Por Fabiana Caso
Oscar Niemeyer está prestes a completar 103 anos no próximo dia 15. E não quer deixar as pranchetas de lado. Continua produzindo, numa escala tão monumental quanto suas criações, requisitado em uma série de países. Em entrevista ao Viagem, em março de 2007, o arquiteto contou quais eram suas obras favoritas, seus novos projetos e como eles eram importantes para o turismo. Leia a entrevista aqui. Na edição de hoje, publicamos a foto do quase concluído Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, na Espanha. Mas, além dele, há uma série de obras em andamento pelo mundo afora. Confira, em primeira mão, algumas das maquetes digitais dessas construções que têm a ousadia como marca registrada:
Atelier em Saint-Moritz, na Suíça:
Centro Cultural no Cazaquistão:
Biblioteca Mundo Árabe, na Argélia:
Universidade de Ciências e Informática, em Cuba:
Ninguém fica indiferente a esta ilha
A alegre e musical Havana
Fique atento às abordagens criativas
Da revolução à arte nos museus
Boas faixas de areia a leste de Havana
Endereços favoritos de Hemingway
Trânsito mostra criatividade cubana
Festeje, você está em Trinidad
Santiago mostra dois lados
Sinta-se em casa em Baracoa

Fábrica de charutos Partagás, Havana

Centro de Havana
Dentre as muitas anedotas que ilustram a relação dos cubanos com Baracoa, a mais engraçada diz que seus habitantes quebram cocos com a cabeça. A isolada cidadezinha no extremo leste de Cuba é acusada de ter parado em algum momento de 1512, ano de sua fundação pelos conquistadores espanhóis, a primeira do país. Um exagero fácil de ser compreendido quando se descobre que, apenas 44 anos atrás, não existia nem acesso por terra até lá.
Pois a estrada foi construída, substituiu os barcos e se tornou a primeira grande emoção de quem vai a Baracoa. Os viadutos de até 600 metros de altura seguem entre morros e abismos, com o oceano lá embaixo. Tantas são as exclamações que o motorista do Viazul atende ao pedido dos turistas e faz uma parada para as fotos.
Se não é verdade que Baracoa parou no tempo, por outro lado conserva um clima ainda tão descomplicado que é capaz de o turista se sentir, pela primeira vez desde que pisou em Cuba, como gente da família. A cidade tem apenas quatro hotéis. Mas são muitas as casas particulares como a do casal Yirelsy e Cesar (Calle Mariana Grajales, 9; tel.: (00–53- 21) 643-517). A diária de cerca de 20 pesos conversíveis (R$ 49), variável conforme o período do ano, garante o quarto para duas pessoas e o café com cardápio escolhido pelos hóspedes. E dá direito a brindes: um terraço com vista panorâmica ou um bate-papo nas cadeiras de balanço da sala de estar com os simpáticos anfitriões.

Calçadão na orla, para descanso a qualquer hora. Fotos Mônica Nóbrega/AE
A área urbana é tão pequena que pode ser toda visitada em uma única tarde a pé. Não é preciso ter pressa. Horário marcado, só mesmo nos Museus de Arqueología (Calle Moncada, s/n.º), para ver algumas das cerâmicas mais antigas escavadas no Caribe, e Municipal (Calle José Martí), instalado no Forte Matachín, uma construção espanhola do fim do século 18 com acervo formado por relíquias de povos nativos da região. Ambos funcionam das 8 às 20 horas, de terça-feira a domingo.
As Ruas Antonio Maceo e José Martí, paralelas ao mar, cortam a cidade de ponta a ponta, cheias de casinhas coloridas com portas abertas sobre a calçada. Ao olhar lá dentro, você corre sério risco de ser convidado a entrar para uma prosa. Estabelecimentos comerciais também ficam nessas ruas, bem como a Fábrica de Tabaco Manuel Fuentes, em cuja fachada lê-se um solene “Junto a Fidel e Raúl, mais unidos e vigilantes”.

