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Vias Alterlatinas

Estive no final de abril participando de mais uma etapa do Diálogos para periodistas, promovido  pela YPIS- Instituto Prensa y Sociedad y CDKN e mais parceiros, em Bogotá, Colombia.Dedicarei outro post para contar dos temas do curso que foi mais uma vez de muito aprendizado.

Aproveitei minha estadia na cidade para entrevistar um dos consultores mais solicitados para temas de mobilidade urbana e ex-prefeito da capital colombiana, Enrique Peñalosa.

Ja tinha visto uma palestra dele no Rio de Janeiro falando sobre o tema.E também gentilmente atendeu a uma entrevista nos estúdios da Radio Eldorado.Confesso que a primeira vez que ouvi o seu raciocínio, com palavras muito bem escolhidas e que sempre causa impacto a quem o assiste a primeira vez, fiquei com aquilo na cabeça: “O primeiro artigo da constituição de quase todos os países, diz que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Se isso é correto, um ônibus com 80 passageiros tem o direito a 80 vezes mais espaço na via que o carro com um passageiro. Isso é democracia.”

Falamos sobre mobilidade, democracia, bom uso do espaço público e ciclovias.  Onde fica bem claro, a mobilidade é um tema político.

Paulina Chamorro – Bogotá apresenta seu plano de expansão  da cidade para 12 anos. Quais seriam os desafios e pra onde podem crescer as cidades?

Enrique Peñalosa - As cidades geralmente cometem o  erro grave  de não  antecipar o  crescimento que vão ter e por isso têm problemas tão grandes.  A cidade de São Paulo, tem o grave problema da falta de parques. Imaginemos que  São Paulo tivesse  parques lineares que travessassem a cidade de lado  a lado, como se fossem 20 Parques do Ibirapuera no caminho. Isto teria sido muito simples e barato  se tivesse sido planejado  com antecedência. Existem pessoas ingênuas, que sonham  que o  bonito  é que as cidades não  cresçam, mas infelizmente vão  crescer muito e se adensar.

Bogotá tem uma das maiores densidades do mundo, com cerca de 200 habitantes por hectare. Está entre as cinco cidades mais densas do mundo, não pode se adensar mais.E Bogotá tem problemas parecidos com São Paulo, porque tem falta de parques.

As cidades crescem, como  São Paulo e Bogotá, não somente porque aumenta a população, mas aumenta o  número de lares e mais importante  ainda é que os lares são cada vez menores.

À medida que são mais ricas as cidades, há demanda por mais edificações por pessoa. Porque numa cidade pobre existem apenas algumas casas de moradia e algumas estruturas do  governo, igrejas, prefeitura, escolas, etc. Uma cidade mais rica precisa de mais estrutura: são mais escritórios, universidades, empresas, restaurantes, cinemas, galpões…

À medida que a sociedade enriquece são necessários mais metros quadrados de cidade por pessoa.

O que eu acredito é que para antecipamos o crescimento o governo ou a prefeitura deveria comprar a terra no entorno das cidades. Por exemplo, fiz algumas contas: aqui em Bogotá querem fazer uma linha do  metro. O que acho bom, obviamente fazer metro é bom. Mas o sistema tipo de BRT, ônibus rápido com linha exclusiva, como o Transmilenio (sistema semelhante ao instalado em Curitiba e símbolo  da gestão de Peñalosa como prefeito de Bogotá) mobilizam quase o mesmo número de pessoas que o metrô.

Em São Paulo o quilômetro custa 250 milhões de dólares. Custa em Bogotá para fazer 27 ou  30  km de linha, (que não  mudaria nada, porque levaria o  4 % da população), sete mil milhões de dólares.Com este dinheiro se poderia comprar duas vezes a terra que é necessária para expandir Bogotá e todas as cidades colombianas.

Para onde devem crescer as cidades? Isto é o mais importante para o meio ambiente.

Hoje a metade do que é Bogotá surgiu de maneira ilegal. E continua crescendo de maneira ilegal, onde não pode expandir.Por exemplo, Bogotá tem milhares de hectares em áreas planas e apesar disso  20% da população de Bogotá tem ido para bairros ilegais, muito  altos, nas montanhas, obviamente sem parques e espaços públicos e onde o custo de energia e com o aquecimento  global será maior.  Não  dá  para chegar de bicicleta ou levar o  transporte pra lá por ser muito inclinado e porque vai  gerar um custo  alto de combustível.

Portanto, se a cidade cresce bem planejada e antecipamos o crescimento, teremos uma cidade ambientalmente ótima.

PC- Em São Paulo tivemos um boom imobiliário. E uma tendência à expansão vertical, onde na maioria das vezes o entorno do  prédio  ou centro  comercial não é pensado. O que você acha disso?  

EP- São Paulo cresce e vai  continuar crescendo  porque se precisa de mais cinemas, bairros, estruturas. O Estado devia ter antecipado o crescimento e ter comprado  terras para moradias,  ou pelo menos  terra para parques, para parques lineares. Ainda é possível  que o  Estado  intervenha derrubando  partes da cidade, fazendo  desapropriações para fazer  parques lineares e vias.

Quando fazemos as cidades o que estamos desenhando é uma forma de viver.  Não  tem nada mais importante do que planejar bem as cidades, porque isso  possibilita a vida seja mais feliz, inclusive pode ser mais importante que o dinheiro.

Uma cidade bem planejada pode ser mais feliz que a cidade com mais ingresso de dinheiro.

A mobilidade  em São Paulo: é bom que existam em edifício. Eu diria o  seguinte: mais importante que discussão  sobre a altura é o que é o que acontece quando os prédios chegam  ao chão: melhorar o  espaço  dos pedestres. Ou seja, depois dos edifícios o entorno se torna é agradável,  é mais fácil passear, caminhar, conversar, beijar por ai? Tem um espaço de convivência ou tem uma parede feia, uma área de estacionamento?

O importante quando se faz um prédio novo  é que melhore o espaço  púbico  da cidade logo  na frente dele… tenha ele 5, 10, 20  andares.Aliás, essa é uma discussão interessante, mas não  a mais importante.

E eles (os prédios) não geram congestionamentos, pelo contrário.Os prédios altos fazem possível duas coisas: em primeiro lugar faz com que seja possível  que as pessoas trabalhem perto de onde moram. Ou seja, se não são  permitidos os prédios altos, as pessoas terão que procurar outros lugares mais distantes para morar, gerando assim congestionamentos. Em segundo lugar, quando  há um adensamento como  São Paulo, prédios altos fazem com que se transforme  mais eficiente o sistema de transporte de massa, onde funcione melhor também a bicicleta.

