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E se existisse uma taxa mágica, capaz de prever o futuro de uma eleição? De passagem pelo Brasil no começo de fevereiro, Clifford Young, diretor-gerente do Ipsos, um dos maiores e melhores institutos do mundo, calculou em 85% as chances de Dilma Rousseff se reeleger presidente. Faltou dizer que a previsão tinha prazo de validade – e ele estava expirando.

O que não lhe faltava era confiança, porém. Em abril de 2012, o Ipsos calculou os mesmos 85% de probabilidade de reeleição de Barack Obama nos EUA. Não foi coincidência, mas o resultado do mesmo modelo de projeção baseado em cálculos estatísticos. Como todo modelo, seu sucesso depende da base de comparação – no caso, centenas de eleições pelo mundo – e de algumas assunções.

A principal delas é que quem já está no poder e quer continuar lá tem 2,6 vezes mais chances de vitória do que um candidato apoiado por ele. Por essa assunção, a Dilma de 2014 é uma candidata com mais do que o dobro de chances de vitória do que a Dilma apadrinhada pelo então presidente Lula em 2010.

Quando Mr. Young fez sua previsão, parecia que o governo Dilma estava no limiar do paraíso: 56% de aprovação. Mas a notícia era velha, o quadro já estava mudando – e não era para melhor.

Segundo a tabela de redenção eleitoral do Ipsos, quando o governante tem de 40% a 45% de aprovação sua chance de reeleição varia imensamente, de 54% a 81%. Pois Dilma está escorregando célere para o purgatório da opinião pública. Nas pesquisas do Ibope, a presidente caiu dos 56% de aprovação em dezembro para 53% em março e, chegou, na semana passada, a 47%.

Para Mr. Young, a presidente só precisa se preocupar se essa taxa cair abaixo de 40% – quando bate nessa marca, a chance de vitória do governante seria a mesma de ganhar no par ou ímpar. Outros cálculos, porém, mostram que o sinal vermelho no Palácio do Planalto já deveria ter acendido em março.

Por trás dos números e porcentagens está o simples desejo do eleitorado de continuar com o mesmo governante ou trocá-lo. Todas as tentativas de predição das urnas se resumem a aferir se a eleição é de continuidade ou de mudança. Se for de continuidade, dá governo; de mudança, oposição.

No Brasil os sinais são contraditórios. Enquanto 2 a cada 3 eleitores dizem querer mudar tudo ou quase tudo no governo, a maior parte declara voto em Dilma. Até outubro, essas taxas vão necessariamente se aproximar. Mas qual vai puxar qual? A tentativa de resposta não tem a pompa de um modelo estatístico, mas se baseia na análise histórica das pesquisas do Ibope.

Melhor do que o simples “aprova ou desaprova o governo” é a pergunta que pede ao eleitor para qualificá-lo de “ótimo”, “bom”, “regular”, “ruim” ou “péssimo”. Nesse sistema há, além dos sinais positivo e negativo, uma medida de intensidade. Neste momento, por exemplo, a rejeição ao governo Dilma está quase tão intensa quanto ficou logo após os protestos de junho de 2013.

Pesquisa feita pela CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari, mostra que a conversão das taxas de “ótimo+bom” e de “regular” de um governante em intenção de voto é praticamente a mesma ao longo dos anos. Nas médias das eleições presidenciais, 84% de quem diz que o governo é ótimo ou bom, e 36% de quem o chama de regular acabam declarando voto naquele presidente no 2º turno.

Como há constantes, é possível criar cenários eleitorais de acordo com as variáveis. Traduzindo: sabendo-se o “ótimo+bom” e o “regular” de um governante dá para estimar qual sua votação no turno final. Se essas assunções estiverem corretas, Dilma precisa melhorar. A presidente necessitaria de ao menos 38% de “ótimo+bom” e de 34% de “regular” para se reeleger, raspando.

Em qual taxa mágica acreditar? Na tranquilizadora, que mostra Dilma ainda na zona de conforto eleitoral, ou na preocupante? Depende do viés de cada um.

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O “volta, Lula” não seria o passeio imaginado pelos petistas que não querem ver Dilma Rousseff disputando a própria reeleição. O Ibope testou um cenário com Luiz Inácio Lula da Silva no lugar de Dilma, enfrentando só Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O ex-presidente ficou com 42%, apenas três pontos a mais do que Dilma.

Tampouco a vantagem de Lula sobre os rivais é muito maior: 19 pontos a mais do que a soma dos adversários, contra 15 pontos de diferença a favor da atual presidente. Esses números não são garantia de vitória em um cenário de desejo crescente de mudança por parte do eleitor.

Segundo o Ibope, a maioria de brasileiros que querem mudanças profundas no governo cresceu de 62% em novembro do ano passado, para 68% em abril deste ano.

O desejo de mudança ou de continuidade é o motor de qualquer eleição. Eleições mudancistas favorecem, em tese, a oposição. Por enquanto, porém, Aécio e Campos têm sido incapazes de capturar esses eleitores que querem mudar tudo ou quase tudo. Mas tampouco Lula vai muito bem entre eles.

Sem ninguém que lhes agrade, um terço dos mudancistas declara, hoje, que votaria em branco ou anularia seu voto. O histórico mostra ser improvável que todos eles confirmem o anti-voto na urna. Muitos acabam votando “útil”, para evitar a eleição de quem gostam menos ainda. Resta ver quem será visto em outubro como, se não o melhor, ao menos o mais “útil” dos presidenciáveis.

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Fernando Gallo

A avaliação do governo Dilma Rousseff segue em tendência de piora, com índices que beiram os patamares apresentados logo após as manifestações de junho. Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira revela que a parcela dos brasileiros que considera a gestão ótima ou boa oscilou negativamente pela terceira vez no ano, passando de 36% em março para 34% em abril. Em dezembro, no pico da recuperação pós-protestos, a aprovação chegou a 43%. Em fevereiro era de 39%.

De outro lado, a avaliação negativa do governo é a segunda pior da série histórica do governo Dilma, tendo subido de 27% em março para 30% em abril. O índice só não é pior do que o apurado em julho de 2013, quando chegou a 31% e empatou com a avaliação positiva do governo, que despencara de 55% para os mesmos 31%. Aquela pesquisa foi a primeira após a massificação dos protestos de rua nas principais cidades do País.

A queda da aprovação da administração federal guarda relação com a piora do cenário econômico. O índice de confiança do consumidor – indicador com a maior correlação com a avaliação do governo -, por exemplo, registrou em fevereiro a maior queda mensal de sua história, quando baixou 4,5%, chegando ao menor nível desde julho de 2009. O patamar foi mantido em março. Por sua vez, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, teve alta de 0,92% em março, maior taxa mensal em 11 anos.
No período, a presidente Dilma também foi exposta a um noticiário negativo em relação à sua capacidade de gestão após a revelação de que ela deu aval à compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobrás quando era presidente do conselho de administração da estatal.

Além de avaliar o governo como um todo, o Ibope pesquisou também a opinião dos brasileiros sobre o desempenho pessoal de Dilma na Presidência, cuja avaliação também caiu. Sua conduta é aprovada por 47% e desaprovada por 48%. Em março, a taxa de aprovação era de 51%, e a de reprovação, 43%.

Governo. Na avaliação do governo, em termos geográficos, à exceção da região Sul, houve apenas oscilações dentro da margem de erro. No Nordeste, a aprovação do governo Dilma passou de 45% para 43%, no Norte e no Centro-Oeste foi de 39% para 40% e no Sudeste subiu um ponto percentual para 30%. No Sul, onde o número de entrevistados é menor e pode haver maiores oscilações, ela caiu de 39% para 25%.

A desaprovação da administração federal entre os que moram na periferia aumentou 11 pontos percentuais, passando de 27% para 38% de pessoas que consideram o governo ruim ou péssimo. Também caiu 11 pontos a avaliação regular do governo, saindo de 42% para 31%. A avaliação positiva passou de 31% para 29%.

