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Viagem

Bruna Tiussu

Uma parcela de parisienses contou com uma grata surpresa ao pegar o trem urbano hoje pela manhã. Por fora, o comboio era o mesmo. Porém, lá dentro, fotografias da decoração original do Palácio de Versalhes conferiam um ar de realeza ao espaço. Este é o primeiro trem da linha C da Rede Expressa Regional (RER) a inaugurar uma viagem com o novo visual – até o fim do ano, outros quatro ganharão adornos semelhantes.

Tal projeto foi concebido pela SNCF, a empresa ferroviária francesa, em parceria com a cidade e o Palácio de Versailhes. Para chegar ao resultado, fotografias de ambientes diferentes do castelo foram adaptadas às dimensões dos vagões, colados às paredes e tetos arredondados de seus dois andares.

Há sete tipos de decoração – como a que retrata o salão dos espelhos, galeria das batalhas, quarto da rainha, biblioteca de Luís XVI e os tão famosos jardins do palácio -, que passam a proporcionar uma viagem mais elegante pela Cidade Luz.

Fotos: Thomas Samson/AFP

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Por Bruna Tiussu

Aconteceu comigo no ano passado. Com os planos de fazer a Trilha Inca se desmoronando – todas as agências peruanas estavam lotadas para a época desejada – e as férias logo ali, decidi assim, como num ato de desespero para fazer as malas, visitar grandes amigos que estão longe: Paris e Berlim.

Aí veio a constatação: coincidentemente, aquela seria minha 4.ª visita a cada uma das capitais europeias. Depois a inquietação: poderia não gastar todo o tempo nelas e investir em cidades vizinhas ainda desconhecidas. Ideia esta que virou fumacinha logo no primeiro destino, Paris.

Caminhando sem pressa pelas ruelas já conhecidas de Montparnasse, fechei o mapa, quis me perder. Foi andando meio sem rumo que descobri vielas, prédios charmosos escadas acima, ilustrações com a cara de França escadas abaixo, sentindo o prazer de não ter pretensões turísticas. Como foi bom virar a esquina e encontrar uma inesperada, porém legítima, casa de queijos. Melhor ainda foi poder entrar e provar vários deles, sem ter que olhar no relógio e me apressar para uma atração pré-agendada.

Em Montparnasse, a inesperada casa de queijos e sticker na parede. Fotos: Bruna Tiussu/AE

Um outro dia, comprei uma baguete e almocei no gramado do Jardim de Luxemburgo. Bem do lado de uma francesinha que brincava com duas crianças, perto de um senhor que gastava energias com as técnicas do tai chi chuan. Depois, abri mão de museus que nunca fui para voltar ao meu favorito, o Centre Pompidou. Explorei cada canto ao meu tempo, me impressionei como da primeira vez que estive lá, sorri quando reconheci alguns souvenirs na lojinha. E, na saída, me esparramei no calçadão da frente com um café e uma revista na mão. Como faziam todos aqueles jovens.

Quando cheguei em Berlim, a ideia de visitar Potsdam, distante 25 quilômetros, já não existia mais. Me deliciei curtindo esta que é uma das mais incríveis cidades europeias por oito longos dias, sem roteiro algum. Voltei aos parques que moravam na minha memória, passei horas e horas estirada na grama lendo um livro – ok, tirando um cochilo também -,  explorei a capital de bicicleta, ora sabendo onde estava, ora só com a ilusão de que sabia.

De bicicleta, meio que sem rumo, com direito a paradas em parques

Andava para lá e para cá reparando em detalhes, fuçando em lojinhas, aceitando o primeiro indício de um bate-papo com quem quer que fosse. Passei horas em cafés com amigos, quis voltar ao mesmo vinerei (casa de vinho) que tanto tinha gostado na outra visita e tive almoços longuíssimos, simplesmente aproveitando o momento como as pessoas ao redor faziam. Só vi o Bundestag por acaso, lá de longe. Tampouco voltei com fotos do Portão de Brandemburgo. Mas vivi a pretensiosa sensação de me sentir quase local, uma das mais incríveis a ser experimentada.


