de instituto para instituto. Ibope e Datafolha, por exemplo, fazem a bateria de perguntas sobre a intenção de voto (espontânea, estimulada, grau de conhecimento e rejeição) antes de pedir para o entrevistado avaliar o governo.

Qualquer tentativa de medir um fenômeno implica algum grau de alteração do que se pretende medir. Um pesquisador, ao abordar um eleitor e perguntar em quem ele pretende votar para presidente, está impondo um problema sobre o qual ele não havia refletido antes (dois terços não sabem citar o nome de um candidato válido espontaneamente). Outros tipos de interferência podem afetar o resultado.

A ordem das perguntas no questionário é uma delas. Trata-se de um fenômeno bem estudado e comprovado (leia “Erros nas pesquisas eleitorais e de opinião”, de Alberto Carlos de Almeida). Por isso, os institutos devem tomar todas as precauções para minimizar as interferências de uma questão sobre outra: se o eleitor acabou de dizer que o governo é ruim ou péssimo, ele próprio vai se sentir constrangido em declarar voto no candidato do governo. O inverso também é verdadeiro.

Detalhes diferentes na estruturação do questionário, somados à data em que os pesquisadores vão a campo e às diferenças de plano amostral (locais onde são feitas as entrevistas), podem explicar pequenas diferenças de resultados entre os institutos. Mas, comparadas ao longo do tempo, as tendências dos candidatos nos diferentes institutos deveriam apontar na mesma direção, já que, a despeito das diferenças metodológicas, o fenômeno que estão medindo é o mesmo.

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