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Viagem

30.novembro.2010 06:00:47

Novos projetos à vista

Por Fabiana Caso

Oscar Niemeyer está prestes a completar 103 anos no próximo dia 15. E não quer deixar as pranchetas de lado. Continua produzindo, numa escala tão monumental quanto suas criações, requisitado em uma série de países. Em entrevista ao Viagem, em março de 2007, o arquiteto contou quais eram suas obras favoritas, seus novos projetos e como eles eram importantes para o turismo. Leia a entrevista aqui. Na edição de hoje, publicamos a foto do quase concluído Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, na Espanha. Mas, além dele, há uma série de obras em andamento pelo mundo afora. Confira, em primeira mão, algumas das maquetes digitais dessas construções que têm a ousadia como marca registrada:

Atelier em Saint-Moritz, na Suíça:

Oscar Niemeyer/ DIVULGAÇÃO

Centro Cultural no Cazaquistão:

Oscar Niemeyer/ DIVULGAÇÃO

Auditório de Ravello, na Itália:

Oscar Niemeyer/ DIVULGAÇÃO

Biblioteca Mundo Árabe, na Argélia:

Oscar Niemeyer/ DIVULGAÇÃO

Universidade de Ciências e Informática, em Cuba:

Oscar Niemeyer/ DIVULGAÇÃO

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O governo cubano passou a exigir seguro viagem para autorizar a entrada de estrangeiros no país. A medida já está em vigor. Leia mais aqui.

A reportagem do Viagem fez um mochilão por Cuba no ano passado. Confira os detalhes e a galeria de fotos do país:

Ninguém fica indiferente a esta ilha
A alegre e musical Havana
Fique atento às abordagens criativas
Da revolução à arte nos museus
Boas faixas de areia a leste de Havana
Endereços favoritos de Hemingway
Trânsito mostra criatividade cubana
Festeje, você está em Trinidad
Santiago mostra dois lados
Sinta-se em casa em Baracoa

Fábrica de charutos Partagás, Havana

Fábrica de charutos Partagás, Havana

Centro de Havana

Centro de Havana

(mais…)

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24.março.2009 20:02:00

Sinta-se em casa em Baracoa

Dentre as muitas anedotas que ilustram a relação dos cubanos com Baracoa, a mais engraçada diz que seus habitantes quebram cocos com a cabeça. A isolada cidadezinha no extremo leste de Cuba é acusada de ter parado em algum  momento de 1512, ano de sua fundação pelos conquistadores espanhóis, a primeira do país. Um exagero fácil de ser compreendido quando se descobre que, apenas 44 anos atrás, não existia nem acesso por terra até lá. 
Pois a estrada foi construída, substituiu os barcos e se tornou a primeira grande emoção de quem vai a Baracoa. Os viadutos de até 600 metros de altura seguem entre morros e abismos, com o oceano lá embaixo. Tantas são as exclamações que o motorista do Viazul atende ao pedido dos turistas e faz  uma parada para as fotos. 
Se não é verdade que Baracoa parou no tempo, por outro lado conserva um  clima ainda tão descomplicado que é capaz de o turista se sentir, pela primeira vez desde que pisou em Cuba, como gente da família. A cidade tem apenas quatro hotéis. Mas são muitas as casas particulares como a do casal  Yirelsy e Cesar (Calle Mariana Grajales, 9; tel.: (00–53- 21) 643-517). A diária de cerca de 20 pesos conversíveis (R$ 49), variável conforme o período do ano, garante o quarto para duas pessoas e o café com cardápio escolhido pelos hóspedes. E dá direito a brindes: um terraço com vista panorâmica ou um bate-papo nas cadeiras de balanço da sala de estar com os simpáticos anfitriões. 