Mesmo  numa cidade como  São  Paulo, tão grande, estudos mostram que a metade da população  vive a menos de cinco quilômetros do trabalho. Portanto  seria muito  bom fazer o  trajeto  de bicicleta, se houvessem calçadas boas e  ciclovias boas, protegidas.

O problema da mobilidade não  é técnico, é político. Para constatar isso não  é necessário um PHD da USP. Uma criança de 13 anos  percebe que a forma mais eficiente de usar um espaço viário  escasso é com vias exclusivas para ônibus.

Os sistemas de trens são muito caros. São Paulo gastou milhões e milhões de dólares  nos metrôs. E está bem, são bonitos e eficientes, mas enterrar os usuários  do transporte público não me parece muito democrático.Além disso, é preciso  dar aos usuários a superfície.

Eu vejo, por exemplo, aquela via enorme que te leva para o aeroporto de Guarulhos (Marginal Tietê e Rodovia Ayrton Senna). Não tem vias exclusivas para ônibus! Isso não é democrático ou técnico, é absurdo!

Democracia não quer dizer apenas que a pessoa possa votar.

No primeiro artigo  da constituição brasileira (não conheço, mas tenho certeza que deve ser igual a todos),  diz que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Se isso é correto, um ônibus  com 80  passageiros tem o direito  a 80 vezes mais espaço na via que o carro com um passageiro. Isso é democracia.

As injustiças às vezes a gente tem na nossa frente e não  vemos. Por exemplo, há 80 anos as mulheres não podiam votar no Brasil e parecia normal na época. Hoje ter um ônibus  numa via com engarrafamento, sem vias exclusivas, é tão  absurdo  como  não  permitir que as mulheres não  votem.

Se disponibilizarmos vias exclusivas aos ônibus em todos os lugares, obviamente melhorando os sistemas (São a Paulo em alguns casos tem vias exclusivas, mas não  tem pontos para carregar o bilhete, tem problemas no atendimento ) podem resolver a mobilidade em todos os lados.

Dizem que a maioria possui carros em São Paulo, mas a realidade é que muitas pessoas, as que são  menos importantes nas empresas, não a podem ir de carro pro trabalho. Pois no  trabalho só existe estacionamento para os carros dos mais poderosos.

Os outros funcionários podem ter carro, mas não podem ir ao trabalho de carro, porque não  tem lugar para estacionar.

O tema da mobilidade, insisto, é um tema político, não técnico. Ou talvez um pouco técnico  sim, mas tem a ver com interesses políticos.E São Paulo tem uma figura terrível, que são aqueles senhores circulando de helicóptero  por toda a cidade. Isto é um símbolo terrível de exclusão.Nas cidades civilizadas, mais avançadas, os milionários na Suíça ou na Holanda  (que provavelmente são mais ricos que  esses de São Paulo) vão  de bicicleta ou de ônibus, ou de metrô para o trabalho.

Eu acho que São Paulo é maravilhosa, mas precisa de uns acertos.

PC- Tomando o gancho da vontade política, no seu caso  quando foi prefeito de Bogotá teve dois símbolos de sua gestão: Transmilenio e ciclovias. Em São  Paulo estamos quase num momento de guerra urbana, por conta do uso da bicicleta.Queria que você contasse o foi feito para implantar as ciclovias em Bogotá.

EP- Em Bogotá fizemos ciclovias primeiro que em qualquer pais nas Américas, que em Paris, que na Espanha…

Hoje estamos parados, mas  fizemos quase 500  km de ciclovias protegidas, fisicamente protegidas.

Em 12 anos passamos de zero ciclistas para 6% de ciclistas. O que é interessante porque 19% da população se movimenta em carros e 6% em bicicleta. O que dá mais menos que de cada três carros uma pessoa se mobiliza de bicicleta.

Eu acredito  que os que cidadãos que se movimentam no transporte público e os que andam de bicicleta são heróis que estão fazendo uma contribuição para a  sociedade, diminuindo a poluição e congestionamentos e deveriam ser tratados como heróis, se transformando em  prioridade na cidade. Ou seja, dar prioridade ao ônibus em vias exclusivas, dar prioridade aos pedestres e aos ciclistas.

Mas a pergunta que fica é sempre esta: a ciclovia é um detalhe  arquitetônico simpática ou é um direito?Eu penso que é um direito, porque de outra forma, somente quem usa carro  tem direito  de se locomover na via sem morrer.Então, é importante ter claro que o recurso mais valioso para qualquer cidade é o espaço viário. O espaço entre os edifícios.

Como se divide este espaço entre pedestres, nas calçadas, ciclovias, transporte publico com ônibus e os carros? Isto é uma decisão política.Eu penso que hoje entendemos que ter calçada em todas as ruas, é obrigatório, é um direito. Mais além, num país civilizado se alguém é atropelado  numa via sem calçada, certamente este cidadão irá processar o  estado e ganhará, porque a obrigação  do  Estado  é  lhe dar calçadas. Mas eu também acho que é dever do  estado  dar ao cidadão ciclovias, porque não  só os cidadãos pobres andam em bicicleta. Uma criança de 14 anos, por exemplo, a única mobilidade individual que tem é a bicicleta. E ele tem tanto direito  ao espaço público quanto  quem tem carro.

Em quase todas as cidades do mundo  dão mais espaço nas ruas para o estacionamento dos carros que aos pedestres e bicicletas. Por quê? Quem votou, quem decidiu isto?

E as ciclovias tem que ser nas  estradas, nas vias principais sim. Porque muitas vezes se confunde que a bicicleta é um meio para o lazer.

A bicicleta é um meio de transporte tão legitimo como o carro e o metro, então também têm que ir pelo caminho mais curto.  E obviamente em todas as ruas menores também. Mas tem que ter outros esquemas também, como  estacionamento de bicicletas nos prédios, nas estações de trens e metros, que permitam que as bikes entrem nos elevadores…

Claramente uma boa cidade deve ter uma boa calçada, ampla, que caibam duas cadeiras de rodas, uma junto  a outra, uma ciclovia ampla e segura em todas as partes e permanente, não  só para o  final de semana.  Aqui em Bogotá aos finais de semana estamos fazendo uns testes interessantes, que é fechar 100 quilômetros vias principais, mas isso se fez de maneira tímida em São Paulo.