Em Berlim, detalhes inusitados: bonequinhos feitos com rolha em algumas placas de rua

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Bruna Tiussu

Difícil será algum outro museu desbancar o Centro Pompidou do topo da minha lista dos melhores de Paris. Em um passeio margeando o Sena, é sempre na Pont des Arts que gasto mais tempo, entre os músicos e os milhares de cadeados que enfeitam a via. Um panini saboreado com as pernas esticadas no gramado de um parque, refeição obrigatória quando estou por lá. E, apesar de convicta do charme incomparável da língua francesa, não tem jeito. Após idas e vindas, meu cantinho mais aconchegante na Cidade Luz segue sendo inglês.

É como se um universo paralelo se abrisse entre as prateleiras abarrotadas de livros da Shakespeare & Company. Um mundo simples, com ordem própria, sofisticação mínima, conforto básico. E ainda assim absurdamente convidativo. Muito pela liberdade que se sente: puxe o livro que quiser, observe a capa, leia a orelha. Suba as escadas, repare nas ilustrações de autores famosos, no cantinho infantil (e sua parede repleta de mensagens, bilhetes, desenhos), nos acervos doados por outros amantes dos livros. Há obras centenárias, clássicos em suas primeiras edições, novos, usados… e sofás e cadeiras para que você sinta-se, no mínimo, como em uma biblioteca pública. Quer mais? Arrisque algumas notas no piano da última sala.

Fundado pelo visionário americano George Whitman em 1951, este reduto da literatura inglesa fica em pleno Latin Quarter, “olhando” para a Catedral de Notre-Dame logo ali do outro lado do rio.  Mais que livraria, é vista como uma instituição desde seu início, por seus objetivos tão utópicos quanto sinceros de mudar o mundo. Whitman, hoje aposentado, não apenas vendia livros. Sustentando o lema “não seja rude com estranhos, pois podem ser anjos disfarçados”, abria as portas da Shakespeare & Co para todo e qualquer escritor que precisasse de um lar e um incentivo para trabalhar em Paris. Assim seguiu durante anos, abrigando centenas de autores vindos do mundo todo.

Fotos: Bruna Tiussu/AE

Muito do charme e autenticididade daquele cenário vem destas histórias vividas entre aquelas paredes – que você pode procurar saber mais entre um café e outro. Muito da vontade de ali ficar um dia inteirinho vem da programação de eventos, com autores indo falar de seus novos livros e noites de música. E muito da graça de comprar na livraria é passar a ter, na sua própria estante, um exemplar com o carimbo clássico da lendária Shakespeare & Company.

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Logo do projeto. Fotos: Charles Platiau/Reuters

Felipe Mortara

Depois do sucesso do Vélib, o sistema de aluguel de bicicletas que a prefeitura de Paris instalou em 2007, agora é a vez de o governo local testar o Autolib. A iniciativa de €235 milhões vai colocar carros elétricos, batizados de Bluecars apesar de serem cinzas, de uso coletivo à disposição de moradores e turistas.

O lançamento teve início na semana passada com a o lançamento de 66 veículos elétricos especialmente desenvolvidos, assim como 33 estações de aluguel e recarga espalhadas pela Cidade Luz. A meta é expandir a 3 mil carros e mais de mil estações até o final de 2012.

Para se cadastrar, o usuário precisa ter carteira de habilitação válida em território francês – Carteira Internacional de Habilitação é aceita – e fazer uma assinatura diária, mensal ou anual, que varia de €10 a €144. Daí então, o motorista temporário paga entre €4 e €8 para rodar, de acordo com a distância percorrida.

Bluecar sendo recarregado.

Os veículos têm espaço para 4 pessoas e foram desenvolvidos após longos – e caros – estudos para não complicar o trânsito, a poluição e o problema de áreas para estacionar. Já que a maior parte dos parisienses não possui carro, a idéia é continuar mantendo a cidade na vanguarda dos transportes verdes.

O crescimento previsto no número de veículos é proporcional ao que foi registrado com as bikes, que começaram com pouco mais de 7 mil e hoje somam mais de 20 mil em 1,2 mil estações. E você, o que acha da iniciativa? Será que daria certo em grandes cidades brasileiras?

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Bruna Tiussu

Há dois quesitos indispensáveis quando avalio um hotel ou pousada: café da manhã e acesso à internet grátis. Para começar, vou falar neste post sobre o primeiro. Neste tema, o que me satisfaz não é escutar o mero “sim, o preço da diária inclui café”. Mas como o benefício efetivamente é apresentado.

