José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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As palavras “senhor” e “presidente” foram as mais empregadas por Dilma Rousseff em seu discurso de despedida da Casa Civil da Presidência da República. Ambas foram usadas pela ex-ministra, na imensa maioria das vezes, como sinônimos formais de Luiz Inácio Lula da Silva. “Presidente” teve 34 citações, “senhor” teve 30 e Lula, 3. Foi um discurso de agradecimento, reconhecimento e reverência ao presidente e seu “governo” (14 citações).

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Não podia ser diferente. Dilma deixa o governo para entrar na campanha, tendo como principal cabo-eleitoral o “senhor” “presidente” Lula. Ao citá-lo, explícita ou implicitamente, 67 vezes em seu discurso de despedida, Dilma estava também pagando uma dívida: o presidente citou centenas de vezes o nome da ex-ministra em discursos públicos nos últimos meses. E, como se pode ver aqui, depois de ela falar na cerimônia desta quarta, Lula ainda vez mais 21 citações a Dilma, em seu discurso final.

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Além de reverenciar Lula, Dilma falou bastante do “povo” (19 citações), do Brasil (12) e do(s) brasileiro/a/s (10). Não por coincidência, “país” (17) e “todos” (16 vezes) acompanharam “Brasil” em número de citações. Essa repetição das palavras que compõem o slogan do governo Lula (“Brasil, um país de todos”) tem ocorrido com mais frequência na fala da candidata.

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O presidente Luiz Inácio Lula Silva deixou claro em seu discurso nesta quarta-feira no Palácio do Planalto quem era a estrela da festa de despedida dos ministros. Embora fossem dez deixando os cargos, Lula deu especial atenção a Dilma Rousseff. Citou a pré-candidata do PT à sua sucessão nada menos do que 21 vezes. Segundo mais citado, Carlos Minc (Meio Ambiente) ouviu seu nome ser mencionado 11 vezes pelo presidente.

O ex-ministro Patrus Ananias (PT), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, foi citado menos de metade das vezes que Dilma pelo presidente: 10. Seu virtual adversário na eleição mineira, Hélio Costa (PMDB), recebeu 8 citações. Geddel Vieira Lima, pré-candidato a governador da Bahia, foi citado também 10 vezes pelo presidente.

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O presidente fez um discurso voltado mais para o futuro do que para o passado, embora a cerimônia fosse de despedida. A forma verbal que mais usou foi “vai” (49 vezes), em construções como “vai acontecer”, “vai fazer”, “vai ter que trabalhar”, “vai ter que correr”. Mas não deixou de empregar as palavras que repete com mais frequência: “gente” (43) e “companheiro” (51).

Como era de se esperar, as menções de Lula a Dilma foram elogiosas (“foi de uma competência extraordinária”; “parte integrante do sucesso”). Isso não chega a ser novidade: apenas na primeira quinzena de março Lula já havia citado Dilma outras 47 vezes em discursos públicos.

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José Serra (PSDB) se despediu do governo de São Paulo nesta quarta com um discurso no Palácio dos Bandeirantes. A frase final, tudo indica, é o mote de sua campanha presidencial: “Vamos juntos. O Brasil pode mais”. Há uma semelhança notável com o “Yes, we can” de Barack Obama, em 2008, nos EUA.

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Foi, antes de mais nada, um discurso de balanço. Como era esperado, “São Paulo” foi uma das expressões mais citadas (46 vezes), na maioria das vezes no final das frases, e associada a “governo” (49 citações) e a “estado” (30). Em comparação a “Brasil” (17), “São Paulo” recebeu praticamente três vezes mais menções. O que mostra que Serra, nesse discurso, estava mais preocupado com o que acabara de fazer como governador do que com o que virá a fazer como candidato.

A “política” não ficou fora do discurso. Explicitamente, citou a palavra apenas 3 vezes, e negativamente, como em “política do ódio”. Mas, implicitamente, a política esteve presente na maioria das vezes que Serra usou a expressão “pública(o)” (26 vezes), como em “vida pública”. E foi aí que ele encaixou uma “indireta” para o presidente Lula ao dizer que “nós governamos para o povo e não para partidos”.

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Além do institucional, o discurso de Serra teve uma parte pessoal. A palavra “vida”, seja no sentido de “minha vida”, de “vida pública” ou de “ao longo da vida” foi citada 36 vezes. Em muitos casos, Serra associou-a a “pessoas” (“vida das pessoas”), outra campeã de citações (23 vezes) e mais um sinal da preocupação do tucano de “humanizar” seu discurso.

O discurso foi construído para que o final apontasse para o futuro e, obviamente, para suas pretensões presidenciais, sem, contudo, explicitar isso. Serra não mencionou as palavras “eleição” nem “candidato”. Mas terminou com uma expressão que tem todo o jeito de ser seu mote de campanha:

“Até 1932, nosso Estado, em seu brasão, ostentava aquela frase em latim “não sou conduzido, conduz”. Esse era o lema de São Paulo, até a Revolução Constitucionalista de 32. Mas, desde então, a divisa mudou. A divisa passou a ser: “Pelo Brasil, façam se as grandes coisas”. É o papel, é o destino de São Paulo, construído por brasileiros de todas as partes do Brasil. E esta é também a nossa missão. Vamos juntos, o Brasil pode mais!”

“O Brasil pode mais” tenta resolver um conflito de interesses. Muitos eleitores de Serra, atuais e potenciais, avaliam bem o governo Lula. Portanto, o tucano não pode partir para o confronto direto. A ideia implícita no mote é de mudança, mas uma mudança que em vez de abandonar o passado pretende somar novas conquistas ao que já foi feito. É uma fórmula engenhosa, mas não original.

Outras campanhas já usaram fórmulas semelhantes. A de Barack Obama, em 2008, propunha “mudança” de modo também implícito com o seu “yes, we can” (sim, nós podemos). Na de Serra, em vez de “podemos”, “o Brasil pode”.

Outra coincidência é com o nome da chapa de oposição na última eleição da diretoria do Santos Futebol Clube, batizada de “O Santos pode mais”. O candidato a presidente a ser batido, Marcelo Teixeira, havia conquistado vários títulos em sua longa gestão. O mote funcionou e a chapa oposicionista venceu. Os marqueteiros de Serra conhecem a história de perto.

