Por Ligia Aguilhar
Os malaguenhos bem que tentaram. Traçaram rotas alternativas e mais curtas, adiaram o início, mas a chuva não deu trégua e ontem as procissões da Semana Santa foram canceladas mais uma vez. Apenas a confraria Mena saiu às ruas, aproveitando-se do único período em que o sol escapou por entre as nuvens carregadas.
O principal motivo para o cancelamento dos desfiles é o risco de as chuvas danificarem as imagens, algumas históricas, dos séculos 15 e 16. Confinadas nas igrejas, elas só ganham as ruas na Semana Santa.
Cada confraria normalmente desfila com duas: uma de Cristo e outra da Virgem Maria. Essas figuras são colocadas em tronos que são carregados nos ombros pelos irmãos (os membros dessas organizações). Um gesto de devoção e também uma forma de penitência, já que as procissões podem durar mais de 7 horas.
O início do desfile é anunciado pela batida do tambor, que dita o ritmo em todo o trajeto. Entre uma imagem e outra desfilam os nazarenos, figuras que chamam a atenção por vestir um túnica comprida e um capuz pontiagudo que os deixa apenas com os olhos descobertos. Tratam-se de penitentes que desejam anonimato no seu momento de sacrifício, que pode ser andar descalço durante a procissão ou com grãos dentro do sapato, por exemplo. São eles também que carregam as velas compridas que exalam aromas florais pela cidade durante a Semana Santa. Cada confraria tem uma túnica e um chapéu de cor diferente e os trajes costumam passar de geração para geração.
Alguns grupos contam ainda com a participação de militares durante a procissão, além dos músicos, que tocam trompetes e tambores, e as pagadoras de promessa, mulheres que desfilam logo atrás dos tronos com longos vestidos pretos.
Outro detalhe que chama a atenção é a participação de crianças. Algumas seguem os nazarenos durante as procissões para recolher a cera que derrete das velas. O costume é, na verdade, uma brincadeira entre os pequenos para disputar quem terá a maior bola de cera ao final da Semana Santa.
As confrarias não tem vínculo direto com as igrejas – embora seja nelas que as imagens permaneçam – e costumam promover eventos beneficentes ao longo do ano. Qualquer um pode participar dessas organizações, que solicitam contribuições financeiras para viabilizar seus projetos. O principal deles, claro, é a Semana Santa, que na Andaluzia, faça chuva ou faça sol, não perde o ar festivo.
Por Ligia Aguilhar
A quinta-feira é o dia mais especial da Semana Santa de Málaga, na Espanha. Com a chegada do feriado, centenas de turistas desembarcam na cidade para conferir as procissões, lotando ruas e hotéis da cidade.
É esse também o dia em que as confrarias mais importantes realizam suas procissões. Hoje, os militares da Legião Espanhola fizeram sua apresentação carregando a imagem de Cristo da Boa Morte. A cerimônia militar é considerada um dos momentos-chave da Semana Santa de Málaga e reuniu uma multidão que duas horas antes do evento já estavam nas ruas para garantir um bom lugar. Ao som da banda militar, parte da tropa carregou a imagem de Cristo que, no final, foi colocada em um trono.
O ator Antônio Banderas, nascido em Málaga, assistiu de perto à cerimônia e, ao término da apresentação, foi até o trono para ver a imagem de Cristo, na qual deu um beijo. Banderas é esperado mais tarde na procissão da Confraria Esperanza, uma das mais tradicionais de Málaga. Ele é um dos 262 homens que carregam o trono da Virgem de Esperanza, o que seria uma forma de o ator agradecer pela saúde do seu irmão, que teria tido um derrame há cerca de dez anos. Ele também é fundador da confraria Lágrimas, que desfilou no Domingo de Ramos.
No entanto, há o temor de que as procissões previstas para hoje à noite não aconteçam por causa do mau tempo que atinge a Costa do Sol nesta semana. Ontem, todas foram canceladas em decorrência das chuvas, o que desapontou turistas e malaguenhos.
Como as imagens não puderam ser levadas às ruas, as pessoas foram até elas. Os tronos que não desfilaram ontem ficaram expostos em suas respectivas igrejas para visitação durante toda a noite. Mesmo com a chuva, havia fila para ver as imagens de perto.

