José Roberto de Toledo - Estadao.com.br
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1) Petistas e lulistas descobrem Dilma

Eleitores pró-Lula descobriram que Dilma Rousseff (PT) é a candidata do presidente. Em dezembro, 20% citavam espontaneamente Lula e 8% diziam Dilma. Agora, sem ver antes o cartão com os nomes dos candidatos, os que citam Lula caíram para 10%, e os que falam Dilma subiram para 10%. Ainda há 4% que, na pesquisa espontânea, falam “o candidato do Lula”, sem saber quem ele é. Ou seja: o lançamento oficial da candidatura petista ajudou a ministra a consolidar-se entre seu eleitorado cativo.

2) Dilma cresce entre os que vivem com até 5 salários mínimos

O crescimento de Dilma na pesquisa estimulada, de 23% para 28%, reflete a descoberta, principalmente pelos mais pobres, que ela é apoiada pelo presidente. Entre os que vivem com até 2 salários mínimos Dilma subiu de 23% para 29% e empatou com José Serra (PSDB), que caiu de 35% para 30% nesse segmento.

Ela cresceu exatamente nessa mesma proporção na faixa seguinte de renda, entre aqueles que vivem com entre 2 e 5 salários: de 23% para 29%. A diferença é que, nesse estrato do eleitorado, Serra ainda leva uma pequena vantagem, pois oscilou menos, de 37% para 34%.

3) Entre os homens, Dilma empata com Serra

A ministra também evoluiu no eleitorado masculino, ao ponto de alcançar Serra. Dilma subiu de 27% para 32% entre os homens, enquanto o tucano variou de 36% para 32%.

4) Mulheres ainda dão vantagem a Serra

Não fosse pela vantagem que mantém entre o eleitorado feminino, Serra dividiria a liderança com Dilma. O tucano, porém, perdeu eleitoras desde dezembro: caiu de 38% para 33%. Mas o avanço de Dilma entre as mulheres não foi suficiente para alcançar o adversário. Ela foi de 20% para 24% no eleitorado feminino.

5) Divisão geográfica do voto repete 2006

A predominância de Serra no Sul e no Sudeste, e de Dilma no Nordeste repete a divisão geográfica do eleitorado que se viu em 2006, quando Lula foi reeleito. Naquela eleição era possível traçar uma diagonal no mapa, separando os territórios eleitorais pró-Lula e pró-Alckmin. A diferença foi a intensidade da vantagem obtida por Lula no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que anulou a vitória tucana mais ao sul.

6) Pano de fundo da eleição é governista

Os 73% de aprovação do governo, um patamar inédito para um presidente em segundo mandato, sugerem que os candidatos de oposição terão mais dificuldade para encontrar um discurso de campanha do que a da situação. A Dilma basta defender o status quo. Os adversários, ao contrário, precisam propor alguma novidade atraente.

CONCLUSÃO

Dilma cresce e pode empatar com Serra, talvez ultrapassá-lo, na pré-campanha. Mas nada garante que a aceleração da petista se mantenha constante. O intervalo entre a sua saída do governo, em março, e o início oficial da campanha, em junho, será um período de menor exposição, o que tornará mais difícil para ela sustentar a velocidade de crescimento que mostrou em fevereiro.

Por ora a candidata de Lula avançou entre simpatizantes do PT e entre os que aprovam o governo com mais entusiasmo. As próximas camadas a convencer talvez sejam mais resistentes. Cantar vantagem antes da hora é também uma armadilha em que alguns petistas estão caindo.

A indefinição de Serra obviamente não lhe rende votos. Se confirmar sua candidatura e, ao fazê-lo, obtiver espaço na mídia, o tucano pode recuperar parte de sua intenção de voto. Mas, por ora, tem contra ele as chuvas que afundam a popularidade do aliado Gilberto Kassab (DEM) como prefeito de São Paulo.

Apenas uma minoria do eleitorado tem candidato na ponta da língua. O que se mede por ora é o grau de conhecimento do eleitor sobre quem são os candidatos, se eles os identificam com o governo ou com a oposição. Ou seja, até que a campanha comece para valer ainda há muito espaço para volatilidade da intenção de voto.

PS: Quando o Datafolha divulgar os relatórios completos da pesquisa será possível aprofundar a análise sobre aprovação do governo versus intenção de voto, peso dos programas sociais na eleição, entre outros temas.

