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Viagem

Bruna Tiussu

Há o Sony Center em toda sua altura e imensidão, os cinemas disputados, restaurantes ao redor, os resquícios ainda conservados do Muro de Berlim. É tanta informação e movimento nos arredores da Potsdamer Platz, em Berlim, que não me surpreende que um turista passe por lá sem notar uma de suas recentes conquistas, o Boulevard das Estrelas.

Inaugurado em fevereiro no ano passado, o passeio fica neste burburinho todo porque foi parte das comemorações da 60.ª edição do Berlinale, o Festival Internacional de Cinema da cidade, que é realizado justamente ali – e, na sua frente, não por acaso, está o Museu de Cinema e Televisão.

Fotos: Bruna Tiussu/AE

A iniciativa é uma despretensiosa versão da original de Hollywood que traz inovações engraçadinhas, meio que para entreter o visitante. Foi montado sobre um asfalto vermelho – alusão óbvia ao red carpet – por onde as estrelas se espalham. Hoje, já são 40 homenageados:  atores, diretores, roteiristas, apresentadores e outros profissionais que tenham marcado ou ainda marcam a história do cinema e TV alemães. A ideia é que, a cada ano, 10 novas sejam adicionadas ali.

Quem inaugurou o espaço foi a estrela da atriz e cantora Marlene Dietrich, celebridade máxima no país. E o barato é que, se aproximando do poste instalado ali ao lado, uma imagem meio fantasmagórica da diva é refletida perfeitamente em cima da estrela. Dá até para posicionar a câmera na lente e registrar uma foto de alguma amiga “abraçando” a artista.

Quem gostar da brincadeira – ou simplesmente tiver curiosidade de conhecer a feição dos astros -, pode repeti-la com cada um dos demais estrelados. Pertinho de Marlene Dietrich estão, por exemplo, o diretor Josef von Sternberg e o cineasta Fritz Lang. Cada um com o seu respectivo poste refletindo as projeções-fantasmas.

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Potsdam comemorou hoje, 10 de novembro, os 20 anos da Queda do Muro. Localizada 25 quilômetros a oeste de Berlim, a cidade de 145 mil habitantes derrubou seu trecho de paredão um dia depois de virem abaixo as primeiras pedras na capital.

Caso não tivesse mais nada a declarar, Potsdam seria interessantíssima só pelo Palácio Cecilienhof: nos salões dessa construção de 176 quartos foram discutidos os termos da divisão territorial da Alemanha ao fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, pelos líderes Joseph Stálin, da União Soviética, Winston Churchil, da Grã-Bretanha, e Harry Truman, dos Estados Unidos – encontro que ganhou o nome de Conferência de Potsdam. Também no palácio, Truman recebeu a notícia de que fora inventada a bomba atômica, em 1º de agosto. Cinco dias depois, Hiroshima foi atacada.

Mas a cidade de 145 mil habitantes, capital do Estado de Brandemburgo, tem mais de mil anos de história. Foi um importante centro residencial dos reis prussianos e seus agregados, a partir do século 15. Desse tempo, herdou jardins enormes e centenas – sim, centenas – de palácios. Durante a divisão das Alemanhas, o Muro passou bem em cima da Ponte Glienicker, que liga a cidade a Berlim, e a deixou sob domínio soviético.

 A ponte acabou virando o símbolo local da luta pela liberdade. E foi em cima dela que os moradores celebraram, na noites desta terça-feira, em clima de quermesse de cidade do interior.

Luzes para a celebração em Potsdam. Foto Mônica Nóbrega/AE

Luzes para a celebração em Potsdam. Foto Mônica Nóbrega/AE

A locutora de uma emissora local de rádio fez as vezes de mestre de cerimônias. O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, abriu o evento com um discurso. Depois vieram cantores desconhecidos, vídeos sobre a história da cidade, uma performance de mímicos com o mesmo tema e, para terminar, o show de fogos.

Ponte Glienicker virou palco. Foto Mônica Nóbrega/AE

Ponte Glienicker virou palco. Foto Mônica Nóbrega/AE

E no cardápio, salsicha, algodão doce, crepe e glühwein, o vinho quente local.