Por Ligia Aguilhar
O tempo está nublado e chuvoso em Málaga desde o início da semana. Um fato raro para uma cidade que fica na Andaluzia, região mais quente da Espanha, e que é conhecida por ser banhada pelo sol 300 dias por ano. O clima ruim, porém, não impediu que milhares de pessoas tomassem as ruas desde o domingo (17) para assistir e participar das procissões da Semana Santa, um dos eventos mais tradicionais da cidade.
Ao contrário do restante da Espanha, a Semana Santa tem um ar mais festivo na Andaluzia. Não é à toa que no ano passado 200 mil turistas desembarcaram na Costa do Sol só para conferir as procissões de Málaga.
Até o domingo (24), diversas confrarias e irmandandes vão desfilar pela cidade com esculturas históricas que retratam a paixão de Cristo. As imagens, que podem ultrapassar 5 mil quilos, são transportadas em tronos gigantes e carregadas nos ombros pelos participantes desses grupos. Um dos mais famosos é o ator Antônio Banderas, que nasceu em Málaga e deve participar amanhã da procissão da confraria Esperanza.
A passagem das confrarias é marcada por batidas de tambor, pelo cheiro de incenso que sai das velas compridas carregadas pelos nazarenos e pelas palmas emocionadas da multidão que se aglomera para conferir cada detalhe das imagens, que só saem das igrejas uma vez por ano. Esse movimento, que começa por volta das 15h, só termina ao ao amanhecer do próximo dia.
Mais do que um evento religioso, a Semana Santa de Málaga se tornou uma festividade folclórica. Uma ocasião na qual os malaguenhos de todas as idades vão para a rua confraternizar, se divertir e comer as tradicionais tapas.
Confira algumas fotos:
Wilza Aurora Matos Teixeira foi a Madri em setembro. Visitou o Museo del Prado e o Palácio Imperial e se apaixonou pelas áreas verdes da cidade. “O que mais me surpreendeu foi ver que as praças são locais de lazer, descanso e encontro.”
Você tem ideia do montante de lixo que é jogado nas praias anualmente? Consegue imaginar no que poderiam ser transformados todos estes resíduos que poluem a paisagem? Ambientalistas europeus da organização Save the Beach aceitaram o desafio e, com doze toneladas de lixo recolhido das areias da Espanha, Itália, Bélgica e França construíram nada menos que um… hotel!
Depois Lisboa, a curiosa construção chegou à Plaza de Callao, em Madri, na quarta-feira. Durante o dia, o hotel permanece aberto à visitação e, à noite, retoma sua atividade primordial: receber hóspedes – as diárias foram sorteadas na internet. Com apenas cinco quartos, pode acomodar até dez pessoas por noite.
Apesar de feito de lixo, tem um aspecto interessantíssimo: é todo colorido, moderno e sem nenhum resquício de cheio desagradável. O local foi projetado pelo artista alemão HA Schult, comprometido com a questão sócio-ambiental: “Este hotel mostra os danos que estamos causando o mar e a costa, reflete como as coisas podem terminar se não cuidarmos do planeta. Vivemos em uma época de lixo e corremos o risco de nos convertermos nele. Realmente queremos tal mundo?”
O hotel permanecerá exposto em Madri até domingo, dia 23.
Por Fabiana Caso
Oscar Niemeyer está prestes a completar 103 anos no próximo dia 15. E não quer deixar as pranchetas de lado. Continua produzindo, numa escala tão monumental quanto suas criações, requisitado em uma série de países. Em entrevista ao Viagem, em março de 2007, o arquiteto contou quais eram suas obras favoritas, seus novos projetos e como eles eram importantes para o turismo. Leia a entrevista aqui. Na edição de hoje, publicamos a foto do quase concluído Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, na Espanha. Mas, além dele, há uma série de obras em andamento pelo mundo afora. Confira, em primeira mão, algumas das maquetes digitais dessas construções que têm a ousadia como marca registrada:
Atelier em Saint-Moritz, na Suíça:
Centro Cultural no Cazaquistão:
Biblioteca Mundo Árabe, na Argélia:
Universidade de Ciências e Informática, em Cuba:
Avenida mais emblemática de Madri, a Gran Vía comemora neste ano o seu centenário. Mas o presente quem ganha são os visitantes. O órgão oficial de turismo da cidade lançou dois roteiros temáticos que percorrem a história, o comércio, a arquitetura e as atrações locais.
No Gran Vía, 100 anos de história, um guia mostra as transformações pelas quais a avenida passou ao longo dos anos. Dos edifícios às instituições culturais, dos moradores aos personagens que a fizeram famosa.
O tour é realizado em um ônibus panorâmico, aos domingos, ao meio-dia. Saída da Calle de Alcalá, 43 (Igreja de San José). Custa 3,90 euros.
Já o Gran Vía Centenario é uma visita teatralizada, com anedotas e música. Ocorre aos sábados e domingos, das 18 horas às 20h30 (até 7 de novembro). Saídas a cada meia hora da Calle Antonio Maura, esquina com a Plaza de la Lealtad. Também por 3,90 euros. Informações: www.esmadrid.com/descubremadrid.
As comemorações ainda incluem exposições fotográficas, concertos e debates. Confira a programação no site http://granvia.esmadrid.com, que também traz um mapa interativo com todas as atrações da avenida.
Andei muito de bicicleta na adolescência, mas o trânsito cada vez mais intenso de São Paulo foi me desanimando, desanimando até que aposentei completamente a magrela, que ficou anos a fio enferrujando na garagem de casa. A paixão pelo pedal só foi retomada recentemente em Berlim, em um tour sobre a história do muro. Tudo bem light, mas suficiente para fazer com que na mesma viagem, já em Barcelona, eu usasse a bike como um excelente meio de transporte.
Comparando Berlim e Barcelona, não há dúvidas de que a capital alemã é mais amigável aos ciclistas. Há ciclovias por todas as partes, ora na própria rua, ora nas calçadas – rebaixadas em todas as esquinas. O asfalto liso e as calçadas padronizadas permitem que se possa pedalar tanto apressado, como fazem os moradores, como apreciando a paisagem, o corre-corre da cidade, os grafites. Sem o risco de cair num buraco.