Calçadão na orla, para descanso a qualquer hora. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Calçadão na orla, para descanso a qualquer hora. Fotos Mônica Nóbrega/AE

A área urbana é tão pequena que pode ser toda visitada em uma única tarde a  pé. Não é preciso ter pressa. Horário marcado, só mesmo nos Museus de  Arqueología (Calle Moncada, s/n.º), para ver algumas das cerâmicas mais antigas escavadas no  Caribe, e Municipal (Calle José Martí), instalado no Forte Matachín, uma construção espanhola  do fim do século 18 com acervo formado por relíquias de povos nativos da  região. Ambos funcionam das 8 às 20 horas, de terça-feira a domingo. 
As Ruas Antonio Maceo e José Martí, paralelas ao mar, cortam a cidade de  ponta a ponta, cheias de casinhas coloridas com portas abertas sobre a  calçada. Ao olhar lá dentro, você corre sério risco de ser convidado a  entrar para uma prosa. Estabelecimentos comerciais também ficam nessas ruas,  bem como a Fábrica de Tabaco Manuel Fuentes, em cuja fachada lê-se um solene  “Junto a Fidel e Raúl, mais unidos e vigilantes”. 

Apoio ao governo estampado na fachada da Fàbrica de Tabaco

Apoio ao governo estampado na fachada da Fàbrica de Tabaco

Quando der vontade de descansar os pés, o calçadão à beira-mar está sempre  por perto com a sua mureta generosa e o barulho das ondas nas pedras. 
A Casa da Cultura (Calle Antonio Maceo, 124 ) tem farta programação musical o dia todo. À noite,  instrumentistas se apresentam na Casa da Trova Victoríno Rodrigues (Calle Antonio Maceo, 149 ), a  principal balada de Baracoa. O lugar fecha lá pelas 23 horas, mas, se o  público estiver animado de verdade, os músicos esticam a noitada nos bancos  da praça em frente, a da catedral.

RANCHO TOA

Negrím pedala valentemente o bicitáxi por 10 acidentados quilômetros. Apesar  do esforço, fala sem parar. Conta histórias e mostra pontos de interesse no  trajeto: a fábrica de chocolates “inaugurada por El Che em abril de 1963”, e  El Yunque, a montanha-símbolo da cidade, com 575 metros e cume plano. Aos 50  anos, Eugénio Lopez Martínes, ou Negrím, tem corpo de um maratonista de 30 e  rosto de um homem de 70. 
Antes de sairmos da cidade, ele faz questão de parar em sua própria casa e de apresentar sua família: mulher, filho, filha e neta. Ganho água de coco colhido no quintal e seguimos para o Rancho Toa (Estrada Baracoa-Holguín), na foz do rio de mesmo nome, o mais extenso de Cuba, com 126 quilômetros.
Natureza e silêncio são o que Baracoa oferece de melhor ao viajante. Ainda  fora do circuito turístico mais conhecido, mantém suas belezas preservadas e  praias quase desertas. 
No Rancho Toa, um passeio de 15 minutos de canoa leva a uma praia onde há  apenas uma cabana feita com pedaços de madeira e palha. Pescadores constroem  abrigos afim de acampar dias sem voltar à cidade. O mar é limpíssimo e  gelado. 
Na volta, sobre uma ponte, Negrím me mostra o ponto do Rio Toa onde as  famílias locais fazem piqueniques. “Na sua próxima visita, traga a família”,  recomenda. “Então compraremos cervejas e passaremos um domingo nesse rio.”

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Das torres do Castillo San Pedro del Morro tem-se a vista mais bela de dois  ícones da geografia cubana. Ao sul está o Mar do Caribe, cujas ondas batem  na base da colina sobre a qual fica a fortaleza. Ao norte, a lendária Sierra  Maestra estende-se por uma linha que se confunde com a do horizonte. 