Apoio ao governo estampado na fachada da Fàbrica de Tabaco
Quando der vontade de descansar os pés, o calçadão à beira-mar está sempre por perto com a sua mureta generosa e o barulho das ondas nas pedras.
A Casa da Cultura (Calle Antonio Maceo, 124 ) tem farta programação musical o dia todo. À noite, instrumentistas se apresentam na Casa da Trova Victoríno Rodrigues (Calle Antonio Maceo, 149 ), a principal balada de Baracoa. O lugar fecha lá pelas 23 horas, mas, se o público estiver animado de verdade, os músicos esticam a noitada nos bancos da praça em frente, a da catedral.
RANCHO TOA
Negrím pedala valentemente o bicitáxi por 10 acidentados quilômetros. Apesar do esforço, fala sem parar. Conta histórias e mostra pontos de interesse no trajeto: a fábrica de chocolates “inaugurada por El Che em abril de 1963”, e El Yunque, a montanha-símbolo da cidade, com 575 metros e cume plano. Aos 50 anos, Eugénio Lopez Martínes, ou Negrím, tem corpo de um maratonista de 30 e rosto de um homem de 70.
Antes de sairmos da cidade, ele faz questão de parar em sua própria casa e de apresentar sua família: mulher, filho, filha e neta. Ganho água de coco colhido no quintal e seguimos para o Rancho Toa (Estrada Baracoa-Holguín), na foz do rio de mesmo nome, o mais extenso de Cuba, com 126 quilômetros.
Natureza e silêncio são o que Baracoa oferece de melhor ao viajante. Ainda fora do circuito turístico mais conhecido, mantém suas belezas preservadas e praias quase desertas.
No Rancho Toa, um passeio de 15 minutos de canoa leva a uma praia onde há apenas uma cabana feita com pedaços de madeira e palha. Pescadores constroem abrigos afim de acampar dias sem voltar à cidade. O mar é limpíssimo e gelado.
Na volta, sobre uma ponte, Negrím me mostra o ponto do Rio Toa onde as famílias locais fazem piqueniques. “Na sua próxima visita, traga a família”, recomenda. “Então compraremos cervejas e passaremos um domingo nesse rio.”
Das torres do Castillo San Pedro del Morro tem-se a vista mais bela de dois ícones da geografia cubana. Ao sul está o Mar do Caribe, cujas ondas batem na base da colina sobre a qual fica a fortaleza. Ao norte, a lendária Sierra Maestra estende-se por uma linha que se confunde com a do horizonte.

Castillo San Pedro del Morro em Santiago de Cuba. Foto Mônica Nóbrega/AE
Localizado a 10 quilômetros de Santiago de Cuba, o preservado castelo do século 17 serve como síntese das contradições essenciais da cidade, a segunda maior do país, a 860 quilômetros de Havana, 14 horas de viagem de ônibus. Não muito longe, fumaça de chaminés de fábricas suja a atmosfera. Santiago é assim: linda e poluída, histórica e cheia de dilemas bem atuais, colorida e cinzenta.
Aqui sente-se no ar um quê de metrópole mais evidente até do que em Havana. Compacta, a cidade distingue menos áreas turísticas daquelas que todo destino prefere esconder. Seus moradores se movimentam entre os pontos de ônibus e os armazéns de distribuição de alimentos – a comida é racionada e os cubanos só podem comprá-la com cupons dados pelo governo. Eles, aliás, detestam ver uma máquina fotográfica por perto quando estão nessas filas.
A cidade fundada pelo conquistador Diego Velásquez foi capital do país durante 31 anos, no século 16. Perdeu o posto para Havana, mas não a relevância histórica. Antonio Maceo, comandante da independência cubana, nasceu lá. Fidel Castro, então estudante, lançou ali os fundamentos de sua nascente revolução e a família Bacardi, primeira fabricante de rum do país, era santiaguense.
Memórias desse passado estão distribuídas pelas Ruas Heredia e Enramada e nas vielas transversais. O Museu Bacardi, o mais antigo de Cuba, tem acervo militar, arqueológico e de artes plásticas, com pinturas cubanas dos séculos 19 e 20.
A ex-capital é a cidade mais musical de Cuba, verdadeiro celeiro de talentos. Basta dizer que Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, do Buena Vista Social Club, foram revelados em seus palcos. Nem é preciso andar muito para descobrir lugares como a Casa da Trova (Calle Heredia, 208), onde há sempre um grupo disposto a executar números para os visitantes. Ou o Museu do Carnaval (Calle Heredia, 303), em homenagem à festa mais popular de Cuba, que, no calendário deles, cai em julho.
O cheiro de café acompanha a caminhada. A província de Santiago de Cuba é a principal produtora do grão no país e prepara o melhor cafezinho cubano. Nas mesas de madeira maciça do La Isabelica (Plaza Dolores), tente escolher entre as 103 opções do menu. Uma ajudinha: a versão energética, com café, rum e mel, é incendiária. Por 3 pesos conversíveis (R$ 7,50), garante aporte de energia imediato.
As ruas de pedra e as fileiras de casas pintadas em cores vivas fazem lembrar as cidades históricas de Minas Gerais, sem as ladeiras. Carros são proibidos de circular no centro e essa medida, felizmente, ajuda a conservar um Patrimônio da Humanidade. Trinidad foi reconhecida como tal pela Unesco em 1988.