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Dois em cada três eleitores dá notas entre  8 e 10 ao governo Lula (Datafolha 26/03/2010). Mas concordar com a avaliação do governo não implica preferir o mesmo presidenciável. Candidata do presidente, Dilma Rousseff (PT) só tem mais intenção de voto do que José Serra (PSDB) entre os eleitores que dão nota 9 ou 10 ao governo. O tucano é o preferido entre quem dá nota 8 ou inferior à atual gestão do Palácio do Planalto (com exceção de quem dá nota 1).

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A disputa pelo voto de quem dá nota 8 é a mais imediata entre a petista e o tucano. Eles representam 22% do eleitorado total, e estão mais divididos do que os demais grupos de eleitores: 36% votam em Serra, 31% preferem Dilma, 8% escolhem Ciro Gomes (PSB), 7% vão de Marina Silva (PV), 5% anulam (ou votam em branco) e 13% estão indecisos.

Todas as nota X todos os candidatos - Datafolha 26/03/2010

Entre os que dão nota 8 até 4, a vantagem do tucano é inversamente proporcional à avaliação do governo: pior a nota, maior a intenção de voto de Serra. Dilma, por sua vez, segue a proporção inversa: só tem eleitores entre quem dá nota 5 ou maior ao governo, e quanto maior a nota, maior sua intenção de voto.

Os esforços de identificação entre Lula e sua candidata podem surtir efeito mais rapidamente entre quem dá nota 10 ao governo. Dilma tem 37% entre eles, dez pontos a mais do que Serra, mas tem chances de crescer um pouco mais nesse eleitorado porque há ainda 11% de indecisos entre eles.

Como se pode ver pelos gráficos abaixo, Dilma tem uma concentração muito maior do que Serra entre os eleitores que avaliam muito bem o governo Lula. Fica clara a sua dependência do presidente e da boa avaliação de que desfruta neste momento.

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(texto publicado na edição impressa de 29/03/2010 de O Estado de S.Paulo)

Do total do eleitorado, 76% avaliam que o governo Lula é bom ou ótimo, segundo o Datafolha. É o mesmo percentual de dezembro de 2002, que dava a dimensão da expectativa em relação ao futuro governo. Se Lula está entregando o que a maioria dos eleitores esperava, não se pode dizer o mesmo de sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT).

Evolução dos candidatos entre os que aprovam o governo

A ministra patina no eleitorado-chave para sua candidatura: entre os 76% que aprovam o governo, ela oscilou de 35% para 33% no último mês. E está tecnicamente empatada com José Serra (PSDB), que cresceu de 27% para 32% nesse segmento. Se não ganhar os simpatizantes do governo, Dilma terá poucas chances de se eleger.

Serra lidera por ampla margem entre os que julgam o governo Lula regular. Desde dezembro, o tucano subiu de 46% para 51% nesse grupo, que representa 20% do eleitorado. Nesse campo Dilma tem tão poucas possibilidades (9%) quanto Ciro Gomes (10%) e Marina Silva (10%). Os 4% que desaprovam o governo Lula também têm preferência por Serra (48%).

Evolução dos candidatos entre os que acham governo regular

Logo, ou Dilma reverte a atual tendência entre os que aprovam o governo, ou pode morrer na praia. Nada menos do que 25 pontos dos 27% de sua intenção vêm desses eleitores. Serra, por sua vez, conta com 10 pontos de seus 36% de intenção de voto entre os que dizem que o governo é “regular”.

Mantida alta aprovação de Lula, a única possibilidade de sua candidata vir a sucedê-lo é “roubar” de Serra eleitores pró-governo. Para ultrapassar o tucano além da margem de erro, Dilma precisaria tirar 10 pontos de Serra nesse segmento e chegar a pelo menos 43% dos pró-Lula. Aí o placar geral ficaria 35% a 29% em favor da petista.

pizza Dilma

pizza Serra

Mas não é fácil chegar a 43% entre os eleitores governistas. Nem mesmo Lula conseguiu a totalidade dos votos de quem o aprovava. Em 2006, quando disputava a reeleição, o presidente chegou, no final do 1º turno, a 80% da preferência entre os que apoiavam seu governo.

Isso porque há gradações na aprovação. Quanto mais enfático o apoio, maior a transferência de voto. Os eleitores que mais tendem a votar no candidato governista são os que avaliam o governo como “ótimo” ou que dão nota 8 ou superior à administração.

Infelizmente, na maioria das vezes os institutos de pesquisa agregam as respostas “ótimo” e “bom” em um só percentual e perde-se a informação sobre a intensidade da aprovação.


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Já há alguns anos, o site norte-americano Real Clear Politics (RLP) vem fazendo uma interessante cobertura política e eleitoral nos EUA. Seus editores compilam o que há de mais importante e criam sínteses analíticas para os leitores. Essa fórmula se mostrou especialmente eficiente quando aplicada às pesquisas de opinião pública, porque consegue resumir em um único número médio os resultados mais recentes.

A comparação da média calculada pelo RLP com o resultado das eleições para presidente de 2008 mostra a acurácia do método desenvolvido pelo site. O objetivo da média RLP é eliminar oscilações fora da curva entre um instituto e outro, normalizar os dados e filtrar a quantidade assombrosa de pesquisas que surge em uma eleição presidencial norte-americana.

No Brasil, alguns estudiosos experientes das pesquisas de opinião, como Fátima Pacheco Jordão, vêm advogando uma adaptação dessa metodologia às nossas sondagens eleitorais. O pesquisador do Iuperj Marcus Figueiredo desenvolveu um estudo com vários métodos de cálculo de tendência (polinominais, logarítimico, potenciais) e apresentou um resumo no mais recente congresso da Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa).

Apresento, abaixo, um gráfico de tendências elaborado a partir das médias móveis das três pesquisas mais recentemente divulgadas. Como a frequência com que são feitas as sondagens no Brasil é muito inferior à norte-americana, tive que limitar a média a três pesquisas para evitar que o intervalo entre elas superasse um mês.

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Como sempre acontece quando se aplica uma média, as oscilações das curvas tornam-se muito menos dramáticas. Isso aplaina picos e vales das intenções de voto. Pelo seu efeito calmante, não é muito bom para produzir manchetes, mas favorece uma análise mais desapaixonada das tendências eleitorais.

