Bruna Tiussu
Aqui em Londres, os ingleses juram estar adorando o clima olímpico e todos os eventos realizados em conjunto com os Jogos. Há duas semanas do fim das disputas Olímpicas, dizem ainda que esperavam ansiosos pelo início dos Jogos Paralímpicos e os agitos que com eles chegam. Pois tal expectativa que soava exagerada pôde de fato ser percebida na cerimônia de abertura dos Jogos realizada nesta quarta-feira, no Parque Olímpico londrino.
O clima de festa se espalhava logo pelo lado externo do estádio, com torcidas organizadas – com os respectivos uniformes e bandeiras de seus países -, música, rostos pintados e sorrisos espontâneos. Na abertura dos Jogos Paralímpicos, claro, era grande o número de pessoas com necessidades especiais, que iam e vinham com uma facilidade impressionante, com acessos perfeitos para eles.
Muitos duvidaram, mas a chuva que caiu na cidade no início da tarde foi embora no momento exato para que a festa se realizasse com o céu limpo. Fogos de artifício, luzes variedadas, efeitos especiais – como os bailarinos que surgiam do céu, pendurados em seus guarda-chuvas – tomaram conta do estágio e emocionaram o público que lotava o ambiente. Se vendo pela televisão tal dedicação e perfeição é surpreendente, imagine só como é vivenciar a experiência in loco…
Particularmente, destaco dois momentos em especial: o primeiro, a entrada da delegação brasileira (porque um pouco de patriotismo é inevitável) em verde e amarelo, lá vieram nossos paratletas recebendo o aplauso caloroso do público. As mais de 100 pessoas que representam o Brasil nessa edição da Paralimpíada acenavam, sorriam, tiravam fotos, bem ao estilo brasileiro que festar.
Depois, destaco a hora em que a bandeira Paralímpica entrou no estádio. Ela foi carregada pelos atletas paralímpicos da seleção de basquete da Inglaterra, todos cadeirantes. Deram uma pequena volta com ela esticada até alcançarem a haste onde ela seria erguida. Sem grandes efeitos especiais ou jogo de luzes, foi um ato simples, mas tocante, que veio carregado da mensagem mais nobre dos Jogos Paralímpicos: que o esporte não aceita não como resposta.
Não seria mais correto utilizar o termo “paraolímpico”? No dicionário Houaiss, encontrei somente o termo “paraolímpico” e não existe o termo “paralímpico”.
paralímpicos é demais! a referência ao Olimpo desapareceu por capricho!
Então o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Límpicos de 2016!
Pois é, soa estranho, mas foi o Comitê Olímpico que pediu a todos os meios para adotar o termo Paralímpico daqui em diante.
Abs.
Expulsão do Olimpo
Coisa mais estranha essa de suprimir a referência ao Olimpo, grego, na referência aos jogos ‘para-olímpicos’, chamando-os agora, na fase dos atletas com graves restrições físicas, de jogos ‘paralímpicos’, com a ‘justificativa’ de que foi um ‘pedido’ do Comitê Olímpico! Então o Comitê está acima do próprio Olimpo, o céu dos gregos, que inauguraram os jogos ‘olímpicos’. Como os gregos denominariam esses jogos de congraçamento dos ‘para-atletas’? … ou seria ‘paratletas’?
Esta arbitrária descaracterização do esforço esportivo, de superação a níveis inimagináveis, desses atletas já marcados por graves deficiências físicas estaria, assim, justificando essa brincadeira de mau gosto, verdadeira discriminação, para que não fossem comparados aos super-atletas reconhecidos como aceitáveis pelo Comitê?
Eu gostaria de conhecer a argumentação do Comitê para justificar esta recomendação. Teria alguma relação com as exigência dos contratos de patrocínio? Caso positivo, pior ainda…
Quem me ajuda a entender esta situação?
Oi Ayrton,
pelo que temos de referência aqui, o termo em inglês sempre foi Paralympic Games, desde a fundação do Comitê Internacional, em 1989. E o nome se justifica como derivado da preposição grega “para”, que em português significa “ao lado de”. Ou seja, Paralympics seriam os Jogos “paralelos” aos Olympics.
O Brasil usava o termo Paraolímpico por questões linguísticas e, agora, está adequando seu nome com o do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), para que o termo já seja habitual ao público em 2016, quando o País sediará os Jogos. Outros países de língua portuguesa, caso de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, já utilizam o termo Paralympic.
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