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Nova pesquisa Datafolha mostra José Serra (PSDB) com 32% e Dilma Rousseff (PT) com 28%. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Estão empatados tecnicamente, certo?

Não.

Como não? Se a margem é de dois pontos, Dilma pode ter no máximo 30% (28% + 2% = 30%), que é igual ao mínimo de Serra (32% – 2% = 30%), certo?

Errado.

Dois pontos é a margem de erro máxima, que se aplicaria a um candidato que tivesse 50% das intenções de voto. Qualquer coisa maior ou menor do que isso terá uma margem de erro menor do que 2 pontos. Não fosse assim, um candidato com 1% das intenções de voto teria entre -1% e +3%, ou seja, ficaria devendo votos.

O problema é que os institutos de pesquisa e os meios de comunicação nunca contaram com clareza que cada candidato tem uma margem de erro própria, proporcional ao seu percentual. Não era má vontade, era simplesmente mais fácil de explicar estendendo a margem de erro máxima para todas as situações. Era uma espécie de seguro exagerado.

As margens reais de Serra e Dilma são de, respectivamente, 1,79 e 1,73 ponto percentual. Logo, Serra teria no mínimo 30,21%, e Dilma chegaria no máximo a 29,73%. Ou seja, estão a meio ponto percentual de um empate técnico.

O cenário sem Ciro Gomes (PSB) mostra que o tucano ainda leva alguma vantagem sobre a petista: ele fica com 38% das intenções de voto, contra 31% de Dilma. Já o cenário de segundo turno mostra um grande equilíbrio, com Serra indo a 45% e Dilma chegando a 41%.

A versão de um empate técnico entre ambos tem a seu favor o fato de a única margem registrada junto à Justiça eleitoral ser de 2 pontos percentuais, e de que a tradição na divulgação ser a de aplicar a margem de erro máxima a todos os candidatos, indiscriminadamente.

Tecnicalidades à parte, a pesquisa Datafolha mostra que Dilma encostou em Serra e vem subindo, enquanto o adversário caiu. A candidata do governo foi de 23% em dezembro (Datafolha), para 25% antes do Carnaval (Ibope) e chegou agora a 28% (Datafolha). Ao mesmo tempo, Serra saiu de 37% para 36% e foi agora a 32%.

O viés de alta de Dilma se explica pela grande exposição que ela teve na mídia nos últimos tempos, sempre ao lado de Lula. Isso foi intensificado no final de semana passado, com o lançamento oficial de sua candidatura durante o congresso do PT. Daí a diferença entre as pesquisas Ibope pré-Carnaval e a mais recente, do Datafolha.

Apenas uma nova rodada de pesquisas poderá confirmar se a tendência de alta de Dilma vai continuar no mesmo ritmo, e se Serra continuará perdendo força. Ou se eles vão encontrar um teto para o crescimento e um piso para a queda, respectivamente.

Por ora, o que o Datafolha mostra é um cenário mais equilibrado e próximo daquilo que deve ser a disputa real desta eleição: entre 1/4 e 1/3 de eleitores governistas, algo equivalente de eleitores anti-Lula e anti-PT , e o restante decidindo o pleito, dependendo de para onde eles penderem.

Rejeição

Como sempre, há diferenças muito grandes entre as taxas de rejeição dos candidatos a presidente no Datafolha em comparação ao Ibope. Isso se explica pelo método de pesquisa, pela forma como a questão é feita pelos institutos. O Datafolha aponta um equilíbrio muito maior: 25% de rejeição para Serra, 23% para Dilma, 21% para Ciro e 19% para Marina Silva (PV).

PS:

Um leitor muito qualificado me chama a atenção de que o cálculo acima só faria sentido se o Datafolha tivesse divulgado os resultados com casas decimais. Afinal, o instituto arredonda os resultados (tanto que a soma das intenções de voto dá 99% e não 100%). Dilma poderia ter um pouco mais e Serra um pouco menos, invalidando a diferença calculada.

Em tese, ele tem razão. Mas não na prática. Como o Datafolha divulga também os números absolutos da base pesquisada, é possível calcular o percentual exato de cada candidato. No caso, Serra teve 32,48%, e Dilma teve 28,17%. Considerando-se a margem de erro de cada um, a menor diferença possível entre eles está a 0,78 ponto percentual de um empate técnico. Logo, o cálculo é válido.