As linhas pontilhadas coloridas representam as médias de intenção de voto dos candidatos. Os pontos coloridos isolados são os resultados das pesquisas dos quatro principais institutos.

O gráfico mostra dois movimentos em duas fases distintas. Na primeira delas, Dilma Rousseff (PT), ao tornar-se mais conhecida como candidata do governo, conseguiu reduzir a distância que a separava de José Serra (PSDB) a quase um terço, entre meados de dezembro e fins de janeiro: de 21 pontos para 7,7 pontos, na média. Parte de seu crescimento saiu de intenções de voto do tucano.

De fevereiro até agora, a tendência mudou. Serra conseguiu, sempre considerando-se a média, sustentar sua intenção de voto em torno de 34%. Ao mesmo tempo, o crescimento da média de Dilma desacelerou significativamente, o que levou a distância média entre tucano e petista cair pouco, para 6%. Hoje, a intenção média de voto de Serra é 34,3%, e a de Dilma, 28,3%.

A terceira linha, em verde, mostra de onde saiu a maior parte dos votos conquistados pela petista: de Ciro Gomes (PSB) e dos eleitores sem candidato (que pretendem votar em branco, anular ou que não souberam responder). A média desse consolidado tem mostrado uma queda persistente ao longo de todo o período analisado: caiu 10 pontos, de 39,7% em novembro para 29,7% entre março.

Marina Silva (PV) não entrou no gráfico porque sua média tem se mantido estável, sem ganhar nem perder eleitores de modo a constituir uma tendência.

O método de análise por médias móveis ainda precisa ser testado no Brasil. O principal problema é o pequeno volume de pesquisas divulgadas. As diferenças de metodologia entre institutos não é impeditiva: não é porque a marca do termômetro é diferente que a febre do paciente vai mudar. Esta eleição é uma boa oportunidade para testar as médias móveis. É o que pretendo fazer, sem abrir mão das abordagens mais ortodoxas.

PS: Você encontrará outros gráficos, com vários tipos de visualização dos resultados das pesquisas eleitorais, aqui.

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Dilma Rousseff (PT) consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido, mas parou de crescer. José Serra (PSDB) manteve a liderança e vai começar sua campanha com os ânimos renovados pela diferença de nove pontos percentuais em relação à principal adversária. Todas as pesquisas mostram que a eleição deve ser polarizada entre os dois, com Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) em papéis secundários.

O gráfico abaixo mostra os resultados de todos os principais institutos. A linha tracejada representa a média móvel das últimas três pesquisas. Nesta fase da campanha, em que a grande maioria dos eleitores ainda não consegue nem citar um candidato presidencial espontaneamente, as tendências são mais relevantes do que as flutuações pontuais. Os valores dentro dos círculos são os divulgados pelos institutos. O raio da circunferência corresponde à margem de erro.

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Primeiro estágio
Dilma deu um salto entre dezembro e fevereiro, à medida que ficou claro para os simpatizantes do PT que ela é a candidata do partido. Ela conseguiu galvanizar esse eleitorado cativo e chegou ao patamar histórico de Lula no mês de março. Mas a pesquisa mostra que para ir além dos 27% a que chega agora, ela terá um terreno mais difícil, o do eleitorado “independente”.

Resiliência tucana
Serra mostrou resiliência: de dezembro a fevereiro, o governador paulista caiu de um patamar próximo aos 40% para uma faixa pouco acima de 30%. Voltou agora para 36%. Isso mostra que ele se beneficia pelo fato de ser o mais conhecido dos presidenciáveis. Bastou aparecer em um programa nacional de TV (Datena) se afirmando como candidato para recuperar parte da intenção de voto perdida no período que antecedeu o lançamento de sua candidatura.

Prestidigitação e salto alto
A pesquisa também joga água fria nas prestidigitações eleitorais que pregavam uma ultrapassagem iminente de Dilma sobre Serra. Embora o pano de fundo, dada a popularidade de Lula, seja o de uma eleição governista, não será calçando saltos altos que os petistas conseguirão eleger sua candidata.

Dilma tem um adversário que sai de um patamar bem mais alto do que partiu na eleição de 2002. Serra tem 36% agora, contra os 22% de oito anos atrás. E a recuperação do tucano, nesse momento, vai energizar o lançamento de sua candidatura, previsto para 10 de abril.

Quem define a eleição
O eleitorado que não é nem cativo do PT (entre 1/4 e 1/3 do total), nem francamente oposicionista (outro 1/3 ou 1/4) é quem vai decidir a eleição. Esses cerca de 40% de “independentes”, na sua maioria, aprovam o governo Lula. Mas não será apenas porque o presidente disse que Dilma é sua candidata que automaticamente decidirão votar nela. Apesar de poderem ser convencidos disso, esses eleitores estarão também abertos aos argumentos de Serra. Por isso que existe campanha, e ela só se define no dia da eleição.

Câmbio no Sul
Sem ter acesso aos relatórios completos desta pesquisa Datafolha, o que só deve ocorrer nesta segunda-feira, é difícil determinar as causas exatas das oscilações das intenções de voto dos candidatos. Mas chama a atenção que grande parte da recuperação de Serra tenha se devido a um salto de 10 pontos percentuais, de 38% para 48%, na região Sul. É provável que a campanha de Dilma reforce a agenda da candidata nesses Estados nas próximas semanas.

PMDB em alta
Outra consequência da pesquisa Datafolha é que o cacife do PMDB volta a crescer. Com Serra na frente, é essencial para o PT somar o tempo de TV dos peemedebistas ao da sua candidata. Os líderes do PMDB sabem disso e ficarão, agora, em uma posição de força na hora de negociar espaço não apenas na chapa de Dilma, mas em postos neste e no futuro governo (seja ele de quem for).

Grid de largada
O Datafolha volta a mostrar a grande dificuldade que Ciro Gomes e Marina Silva enfrentarão para conseguir entrar de fato na disputa. Apenas um imprevisto (e eles acontecem) poderia lhes dar chances reais nesse páreo. Serra larga na frente. Dilma corre atrás dos independentes.

Esse é o grid de largada da campanha presidencial de 2010. Ainda tem muito chão pela frente.