Casas do centro histórico são Patrimônio da Unesco. Foto Mônica Nóbrega/AE
A pouco menos de seis horas de viagem de Havana, a cidade localizada no Vale de los Ingenios vive um cotidiano pacato entre as montanhas e o mar. Repare nas salas de estar, nas varandas e nas praças: parece que todos têm cadeiras de balanço. Nem o vaivém de estrangeiros altera o hábito dos moradores de sentar-se diante de uma porta ou janela para assistir ao entardecer.
A maioria dos turistas fica hospedada nas chamadas casas particulares, de moradores, que chegam a 300. Faz bem o visitante que aderir a esse ritmo pacato de viver – e, acredite, sempre haverá alguém disposto a uma conversa preguiçosa –, mas não se deve esquecer que há muito para ver. A afirmação de que Trinidad é um museu a céu aberto soa batida, mas verdadeira. Casas coloniais, esculturas e a graciosa Plaza Mayor, marco zero da cidade, foram restauradas nos últimos anos. Sem falar na alta concentração de museus de fato: Romântico, de Arquitetura, de Ciências Naturais…
No prédio amarelo do antigo Convento de São Francisco de Assis está o Museu Nacional da Luta Contra os Bandidos (Calle Echerri, 59). O nome é melhor que o acervo: fotos, armas e mapas dos grupos contra Fidel na Serra do Escambray. Suba à torre, um dos mirantes mais altos da cidade.
O centro histórico de Trinidad é um grande mercado, com barracas de artesanato em várias ruas. Além disso, galerias de arte, ateliês e escolas de música estão por toda parte.
São necessários pelo menos três dias para ver os detalhes, em uma maratona a pé que pode se tornar bem cansativa. Exausto, basta aceitar o serviço de um dos moradores que alugam seus carros como táxi e seguir para as praias, distantes seis quilômetros (a corrida custa cerca de 10 pesos conversíveis ou R$ 25). Passe direto por La Boca, lotada e suja, e escolha estender a canga na faixa de areia estreita e clara de Marea Aguillar. A vida boa vai durar até 17h30, aproximadamente. Desse horário em diante, o território é dos borrachudos. Fuja sem pensar duas vezes.
Trinidad vira uma festa quando a noite cai. Dança-se salsa até o dia clarear em bares e centros culturais. A Casa Fischer tem shows ao vivo entre terça-feira e domingo. No Palenque de Los Congos Reales (na Calle Echerri), um jardim com mesinhas coloridas, percussionistas embalam os dançarinos.
Em todos esses lugares há cubanos superdispostos a desempenhar o papel de professores de salsa. Tímidos também podem e devem participar da festa noturna de Trinidad. Caminhar pelas ruas com um mojito em mãos é um programa com tantos adeptos quanto as pistas de dança.
VIVA A SANTERÍA!
Tradições semelhantes às que foram trazidas ao Brasil pelos escravos negros e formaram o candomblé são a base da religião afro-cubana, a santería. Há tantos pontos em comum que até os deuses são os mesmos lá e aqui. Iemanjá, a representante dos mares, tem um templo em Trinidad. A Casa Templo de Santería Yemayá (na Calle Rubén Martínez Villena, 59) é aberta a visitantes. Além dos rituais cotidianos, o local organiza um bom número de festas. Vale a pena conferir. E se divertir.

Veículos dos anos 50 e 60 são a marca das ruas de Havana. Fotos Mônica Nóbrega/AE
Além dos carros vintage, uma das marcas de Cuba, o trânsito local está cheio de provas de criatividade no quesito meios de transporte. Confira:
Cocotáxi: o triciclo com uma cabine amarela em formato de ovo (foto) tem lugar para duas pessoas, mais o condutor

Cocotáxi
Bicitáxi: o condutor pedala e você vai atrás, em um banco coberto para dois passageiros

Bicitáxi
Charrete: só turista desavisado aceita pagar para fazer um city tour de charrete. Na frente do Capitólio, uma volta panorâmica que não vai muito além de Havana Velha sai por até 25 pesos conversíveis (R$ 62), um passeio que você pode muito bem fazer a pé

Charrete, só para desavisados
Guagua: sinônimo de transporte público. Os melhores são antigos ônibus escolares amarelos. Já os “camelos” são sequências de carrocerias de caminhão, usados por moradores da periferia.