Castillo San Pedro del Morro em Santiago de Cuba. Foto Mônica Nóbrega/AE

Castillo San Pedro del Morro em Santiago de Cuba. Foto Mônica Nóbrega/AE

Localizado a 10 quilômetros de Santiago de Cuba, o preservado castelo do  século 17 serve como síntese das contradições essenciais da cidade, a  segunda maior do país, a 860 quilômetros de Havana, 14 horas de viagem de  ônibus. Não muito longe, fumaça de chaminés de fábricas suja a atmosfera.  Santiago é assim: linda e poluída, histórica e cheia de dilemas bem atuais,  colorida e cinzenta. 
Aqui sente-se no ar um quê de metrópole mais evidente até do que em Havana.  Compacta, a cidade distingue menos áreas turísticas daquelas que todo  destino prefere esconder. Seus moradores se movimentam entre os pontos de  ônibus e os armazéns de distribuição de alimentos – a comida é racionada e  os cubanos só podem comprá-la com cupons dados pelo governo. Eles, aliás,  detestam ver uma máquina fotográfica por perto quando estão nessas filas. 
A cidade fundada pelo conquistador Diego Velásquez foi capital do país  durante 31 anos, no século 16. Perdeu o posto para Havana, mas não a  relevância histórica. Antonio Maceo, comandante da independência cubana,  nasceu lá. Fidel Castro, então estudante, lançou ali os fundamentos de sua  nascente revolução e a família Bacardi, primeira fabricante de rum do país,  era santiaguense. 
Memórias desse passado estão distribuídas pelas Ruas Heredia e Enramada e  nas vielas transversais. O Museu Bacardi, o mais antigo de Cuba, tem acervo  militar, arqueológico e de artes plásticas, com pinturas cubanas dos séculos  19 e 20. 
A ex-capital é a cidade mais musical de Cuba, verdadeiro celeiro de  talentos. Basta dizer que Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, do Buena Vista  Social Club, foram revelados em seus palcos. Nem é preciso andar muito para  descobrir lugares como a Casa da Trova (Calle Heredia, 208), onde há sempre um grupo disposto a  executar números para os visitantes. Ou o Museu do Carnaval (Calle Heredia, 303), em homenagem à  festa mais popular de Cuba, que, no calendário deles, cai em julho. 
O cheiro de café acompanha a caminhada. A província de Santiago de Cuba é a  principal produtora do grão no país e prepara o melhor cafezinho cubano. Nas  mesas de madeira maciça do La Isabelica (Plaza Dolores), tente escolher entre as 103 opções  do menu. Uma ajudinha: a versão energética, com café, rum e mel, é incendiária. Por 3 pesos conversíveis (R$ 7,50), garante aporte de energia  imediato.

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As ruas de pedra e as fileiras de casas pintadas em cores vivas fazem  lembrar as cidades históricas de Minas Gerais, sem as ladeiras. Carros são  proibidos de circular no centro e essa medida, felizmente, ajuda a conservar  um Patrimônio da Humanidade. Trinidad foi reconhecida como tal pela Unesco  em 1988. 

 