Nas capitais e no interior tanto a avaliação positiva quanto a negativa oscilaram dentro da margem. No primeiro caso, atualmente 32% veem o governo como ótimo ou bom. No interior, a taxa é de 37%.

O governo é mais bem avaliado nos municípios menores. A aprovação é de 45% nas cidades de até 20 mil habitantes e de 30% nas que abrigam mais de 100 mil moradores.

Na divisão do eleitorado por escolaridade, a queda na aprovação do governo se concentrou na faixa com curso superior (de 26% para 20%). No outro extremo, entre os que estudaram até a 4.ª série, a variação foi de 48% para 49%.

No quesito renda, 51% das pessoas que ganham até um salário mínimo avaliam o governo como ótimo ou bom (eram 48% na pesquisa anterior), número que cai para 38% na faixa dos que ganham entre um e dois salários mínimos (eram 40%). Entre os que recebem acima de 10 salários mínimos, o índice foi de 23% para 24%. Nessa faixa, contudo, a reprovação do governo aumentou, chegando a 43% – o índice era de 41% em março, 35% em fevereiro e 25% em dezembro.

A pesquisa revela ainda que, quanto mais jovens os eleitores, mais eles são críticos em relação ao governo. Entre aqueles com menos de 25 anos, a aprovação à gestão da presidente é de 30%, ao passo que 35% consideram o governo ruim ou péssimo. Entre os que têm 55 anos ou mais, 39% avaliam o governo como bom ou ótimo, e 28% o desaprovam.

Metodologia. O levantamento do Ibope foi feito em 140 municípios. Foram ouvidos 2002 eleitores. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais, a aprovação ao governo pode estar entre 32% e 36%. No levantamento anterior, de março, poderia se situar entre 34% e 38%. O nível de confiança utilizado é de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número BR00078/2014.

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José Roberto de Toledo
ESTADÃO DADOS

Após ver sua popularidade diminuir 9 pontos desde dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu também eleitores. Pesquisa Ibope concluída esta semana mostra que a intenção de voto dela caiu em todos os cenários. Na hipótese mais provável, que inclui pré-candidatos dos pequenos partidos, Dilma foi de 40%, em março, para 37% em abril. No cenário em que enfrenta só dois rivais, a intenção de voto da presidente caiu de 43% para 39%.

É a maior perda acumulada de eleitores da presidente desde que sua popularidade entrou em queda, no começo deste ano, segundo o Ibope. Desde dezembro, eleitores de Dilma que haviam deixado de considerar seu governo ótimo ou bom começaram a deixar de declarar voto nela. A nova pesquisa mostra que essa tendência se intensificou ao longo de abril.

No cenário mais provável, com os chamados nanicos, Dilma caiu de 40% em março para 37% agora. Aécio Neves (PSDB) oscilou de 13% para 14%. Eduardo Campos (PSB) segue com 6%, e o pastor Everaldo (PSC), passou de 3% para 2%. A soma dos demais pré-candidatos que era de 1% em março, agora dá 3%.

As maiores quedas de Dilma ocorreram entre eleitores jovens (perdeu 8 pontos entre quem tem de 25 a 34 anos), nas cidades médias (menos 11 pontos nos municípios entre 20 mil e 100 mil habitantes), na região Sul (menos 6 pontos) e nos eleitores não-cristãos (perdeu 7 pontos).

Mesmo assim, se a eleição fosse hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno, pois seus 37% de intenção de voto superam a soma de todos os seus adversários (25%). Sua vantagem vem diminuindo a cada mês, porém. A diferença em favor da presidente caiu de 17 pontos em março para 12 pontos em abril.

Dilma ainda seria reeleita no primeiro turno porque as taxas de eleitores que declaram pretender votar em branco ou anular (24%) ou que não sabem dizer em quem votarão (13%) seguem muito altas.

No cenário reduzido, em que Dilma enfrenta apenas Aécio e Campos, a intenção de voto na presidente caiu, segundo o Ibope, de 43% em março para 39% agora. Ao mesmo tempo e no mesmo cenário, Aécio foi de 15% para 16%. Já Campos passou de 7% em março para 8% em abril. A taxa de branco e nulo foi de 25% para 26%.

Quando se troca Eduardo Campos por Marina Silva como candidata do PSB, a intenção de voto em Dilma também cai em abril. No cenário com os nanicos, a petista foi de 40% para 37%, Marina passou de 9% para 10% (Eduardo tem 6%), Aécio foi de 13% a 14%, o pastor Everaldo permaneceu com 2%, e a soma dos demais candidatos cresceu de 1% para 3%.

Nas simulações de segundo turno, a presidente continua ganhando de todos os adversários testados. Dilma venceria Aécio por 43% a 22%, bateria Marina por 41% a 25%, e derrotaria Eduardo Campos por 44% a 17%. Mas as taxas de não-voto (branco, nulo e não sabe) são excepcionalmente altas, indicando que muitos eleitores ainda não conhecem ou não se sentem representados pelos candidatos que estão no jogo.

Embora ainda vença todos, a vantagem de Dilma sobre os rivais no segundo turno também diminuiu desde março: de 27 pontos para 21 pontos no caso de Aécio; de 24 para 16 pontos no caso de Marina; e de 31 para 27 pontos no caso de Eduardo Campos.

A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 10 e 14 de abril, em 140 municípios de todas as regiões brasileiras. Foram feitas 2.002 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%. Ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número protocolo BR-00078/2014.

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Todo mundo que acha um governo ótimo ou bom declara voto no seu presidente; e todo mundo que vota no presidente aprova seu governo, certo? Errado, duplamente errado. No caso de Dilma Rousseff, 1 a cada 5 brasileiros que dão nota positiva à sua gestão não é seu eleitor; mas, para compensar, 1 a cada 4 eleitores seus vota nela mesmo achando seu governo só “regular”.

Como resultado, a intenção de voto em Dilma acaba sendo ligeiramente maior do que a taxa de ótimo/bom do seu governo. É algo comum nas pesquisas que avaliam este governo e medem a intenção de voto num mesmo questionário. A última vez que isso aconteceu em uma pesquisa publicada do Ibope foi em novembro.

Naquela sondagem, a intenção de voto em Dilma foi de 43%, enquanto a taxa de bom e ótimo dada pelos mesmos eleitores ao seu governo foi de apenas 39%. Os 4 pontos percentuais a mais na intenção de voto vieram dos 25% de eleitores da petista que avaliavam seu governo apenas como “regular”. A diferença seria ainda maior se ela não perdesse 19% dos que aprovam seu governo para outros presidenciáveis ou para as opções “branco” e “nulo”.

Saber que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa teria poupado o PT de comparar jabuticabas com jacas em post no Facebook. Diligentes militantes petistas evocaram “as leis da matemática”, mas tropeçaram na lógica ao tentar desqualificar pesquisa Ibope que mostrou queda da popularidade de Dilma.

Com o insinuante título “Algo estranho no ar”, os autores compararam a intenção de voto da presidente na pesquisa Ibope divulgada pelo Estado há duas semanas (43%) com a avaliação do governo Dilma medida pela pesquisa Ibope/CNI divulgada na semana passada, na qual a taxa de ótimo/bom era de 36%. Para o PT, as taxas, mesmo medindo coisas diferentes, deveriam ser iguais.

Não são, e isso é bom para Dilma. Se fossem iguais, ela estaria pior na corrida eleitoral. O fato de 25% de seus eleitores qualificarem seu governo apenas como regular é um sinal de que a opção pela petista é fruto da falta de alternativa melhor aos olhos desses eleitores. Mas isso pode mudar ao longo da campanha, à medida que outros candidatos se tornarem mais conhecidos do grande público.

Se em vez de brigar com os números o partido os estudasse, o PT entenderia que sua candidatura presidencial, embora seja franca favorita nesta altura da campanha, tem vulnerabilidades.