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O passeio de Trabi, o carrinho popular dos tempos da divisão das Alemanhas, é uma grande comédia antes de tudo. Mais do que ver, você será visto. Pelas ruas, o minicarro feito de fibra e plástico chama a atenção e causa comoção por onde passa: turistas fotografam, jovens apontam, crianças riem, motoristas de ônibus buzinam e provavelmente esbravejam. Há até quem acene para os passageiros.

O nada discreto carrinho - Mônica Nóbrega/AE

O nada discreto carrinho – Mônica Nóbrega/AE

Os guias do passeio não fazem nenhum esforço pela discrição. Incentivam no começo, com frases como “Go, Trabi, go!” e “Vocês são ótimos motoristas”. Depois, partem para piadas com o tamanho e a idade dos carros.

Com tudo isso, acredite, ver os resquícios do Muro de Berlim é apenas parte da atração.

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Às 4 horas da tarde parecia facílimo. Bastava acompanhar o fluxo dos grupos que já seguiam para o Portão de Brandemburgo e, poucos minutos depois, o monumento-símbolo de Berlim estava bem diante dos olhos, cercado por uma arena de festa. Palco, bar, barraquinhas de salsicha com curry, banheiros químicos nas ruas transversais, tudo estava lá.

Mas o início das celebrações estava marcado para as 5 horas e havia muita gente circulando diante da fachada do Parlamento, às margens do Rio Spree, nas calçadas da Friedrichstrasse. Irresistível sair para um passeio, sentir o clima, ver as peças do dominó-Muro que estavam mais longe daquele epicentro do evento. Fui.

Na hora de voltar, o susto: o número de grades havia aumentado muito e já não se podia fazer o caminho mais curto. E, depois de percorrer o mais comprido e chegar a uma nova barreira, soube que ninguém mais tinha autorização para se aproximar da festa. “Tem gente demais”, disse o policial.

A credencial de jornalista e as devidas explicações liberaram a minha passagem, mas não a de milhares de outras pessoas que tiveram de ficar ali, a quatro quadras do palco onde, protegidos da chuva forte, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Hillary Clinton, Silvio Berlusconi e várias outras autoridades já discursavam. Quando caiu a primeira sequência de dominós, nós não vimos.

Havia ainda uma segunda barreira, a duas quadras do Portão, e dessa eu não fui autorizada a passar. Naquele ponto, parte do público ensaiava um protesto com o refrão “derrubem o Muro”, que não chegou a formar um coro.

Lá pelas 9 horas, quando o frio e a chuva já serviam de pretexto para muita gente decidir ir embora e faltava apenas uma fileira de pedras de dominó para ser derrubada, os policiais retiraram algumas grades. Os resistentes da turma dos sem-Portão avançaram e ouviram-se comentários de “antes que fechem de novo”, outra paródia histórica.

 

Uma última fileira do dominó gigante, um show em playback sofrível do cantor Bon Jovi e o espetáculo pirotécnico formaram a parte que nos coube da solenidade.

 Encerrado o evento no lado leste do Portão de Brandemburgo, Berlim se dirigiu para o oeste sem ninguém para impedir, como há 20 anos. Lá, diante de um novo palco, os berlinenses foram se dedicar a outra coisa que sabem fazer muito bem: dançar ao som de música eletrônica, com o DJ Paul van Dyk, natural da cidade, no comando.

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

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09.novembro.2009 17:27:45

Os sem-Portão em Berlim

Aconteceu no show gratuito do U2, na quinta-feira. E agora ocorre de novo, durante a comemoração dos 20 Anos da Queda do Muro de Berlim. Muitos ficaram fora da festa, impedidos de chegar mais perto do Portão de Brandemburgo, informa Mônica Nóbrega, direto da capital alemã. 

A festa alternativa dos sem-Portão - Mônica Nóbrega/AE

A festa alternativa dos sem-Portão – Mônica Nóbrega/AE

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09.novembro.2009 15:12:11

Berlim em plena festa

O Portão de Brandemburgo está em plena festa, apesar da chuva fina e gelada que cai em Berlim desde esta manhã, e que, em alguns momentos, se transforma em temporal. Muita gente chegando à Pariser Platz.

 

Os principais monumentos, como o Memorial do Muro, na Bernauer Strasse, e o Checkpoint Charlie  receberam muitas visitas durante o dia. E agora à noite, as atenções estão concentradas nas peças de dominó que cairão às 20 horas (17 horas em Brasília).

