Depois da abertura debaixo de chuva torrencial, na sexta-feira, o sábado foi bem mais seco para a multidão que compareceu ao Marco Zero, no carnaval do Recife. Orquestra Contemporânea de Olinda, Lulu Santos e, encerrando, Lenine, Pedro Luís e a Parede seguraram a animação dos foliões até depois das 3h da manhã.
A chuva voltou a aparecer no show de Lulu Santos, mas numa versão bem mais branda que no dia anterior. Nem assim a plateia desanimou, e o que se viu do alto foi um festival de sombrinhas coloridas decorando o cenário.
Hoje, o Marco Zero receberá os bambas do samba, com Bete Carvalho e Fundo de Quintal.
Baile no Jockey Club. Foto: Bruno Ryfer/Divulgação
Felipe Mortara
Vai ter confete, serpentina e cerveja. Mas também muito paetê, lantejoula e glamour. E olha que não estamos falando nem dos blocos de carnaval nem dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Um dos principais pólos carnavalescos do país também quer mostrar seu fôlego folião nas celebrações dos bailes, famosas entre as décadas de 60 e 90.
Procurando reviver os tempos onde os bailes eram peças fundamentais na agenda de eventos da Cidade Maravilhosa, os Bailes do Rio 2012 tem a sua segunda edição de 16 a 21 de fevereiro, no Jockey Club, na Gávea. Certamente menos democrático que os blocos de rua, mas longe de serem unicamente festas nababescas repletas de celebridades e ricaços, o evento propõe uma programação diversificada para cada dia.
Desde um concurso de fantasias, que ocorre na quinta-feira (dia 16, a partir das 17hs), até show com Diogo Nogueira e a Unidos da Tijuca (dia 17), passando por apresentações de bandas de blocos famosos, como Cordão da Bola Preta e Céu na Terra (dia 20), até o glamouroso – afinal, é no Jockey Club – Baile Oficial da Cidade do Rio de Janeiro (dia 16, a partir das 22hs).
Mas também haverá farta programação diurna, com a festejada Feijoada do Amaral (dia 18, às 14h30) e um baile infantil a Fantasia, com uma escola de samba mirim tocando (dia 19, às 17hs). Para coroar o ecletismo do evento e garantir máximo aproveitamento dos salões do Jockey, o Grande Baile Gay fecha o carnaval na Gávea ao som das Frenéticas na terça-feira Gorda. Os preços variam de R$ 50 a R$ 500, e os convites podem ser adquiridos no Ingresso.com
Também na pegada indoor o Clube Monte Líbano, na Lagoa, abrirá o seu amplo salão de 2 mil m², para receber foliões para o Carnaval Mais Carioca, nos dias 17 a 21 de fevereiro. A idéia também é resgatar os grandes bailes de carnaval, só que num estilo moderno e reformulado mesclando funk e pagode ao samba.
O Bloco Santa Clara e o Cordão da Bola Preta se apresentam nos dias 17 e 18, respectivamente. No domingo, 19 de fevereiro, DJ Marlboro e MC Sapão trazem o pancadão para a pista. Já no dia 20 de Fevereiro, segunda-feira, o Baile de Máscaras contará com a participação do Trio Ternura.
Na terça-feira, 21, o Grupo Palavra Cantada, dos músicos Sandra Peres e Paulo Tatit, puxa o baile infantil à tarde. Já à noite, o baile Se Beber Não Case é a última chance para quem deixou para aproveitar o carnaval no final, com a participação da Bateria da Grande Rio e do DJ Tubarão. Depois, só resta varrer o chão na Quarta-Feira de Cinzas. Os ingressos custam entre R$ 30 e 60 ou nos sites Ingresso Certo e Ingresso Mais.
Pedro Antunes*
É tudo tão diferente, mas tudo tão igual. Deu para entender? A ilha de Barbados, situada no Caribe, próxima da Venezuela, comemora o seu carnaval com muitos trios elétricos nas ruas, moças com fantasias mínimas e muita dança. O sorriso no rosto dos bajans, como eles próprios se denominam, é sempre frequente.