Cruzamento especial da mais recente pesquisa presidencial feito pelo Ibope a pedido do Estadão Dados mostra que o potencial de voto exclusivo de Dilma é de 36% do eleitorado. São aqueles que dizem que votariam com certeza nela e apenas nela. É muito maior do que os de Aécio Neves (10%) e Eduardo Campos (4%). Mas essas taxas vão mudar ao longo dos próximos meses porque 35% do eleitorado diz que votaria com certeza em mais de um candidato.

Como Dilma tem o maior capital eleitoral, é ela que tem mais a perder: 1 em cada 4 eleitores que diz que votaria nela com certeza também diz que votaria em Aécio; e outro tanto diz que não conhece o tucano o suficiente para opinar. Em tese, metade do eleitorado potencial da petista tem alguma chance de vir a ser seduzido pelo rival do PSDB. Tudo depende de como a economia vai se comportar nos próximos meses e de quão hábil for a campanha tucana.

Com Eduardo Campos, as sobreposições são menores, mas, ainda assim, significativas: 17% do eleitorado francamente dilmista diz que votaria ou poderia votar nele, e outros 36% não o conhecem o bastante para dizer nem que sim nem que não.

As chances de reeleição de Dilma são inversamente proporcionais ao grau de concordância do comando de sua campanha com o teor do texto do partido do Facebook. Em qualquer eleição, o menor atalho para a derrota é negar a realidade e dizer que já ganhou. Atacar pesquisas que não mostram o que o PT deseja é o mesmo que culpar o termômetro pela febre. Quebrá-lo não resolve nada.

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A oposição ganhou a primeira batalha das expectativas econômicas de 2014. Uma guinada negativa na percepção sobre a tendência do emprego, inflação, juros e impostos prevaleceu sobre o moderado otimismo que chegou a haver, brevemente, no final de 2013. O aumento do pessimismo sobre o que vai acontecer com a economia este ano explica a perda de popularidade de Dilma Rousseff (PT).

Os 36% de ótimo e bom a que caiu o governo da presidente em março, segundo a pesquisa CNI-Ibope, é o mesmo patamar em que ele se manteve entre agosto e novembro de 2013. Mas as avaliações negativas sobre o desempenho do governo em matéria de inflação, combate ao desemprego, juros e impostos são recorde nos 39 meses de mandato de Dilma.

A aprovação presidencial vem caindo desde o começo de 2014. Em fevereiro, o Ibope e o Estado registraram que a taxa de ótimo e bom do governo federal havia caído a 39%, após alcançar 43% no fim de 2013. Sabe-se agora, aquele foi um aumento temporário – uma bolha que se consumiu junto com a renda extra que os assalariados haviam obtido ao receber o 13º salário.

Os 36% aos quais a presidente baixou agora foram um “piso” para sua aprovação ao longo do segundo semestre do ano passado. Não é um patamar intransponível – logo após as manifestações, sua taxa de ótimo/bom chegou a 31% -, mas é uma linha de resistência que pode segurar temporariamente a popularidade presidencial.

Porém, mesmo em comparação a setembro, quando o 13º salário ainda não havia influenciado a opinião pública, cresceu a desaprovação à maneira como o governo federal vem conduzindo os impostos (de 73% para 77%), o combate à inflação (de 68% para 71%) e a fixação das taxas de juros (de 71% para 73%).

Não é a melhor maneira de um presidente fechar o primeiro trimestre de um ano no qual disputa a reeleição. O governo não conseguiu transmitir segurança econômica suficiente para evitar a piora das expectativas. Não foi uma piora dramática, mas o bastante para manter a eleição aberta, e a oposição, no jogo.

Os próximos dois rounds serão os trimestres abril/maio/junho, de pré-campanha e diretamente influenciado pela Copa, e a reta final da campanha eleitoral, com todas as candidaturas oficializadas e disputando voto na rua, entre julho e setembro. Perder a batalha das expectativas econômicas no próximo trimestre seria grave para Dilma, mas perder o terceiro seria fatal.

Dilma perdeu mais popularidade nos estratos sociais e geográficos onde ela costuma ter mais dificuldades: entre os jovens, entre os eleitores com mais anos de estudo, e entre quem vive nas metrópoles e no Sudeste. Mas houve também inflexões no Nordeste e entre o eleitorado com nível médio de escolaridade.

A presidente se segura por causa de sua aprovação acima da média nas cidades do interior, entre os mais pobres e entre quem tem menos escolaridade. Se o pessimismo em relação à economia em geral contaminar a percepção desses eleitores quanto à sua própria renda, aí Dilma terá problemas mais sérios.

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A pesquisa MDA/CNT mostra estabilidade tanto das intenções de voto para presidente quanto da avaliação do governo de Dilma Rousseff. Em outras palavras, a oposição tem sido incapaz de catalisar o desejo de mudança expresso pelos eleitores, e o governo não conseguiu faturar o aumento da confiança do consumidor registrado no começo do ano pela Ibope/CNI.

As taxas – eleitoral e de aprovação – de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma, respectivamente, oscilaram dentro da margem de erro. A margem é de 2,2 pontos, e vale para a pesquisa atual e para a anterior. Ou seja, devem ser somadas, o que dá 4,4 pontos. Como tanto Aécio quanto Dilma perderam menos do que isso, não se pode afirmar com certeza que ambos caíram. E, mesmo que tivessem, um ponto isolado na curva não configura uma tendência.

Não é por isso que os resultados da pesquisa MDA/CNT devam ser desconsiderados. A pesquisa confirma o que Ibope e Datafolha já haviam apontado: 62% dos brasileiros preferem que o próximo presidente “mude totalmente a forma de governar” ou pelo menos “continue algumas ações e mude a maioria”.

É uma eleição “mudancista”, condição necessária mas insuficiente para a oposição. A condição suficiente seria um ou mais candidatos oposicionistas conseguirem conquistar a confiança do eleitor para serem os agentes dessa mudança. Até agora isso não aconteceu – o que não significa que ainda não possa acontecer.

Hoje, uma parte grande dos que desejam mudança prefere Dilma. É uma aparente contradição, mas é assim que funciona o processo decisório daquele eleitor que não é partidário: sempre pela exclusão da pior opção, até chegar à menos pior.

Significa dizer que, no momento do voto, esse eleitor vai decidir se prefere mudar mesmo ou, por falta de confiança nos outros candidatos, vai acabar optando por Dilma para garantir o que já tem. Não adianta, porém, forçar análises para antecipar essa decisão. A cada pleito, o eleitor “independente” (que não é petista nem antipetista) tem demorado mais para decidir.

Nesse momento, só 4 a cada 10 eleitores têm o nome de um presidenciável na ponta da língua. Somados, Dilma, Aécio e Eduardo Campos (PSB) têm menos de 30% das intenções de voto espontâneas. Apenas considerando-se as menções a quem já disse que não será candidato a presidente (como Lula, José Serra e Geraldo Alckmin) e a uma possível alternativa a Campos, Marina Silva, chega-se a 40%.

Isso significa que a maioria absoluta dos eleitores, pelo menos 60%, só consegue dizer em quem votaria após ler os nomes dos candidatos em uma lista. Ou seja, só vão pensar no assunto quando o pesquisador lhes apresenta o problema. Não refletiram sobre a eleição e acabam citando os nomes mais fortes em sua memória. Esse é um voto que pode mudar nos próximos meses.

O resumo da pesquisa MDA/CNT é que a situação não é confortável para nenhum dos candidatos. Dilma estancou. Não fica mais popular do que está desde outubro. Se não ganha novos eleitores, corre o risco de perder parte dos que já tem. Mas os oposicionistas não conseguem entusiasmar o eleitorado independente, apenas quem já é antipetista.

Esse impasse vai precisar de um fato novo para ser superado. Pode ser a melhora ou a piora da economia, um eventual racionamento de energia, um resultado muito positivo ou muito negativo na organização da Copa, ou uma novidade trazida pela campanha eleitoral quando ela começar na TV, em agosto. Até lá, permanece a contradição: mudança com mais do mesmo.