A pesquisa Datafolha foi realizada entres os dias 25 e 26 de março, com 4.158 eleitores, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foi registrada no TSE com o número de protocolo 6617/2010.

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Muitas vezes, mais do que um número ou uma estatística, é uma frase que define o estado de espírito do eleitorado, ou de parte dele. É comum em eleições que institutos de pesquisa organizem discussões com pequenos grupos de eleitores, de diferentes preferências partidárias, para ouvi-los sobre a disputa eleitoral. É o que se chama de pesquisa qualitativa, em oposição às quantitativas que aplicam um questionário padrão a milhares de eleitores.

Não se pode extrapolar os resultados desses grupos para o total do eleitorado, porque eles não têm representatividade estatística. Mas, por vezes, uma “pérola” pula desses debates e acaba explicando uma tendência que as estatísticas já haviam mostrado sem, contudo, apontar a causa.

Em uma dessas pesquisas qualitativas, organizada recentemente pelo Ibope, discutia-se o mérito e a origem de vários programas sociais do governo Lula. O mediador estimulava o debate perguntando se não tinham sido criados no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Ao que um dos presentes sintetizou: “A gente quer saber quem ganhou a Copa do Mundo, não quem inventou o futebol”.

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A chance de você ser entrevistado numa pesquisa de intenção de voto para presidente no Brasil é de uma em 66 mil. Se morar em São Paulo, você corre dez vezes mais risco de morrer assassinado do que de ser abordado por um pesquisador. Logo, dizer que não acredita em pesquisa eleitoral apenas porque nunca foi entrevistado equivale a sair dizendo por aí que não acredita em homicídio porque continua vivo.

A maior parte de quem está lendo esta nota jamais terá sido entrevistada por Ibope, Datafolha, Vox Populi ou Sensus. Não se sinta só. Somos maioria.

As amostras não são proporcionais ao tamanho do universo pesquisado. Não precisam ser. Vale mais um amostra bem feita com duas mil entrevistas do que uma enquete na internet com dois milhões de respostas. As pesquisas de opinião usam critérios estatísticos para garantir que todos os estratos do eleitorado brasileiro estejam representados. Ao contrário das enquentes, nas quais responde quem está mais interessado no assunto.

Assim como não é preciso tirar todo o sangue do paciente para fazer um exame, nem tomar todo o caldeirão para sentir se a sopa está salgada, basta uma amostra bem temperada para saber o que pensa o eleitorado. Se bem feitas, cerca de duas mil entrevistas costumam produzir resultados com uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Calcule você mesmo clicando aqui.

Isso não quer dizer que seja possível prever o resultado da eleição. Ninguém sabe, por exemplo, se um candidato cometerá haraquiri político durante uma campanha. Ou se uma crise econômica súbita mudará o humor de quem vota. Mas, em função desses eventos, é possível monitorar o pensamento dos vários conjuntos de eleitores e prever, se a eleição ocorresse naquele momento, como eles se comportariam diante da urna eletrônica.

Embora os puristas digam que as pesquisas de opinião no Brasil não sejam científicas porque não são 100% probabilísticas, a série histórica de acertos mostra que elas funcionam. Nas eleições em que há mais de um instituto pesquisando a intenção de voto, os resultados de véspera tendem a ter 95% de acerto ou mais em comparação às urnas (se considerada a margem de erro).

Aliás, a sondagem eleitoral é o único tipo de pesquisa que pode ser confrontado com a realidade, pois se tira a prova dos nove nas urnas. Mesmo assim, muito menos gente questiona a validade das pesquisas sobre taxa de desemprego, por exemplo. E elas também são amostrais. O motivo para isso talvez seja a paixão despertada pelas eleições.

O mesmo eleitor que usa a pesquisa do Ibope ou do Datafolha para gritar que o governo Lula tem 75% de aprovação, questiona o resultado da pesquisa quando seu candidato está atrás do adversário. É natural, até esperado. Estudos sobre as razões do voto mostram que o eleitor se move mais pelas entranhas do que pelo cérebro. Claro, é modo de dizer. O cérebro é quem decide, mas não seu lado racional, e sim aquele que comanda as emoções -ou é comandado por elas.

Na verdade, se você tem uma opinião visceral contra as pesquisas de intenção de voto, é provável que neste exato momento seu cérebro esteja ativando uma série de redes neurais para racionalizar as suas emoções e encontrar argumentos que o farão ainda mais convicto de que as pesquisas são todas fajutas. Ao final, estará satisfeito com sua capacidade de argumentação, fruto de uma descarga de dopamina auto-recompensadora.

Acredite ou não nos argumentos, lembre-se de Arthur Conan Doyle: “Enquanto o indivíduo sozinho é um quebra-cabeças insolúvel, agregado ele se torna uma certeza matemática. Nunca se pode prever o que um homem sozinho fará, mas é possível dizer com precisão o que, na média, muitos deles farão”. Dito assim, parece até elementar, meu caro eleitor.

PS: Atendendo leitor que pediu referências científicas à minha afirmação sobre o acerto dos institutos, publico slide show de estudo apresentado pelo professor Marcus Figueiredo (IUPERJ) durante Congresso da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) esta semana.

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O Tribunal Superior Eleitoral deu mais um giro no trinco que fecha a porta das doações eleitorais disfarçadas. O TSE distribuiu senhas aos representantes dos partidos para que eles possam obter online os números dos recibos eleitorais. Esses números serão obrigatórios não apenas para os candidatos e para os comitês financeiros de campanha, mas também para os próprios partidos. Assim, a origem de todo o dinheiro legalmente doado a cada candidato poderá ser identificada.

Em eleições passadas, os partidos usaram uma brecha na fiscalização para ocultar a origem de grande parte das doações eleitorais: em vez de doar para o candidato, a empresa ou pessoa física doava ao partido, que, ao intermediar a doação, ocultava quem tinha doado para qual candidato.

Além disso, os limites impostos pela lei para o valor das doações passa a valer também para as doações destinadas aos partidos: até 10% dos rendimentos brutos das pessoas físicas recebidos pelo doador no ano anterior à eleição, e, no caso das pessoas jurídicas, até 2% do faturamento obtido, também, no ano anterior à eleição.

