Quem é da Baviera frequenta biergarten, não tem jeito. Mais que mero símbolo da região alemã, faz parte da cultura dos nativos dali preferir uma mesa ao ar livre para beber sua cerveja, seja durante o dia ou à noite e sempre que o clima permitir, claro. Aos visitantes, este costume é apresentado logo que chegam à capital Munique, ainda no aeroporto da cidade.
Em parceria com a Franziskaner, uma das cervejarias mais tradicionais do país, a Lufthansa inaugurou, em março, uma espécie de biergarten no Business Lounge do Terminal 2 (que foi construído com 40% de investimento da aérea, é bom dizer) do aeroporto. É ‘uma espécie de’ pois teve que ser adaptado a um ambiente fechado. Mas as longas mesas de madeira com seus compridos bancos estão lá. Assim como os obrigatórios pretzels de acompanhamento em cima de cada uma delas. Para simular as tantas árvores presentes nos biergartens oficiais, trataram de pintar imagens da natureza quase lá no teto.

Mesas compridas e pretzels à vontade no biergarten do Business Lounge. Bruna Tiussu/AE
O resultado é um ambiente confortável e curioso, onde o visitante encontra as tradicionais cervejas alemãs em seus respectivos copos de respeito. Porém, a área só está disponível para quem voa de executiva pela Lufthansa. Aos que não estão incluídos no seleto grupo e têm um pouco mais de tempo por ali, logo na saída do mesmo terminal fica um verdadeiro biergarten da Baviera. Este, sim, ao ar livre, com árvores naturais e sempre cheio de gente exibindo sua caneca gigante.
Pouco mais de 24 horas depois do voo para Campo Grande ser cancelado por problemas meteorológicos, era hora de uma nova tentativa. As malas nem foram desarrumadas e mantiveram a exagerada quantidade de roupas de frio de dias de atrás. Na unidade Casa Verde da Casa Taiguara, ponto de encontro do grupo que iria ao Pantanal, os ânimos estavam bem mais calmos. Nada de passar a noite em claro: dessa vez, todo mundo achou melhor tirar um cochilo antes.
O aeroporto mais vazio e os trâmites de embarque agilizados por funcionários da companhia aérea já familiarizados com o grupo fez com que o check-in ocorresse com muito mais rapidez que na tentativa anterior. Dessa vez, tudo certo com o voo 6382 da Avianca, que decolou às 5h38, com apenas três minutos de atraso.
Dentro da aeronave as expectativas se multiplicaram. Taís e Caroline não conseguiram esconder o medo e choraram na hora da decolagem. Cidia, por sua vez, não parava de fazer perguntas, queria entender os detalhes que se escondiam por detrás do voo. E a viagem de duas horas seria apenas o começo da jornada.
O trajeto ainda incluiria outra viagem com duração de mais de 7 horas, dividida em várias partes. Primeiro, de van até o Refúgio Ecológico Caiman, em cerca de 4 horas. Depois de uma merecida pausa, outros 40 minutos no mesmo veículo até o Rio Aquidauana, onde foi servido o almoço: arroz, feijão, salada e torta de frango, com refrigerante para acompanhar. E frutas, bolo e goiabada de sobremesa.
No caminho, várias paradas para fotos. O sol voltou a brilhar depois de dias de chuva e frio intenso, e os animais resolveram aparecer para encantar os meninos e meninas da Casa Taiguara. Tuiuiús, gaviões, veados, tamanduás-bandeira, araras azuis e muitos, muitos jacarés se exibiram para os cliques frenéticos. Um descanso breve no redário e já era hora de pegar o terceiro meio de transporte do dia, o barco que nos levaria até a fazenda Santa Sophia, nossa base até a volta a São Paulo, no dia 27. Foram três viagens para trazer as 26 pessoas e as mais de 30 malas até a outra margem do rio. E, então, o último meio de transporte: o trator, única forma de atravessar a planície pantanosa até a fazenda.
O grupo desembarcou exausto, quase às 17 horas – ou seja, mais de 12 horas depois da partida da unidade Casa Verde –, mas ávido para conhecer os atrativos locais. Alguns até se animaram em jogar futebol com funcionários da fazenda, como é rotineiro nos fins de tarde na Santa Sophia.
Para caber todo mundo, foi preciso dividir meninos e meninas em três casas. Beatriz Rondon, proprietária da área, avisou: “Aqui vocês estão isolados.” Não era exagero. Nada de celular ou internet nos domínios da fazenda.
É por este motivo, aliás, que você está lendo este texto sem imagens – ele foi ditado pelo telefone fixo da fazenda para a Redação do Viagem. Mas prometo uma galeria com fotos incríveis ao fim da expedição. É só esperar para ver.
O encontro estava marcado para as 2h30 na Unidade Casa Verde da Casa Taiguara. Ali eu encontraria o grupo, formado por 26 pessoas – jovens em situação de risco social, educadores e voluntários – para uma viagem rumo ao Pantanal. Empresários cederam passagens aéreas, transporte e hospedagem para que meninos e meninas que vivem na casa, com idades entre 13 e 18 anos, passassem 9 dias na parte sul da planície alagada.
A ansiedade da experiência fez com que todo mundo passasse a noite em claro. Bolacha, café e vitamina de frutas ajudaram a forrar o estômago antes da chegada do ônibus nos levaria ao aeroporto de Guarulhos para pegar o voo das 5h35 até Campo Grande. Tiago, um garoto falante e animado, pergunta, antes do motorista acelerar: “Tio, a gente vai pegar a estrada?” Apesar de essa não ser a primeira viagem dos integrantes da Casa Taiguara – no Natal, um grupo ainda maior, de 70 pessoas, passou uma semana em Ubatuba -, a primeira viagem de avião conferia expectativa extra à aventura.