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O sucesso da campanha de Barack Obama na internet em 2008 nos EUA criou uma comoção entre políticos para ampliar sua presença nas redes sociais como Twitter, Facebook, Orkut e afins. Em ano de eleição, essa moda está ainda mais popular. Candidatos e partidos montam não apenas seus sites institucionais, mas criam outras plataformas para fazer propaganda de si próprios ou, principalmente, atacar os adversários.

Uma das vantagens  para os políticos e partidos ao usar as redes sociais e os fóruns de debates online é que eles podem veicular ataques anonimamente, atingindo o alvo sem necessariamente receber os efeitos negativos, o efeito bumerangue das críticas.

Por isso é interessante acompanhar a presença dos presidenciáveis nas redes sociais. Tome-se o caso do Twitter, o microblog que virou febre nos EUA e no Brasil.

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Na semana passada, Dilma Rousseff (PT) teve o maior volume de citações no sábado e no domingo, por conta do congresso do PT que lançou sua candidatura.

No meio da semana, Ciro Gomes (PSB) ganhou espaço e ultrapassou os rivais graças à entrevista em que cutucou José Serra (PSDB) e que provocou notícias sobre sua eventual candidatura a governador de São Paulo.

Até que na sexta-feira, Marina Silva (PV) passou à ponta pela repercussão da série de entrevistas que deu na RedeTV!, na rádio CBN e no Programa do Ratinho. Ela é uma usuária recente: @silva_marina, com 5,7 mil seguidores apenas 166 posts.

Dos quatro presidenciáveis, o usuário mais frequente é Serra (@joseserra_): já postou 1.573 vezes. O candidato tem cerca de 170 mil seguidores e costuma publicar notas sobre temas variados ao longo do dia e, principalmente, durante a madrugada.

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Marina Silva (PV) esteve em grande evidência nesta sexta. Deu entrevista para a RedeTV!, para a rádio CBN, para vários jornais e até ao Programa do Ratinho. Suas declarações foram amplamente repetidas na internet, repercutidas, retuitadas, multiplicadas. Se houvesse uma pesquisa de intenção de voto em campo, esse tipo de exposição aos meios eletrônicos poderia ter um efeito marginal no resultado, pois o nome da presidenciável verde estaria fresco na memória de muitos eleitores.

A rigor, havia. O Datafolha foi a campo nestas quinta e sexta-feiras. Mas, se houve efeito pró-Marina, ele deve ter sido residual. A maior parte das entrevistas costuma ser feita no primeiro dia de pesquisa, e o restante, na manhã do segundo dia. O pico da repercussão das declarações da presidenciável do PV ocorreu no final da manhã e começo da tarde de sexta.

Tudo indica que a coincidência de datas de pesquisa e entrevistas foi acidental. As entrevistas foram marcadas antes da divulgação de que a pesquisa seria feita (via site do TSE). Sempre haverá alguém levantando uma teoria da conspiração, assim como sempre haverá um evento interferindo na pesquisa.

Se o levantamento mais recente do Ibope tivesse sido feito uma semana depois, Ciro Gomes talvez tivesse tido um resultado melhor porque teria a seu favor a atuação no programa do PSB no horário político da TV. A pesquisa Datafolha deve captar o efeito (se houver) da aclamação de Dilma Rousseff como candidata a presidente durante o congresso do PT. Isso é do jogo e é inevitável.

Nem toda interferência é casual, porém. Já houve casos de candidatos que montaram forças-tarefa de cabos-eleitorais para tentar influenciar pesquisas feitas em pontos de fluxo. Eles circularam próximo aos pesquisadores para inflar o resultado de seus patrões. Os institutos têm meios de detectar essa artimanha, comparando com resultados históricos e checando parte da amostra. Mas como é melhor prevenir, o Datafolha só informa ao TSE as cidades onde a pesquisa é feita depois de o campo ter sido concluído…

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Ciro Gomes (PSB) voltou nesta quarta a fazer o que mais gosta, desde o tempo em que era tucano: provocar José Serra (PSDB). Questionou se a candidatura presidencial do rival é para valer: “Há grande dúvida se o atual governador de São Paulo será mesmo candidato à Presidência da República ou não. Entre nós, a avaliação majoritária é que ele será candidato a presidente. A minha avaliação, minoritária, é de que ele não será, e haverá uma grande mudança no quadro se ele não for.”

É só provocação, ou é uma aposta sincera do ex-ministro de Lula e de Itamar?