Bundestag, em Berlim
No metrô, existem vagões próprios para transportar a bike, com áreas livres para se encostar com a magrela sem atrapalhar a passagem de ninguém. Dá para perceber que a cultura de andar de bicicleta passa de pai para filho: crianças de todos os tamanhos pedalam nas cilovias ou, quando são pequenas demais para isso, vão em cadeirinhas junto com os pais. Há quem pedale antes e depois da balada, para ir e voltar do trabalho, de salto alto e sobretudo. De cachecol e gorro, no inverno. De bermuda e boné, no verão.
Barcelona tem menos ciclovias (em algumas avenidas, é preciso disputar espaço entre os táxis e ônibus) e algumas ladeirinhas enjoadas – melhor deixar a bike de lado se o destino for o Parc Güell, por exemplo. Mas não há nada que se compare a pedalar pela Barceloneta em um dia de sol.

Barceloneta. Fotos Adriana Moreira/AE
Além de uma ótima opção de passeio, pedalar na cidade espanhola é também um eficiente meio de transporte. Você desce do metrô e ao invés de pegar um ônibus o que faz? Passa o cartão exclusivo dos moradores (que pagam cerca de 30 euros por ano para usufruir do serviço) e sai pedalando. O programa Bicing oferece bicicletas públicas, com pontos espalhados por toda a cidade. Depois de usar, é só devolver na estação – de Bicing, não de metrô, que fique claro – mais próxima. Literalmente, uma mão na roda.
Depois de um mês usufruindo desta confortável e saudável rotina, voltei a São Paulo, disposta a enfrentar todos os percalços e selvagerias da metrópole para continuar a pedalar. Descobri, por exemplo, que andar de bicicleta no Parque do Ibirapuera à noite é incrível. Tranquilo, sem ser deserticamente perigoso. De quebra, uma bela vista da cidade com as luzes refletidas no lago.
A ciclofaixa, que liga o Parque das Bicicletas ao Parque do Povo, aos domingos, é bacana. Mas insuficiente. Sem nem entrar no mérito de haver poucas horas de apenas um dia da semana para ter a preferência em um pequeno trecho de ruas, só há duas opções para chegar até o início da ciclofaixa: ir de carro ou acender uma vela para o anjo da guarda e andar pelas avenidas. Calçadas? Como enfrentar degraus e buracos, frutos da falta de padronização, além dos carros estacionados? O meio-fio alto também dificulta - e não apenas para os ciclistas, mas também para os deficientes físicos e mães com carrinhos de bebê.
Por aqui, a Porto Seguro também criou sua versão do Bicing de Barcelona, o UseBike. Uma iniciativa louvável e pioneira, mas que esbarra nas dificuldades da falta de estações para devolução da magrela. Merecia mais divulgação, parceiros, estações.
É claro que não dá para destrinchar todos esses aspectos em apenas um post. Em breve, voltaremos no tema. Mas, enquanto isso, respondam: que outras cidades são bacanas para pedalar?
Do lado de fora, o hexágono emoldurando o trocadilho com a marca mais consumida na Ilha de Lost revela que estamos no lugar certo. Vindos não de um acidente aéreo, mas da estação de metrô Llacuna, ali pertinho, a faixa “Namaste new recruits” dá as boas-vindas ao Bharma, o divertido bar para os aficionados por Lost.
Já na entrada, avista-se a parte traseira do avião (cheia de galhos e cipós) que trouxe os personagens de Lost diretamente do aeroporto de Sydney para o maior perrengue de suas vidas. A porta da escotilha descoberta na primeira temporada da série fica perto de um dos dois bares do espaço. Espaço, aliás, que não é muito grande: quatro ou cinco mesinhas redondas com bancos altos e um balcão estreito nas paredes laterais compõem quase toda a mobília do Bharma.