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Ser presidente não é fácil, mas ser prefeito é pior – pelo menos se o governante estiver preocupado com a opinião pública. A popularidade de Dilma Rousseff é 26% maior do que a média dos governadores, e 39% mais alta do que a dos prefeitos, segundo o Ibope. Não é uma mera questão de competência. Se é nas cidades que os problemas se materializam, as prefeituras são o elo mais fraco da gestão pública: têm menos recursos e menor autonomia.

Tome-se a mobilidade urbana. Na última década, o governo federal fez da venda de automóveis uma política de estado. Subsidiou, financiou e estimulou o transporte individual o quanto pode. Mais do que a casa própria, o ícone da ascensão social foi outro: meu carro, minha vida. O status sobre rodas alavancou o consumo, a popularidade presidencial e os congestionamentos.

Em apenas dez anos, a frota nacional mais do que dobrou. Pelo menos 44 milhões de novos carros, motos, caminhões e ônibus entraram nas vias brasileiras entre 2003 e 2013. Enfileirando-se só os 45 milhões de automóveis, o engarrafamento daria cinco voltas na Terra. Empilhados, criariam uma muralha de 18 carros de altura ao longo de todas as ruas de São Paulo.

Para sorte de Fernando Haddad, só uma parte dessa manada circula pelas vias que ele governa. A frota paulistana fechará 2013 com 7 milhões de veículos, dos quais cerca de 5 milhões são automóveis. Se todos os carros saíssem da garagem ao mesmo tempo, formariam uma fila de mais de 20 mil quilômetros. São Paulo tem 17 mil quilômetros de ruas asfaltadas, logo…

O problema não é só do prefeito paulistano. É de quase todos os governantes das grandes cidades brasileiras. Lá, a imobilidade urbana se acentua, por uma simples questão de adensamento. Um em cada três carros da frota nacional está registrado nas capitais. São 15 milhões de automóveis, 30 milhões de eixos, 60 milhões de pneus (fora estepes) concentrados em apenas 27 cidades. E isso sem contar a frota flutuante que vem dos arredores diariamente.

Contra essa inundação rodante, os prefeitos são os que menos podem. Eles não controlam a produção nem a venda de veículos. Não lacram, nem têm poder de polícia para retirar de circulação os carros sem licenciamento ou que não pagam os devidos impostos. Isso caberia aos governadores, mas que vantagem estes levariam em guinchar os veículos de potenciais eleitores? Se o trânsito melhorasse, quem sairia ganhando seria o prefeito.

Mesmo que alguém fizesse algo a respeito, para onde levar os 40% da frota que, estima-se, circula irregularmente por São Paulo? Seria necessário um estacionamento com 4,5 quilômetros de cada lado para abrigar todos os recolhidos, uns 80 Itaquerões.

O transporte de massa também não é prerrogativa do prefeito. Metrô e trem urbano, no Brasil, são da alçada do governador – cuja popularidade depende menos do tamanho dos engarrafamentos do que da sensação de (in)segurança pública, ou da qualidade do atendimento nos hospitais e unidades de saúde.

Não é acaso que a popularidade dos poderosos é menor nas capitais e suas periferias. Os eleitores ali são mais críticos porque nessas cidades os problemas são mais complexos e difíceis de solucionar. Os prefeitos das capitais acabam pagando o preço mais alto: seu saldo de popularidade é 11 pontos negativo, em média, enquanto nas cidades do interior o saldo do prefeito é 4 pontos positivo.

A fragilidade do poder local é uma oportunidade, especialmente, para a presidente. Gastos cada vez maiores em programas de alta popularidade nas cidades menores, como Bolsa Família e Luz para Todos, permitiram a Dilma ter um saldo de aprovação três vezes maior no interior do que nas capitais. Nas metrópoles, o buraco é mais embaixo – mas aí a presidente divide a conta com prefeitos e governadores, e ainda paga menos.

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Em 2010, a eleição nos Estados apontou para a continuidade. Dos 27 governadores, 20 concorreram a um segundo mandato, e 13 deles foram reconduzidos ao cargo. Outros três elegeram seu candidato. Para 2014, a bússola virou de ponta-cabeça. Dos 15 governadores aptos à reeleição, só três podem confiar que estão no rumo certo para voltar ao palácio depois de passarem pelas urnas.

A pesquisa CNI-Ibope divulgada na sexta-feira forneceu o melhor mapa da sucessão estadual até agora. Pela primeira vez em três anos, todos os governadores foram avaliados simultaneamente. A sondagem não perguntou em quem o eleitor pretende votar, mas revelou o que os governados acham de seus governantes – e essa opinião é menos volátil que a intenção de voto.

A principal conclusão é que o ranking de 2013 é muito pior para a maioria dos governadores do que foi o de 2010: 11 estão devendo, 9 estão numa zona que não pode ser chamada de conforto, e dos 7 que estão realmente bem avaliados, 4 não são candidatos. A chave da pesquisa é o saldo de avaliação. Na eleição passada, ele mostrou-se o melhor fator para prever o resultado das urnas.

O saldo de avaliação é o que sobra, ou não, da popularidade do governador após levar-se em conta as opiniões negativas: é a taxa de ótimo e bom, descontada de quem acha o governo ruim ou péssimo. Essa classificação é melhor do que a simples pontuação pela taxa de ótimo/bom porque considera também o tamanho e a intensidade da oposição ao governante avaliado. Carma pesa.

Em 2010, o saldo médio dos governadores era de 31 pontos positivos – uma festa. Agora, é de 4. Quase um velório.

Na eleição passada, nove governadores tinham saldo igual ou superior a 45 pontos. Foi a nota de corte: todos se reelegeram (7 deles) ou elegeram seus candidatos (os outros 2). Hoje, só três governadores estão nessa faixa de quase certeza.

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Omar Aziz (PSD-Amazonas) tem 67 pontos de saldo de avaliação, mas não pode se candidatar, mesmo estando há apenas quatro anos no cargo: era vice de Eduardo Braga, e teve que assumir o governo em 2010. Concorreu e se elegeu para o segundo mandato. Divide-se, agora, entre apoiar seu vice ou seu antecessor.

Tião Viana tem o 2º maior saldo, 48 pontos, e deve concorrer à reeleição. Tenta uma façanha: o quinto mandato seguido do PT no governo do Acre. Eduardo Campos (Pernambuco) está em 3º lugar no ranking, com 45 pontos. É o candidato do PSB, mas a presidente.

A seguir aparecem quatro governadores com saldos entre 31 e 38 pontos. Dois deles não podem se recandidatar: André Puccinelli (PMDB) no Mato Grosso do Sul, e Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais). Os outros dois disputam a reeleição: Beto Richa (PSDB) no Paraná, e Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo.

Em 2010, havia sete governadores nessa situação: cinco se reelegeram, um perdeu e o terceiro não influiu. Ou seja, Richa e Casagrande têm boas chances de voltar ao governo, mas, como João Cahulla provou em 2010, imprevistos acontecem. Junto com Viana, são, hoje, os três governadores mais perto de se reelegerem.

A terceira faixa tem nove governadores com saldo de aprovação entre zero e 18 pontos. É uma zona arriscada. Na eleição passada, dos sete que estavam nesse patamar, só um se reelegeu. Estão nessa zona de perigo os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT).

Abaixo deles no ranking há 11 governadores com saldo negativo – dos quais seis poderiam se candidatar à reeleição, pois estão no primeiro mandato. Mas eles correm alto risco de fracasso: nenhum governador devendo popularidade se reelegeu em 2010. Aos 11, só lhes resta mudar a imagem de seus governos em poucos meses. Para eles o tempo urge mais do que para os outros.

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A presidente Dilma Rousseff está recuperando sua popularidade duas vezes mais rápido do que os governadores. De julho a dezembro, o saldo da popularidade presidencial cresceu 23 pontos, segundo pesquisa Ibope/CNI. Ao mesmo tempo, a média ponderada dos 27 governadores cresceu 10 pontos.