À primeira vista, parece uma cutucada gratuita. Afinal, como alguém que é líder com 36% das intenções de voto no 1º turno, alcança 47% na simulação de 2º turno contra Dilma Rousseff (PT) e é apontado como favorito por 45 entre 100 eleitores poderia desistir de ser candidato?

Visto assim, parece impossível que o governador paulista abrisse mão da maior chance que já teve de virar presidente, seu sonho desde a adolescência. Mas Serra é frio e sabe fazer conta. A demora para declarar-se em campanha é muito mais do que uma tática para tentar proteger-se de ataques.

O governador avalia o seu potencial e dos adversários, apara as incertezas e tenta calcular os riscos. Para isso, precisa acompanhar a evolução das pesquisas, analisar a reação dos eleitores ao seu discurso e ao de Dilma, avaliar os pontos fracos da adversária. Ou seja, precisa de tempo.

Ciro espera a definição da candidatura tucana para decidir seu futuro. Não deve trocar os holofotes de presidenciável para o rame-rame de candidato-zebra a governador de São Paulo antes de saber se enfrentaria Serra ou Geraldo Alckmin na chapa do PSDB.

Ou seja, enquanto Serra espera a evolução de Dilma, Aécio aguarda em moita mineira, e Ciro espera o destino de Serra. Por isso as próximas pesquisas de fevereiro e março serão importantes. Elas ajudarão a preencher o grid de largada da corrida presidencial.

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A próxima pesquisa sobre a sucessão presidencial deve ser publicada nesta sábado. O Datafolha registrou ontem pesquisa sobre a eleição presidencial na Justiça eleitoral, sob o protocolo 4080/2010. Os pesquisadores estão em campo nesta quarta e quinta. A amostra prevista é de 2.600 entrevistas em 144 municípios, com dois pontos percentuais de margem de erro. Quem contratou a pesquisa foi a empresa Folha da Manhã, que edita os jornais Folha de S.Paulo e Agora.

O Datafolha mantém dois candidatos tucanos nos cenários da pesquisa, tanto no primeiro quanto no segundo turnos: José Serra e Aécio Neves. Além de pesquisar a intenção de voto e a popularidade do governo Lula, o instituto pergunta aos eleitores sobre a importância de dois programas do governo federal (Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida), e quais candidatos a presidente devem, na opinião do eleitor, manter esses programas.

O Datafolha pergunta aos eleitores se eles já ouviram falar do PAC, quão informados estão sobre o programa e o que significa a sigla.

Finalmente, há uma questão que pode ou não ser “carona” na pesquisa presidencial. Ela questiona os entrevistados sobre a origem e o desenvolvimento dos seres humanos: se foram criados por Deus há cerca de 10 mil anos, se se desenvolveram há milhões de anos com ou sem a ajuda de Deus.

Será interessante ver o cruzamento dessas respostas com a intenção de voto para presidente, especialmente com os eleitores de Marina Silva (PV), que é evangélica pentecostal. A pesquisa também indaga sobre a religião dos eleitores.

Todos os dados citados nesta nota são públicos e podem ser vistos no site do Tribunal Superior Eleitoral. Clique aqui para ver a íntegra do questionário da pesquisa Datafolha registrado no TSE (clique primeiro em 4080/2010; na nova página, desça até o final e procure o link “clique aqui para baixar o questionário”).

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O Distrito Federal é a unidade da Federação cujos trabalhadores são mais bem pagos no Brasil. A média de anos de estudo da população é maior do que a dos 26 estados do país. Está no topo da lista de desenvolvimento humano. Brasília é tão rica que há gente comprando dois carros para evitar o trânsito diário (deixa um no Plano Piloto, pega o metro, e deixa outro no bairro em que mora).

Nem por isso os costumes políticos são melhores ou piores do que no resto do Brasil. Seu governador está na cadeia, o vice renunciou. O antecessor, quando era senador, pediu para sair (para evitar a cassação). Discute-se a possibilidade de intervenção federal, e até mesmo o fim da sua autonomia política -o que é um exagero.

Por que a política local é tão complicada no DF, a despeito dos bons indicadores sócio-econômicos?

O DF é a mais desigual das unidades da Federação, tem a maior diferença de renda entre ricos e pobres do país. Uma piada batida entre os moradores da capital constata que trata-se de uma cidade planejada por comunistas da qual os pobres vão embora às seis da tarde, pois não há lugar para eles morarem. De fato, a pobreza brasiliense é periférica, quando não goiana.