Tem muito do carnaval que se conhece no Brasil, com a mistura dos trios elétricos de Salvador (BA), os biquinis do Rio de Janeiro e um jeito de dançar único. A música tem um ritmo latino, navega entre o axé e o raggae, e tem o nome de soka.
O carnaval deles, no entanto, é muito, muito mais longo. São pouco mais de 3 meses de festa, de 14 de maio a 1 de agosto. Tudo para celebrar o fim da colheita de cana-de-açúcar.
Nesta segunda-feira (1/8), último dia do carnaval, é comemorado o Kadooment Day, o dia da libertação dos escravos. Cerca de 15 mil pessoas se dividem em blocos que desfilam pelas ruas de Spring Garden, um bairro mais periférico de Bridgetown, a capital da ilha caribenha. São 6 quilômetros de percurso, com soka de fundo, com muita dança e bebida. A dança, em si, é extremamente peculiar.
Apesar da sensação térmica de mais de 30º e a chuva que insistia em cair, os bajans e turistas protagonizavam cenas quase de sexo explícito. A única coisa que os impedia de qualquer assanhamento maior, eram as roupas – curtas, diga-se de passagem.
A simulação é tradicional e parece não incomodar nenhuma das pessoas, seja quem está dentro do cordão de isolamento, ou quem está fora, só assistindo a festa. Tudo faz parte da festa.
Até a cantora Rihanna, que nasceu no país e se tornou, no último mês, uma espécie de embaixadora, caiu na brincadeira e desfilou pelas ruas de Spring Garden.
Tradição que foi criada no século 13, o carnaval de Veneza é frequentado por moradores e turistas. Thais Souza e as amigas Carolina e Priscila foram conferir o evento em 2008. “Foi um carnaval de muito frio, mas também de muitas festas”, lembra.
Após o incêndio de segunda-feira, que destruiu os barracões das escolas de samba Grande Rio, Portela e União da Ilha, a ordem dos desfiles do carnaval do Rio de Janeiro foi alterada. As três escolas estavam previstas para entrar na avenida na segunda-feira de carnaval, mas a Liga Independente das Escola de Samba do RJ (Liesa) decidiu alterar a agenda e, agora, a Portela desfilará no domingo – para balancear, a Mocidade Independente de Padre Miguel passou para a segunda-feira.
A mudança foi feita para evitar que o segundo dia de desfile ficasse prejudicado. E, também por causa do ocorrido, a instituição determinou que nenhuma das 13 escolas do Grupo Especial – as 12 deste ano mais a campeã do grupo de acesso – será rebaixada no carnaval deste ano.
Pode ser que alguns foliões já com ingressos na mão se sentam prejudicados com a nova ordem das apresentações. Por isso, a Liesa também anunciou quem houver interesse poderá ter ser dinheiro de volta. Basta comparecer à central de venda de ingressos, na Rua da Alfândega, 25, no centro do Rio, e devolver o ingresso – não há possibilidade de troca.
Não, não se trata de algum tipo de micareta tresloucada. Todos os anos, a cidade de Colônia, na Alemanha, inicia as comemorações da chamada Quinta Estação – a estação carnavalesca – às 11h11 do dia 11 de novembro, com muita gente fantasiada pelas ruas. O espírito carnavalesco só é suspenso durante o Natal, e atinge seu ápice no que eles chamam de Segunda-feira Rosa – e não na terça-feira gorda, como fazemos por aqui. Os festeiros de Colônia dizem que seu carnaval está entre os melhores do mundo, ao lado do Rio de Janeiro e ao de Veneza. Será? Julgue você mesmo.
Obama, Berlusconi e Sarkozy, devidamente acompanhados, fizeram a festa nas famosas Fallas, espécie de carnaval de Valência, na Espanha. Os divertidos bonecos são da Falla Nou Campanar, que escolheu o beijo como tema. Confira as melhores poses desses poderosos em plena folia.