Não busco números exagerados de quitutes, oito sabores de sucos ou dezessete tipos de queijos de primeira, não me entenda mal. Ingredientes frecos, aromas e temperos que automaticamente se identificam com o destino visitado – e que deram vida própria à expressão “café da manhã de hotel” – é que de fato me interessa.

Nos hotéis espalhados pelo Nordeste, por exemplo, uma tradicional tapioca feita na hora tem poderes quase sobrenaturais de animar a minha manhã. Em Minas, o cheirinho do legítimo pão de queijo (sim, o de lá é indiscutivelmente melhor) vai me buscar lá no quarto. E como não esperar um croissant deliciosamente crocante quando se acorda em Paris? Ou os pães pretos e cheios de cereais tão típicos na Alemanha?

Até mesmo as salsichas, bacon, tomates e ovos que compõem o desafiador English breakfast eu espero ver na mesa de café da manhã quando estou na capital inglesa. Meus olhos ainda mal se abriram, mas só de olhar aquele prato gordurosinho e bem montado ali, me recordo que estou em Londres e é uma felicidade só.

  english_breakfast__.jpg

 

Não são todas as iguarias mundo afora que agradam o meu paladar matinal, isso é fato. Nem tenho disposição suficiente para me encher de bagels, peanut butter e muffins a cada café da manhã nos Estados Unidos. Ou de tortilhas e tacos picantes em uma visita ao México. Mas é certo que provo tudo isso. E fico bem contente quando o hotel escolhido consegue me proporcionar um contato inaugural com a cultura gastronômica do destino de minhas férias.

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Ok, estou um mês atrasada. Só na semana passada fui assistir Meia-Noite em Paris, do diretor Woody Allen. Delícia de filme, para divertir, fazer pensar um pouquinho – só um pouquinho – e encantar com os cenários ensolarados (ou chuvosos, quando a trama pede) da capital da França.

Ah, Paris. Difícil não compartilhar do olhar apaixonado que os protagonistas lançam o tempo todo sobre a cidade. Até que, em uma cena ali pelo meio do filme, surge um instigante diálogo entre o escritor Gil Pender (Owen Wilson) e a estudante de moda Adriana (Marion Cotillard). Enquanto os dois caminham nas ruas durante a madrugada, ela diz que não sabe se acha Paris mais bonita de dia ou à noite. Ao que ele responde que poderia dar-lhe argumentos definitivos a favor de cada uma das duas opções.

Uma bela provocação, não? Depois de sair do cinema, não contive a vontade de rever fotos para tentar decidir se prefiro Paris à luz do sol ou durante a noite. Não tenho ainda uma resposta. Você consegue escolher?

Abaixo, uma seleção de imagens para inspirar.

Museu do Louvre. Fotos Ed Alcock/NYT e Gonzalo Fuentes/Reuters

 

Torre Eiffel. Fotos Alexandre Godinho/AE e Jacky Naegelen/Reuters

Catedral de Notre Dame. Fotos Pool/Reuters e Philippe Wojazer/Reuters

Basílica do Sacre Coeur. Fotos John Schults/Reuters e Alexandre Godinho/AE

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O principal ponto turístico de Paris foi palco de um novo recorde esportivo. O franco- argelino Taig Khris escolheu a Torre Eiffel para ser o local de onde saltaria em queda livre de patins com o objetivo de bater a marca dos 8,53 metros do americano Danny Way.

 

Queda livre desde o primeiro andar da Torre Eiffel. Foto: Thibault Camus/AP

Queda livre desde o primeiro andar da Torre Eiffel. Foto: Thibault Camus/AP

 

No sábado, o atleta pulou de uma plataforma localizada no primeiro andar da torre, a 40 metros de altura. Desceu em queda livre 12,5 metros – garantindo, assim, seu lugar no livro dos recordes - até alcançar uma rampa de 25 metros. Lá no final, um airbag gigante amorteceu o impacto do patinador, que atingiu uma velocidade de aproximadamente 90 km/h.

 

Conquistado o recorde, Taig Khris ganhou o apelido de 'Mega Jump'. Foto: Bob Edme/AP

Conquistado o recorde, Taig Khris ganhou o apelido de 'Mega Jump'. Foto: Bob Edme/AP

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17.dezembro.2009 16:01:37

Porque nós somos turistas!