Como de hábito no Brasil, uma parte não desprezível da política brasiliense é feita à base de clientelismo. Nos anos de Joaquim Roriz governador houve uma onda migratória para o entorno da capital. Cidades vizinhas como Águas Lindas de Goiás registraram crescimento populacional recorde ao longo dos últimos 15 anos, com boa parte de seus moradores usando a cidade como dormitório, e Brasília como ganha-pão.

O volume de eleitores não-residentes chegou a ser um problema para institutos de pesquisa: muitos moram em Goiás mas votam no DF. Sem captar a intenção de voto desse contingente, em geral pró-Roriz, várias pesquisas eleitorais falharam nos anos 90.

Talvez o isolamento e a desarticulação expliquem a falta de pressão política-eleitoral sobre seus governantes, a sensação de impunidade e a disseminação da corrupção.

O fato é que o Distrito Federal desmente as teses simplistas sobre as causas do mau uso do dinheiro público no Brasil. Não basta ser rico para ser são. Tampouco uma boa política assistencialista que renda alta popularidade aos governantes é garantia de probidade. Uma população escolarizada mas desengajada não consegue manter seus governantes na linha.

A democracia representativa é como ter filhos. Botar no mundo (ou no poder) é fácil. Difícil é cuidar depois.

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É uma pergunta subjacente em grande parte dos comentários, de todos os tipos, sobre os assuntos tratados neste blog. Merece uma tentativa de resposta.

Imagine um cenário em que o governante tem baixa popularidade, como o ex-presidente José Sarney. O que acontece? Seu candidato, a despeito de toda a máquina estatal e da influência da propaganda oficial nos meios de comunicação, fracassa espalhafatosamente. Vale lembrar da candidatura presidencial de Ulysses Guimarães (PMDB). No começo de 1989, o candidato do PMDB era tido como franco favorito, porque o partido era o maior do país, detinha o poder federal e dispunha de muito tempo de propaganda no horário eleitoral na TV e rádio. A vaga de presidenciável na convenção peemedebista foi disputada como se já colocasse o indicado no Planalto. Mas o eleitor reprovava a hiperinflação, as denúncias de corrupção e outras cositas mais do governo Sarney. Ulysses acabou em 7º lugar, com 5% dos votos.

Agora imagine um prefeito bem-avaliado, como chegaram a ser Paulo Maluf em São Paulo e Cesar Maia no Rio de Janeiro. Ambos conseguiram eleger seus sucessores com base na transfusão de sua popularidade, apesar de ambos os candidatos serem desconhecidos e carecerem de carisma. Me refiro a Celso Pitta e a Luiz Paulo Conde. Voltemos no tempo e encontraremos outros exemplos, entre governadores paulistas, como Orestes Quércia e sua cria Fleury Fº, ou Adhemar de Barros e Lucas Nogueira Garcez. Coincidentemente, todos os filhotes eleitorais citados acabaram se voltando, de um jeito ou outro, contra seus criadores.

E Lula? É capaz de transferir votos? Defina “transferir”. Se você entende “transferência” como a capacidade de mandar o eleitor fazer o que ele não quer, a resposta é não. Ninguém tem esse poder, não em larga escala. Um presidente, por mais popular que seja, não consegue, sozinho, eleger um governador. Porque, ao contrário do que gostam de pensar os anti-democratas, o eleitor sabe diferenciar as atribuições de um e de outro. E, desconfio, prefere contrabalançar o poder federal de um com a eleição de seu adversário na esfera local. Não fosse assim, Lula teria eleito Aloizio Mercadante (PT) governador de São Paulo em 2006.

Mas se você define “transferência” como a capacidade de um governante popular alavancar a candidatura de seu sucessor, aí a resposta é sim. Se Lula não tivesse esse poder, Dilma Rousseff (PT) não alcançaria 25% de intenções de voto. E eu não estaria escrevendo esta nota, porque ninguém teria feito a pergunta que a suscitou. E isso é suficiente para eleger um candidato desconhecido?

Obviamente, a resposta a essa questão só teremos em outubro. Podemos especular sobre o desenlace, mas não há precedentes na história recente que sirvam de base para as especulações. O caso do Chile, onde a popular presidente Bachelet não conseguiu fazer seu sucessor, é interessante, mas tem algumas diferenças notórias em relação ao Brasil: a base governista se dividiu em várias candidaturas, o principal candidato governista era um ex-presidente (muito conhecido e com uma imagem própria) e o eleitorado demonstrou vontade de mudar após 20 anos de a aliança governista estar no poder.