Ônibus escolar faz papel de transporte público
Um fotógrafo, um homem idoso e uma vara de pesca são os únicos que se movem no fim de tarde de Cojímar. As poses e o local evidenciam o objetivo de reproduzir cenas de O Velho e o Mar (1952), talvez ilustrar o trecho “tudo nele era velho, exceto seus olhos”, o mais famoso da obra. O livro que rendeu o Prêmio Pulitzer a Ernest Hemingway (1899-1961) foi inspirado na vila de pescadores, 10 quilômetros a leste de Havana, onde o escritor gostava de ancorar o barco pesqueiro El Pilar. Boêmio, polêmico e empenhado em se tornar um mito, o americano viveu 21 anos em Cuba e virou um ícone. Hoje, os lugares que ele frequentava, a exemplo do silencioso vilarejo de poucas ruas e casinhas de alvenaria, usam a preferência do escritor para chamar a atenção. Eis outras paradas indispensáveis do tour Hemingway:
OS BARES
Em Havana Velha, os restaurantes Bodeguita del Medio (Calle Empedrado, 207) e El Floridita (Callle Obispo, 557) estampam, na fachada de cada um, a sua metade da famosa frase “mi mojito en la Bodeguita y mi daiquirí en El Floridita”. Ambos mantêm a qualidade dos drinques celebrizados pelo escritor, mas servem comida cara e insossa. Em Cojímar há outro restaurante da lista dos preferidos de Hemingway, o La Terrazza (Calle Real, 161). Fotos do autor com Fidel Castro decoram o lugar, especializado em frutos do mar.
O HOTEL
O quarto 511 do Hotel Ambos Mundos (diária a partir de R$ 207), onde Hemingway morou e teria escrito alguns capítulos de Por Quem os Sinos Dobram (1940), foi transformado em museu com objetos pessoais do autor.
O MUSEU
Em Finca Vigía, a casa onde Hemingway morou em São Francisco de Paula, a 15 quilômetros de Havana, estão os resquícios mais interessantes do escritor na ilha. Das relíquias de caça, como cabeças de animais, à piscina onde Ava Gardner nadou nua e, claro, o barco El Pilar, há vários objetos expostos na propriedade convertida em Museu Hemingway.
As boas praias de Havana ficam nos tranquilos bairros costeiros do leste da capital, onde altos funcionários do governo costumam ter casas de veraneio. Seguindo pela Via Blanca no sentido Varadero, cerca de 20 quilômetros adiante já se encontram trechos com boas areias para se esticar ao sol.
A forma mais em conta de chegar às Praias do Leste é tomar um ônibus turístico da Habana Bus Tour – o ponto final das linhas fica quase em frente ao Capitólio. O tíquete custa 5 pesos conversíveis (R$ 12) e dá direito a um dia inteiro de viagens, com quantas descidas você quiser, entre 9 e 21 horas. Os horários estão marcados nas placas dos pontos, mas não são lá muito respeitados. O motorista costuma ter informações mais precisas.
Nas praias, as paradas principais são as dos hotéis Tropicoco e Atlantis. Prefira esta segunda, menos concorrida e mais limpa. Mas qualquer ponto da Praia Santa Maria tem areia bem clara, corais e mar azul um tanto gelado.
A infraestrutura deixa um pouco a desejar. Quiosques improvisados alugam equipamentos de lazer e vendem passeios de barco. No Don Pepe, a cadeira de praia custa 2 pesos conversíveis (R$ 5) por hora, mesmo preço cobrado pelo caiaque. Já o snorkel sai por 4 pesos conversíveis (R$ 10) por hora.
Apenas tome cuidado para não se afastar muito da costa. Não há salva-vidas a postos até onde a vista alcança.
Havana, toda ela um museu a céu aberto, tem notável prazer em contar sua história. Narrativa que ganha alguns toques de ficção, remendos não exatamente sutis para adequar o passado às conveniências dos burocratas da vez. A dica é nunca confiar em tudo o que vê, lê e ouve nos 61 museus da capital cubana. Mas não deixe de visitá-los. Há acervos sobre assuntos variadíssimos e muito a aprender.
REVOLUÇÃO