Quando  fui  prefeito  fiz 70  km de vias só para bicicletas, vias 15 metros de largura, que cruzam a cidade de norte a sul, sem carros. Este é um conceito diferente do que vias só para pedestres.

Eu penso que a cidade do futuro deve ter milhares de quilômetros de ciclovias. Temos que pensar em cidades diferentes, onde as crianças possam sair às ruas e não se sintam ameaçadas.

Hoje se você disser para uma criança: cuidado com o carro, a criança vai pular assustada.Porque são dezenas de milhares de crianças atropeladas todo ano por um carro.Em Colômbia a principal causa da morte de crianças com menos de 14 anos é atropelamento. Mas o mais assustador não é que isso aconteça, mas que nos pareça normal.

Outras pessoas muito vulneráveis aos carros são os idosos. Porque já não são tão ágeis e não  são rápidos e não podem atravessar rápido.Isso  não  é normal, viver ameaçado de morte. Então penso que é possível desenhar cidades melhores e diferentes e claramente acho que cada vez mais é necessário tirar o  espaço dos carros e abrir espaço para ciclovias e para o transporte público aos pedestres. E acho que a tendência no mundo será cobrar mais e mais pelo uso do carro.

Em São Paulo e Bogotá temos rodízio, mas melhor do que o rodízio  é cobrar pelo uso  do  carro. Mais pelo  estacionamento  ou o ideal pelo uso da via publica, como  em Londres. Cobrar mais alto pela gasolina.

E com este dinheiro subsidiar um transporte público com mais qualidade, mais limpo e mais eficiente.

Assista aqui Peñalosa com David Byrne, ex-vocalista de Talkings Heads e cicloativista ( Ator do ótimo ‘Diários de Bicicleta’) numa volta de bike

 

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EMANUEL BOMFIM, PAULINA CHAMORRO – O Estado de S.Paulo

OUÇA a entrevista com o  simpático Jorge Drexler !

E olhem eu aqui toda fã, entrevistando o prório, na última visita do  cantautor ao Brasil.

 

Não fosse pelo espanhol de seus versos, o uruguaio Jorge Drexler poderia muito bem ser enquadrado como um artista da MPB. Seu conhecimento sobre a genealogia da nossa música é extensivo e profundo: vai de Villa Lobos a Marcelo Camelo. Não bastasse a imersão histórica, também absorvida na linguagem de sua produção, o vencedor do Oscar por Al Outro Lado Del Rio transita com facilidade por aqui. Uma amizade com Moska que abriu múltiplas portas e rendeu parcerias.

Sem lançar discos desde 2010, o músico – que fala um português impecável – se dedicou nos últimos anos a projetos multidisciplinares, incluindo a atuação no novo filme de Daniel Burman e o lançamento de aplicativo musical para smartphones e tablets. No próximo mês, ele volta ao Brasil para apresentar show da turnê Mundo Abisal em algumas capitais, mais um motivo para engatar uma simpática conversa com o Estado. Abaixo, os principais trechos:

Resistência ao idioma. A diferença linguística é essencial para entender essa situação. O Brasil é um país enorme, que dada a sua originalidade linguística, quase não precisa de uma indústria estrangeira para abastecê-lo. Ele é autossuficiente culturalmente. É natural que se ouça a própria música, sem levar em conta o altíssimo nível da música produzida por aí. Acho, no entanto, que isso está mudando agora, porque o grande referencial do Brasil, os Estados Unidos, estão sendo conquistados pela língua espanhola. Através dele, paradoxalmente, a língua espanhola está entrando mais no Brasil.

Aplicativo. Neste meu projeto, de nome N, a tecnologia é só um meio. A finalidade é poética: quero investigar as possibilidades combinatórias dos textos nas canções. E, assim, entregar ao ouvinte a chance de modificá-las. Talvez tenha uma herança da poesia concreta brasileira ao experimentar com as diferentes funções da palavra. Tem vários exemplos na música brasileira, como Construção, de Chico Buarque, ou mesmo Zera Reza, de Caetano Veloso, que serviram de inspiração. Estatisticamente é quase impossível que duas pessoas façam a mesma versão. Você pega as palavras e muda de lugar e todas as histórias fazem sentido. Foi um ano e meio dedicado a isso…

Admiração pelos setentões. Eu acho Caetano o artista mais importante do terceiro mundo, assim como o Chico Buarque é o letrista mais impressionante das línguas latinas. Construção me influenciou muito neste último projeto. É uma canção combinatória também: “Amou daquela vez com se fosse a última, beijou sua mulher como se fosse a única”. Depois ele muda: “Amou daquele vez como se fosse o último”. Chico vai mudando e fazendo diferentes combinações da história. Você tem a mesma trama, com vários pontos de vista.

Profissão: ator. Estou muito orgulhoso dessa loucura (atuar no longa A Sorte em tuas Mãos). O Daniel Burman, diretor, me falou no começo: ‘Estou escrevendo um personagem que é a sua cara’. Tomei aquilo como um elogio, não como um convite. Ele teve de ser mais claro: ‘Não, você não entende, eu vejo você fazendo este personagem’. Respondi: ‘Daniel você tá louco, a gente é muito amigo… Pra que arruinar uma amizade tão linda?’ Mas ele insistiu e veio até Madrid para me convencer. Diante daquele roteiro, pensei: ‘Eu tenho medo, mas não posso deixar passar essa oportunidade de trabalhar com um diretor que admiro, que é um bom amigo, e que traz um baita personagem pra mim’. No final, foi uma experiência maravilhosa. (filme está previsto para estrear em junho no Brasil)

Requisitado no mundo latino. Estou sempre recebendo convites, mas não é sempre que participo. Só faço se gosto muito. Eu acho, por exemplo, a Ana Tijoux uma das melhores artistas de língua espanhola. Talvez a minha favorita. Não sou muito original, porque o Thom Yorke, do Radiohead, já falou maravilhas dela. Mas eu gostava antes! (risos). A Natalia Lafourcade é uma artista importantíssima no México e fez um disco dos meus compositores favoritos (Agustín Lara). Eu gostava dele mesmo antes do Caetano gravar Maria Bonita. Meu gosto concorda com o de artistas que eu admiro… Por falar nisso, também tive o privilégio de participar no disco em homenagem aos 70 anos de Caetano Veloso. Gravei uma versão cumbia de Fora da Ordem. Acho que ele gostou, mas não sei se ele disse por formalidade ou se gostou mesmo, até porque ficou muito louca

Disco novo. Eu estou pensando num trabalho de estúdio agora. Passei os últimos dois anos fazendo coisas inéditas em minha carreira: ator num filme, aplicativo com canções combinatórias, escrevi uma obra para o balé de Julio Bocca, em Montevidéu, e agora quero fazer canções normais.