O trânsito livre da madrugada proporcionou que o percurso não levasse mais de meia hora, e às 3h30 já estávamos no aeroporto. Pausa para uma foto da galerinha repleta de malas antes de dar início ao check-in. A pasta de documentos é grande: o juiz precisa autorizar a viagem de cada um deles e a companhia aérea xeroca toda a papelada. Problema extra: uma das meninas não tem documentos originais, apenas xerox. Parece que ela não vai conseguir embarcar mas a Anac verifica os papéis emitidos pelo juiz e dá o ok final. Ufa.
O relógio passava das 4h30 quando todo o imbróglio foi resolvido e todos puderam, finalmente, entrar na sala de embarque. Os aviões estacionados no pátio, fazendo manobras, chamava a atenção. O embarque parecia iminente, mas… “Por causa de problemas meteorológicos, o Aeroporto de Campo Grande se encontra fechado. O próximo boletim será divulgado às 6 horas”, informou a atendente pelo autofalante, emendando um “pela atenção, obrigada”.
O avançado da hora fez com que um grupo tentasse cochilar sob a escada rolante. Outros jogavam cartas e houve quem preferisse apenas jogar conversa fora até que a hora do aviso seguinte chegasse, trazendo finalmente a notícia que… seria preciso esperar mais um boletim meteorológico, às 7 horas.
Quando os ânimos pareciam esmorecer, alguém reconhece a cantora Tati, da banda de reggae gaúcha Chimarruts. Meninos e meninas pedem para tirar fotos e são recebidos com sorriso, simpatia e muito bate-papo, desafiando o tempo que parece não passar na cadeira do aeroporto. “Já valeu a espera só para ver ela (Tati)”, diz Cidia, uma das fãs.
As conversas ainda giravam sobre o encontro com a cantora quando chegou o boletim derradeiro: a densidade da neblina cancelou os voos de todas as companhias para a capital sul-matogrossense. Decepção geral. Alguém diz que não quer voltar mais. Outro não entende porque aeronaves para outros destinos conseguem decolar, mesmo com as explicações técnicas.

É preciso telefonar para Campo Grande, remarcar os transfers, conseguir uma maneira de retornar à Casa Verde. O preço do Airport Bus Service até a Barra Funda (R$ 31 por pessoa) inviabiliza a volta. Mas o empresário que cedeu o ônibus escolar para levar os meninos até o aeroporto concorda em buscá-los novamente. Só seria preciso esperar.
Com as passagens remarcadas para a madrugada de segunda para terça-feira e tempo para descansar da infortúnia maratona, quase todos usaram os bancos para cochilar e se recuperar para a aventura de fato. Se o tempo melhorar, é claro. São Pedro, dá uma ajudinha?
A chegada em Johannesburgo impressiona. O aeroporto internacional O.R. Tambo é gigantesco e muito moderno. Todo o complexo foi reformado para a Copa e uma boa parte é novinha em folha. A reforma custo 3 bilhões de rands, algo em torno de R$ 1 bilhão. Além dos elevadores, rampas rolantes ajudam os turistas a se locomover de um lado para o outro.
Uma enorme bola de futebol suspensa no teto dá as boas vindas e faz entrar no clima do Mundial, que já tomou conta da África do Sul. Em todos os andares do aeroporto, totens indicam quantos dias faltam para a bola começar a rolar no campo.