O Museu da Revolução exalta sem pudores os irmãos Castro e o herói nacional Che Guevara. Isto posto, garante horas divertidas e instrutivas se você deixar de lado a preocupação com coisas como linha do tempo da Revolução Cubana – falta uma boa curadoria para organizar a coleção – e concentrar a atenção em curiosidades e detalhes. Há um belo acervo fotográfico, pouco divulgado, com instantâneos de mulheres revolucionárias. O prédio do museu foi residência oficial de presidentes cubanos até o ditador Fulgêncio Batista (1901- 1973) ser deposto por Fidel. De arquitetura colonial espanhola, tem em seu interior um ambiente tão rococó quanto ninguém esperaria encontrar em Cuba, uma sala dos espelhos inspirada no Palácio de Versalhes. No anexo, o Memorial Granma exibe armamento militar pesado, como tanques e helicópteros.
REAL FUERZA
O Castillo de la Real Fuerza é a fortaleza mais antiga do país. Foi erguido no século 16 como armazém dos tesouros que as colônias centro e sul-americanas eram obrigadas a pagar em impostos à metrópole espanhola. Fica bem diante da Baía de Havana, na Plaza de Armas, em Havana Velha. O bem conservado castelo é cercado por fossos e grades. Nas salas há exemplares originais de moedas que circulavam na Cuba colonial e placas enormes de prata e ouro. Várias peças foram encontradas no fundo do mar a partir de 1980 e pertenciam a embarcações que naufragaram. O telhado é o local para uma foto panorâmica da baía. A entrada é grátis, mas os atenciosos guias esperam uma gratificação no fim da visita. Em geral, 1 ou 2 pesos conversíveis são suficientes.
PINTURA MURAL
O mesmo esquema de gratificar o guia vale para o Museu da Pintura Mural (Calle Obispo, s/n.º), na casa do século 16 que, dizem, é a mais antiga da cidade ainda de pé. As paredes foram descascadas para expor afrescos de séculos passados e há também fragmentos de paredes de outras residências, além de fotos. As varandas superiores ao redor do átrio central formam um dos lugares mais poéticos de Havana.
RUM
O acervo do Museu do Rum, mantido pela Fundação Havana Club, descreve o processo de produção da bebida nacional e mostra a importância do açúcar na economia cubana. No mesmo prédio, erguido no século 18, ficam galeria de arte, loja e um bar-restaurante para encerrar o passeio, quem sabe, com um mojito bem gelado.
A máquina fotográfica apontada para o Capitólio é a senha. Certo de ter encontrado uma turista, o homem de 20 e poucos anos se aproxima, faz perguntas básicas (procedência, tempo em Havana, se está gostando da cidade) e mostra o panfleto amarrotado de um festival. “De salsa”, diz. “Se precisar de companhia, são só 5 convertibles (R$ 12).” Diante da negativa, pede “uma ajuda, chocolate, um presente para meus filhos.”
A escassez de tudo, inclusive comida e produtos de higiene, e os salários baixíssimos fizeram dos cubanos um povo cheio de jeitinhos. As ruas não são violentas, mas pequenos golpes se multiplicam numa infinita criatividade de abordagens. O casal que convida para uma festa aproveita para oferecer charutos Cohiba por 50 pesos conversíveis (R$ 124) a caixa – produto que custa, no aeroporto, a partir de 15 pesos conversíveis (R$ 37). Um par de tênis All Star nos pés do visitante é pretexto suficiente para aproximação do flanelinha, que logo passa a se oferecer como guia turístico.
Mesmo os shows de músicos populares em troca de centavos, comuns pelas ruas do mundo todo, têm sua versão turbinada em Cuba. Nas casas de cultura, trovadores apresentam números belíssimos sem cobrar nada. Para, em seguida, oferecer o CD por até 20 pesos conversíveis (R$ 49). Sem graça, você compra. Também como em outros lugares pobres, solteiros são abordados por homens e mulheres dispostos a vender a própria companhia. Em Cuba, esses profissionais são chamados de jineteros. “Me convida?”, é a aproximação padrão.
Não é raro que os moradores tentem obter dos estrangeiros produtos escassos nas prateleiras locais. As mulheres, principalmente, pedem doações de camisetas e sabonetes. Difícil negar. Muitos turistas se habituam a andar pelas ruas cubanas com a mochila cheia desses objetos.
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