Shows no Brasil. É uma apresentação minimalista (a que fará no Bourbon). Tem dois músicos que intercalam pequenos instrumentos eletrônicos e acústicos. Há, ainda, um trabalho especial com as luzes e a cenografia.

 

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foto Divulgação

Neste domingo, dia 17, depois de três anos da incrível apresentação no  Bridgestone Music Festival, o sexteto de jazz Escalandrum volta à São Paulo para o festival Caros Hermanos, no SESC Vila Mariana.

Liderado pelo neto de Astor Piazolla, Daniel ‘Pipi’ Piazolla, o sexteto de jazz tem o mérito e o sobrenome para transformar a incomparável sonoridade de “el Loco” Piazolla.

Conversei com Daniel esta semana, para o programa Estadão Noite, da Radio Estadão, juntamente com o apresentador e fiel escudeiro para sons latinos, Emanuel Bomfim.

‘Pipi’ falou sobre o peso de carregar Piazolla no sobrenome, missão que leva com a maior alegria e orgulho.

A imersão do Escalandrum no universo do avô de Daniel se deu em 2010 e resultou no incrível disco ‘Piazolla plays Piazolla’, com indicação ao Latin Grammy. Sobre transformar em jazz músicas como ‘Adiós Nonino’ e outros clássicos de Astor, ‘Pipi’ afirma que a música do seu avô sempre foi popular, uma premissa que Astor sempre defendia. As versões do sexteto na verdade são novas músicas, onde o acórdeon não entra.
A surpresa do novo já começa por ai.

Em tempo: Escalandrum é o nome de tubarão. E a pesca é um prazer de avô, pai e filho Piazolla, por isso a homenagem em forma de nome do sexteto.

Imperdível!

Aqui a versão de Escalandrum para Adiós Nonino, durante o Bridgestone Music Festival, em 2010, São Paulo

E aqui, Astor Piazolla em ação com Yo Yo Ma, em Libertango

Vou parar por aqui porque sou admiradora de Astor Piazolla e toda sua liberdade musical. Foi tão difícil escolher um vídeo para colocara aqui…  E você, consegue definir que som de Astor mais gosta?

 

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Esta semana começou o Projeto Caros Hermanos, no Sesc Vila Mariana, que traz nomes da cena musical argentina para São Paulo.
Nas Rádios do Grupo Estado, Radio Eldorado e Rádio Estadão tive o prazer de receber o “cantautor” Kevin Johansen para entrevistas.

Ouça como foi na Eldorado aqui

 

Kevin Johansen no estúdio da Rádio Eldorado.

A Eldorado é uma das poucas emissoras no Brasil que toca Kevin Johansen, e eu sou fã a um tempo deste plural artista, que escreve letras intensas, ironicas, alegres, folclóricas e mais um sem fim de definições. Em off ele me contou de uma reportagem que saiu na imprensa espanhola, onde no anseio de colocá-lo num rótulo, acabou saindo que era sem gênero, portanto “degenerado”. Esta é uma das definições que Kevin mais gosta. Não sem antes dar uma bela gargalhada.

Na ultima quarta -feira, antecedendo seus show no Sesc Vila Mariana (com ingressos  esgotadíssimos), saiu uma matéria no O Estado de São Paulo sobre seu mais recente disco, BI. Por conta da chuva e da falta de luz na Vila Mariana na última sexta-feira, o segundo show do artista teve que ser cancelado.  E Kevin se mandou no final de semana para  Buenos Aires, para organizar neste domingo dia 10, mais uma edição do seu Festival El Vecinal  (A Vizinhança), onde convida a vários grupos de países vizinhos para somar na música.

Aliás, este é um grande papel para ele: somar e misturar.

No final da matéria, confira ainda o vídeo de Modern Love, canção chiclete dos ano 80, que Kevin Johansen transformou em folk.

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Cosmopolita

Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro

Nascido no Alasca e radicado na Argentina, Kevin Johansen lança CD que dialoga com clássicos do rock e brasileiros

Antes chamariz, símbolo de vigor autoral, o disco duplo parece nascer derrotado. Em tempos de single no Soundcloud, clipe no YouTube e da estratégia de divulgação pulverizada, como acreditar no sucesso de uma obra com quase duas horas de duração? Kevin Johansen não ligou para isso quando formatou Bi, álbum duplo com vinte seis canções. São treze em cada CD, divididas por balizas estéticas distintas – um é mais acústico e outro é mais roqueiro. Na sua mente, só pesou o fator artístico. Sobre a questão mercadológica, preferiu jogar a toalha. “O disco físico hoje é para poucos”, cravou, em entrevista por telefone. O músico se apresenta amanhã e sexta no projeto Caros Hermanos do Sesc Vila Mariana.

No Brasil, além da tiragem sem sobressaltos, ela surge incompleta. A Sony lançou uma versão condensada, num único CD, com quinze músicas. Kevin não se mostrou incomodado, preferiu valorizar o raro ingresso de um produto cultural argentino. “É uma linda carta de apresentação e até pode ser melhor digerida”, afirma o cantor nascido no Alasca e radicado em Buenos Aires. “Quando as pessoas gostam, elas investigam mais e vão buscar as outras músicas no iTunes e na Amazon”, acredita.

Apesar de Bi ser o primeiro trabalho de sua discografia a ganhar uma edição brasileira, o artista já transita por aqui há algum tempo. As parcerias com Moska e Vitor Ramil permitiram essa aproximação. Em seu novo registro, Daniela Mercury divide os vocais com ele na suingada Apocalypso. Moska, que conheceu por recomendação do uruguaio Jorge Drexler, está na melancólica Tan Fácil.

A formação cosmopolita permitiu que o milongueiro de veia roqueira não só compusesse um álbum em três línguas (espanhol, inglês e português) como garantiu um retrato fervilhante da atual cena latina. Nomes como Lila Downs e Natalia Lafourcade (México), Rubén Rada e Fernando Cabrera (Uruguai) e Lisandro Aristimuño (Argentina) são algumas das atrações que demonstram o poder agregador de Kevin.