Casas do centro histórico são Patrimônio da Unesco. Foto Mônica Nóbrega/AE

Casas do centro histórico são Patrimônio da Unesco. Foto Mônica Nóbrega/AE

A pouco menos de seis horas de viagem de Havana, a cidade localizada no Vale  de los Ingenios vive um cotidiano pacato entre as montanhas e o mar. Repare  nas salas de estar, nas varandas e nas praças: parece que todos têm cadeiras  de balanço. Nem o vaivém de estrangeiros altera o hábito dos moradores de  sentar-se diante de uma porta ou janela para assistir ao entardecer.
 A maioria dos turistas fica hospedada nas chamadas casas particulares, de  moradores, que chegam a 300. Faz bem o visitante que aderir a esse ritmo  pacato de viver – e, acredite, sempre haverá alguém disposto a uma conversa  preguiçosa –, mas não se deve esquecer que há muito para ver. A afirmação de  que Trinidad é um museu a céu aberto soa batida, mas verdadeira. Casas  coloniais, esculturas e a graciosa Plaza Mayor, marco zero da cidade, foram  restauradas nos últimos anos. Sem falar na alta concentração de museus de  fato: Romântico, de Arquitetura, de Ciências Naturais… 
No prédio amarelo do antigo Convento de São Francisco de Assis está o Museu  Nacional da Luta Contra os Bandidos (Calle Echerri, 59). O nome é melhor que o acervo: fotos, armas e mapas dos grupos contra Fidel na Serra do Escambray. Suba à torre, um dos mirantes mais altos da cidade. 
O centro histórico de Trinidad é um grande mercado, com barracas de artesanato em várias ruas. Além disso, galerias de arte, ateliês e escolas de música estão por toda parte. 
São necessários pelo menos três dias para ver os detalhes, em uma maratona a pé que pode se tornar bem cansativa. Exausto, basta aceitar o serviço de um dos moradores que alugam seus carros como táxi e seguir para as praias, distantes seis quilômetros (a corrida custa cerca de 10 pesos conversíveis  ou R$ 25). Passe direto por La Boca, lotada e suja, e escolha estender a  canga na faixa de areia estreita e clara de Marea Aguillar. A vida boa vai  durar até 17h30, aproximadamente. Desse horário em diante, o território é  dos borrachudos. Fuja sem pensar duas vezes. 
Trinidad vira uma festa quando a noite cai. Dança-se salsa até o dia clarear em bares e centros culturais. A Casa Fischer tem shows ao vivo entre terça-feira e domingo. No Palenque de Los Congos Reales (na Calle Echerri), um jardim com mesinhas coloridas, percussionistas embalam os dançarinos. 
Em todos esses lugares há cubanos superdispostos a desempenhar o papel de professores de salsa. Tímidos também podem e devem participar da festa noturna de Trinidad. Caminhar pelas ruas com um mojito em mãos é um programa com tantos adeptos quanto as pistas de dança.

VIVA A SANTERÍA!
Tradições semelhantes às que foram trazidas ao Brasil pelos escravos negros  e formaram o candomblé são a base da religião afro-cubana, a santería. Há tantos pontos em comum que até os deuses são os mesmos lá e aqui. Iemanjá, a  representante dos mares, tem um templo em Trinidad. A Casa Templo de  Santería Yemayá (na Calle Rubén Martínez Villena, 59) é aberta a visitantes. Além dos rituais cotidianos, o local organiza um bom número de festas. Vale a pena conferir. E se divertir.

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Veículos dos anos 50 e 60 são a marca das ruas de Havana. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Veículos dos anos 50 e 60 são a marca das ruas de Havana. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Além dos carros vintage, uma das marcas de Cuba, o trânsito local está cheio de provas de criatividade no quesito meios de transporte. Confira:

Cocotáxi: o triciclo com uma cabine amarela em formato de ovo (foto) tem lugar para duas pessoas, mais o condutor

Cocotáxi

Cocotáxi

Bicitáxi: o condutor pedala e você vai atrás, em um banco coberto para dois  passageiros

Bicitáxi

Bicitáxi

Charrete: só turista desavisado aceita pagar para fazer um city tour de charrete. Na frente do Capitólio, uma volta panorâmica que não vai muito além de Havana Velha sai por até 25 pesos conversíveis (R$ 62), um passeio que você pode muito bem fazer a pé

Charrete, só para desavisados

Charrete, só para desavisados

Guagua: sinônimo de transporte público. Os melhores são antigos ônibus escolares amarelos. Já os “camelos” são sequências de carrocerias de caminhão, usados por moradores da periferia.

Ônibus escolar faz papel de transporte público

Ônibus escolar faz papel de transporte público

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Um fotógrafo, um homem idoso e uma vara de pesca são os únicos que se movem  no fim de tarde de Cojímar. As poses e o local evidenciam o objetivo de  reproduzir cenas de O Velho e o Mar (1952), talvez ilustrar o trecho “tudo  nele era velho, exceto seus olhos”, o mais famoso da obra. O livro que  rendeu o Prêmio Pulitzer a Ernest Hemingway (1899-1961) foi inspirado na  vila de pescadores, 10 quilômetros a leste de Havana, onde o escritor  gostava de ancorar o barco pesqueiro El Pilar.  Boêmio, polêmico e empenhado em se tornar um mito, o americano viveu 21 anos  em Cuba e virou um ícone. Hoje, os lugares que ele frequentava, a exemplo do  silencioso vilarejo de poucas ruas e casinhas de alvenaria, usam a  preferência do escritor para chamar a atenção. Eis outras paradas  indispensáveis do tour Hemingway:

OS BARES
Em Havana Velha, os restaurantes Bodeguita del Medio (Calle Empedrado, 207)  e El Floridita (Callle Obispo, 557) estampam, na fachada de cada um, a sua  metade da famosa frase “mi mojito en la Bodeguita y mi daiquirí en El  Floridita”. Ambos mantêm a qualidade dos drinques celebrizados pelo  escritor, mas servem comida cara e insossa. Em Cojímar há outro restaurante  da lista dos preferidos de Hemingway, o La Terrazza (Calle Real, 161). Fotos  do autor com Fidel Castro decoram o lugar, especializado em frutos do mar. 

O HOTEL
O quarto 511 do Hotel Ambos Mundos (diária a partir de R$ 207), onde Hemingway  morou e teria escrito alguns capítulos de Por Quem os Sinos Dobram (1940),  foi transformado em museu com objetos pessoais do autor. 

O MUSEU
Em Finca Vigía, a casa onde Hemingway morou em São Francisco de Paula, a 15  quilômetros de Havana, estão os resquícios mais interessantes do escritor na  ilha. Das relíquias de caça, como cabeças de animais, à piscina onde Ava  Gardner nadou nua e, claro, o barco El Pilar, há vários objetos expostos na  propriedade convertida em Museu Hemingway.

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As boas praias de Havana ficam nos tranquilos bairros costeiros do leste da  capital, onde altos funcionários do governo costumam ter casas de veraneio.  Seguindo pela Via Blanca no sentido Varadero, cerca de 20 quilômetros adiante já se encontram trechos com boas areias para se esticar ao sol. 
A forma mais em conta de chegar às Praias do Leste é tomar um ônibus  turístico da Habana Bus Tour – o ponto final das linhas fica quase em frente  ao Capitólio. O tíquete custa 5 pesos conversíveis (R$ 12) e dá direito a um  dia inteiro de viagens, com quantas descidas você quiser, entre 9 e 21  horas. Os horários estão marcados nas placas dos pontos, mas não são lá  muito respeitados. O motorista costuma ter informações mais precisas. 
Nas praias, as paradas principais são as dos hotéis Tropicoco e Atlantis.  Prefira esta segunda, menos concorrida e mais limpa. Mas qualquer ponto da  Praia Santa Maria tem areia bem clara, corais e mar azul um tanto gelado. 
A infraestrutura deixa um pouco a desejar. Quiosques improvisados alugam  equipamentos de lazer e vendem passeios de barco. No Don Pepe, a cadeira de  praia custa 2 pesos conversíveis (R$ 5) por hora, mesmo preço cobrado pelo  caiaque. Já o snorkel sai por 4 pesos conversíveis (R$ 10) por hora. 
Apenas tome cuidado para não se afastar muito da costa. Não há salva-vidas a  postos até onde a vista alcança.

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Havana, toda ela um museu a céu aberto, tem notável prazer em contar sua  história. Narrativa que ganha alguns toques de ficção, remendos não  exatamente sutis para adequar o passado às conveniências dos burocratas da  vez. A dica é nunca confiar em tudo o que vê, lê e ouve nos 61 museus da  capital cubana. Mas não deixe de visitá-los. Há acervos sobre assuntos  variadíssimos e muito a aprender. 

REVOLUÇÃO
O Museu da Revolução exalta sem pudores os irmãos Castro e o herói nacional Che Guevara. Isto posto, garante horas divertidas e instrutivas se você  deixar de lado a preocupação com coisas como linha do tempo da Revolução  Cubana – falta uma boa curadoria para organizar a coleção – e concentrar a  atenção em curiosidades e detalhes. Há um belo acervo fotográfico, pouco  divulgado, com instantâneos de mulheres revolucionárias. O prédio do museu  foi residência oficial de presidentes cubanos até o ditador Fulgêncio  Batista (1901- 1973) ser deposto por Fidel. De arquitetura colonial  espanhola, tem em seu interior um ambiente tão rococó quanto ninguém  esperaria encontrar em Cuba, uma sala dos espelhos inspirada no Palácio de  Versalhes. No anexo, o Memorial Granma exibe armamento militar pesado, como  tanques e helicópteros.