Peças de dominó representam o Muor de Berlim. Foto Mônica Nóbrega/AE

Peças de dominó representam o Muro de Berlim. Foto Mônica Nóbrega/AE

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O movimento intenso, mas tranquilo, na estação de trens Hauptbahnhof, a mais movimentada de Berlim, deixou o fim de tarde com jeito de domingo comum. Confesso que esperava ver algo mais nas ruas da capital alemã nesta véspera do esperado Festival da Liberdade, o ponto alto da comemoração dos 20 anos da Queda do Muro. Ainda não deu tempo de ir ao Portão de Brandemburgo nem aos bairros do leste. Mas, ao menos na região da avenida Kurfüstendamm, pelo jeito, estão todos poupando energia para amanhã.

Segundo o escritório de Turismo de Berlim, 700 mil visitantes estão na cidade para a festa – o ano novo no Portão de Brandemburgo atrai 1 milhão de turistas. Multidão que assistirá, ao vivo ou por meio de dez telões espalhados pela área da festa, à simbólica queda de quase mil peças de dominó de 2,5 metros de altura. O percurso de 1,5 quilômetro começa na margem norte do Rio Spree, passa pelo Parlamento e termina na Potsdamer Platz.

Linha vermelha destaca o caminho do dominó gigante. Imagem reprodução

Linha vermelha destaca o caminho do dominó gigante. Imagem reprodução

A festa terá também os previsíveis discursos de autoridades como a chanceler alemã, Angela Merkel, o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o premiê britânico Gordon Brown e os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Rússica, Dmitri Medvedev. O falatório não deve se estender por mais do que meia hora, ao menos no que depender da programação oficial.
Shows musicais, inclusive performance do badalado DJ Paul van Dyk, devem ocupar o restante do tempo. Além de canecas de cerveja e muita currywürst, a salsicha com curry.

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05.novembro.2009 16:01:16

U2 em Berlim

Um festival de luzes e milhares de pessoas a postos no Portão de Brandemburgo. Tudo pronto para o show gratuito do U2 que começa daqui a pouco. A apresentação é um dos destaques da comemoração pelos 20 anos da Queda do Muro e será parcialmente transmitida durante o MTV Europe Music Awards.

Portão de Brandemburgo/EFE

Portão de Brandemburgo/EFE

Algumas músicas estão confirmadas: ‘Magnificent’, ‘Sunday Bloody Sunday’ e ‘Moment of Surrender’. Dez mil ingressos foram distribuídos online – e esgotaram em menos de três horas. Agora, uma multidão tenta furar o bloqueio e entrar na área reservada para quem tem os bilhetes.

Enfim, o que você também não faria para ver o U2 de graça no Portão de Brandemburgo?

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04.novembro.2009 19:37:47

Depois do Muro, o Sony Center

Ainda pela capital alemã…

Cinemas 3D, lojas de tecnologia e rede WiFi por todo o complexo fazem do Sony Center um dos grandes símbolos da Berlim moderna. 

Sony Center, Berlim  Foto Bruna Tiussu/AE

Sony Center Foto Bruna Tiussu/AE

É curioso imaginar que o Muro passava bem ali e que nessa época o local era a típica terra de ninguém. Porém, após a queda do paredão, a área não permaneceu assim sequer mais um dia. Em 10 de novembro de 1989 a Sony quis comprar o terreno, já prevendo que o negócio seria bem lucrativo.

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04.novembro.2009 15:12:52

De Trabant em Berlim

Os passeios turísticos em Trabant, o carrinho que é um dos símbolos do antigo lado oriental, nem são tão novidade assim. Mas agora, com toda a movimentação em torno dos 20 anos da Queda, as agências passaram a fazer tours específicos, que seguem o traçado original do Muro de Berlim.

Foto Bruna Tiussu/AE

Foto Bruna Tiussu/AE

O preço é salgadinho. Custa a partir de 79 euros (com pelo menos três pessoas no famoso Trabi). E o passeio dura duas horas, com partida e chegada no Checkpoint Alpha. Destaques do percurso? Wall Park, East Side Gallery, Checkpoint Charlie… Reserve no site da Trabi-Safari.

Se quiser algo mais dinâmico, fique com o tour de bike, também no traçado do Muro. Nós fizemos o percurso de quatro horas e podemos dizer que é uma delícia, além de fácil - Berlim é toda plana. Sai por a partir de 14,50 euros.  Reserve no Berlin on Bike.

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