ir para o conteúdo
 • 

Viagem

21.janeiro.2014 04:50:41

Reinações de Gabo

Colecionadora de histórias, Cartagena acolhe em suas muralhas costumes e tradições da porção caribenha do país – a mesma que inspira a obra imortal de seu mais famoso escritor

Felipe Mortara / CARTAGENA

“Me sinto estrangeiro em todas as partes, menos no Caribe”, disse certa vez Gabriel García Márquez. Ao contrário do escritor premiado com o Nobel de Literatura em 1982, o visitante talvez não se sinta imediatamente em casa nos 1.300 quilômetros da porção caribenha do litoral colombiano. Porém, assim como na obra-prima do autor, Cem Anos de Solidão – cuja inspiração surgiu por estas bandas –, é tudo uma questão de tempo. E de percepção.

Assim como no realismo mágico que permeia a obra de Gabo (como o autor é conhecido na Colômbia), estímulos não faltarão, especialmente em um lugar como Cartagena, principal cidade da região, a 260 quilômetros da pequena Aracataca – a terra natal do escritor.

‘Palenquera’ vende frutas na Plaza de San Pedro Claver – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Um pouco por seu 1 milhão de habitantes, outro tanto por seu compasso cativante e muito por sua História, com H maiúsculo. Por todos os lados, vestígios de séculos de colonização espanhola, entre 1533 e 1816 – com idas e vindas, inúmeras batalhas e heróis.

VEJA MAIS:

O universo inventivo do prêmio Nobel

Prefira hospedar-se dentro das muralhas

Entrevista com Jaime García Márquez, irmão caçula de Gabo

Santa Marta preserva memória de Simón Bolívar

O astral hiponga de Taganga

A beleza surpreendente de Tayrona

San Andrés, o caribe à la Colômbia

Cumbia, suor e maresia em Barranquila

Destoante no horizonte da Cidade Velha, o Forte de San Felipe de Barajas, concluído em 1657, talvez não seja apenas o cartão-postal mais emblemático, mas a lembrança constante do lugar estratégico em que a cidade está encravada. Além de ter sido porta de saída para muito ouro rumo ao Velho Continente, Cartagena é também um excelente ponto de partida para desvendar costumes e tradições do Caribe colombiano.

Consta nos registros do indispensável Museu da Inquisição (Plaza de Bolívar, s/n.º) que na cabalística data de 11 de novembro de 1811, às 11 horas da manhã, houve um basta. Liderados por figuras como Pedro Romero, Germán Gutierrez e Ignácio “El Tuerto” Muñoz, os cartageneros declararam sua independência dos colonizadores. A alegria durou pouco, já que em 1815 o “pacificador” espanhol Pablo Morillo aportou na cidade acompanhado por 10 mil homens. Em poucos dias, mais de 6 mil moradores, entre crianças e mulheres, morreram.

Assim, Cartagena foi a última cidade colombiana a conquistar a independência, em 1816. Imprescindível a expertise acumulada por um certo Simón Bolívar, que atuou na libertação de vários países vizinhos – o que aparentemente lhe conferiu o direito a ocupar uns 80% de todos os bustos e estátuas colombianos, além de batizar dezenas de praças e ruas pelo país.

Foi, inclusive, em um banco da Plaza de Bolívar que o mais famoso escritor colombiano, hoje com 86 anos, pegou no sono em sua primeira noite na cidade, após chegar de Bogotá, em 1948, sem um tostão no bolso. Em pleno toque de recolher, decretado após a morte de um figurão militar, Gabo foi acordado por policiais ao anoitecer e encaminhado à delegacia. Levado a uma cela, surpreendentemente não apenas não ficou trancafiado como lhe foram oferecidos cama e comida. E a porta destrancada no dia seguinte.

No mínimo improvável, não? Situações como esta – somadas às lendas e ao clima mágico que naturalmente emana das paredes, das cores e dos olhares cartageneros – dão uma boa ideia do que inspirou Gabo a ambientar muitas de suas obras entre a quilométrica muralha de Cartagena. Emoção que exprime em sua autobiografia, Vivir para Contarla. “Bastou dar um passo dentro da muralha para vê-la em toda sua grandeza à luz violeta das seis da tarde, e não pude reprimir o sentimento de ter voltado a nascer.”

sem comentários | comente

  • A + A -

Deixe um comentário:

Comentários recentes

  • Goytá: Descrever a Savassi como o “trecho mais turístico” dá a impressão de que o lugar seria uma...
  • Ageu: Só não entendi pq ela diz que é descendente de italianos.O q tem a ver com a línguia inglesa.
  • Fabiana: Lugares para visitar…
  • Cláudio: Uma dica maravilhosa que não foi dada: não deixe de fazer o passeio de barco pelo Guaiba. Eles saem do...
  • Roberta: Tive meu cartão bloqueado 2 vezes em viagens internacionais. Na primeira delas, o banco me comunicou a...

Arquivo

Seções

Colunista

Blogs do Estadão

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo