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Viagem

09.janeiro.2012 17:51:36

Praga ao som do jazz

Bochechas salientes e brincadeirinhas quase infantis entregam: o mais velho entre os cerca de 30 músicos do grupo que orgulhosamente ocupa o palco não deve ter 18 anos. Por isso, o queixo cai quando a meninada começa a tirar sons perfeitos dos trombones, clarinetes e baixos, dando início a mais uma noite de espetáculo no clube Reduta, um dos melhores endereços de concertos de jazz em Praga.

No ambiente com decoração mais para séria, cheia de tapetes e estofados vermelhos, o público se acomoda e mantém silêncio absoluto – nem pense em nada além de balançar os pés, não importa o tamanho da empolgação. Músicos do país e estrangeiros, muito experientes ou iniciantes como os adolescentes do parágrafo acima, mostram suas habilidades desde 1958. No mesmo palco onde já tocaram ícones como Wynton Marsalis, Chris Barber e Cecil Taylor. O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, deu sua canja ao saxofone no clube, em 1994. Ganhou retratos nas paredes por isso e se tornou um embaixador informal do Reduta.

Há shows todas as noites, às 21h30 – a programação completa, bem como venda de ingressos online, estão disponíveis no site. E o clube tem ainda bar e sala de teatro, onde são apresentados espetáculos convencionais e de teatro negro, um dos highlights da cidade. E vende camisetas ótimas que se tornam, facilmente, o souvenir mais bacana para se trazer de Praga.

 

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Como boa turista brasileira, adoro ir às compras quando viajo. Só que o alvo da cobiça, no meu caso, não são as lojas de grife, nem as de souvenir. São os supermercados.

O amor pelas gôndolas e prateleiras virou questão de sobrevivência desde que descobri a delícia que é trocar o hotel por um apartamento alugado. Ter um lar temporário e uma cozinha toda minha implica em riscos, é verdade – como estragar o café com uma generosa colherada de sal por não compreender a embalagem escrita em eslovaco (com opções em húngaro, checo e polonês, para ninguém poder dizer que os fabricantes da Eslováquia só conhecem seu próprio idioma). Mas também reserva alegrias. Alegrias econômicas, que são ainda melhores. Exemplo: encontrar a cerveja deliciosa, que custava 40 coroas checas (cerca de R$ 3,90) a garrafa em um pub, vendida por 8 coroas checas. Meros R$ 0,75.

Surpresas gastronômicas estão garantidas quando você vai a um supermercado no exterior. Um detalhe estampado na embalagem que passe despercebido e pronto: a torrada do café da manhã ganha uma bela camada de queijo cremoso apimentado. Você recheia o sanduíche com um embutido que tinha todo o jeito de primo do peito de peru, mas cuja textura se revelou curiosamente esponjosa. Ou descobre que, no Chile, estes estabelecimentos vendem vinho em caixa tetrapack, por valores irrisórios – e acredite, sabor bastante aceitável.

Supermercados ensinam, ampliam o jogo de cintura. Em Praga, onde virei habitué de uma loja da rede Tesco, a dificuldade de comunicação com a atendente do balcão de frios foi superada com ajuda do iPhone. Depois de apontar o item que queria levar, eu usava o aparelho para mostrar fotos de animais – galinha, porco, vaca, carneiro – e, assim, descobrir de qual carne o produto era feito. Então, digitava a quantidade (por exemplo, 200 g). Ela escrevia o preço no aparelho, esperava meu “sim” com a cabeça e tudo estava resolvido.

Muito antes de as sacolas retornáveis virarem moda e começarem a ser vendidas nos supermercados paulistanos, conheci a ideia em Berlim. Lá não é questão de escolha levar sua própria bolsa, mochila, cesta ou seja o que for para transportar as compras para casa. Quem não faz isso paga por cada saquinho plástico usado. Um sistema que, agora, até a Câmara de Vereadores de São Paulo quer implantar na cidade.

Supermercados também são o lugar perfeito para comprar lembrancinhas sem ir à falência. Você consegue pensar em presentinhos melhores para familiares e amigos que sabonetes, creminhos, pacotes de bala e miudezas assim, escritos em outro idioma? Eu não.

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