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Viagem

Por Bruna Tiussu

Aconteceu comigo no ano passado. Com os planos de fazer a Trilha Inca se desmoronando – todas as agências peruanas estavam lotadas para a época desejada – e as férias logo ali, decidi assim, como num ato de desespero para fazer as malas, visitar grandes amigos que estão longe: Paris e Berlim.

Aí veio a constatação: coincidentemente, aquela seria minha 4.ª visita a cada uma das capitais europeias. Depois a inquietação: poderia não gastar todo o tempo nelas e investir em cidades vizinhas ainda desconhecidas. Ideia esta que virou fumacinha logo no primeiro destino, Paris.

Caminhando sem pressa pelas ruelas já conhecidas de Montparnasse, fechei o mapa, quis me perder. Foi andando meio sem rumo que descobri vielas, prédios charmosos escadas acima, ilustrações com a cara de França escadas abaixo, sentindo o prazer de não ter pretensões turísticas. Como foi bom virar a esquina e encontrar uma inesperada, porém legítima, casa de queijos. Melhor ainda foi poder entrar e provar vários deles, sem ter que olhar no relógio e me apressar para uma atração pré-agendada.

Em Montparnasse, a inesperada casa de queijos e sticker na parede. Fotos: Bruna Tiussu/AE

Um outro dia, comprei uma baguete e almocei no gramado do Jardim de Luxemburgo. Bem do lado de uma francesinha que brincava com duas crianças, perto de um senhor que gastava energias com as técnicas do tai chi chuan. Depois, abri mão de museus que nunca fui para voltar ao meu favorito, o Centre Pompidou. Explorei cada canto ao meu tempo, me impressionei como da primeira vez que estive lá, sorri quando reconheci alguns souvenirs na lojinha. E, na saída, me esparramei no calçadão da frente com um café e uma revista na mão. Como faziam todos aqueles jovens.

Quando cheguei em Berlim, a ideia de visitar Potsdam, distante 25 quilômetros, já não existia mais. Me deliciei curtindo esta que é uma das mais incríveis cidades europeias por oito longos dias, sem roteiro algum. Voltei aos parques que moravam na minha memória, passei horas e horas estirada na grama lendo um livro – ok, tirando um cochilo também -,  explorei a capital de bicicleta, ora sabendo onde estava, ora só com a ilusão de que sabia.

De bicicleta, meio que sem rumo, com direito a paradas em parques

Andava para lá e para cá reparando em detalhes, fuçando em lojinhas, aceitando o primeiro indício de um bate-papo com quem quer que fosse. Passei horas em cafés com amigos, quis voltar ao mesmo vinerei (casa de vinho) que tanto tinha gostado na outra visita e tive almoços longuíssimos, simplesmente aproveitando o momento como as pessoas ao redor faziam. Só vi o Bundestag por acaso, lá de longe. Tampouco voltei com fotos do Portão de Brandemburgo. Mas vivi a pretensiosa sensação de me sentir quase local, uma das mais incríveis a ser experimentada.


Em Berlim, detalhes inusitados: bonequinhos feitos com rolha em algumas placas de rua

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Bruna Tiussu

Há o Sony Center em toda sua altura e imensidão, os cinemas disputados, restaurantes ao redor, os resquícios ainda conservados do Muro de Berlim. É tanta informação e movimento nos arredores da Potsdamer Platz, em Berlim, que não me surpreende que um turista passe por lá sem notar uma de suas recentes conquistas, o Boulevard das Estrelas.

Inaugurado em fevereiro no ano passado, o passeio fica neste burburinho todo porque foi parte das comemorações da 60.ª edição do Berlinale, o Festival Internacional de Cinema da cidade, que é realizado justamente ali – e, na sua frente, não por acaso, está o Museu de Cinema e Televisão.

Fotos: Bruna Tiussu/AE

A iniciativa é uma despretensiosa versão da original de Hollywood que traz inovações engraçadinhas, meio que para entreter o visitante. Foi montado sobre um asfalto vermelho – alusão óbvia ao red carpet – por onde as estrelas se espalham. Hoje, já são 40 homenageados:  atores, diretores, roteiristas, apresentadores e outros profissionais que tenham marcado ou ainda marcam a história do cinema e TV alemães. A ideia é que, a cada ano, 10 novas sejam adicionadas ali.