No plano musical, ele buscou dar sentido ao Bi do titulo cruzando influencias distintas de sua carreira. Jogo ( Subtropicalia) é mais folclórico, recupera ritmos tradicionais argentinos que fluíam facilmente na voz de sua mãe: milongas, chacareras e tangos. É a faceta que também estabelece diálogos com a música brasileira, caso de Buenos Aires Rio, misto de bossa nova e tango . ä barreira entre Brasil e Argentina é estranha, porque estamos muito perto, mas muito longe.”

O segundo disco, Fogo (Pop Heart) , reúne elementos mais atuais na sonoridade do cantor, em especial o rock e o folk. Dois covers nada comuns integram este lote de canções: Modern Love ( de David Bowie e Everybody Knows ( de Leonard Cohen).”Quando vai se aproximar de uma musica muito conhecida, é interessante tirá-la de seu contexto original.É uma forma de construir a minha. Gostei da idéia de mexer coma velocidade de Modern Love, muito impregnada pelos anos 80.”

A mesma variação estilística dos arranjos é facilmente identificada na poética de Kevin Johansen, sempre disposta a desconstruir clichês e abusar da sátira em seus versos. “A ironia é como uma tristeza disfarçada, uma forma de rir para não chorar, e obriga as pessoas que estão escutando a uma segunda leitura, um convite a se aprofundar.”

 

 

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Aqui no Brasil são poucos os exemplos de consciência social, mobilização e ações que produzem rapidamente resultados concretos.

Já no Chile qualquer tipo de manifestação popular, qualquer mesmo, é levada a sério pelas autoridades, e não raro, cambian las cosas.

O mais recente movimento popular no Chile vem chamando a atenção tanto pela causa do pleito como pelo modo de protesto e os resultados já obtidos.

“No Al Proyecto Alto Maipo”, uma mobilização que vem crescendo no Facebook, pede transparência a contratos entre empresas de água e energia do Chile que podem afetar o abastecimento de Santiago e, o que é pior para os líderes do movimento, causar danos irreversíveis à bacia do Rio Maipo aos pés da Cordilheira dos Andes.

A denúncia nas mídias sociais fala de um acordo secreto entre a companhia privada Aguas Andinas e a AES Gener, outra empresa privada, do ramo da energia. Esse grupo deu início, há um ano, obras para a construção de uma hidrelétrica na área. Recentemente um fenômeno natural de desprendimeto de placas de terra e neve das montanhas, somadas a escavações próximas a Bacia do Maipo causaram um alagamento e o desabastecimento de quase 2 milhões de habitantes, afetando também a infraestrutura hidráulica dos afluentes do Maipo. Ah, e todo o sistema de tratamento de água que abastece boa parte da região metropolitana.

Um estrago e tanto, de consequências futuras imprevisíveis, que apenas com a mobilização da sociedade poderá encontrar um final diferente.

O No al Proyecto Alto Maipo do Facebook já ajudou a pressionar a justiça para que o contrato secreto entre as duas empresas seja revelado. Agora espera-se que o conhecimento dos interesses e projetos secretos gere uma discussão em torno da viabilidade ambiental e os benefícios/necessidades da construção de hidrelétricas conhecidas no Chile como Proyecto Alto Maipo.

Em tempos de protestos contra e a favor a Belo Monte, pela reconstrução da Região Serrana do Rio, da tragédia em Santa Catarina e os projetos de infraestrutura no Brasil, chama a atenção a força da ação popular no Chile, seus protagonistas e suas recentes conquistas que beneficiam a transparência para um debate mais amplo sobre as questões ambientais.

O Via Alterlatinas vai acompanhar os acontecimentos torcendo para que sirva de exemplo aos brasileiros que pedem maior participação da sociedade na gestão das coisas do País. E, claro, para que no Chile o Cajón del Maipo mantenha sua beleza intacta.

Para saber mais:

http://www.facebook.com/NoAlProyectoAltoMaipo

http://www.elciudadano.cl/2013/01/22/62916/el-turbio-acuerdo-entre-aguas-andinas-y-aes-gener/

http://www.riosdelmaipo.cl/2013/01/26/corte-de-apelaciones-por-unanimidad-falla-favor-nuestro-contrato-aguas-andinas-y-gener/

 

ALTO MAIPO

O Alto Maipo é uma região de rara beleza, com intensa atividade social e de importância ambiental para Santiago, a maior cidade do Chile. Fica ao Oriente de Santiago, pela rodovia Cajón del Maipo, que liga a cidade aos pés da imponente Cordilheira dos Andes. É o acesso mais belo a algumas das mais famosas Vinhas do Chile, bastante frequentado pelos chilenos que amam e desfrutam a natureza quase selvagem do lugar. Caminhadas nos Cerros mais próximos, passeios de bike, à cavalo, escoterismo, rafting ou simplesmente fazer um assado com a família apreciando o visual e a energia desse lugar são algumas atividades disponíveis a apenas 30 minutos do centro da cidade.

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Deixando  um pouco  a música latina de lado….vamos hablar de medio ambiente!
Em dezembro estive na Amazônia peruana ( Região de Madre de Dios, Puerto Maldonado), participando de uma espécie de curso,  chamado ‘Diálogo Amazónico para periodistas- Herramientas para el análisis del contexto amazônico’.
Com participação de profissionais dos países andinos-amazonicos  Perú, Bolívia, Equador e Colômbia, eu representava dois países : Brasil e Chile. Mas estava por lá pela minha atuação  no  Brasil como  profissional de comunicação, especializada em meio ambiente.
E o Chile, pois bem, é minha pátria mãe.
Mas vamos ao Diálogo em si, que achei extremamente produtiva e mesmo passado mais de um mês ainda estou  usando muito  material nos programas que apresento nas Radios Eldorado ( 107,3) e Estadão ( 92,9). Foi uma inicitiava do Instituto Prensa y Sociedad –IPYS, do Perú,  da CDKN- Alianza Clima y Desarrollo, USAID  del pueblo de los Estados Unidos de America , CSF  e ICAA- Iniciativa para la Conservación en la Amazónia Andina.
Instituições de comunicação e ONGs de meio ambiente, que estão  preocupadas de formar jornalistas com uma capacidade de entender as questões amazônicas com um olhar mais abrangente e transversal.
Bom, neste pots separei  uma entrevista que fiz com Yolanda Kakabadse,  ex-ministra de meio ambiente do Equador,  diretora para América Latina e Caribe da CDKN-Alianza Clima y Desarrollo e presidente da WWF internacional e ambientalista  importante  que há décadas ajuda na costura de  negociações em reuniões da ONU,
Uma mulher esclarecida e objetiva quando se trata de explicar o conceito de ajuda que o CDKN oferece: estudar, compreender e replicar informações ambientais, sempre de olho  na segurança alimentar, humana e energética.

foto:almamagazine.com

Ela costuma dizer que não há mudança climática, mas sim uma crise climática. E é este o gancho que uso para o começo de nossa conversa :
Paulina Chamorro: Por que prefere usar o termo crise climática, em vez de mudança climática.
Yolanda Kakabadse: Porque a palavra mudança remete a algo positivo. Não é uma palavra que vem como uma mensagem de alerta imediato, que as coisas estão mal.
Eu acredito que é uma dos problemas de porque o público não  entende porque estamos  tão  preocupados se estamos usando uma palavra positiva.
PC: Você nos disse que das várias interconexões que existem nas ações sobre a natureza, e que a crise climática trará problemas na saúde humana, principalmente nos mais pobres. Qual foi o método que a CDKN descobriu para chegar a estas interconexões.
YK: Nosso trabalho é nos aproximarmos aos centros acadêmicos, governos, centros especializado de trabalho, recolher a informação existente e procurar se existe ou não uma causa e efeito no  uso  dos recursos naturais, renováveis e não  renováveis, tendo  presente o tema da segurança alimentar.
Queremos nos concentrar na segurança humana, ou seja, saúde, segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. Que acredito que sejam as mais importantes. Se encontrarmos suficiente informação que sustente nossa hipótese de que o mau uso  dos recursos é uma ameaça a segurança regional de América do sul, então  vamos  fazer propostas aos países amazônicos, para definir política públicas que possam reduzir os impactos, melhorando a situação  da região ou aprimorar a prevenção.
PC: Em muitos países, principalmente na América do sul, quem tem maior poder de consumo, são os que também têm acesso a informações. E é sabido que quem mais sofre com a crise climática são os mais pobres. Que sugestões você pode dar para a imprensa  para melhorar esta situação?
YK: Devemos evidenciar os grupos  mais vulneráveis. Num centro urbano são os bairros marginais, que geralmente estão em áreas onde não há verde, onde há enchentes, trombas d´água e não tem serviços médicos. Estes grupos marginais urbanos são muito importantes.
E também evidenciar populações mais afastadas dos centros de poder (as populações tradicionais).  Os governos não têm sido muito eficazes na descentralização da gestão política e é claro que as populações mais afastadas não estão fazendo parte no mapa política do país. E estas populações muitas vezes enfrentam dramas muito fortes que afetam sua economia, comportamento e qualidade de vida e cultura. Mas também devemos reconhecer que estas populações indígenas ou locais sempre se adaptaram à mudança. E muitas vezes eles têm mais sabedoria em como enfrentar as mudanças climáticas do que nós, ‘urbanos’. E temos que aprender com eles, por exemplo, sobre sistemas de irrigação e sistemas de coleta de água. Comunidades indígenas andinas têm uma sabedoria fantástica sobre estes temas.
PC: Os países andinos já sofrem com a falta de água e você associa com um futuro com sérios problemas para a saúde humana.  E não se tem feito muita coisa no sentido da prevenção.  Também lembra que as Nações Unidas assumiram que a paz mundial está ameaçada pelas mudanças climáticas. Ou seja, como estas urgências ainda acredita que dá tempo de fazer alguma coisa para amenizar as mudanças climáticas?
YK: Eu acredito que sempre devemos ser otimistas em reconhecer que nós temos uma responsabilidade em agir. Se pensarmos que é muito tarde, todo mundo ficaria de braços cruzados e não haveria mudança nenhuma. Acredito que é uma obrigação moral de nossas gerações. O importante é que as pessoas estejam informadas para saber como agir com estas mudanças. Alguns são irreversíveis, outros que vamos demorar mais de século para reverter, ou não são reversíveis. Mas devemos saber o que fazer, como agir, como nos adaptamos para estas mudanças climáticas e saber quais alternativas e oportunidades existem.
Por exemplo, pode ser que uma colheita de produtores tradicionais fique destruída, mas outras sementes que vem de outras latitudes podem ser mais efetivas neste ambiente, nesta nova condição climática.
Devemos que buscar outras possibilidades para ter outras soluções, para que não sejam sempre os mais pobres os que sofrem.
PC: Que percepção têm dos governos latino americanos com atitudes proativa ?
YK: Saber porque valorizam nosso projeto? Porque não chegamos com receitas, mas chegamos à autoridade responsável seja de El Salvador, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia e perguntamos: do quê precisa? Quais são os vácuos de informações que vocês têm que faltam para a tomada de decisões? Esta autoridade nos mostra sua agenda de necessidades e nós apontamos : “nisto podemos ajudar!”.
E esta ajuda é procurar informações essencialmente e preferencialmente nacionais. Se não há na América Latina, vamos a outros continentes, mas é importante fortalecer a capacidade de pesquisa de nossos países também. Às vezes está enterrada numa universidade… Então nosso trabalho é resgatar informações existentes, ou produzir informações que não  existem,  e apresentar à autoridades. Mas não  é um documento enorme e chato, mas uma espécie de resumo  para políticas públicas.
PC:Que países já tem adotado medidas  em termos de políticas públicas, que possam já  trabalhar com prevenção?
YK: América Central, definitivamente. Deterioração do  solo, destruição  de florestas, de bacias hidrográficas…. É uma região da America Latina tremendamente afetada por conta da superexploração dos recursos naturais. No caso de El Salvador, nosso interesse de trabalhar ali não é só porque tem bons tomadores de decisão, mas também para usar o efeito multiplicador de El Salvador nas demais nações centro-americanas.
O mesmo em Cartagena, na Colômbia. Se conseguimos mostrar que existem medidas eficientes para reduzir o impacto das mudanças climáticas, podemos usar os mesmos parâmetros em outras cidades costeiras.
Trabalhamos em Quito e La Paz, cidades de altitude, para criar modelos e descobrir como podemos multiplicar os efeitos positivos do projeto em outras cidades similares.
 
 

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Nos primeiros dias de janeiro saiu pelo jornal O Estado de S.Paulo mais uma entrevista/reportagem minha com Emanuel Bomfim sobre música latinoamericana. Desta vez sobre a carismática, inteligente e simpática mexicana Natalia Lafourcade. Ela fez um dos melhores discos de 2012, Mujer Divina. E bem no final, coloquei um video de uma gravação acústica de um tema deste disco para vocês curtirem!

Agustín Lara, a lenda mexicana, ganha tributo de Natalia Lafourcade

05 de janeiro de 2013 |

EMANUEL BOMFIM E PAULINA CHAMORRO, ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estado de S.Paulo

Dono de mais de 600 canções, Agustín Lara (1900 – 1970) foi o homem dos boleros e das mulheres. Não há mexicana que não tenha se rendido aos encantos do Flaco de Oro. Dezenas delas, as mais hermosas, tiveram o poeta em seus braços. Outras tantas, aos milhares, cultivaram suas paixões genuínas em devaneios romantizados. Natalia Lafourcade, um dos principais nomes da cena pop mexicana atual, é um dos casos de paixão tardia. Quando nasceu, em 1984, Agustín não era mais febre no rádio, mas sua reputação sempre fora exemplar, tanto na memória do povo quanto na voz dos artistas que se revezavam por múltiplas versões de clássicos como Solamente Una Vez.

Enquanto deu rumo a uma carreira de sucesso retumbante e projeção internacional, a partir do ano 2000, a pequena e charmosa Natalia jamais havia cogitado dar vez aos standarts de Agustín. Era o antigo que, aparentemente, não dialogava mais com tempos atuais. O panorama mudou em 2010, quando a maestrina Alondra de La Parra a convidou para cantar num concerto de celebração do bicentenário da independência do México. No repertório, a homenagem sinfônica abarcava autores da música tradicional mexicana, entre eles o saudado compositor. “Todo este evento me motivou a buscar a música de Agustín”, recorda a artista de voz suave.

Farolito, em sua melancolia devastadora, foi a primeira a abrir o coração da jovem musicista, também natural de Vera Cruz, tal qual seu mais novo ídolo. “Assim como todas as mulheres, eu também me apaixonei por ele”, confessa. Em pouco tempo, se entregou e foi assumir a difícil tarefa de escolher um seleto grupo de canções para um disco de covers, o quinto na sua trajetória. “As composições de Agustín tinham essa característica de serem como poemas, com muitas imagens e fotografias. A sensação que tive quando me aprofundei sobre a música dele foi de estar em contato com uma obra cinematográfica!”, exalta.

Com treze faixas, Mujer Divina foi lançado neste segundo semestre no México, onde já arrebatou disco de ouro, com mais de 30 mil cópias vendidas. O Brasil, normalmente distante da rota de lançamentos latinos, ganhou uma edição nacional, prometida para estar nas lojas a partir da segunda quinzena de janeiro (via Sony). O carro-chefe, neste caso, são as participações de Gilberto Gil e Rodrigo Amarante. O baiano canta justamente Farolito (“Ele é amável”, elogiou Natalia), enquanto o carioca empresta sua voz rouca em Azul (“Conheci ele através do Los Hermanos.”).

À exceção de María Bonita, responsável pelo gran finale, todas as versões trazem duetos com cantores. Além dos brasileiros, participam Meme, do Café Tacuba, Kevin Johansen, Devendra Banhart, Jorge Drexler, Alex Ferreira, Adanowsky, Adrián, do Babasónicos, Miguel Bosé e León Larregui, do Zoé. “De alguma maneira, era um sonho muito ambicioso tê-los em meu disco. Porém, quando o projeto começou, me surpreendeu como estes intérpretes conheciam Agustín Lara e queriam fazer parte do trabalho. Cada canção foi pensada para se adaptar a eles”, comenta.

Um dos temores era que o forte elenco pudesse se sobrepor ao valor da música de seu homenageado. Para isso, executou uma manobra estética artesanal. Preservou o lirismo das composições e investiu numa roupagem moderna, sem cair em modismos eletrônicos. A essência do bolero está lá, mas desta vez sofisticada por uma produção cuidadosa e uma multiplicidade de timbres tirados dos sopros e das cordas. “Queria fazer um disco de covers, mas sem perder a minha essência. É um álbum familiar que rompe com essa questão de gênero.”

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O chef apresenta o tucunaré que vai virar almoço .

Tucunaré, filhote, pintado, surubim, jaraqui, pirarucu e tambaqui são só algumas das espécies de peixes amazônicos que o chef Jander Monteiro, há 26 anos na profissão, sabe cozinhar. Para os preparos a lista também é grande: ensopado, muqueca, assado, ceviche, carpaccio, frito, cozido, caldeirada…

O conheci a bordo do IARA, uma embarcação com capacidade para 20 pessoas, de luxo, com cabines com ar condicionado. Tudo para que a experiência navegando pelos rios amazônicos seja de primeira.

Navegando pela Amazônia

O chef, natural do Amazonas, acostuma acompanhar estas viagens como contratado para preparar verdadeiros banquetes com sabor da Amazônia.
Na viagem em questão(fiquei cerca de 5 dias embarcada),  navegamos 18 horas  para chegar na cidade terra do Guaraná, Maués. Conto desta viagem, a convite do Guaraná Antarctica , num outro post.

Quero chegar literalmente ao ponto. O chef Jander Monteiro liberou com exclusividade para o Vias Alterlatinas uma receita para preparar um peixe com toque amazônico.
Vamos lá :

Tucunaré recheado com queijo branco

1 tucunaré de 1 kg
3 limões
500gr queijo branco
3 cebolas grandes picados
3 pimentões verdes picados
5 tomates picados sem sementes
1 maço de cebolinha
6 dentes de alho roxo com palha, bem picado
2 xícaras de farinha branca
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto
1 vidro de azeite extra virgem

Modo de preparo
Limpar o peixe e tirar as escamas
Dar cortes grandes em todo o peixe
Corte os limões, esprema todo o suco em uma assadeira e coloque azeite, sal pimenta do reino. Reserve.
Recheio:
Num refeitório coloque a cebola, tomate, pimentão, cebolinha, alho, farinha e azeite. Misture todos os ingredientes, corte o queijo branco em cubos e misture bem.
Coloque o recheio no peixe e leve ao forno por 2 horas.