Uma enorme bola de futebol fica suspensa no teto do Aeroporto O.R. Tambo, em Johannesburgo. Foto: Mônica Cardoso
Se tiver que esperar por uma conexão, fique tranquilo. O espaço conta com boas lanchonetes e cafés, sendo que alguns oferecem conexão Wi-Fi. Há também uma sala de orações para os viajantes muçulmanos. Dezenas de lojinhas e quiosques vendem os originais artesanatos sul-africanos como as bijuterias com miçangas coloridas, que estão mais verde e amarelas, cor da camisa do Bafana Bafana.
Mas a bola da vez são as lojinhas com souvenirs da Copa. Vuvuzelas e makaraba, os divertidos chapéus, ganharam as cores das bandeiras dos países participantes. Sem contar camisas, tênis, chaveiros, canecas e o mascote do campeonato, o leopardo Zakumi. É bem difícil resistir.

Vuvuzelas e makarabas ganharam as cores das bandeiras das equipes, inclusive do Brasil. Foto: Mônica Cardoso/AE
Em Durban, o Aeroporto King Shaka está tinindo de novo. Ele foi entregue há um mês, quase aos 45 do segundo tempo do início do Mundial. A terceira maior cidade do país ganhou um complexo à altura. Assim como o O.R. Tambo, o complexo conta com cafés, livrarias e até um espaço para fumantes. Foram investidos 8 bilhões de rands na construção do novíssimo aeroporto. Aliás, até o nome é novo. O local que antes se chamava Le Mercy, ganhou o nome do famoso guerreiro zulu do século 19.
Todos, absolutamente todos os aeroportos sul-africanos foram remodelados para o Mundial. E fica a dúvida: quando vai começar a ampliação e reforma dos aeroportos brasileiros para o próximo Mundial?