“Isso vai possibilitar fazer com que os limites de doação de pessoas físicas e pessoas jurídicas em campanha eleitoral sejam os mesmos aplicados a candidatos e comitês financeiros, acabando de vez com o desvio legal que ocorria quando um doador não doava a um candidato ou comitê financeiro diretamente e fazia essa doação transitar via partido para evitar os limites de doação e as fontes vedadas”, explicou o chefe de fiscalização Eron Pessoa, em entrevista do site do TSE.

Leia aqui a íntegra da resolução do TSE sobre doações, despesas e prestação de contas de candidatos, partidos e comitês financeiros na eleição de 2010.

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Diretores dos principais institutos que fazem pesquisa eleitoral debateram o pleito de 2010 durante congresso da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), nesta segunda, em São Paulo. Apesar de dizerem e repetirem que as pesquisas de intenção de voto não servem para prever o resultado da eleição, a maioria demonstrou, em seus comentários, que encara Dilma Rousseff (PT) como a favorita, a despeito de ela estar atrás de José Serra (PSDB) em todos os institutos.

Entre os mais comedidos, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, deu uma pista que pode explicar essa aparente contradição. Citando dados da pesquisa de fevereiro do Datafolha, Paulino destacou que 14% dos eleitores querem votar no candidato de Lula, mas não sabem que ele é Dilma, o que mostra um alto potencial de crescimento da petista. Mas ressalvou: “pesquisa é diagnóstico, não serve para fazer prognóstico”.

Marcia Cavallari, diretora do Ibope, explicou que o eleitor se sente muito confortável com o voto que deu a Lula, pois acha que o país está tendo avanços e que eles foram mais profundos no seu governo. Para ela, “a comparação do governo Lula com o governo Fernando Henrique é prejudicial para Serra”. Mas fez uma ressalva: “o comportamento do eleitor não é matemático”.

Ricardo Guedes, do Sensus, foi mais direto: “Dilma tem produto para mostrar, a economia. Serra não”. Para ele, a tendência hoje é pró-Dilma.

Representante do Vox Populi, João Francisco Neto analisou os componentes que influenciam o voto: 1) carisma (“não é o nome desta eleição, porque nenhum dos candidatos têm”), 2) bolso do eleitor (pró-Dilma), 3) tempo de TV (Dilma deve ter 50% a mais do que Serra), 4) ideologia (os candidatos são muito semelhantes). E foi, dos quatro, o que mais se aproximou a arriscar um palpite: “Se não houver um acidente, não é impossível Dilma ganhar no 1º turno”.

O professor Marcus Figueiredo, do IUPERJ, também participou do debate e foi na linha do diretor do Vox Populi: “Não é uma eleição em que carisma e simpatia vão pesar; não há diferença ideológica entre os candidatos; a vantagem da Dilma é porque o avalista dela é o Lula. Se o Ciro (Gomes) desistir, define no 1º turno”.

Lendo apenas o resumo das opiniões, parece que a eleição está decidida. Não é o caso. O ambiente descontraído, onde quase só havia pesquisadores, fez os participantes se soltarem mais do que o fariam, por exemplo, em uma entrevista coletiva. O que eles expressaram, com exceção de Figueiredo, não foi uma previsão, nem mesmo uma aposta. Foi um análise do pano de fundo em que se dá a sucessão de Lula: um governo com 75% de avaliação positiva, economia crescendo e sem diferenças ideológicas ou carismáticas profundas entre os candidatos.

Durante o próprio debate foram levantados vários casos de pleitos em que as pesquisas apontaram o favoritismo de um candidato durante quase toda a campanha, mas, na reta final, às vezes no próprio dia da eleição, um câmbio de última hora desaguou em um resultado diferente nas urnas. Por isso, vale repetir o mantra dos próprios pesquisadores: pesquisa é diagnóstico, não é prognóstico. Nem sempre o favorito ganha.

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Os pesquisadores do Datafolha vão a campo nesta quarta e quinta-feiras para mais uma rodada de pesquisa sobre a eleição presidencial. Os resultados devem ser divulgados no fim-de-semana. O levantamento foi contratado pela Folha da Manhã S/A, ao custo de R$ 194 mil. Serão 4.120 entrevistas, e a margem de erro máxima prevista é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro no TSE tem o número 6617/2010.

A pesquisa do Datafolha permitirá avaliar se a tendência de crescimento de Dilma Rousseff (PT) se mantém e se José Serra (PSDB) conseguiu ou não reverter a queda de sua intenção de voto após admitir, no programa do Datena, na TV, que é candidato a presidente. Na pesquisa anterior do instituto, feita em fevereiro, Serra tinha 32% e Dilma, 28%, na intenção de voto estimulada.

O questionário aplicado tem duas novidades. A primeira delas é que um dos cenários inclui seis candidatos de pequenos partidos, os chamados “nanicos”. Embora só fosse obrigado a incluí-los a partir de julho, o Datafolha resolveu pesquisar esse cenário desde já, imagino, para poder usá-lo como termo de comparação da evolução dos candidatos principais nas pesquisas futuras, com um cenário mais próximo do real quando todas as candidaturas estiverem registradas.

A outra novidade é que o instituto pergunta para o eleitor qual a principal qualidade e qual o principal defeito de José Serra e de Dilma Rousseff. É uma pergunta espontânea, sem opções apresentadas aos eleitores. Vai ser curiosos ver o que eles pensam sobre ambos.

Clique no link a seguir para ver a íntegra do questionário registrado pelo Datafolha no TSE: Questionario-Datafolha 24 e 25 março/2010

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Neste mês de março, antes de ir a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez 13 discursos em público nos quais mencionou o nome da ministra-candidata Dilma Rousseff nada menos do que 47 vezes. Na maior parte dessas citações, tratou Dilma por “companheira”, às vezes por “querida companheira”, às vezes por ministra. Ironicamente, foi por um discurso no qual não citou o nome de Dilma que Lula acabou multado em R$ 5 mil pela Justiça eleitoral, por propaganda antecipada.

Apesar da superexposição que dá à ministra-chefe em seus discursos, Lula tem sido cuidadoso para não mencionar “Dilma” e “candidata” em uma mesma frase. Nos últimos 13 discursos analisados, isso não aconteceu nenhuma vez. É o presidente dançando ao sabor do formalismo da lei e dos tribunais.

