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Copa 2014: São Paulo, gigante com muito a ostentar

Fabio Vendrame

01 abril 2014 | 03:00

Há atrações para encher quantos dias você quiser. Aqui, um circuito básico para começar a entender a dor e a delícia da vida na metrópole

Mônica Nobrega

A gigantesca e multifacetada São Paulo é para bem mais que três dias. O próprio Itaquerão, estádio da abertura da Copa e do primeiro jogo (Brasil e Croácia), fica na porção leste, a 25 quilômetros do centro. Há metrô e trem até lá.

O roteiro a seguir é para curtir a metrópole de um jeito tipicamente paulistano. Ainda ficam de fora os bairros arrumadinhos de Itaim e Vila Olímpia, com celebridades nos restaurantes e reis do camarote nas baladas. Os shoppings, instituição paulistana – o Iguatemi é o mais antigo do País, de 1966; o novo JK, o mais chique da cidade; e o Center Norte tem no mesmo complexo hotel, megastore esportiva e shopping só de decoração. Bairros de origem imigrante, como a Liberdade, de japoneses (a feira de domingo é um clássico), e o Bixiga, italiano (leia teatros e cantinas). Com tempo, amplie os horizontes.

(Encontre no mapa os pontos de seu interesse. Arraste para a esquerda para ver Santos e Guarujá.)

DIA 1: Paulista, Jardins e Vila Madalena
O passeio começa na via ícone de São Paulo. Na Avenida Paulista, o Masp (R$ 15) é para admirar a vista desde o vão livre e o acervo; o Parque Trianon, ver vegetação remanescente de Mata Atlântica; e o Conjunto Nacional, ícone arquitetônico, para curtir livraria e cinema. Ali mesmo, ladeiras abaixo, começa o bairro dos Jardins, com lojas de luxo na Rua Oscar Freire e entorno e restaurantes grifados.

Do chef Alex Atala, hoje o principal porta-voz da gastronomia brasileira no mundo, o Dalva e Dito serve comida “da vovó, das tias, das mães”. Reserve o quanto antes – o D.O.M., casa mais famosa do chef, está esgotado no período da Copa.

Almoce e tome o rumo da Vila Madalena. Comece vendo arte urbana na Galeria Choque Cultural e na Rua Gonçalo Afonso, o famoso Beco do Batman, galeria de grafites a céu aberto. Perto, as ruas Harmonia, Fidalga e Girassol conduzem o eixo de lojas e ateliês descolados da Vila.

Escolha entre o Sabiá (Fidalga, 705) e o Genésio (Fidalga, 245) para o chope da happy hour. No jantar, vá de pizza: a Bráz é ícone, e a unidade da Vila Madalena fica ao lado do Instituto Tomie Ohtake (gratuito), que vale pela arquitetura e pelas exposições.

Para a noite, fique no bairro: as rodas de choro do Ó do Borogodó reúnem excelentes instrumentistas. E o SubAstor é o endereço certo dos bons drinques.

DIA 2: Pelo centro histórico
É dia de centro histórico: Mercadão, Teatro Municipal, Pátio do Colégio, Catedral da Sé, Galeria do Rock. Se for quinta-feira, troque pela Caminhada Noturna. E dedique a manhã ao Parque do Ibirapuera e ao Museu do Futebol (R$ 6).

Almoce no brasileiríssimo Bar da Dona Onça, no Copan, e siga para Pinacoteca (R$ 6) ou Museu da Língua Portuguesa (R$ 6), ambos na Luz. No jantar, enfie o pé na jaca e o garfo na bisteca do Sujinho. Na Rua Augusta, logo ali, o Caos e o Anexo B têm boa música; e o Z Carniceria, bebidinhas. Mais alternativa, a Praça Roosevelt tem teatros e bares.

DIA 3: Na estrada de Santos
Distantes 70 quilômetros da capital, as praias de Santos deixam a desejar, mas a infraestrutura e a herança portuguesa da cidade tornam o passeio interessante.

Ônibus partem continuamente da rodoviária do Jabaquara (R$ 21,81), mas vale alugar carro. Deixe o veículo em um estacionamento na região da Praça Mauá e comece a visita ao centro histórico. Há passeio de bonde restaurado (R$ 5) que parte da praça, mas é dispensável. Fotografe o vagão e siga a pé. É tudo perto: Conjunto do Carmo, Igreja Nossa Senhora do Rosário, Teatro Coliseu. A Bolsa de Café é museu e cafeteria bem cotada. O futuro Museu Pelé ficará na região, no Valongo, e tem previsão de inauguração até a Copa. É esperar para ver.

Há memorabilia do craque na Vila Belmiro, estádio do Santos. Lá fica o Memorial das Conquistas (R$ 13) e há visitas guiadas.

Na orla, deixe o carro perto do Canal 2 para caminhar pelos jardins. Na altura da Avenida Ana Costa, visite o bairro do Gonzaga. Na paralela Rua Carlos Afonseca (número 214) está o bacalhau impecável do Último Gole, aberto há três décadas (R$ 130, para dois).

O Aquário Municipal (Praça Vereador Luiz La Scalla) tem tanques de arraias e tubarões. Fica na Ponta da Praia, famosa pelo pôr do sol no calçadão, e a caminho da balsa para o Guarujá.

Se quiser ver praia bonita, faça a travessia. Como ficam em mar aberto, as praias do Guarujá têm águas mais claras. Mesmo com friozinho, surfistas escolhem a Praia do Tombo. Bater pernas? Astúrias, Pitangueiras e Enseada. É nesta última que fica o restaurante Dalmo Bárbaro, especializado em frutos do mar e no melhor marisco lambe-lambe da cidade. Custa R$ 69, para três pessoas.

Para curtir a cidade, localização do hotel faz diferença

Quartos em hotéis ainda não são problema em São Paulo; preços, sim. E vale lembrar que, em uma cidade tão grande, localização faz diferença. Para curtir o circuito turístico: hostel Gol Backpackers (desde R$ 180); Mercure São Paulo Paulista Hotel (R$ 229); Matsubara Hotel (R$ 800); Radisson Faria Lima (R$ 1 mil).

Luxuosos, perto dos escritórios do Brooklyn e dos restaurantes de Itaim e Vila Olímpia, mas bem longe das atrações: Hilton (desde US$ 329); Sheraton (R$ 1,1 mil) e Grand Hyatt (R$ 1.958).