No Brasil, o mote desta eleição não é mudança, é continuidade. Os eleitores que conquistaram a estabilidade econômica e o acesso ao consumo ao longo dos últimos 16 anos não estão dispostos a abrir mão dessas conquistas. Não por acaso a eleição se polariza entre os candidatos dos partidos identificados com elas: PSDB e PT. Ganhará quem se mostrar mais capaz de manter e ampliar o que já foi feito.

José Serra (PSDB) larga na frente porque, em boa medida, se enquadra nesse perfil de permanência do status quo, é o mais conhecido dos candidatos e tem a menor rejeição (segundo o Ibope), por enquanto. Dilma se destaca em segundo lugar apenas porque é a candidata de Lula, por enquanto.

Serra será capaz e manter a dianteira? Dilma será capaz de “atropelar” na reta? A probabilidade de qualquer um acertar as respostas a essas perguntas agora é igual à de ganhar uma aposta no Jockey Club.

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1) O cenário de fundo para a sucessão de Lula ficou ainda mais governista, com o saldo de aprovação do governo subindo para 71% (76% de ótimo/bom menos 5% de ruim/péssimo), segundo o Ibope.

2) Apesar de a candidata do governo, Dilma Rousseff (PT), ser considerada “favorita” por alguns analistas e políticos (por causa da aprovação recorde do governo), a percepção popular ainda é de que José Serra (PSDB) deve ser eleito presidente em outubro: 45% apostam nele, e só 26% jogam em Dilma, segundo o Ibope.

3) Por enquanto, a eleição não é uma preocupação real para a imensa maioria das pessoas. Só 1 em cada 4 eleitores sabe dizer, espontaneamente, em quem vai votar.

4) O fato de 3/4 dos eleitores não ter candidato na ponta da língua aumenta a volatilidade da intenção de voto estimulada. O entrevistador impõe um problema ao eleitor quando apresenta a cartela com os nomes dos presidenciáveis, um problema sobre o qual a maioria não refletiu em profundidade.

5) Serra é o candidato mais conhecido e com menor rejeição. Isso lhe dá uma vantagem inicial sobre os concorrentes. Na pesquisa Ibope pré-Carnaval ele aparece com 36% na pesquisa estimulada, contra 25% de Dilma, 11% de Ciro Gomes (PSB) e 8% de Marina Silva (PV), além de 11% que dizem pretender anular ou votar em branco e 9% que não sabem responder.

6) A vantagem inicial de Serra diminuiu desde o final do ano passado, à medida que Dilma é identificada como a candidata de Lula por uma parcela crescente do eleitorado governista.

7) A campanha tende à polarização entre o candidato de Lula e o principal candidato da oposição, sem espaço para um tertius.

8 ) Ciro funciona como linha auxiliar do governo e, por ora, mais ajuda do que atrapalha Dilma: no cenário em que o candidato do PSB não aparece como candidato, Serra tem chance de ganhar no primeiro turno (41% do tucano contra 38% dos adversários).

9) Marina tem pouco cacife. Ela é desconhecida por 1 em cada 3 eleitores. Dos que a conhecem, mais dizem que não votariam nela do que admitem essa possibilidade; lhe falta estrutura partidária, dinheiro e tempo no horário eleitoral. Mas Marina pode jogar um papel estratégico se, no meio da campanha, renunciar em favor de Serra, por hipótese.

10) A sucessão é um filme. Cada pesquisa é um fotograma que capta a cena eleitoral naquele instante. Para entender a história completa, é necessário olhar o conjunto dos fotogramas. Analisar o movimento dos candidatos, e tentar identificar as tendências do eleitorado. O instantâneo é pró-Serra. O movimento é pró-Dilma. Mas o filme mal começou e há muitas reviravoltas pela frente.

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A diferença entre o potencial de voto e a rejeição dos pré-candidatos a presidente da República mostra por que a campanha tende à polarização entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Ou seja, entre o principal nome da oposição e a representante governista. Mais do que a intenção de voto estimulada, que a esta altura mostra mais a memória do eleitor sobre os candidatos do que uma decisão firmada, é o que o Ibope apresenta como “saldo” no gráfico abaixo que revela quem tem cacife hoje.