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A multa aplicada pelo ministro Joelson Dias, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se refere a um discurso feito em maio do ano passado em Manguinhos, no Rio, no qual Lula lançou mão de uma esperteza. O presidente deixou a plateia falar o nome de Dilma para emendar: “Eu espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta neste momento”.

Na interpretação do magistrado, “ao reagir à manifestação que, até então, era a simples expressão espontânea e isolada de apenas alguns dos presentes ao mencionado evento, o primeiro representado (Lula) acabou realçando a futura candidatura, sendo essa a peculiaridade, a circunstância, que me leva a concluir pela ocorrência de propaganda eleitoral antecipada, no caso específico dos autos”.

No mesmo dia dessa condenação, Lula foi absolvido pelo mesmo tribunal de outra acusação de campanha antecipada, desta vez durante um evento ocorrido em Minas Gerais, em janeiro passado. Dessa vez o TSE rachou: Lula foi absolvido por 4 votos a 3. O relator, que votou pela absolvição, foi o mesmo ministro Joelson Dias, que multou o presidente no outro caso.

Sobre o tema, o presidente do TSE, ministro Ayres Britto, voto vencido no julgamento do episódio de Minas, já declarou: “Infelizmente, no Brasil, temos uma cultura política deturpada, (…) os governantes costumam confundir projeto de governo com projeto de poder”.

Soma-se a isso uma cultura jurídica do formalismo e das tecnicalidades. Tudo bem fazer algo que vai contra o espírito da impessoalidade das instituições republicanas desde que não se afronte a forma da lei. A forma, não seu conteúdo.

É o que leva a Advocacia Geral da União a publicar em sua cartilha sobre conduta dos agentes públicos que estes podem fazer campanha eleitoral, desde que fora do expediente. Como se presidente batesse ponto.

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Presidente do PRTB, Levy Fidelix (o do aerotrem) entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir a divulgação da pesquisa Ibope/CNI sobre a eleição presidencial. Ele estava na bronca porque seu nome não foi incluído entre os presidenciáveis. O ministro Aldir Passarinho indeferiu o pedido.

Em sua decisão, o ministro explicou que, pela legislação e jurisprudência em vigor, os institutos só serão obrigados a incluir todos os nomes de candidatos nos questionários da pesquisa a partir de 5 de julho. É essa a data limite para o registro de candidaturas junto à Justiça eleitoral. Até lá, é pré-campanha, sem candidaturas oficializadas, sem candidatos registrados. Mais no site do TSE.

Mas, como o status da pesquisa Ibope/CNI no site do TSE aparece como “pedida impugnação”, bastou para uma onda de boatos e disse-que-disse varrer a internet com as teorias conspiratórias de sempre.

Segue o jogo.

PS: o plenário do TSE negou, por unanimidade, o recurso do PRTB à decisão do ministro Aldir Passarinho.

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(texto publicado na edição impressa de 18/03/2010 do Estadão)

Cruzamentos da pesquisa Ibope/CNI obtidos pelo repórter Daniel Bramatti, do Estadão, mostram que Dilma Rousseff (PT) ainda tem potencial para crescer, teoricamente, até 19 pontos percentuais às custas da popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Isso na hipótese de ela conseguir conquistar todos os eleitores que, mesmo sem saber quem é o candidato do presidente, preferem votar nele.

Hoje, segundo o Ibope, só metade do eleitorado predisposto a votar no candidato apoiado por Lula declara voto em Dilma. A razão desse descompasso é o desconhecimento, por parte de um em cada quatro desses eleitores pró-Lula, de que a ministra é a candidata do presidente.

Do total do eleitorado, 53% afirmaram ao Ibope que preferem votar em um candidato a presidente que tenha o aval de Lula. Nesse segmento, metade declarou voto em Dilma, o que explica 27 dos 30 pontos percentuais de intenção de voto obtidos pela petista.

O potencial de crescimento de Dilma está na outra metade, principalmente nos 39% que preferem um candidato apoiado por Lula mas não sabem quem ele é. Descontando-se a pequena parcela que já declara voto na ministra mesmo ignorando ser ela a candidata do presidente (8%), chega-se a um potencial de crescimento de 19 pontos percentuais para Dilma.

Claro que isso é um exercício teórico e que nem todos os eleitores vão simpatizar automaticamente com Dilma quando descobrirem que ela é a candidata de Lula. Na verdade, a ministra terá mais dificuldades para conquistar esses eleitores, porque a maioria deles já declara preferência por outros candidatos.

Dos 39% que não sabem ser Dilma a presidenciável de Lula e que votariam preferencialmente no candidato do presidente, a maior parte (43%) declara voto em José Serra (PSDB). Outros 19% preferem Ciro Gomes (PSDB), 6% optam por Marina Silva (PV) e 24% são eleitores sem candidato (não sabem, não responderam ou pretendem anular/votar em branco).

Outros cruzamentos da pesquisa Ibope/CNI indicam que o crescimento obtido até agora por Dilma ocorreu principalmente no eleitorado simpatizante do PT e mais permeável à propaganda do partido. Daqui para frente a candidata enfrentará um terreno mais duro, tendo que “roubar” eleitores de outros candidatos.

Essa hipótese de crescimento de Dilma também depende de Lula conseguir manter a economia e o consumo acelerados, e, por consequência, sua popularidade em alta. Qualquer oscilação negativa na aprovação do governo reduziria o potencial de crescimento da candidata do PT.

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Diferentemente das pesquisas dos institutos Datafolha e Vox Populi em 2010, o Ibope não identificou queda na intenção de voto de José Serra (PSDB) na pesquisa contratada pela Confederacão Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira. Os pesquisadores foram a campo entre os dias 5 e 10 de março.

No cenário mais provável, Serra mantém a liderança, com 35% das intenções de voto, contra 30% de Dilma Rousseff (PT). São seguidos por Ciro Gomes (PSB), com 11%, e por Marina Silva (PV), com 6%. Os eleitores sem candidato somam 18% -são os que pretendem anular, votar em branco ou que não souberam responder. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

No gráfico abaixo, com os resultados de todos os institutos, nota-se que desde dezembro a intenção de voto do candidato tucano apresenta uma tendência de queda. Segundo o Datafolha, Serra caiu de 37% para 32%. E, pelo Vox Populi, a queda foi de 39% para 34%. O Sensus não mostra queda do tucano porque já indicava o candidato do PSDB com 32% desde novembro.