Quem inaugurou o espaço foi a estrela da atriz e cantora Marlene Dietrich, celebridade máxima no país. E o barato é que, se aproximando do poste instalado ali ao lado, uma imagem meio fantasmagórica da diva é refletida perfeitamente em cima da estrela. Dá até para posicionar a câmera na lente e registrar uma foto de alguma amiga “abraçando” a artista.

Quem gostar da brincadeira – ou simplesmente tiver curiosidade de conhecer a feição dos astros -, pode repeti-la com cada um dos demais estrelados. Pertinho de Marlene Dietrich estão, por exemplo, o diretor Josef von Sternberg e o cineasta Fritz Lang. Cada um com o seu respectivo poste refletindo as projeções-fantasmas.

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19.março.2011 17:48:03

Descanse em paz, Knut

A notícia triste deste sábado é a morte do urso Knut. Popstar do zoo de Berlim desde seu nascimento, em dezembro de 2006, o urso polar teve uma vida agitada – foi rejeitado pela mãe, protagonizou performances para pequenas multidões com seu treinador, conheceu a fama, foi abandonado pelos fãs.

Conheci Knut “pessoalmente” em junho de 2008. Lá mesmo, no zoo que era seu lar, o urso, já crescido, parecia viver uma crise de identidade. Na época, escrevi um relato da visita:



Eu vi o ursinho Knut
Sem a fofura da infância, ele precisa encontrar um novo talento. Ou enfrentar o óbvio: a fama é passageira

Mônica Nóbrega
BERLIM

Meu encontro com Knut foi numa tarde quente de terça-feira, no zoo de Berlim, onde o urso polar nasceu, foi rejeitado pela mãe, ameaçado de morte por especialistas que eram contra a opção de cria-lo em cativeiro e, por tudo isso, ganhou fama planetária e status de mascote da luta contra o aquecimento global.

Ao contrário do que eu imaginava, o cercado onde Knut vive não está fartamente sinalizado. Ao entrar no zoo pelo Elefanten Tor, o portão dos elefantes (há mais duas entradas), a primeira idéia foi conseguir um mapa. Placas indicavam um quiosque de informações não muito próximo, tanto que, durante a caminhada até lá, minha atenção foi desviada pela interessantíssima ala dos macacos. Foi impossível passar reto por orangotangos, bonobos e pelo enorme gorila, que passa horas em pose de sentinela na sua ilhazinha particular. Logo depois estavam as girafas e os elefantes. Empolgada, desisti do mapa.

Em mais de duas horas de caminhada e de trabalho frenético da máquina fotográfica, não vi uma única menção ao urso branco. Só na jaula dos ursos polares, no fundão do zoológico, apareceu a placa discreta indicando sem muita precisão o endereço do astro. Caminhei mais um pouco achando que seria fácil encontrar Knut, que deveria estar cercado de visitantes. Como a esperada multidão demorava a surgir fui, impaciente, pedir informações a um jardineiro do parque. “Entre nessa alameda à direita e vire à esquerda. É o último cercado”. Quis saber se tinha fila. “Fila? Não há mais fila ali.” Sinal dos tempos?

Um casal com três filhos e eu éramos as únicas visitas de Knut. Pouco depois, chegaram duas mamães com suas crianças de cerca de quatro anos. Ouvi claramente a pergunta de um dos dois pequenos: “Mas ele cresceu, mãe?” A voz e a carinha eram mais de decepção do que de admiração.

A verdade é que o Knut atual está longe do bebê branco e gorducho que encantou e comoveu o mundo entre o fim de 2006 e o meio do ano passado. O pêlo é encardido pelo normalíssimo contato com a terra e não mais branquinho. Durante os minutos que passei diante do seu cercado, o urso ficou lá deitadão, modorrento, aniquilado pelo calor forte. Não se moveu – no máximo, ergueu a cabeça –, não fez graça, não atendeu aos chamados das crianças, não tomou conhecimento da nossa presença. E pensar que esse é o mesmo urso que, há poucos meses, em setembro de 2007, chegou a mancar de própósito, para chamar a atenção, depois de machucar uma pata. Puro jogo de cena, segundo seu tratador, Thomas Dörflein, declarou na época à revista alemã Der Spiegel.