O saldo de popularidade é a taxa dos que avaliam o governo como ótimo ou bom descontados os que acham o governo ruim ou péssimo. Em julho, no auge da ressaca das manifestações de rua, o saldo de Dilma era zero: 31% de ótimo+bom contra 31% de ruim+péssimo. Agora, é de 23 pontos (43% a 20%). Ao mesmo tempo, o saldo médio de popularidade dos governadores foi de -2 para 8 pontos.

Dos 11 governadores cujas avaliações podem ser comparadas individualmente com as da presidente (porque foram divulgadas pesquisas em julho em seus Estados), Dilma teve uma recuperação mais acentuada do que dez deles. Apenas o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), cresceu mais em popularidade do que a presidente: seu saldo pulou de 3 para 33 pontos.

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Hoje, Dilma tem taxa de ótimo e bom maior do que a do respectivo governador em 18 das 27 unidades da federação. A maior diferença em favor da presidente acontece no Rio Grande do Norte, onde ela chega a 49% de avaliações positivas, contra só 7% da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). A vantagem de Dilma é de 25 pontos ou mais no Amapá, Alagoas, Pará, Bahia, Roraima e Rondônia.

Em outros cinco Estados a aprovação da presidente se equivale à do líder local, pois a diferença está dentro da margem de erro. É o caso, por exemplo, de São Paulo, onde ela tem 35% de ótimo+bom, e Geraldo Alckmin (PSDB) tem 31%. O mesmo se repete em Santa Catarina (42% a 38%), Minas Gerais (51% a 49%), Paraná (45% a 45%) e Mato Grosso do Sul (44% a 49%).

Apenas em quatro Estados a avaliação do governado é melhor do que a da presidente. A maior diferença é justamente em Pernambuco, cujo governador, Eduardo Campos (PSB), é pré-candidato à Presidência contra Dilma. Ele tem um saldo de popularidade 13 pontos maior do que o da possível adversária. Os outros três Estados são Amazonas, Acre e Espírito Santo.

Dilma retomou a recuperação de sua popularidade nas últimas semanas apenas, após três meses de estabilidade. Dois motivos se destacam: a melhora da confiança do consumidor (típica após ele receber o 13º salário), e a “pacificação” do noticiário – ou, ao menos, da percepção que os eleitores têm do que é noticiado.

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, foram relativamente raras as citações de notícias negativas para o governo entre os brasileiros. Nenhum fato monopolizou as manchetes, como na época dos protestos em massa, quando 63% se lembravam de notícias sobre as manifestações. Agora essa taxa caiu a menos da metade.

O noticiário sobre a prisão de condenados pelo mensalão foi citado por apenas 13% dos eleitores, mostrando que o eventual desgaste que o escândalo possa ter provocado à imagem presidencial há muito já foi absorvido. Hoje, é indiferente.

Tampouco as notícias sobre problemas na área econômica, sobre desequilíbrio das contas públicas ou da inflação, conseguiram despertar mais atenção do público do que notícias favoráveis ao governo, como sobre concessões de rodovias, e os programas federais Mais Médicos e Bolsa Família, por exemplo.

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A Copa do Mundo coincidiu com oito eleições presidenciais brasileiras. A bola, porém, nunca estufou nem esvaziou as urnas. Em 1930, a votação precedeu o torneio. A eleição de 1934 foi indireta. Em 1938, a ditadura Vargas deixou a urna no banco. Veio a guerra, interromperam-se também as Copas. No retorno, em 1950, nem o “maracanazzo” evitou a eleição de Getúlio Vargas.

Depois disso o divórcio dos calendários político e futebolístico durou quase meio século. Até que, em 1994, tudo casou: o Brasil foi campeão e deu situação. Parecia que o futebol ajudava o presidente de plantão. Mas, em 1998, a despeito de a seleção perder a final por 3 a 0, aconteceu a reeleição. Ficou claro: não era a bola a determinar o voto, mas o bolso cheio de reais.

Desde então, a escrita perdura. Copa e eleição convivem, mas não se misturam. Em 2002, o time ganhou, mas o governo perdeu para a oposição. Em 2006 e 2010, a seleção caiu antes das finais e, mesmo assim, o governo papou as duas. O eleitor nunca confundiu as bolas com o torcedor – embora políticos acreditem piamente no contrário. E em 2014, as urnas ficarão imunes ao clima de Copa?

Desta vez, o Brasil não apenas compete, mas é anfitrião. A responsabilidade é dupla. Um vexame extra-campo seria pior do que uma goleada dentro de casa. Descalabros de infraestrutura, escândalos na venda de ingressos ou manifestações-monstro na porta dos estádios podem, sim, influir no clima de opinião pública. Os protestos de junho já provaram isso.

Para os eleitores, o que estará em jogo não é a honra boleira da nação, mas o orgulho de fazer as coisas bem feitas. De receber direito. De dar conta do recado. As chuteiras da pátria estão abaixo do figurino de mestre de cerimônias. Para esta ser “a Copa das Copas”, como prevê Dilma Rousseff, a presidente dependerá de cartolas, não dos jogadores. Muito mais arriscado.

A tradição joga contra. Fotos aéreas do Maracanã durante a final de 1950 evidenciam as obras inacabadas do lado de fora do estádio. Nossa pontualidade nunca foi britânica. O minuto de silêncio proposto por Dilma durante o sorteio das chaves da Copa durou 10 segundos. A homenagem a Nelson Mandela foi abreviada precisamente pelo rei da cartolagem, o suíço Joseph Blatter.

Por mais fora que chute, um jogador jamais conseguirá derrubar um guindaste e matar operários. Nem gastar R$ 670 milhões em um estádio que, passados 360 minutos de bola rolando, é candidato a virar presídio temporário. Convém o público aproveitar ao máximo a Arena Amazônia, em Manaus: cada segundo de Honduras X Suíça terá custado R$ 31 mil do seu, do meu, do nosso.

A crença dos políticos de que dois ou três jogos de Copa do Mundo têm o poder de salvar anos de má administração será posta à prova. Nesta semana pesquisa CNI/Ibope mostrará o ranking de popularidade dos 27 governadores. Muitos dos que devem aparecer na parte mais baixa da tabela serão anfitriões de jogos da Copa. Veremos se o futebol é capaz de salvá-los do rebaixamento.

A súmula desse jogo indica que além de drenar cofres públicos, a Copa oferece muito mais riscos à popularidade do que benefícios à imagem do governante. É uma aposta alta, com grandes chances de dar zebra. O mesmo dinheiro bem aplicado em mais médicos e melhores hospitais provavelmente resultaria em mais pontos de aprovação do que uma arena ludopédica-circense.

Há de haver alguma planilha perdida por aí que explique tal predileção empreiteira de governantes que nunca pisaram em um estádio fora da tribuna de honra. Do mesmo jeito que há 50% de chance de o Brasil cruzar com Espanha ou Holanda, se passar às oitavas-de-final. Se a seleção for a primeira do grupo, o confronto será em Belo Horizonte. Para Dilma, é jogar na casa do adversário.

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Se o Ibope já havia sido azedo, o Datafolha foi amargo para Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Apagados como estão, abrem espaço para José Serra e Marina Silva permanecerem como sombras de suas respectivas candidaturas. Sem contar a encapada assombração de Joaquim Barbosa, que paira sobre ambos.

Não que os números tenham mudado muito de uma pesquisa para outra. Guardadas as diferenças intrínsecas de cada instituto, os dois contam mais ou menos a mesma história: Dilma Rousseff (PT) esboçando uma recuperação, enquanto os adversários não saem do lugar, ou até regridem uns passos. O problema é o significado que os aliados e potenciais financiadores extraem dos números.

Raramente as pesquisas influem diretamente no voto do eleitor. Mas elas pautam a campanha eleitoral, lubrificam ou emperram apoios e, mais importante, abrem e fecham cofres. Hoje não é um bom dia nem para Aécio nem para Eduardo pedirem contribuições.

No Brasil, têm-se o hábito de não comparar pesquisas de institutos diferentes – como se a marca do termômetro mudasse a temperatura que ele mede. Jabuticabas à parte, esse hábito duplica boas e más notícias, que são repetidas como se fossem novidade toda vez que uma nova pesquisa é divulgada. Não importa se o fenômeno que ela mostra já havia sido mostrado.