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Já na comparação das últimas pesquisas do Ibope, Serra mantém-se no mesmo patamar de intenção de voto, oscilando dentro da margem de erro: de 38% em novembro, para 36% em fevereiro e 35% em março.

Ao mesmo tempo, a tendência de crescimento de Dilma é unânime entre os quatro institutos. Os 30% alcançados pela petista na pesquisa mais recente, do Ibope, indicam que ela continua crescendo e atingiu o patamar histórico dos candidatos a presidente do PT (leia-se Lula) em março.

A diferença de tendência de Serra no Ibope em comparação aos outros institutos é pequena mas consistente. Cabe dentro da margem de erro e pode, portanto, ser casual. Ou pode ser provocada por diferenças metodológicas, seja na maneira de abordar o eleitor, seja no desenho da amostra selecionada para representar o eleitorado brasileiro.

Se a diferença fosse apenas em comparação ao Datafolha, ela poderia ser explicada por um instituto fazer pesquisas domiciliares e outro abordar o eleitor na rua (saiba mais sobre isso lendo outra nota deste blog). Mas o Vox Populi também faz suas pesquisas com entrevistas na casa do eleitor. Logo, a diferença pode ser tributada ao acaso ou ao desenho da amostra e execução da pesquisa.

Outras “explicações” vão se basear nas declarações reiteradas do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, segundo as quais Serra será eleito presidente, porque “o brasileiro não é pau mandado” e não votará em Dilma apenas por causa da popularidade de Lula. A aposta do dirigente do Ibope é isso, apenas uma aposta. É difícil acreditar que possa ter contaminado as pesquisas do instituto.

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São cinco eleições presidenciais polarizadas entre PSDB e PT, entre PT e PSDB. Mas a análise de cada uma delas mostra que a história nunca se repete de forma idêntica. Olhar para um momento da campanha eleitoral e, a partir dele, tentar fazer previsões para o futuro é um exercício tão científico quanto a quiromancia. Em eleições e, portanto, em pesquisas eleitorais, o passado não é espelho do futuro.

O gráfico abaixo mostra o percentual de intenção de voto dos candidatos a presidente tucano (azul) e petista (vermelho) nas eleições de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, sempre nos meses de março e maio, segundo o Datafolha.

O percentual de Dilma Rousseff (PT) em 2010 é muito semelhante aos do candidato do seu partido, na mesma fase da campanha, em 1994 e em 2002. Em ambas as eleições, Luiz Inácio Lula da Silva chegou a um patamar próximo de 30% em março e cresceu para mais de 40% dois meses depois. Mas com desfechos opostos: uma ele perdeu, a outra ele ganhou. Um petista poderia olhar para o passado e dizer que Dilma vai repetir o Lula vitorioso de 2002. Um tucano diria que ela fará como Lula em 1994: subir antes da hora para cair na reta final.

Já o percentual de José Serra (PSDB) é maior do que o da maioria dos presidenciáveis tucanos nessa época da eleição em anos anteriores. Só perde para o de Fernando Henrique Cardoso em 1998. Um petista olharia o gráfico e poderia arriscar que, assim como em 2002, o tucano tende a continuar caindo até ser ultrapassado por Dilma. Já um militante do PSDB enxergaria uma repetição de 1998, quando FHC saiu de um patamar alto, teve uma inflexão no meio do ano, mas terminou eleito no 1º turno.

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Como dizem os estatísticos, “os números, bem torturados, revelam qualquer coisa”. Especialmente quando se trata de fazer projeções. O gráfico mostra apenas que:

1) o candidato do PT costuma sair de um patamar de pelo menos 25% ou 30%, por ser o partido com mais simpatizantes no país;

2) diferentemente do adversário petista, a velocidade inicial do candidato tucano depende do seu grau de conhecimento pelo eleitorado, como se pode ver pelos percentuais de FHC antes e depois de ser presidente (e como se vê pelos percentuais de Serra e Aécio Neves nesta eleição);

3) maio costuma ser um mês bom para os candidatos do PT, mas isso estava associado a uma piora da aprovação dos governos tucanos nessa época do ano; não há garantia de que a “regra” valerá para 2010, especialmente com Dilma fora do governo e ainda sem palanques eletrônico e físico;

4) os percentuais de intenção de voto são voláteis: nem sempre quem estava na frente nesta época do ano acabou eleito, tampouco todos os que cresceram no primeiro semestre sustentaram essa tendência na reta final da campanha.

Não sou candidato, mas prometo: farei uma previsão definitiva sobre o resultado da eleição assim que os votos tiverem sido contados.

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Veja a “cara” de um discurso feito por Lula no começo do mês, em Cubatão (SP), transformado em infográfico com a ajuda do Wordle. O peso e tamanho das palavras é proporcional ao número de vezes que elas aparecem no discurso:

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Agora veja como fica o discurso de José Serra (PSDB) durante inauguração da ciclovia do rio Pinheiros, em São Paulo, feito pouco dias antes:

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A seguir, o jeitão do discurso de Dilma Rousseff (PT), durante o lançamento de sua candidatura no 4º Congresso do PT, em fevereiro:

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Parte das diferenças entre os discursos se explica pelo contexto em que foram feitos. Na inauguração de uma refinaria, era natural que Lula disse muitas vezes “petróleo” e “Petrobras”. O mesmo vale para “ciclovia” e “aqui” no discurso de Serra. Dirigindo-se à militância partidária, é esparado que Dilma repetisse expressões como “vamos” e “todos”.

A grande diferença do discurso de Lula em relação aos de Serra e Dilma é a preponderância da palavra “gente”. Dependendo de quem analisa, a causa varia: pode ser cacoete de linguagem, populismo ou domínio da melhor maneira de criar identificação com o eleitor. Fato é que “gente” é uma presença constante na fala de Lula, como se pode ver em quatro outros discursos recentes, em lugares tão distintos quanto Juazeiro e a Rocinha (clique nas imagens para ampliá-las):

A fórmula do discurso do presidente parece ser: 1) falar da “gente”, 2) fazer referência ao local, 3) citar nominalmente algum dos presentes, para criar intimidade.