Quase, porque ainda faltam as duas televisões LCD que passam temporadas diferentes da série continuamente. Sem som: afinal, fã que é fã sabe de cor e salteado o que está acontecendo no episódio. Com a iluminação baixa, o DJ capricha na trilha sonora com o melhor do rock e do pop no volume exato que permite tanto que você arrisque uns passos nas suas músicas favoritas como consiga conversar sem ter de gritar no ouvido de ninguém.
A mistura faz com que mesmo quem não seja fã da série consiga se divertir a valer por lá. Talvez pela localização afastada do Gracia, o bairro oficial das baladas em Barcelona, o Bharma não chega a ser um endereço turistão. Não cobra entrada e a cerveja (de marca própria e bem honesta) custa 3 euros, um alívio em relação às boates que chegam a extorquir 8 euros por uma gelada.

No fim da noite, você ainda pode levar uma das lembrancinhas para casa: caneca com a marca Bharma, a tal cerveja de marca própria ou camisetas diversas. Kit completo para acompanhar, roendo as unhas, o último episódio da série, que vai ao ar nos Estados Unidos dia 23 – 25 por aqui.

Decorando a entrada, uma referência à primeira temporada da série. Fotos Adriana Moreira/AE
Embalada pela quarta-feira de decisões no mundo futebolístico, pensei em um post que lembrasse novamente a boa amizade entre o esporte e o turismo. Afinal, os estádios se erguem cada vez mais imponentes e, mesmo entre tantos atrativos, chamam a atenção como verdadeiros templos modernos. Sem contar que estar em um estádio, rodeado por torcedores vibrando pelo seu time com os nervos totalmente à flor da pele, conta muito sobre a cultura do local.
Se estivesse em Barcelona, hoje, recusaria qualquer convite para qualquer programa cultural, gastronômico ou de aventura agora à tarde. Certamente teria me programado para ir ao Estádio Camp Nou assistir à semifinal da Copa dos Campeões, duelo de craques do Barça e da Inter de Milão.

Estádio Camp Nou, em Barcelona. Foto: Albert Gea/Reuters
O futebol, na minha opinião, já empolga por si só, mas poucas coisas me fazem sentir tão integrada na rotina cultural de um povo quanto o contato com o esporte. Nesse ambiente o cara do seu lado é amigo íntimo desde o princípio, vocês torcem e vibram juntos. Em pouco tempo você já aprendeu as musiquinhas e as gírias. É quando você chega a esquecer que é estrangeiro.
Se por acaso a luta por um ingresso não for satisfatória, recomendo ainda as visitas guiadas pelos estádios. Vale também para os que não são aficionados pelo esporte, pela simples curiosidade. No caso espanhol, o país tem estádios com belíssima arquitetura, alguns super novos e a maioria abriga também um museu. O do Real Madri, no Estádio Santiago Bernabéu, por exemplo, recebe quase o mesmo número de turistas por ano que o famoso Museu do Prado.
2012
2011
2010
2009
2008