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Obesidade infantil pode começar na montagem errada da lancheira escolar

Ana Paula Scinocca

04 junho 2014 | 08:00

A obesidade infantil é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada três crianças sofre com a doença. O quadro reforça a necessidade de cuidar da alimentação dos pequenos em todas as refeições. A nutricionista Patrícia Zamberlan, mestre em Ciências pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP, alerta que um dos principais erros dos pais é a montagem da lancheira escolar.

“Os pais costumam fazer lancheiras muito robustas, o que pode atrapalhar o almoço, no caso das crianças que estudam pela manhã, e o jantar, no caso dos alunos que frequentam a escola na parte da tarde. É preciso prestar atenção na qualidade e na quantidade dos alimentos oferecidos”, adverte.

Para Patrícia, a lancheira ideal deve conter um carboidrato, para dar energia para as crianças,  uma fruta e uma proteína. Na hora da escolha do suco, segundo ela, é interessante dar preferência ao natural.  ”O ideal do sucos naturais é que sejam consumidos imediatamente após o preparo para evitar a oxidação das vitaminas. Mas pela falta de praticidade é comum acabarmos recorrendo aos sucos de caixinha. Neste caso, é melhor procurar aqueles sem açúcar e com acréscimo de ingredientes que possam complementar a alimentação”, afirma.

Entre as proteínas, uma das mais indicadas, segundo ela, é o polenguinho. “O iogurte também é uma boa opção, mas é preciso ter cuidado para que não estrague. A lancheira tem de ser térmica e é importante observar quanto tempo o produto ficará guardado até ser consumido.”

Ensinar a criança a gostar de tomate cereja, cenoura em palito e pepino, também em palito, é um bom caminho a ser seguido, segundo a especialista. “São pouco calóricos e ricos do ponto de vista nutricional.”

Na luta contra a obesidade infantil, a nutricionista afirma que o comportamento dos país é fundamental. “Como você vai ensinar seu filho a comer direito se ele acompanha e percebe que você se alimenta mal?”

Outro erro, segundo Patrícia, é oferecer balas e outras guloseimas como prêmio para as crianças. “Se você fizer isso direito a mamãe vai te dar uma bala. Hábitos como esse são extremamente prejudiciais”, alerta.

Para Patrícia, o ideal é evitar os extremos. “Não precisa querer que a criança só coma brócolis. Mas também não precisa oferecer bobagens para compensar frustrações ou premiar comportamentos”, ensina. “O segredo é evitar ter guloseimas em casa e deixar para ofertá-las apenas aos finais de semana. Mas não se pode ser muito proibitiva porque as crianças convivem entre si e acabam conhecendo as guloseimas pelos amigos. Por isso, a orientação em casa é fundamental”, anota.

“Não sou a favor do radicalismo. Uma vez ou outra pode levar uma bolachinha recheada”, afirma Patrícia.

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Preocupadas com o aumento da obesidade infantil, muitas escolas, em diferentes Estados do País, estão procurando acabar com as lancheiras trazidas de casa. Em vários colégios, os pais pagam uma taxa e o lanche, e até almoço ou jantar, é oferecido pelo próprio estabelecimento. Tudo com o acompanhamento de uma nutricionista. Os educadores entendem que assim os riscos de adesão às guloseimas ficam reduzidos e o lanche igual para todos.

Em Brasília, a blogueira Iza Garcia transformou uma dificuldade em uma oportunidade. “Minha filha Bruna (3 anos) sempre foi muito seletiva com os alimentos. Passei, então, a enfeitar a lancheira e a compartilhar as fotos nas redes sociais. As amigas começaram a pedir que eu montasse também a lancheira das filhas delas”, conta. Nascia, assim, a empresa Papa Tudo. Com apenas três meses, já tem uma boa cartela de clientes e conta com a consultoria de uma nutricionista. As lancheiras são divertidas e entregues em escolas da capital federal. “Ajudamos a mãe que não tem muito tempo e ensinamos as crianças para que comam melhor”, diz Iza.