Para citar um desafeto seu, “a política é a arte da repetição”, já disse Fernando Henrique Cardoso repetidas vezes. Como todo bom político de palanque, Lula domina essa técnica e, mudando a roupagem, vende sempre a mesma mensagem, com eficiência.

É algo que Dilma, uma militante sem experiência eleitoral, está tentando aprender. Já evoluiu, mas ainda está longe do estilo do chefe. Há três anos, no discurso de lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o que mais sobrava nos discursos da ministra eram “milhões” e “bilhões”. Hoje, sua fala está mais humanizada:

Serra, embora experiente em palanques, com muitas campanhas para prefeito, governador, presidente, senador e deputado na bagagem, tende a fazer um discurso mais institucional do que Lula. É parte do seu estilo. Como nas suas falas durante o centenário de Tancredo, em Minas,

ou durante o lançamento de um programa de seu governo no interior de São Paulo:

Para ver todos os exemplos dos discursos de Lula e dos presidenciáveis juntos, vá à galeria deste blog no Wordle. Tentarei mantê-la atualizada com as falas dos personagens centrais da sucessão.

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Em 1998, as pesquisas de ponto fluxo feitas pelo Datafolha detectaram com mais rapidez o crescimento da candidatura de Mario Covas (PSDB) ao governo de São Paulo do que as pesquisas domiciliares. Ao ponto de surpreender assessores tucanos que já estavam para jogar a toalha na disputa.

Em 2008, o fenômeno se repetiu, dessa vez no Rio de Janeiro: as pesquisas fetas na rua apontaram a ultrapassagem de Fernando Gabeira (PV) sobre Marcelo Crivella (PRB) antes que as feitas nas casas dos eleitores. ”Isso aconteceu porque nossas pesquisas são domiciliares e as do Datafolha são feitas na rua, o que dá um resultado mais rápido”, explicou Márcia Cavallari diretora do Ibope, à jornalista Consuelo Diegues na edição de março de 2010 da revista Piauí.

Márcia expôs o que muitos analistas e pesquisadores intuíam: o indivíduo que vai à rua, que trabalha e que tem contato com um grupo mais heterogêneo de pessoas tende a tomar decisões eleitorais antes daqueles que ficam em casa, restritos ao ambiente doméstico. Talvez por ter mais acesso a informação, por discutir mais política ou por ser um formador de opinião do ambiente familiar, esse eleitor “rueiro” é um termômetro que mede câmbios de humor do eleitorado com antecedência.

Como as pesquisas do Datafolha são feitas exclusivamente em pontos de fluxo de pessoas, o instituto tende a refletir a opinião do eleitor da rua. Já o Ibope migrou de um sistema puramente domiciliar para um sistema misto, mas no qual a maioria das entrevistas ainda é feita na casa das pessoas. Quando realizada durante a semana, a visita do pesquisador tende a ser recebida por eleitores que não trabalham fora. Isso dá uma diferença nos resultados, pequena, mas perceptível.

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Tome-se como exemplo a evolução da intenção de voto para presidente da República. A mais recente pesquisa Ibope, feita antes do Carnaval, parece estar um tanto fora da curva, quando comparada às pesquisas Vox Populi e Datafolha imediatamente anterior e posterior (é o penúltimo ponto das curvas dos candidatos no gráfico acima). A diferença é pequena e admissível dentro da margem de erro. A confirmação disso teremos no começo desta semana, quando a nova pesquisa Ibope for divulgada.

Se ela apontar uma a subida de Dilma Rousseff (PT) e a queda de José Serra (PSDB), teremos a confirmação de que as pesquisas domiciliares estão “atrasadas” em comparação às feitas em ponto de fluxo. Nesse caso, será melhor comparar a nova pesquisa Ibope com a anterior do Datafolha, para evitar o risco de as análises apontarem um movimento que já ocorreu.

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Em entrevista nesta sexta à rádio CBN, Ciro Gomes (PSB-CE) disse: “Nunca mais vou ser deputado na vida. Não tenho mais paciência de passar nove horas conversando fiado e não fazendo nada pela vida de ninguém”. Ele foi sincero.

Em pouco mais de três anos de mandato na Câmara, Ciro faltou a 39% das sessões da Câmara (4 de cada 5 faltas foram justificadas), esteve ausente em 36 de 88 votações que foram ao plenário. Quando presente, usou o microfone 39 vezes, a maioria delas durante a ordem do dia. Foi vice-líder do bloco governista.

Como deputado, apresentou 40 proposições, de requerimento de informações ao Banco Central a “voto de louvor pela realização do VII Encontro Estadual de Prostitutas do Ceará”. Usou R$ 208 mil das verbas indenizatórias a que os deputados têm direito -o que, registre-se, fica abaixo da média dos seus colegas.

Ciro está longe de ter sido um “cabeça do Congresso”, para usar uma expressão consagrada pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Como Lula, o presidenciável do PSB tem um perfil muito mais de Executivo do que de Legislativo. Mas não é só isso. Ciro está em campanha, e cada palavra faz parte de um discurso que visa a eleição.

Convém lembrar que apenas 14% dos eleitores brasileiros aprovam o desempenho do Congresso Nacional (Datafolha, fevereiro de 2010). Logo, ao falar mal da própria função, Ciro ganha mais pontos do que perde. Talvez, alguns dos 668 mil cearenses que o elegeram deputado federal possam se contrariar, mas o saldo, do ponto de vista eleitoral, é positivo.

Se ao transferir seu título para São Paulo ele já fechara portas no Estado onde surgiu para a política, ao declarar sua objeção ao cargo de deputado Ciro reduz ainda mais suas possibilidades eleitorais: disputar para presidente ou para governador de São Paulo (o Senado é um clube mais fechado, mas não muito diferente da Câmara).

É um tiro longo para quem não chega, por enquanto, a 20% das intenções de voto nem para um cargo nem para outro. Mas é o estilo de Ciro, sempre audacioso. Ele parece realmente acreditar que José Serra (PSDB) vá desistir da disputa e que sua saída provocará uma revolução da corrida eleitoral. E, numa revolução, tudo pode acontecer. Ainda assim, é um tiro longo.

Mais informações sobre o desempenho parlamentar de Ciro podem ser encontradas em sua página no site Excelências (da Transparência Brasil) e no próprio portal da Câmara dos Deputados, na seção de pesquisas sobre os parlamentares.

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