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Viagem

Para os incas, não havia ser mais poderoso do que o sol – ou Inti. Acreditavam tanto na força do astro que se diziam filhos dele. Já os índios tupis acreditavam que a estrela servia como morada de Tupã, o criador. Não eram os únicos povos a celebrar o poder do sol: até hoje, não faltam cerimônias em todo o mundo para festejá-lo.

O dia 21 de junho marca o solstício – de inverno, no Hemisfério Sul, e de verão, no Hemisfério Norte. Marca a mudança de estação e, para diversos povos, um dia de celebração. Confira, abaixo, algumas maneiras de celebrar a data:

A principal celebração do solstício de inverno na Bolívia é realizada nas ruínas de Tiwanaku. Segundo historiadores, os incas seriam descendentes dos habitantes da antiga cidade, hoje em ruínas. Foto David Mercado/Reuters

A principal celebração do solstício de inverno na Bolívia é realizada nas ruínas de Tiwanaku. Segundo historiadores, os incas seriam descendentes dos habitantes da antiga cidade, hoje em ruínas. Foto David Mercado/Reuters

 

Durante a cerimônia do solsticio, realizada no Templo do Sol, em Tiwanaku, sacerdotes aimaras realizam oferendas ao sol - entre elas, a folha de coca. Foto Juan Karita/AP

Durante a cerimônia do solsticio, realizada no Templo do Sol, em Tiwanaku, sacerdotes aimaras realizam oferendas ao sol – entre elas, a folha de coca. Foto Juan Karita/AP

Em Machu Picchu, centenas de pessoas seguem para a cidadela para ver os primeiros raios de sol do solstício de inverno. A data marca o ano novo andino e é possível ver vários grupos realizando os mais diversos rituais. Foto Adriana Moreira/AE

Em Machu Picchu, centenas de pessoas seguem para a cidadela para ver os primeiros raios de sol do solstício de inverno. A data marca o ano novo andino e é possível ver vários grupos realizando os mais diversos rituais. Foto Adriana Moreira/AE

Em Cuzco, as celebrações do Inti Raymi - a Festa do Sol - são realizadas no dia 24 de junho, quando também se comemora o aniversário da cidade. Diversos grupos folclóricos se apresentam no centro, enquanto uma cerimônia inca é realizada nas ruínas de Sacsayhuaman. Foto Adriana Moreira/AE

Em Cuzco, as celebrações do Inti Raymi – a Festa do Sol – são realizadas no dia 24 de junho, quando também se comemora o aniversário da cidade. Diversos grupos folclóricos se apresentam no centro, enquanto uma cerimônia inca é realizada nas ruínas de Sacsayhuaman. Foto Adriana Moreira/AE

Já no Hemisfério Norte, diversas pessoas se reúnem em Stonehenge, na Inglaterra, para observar o nascer do sol no solstício do verão. Foto Carl Court/AFP

Já no Hemisfério Norte, diversas pessoas se reúnem todos os anos em Stonehenge, na Inglaterra, para observar o amanhecer no solstício do verão, o dia mais longo do ano. Foto Carl Court/AFP

Enquanto isso, em Nova York, milhares de pessoas celebram o solstício fazendo ginástica em plena Times Square. O evento ocorre há oito anos. Foto Mike Segar/Reuters

Enquanto isso, em Nova York, milhares de pessoas celebram o solstício fazendo ginástica em plena Times Square. O evento ocorre há oito anos. Foto Mike Segar/Reuters

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16.março.2010 04:46:34

O Viagem de cara nova

 

 bolivia dia 5 - uyuni 320b

O novo Viagem chega às bancas hoje renovado, com mais seções e muito mais espaço para a participação de você, leitor. Aproveite, participe, conte-nos o que achou do novo projeto!

A reportagem que abre essa nova fase é sobre a Bolívia, destino muito conhecido dos mochileiro mas com opções de hospedagem interessantes para quem quer viajar com conforto. A altitude pode incomodar alguns, mas nada que repouso, muito líquido e comidas leves não melhorem. A paisagem, como você pode percerber na foto acima, também ajuda.

Mas além do espetacular Salar de Uyuni, o Titicaca também surpreende. E mesmo La Paz, com seu trânsito caótico, esconde surpresas como o Vale da Lua, parque de formações rochosas esculpidas pelo vento, e o Chacaltaya, antiga estação de esqui a mais de 5 mil metros desativada em razão do aquecimento global.

A matéria completa está na edição de hoje e galeria de fotos, no blog Olhar Sobre o Mundo. Para saber mais detalhes sobre como ir até lá, o serviço de pacotes e passagens aéreas vai abaixo.

