Wilza Aurora Matos Teixeira foi a Madri em setembro. Visitou o Museo del Prado e o Palácio Imperial e se apaixonou pelas áreas verdes da cidade. “O que mais me surpreendeu foi ver que as praças são locais de lazer, descanso e encontro.”
Você tem ideia do montante de lixo que é jogado nas praias anualmente? Consegue imaginar no que poderiam ser transformados todos estes resíduos que poluem a paisagem? Ambientalistas europeus da organização Save the Beach aceitaram o desafio e, com doze toneladas de lixo recolhido das areias da Espanha, Itália, Bélgica e França construíram nada menos que um… hotel!
Depois Lisboa, a curiosa construção chegou à Plaza de Callao, em Madri, na quarta-feira. Durante o dia, o hotel permanece aberto à visitação e, à noite, retoma sua atividade primordial: receber hóspedes – as diárias foram sorteadas na internet. Com apenas cinco quartos, pode acomodar até dez pessoas por noite.
Apesar de feito de lixo, tem um aspecto interessantíssimo: é todo colorido, moderno e sem nenhum resquício de cheio desagradável. O local foi projetado pelo artista alemão HA Schult, comprometido com a questão sócio-ambiental: “Este hotel mostra os danos que estamos causando o mar e a costa, reflete como as coisas podem terminar se não cuidarmos do planeta. Vivemos em uma época de lixo e corremos o risco de nos convertermos nele. Realmente queremos tal mundo?”
O hotel permanecerá exposto em Madri até domingo, dia 23.
Avenida mais emblemática de Madri, a Gran Vía comemora neste ano o seu centenário. Mas o presente quem ganha são os visitantes. O órgão oficial de turismo da cidade lançou dois roteiros temáticos que percorrem a história, o comércio, a arquitetura e as atrações locais.
No Gran Vía, 100 anos de história, um guia mostra as transformações pelas quais a avenida passou ao longo dos anos. Dos edifícios às instituições culturais, dos moradores aos personagens que a fizeram famosa.
O tour é realizado em um ônibus panorâmico, aos domingos, ao meio-dia. Saída da Calle de Alcalá, 43 (Igreja de San José). Custa 3,90 euros.
Já o Gran Vía Centenario é uma visita teatralizada, com anedotas e música. Ocorre aos sábados e domingos, das 18 horas às 20h30 (até 7 de novembro). Saídas a cada meia hora da Calle Antonio Maura, esquina com a Plaza de la Lealtad. Também por 3,90 euros. Informações: www.esmadrid.com/descubremadrid.
As comemorações ainda incluem exposições fotográficas, concertos e debates. Confira a programação no site http://granvia.esmadrid.com, que também traz um mapa interativo com todas as atrações da avenida.

Detalhe de uma das novas galerias. J.J. Guillén/EFE
Obras do Romantismo e do Renascimento na Espanha estão de casa nova no Museo del Prado, de Madri. Afrescos, retábulos e pinturas feitas entre os séculos 12 e 16 ganham hoje sete galerias específicas. Os espaços serão totalmente abertos ao público a partir de amanhã.
E mais: para a inauguração, algumas obras passaram por processo de restauro e agora estão em sua melhor forma. A recuperação mais ambiciosa foi a dos afrescos da capela românica de Maderuelo, realizada em colaboração com o Instituto del Patrimonio Cultural de España (IPCE).
O ingresso do museu custa 8 euros, mas quem quiser economizar pode deixar a visita para o fim do dia. A entrada é gratuita de terça-feira a sábado, das 18 às 20 horas, e aos domingos, das 17 às 20 horas.

EFE

Quadro de Velásquez (à esq.) ganha companhia do de Singer Sargent. Fotos Ballesteros/EFE
A tela do pintor americano, um óleo sobre linho, pertence ao Museu de Belas Artes de Boston. Foi pintada mais de dois séculos depois do quadro que a inspirou e exigiu de seu criador árduos estudos para reproduzir o rigor técnico das características mais marcantes de As Meninas: luz, disposição espacial e o jogo de olhares das personagens para o observador. Como estudo, Singer Sargent chegou a fazer uma reprodução do quadro de Velásquez, em tamanho reduzido, três anos antes de retratar as irmãs Boit.
O Prado tem ainda outra novidade: o museu acaba de lançar audioguias especiais para crianças menores de 12 anos, que podem ser retirados gratuitamente mediante o aluguel de um audioguia para adultos (entre 3,50 e 5 euros). O ingresso custa 8 euros.

Lado a lado, as telas dos pintores americano (à esq.) e espanhol
Quem nunca foi à praia e trouxe uma conchinha do mar como lembrança? Pois o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) tinha uma imensa coleção, com centenas e centenas delas.
São peças de tamanhos variados e de diversas partes do mundo. Como todo bom colecionador, seus amigos sempre viajavam e traziam uma conchinha. Na concha da foto abaixo, é possível ver escrito à caneta, “presente dado por Rafael – 12 de julho de 1939″. Ao completar meio século de vida, ele decidiu doar toda a coleção à Universidade do Chile, em 1954.
Pela primeira vez, cerca de 400 peças da sua coleção são expostas com seus poemas no Instituto Cervantes, em Madri. A exposição ajuda a entender porque o prêmio Nobel de Literatura era conhecido como “o poeta do mar”.
Com oficinas de contos e de origamis, as crianças podem entrar em contato com a obra de Neruda. Já os adultos podem participar mesas redondas com estudiosos e escritores.
“Caracola”
La caracola espera el viento
acostada en la luz del mar:
quiere una voz de color negro
que llene todas las distancias
como el piano del poderío,
como la bocina de Dios
para los textos escolares:
quiere que soplen su silencio:
hasta que el mar inmovilice
su amarga insistencia de plomo.

Fernando Alvarado/EFE
Serviço:
Exposição “Amor al mar. Las caracolas de Neruda”
Instituto Cervantes – Sala de Exposições
Alcalá, 49 – Madrid
Até 24 de janeiro
www.cervantes.es
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