Super-homem Obama e sua Michelle-Lois Lane. Manuel Bruque/EFE
Obama apareceu na festa na pele de Super-Homem, o salvador da humanidade. E sua Michelle, num ousado e justíssimo tubinho amarelo.
E o Berlusconi? Nada melhor que mostrar o primeiro-ministro italiano bem à vontade numa banheira, cercada de moçoilas de biquíni.

O premiê e suas meninas. EFE
A dupla Sarkozy-Bruni, sempre midiática, não poderia faltar. O beijinho entre os dois, no entanto, só foi possível graças à obra-prima de Gustave Eiffel. O presidente teve de subir no topo da torre e ainda se apoiar em um banquinho para receber o beijo de Carla Bruni.

Casal Sarkozy-Bruni. EFE

Desfile de ano novo em Hong Kong. Foto Adriana Moreira/AE
Há carros alegóricos, fantasias, dança e música. Quase um carnaval, mas sem corpos desnudos ou closes ousados nas moças bonitas. A parada em comemoração ao ano novo chinês em Kowloon, área continental de Hong Kong, é comportada, inocente até. Também não é longa, como nos desfiles das escolas de samba no Brasil. Os 38 grupoes que se apresentam - organizados por grandes empresas e instituições govenamentais diversas – passam em apenas 1h30. Tudo transmitido ao vivo, pela TV.

Leão desfila em Hong Kong durante comemorações pelo ano novo chinês. Foto Adriana Moreira/AE
A saudação que equivale a um “Feliz Ano-Novo” – Kung Hey Fat Choy – indica o início às festividades. Homens dão vida à uma fantasia de leão, realizando malabarismos impressionantes. O animal traz proteção para o ano vindouro e pode ser visto não apenas no desfile: há comerciantes que contratam a performance para garantir boa sorte nos negócios. Mas é preciso agradá-lo, pendurando um pé de alface (estranho para um leão, não?) na entrada do estabelecimento.
A parada pela, vá lá, Marquês de Sapucaí de Hong Kong, segue com shows rápidos de tradição japonesa, tailandesa, indiana, do Reino Unido, cheerleaders norte-americanas até que surge… uma espécie de escola de samba? Pois é, os integrantes são da Tropidanza dos Estados Unidos, que reproduzem tradições do Brasil. Homens jogam capoeira ao som de um batuque, digamos, modesto. Mulheres de biquíni e penacho na cabeça ensaiam um samba mal ajambrado, com exceção de uma mulata cujo gingado não deixa dúvida: só pode ser brasileira. Confira o vídeo aqui.
Um grupo de percussão da Suíça toca “Eye of the Tiger”, a música mais propícia para o ano do tigre, animal que rege o calendário lunar. Só faltou Rocky Balboa. E sete meses após sua morte, Michael Jackson segue mais popular que nunca: dois grupos realizam performances ao som de “Thriller”.
Crianças vestidas de tigre, de bailarina, tocando instrumentos ou dançando, encantam a plateia. Ao final, o leão e o dragão se encontram, assinalando o fim do desfile. Tudo organizado, calmo e muito, muito seguro.
Mas o primeiro dia do ano lunar também foi de oração. Mais cedo, uma longa fila cercava o templo taoísta Sik Sik Yuen Wong Tai Sin, o mais popular de Hong Kong. Todos, afinal, querem fazer seus pedidos para ter um ano próspero. Com 18 mil metros quadrados, o local é divido em diversos templos menores, cada um com seus próprios deuses. A fumaça dos milhares de insensos acesos defuma até o pensamento. Acostume-se com ela (não há outro jeito), siga em frente e arrisque um pedido. Quem sabe dá certo?