Knut me deu a impressão de uma dessas estrelas infantis da televisão que ficam sem rumo quando chega a adolescência. Uma espécie de Simony ou de Britney Spears. Parece estar naquele momento da vida em que quase todo jovem se vê em dúvida entre prestar vestibular ou aprender a tocar guitarra. Agora que suas performances em companhia do tratador Thomas Dörflein foram proibidas pela administração do parque – ele cresceu e, como todo urso polar, passou a ser perigoso para humanos – as multidões de turistas se estapeando para vê-lo parecem coisa do passado. Ele não parece ter encontrado um novo talento. Há pouco tempo, os especialistas do zôo apontaram a solidão como motivo para a tristeza do urso, que sentiria falta de sua mãe desnaturada e do seu tratador. Uma imagem de cortar o coração. Torço para Knut formar uma banda de rock.

Pouco depois que o texto acima foi escrito, o tratador Thomas Dörflein morreu, em setembro de 2008. O querido urso polar teve vida curta e intensa, como um autêntico popstar.

Descanse em paz, Knut.
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Knut em seu cercado no zoo de Berlim, em 2008. Fotos Mônica Nóbrega/AE

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Andei muito de bicicleta na adolescência, mas o trânsito cada vez mais intenso de São Paulo  foi me desanimando, desanimando até que aposentei completamente a magrela, que ficou anos a fio enferrujando na garagem de casa. A paixão pelo pedal só foi retomada recentemente em Berlim, em um tour sobre a história do muro. Tudo bem light, mas suficiente para fazer com que na mesma viagem,  já em Barcelona, eu usasse a bike como um excelente meio de transporte.

Comparando Berlim e Barcelona, não há dúvidas de que a capital alemã é mais amigável aos ciclistas. Há ciclovias por todas as partes, ora na própria rua, ora nas calçadas – rebaixadas em todas as esquinas. O asfalto liso e as calçadas padronizadas permitem que se possa pedalar tanto apressado, como fazem os moradores, como apreciando a paisagem, o corre-corre da cidade, os grafites. Sem o risco de cair num buraco.

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Bundestag, em Berlim

No metrô, existem vagões próprios para transportar a bike, com áreas livres para se encostar com a magrela sem atrapalhar a passagem de ninguém. Dá para perceber que a cultura de andar de bicicleta passa de pai para filho: crianças de todos os tamanhos pedalam nas cilovias ou, quando são pequenas demais para isso, vão em cadeirinhas junto com os pais. Há quem pedale antes e depois da balada, para ir e voltar do trabalho, de salto alto e sobretudo. De cachecol e gorro, no inverno. De bermuda e boné, no verão.

Barcelona tem menos ciclovias (em algumas avenidas, é preciso disputar espaço entre os táxis e ônibus) e algumas ladeirinhas enjoadas – melhor deixar a bike de lado se o destino for o Parc Güell, por exemplo. Mas não há nada que se compare a pedalar pela Barceloneta em um dia de sol. 

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Barceloneta. Fotos Adriana Moreira/AE

Além de uma ótima opção de passeio, pedalar na cidade espanhola é também um eficiente meio de transporte. Você desce do metrô e ao invés de pegar um ônibus o que faz? Passa o cartão exclusivo dos moradores (que pagam cerca de 30 euros por ano para usufruir do serviço) e sai pedalando. O programa Bicing oferece bicicletas públicas, com pontos espalhados por toda a cidade. Depois de usar, é só devolver na estação – de Bicing, não de metrô, que fique claro – mais próxima. Literalmente, uma mão na roda.

Depois de um mês usufruindo desta confortável e saudável rotina, voltei a São Paulo, disposta a enfrentar todos os percalços e selvagerias da metrópole para continuar a pedalar. Descobri, por exemplo, que andar de bicicleta no Parque do Ibirapuera à noite é incrível. Tranquilo, sem ser deserticamente perigoso. De quebra, uma bela vista da cidade com as luzes refletidas no lago.

A ciclofaixa, que liga o Parque das Bicicletas ao Parque do Povo, aos domingos, é bacana. Mas insuficiente. Sem nem entrar no mérito de haver poucas horas de apenas um dia da semana para ter a preferência em um pequeno trecho de ruas, só há duas opções para chegar até o início da ciclofaixa: ir de carro ou acender uma vela para o anjo da guarda e andar pelas avenidas. Calçadas? Como enfrentar degraus e buracos, frutos da falta de padronização, além dos carros estacionados? O meio-fio alto também dificulta - e não apenas para os ciclistas, mas também para os deficientes físicos e mães com carrinhos de bebê.