Ibope, fevereiro, 2010, potencial de voto

Ibope, fevereiro, 2010, potencial de voto

Serra aparece com saldo de 35%, mais do que o dobro do de Dilma, que fica em 14%. A vantagem do tucano sobre a petista se deve à combinação de dois fatores: é mais conhecido (só 8% não sabem quem ele é) e tem menor rejeição (29% não votam nele de jeito nenhum). O potencial de voto de 64%, ilustrado pela coluna azul, é consequência. Dilma ainda é desconhecida por 15% e rejeitada por 35% dos eleitores, resultando em um potencial de 49%.

Na prática, apenas esses dois favoritos têm “saldo”. Ciro Gomes (PSB), a linha auxiliar do governo, sobra com 2%: a soma dos eleitores que dizem hoje que votariam nele certamente ou poderiam votar (43%) é praticamente igual ao contingente daqueles que dizem que não votariam nele de jeito nenhum (41%). Talvez esse resultado fosse um pouco diferente se a pesquisa tivesse sido feita após o programa do PSB que foi ao ar esta semana em cadeia nacional de TV.

Marina Silva (PV), a linha auxiliar da oposição, tem déficit de 12%: mais eleitores dizem que não votariam nela (39%) do que declaram simpatia por sua candidatura (27%). Isso se explica porque a ex-ministra do Meio Ambiente é a menos conhecida dos quatro pré-candidatos: um terço do eleitorado nunca ouviu falar dela.

Esses números são a fotografia de um momento e devem mudar à medida que a campanha se desenrola. Na verdade, eles já mudaram em relação à pesquisa concluída pelo Ibope em 30 de novembro passado. Naquela ocasião, Dilma tinha um déficit de 8%. Seu saldo ficou positivo porque ela se tornou mais conhecida dos eleitores, e uma parte deles passou a admitir votar nela.

O saldo de Serra também teve uma oscilação positiva, de quatro pontos percentuais, puxada pela elevação do seu potencial de voto de 60% para 64% (a rejeição manteve-se estável).

Ciro fez o caminho inverso, seu saldo de 13% foi praticamente anulado pelo crescimento de sua rejeição desde novembro: ela aumentou de 33% para 41%. Marina, por fim, viu crescer seu grau de conhecimento e seu potencial de voto, cortando o déficit de 18% para 12%.

Deve-se analisar os dados das pesquisas como um filme. É da comparação dos fotogramas de cada momento que resultam as tendências. A tendência atual é a polarização entre Serra e Dilma. Nada impede, porém, que os ventos mudem e o cenário se transforme. Mas é preciso um fato novo, que quebre a inércia da polarização PSDB x PT.

A pesquisa, encomendada pelo Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, foi feita pelo Ibope entre 6 e 9 de fevereiro. Ouviu 2002 eleitores de 16 anos ou mais em 144 cidades de todas as regiões do Brasil. Se repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados deveriam oscilar dentro de uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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De cada 4 eleitores, 3 ainda não citam espontaneamente um candidato a presidente elegível. Indagados pelo Ibope, 42% não souberam dizer o nome de um presidenciável sem ver antes a cartela com os candidatos. Outros 23% responderam Lula (que é inelegível), 10% declararam intenção de anular ou votar em branco e 1% citaram nomes que não estão na disputa. Resultado: só 24% dos eleitores têm candidato na ponta da língua.

Esse cenário captado pelo Ibope antes do Carnaval é igual ao que o Sensus tinha detectado em novembro. Moral da história: o eleitor ainda não está pensando para valer na sucessão presidencial. Seja porque não considera isso importante agora, seja porque não se entusiasma com nenhum dos candidatos.

Por isso, as variações de intenção de voto registradas na pesquisa estimulada, quando o pesquisador impõe um problema ao eleitor, devem ser vistas com cautela. Elas podem ser reflexo, por exemplo, da intensa exposição à mídia de Dilma Roussef (PT) nas últimas semanas. É cedo para afirmar que o crescimento da candidata de Lula é baseado em uma decisão firme dos 25% que escolheram seu nome na cartela.

Na espontânea, Dilma e José Serra (PSDB) se equivalem: 9% de citações da petista contra 10% do tucano. Marina Silva (PV) e Ciro Gomes (PSB) tiveram 1% de citações cada. Somam-se ainda 3% de menções a Aécio Neves (PSDB), que, formalmente, renunciou à sucessão presidencial, mas é um estepe de Serra.