Multidão no templo Sik Sik Yuen Wang Tai Sin, que funciona 24 horas: a fumaça que se vê é puro insenso. Foto Adriana Moreira/AE
O Brasil é considerado o país do carnaval. Aqui, temos o carnaval luxuoso das escolas de samba nos sambódromos do Rio e São Paulo, a animação dos trios elétricos de Salvador, os blocos de rua e os bonecões de Recife e Olinda…Mas a folia também contagia o mundo inteiro – e de forma bem diferente da nossa.
Em Veneza, na Itália, o carnaval é tradição da Idade Média com as elegantes máscaras que dão um tom colorido e classudo à cidade das gôndolas. A folia começou no domingo passado com o tradicional Voo do Anjo, onde uma mulher, geralmente uma celebridade, é içada por fios de aço na Praça San Marco.

Carnaval de Veneza. Foto: Andrea Merola
A festa assume um tom mais irônico em Colônia, na Alemanha. Os carros alegóricos trazem figuras caricatas de políticos. Na foto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, dá um presente de grego explosivo ao colega dos Estados Unidos, Barack Obama. As polêmicas do premiê italiano Silvio Berlusconi também renderam um carro divertido. Nas ruas, centenas de mulheres seguram imensas tesouras de plástico para cortar as gravatas de quem ousar vestir o figurino nestes dias.

Obama e Ahmadineyad, no Carnaval de Colônia, na Alemanha. Foto: Rolf Vennenbernd/EFE
Uma folia bem diferente é realizada na cidade de Ptuj, na Eslovênia. Os “kurenti” usam fantasias feitas de palha, máscaras demoníacas, fitas coloridas e trazem grandes sinos atados à cintura. A ideia é afastar os espíritos do mau do inverno, segundo um antigo folclore pagão eslavo. Na quarta-feira de cinzas, um boneco é enterrado para marcar o fim do inverno e início da primavera.

Na Eslovênia, a tradição é de um antigo rito pagão. Foto: Vesna Bernardic/EFE
Singela é a festa na cidadezinha alemã de Neu Zauche. As mulheres vestem roupas tradicionais como saias rodadas com flores e muitas rendas para simbolizar a chegada da primavera. Fofo, não?

Carnaval tradicional na pequena Neu Zauche, na Alemanha. Foto: Patrick Pleul
Como já dizia uma música, tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Mas essa é uma tarefa quase impossível em meio ao agito do Carnaval. Se você quer aproveitar esses dias justamente para desacelerar, uma boa pedida é o Retiro de Meditação e Nobre Silêncio do Templo Zu Lai.

Entrada do Templo Zu Lai. Foto: Renato Luiz Ferreira/AE
Localizado em Cotia, pertinho da capital, o maior templo budista da América Latina é um oásis de tranquilidade. Apenas a entrada já traz uma sensação de paz. São belos edifícios no clássico estilo dos palácios chineses cercados por imensos jardins com estátuas gigantes de Budas.
Durante o dia, são várias sessões de meditação, de 50 minutos cada, realizadas em um grande salão ou nos belos jardins. Práticas de tai chi chuan intercalam a prática da meditação. As refeições são estritamente vegetarianas.

Meditação nos jardins. Foto: Divulgação
Um aviso: atingir o Nirvana não é tão fácil assim. Tudo, absolutamente tudo, é feito no mais absoluto silêncio. A rotina no templo é monástica e a disciplina, bastante rígida. Às seis horas, é hora de pular da cama. É preciso ajudar também na limpeza e conservação das dependências. E para se desconectar mesmo do mundo exterior, são proibidos aparelhos eletrônicos e celulares. O retiro, aliás, é destinado a pessoas que já fazem meditação regularmente.
Para a mestra Miao Duo, o silêncio é um meio de interiorização. “A meditação está em tudo. A prática traz mais calma, equilíbrio e sabedoria”, explica com seu forte sotaque chinês.
Lago com ponte tipicamente japonês. Foto: Divulgação
O valor do retiro é R$ 200 e inclui alojamento e alimentação. São 100 vagas, metade para homens e metade para mulheres. As inscrições vão até 8 de fevereiro. Mais informações no (11) 4612-2895 ou www.templozulai.org.br
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