Uma pesquisa acaba sendo o eco da anterior. O efeito – positivo ou negativo – que ela exerce sobre cada candidatura é dobrado. Se o candidato caíra no Ibope e – como era de se esperar – caiu no Datafolha, é como se ele caísse duas vezes. Pouco importa que sejam duas fotos de um mesmo tombo. Dói de novo. Isso aconteceu com Dilma em julho, e acontece agora com seus rivais.

O eco das pesquisas tende a se embaralhar à medida que a campanha esquenta e a frequência dos levantamentos encurta. Quanto mais perto da reta final, menos decisivo ele é. Mas, na fase de pré-campanha, esse efeito pode custar minutos de propaganda na TV se um partido decidir alugar seu tempo para o candidato em ascensão, preterindo o que caiu “várias” vezes.

Todos podem reclamar, mas aceitam as regras. O preterido de hoje é o beneficiado de ontem. Só não adianta brigar com os números.

Efeito 13º

A melhora de Dilma no Datafolha reflete um fenômeno sazonal. A série histórica de pesquisas do Ibope mostra que a satisfação com a vida do brasileiro sempre cresce no final do ano. Pode creditar-se ao verão, ao Papai Noel ou ao 13º salário, mas todo ano, em dezembro, o brasileiro fica mais satisfeito. Não raramente, isso ajuda o poderoso da vez.

Como em toda sazonalidade, o efeito positivo é transitório. Às vezes a popularidade do governante se afoga nas águas de março (e suas enchentes e desabamentos), às vezes aguenta até o outono. No caso de Dilma, a pequena melhora está associada ao crescimento por dois meses seguidos da confiança do consumidor. É a milésima prova de que é a economia que define a eleição.

Não que todo eleitor se paute pelo bolso. Só a maioria. O resto se divide entre petistas e anti-petistas, que vão votar a favor ou contra a presidente, independentemente do que acontecer com sua capacidade individual de compra. Mas esses, ao mesmo tempo que se completam, se anulam. Por isso que quem decide a eleição não é o eleitor ideológico, mas o pragmático.

Não é à toa que a presidente vem gastando o verbo para economizar nos gastos. Tenta desarmar a tempestade econômica perfeita prevista por Delfim Netto para 2014. São os números das contas públicas, da inflação e da cotação do dólar que podem assombrar Dilma na eleição. Pesquisas ferem, a economia mata.

Muito além do mensalão

A economia é que criará ou não condições para Joaquim Barbosa desencapar-se no STF em abril para tentar a travessia da praça dos Três Poderes.

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A mudança está chegando. O Brasil não é Westeros, Brasília não é King’s Landing, mas 2014 está despontando como um Jogo dos Tronos na política brasileira. Que mudanças são o desejo de dois em cada três eleitores, o Ibope já mostrou. O significado desse desejo, porém, permanece incerto. Quem descobrir ganha o jogo.

“Mais do mesmo”, o mote que elegeu Dilma Rousseff em 2010, é pouco para 2014. Há quatro anos, dois terços dos brasileiros queriam manter mais coisas do que mudar no governo federal. A proporção inverteu-se.

O cenário de mudança é necessário à oposição, mas insuficiente. O manual de auto-ajuda eleitoral mostra que há dois tipos de pleitos: os de mudança e os de continuidade. O primeiro é o sonho de quem está fora do poder e quer entrar. Já o “deixa estar para ver como é que fica” é a base das reeleições. Nem toda eleição “mudancista” resulta em vitória da oposição, porém.

Vide a recapitulação dos sete reinados eleitorais do Brasil.

1989: com hiperinflação à toda, a primeira eleição presidencial pós-ditadura foi tão mudancista que os seis primeiros colocados eram de oposição. Dono do maior tempo de propaganda eleitoral, o governista Ulysses Guimarães (PMDB) não alcançou 5% dos votos.

1994: o trauma de Fernando Collor seguido pelo topete de Itamar Franco apontavam para uma eleição de mudança. Aí veio a URV, o controle da inflação e a fulminante eleição do “pai” do real, Fernando Henrique Cardoso. Em time que está ganhando não se mexe, disse o eleitor.

1998: com crise econômica internacional e ilusão de riqueza por um real mais caro que o dólar, o cenário era ambivalente. O eleitor flertava com a mudança, mas temia perder a estabilidade que conquistara. E concluiu: em time que está empatando não se mexe. FHC manteve a coroa, mas logo perderia a popularidade.

2002: a derrota do crescimento econômico era evidente. Defender o governo não era um esporte praticado nem pelo candidato da situação. Todos diziam ao eleitor que queriam mudar. Venceu quem temperou melhor mudança com estabilidade. Lula moderou o discurso e se elegeu.

2006: o eleitor pôs o crédito no bolso e o mensalão na geladeira nova. O país se dividiu em diagonal. Os emergentes do norte-nordeste foram mais determinados que os indignados do sul-sudeste. Lula ficou e começou a se transformar em mito.

2010: com a popularização do consumo no máximo, Lula elegeu Dilma como símbolo da continuidade. Nenhuma mudança, quase uma prorrogação. Bastou dizer que Dilma 1 seria igual a Lula 3.

2014: menos eleitores acham que haverá um Lula 4. Mais gente quer mudar, mas o que? O governo? A oposição? Talvez ambos.

Dilma tem 23% de eleitores espontâneos – três pontos a menos que há um ano. Os de Aécio Neves (PSDB) eram 3%, são 5%. Eduardo Campos (PSB) segue com 1%. Eleitores que não sabem em quem votar sem ver uma lista são os mesmos 40%. O que mudou? Há três vezes mais gente dizendo espontaneamente que vai votar em branco ou anular: a taxa foi de 4% para 13% em um ano. De onde vieram?

Dos 19% que declaravam voto em Lula um ano atrás só sobraram 8%. A intenção de voto espontânea somada em Dilma e Lula caiu 14 pontos de novembro a novembro. Mas só 1 em cada 3 desses votos virou oposição. A desilusão dos outros dois é irrestrita.

A rejeição a Aécio (45%) e a Eduardo (49%) é maior no quarto de eleitores que querem mudar tudo do que na média do eleitorado. A de Dilma (67%) também, mas ela compensa a alta rejeição entre os mudancistas radicais com um potencial de voto três vezes maior que o dos rivais no terço de eleitores que prefere continuidade à mudança. A presidente ainda leva uma vantagem de dois para um entre quem quer mudar muito, mas não tudo.

A mudança está vindo, mas só vai ajudar quem souber encontrá-la.

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A mudança desejada por dois em cada três eleitores não tem cara. Nenhum dos candidatos de oposição conseguiu personificar o desejo de câmbio no governo. A desconexão entre os eleitores insatisfeitos e os presidenciáveis oposicionistas produz uma aparente incongruência: a maior parte declara voto em Dilma Rousseff. Dizem querer mudar, mas votam na atual presidente.

Repete-se o que aconteceu na eleição de presidente há quatro anos, mas com sinais trocados. Em 2010, a proporção era exatamente oposta: dois terços queriam continuidade. Até Dilma tornar-se suficientemente conhecida, grande parte dos eleitores “situacionistas” declarava voto no oposicionista José Serra (PSDB). Isso só mudou a poucos meses da votação.

Por enquanto, Dilma é a cara da mudança, ao menos para 3 em cada 10 eleitores que gostariam de ver tudo ou muita coisa mudar no governo. Dos outros 7 pró-mudança, 44% não têm candidato (votam nulo, em branco ou não sabem responder). Só 18% optam por Aécio Neves (PSDB), e os restantes 9% citam Eduardo Campos (PSB).

Esses eleitores que querem mudança são responsáveis, hoje, por 4 de cada 10 votos em Dilma. Sem eles, a presidente não se reelege. É atrás deles que Aécio e Campos correm atrás, sem sucesso, ao menos por enquanto.