REAL FUERZA
O Castillo de la Real Fuerza é a fortaleza mais antiga do país. Foi erguido  no século 16 como armazém dos tesouros que as colônias centro e  sul-americanas eram obrigadas a pagar em impostos à metrópole espanhola.  Fica bem diante da Baía de Havana, na Plaza de Armas, em Havana Velha. O bem  conservado castelo é cercado por fossos e grades. Nas salas há exemplares  originais de moedas que circulavam na Cuba colonial e placas enormes de  prata e ouro. Várias peças foram encontradas no fundo do mar a partir de  1980 e pertenciam a embarcações que naufragaram. O telhado é o local para  uma foto panorâmica da baía. A entrada é grátis, mas os atenciosos guias  esperam uma gratificação no fim da visita. Em geral, 1 ou 2 pesos  conversíveis são suficientes. 

PINTURA MURAL
O mesmo esquema de gratificar o guia vale para o Museu da Pintura Mural (Calle Obispo, s/n.º), na  casa do século 16 que, dizem, é a mais antiga da cidade ainda de pé. As  paredes foram descascadas para expor afrescos de séculos passados e há  também fragmentos de paredes de outras residências, além de fotos. As  varandas superiores ao redor do átrio central formam um dos lugares mais  poéticos de Havana. 

RUM
O acervo do Museu do Rum, mantido pela Fundação Havana Club, descreve o  processo de produção da bebida nacional e mostra a importância do açúcar na  economia cubana. No mesmo prédio, erguido no século 18, ficam galeria de  arte, loja e um bar-restaurante para encerrar o passeio, quem sabe, com um  mojito bem gelado.

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A máquina fotográfica apontada para o Capitólio é a senha. Certo de ter  encontrado uma turista, o homem de 20 e poucos anos se aproxima, faz  perguntas básicas (procedência, tempo em Havana, se está gostando da cidade)  e mostra o panfleto amarrotado de um festival. “De salsa”, diz. “Se precisar  de companhia, são só 5 convertibles (R$ 12).” Diante da negativa, pede “uma  ajuda, chocolate, um presente para meus filhos.” 
A escassez de tudo, inclusive comida e produtos de higiene, e os salários  baixíssimos fizeram dos cubanos um povo cheio de jeitinhos. As ruas não são  violentas, mas pequenos golpes se multiplicam numa infinita criatividade de  abordagens. O casal que convida para uma festa aproveita para oferecer  charutos Cohiba por 50 pesos conversíveis (R$ 124) a caixa – produto que  custa, no aeroporto, a partir de 15 pesos conversíveis (R$ 37). Um par de  tênis All Star nos pés do visitante é pretexto suficiente para aproximação  do flanelinha, que logo passa a se oferecer como guia turístico. 
Mesmo os shows de músicos populares em troca de centavos, comuns pelas ruas  do mundo todo, têm sua versão turbinada em Cuba. Nas casas de cultura,  trovadores apresentam números belíssimos sem cobrar nada. Para, em seguida,  oferecer o CD por até 20 pesos conversíveis (R$ 49). Sem graça, você compra.  Também como em outros lugares pobres, solteiros são abordados por homens e  mulheres dispostos a vender a própria companhia. Em Cuba, esses  profissionais são chamados de jineteros. “Me convida?”, é a aproximação  padrão. 
Não é raro que os moradores tentem obter dos estrangeiros produtos escassos  nas prateleiras locais. As mulheres, principalmente, pedem doações de  camisetas e sabonetes. Difícil negar. Muitos turistas se habituam a andar  pelas ruas cubanas com a mochila cheia desses objetos.

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