Pode ser que a partir do congresso do PT neste fim-de-semana o cenário comece a mudar, com o noticiário político ganhando mais espaço nos meios de comunicação. A Copa do Mundo no meio da campanha, porém, pode desviar a atenção do eleitor. Apenas 22% disseram ao Ibope estar muito interessados na eleição presidencial, contra 47% que declararam pouco ou nenhum interesse.

Nesse ritmo, só um fato inesperado, como um escândalo de grandes proporções ou uma nova crise econômica, provocaria mudanças dramáticas no quadro. Escorada pela popularidade do governo, Dilma tende a crescer e se aproximar de Serra, reforçando a polarização da corrida entre PT e PSDB.

É mais do mesmo, uma disputa partidária que o eleitorado assiste desde 1994, a cada quatro anos. Isso também não ajuda a aumentar o ibope da eleição.

A pesquisa, encomendada pelo Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, foi feita pelo Ibope entre 6 e 9 de fevereiro. Ouviu 2002 eleitores de 16 anos ou mais em 144 cidades de todas as regiões do Brasil. Se repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados deveriam oscilar dentro de uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Se quisesse, Lula poderia usar seu bordão para constatar que “nunca antes na história desse país” as mulheres tiveram tanta intenção de voto para presidente. Somando-se os eleitores potenciais de Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PV) no Ibope, percebe-se que, pela primeira vez, um terço do eleitorado brasileiro está disposto a ser governado por uma mulher. No cenário sem Ciro Gomes, esse percentual sobe de 33% para 38%.

É um fato histórico, que Lula poderia explorar porque, afinal, ambas as candidatas foram ou são ministras do seu governo. Marina saiu por ter sido fritada, mas, ainda assim, tem uma boa relação com o presidente.

Se uma das duas vier a ser eleita, a imprensa internacional já tem manchete: depois de um operário, Brasil elege uma mulher presidente. Em um país onde menos de 10% das cadeiras no Congresso são ocupadas por mulheres isso, certamente, seria notícia.

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Esqueça o blablablá sobre uma eventual disputa entre Ciro Gomes, o PT e Lula. Como mostra o Ibope, a permanência do nome de Ciro entre os presidenciáveis mais ajuda Dilma Roussef do que atrapalha. Ao menos por enquanto.

No cenário sem o candidato do PSB, o maior beneficiário da saída de Ciro continua sendo José Serra, principal rival de Dilma. Dos 11% de Ciro na mais recente pesquisa Ibope, nada menos do que cinco pontos vão para o candidato tucano quando o candidato do PSB não é citado entre os presidenciáveis. Dilma fica com apenas três desses pontos, e Marina Silva, com dois.

A saída precipitada de Ciro da disputa só levaria a duas especulações, nenhuma delas boa para Dilma: de que o tucano poderia ganhar no primeiro turno (ele tem 41% contra 38% de Dilma e Marina somadas), e de que Marina poderia abrir mão de sua candidatura para ser vice de Serra e atalhar seu caminho para o Planalto.

No que depender dos números das pesquisas, Ciro só sai da disputa (se sair) quando e se Dilma estiver cabeça a cabeça com Serra.

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A mais recente pesquisa Ibope mostra uma ascensão de Dilma Roussef, de 17% para 25%, entre novembro e fevereiro. Tudo indica que os oito pontos percentuais ganhos pela presidenciável do PT vieram, em grande parte, dos eleitores sem candidato. Os que responderam ao Ibope que não sabem em quem votar oscilaram de 12% para 9%, e os que declararam que votariam em branco ou anulariam foram de 13% para 11%.

Esses cinco pontos percentuais a menos do grupo de eleitores indecisos pode ter ido para Dilma à medida que sua imagem se populariza como candidata de Lula. Os três pontos restantes para explicar a ascensão da ministra podem ter vindo de Ciro Gomes (oscilou de 13% para 11%) e/ou de José Serra (foi de 38% para 36%). Marina Silva também ganhou: foi de 8% para 10%.

O crescimento de Dilma nas pesquisas de intenção de voto é esperado porque ela representa um governo com popularidade acima de 70%. Estranho seria o contrário, se ela continuasse abaixo de 20% apesar de todo o esforço de propaganda de Lula e do PT em torno do seu nome. Na verdade, apenas 1 cada 3 pessoas que aprovam o governo declaram voto na ministra. Daqui até a eleição ela terá que dobrar essa taxa para ter chance de bater Serra em um confronto direto.

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