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A presidente Dilma Rousseff (PT) aumentou sua vantagem sobre seus potenciais adversários em 2014, segundo o Ibope. Se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno. Mas a mesma pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros espera que o próximo presidente promova mudanças – o que favorece a oposição.

No cenário em que concorre contra Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a presidente venceria por 43% a 14% do tucano e 7% do governador de Pernambuco, segundo pesquisa do Ibope feita na semana passada. Dilma teria o dobro dos votos somados dos adversários. A diferença cresceu de 17 para 22 pontos em um mês.

No cenário em que Marina Silva (PSB) aparece no lugar de Campos, a tendência é a mesma. A atual presidente também ampliou de 5 para 13 pontos a distância para esses rivais. Dilma venceria agora por 42% a 16% de Marina e 13% de Aécio.

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A pesquisa mostra que, passado o alvoroço em torno da fusão da Rede de Marina com o PSB de Campos, caíram as intenções de voto estimuladas para presidente em ambos. No caso de Marina, de 21% para 16%. E no de Campos, de 10% para 7%. Em ambos os cenários, Dilma foi a principal beneficiária dessa perda dos rivais. Mas é cedo para a presidente comemorar.

O Ibope perguntou aos eleitores com qual de quatro frases sobre o futuro presidente eles mais concordavam. A maioria optou por frases que indicam um desejo maior de mudança do que de continuidade: 38% responderam que gostariam que o próximo presidente “mantivesse só alguns programas mas mudasse muita coisa”; outros 24%, que “mudasse totalmente o governo do país”.

Apenas 23% disseram preferir que o novo presidente “fizesse poucas mudanças e desse continuidade para muita coisa”. E 12% prefeririam que ele “desse total continuidade ao governo atual”. Ou seja: 62% sinalizaram com preferência pela mudança, contra 35% que manifestaram desejo de continuidade de tudo como está.

A despeito disso, a avaliação de Dilma segue majoritariamente positiva. A proporção dos que acham o governo ótimo ou bom permanece estável: foi de 38% para 39%. A taxa dos que acham o governo ruim ou péssimo oscilou de 26% para 24%. O regular foi de 35% para 36%.

A taxa de aprovação também manteve-se no mesmo patamar: foi de 53% para 55% entre outubro e novembro. E a taxa dos que confiam em Dilma foi de 49% para 51%.

A pesquisa Ibope em parceria com o Estadão foi feita entre os dias 7 e 11 de novembro, em 142 municípios de todas as regiões do Brasil. Sua margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%.

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A favela superou o clichê. A proverbial do morro carioca da Providência (para onde soldados da Guerra de Canudos transpuseram o nome de um morro sertanejo no qual vicejava uma planta chamada favela) é uma exceção até no Rio de Janeiro: 57% dos domicílios “favelados” da cidade ficam no plano. Só 15% estão em encostas íngremes. O “morro” mítico dos sambas foi aterrado há tempos.

Tampouco a maioria das pessoas “prefere” morar em favelas para estar perto do trabalho. Em São Paulo, três de quatro habitantes dos ditos “aglomerados subnormais” levam mais de uma hora para ir e voltar do emprego – a proporção é 27% maior do que para o resto dos paulistanos. A regra se repete em 76% das cidades: o “favelado” perde mais tempo no trânsito que seus concidadãos.

O estudo do IBGE mostra que morar em “favela” é, acima de tudo, uma adaptação à geografia. É outro mito imaginar que o cenário é sempre o mesmo.

Em Natal, 40% das moradias “subnormais” ocupam dunas ou praias. Na paulista Cubatão, 29% ficam em manguezais. Em Linhares, no Espírito Santo, 38% ocupam irregularmente unidade de conservação ambiental. E em Petrópolis, na serra fluminense, local de repetidos e trágicos deslizamentos, 86% das moradias desse tipo estão em declives acentuados (superior a 16,7 graus).

Risco de outro tipo mas também grave há em 17 cidades onde existem milhares de casas em lixões, aterros sanitários ou áreas contaminadas.

Favela não é tudo igual nem geográfica, nem urbanisticamente. Em Belford Roxo (RJ), 89% dos domicílios dessas aglomerações têm acesso a arruamento regular. Já em Vitória (ES), 72% das casas faveladas não têm rua por perto porque estão no morro.

Em quinto, mas não em último lugar, o morador da favela não vive nela porque lhe faltou escola. Em Niterói (RJ), 27% têm diploma de nível superior. E não só lá: são 24% em Florianópolis, 23% em Santos (SP) e 20% em Curitiba e Porto Alegre.

O termo “favela” é uma metonímia ultrapassada. Mais do que política, é sociogeograficamente incorreto: não expressa a diversidade de condições em que moram 11 milhões de brasileiros. Mas, pior do que “favela”, é chamar de “aglomerado subnormal”.

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Correção: versão anterior do texto acima grafou erroneamente o nome do Morro da Providência.

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O que mais chamou atenção na nota divulgada pelos advogados de Paulo Maluf (PP-SP) sobre sua condenação em segunda instância foi a ênfase com que defenderam a tese de que seu cliente não está inelegível. Eduardo Nobre e Patricia Rios escreveram:

“A decisão tomada hoje pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não impede que Paulo Maluf participe das próximas eleições. A condenação de suspensão de seus direitos políticos somente tem efeito após o trânsito em julgado da ação de improbidade (após todos os recursos cabíveis). Além disso, essa condenação não enquadra o Deputado na Lei da Ficha Limpa que só poderá ser analisada pela Justiça Eleitoral e não pela justiça estadual.”

A preocupação com a inelegibilidade superou a preocupação com a culpa de Maluf. Por que?

Com a Justiça de olho nos seus bens e de seus familiares e de suas empresas, a força política do ex-prefeito se resume à capacidade pessoal de ter uma votação superior à necessária para eleger-se.

Maluf ainda carrega consigo mais um ou dois deputados federais com seu “excedente” de votos. Também transfere eleitores para suas dobradinhas na eleição de deputados estaduais. Tudo isso equivale a minutos de propaganda na TV, a moeda política por excelência – que fez, por exemplo, com que ele fosse procurado por Lula e Haddad em 2012.

Se não puder ser candidato, Maluf perde esse último capital político que lhe restou. Perde assim a força que tem no partido. Tende à completa decadência política. E o PP se tornará mais uma sigla em oferta no mercado de agremiações de aluguel.

Daí o esforço prioritário em afirmar aos correligionários que sua capacidade eleitoral permanece intacta a despeito da condenação. Dinheiro vem e vai; o poder vai, mas não volta.

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03.novembro.2013 23:03:07

Desordem e regresso

O Latinobarômetro é o mais tradicional estudo sobre a opinião pública latino-americana. Na edição divulgada sexta-feira, o Brasil foi o país onde a percepção de progresso mais regrediu: 19 pontos a menos de 2011 para 2013. No primeiro ano de governo Dilma, 52% dos brasileiros diziam que o país estava progredindo. Dois anos depois, a taxa desceu a 33%. O Brasil caiu de 3º para 11º no ranking de progresso. Não foi só o país.

Dilma Rousseff também perdeu posições. Na classificação dos 18 presidentes, ela passou da vice-liderança em 2011 para a 7ª colocação em 2013. O governo da brasileira tinha 67% de aprovação dois anos atrás, contra 56% este ano. É uma tendência.

A crise econômica dos países ricos desgasta a popularidade dos governantes latino-americanos. A média de aprovação dos governos do continente caiu de 60% em 2009 para 49% em 2013.

O problema de Dilma é que ela perdeu mais apoiadores do que os presidentes que vinham logo atrás no ranking. Se em 2011 a brasileira só não tinha mais aprovação do que seu colega colombiano, em 2013 Dilma perde para os presidentes da República Dominicana, Equador, Bolívia, El Salvador, Uruguai e Nicarágua. Ela só ultrapassou o da Colômbia, que caiu para o 8º lugar.