Por aqui, a Porto Seguro também criou sua versão do Bicing de Barcelona, o UseBike. Uma iniciativa louvável e pioneira, mas que esbarra nas dificuldades da falta de estações para devolução da magrela. Merecia mais divulgação, parceiros, estações.

É claro que não dá para destrinchar todos esses aspectos em apenas um post. Em breve, voltaremos no tema. Mas, enquanto isso, respondam: que outras cidades são bacanas para pedalar?

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Ao lado da consagrada fita vermelha, populações de todo o planeta usam velas, luzes e o próprio corpo para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado neste 1.º de dezembro. Produzem, assim, um belo show de imagens, além de marcar a importância da data.

A Ásia escolheu iluminar o dia de hoje com velas acesas por voluntários:

Velas em Jacarta, Indonésia. Foto Adek Berry/AFP

Jacarta, Indonésia. Foto Adek Berry/AFPTaiyuan, na província chinesa de Shanxi. Foto Stringer/Reuters

Mais velas: Agartala, no Estado de Tripura, nordeste da Índia. Foto Jayanta Dey/Reuters

Agartala, no Estado de Tripura, nordeste da Índia. Foto Jayanta Dey/Reuters

No balneário indiano de Puri, o artista Sudarshan Pattnaik deu seu recado na areia da praia:

No balneário indiano de Puri, o artista Sudarshan Pattnaik deu seu recado na areia da praia. Foto Asit Kumar/AFP

Puri, na Índia. Foto Asit Kumar/AFP

E algumas capitais enfeitaram seus monumentos:

Portão de Branbemburgo, em Berlim. Foto Thomas Peter/Reuters

Portão de Branbemburgo, em Berlim. Foto Thomas Peter/Reuters

Casa Branca, Washington, Estados Unidos. Foto Jonathan Ernst/Reuters

Casa Branca, Washington, Estados Unidos. Foto Jonathan Ernst/Reuters

Praça Republique, em Paris, França. Foto Charles Platiau/Reuters

Praça Republique, em Paris, França. Foto Charles Platiau/Reuters

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Potsdam comemorou hoje, 10 de novembro, os 20 anos da Queda do Muro. Localizada 25 quilômetros a oeste de Berlim, a cidade de 145 mil habitantes derrubou seu trecho de paredão um dia depois de virem abaixo as primeiras pedras na capital.

Caso não tivesse mais nada a declarar, Potsdam seria interessantíssima só pelo Palácio Cecilienhof: nos salões dessa construção de 176 quartos foram discutidos os termos da divisão territorial da Alemanha ao fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, pelos líderes Joseph Stálin, da União Soviética, Winston Churchil, da Grã-Bretanha, e Harry Truman, dos Estados Unidos – encontro que ganhou o nome de Conferência de Potsdam. Também no palácio, Truman recebeu a notícia de que fora inventada a bomba atômica, em 1º de agosto. Cinco dias depois, Hiroshima foi atacada.

Mas a cidade de 145 mil habitantes, capital do Estado de Brandemburgo, tem mais de mil anos de história. Foi um importante centro residencial dos reis prussianos e seus agregados, a partir do século 15. Desse tempo, herdou jardins enormes e centenas – sim, centenas – de palácios. Durante a divisão das Alemanhas, o Muro passou bem em cima da Ponte Glienicker, que liga a cidade a Berlim, e a deixou sob domínio soviético.

 A ponte acabou virando o símbolo local da luta pela liberdade. E foi em cima dela que os moradores celebraram, na noites desta terça-feira, em clima de quermesse de cidade do interior.

Luzes para a celebração em Potsdam. Foto Mônica Nóbrega/AE

Luzes para a celebração em Potsdam. Foto Mônica Nóbrega/AE

A locutora de uma emissora local de rádio fez as vezes de mestre de cerimônias. O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, abriu o evento com um discurso. Depois vieram cantores desconhecidos, vídeos sobre a história da cidade, uma performance de mímicos com o mesmo tema e, para terminar, o show de fogos.

Ponte Glienicker virou palco. Foto Mônica Nóbrega/AE

Ponte Glienicker virou palco. Foto Mônica Nóbrega/AE

E no cardápio, salsicha, algodão doce, crepe e glühwein, o vinho quente local.

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O passeio de Trabi, o carrinho popular dos tempos da divisão das Alemanhas, é uma grande comédia antes de tudo. Mais do que ver, você será visto. Pelas ruas, o minicarro feito de fibra e plástico chama a atenção e causa comoção por onde passa: turistas fotografam, jovens apontam, crianças riem, motoristas de ônibus buzinam e provavelmente esbravejam. Há até quem acene para os passageiros.