PASSAGEM AÉREA

O trecho SP – La Paz – SP custa a partir de US$ 440 na Aerosur (www.aerosur.com ); US$ 462 na TAM (www.tam.com.br ) US$ 569 na Taca (www.taca.com ) e US$ 648 na Lan (www.lan.com). Voos com conexão

PACOTES*

US$ 1.318: Cinco noites em La Paz, com café e visita ao Titicaca, Vale da Lua e Tiwanaku. Riviera: (11) 5533-6889; www.rivieraoperadora.com.br

US$ 1.359: Cinco noites em La Paz, com café e visita ao Titicaca, Vale da Lua e Tiwanaku. Inside: (11) 4508-8010; www.insideviagens.com.br

US$ 1.359: Cinco noites em La Paz, com café e visita ao Titicaca, Vale da Lua e Tiwanaku.Bom Destino (11) 3874-2436; www.bomdestino.com.br

US$ 1.856: Seis noites com La Paz, Uyuni e Lago Titicaca. Natural Mar (11) 3256-7492; www.naturalmar.com.br

US$ 2.193: Oito noites com café. Passeios a La Paz, Titicaca, Tiwanaku e Uyuni. ARCR (11) 5052-6305

US$ 2.735: Dez noites com Deserto de Atacama (Chile) e Salar de Uyuni. Pisa Trekking (11) 5052-4085; www.pisa.tur.br 

US$ 2.832: Dez noites entre o Deserto de Atacama (Chile) e o Salar de Uyuni. Filhos da Terra (11) 3171-2000; www.filhosdaterra.com

US$ 2.990: Sete noites, com Atacama (Chile), Uyuni e La Paz. Vivaterra (11) 3258-2651; www.vivaterra.com.br

US$ 3.400: Oito noites com Atacama (Chile) e Uyuni. Venturas & Aventuras (11) 3872-0362; www.venturas.com.br

* Preço mínimo por pessoa em quarto duplo, com aéreo

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Três horas de estrada de La Paz a Oruru. E a viagem nem começou. Ainda será preciso percorrer mais sete horas para chegar a Uyuni, porta de entrada para o famosos salar boliviano. Com segurança, conforto e muitas particularidades.
Antes de entrar no trem, monte seu kit básico. Se quiser comprar água nas barracas em frente será um bom negócio: a garrafa grande custa 5 bolivianos, enquanto a pequena dentro do trem sai por 8. Mas isso é só um detalhe. Para sobreviver a viagem, você precisará de um fone de ouvido.

Acredite: não há qualquer preconceito embutido nessa informação. Assim que o trem parte de Oruru, é ligada a televisão com um volume bem alto. Se não bastasse, há interferências no caminho, que causam todos os tipos de zunidos, ora em músicas típicas (com aquela flautinha peruana), ora em filmes hollywoodianos dublados em espanhol.
No começo da viagem, é até divertido. Ademais, você não estará prestando atenção no som, mas na paisagem que passa pela janela. Com apenas 10 minutos na estrada de ferro já é possível ver lagos cheios de flamingos. À medida que se avança, surgem campos verdes e depois, amarelados. Lagoas quase secas, minisalares. Campos imensos, montanhas e povoados que parecem esquecidos, no meio do nada. Além de um pôr do sol espetacular, como o da foto abaixo.

Pôr do sol no trem a caminho do Uyuni. Foto Adriana Moreira

Pôr do sol no trem a caminho do Uyuni. Foto Adriana Moreira

A essa altura da viagem, você já terá conversado com quase todas as pessoas de seu vagão, lido boa parte do livro que trouxe e até almoçado o pão com omelete e tomate servido com coca-cola ou fanta. É quando o chiado da televisão se torna realmente incômodo e você vai querer dar todos os bolivianos da sua carteira por um fone de ouvido.
Você pode tentar escapar, por algum tempo, para o ambiente calmo e com ar condicionado do vagão-restaurate. Vai usar o banheiro relativamente limpo. Mas, inevitavelmente, terá de voltar para seu assento.

Talvez o grupinho de seu vagão inicie uma pequena rebelião. Alguém se oferecerá para baixar o volume da TV, outro tentará desligá-la. Mas são medidas paliativas: quando menos se espera, lá está a telinha acesa, como se estivesse rindo da cara dos turistas impotentes diante de seu imenso poder. A não ser sacar, calmamente, seu fone de ouvido…

De qualquer forma, viajar de trem ainda é a melhor opção para ir e voltar do Uyuni. O ônibus semileito que sai de Uyuni diretamente a La Paz é até confortável, com direito a serviço de bordo, manta e travesseiro. Mas a viagem é sofrida: 12 horas, contra cerca de 10 de trem (considerando o caminho La Paz-Oruru). Nas cinco primeiras, se tem a sensação de estar em uma máquina de lavar roupas. A estrada de rípio, esburacada, desafia o sono. E ao chegar a seu destino, você encontrará sua mala coberta por uma grossa camada de poeira (e, logicamente, algumas das roupas também). Dá saudades da flautinha peruana.

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Em viagem à Bolívia, a repórter Adriana Moreira aproveitou para conferir o clima da capital, La Paz, durante a votação de domingo. E viveu um dia de cidadã paceña:

“Quando me disseram eu não quis acreditar. Como assim, não há vôos indo ou saindo da Bolívia no dia das eleições? Nem transporte público? A idéia de ficar em La Paz no domingo no qual o país definiria se Evo Morales seria reeleito presidente, além de escolher deputados e senadores, parecia um pouco claustrofóbica.