Tudo bem, ele realmente é o passeio mais trivial de Paris. Eu pensava exatamente isso e nunca achei que o investimento (82 euros por pessoa) valesse a pena. Até embarcar no Bateaux-parisiens e ter uma noite divertidíssima.

O bateaux se preparando para sair. Foto Bruna Tiussu/AE

O bateaux se preparando para sair. Foto Bruna Tiussu/AE

Este é apenas um dos inúmeros barcos que percorrem o rio Sena à noite, enquanto os passageiros desfrutam de um belo jantar regado a muito vinho. Sai da Torre Eiffel e segue adiante, oferecendo uma vista espetacular dos pontos que fazem de Paris a Cidade Luz.

Lá dentro, a primeira surpresa foi notar que a decoração não é nada pomposa. Clássica, aconchegante, com mesas muito bem distribuídas e arrumadas. A maioria que se vê ali são estrangeiros, claro. Impossível não reparar na mesa enorme ocupada por chineses. Cada um com sua câmera a postos, ansiosos para registrar o Museu d’Orsay, a Biblioteca Nacional, o Hotel de Ville…

Às 20h30 o barco sai e a banda começa. Na verdade trata-se de um trio de músicos que fazem muito bem o trabalho de proporcionar um som ambiente. O serviço também não fica pra trás. Tá certo que os garçons correm de um lado para o outro, mas nada falta nas mesas. É quando chegamos a segunda surpresa: o bom gosto segue na qualidade da comida. Mesmo preparada no barco, a refeição é de primeira.

Aí vem a Catedral de Notre Dame. Imensa, toda iluminada. É o ponto alto do tour e ninguém se importa de deixar o prato um pouco de lado para vê-la mais de perto. Em seguida aparecem o Museu do Louvre, a Praça de La Concorde, o Trocadéro e a Estátua da Liberdade parisiense, para o delírio de nossos colegas chineses.

Depois de quase duas horas de passeio, a velocidade do barco começa a diminuir, mas não é o fim da diversão. Quando as barrigas estão cheias e várias garrafas de vinho vazias, o volume do som aumenta. A banda se empolga e os grandes homenageados somos nós: no repertório, músicas de Tom Jobim, Toquinho e Jorge Ben Jor (é perda de tempo esperar que o cantor acerte direitinho tudo o que vai além do refrão de cada canção. Mas isso seria pedir demais, né?).

Já que os monumentos parisienses ficaram pra trás, a tentação é se voltar aos companheiros orientais nesses últimos 20 minutos do percurso. Com os rostos já vermelhos eles se jogam na pista e dão um show. É verdade que os movimentos têm pouco gingado, mas bem que eles tentam acertar o ritmo de clássicos hits como Twist and Shout e Satisfaction.

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Ao lado da consagrada fita vermelha, populações de todo o planeta usam velas, luzes e o próprio corpo para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado neste 1.º de dezembro. Produzem, assim, um belo show de imagens, além de marcar a importância da data.

A Ásia escolheu iluminar o dia de hoje com velas acesas por voluntários:

Velas em Jacarta, Indonésia. Foto Adek Berry/AFP

Jacarta, Indonésia. Foto Adek Berry/AFPTaiyuan, na província chinesa de Shanxi. Foto Stringer/Reuters

Mais velas: Agartala, no Estado de Tripura, nordeste da Índia. Foto Jayanta Dey/Reuters

Agartala, no Estado de Tripura, nordeste da Índia. Foto Jayanta Dey/Reuters

No balneário indiano de Puri, o artista Sudarshan Pattnaik deu seu recado na areia da praia:

No balneário indiano de Puri, o artista Sudarshan Pattnaik deu seu recado na areia da praia. Foto Asit Kumar/AFP

Puri, na Índia. Foto Asit Kumar/AFP

E algumas capitais enfeitaram seus monumentos:

Portão de Branbemburgo, em Berlim. Foto Thomas Peter/Reuters

Portão de Branbemburgo, em Berlim. Foto Thomas Peter/Reuters

Casa Branca, Washington, Estados Unidos. Foto Jonathan Ernst/Reuters

Casa Branca, Washington, Estados Unidos. Foto Jonathan Ernst/Reuters

Praça Republique, em Paris, França. Foto Charles Platiau/Reuters

Praça Republique, em Paris, França. Foto Charles Platiau/Reuters

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