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Miniguias da Copa 2014: Manaus

Adriana Moreira

03 junho 2014 | 17:52

Adriana Moreira

No coração da Amazônia pulsa uma cidade caótica, de trânsito intenso, com sabores únicos e uma bela e preservada arquitetura, herança do Ciclo da Borracha. Ao seu redor, a floresta – e um sem-fim de passeios para explorar esse ecossistema tão peculiar. A escolha de Manaus como uma das cidades-sede da Copa do Mundo foi muito controversa, mas uma coisa ninguém discute: sua vocação turística.

Uma pena a cidade não usufruir do tão falado “legado” da Copa: o monotrilho prometido não saiu do papel e o aeroporto, com sorte, deve ficar prontos às vésperas do Mundial. As atrações históricas, contudo, não farão feio: o Mercado Adolpho Lisboa foi renovado recentemente e o Teatro Amazonas sempre arranca suspiros.

Quanto à hospedagem, Manaus vai além dos meios tradicionais. Hotéis de selva e barcos-hotéis são uma alternativa charmosa. O Iberostar Grand Amazon, por exemplo, funcionará como hotel -flutuante de 16 a 22 de junho. O sistema continuará all-inclusive, mas os passeios serão pagos à parte. Ainda há vagas e as diárias custam a partir de R$ 520 (mínimo duas noites).

Vale lembrar ainda que o tradicional Festival de Parintins ocorre logo depois do fim da primeira fase, entre os dias 27 e 29 de junho. Uma ótima razão para esticar um pouquinho mais a viagem (Parintins está a uma hora de voo de Manaus).

Dia 1
Riquezas do passado
O Largo de São Sebastião reúne os principais tesouros arquitetônicos da capital amazonense. A começar, é claro, pelo Teatro Amazonas (92-3232-1768), cuja construção começou em 1882, no auge do Ciclo da Borracha, sendo inaugurado em 1896. A cúpula leva 36 mil escamas de cerâmica vitrificadas e representam a bandeira do Brasil. Para conhecer a casa (e as belas pinturas no teto), é possível fazer visitas guiadas a R$ 10, de segunda a sábado – não é preciso agendar.

Logo ao lado, o Centro Cultural Palácio da Justiça, de 1900, funcionou como tribunal até 2006. Além de exposições temporárias e permanentes, o próprio prédio é uma obra de arte, com piso revestido por ladrinho hidráulico português.

Outro centro cultural, o Palácio Rio Negro, está a poucas quadras dali, assim como o Palacete Provincial, edifício mais antigo de Manaus (1875) que abriga cinco museus.

Volte para a Praça São Sebastião para provar o Tacacá da Gisela, o mais famoso da cidade. Feito de tucupi e jambu (que adormece a língua), com camarões secos, o caldo faz parte das obrigações turísticas na cidade. Ame-o ou deixe-o.

Caminhe pela orla do Rio Negro para conferir o vaivém dos barcos e iates e as várias feiras de produtos que chegam de vários pontos da Amazônia, num delicioso e colorido caos. Aproveite para passar no Mercado Adolpho Lisboa, recém-renovado. Inaugurado em 1883, ele é uma cópia do extinto Les Halles, de Paris. Ali pertinho estão também a Catedral Metropolitana, de 1877, e os prédios da Alfândega e Guardamoria, tombados pelo Iphan.

Na hora da fome, os restaurantes de Vieiraalves têm menu refinado – o Banzeiro explora os ingredientes amazônicos com delicadeza e está entre os mais bem cotados da cidade. Pratos para dois custam em média R$ 80.

À noite, volte para o centro. O Bar do Armando (Rua 10 de Julho, 593), alugado para a mesma família há 40 anos, é um ícone – quem sai dos espetáculos noturnos do Teatro Amazonas costuma parar ali para um lanchinho. O mais pedido é o sanduíche de pernil (R$ 14).

Dia 2
No balanço do rio
Sim, é um clássico. O encontro do Rio Negro com o barrento Solimões ocorre a 10 quilômetros de Manaus – um bate-volta simples e altamente recomendável. As águas correm lado a lado, sem se misturar, ao longo de uma distância que pode variar entre 6 e 18 quilômetros, de acordo com a época do ano. Coloque a mão na água para sentir a diferença de temperatura entre os dois rios. Diversos operadores oferecem o passeio, como a Amazon Explorers e a Fontur, com preços em torno de R$ 140.

O passeio inclui outras atrações (igarapés, comunidades ribeirinhas) e vai ocupar seu dia inteiro. Para relaxar, siga para a Praia de Ponta Negra, iluminada à noite e repleta de quiosques animados à beira-rio. Se você fizer o tipo esportista, o local é ótimo para correr, andar de bicicleta, patins. Ou apenas caminhar, sem pressa.

Dia 3
Cachoeira amazônica
Quem tem agenda corrida, mas não quer sair de Manaus sem ver um pouquinho de Amazônia, pode a matar a vontade de selva no Bosque da Ciência, onde os visitantes observam a natureza caminhando em uma passarela suspensa. É também sobre uma passarela que os visitantes vêem as onças do Zoológico do CIGS (92-2125-6402), outro tour interessante para se aproximar da fauna local.

Mas com um (ou mais) dias extras, o bom mesmo é se embrenhar nos arredores de Manaus. As cachoeiras de Presidente Figueiredo, a 133 quilômetros da capital, são uma ótima pedida – é possível ir de ônibus ou com as operadoras locais. Destaque para o passeio para a Caverna Maroaga e Gruta da Judeia, que só pode ser feito na companhia de um guia. Vá preparado: você vai querer se molhar em ambas as atrações.

Há ainda passeios de barco de um dia para o arquipélago de Anavilhanas, em Novo Airão, a 195 quilômetros de Manaus. Mas o ideal é separar uma semana por ali e explorar não apenas as ilhas fluviais (a maior parte delas, encobertas pelas águas no período da Copa), como também o Parque Nacional do Jaú, com áreas de floresta intocadas. Consulte os barqueiros da Associação de Turismo de Novo Airão sobre os passeios – ou as operadoras de turismo de Manaus.