O chamado Auto de Bom Governo, que entra em vigor em dia de eleições, proíbe também o consumo e a venda de álcool, além de festas e baladas por 48 horas antes  do pleito. Não é de se estranhar, portanto, que os vôos de sábado lotaram. Uma fuga turística em massa, temerosa de que passaria um dia na cidade sede do governo boliviano sem ter muito o que fazer. Mas a verdade é que quem se arriscou em ficar em La Paz se deu muito bem. Foi uma oportunidade única de tirar fotos da cidade sem o trânsito intenso, de conseguir observar as belezas do centro histórico escondidas pelos camelôs, de experimentar um dia como um cidadão paceño sob um domingo ensolarado.

Coisa rara, aliás, nessa época do ano. O verão na cidade costuma ser chuvoso, cinza. Mas o dia permaneceu praticamente sem nuvens até o fim da tarde. O Prado, a principal avenida, cujo trânsito nunca cessa, ficou livre para quem quisesse andar de bicicleta ou levar o cachorro para passear. A bela igreja de São Francisco, construída em 1549, pôde mostrar todos os seus detalhes sem barraquinhas e tradicional multidão que se concentra em seu pátio.

Quem se arriscou a sair do roteiro turístico tradicional e desceu um pouco mais até o bairro do Sopocachi, onde se concentram os restaurantes e baladas da moda, pôde descobrir que, em frente aos locais de votação, é de praxe haver barracas de ceviche e parrilla. Depois de fazer seu papel de cidadão, os moradores aproveitam para matar a fome nas barraquinhas.

Afinal, é difícil encontrar um bom restaurante com as portas abertas em dia de eleição. Predominam casas pequenas e algumas salteñarias, onde se pode provar, como o nome sugere, as tradicionais salteñas. E aí entra uma curiosidade: as tais empanadas foram assim batizadas porque eram feitas por imigrantes de Salta, na Argentina. Os bolivianos costumam comer o salgado pela manhã e aconselham a nunca pedir uma pela tarde, por não estarem tão fresquinhas.

Portanto, fica a dica. Nas próximas eleições no país (em 2010 os bolivianos voltam às urnas para escolher governador), ficar em La Paz pode ser uma boa ideia.”

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30.novembro.2009 18:53:15

Um dia em Copacabana

No lugar do biscoito Globo, pipocas parecidas com aquelas que vêm no saquinho rosa. E ao invés da orla com gringos, ondas e areia (e alguma sujeira),  gringos, barqueiros, pedras (e alguma sujeira). Como se vê, há poucas semelhanças entre a Copacabana carioca e a boliviana além do nome.

A Praia de Copacabana

A Praia de Copacabana

Confesso que, ao descer do aliscafo, espécie de lancha turística, fiquei um pouco chocada com a pobreza da cidade famosa, ponto de parada obrigatória de quem visita o Lago Titicaca pelo lado boliviano. A orla de um lugar tão especial, que na história inca teria sido o berço de seu primeiro imperador, merecia tratamento melhor.

Mas Copacabana tem muito a seu favor. Apesar do turismo, dos hotéis, dos hippies, do comércio de bugigangas, ela se mantém autêntica. As cholas que vendem nas ruas milho, amendoim, batatas de todos os 250 tipos existentes no país e as tais pipocas do saquinho rosa ainda acreditam que as fotos podem lhes causar enfermidades. No comércio de rua, é comum o escambo de alimentos entre os próprios vendedores.

Seguindo pela rua principal, você vai descobrir que o Titicaca divide as atenções turísticas com a bela Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Erguida em 1550, é uma espécie de Aparecida do Norte boliviana, mas menos movimentada. Me aproximava pela praça principal quando ouvi uma cantoria. Uma bandinha tinha sido contratada por um grupo de motoristas de táxi de uma cidade próxima, como forma de homenagear a Virgem.

Enquanto isso, cholas enfeitavam os táxis estacionados em frente à igreja com flores e fitas. Depois, o padre deu a bênção a todos. Juan, um dos motoristas, me contou que sempre que alguém compra um carro novo precisa levar à igreja para benzê-lo. Assim, terá proteção e boa sorte nos negócios.

Cholas enfeitam carros

Cholas enfeitam carros

Dentro da igreja, uma particularidade. A santa não está virada para o altar, mas para o lago. O que se vê da câmara principal, cercada de madeira trabalhada e adornada com ouro, é apenas uma cortina. Quem quiser ver a imagem de perto precisa subir as escadas até uma sala menor. A Virgem só é voltada para a parte principal da igreja em eventos especiais.

Na volta para o barco, uma tranqüilidade rara em uma cidade tão turística. Nenhuma chola pede moedas por uma foto. Nenhuma abordagem incisiva, com ambulantes tentando vender um colarzinho ou um cartão-postal. E, foi assim, mesmo sem biscoito Globo e outros atrativos da princesinha do mar, que a Copacabana boliviana conquistou minha simpatia.

A igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Fotos Adriana Moreira/AE

A igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Fotos Adriana Moreira/AE

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