Contador de dias para a Copa, no Aeroporto de George. Foto: Mônica Cardoso
Não importa qual seja o aeroporto, com quase toda a certeza, você será abordado pelos porters, os carregadores de bagagem. Simpáticos, eles mostram o crachá e se oferecem para carregar malas na saída do desembarque ou levá-lo até o guichê do check in. Só que tanta cordialidade tem preço e os porters esperam ser remunerados por isso. Se não está interessado, desconverse.
Outra boa dica: embale sua mala com plástico antes de viajar para a África do Sul. Para ter uma ideia, eu estava em um grupo de nove pessoas. Apenas uma não plastificou sua mala. Ao chegar lá, a mala estava arrombada, mesmo com cadeado. Coincidência ou não, é sempre bom prevenir. No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o serviço custa R$30 e ainda oferece seguro no caso de extravio da bagagem.
O debate entre a presidente da Anac, Solange Vieira, e os presidentes das companhias aéreas brasileiras – Tam, Gol, Azul, Webjet, OceanAir e Trip – realizada hoje no Fórum Panrotas 2010 mais pareceu uma conversa entre amigos.
Segundo Solange, todas as iniciativas da Anac partem do pressuposto que o setor deve ser desregulamentado economicamente – o que as empresas não se opõem. “Buscamos a liberação das tarifas. Já foi provado que esta é uma área que se autorregula, nossa função é fiscalizar e regulamentar apenas a parte técnica”.
Quanto ao constante receio da capacidade dos nossos aeroportos para receber os cerca de 2,8 milhões de turistas para a Copa do Mundo 2014, Solange foi categórica: “Nem a Copa e nem as Olimpíadas de 2016 são problemas. São eventos curtos, e conseguir convencer o Ministério Público a autorizar o funcionamento dos aeroportos para 24 horas por dia para suprir a demanda é fácil. O problema é a situação que eles estarão até chegar lá”.
Como órgão regulador e fiscalizador, a Anac não tem poder legal para decidir sobre investimentos na infraestrutura aeroportuária do País. O que confere à agência é impedir que os aeroportos saturem sua capacidade de trabalho. A Anac está revendo seus limites, fiscalizando cada um deles e assim indicando à Infraero os principais problemas a serem solucionados.
Congonhas, que estava operando em 48 slots, hoje tem permissão para operar apenas 33 - e a presidente da Anac não quis opinar se ele voltará a ter condições para retomar o número antigo.
Em abril, três novas companhias aéreas começam a voar em Congonhas: NHT, Azul e WebJET. De olho no aeroporto com maior movimento e mais rentável do Brasil, elas participaram do leilão de slots (horários de pouso e decolagem) realizada pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) em Brasília, nesta segunda-feira. As novatas vão concorrer com as atuais operadoras do aeroporto: OceanAir, Gol/Varig e TAM.
A NHT, do Rio Grande do Sul, se deu bem na distribuição de slots: conseguiu 20 horários, sendo 10 deles durante a semana – horário de intenso movimento no aeroporto. Já a Webjet ficou com 18 horários e a Azul, 8, todos aos sábados e domingos.
A Gol abocanhou a maioria dos slots: 56 slots. Hoje, a empresa opera 1.448 pousos e decolagens no aeroporto paulistano. Em seguida, vem a TAM, que vai somar 54 slots aos atuais 1.404. E a Ocean Air, que opera 132 horários, terá 38 novos slots – incluindo 10 para uso durante a semana.
O leilão de slots foi uma tentativa da ANAC de quebrar o monopólio das empresas que atuam em Congonhas. No entanto, como se vê, TAM e Gol ainda lideram o número de pousos e decolagens.
Dos 355 slots dsiponíveis, foram distribuídos 202. Os 153 horários restantes que não foram escolhidos – 88 aos sábados e 65 aos domingos – continuam em poder da ANAC. Qualquer empresa interessada pode solicitar esses horários quando tiver demanda.

Aeroporto de Congonhas. Foto: Monalisa Lins/AE
Por Heloisa Lupinacci
Ainda estávamos em novembro, mais precisamente, na sexta-feira, 27, e o aeroporto de Congonhas já tinha pinta de fim de ano. Aquelas filas enormes, a ameaça constante de atrasos e alto-falantes anunciando “manutenções fora do previsto” que carregam o ar de mau-humor. Das últimas três vezes que encarei esses lotados salões de espera, não houve nem umazinha em que o número do portão de embarque impresso no meu cartão correspondeu ao número do portão em que eu de fato embarquei.
Foi assim nesta sexta. Estava lá com os outros passageiros com destino a Campo Grande esperando no portão 7. A televisãozinha do portão anunciava: Santos Dumont (RJ). Não era para lá que a gente ia. Mas todo mundo esperava que ela logo mudasse de canal, saindo da emissora da costa em direção àquela mais sertaneja.
Pois logo veio o anúncio: atenção passageiros do voo número tal, com destino ao Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumont. Devido ao remanejamento da aeronave, seu embarque será no portão 7. E continuou, fatal: o voo atrasou e não vai mais para o Santos Dumont, e sim para o Galeão. Calculei que era melhor sair dali antes de eles chegarem.
Não tardou muito para que viesse o aviso: o voo de Campo Grande atenção passageiros do voo Gol 1218, com destino a Campo Grande, o embarque será no portão 13. (O portão 13 fica no confuso subsolo do já confuso aeroporto.) Eis que o alto-falante anuncia a novidade da temporada. Essa eu nunca tinha ouvido antes. Foram dois voos da TAM: excepcionalmente neste voo, os assentos não serão marcados. O passageiro deve sentar no assento que estiver disponível. (A TAM, que recentemente trocou seu sistema de check-in, afirma que não tem registro de problemas em marcação dos assentos na sexta-feira)
Se o número do portão já não vale nada, na sexta até o da poltrona estava capengando. Se o horário também já não é a coisa mais confiável do mundo, o único número que continua firme e forte é aquele do voo mesmo. E é bom guardar esse número bem guardado na cabeça, para a hora em que o alto-falante anunciar as mudanças e novidades em relação a ele.
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