Tucanarés amazônicos

Margens do Urupadi, um dos inúmeros rios da Amazônia

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Adoro os artistas “populares” da América do Sul.Daqueles que saem do youtube para fazer sucesso pelos Andes, na Amazônia boliviana/peruana, pela Patagônia…

O sucesso mundial da cantora Rihanna, Umbrella, já rendeu boas versões. E na minha modesta opinião, até melhores do que a original (uma é a versão do The Baseballs, por exemplo).

Mas uso este gancho pra falar da irreverência dos artistas latinos populares. Assim como o tecnobrega no Brasil, com o sucesso pela internet e discos vendidos pelos próprios artistas nos shows, existem figuras pra lá de exóticas no cenário musical latino, que são consideradas ‘cult’.

A graça, e a esperteza do nosso querido paraguaio, que “cruzó la frontera y encontro uma vida nueva” estão na versão reggeton da musica, na letra e na dancinha dele pelas ruas!

Pra começar, umbrella = paragua em castelhano. E também Paragua = forma discriminatória de chamar os paraguaios fora de seu país.

E ele lamenta na música inteira que é discriminado na Argentina, pra onde ele foi atrás de um amor.

Portanto, com vocês, Coco, el Paragua, que no es ningún Paragua.

E agora a incrível Pequeña Wendy Sulca

Esta peruana, que hoje não é tão pequena assim, bombou na web cantando musicas com temas que realmente não combinavam digamos, com assuntos infantis. Começou com ‘Cerveza‘ (tem outra que chama ‘La tetita’, pra ter uma idéia)

Reparem que tudo foi gravado no quintal andino de Wendy. Com direito a sampoña, lhamas e roupa típica andina. Ela faz sucesso.Basta colocar no youtube e ver shows e entrevistas que a ex-pequeña Wendy faz pela América do Sul.

Hoje não resisti e mostro como está Wendy. Perdeu o pudor de vez e canta…Madonna! Enjoy!

Que outros artistas deste tipo vocês conhecem?

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Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro – O Estado de S. Paulo

Grupo se separou temporariamente do núcleo falante da banda em 2009 - Divulgação

Na história de Yotuel, Roldán e Ruzzo, o trio de MCs que projetou e sustentou a imagem do Orishas, quase não se ouve falar de Vladimir Núñez, DJ Tillo e Nelson Palacios. A distância do microfone comporta dessas “injustiças”, como a falta de holofote

e a burocrática menção na ficha técnica. É o elenco de apoio que serve de escada para os protagonistas da vez. Com a separação temporária do núcleo falante do grupo cubano, em 2009, um levante pacífico entre os músicos do ‘background’ se cristalizou e mostra sua cara em show nesta quinta-feira, 24, no Sesc Pompeia – ingressos estão esgotados há cinco dias.

O novo trio não reclama das referências e da reputação construída em torno do Orishas, mas reforça: quer ser chamado pelo nome de batismo. Nada de ‘ex-integrantes’ no vocabulário. É o Cuban Beats All Stars. “A ideia partiu de mim e do DJ Tillo, quando o Orishas estava prestes a encerrar suas atividades. Decidimos que queríamos fazer algo juntos e nos ocorreu de misturar os ritmos latinos com a música eletrônica em geral”, explica o percussionista Vladimir Núñez, morador da Espanha desde 1998, quando resolveu deixar a ilha caribenha. Só volta para lá apenas para visitar amigos e parentes. Na Europa, conheceu mais profissionais da área e passou a colaborar com uma série de artistas locais, incluindo a mais importante revelação vocal espanhola nos últimos anos: a cantora de Mallorca Concha Buika. “Ela é excepcional. Fiz parte de sua banda, gravei em seu disco de estreia… Foi um luxo!”, se derrete em elogios.

Apesar dos múltiplos convites, Vladimir reconhece que o atual momento não é dos mais férteis e que a crise econômica também impactou no volume de produção musical. “Está muito difícil. Ter conquistado prestígio com o Orishas alivia um pouco… Sempre pinta algo.”

A passagem pelo Brasil, numa turnê que já visitou Brasília, Rio e São Carlos (interior de SP), é a primeira investida internacional do Cuban Beats All Stars. A banda ainda não tem disco pronto, mas leva ao palco um pouco da síntese do projeto, dedicado a resgatar a música tradicional cubana em suas diversas expressões, e combiná-la com elementos da eletrônica de vanguarda.

“Temos muito cuidado em respeitar as faixas originais, não mexer demais com a estrutura delas. Nossa ambição é render uma homenagem atual e moderna à música de Cuba”, diz DJ Tillo, responsável pelas bases e scratches durante a animada performance. “Transformarmos nosso show num grande baile. E neste som, abrimos muito espaço para improvisação de percussão, violino, baixo e também do canto. É um espetáculo com uma carga de ritmos tremenda”, completa Vladimir.

Os dois integrantes garantem que a moldura eletrônica não eliminou os diálogos férteis com o rap, tão bem azeitados na época de Orishas. A banda de origem, aliás, é tema recorrente no cartel balançado das canções. “Há muitos elementos tirados da cultura hip-hop, matizes importantes para nós como formação, mas que buscamos explorar em novas texturas”, afirma DJ Tillo.

A empolgação decorrente do novo projeto, que promete ter disco lançado no ano que vem, só é freada quando o assunto é Orishas ou questões políticas sobre Cuba. No caso do grupo ‘rapero’, não escondem um certo pessimismo com o futuro da banda, mas evitam falar em fim definitivo. Já quando o tema é a ilha, o tom adotado é de extrema cautela. Indagado sobre a abolição do visto de saída do país, Tillo foi cético. “Não temos ideia de como ocorrerá, não sabemos o quanto é verdade”, declarou.

Aprender a se destituir do passado e se firmar com um discurso original é o que move o Cuban Beats All Stars. “Não queremos parecer com nada, o objetivo é que soe como algo nosso”, conclui Vladimir.

CUBAN BEATS ALL STARS
Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93. Nesta quinta-feira, 24, 21h30.
R$ 5/R$ 20 (esgotados).

 

Miren el ‘flow’ de los chicos

 

 

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Paulina Chamorro

    Paulina Chamorro é jornalista, chilena, reside em São Paulo há mais de 15 anos e mantém o olho sempre atento ao lado sul do nosso planeta.

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