O levantamento de opinião para o Latinobarômetro, feito no Brasil pelo Ibope, coincidiu com os protestos de rua aqui. As entrevistas foram feitas na segunda quinzena de junho. Pesquisa CNI/Ibope realizada poucos dias antes apontava ainda 71% de aprovação para o governo Dilma. A insatisfação pública cresceu tão rapidamente quanto o tamanho das manifestações.

O auge do descontentamento dos brasileiros com seus governantes ocorreu em julho. Dias depois de fazer a pesquisa para o Latinobarômetro, o Ibope voltou a campo e encontrou apenas 45% de brasileiros aprovando o governo Dilma.

Desde então, a presidente recuperou um terço da popularidade perdida com os protestos. Mas a taxa de aprovação do seu governo ainda está pouco abaixo de onde estava na véspera de as pessoas irem às ruas: bateu em 53% em outubro, segundo o Ibope, contra 56% quando o Latinobarômetro foi a campo. O otimismo é bem menor do que no final do governo Lula e no começo da gestão de Dilma.

Em 2009 e 2010, Lula era o governante mais aprovado da América Latina. Alcançou aprovação de 85% e 87%, respectivamente. Dilma beneficiou-se dessa inércia, mas o capital popular deixado pelo padrinho vem se desgastando à medida que mais brasileiros passam a ver o país sem progresso.

Pesquisas feitas entre agosto e outubro mostram que nas capitais e maiores cidades, principalmente do Sudeste, o descontentamento com o governo Dilma permanece alto, apesar de ela ter recuperado popularidade no interior do país e no Nordeste.

O comando da campanha da presidente tem buscado garantir o apoio de quem já é simpatizante de Dilma. Daí a prioridade para atividades presidenciais em cidades do interior e suas entrevistas para rádios locais e regionais. O alcance dessa tática tem se mostrado limitado – insuficiente para ela superar o teto de 38% de ótimo/bom e os 53% de aprovação.

Uma possível explicação para esse limite ao crescimento da popularidade de Dilma é que a confiança do consumidor continua andando de lado desde junho. O consumo de massa foi o motor que fez a aprovação de Lula disparar e elegeu Dilma.

Não é coincidência que a popularidade presidencial tenha caído justamente quando a confiança do consumidor se viu abalada. Tampouco é acaso que nenhuma das duas taxas tenha se recuperado desde então. O clima de opinião é desfavorável.

Os protestos viraram desordem. Perderam volume e apoio, mas ganharam frequência e incômodo. Já o progresso econômico, aos olhos de quem compra, se não regrediu, parou. E, com ele, a popularidade presidencial.

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“Dilma vai ganhar no primeiro turno porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Vão se comer lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo”. O momento pitonisa foi de João Santana, o marqueteiro de Lula e Dilma Rousseff, para a revista Época, pouco antes de a chapa “EduMarina” ser anunciada.

Apesar de fazer previsões, Santana não tem bola de cristal. Nem ele nem ninguém anteviu que Eduardo Campos levaria Marina Silva para o seu PSB. O governador pernambucano cevou a adversária com discrição, para só dar a fisgada na última hora. Pegou-a pela fígado: ofereceu-lhe uma boa chance de vingar-se do PT, de Lula e de Dilma sem perder a pose nem o discurso – só a autonomia.

Os ditos anões não se comeram, se somaram. O resultado da operação é imprevisível. Pode ser uma potência ou uma subtração. Tudo depende de como o eleitor vai perceber a fusão. Se Marina potencializar Eduardo, a candidatura de Aécio Neves (PSDB) perde estatura. Mas Dilma ganhará um problema. Mais um, diga-se, se o marqueteiro traduziu bem o estado de espírito presidencial.

O que mais chama a atenção na frase de Santana não é verbo nem substantivo, mas o adjetivo com que descreveu Dilma. O Houaiss define “sobranceira”: “que encara as pessoas com superioridade; arrogante”. Não há melhor receita para a autofagia dos gigantes.

Por que tamanha sobrançaria?

Enquanto Marina se enredava num drama existencial-partidário, Dilma acelerava a campanha eleitoral. Literalmente. A presidente doou 7.326 máquinas pesadas para quatro de cada cinco prefeituras do Brasil. Mais de 6 mil foram entregues este ano. Há outras 11 mil para ela entregar antes da eleição. Tenta tratorar a oposição.

A ação eleitoral não se limita a dar retroescavadeiras (4,5 mil) e motoniveladoras (2 mil). A campanha de Dilma reorientou a estratégia de comunicação para desnivelar ainda mais o jogo. Sua prioridade se voltou para veículos regionais e locais. Metade das entrevistas exclusivas que Dilma deu a rádios desde que tomou posse ocorreram após sua popularidade despencar em julho.

Na sexta-feira, a presidente foi ao interior do Paraná. Falou só às rádios Musical FM e Maringá FM. A locutora sintetizou o que seria a entrevista: “Estamos em rede para Campo Mourão, Maringá e todos os municípios do noroeste do Paraná. Vamos falar com exclusividade com a presidenta Dilma Rousseff, que veio ao Paraná para a entrega de obras e anúncio de investimentos”.

Não deu outra. Dilma despejou cifras e siglas, bilhões para cá e para lá. Anunciou tratores para 92% das cidades paranaenses. “São 367 municípios que vão receber esse kit de motoniveladora, retroescavadeira e caminhão-caçamba”, declamou a presidente. Dois dias antes, repetira a fórmula com as rádios Nordeste Evangélica AM e 96 FM, do Rio Grande do Norte.

Dilma interiorizou a campanha eleitoral. Voltou-se para onde mantém popularidade mais alta – lugares cujas ruas não foram tomadas por manifestantes em junho. Às rádios potiguares, ela foi explícita: “Uma das melhores iniciativas que tivemos foi a interiorização tanto dos cursos técnicos como das universidades, das faculdades criando campus (sic) no interior do Brasil”.

É para o interior que vão também mais médicos e casas dos programas federais. Esse é o contexto da aliança de Dilma com a “agrogirl” Katia Abreu (TO). Eleita pela oposição, a senadora saiu do DEM para o PSD e agora filiou-se ao PMDB, levando a bancada ruralista cada vez mais para perto do governo.

Some-se a recuperação de parte da popularidade perdida, a liderança nas pesquisas eleitorais e a previsão de ter mais tempo de propaganda na TV do que teve em 2010 e vê-se de onde vem o “sobranceira” atribuído a Dilma por seu marqueteiro. O futuro parece definido. Só falta combinar com anões e eleitores.

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A estabilidade da confiança do consumidor, medida pelo INEC da CNI/Ibope, explica porque a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) parou de crescer. Há quatro meses que o índice Nacional de Expectativa do Consumidor oscila em torno de 110. O de setembro ficou em 110,1. Em agosto, havia sido de 110,3.

Não por coincidência, desde 9 de agosto que a aprovação presidencial patina no mesmo patamar. Dilma recuperou um terço da popularidade perdida após os protestos de junho e ficou por aí. O INEC ajuda a explicar esse teto: sem aumento de confiança, o consumidor-eleitor tende a desconfiar também dos governantes.

Nenhum indicador guarda correlação mais forte com a popularidade presidencial do que a confiança do consumidor. Quando um sobe, o outro tende a subir – e vice-versa. O consumidor-eleitor considera o governante o principal responsável pelo que acontece com seu bolso. E avalia-o por isso. Tanto é assim que a economia definiu as últimas cinco eleições presidenciais no Brasil.

As oscilações da economia nos últimos meses – às vezes apontando para uma retomada do crescimento, às vezes indicando estagnação – deixam o consumidor mais cauteloso. Em setembro, ele se mostrou ligeiramente mais temeroso com o que pode acontecer com seu emprego e com a inflação – embora tenha um pouco mais de esperança de ver sua situação financeira melhorar em breve.

O INEC sinaliza que o pequeno saldo positivo de Dilma (15 pontos a mais de ótimo/bom do que de ruim/péssimo) não deve aumentar – ao menos enquanto o movimento dos indicadores econômicos continuar errático. O otimismo do eleitor-consumidor depende de um período mais longo de estabilidade com crescimento.

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