O nada discreto carrinho - Mônica Nóbrega/AE

O nada discreto carrinho – Mônica Nóbrega/AE

Os guias do passeio não fazem nenhum esforço pela discrição. Incentivam no começo, com frases como “Go, Trabi, go!” e “Vocês são ótimos motoristas”. Depois, partem para piadas com o tamanho e a idade dos carros.

Com tudo isso, acredite, ver os resquícios do Muro de Berlim é apenas parte da atração.

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Às 4 horas da tarde parecia facílimo. Bastava acompanhar o fluxo dos grupos que já seguiam para o Portão de Brandemburgo e, poucos minutos depois, o monumento-símbolo de Berlim estava bem diante dos olhos, cercado por uma arena de festa. Palco, bar, barraquinhas de salsicha com curry, banheiros químicos nas ruas transversais, tudo estava lá.

Mas o início das celebrações estava marcado para as 5 horas e havia muita gente circulando diante da fachada do Parlamento, às margens do Rio Spree, nas calçadas da Friedrichstrasse. Irresistível sair para um passeio, sentir o clima, ver as peças do dominó-Muro que estavam mais longe daquele epicentro do evento. Fui.

Na hora de voltar, o susto: o número de grades havia aumentado muito e já não se podia fazer o caminho mais curto. E, depois de percorrer o mais comprido e chegar a uma nova barreira, soube que ninguém mais tinha autorização para se aproximar da festa. “Tem gente demais”, disse o policial.

A credencial de jornalista e as devidas explicações liberaram a minha passagem, mas não a de milhares de outras pessoas que tiveram de ficar ali, a quatro quadras do palco onde, protegidos da chuva forte, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Hillary Clinton, Silvio Berlusconi e várias outras autoridades já discursavam. Quando caiu a primeira sequência de dominós, nós não vimos.

Havia ainda uma segunda barreira, a duas quadras do Portão, e dessa eu não fui autorizada a passar. Naquele ponto, parte do público ensaiava um protesto com o refrão “derrubem o Muro”, que não chegou a formar um coro.

Lá pelas 9 horas, quando o frio e a chuva já serviam de pretexto para muita gente decidir ir embora e faltava apenas uma fileira de pedras de dominó para ser derrubada, os policiais retiraram algumas grades. Os resistentes da turma dos sem-Portão avançaram e ouviram-se comentários de “antes que fechem de novo”, outra paródia histórica.

 

Uma última fileira do dominó gigante, um show em playback sofrível do cantor Bon Jovi e o espetáculo pirotécnico formaram a parte que nos coube da solenidade.

 Encerrado o evento no lado leste do Portão de Brandemburgo, Berlim se dirigiu para o oeste sem ninguém para impedir, como há 20 anos. Lá, diante de um novo palco, os berlinenses foram se dedicar a outra coisa que sabem fazer muito bem: dançar ao som de música eletrônica, com o DJ Paul van Dyk, natural da cidade, no comando.

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

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09.novembro.2009 17:27:45

Os sem-Portão em Berlim

Aconteceu no show gratuito do U2, na quinta-feira. E agora ocorre de novo, durante a comemoração dos 20 Anos da Queda do Muro de Berlim. Muitos ficaram fora da festa, impedidos de chegar mais perto do Portão de Brandemburgo, informa Mônica Nóbrega, direto da capital alemã. 

A festa alternativa dos sem-Portão - Mônica Nóbrega/AE

A festa alternativa dos sem-Portão – Mônica Nóbrega/AE

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09.novembro.2009 15:12:11

Berlim em plena festa

O Portão de Brandemburgo está em plena festa, apesar da chuva fina e gelada que cai em Berlim desde esta manhã, e que, em alguns momentos, se transforma em temporal. Muita gente chegando à Pariser Platz.

 

Os principais monumentos, como o Memorial do Muro, na Bernauer Strasse, e o Checkpoint Charlie  receberam muitas visitas durante o dia. E agora à noite, as atenções estão concentradas nas peças de dominó que cairão às 20 horas (17 horas em Brasília).

Peças de dominó representam o Muor de Berlim. Foto Mônica Nóbrega/AE

Peças de dominó representam o Muro de Berlim. Foto Mônica Nóbrega/AE

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